Arquivo do mês: janeiro 2012

LG volta a Woody Allen e seu Cinema

Encontros e desencontros à meia-noite na cidade luz, ontem e hoje, antes que o tempo passe

 

Cinema é rever, pois é preciso retornar das últimas cenas para refazer toda a trajetória do filme

Nosso texto sobre Meia-Noite em Paris, realização ímpar na filmografia de Woody Allen, foi publicado em 23 de junho de 2011 no Caderno 3 do Diário do Nordeste, quando já naquela data antevíamos vê-lo ganhar o cobiçado prêmio de Melhor Filme do ano. Infelizmente, para seus admiradores, Allen foi alijado por criticas daqui e dali até mesmo da relação dos melhores, uma “Clamorosa Injustiça”, como bem a descreveu, domingo último (08 jan 2011), o jornalista e crítico José Augusto Lopes.


Para quem não leu os dois textos citados, sugerimos-lhe a leitura atenta e também a do nosso adendo sobre como as gerações de críticos e cineastas do nosso tempo vêem Woody Allen; e como esse intrigante criador jamais passa incólume diante de quem se interessa pelas expressões da arte, quer como simples receptores, quer como a leitura do olhar.

Humor e ironia

De fato, poucos artistas do cinema souberam refletir como Woody Allen sobre o vazio existencial e chegar ao topo da amarga ironia embutida nas imagens das suas comédias dramáticas ou nos diálogos das situações vividas por seus personagens angustiados, sexualmente desajustados, problemáticos, neuróticos e frustrados, todos como quase em busca de uma utopia da felicidade num mundo injusto como o nosso e, inexoravelmente, sem sentido algum.

Dale Bailey em entrevista a uma TV dos EUA, em 1983, afirmou: “Não choramos em seus filmes, estranhamente rimos neles de nós mesmos e do teatro da vida”, bem enfático. O mestre François Truffaut, em entrevista para o Paris Match, nesse mesmo ano, considerou Woody Allen um cineasta de quem as gerações do seu tempo não poderão esquecer. Destacou, incisivo, que no espaço de quatro anos seguidos, de 1977 a 1980, criou ele quatro jóias: Annie Hall; Interiors; Manhattan; e Stardust. Ressaltou, também, o fato de apreciar o filme ´Zelig´, de 1983, como um prodígio de inventividade visual.

Outro olhar

O crítico Enéas de Souza, autor de Trajetórias do Cinema Moderno; e de O Divã e a Tela, assinala, com propriedade, que, em Meia-Noite em Paris, Woody Allen mostra a astúcia e o feitiço do seu cinema, como de fato, já desde a antológica abertura do seu filme, Allen exibe tanto sua maestria no clarinete como nos arranjos musicais de Sidney Bechet (Si tu vois ma mère), Cole Porter (You do something to me), Juliette Greco (Parlez moi d´amour) e Josephine Baker (La Conga Blicoti), para citar, dentre tantos, apenas estes.

Músicas e imagens

São apenas seis minutos melódicos da melhor qualidade numa homenagem a tudo quanto existe de mais belo ou típico em Paris, seja nas manhãs de sol ou na chuva fina das tardes outonais e na visão das clássicas construções arquitetônicas vistas nas noites parisienses, seja ainda nos flashes do trânsito das pessoas por lugares típicos da urbe ou nas margens do Sena e do Palácio de Versalhes, onde, perdido lá perto, o roteirista Gil Pender (Owen Wilson) abraça afetuosamente sua noiva Inez (Rachel Mc Adams), mas ela não deseja morar nos EUA… Quando as imagens vistas pelo olho de Allen chegam ao seu ápice, confrontam a alvorada e a luminosidade incipiente, é como se sugerissem o retorno dos derradeiros planos para o espectador refazer toda a trajetória do filme e melhor compreendê-lo em sua abrangência e plenitude.

Elenco e Personagens

Quanto à condução dos atores e de personagens críveis, poucas vezes Allen foi melhor na tarefa de dar-lhes plena credibilidade aos seus papéis, máxime nas imagens-rosto (image-visage) das quais falava Truffaut. No tocante ao filme propriamente dito, lembramo-nos das palavras dos mestres para quem o sentido do cinema sempre se faz pela seleção das imagens e tempo de duração das tomadas, pela interação dos ritmos interno e externo, pelos efeitos sonoros, edição, continuidade e principalmente pela mise-en-scène, tão bem defendida pelo saudoso Andre Bazin, o pai da Nouvelle Vague. Daí o motivo pelo qual os críticos dessa arte tanto insistem na leitura das análises de Bazin e também . na de “O Cinema e a Encenação”, de Jacques Aumont.

Ficamos por aqui certos de termos demonstrado aos cinéfilos os motivos da escolha de Midnight Express de Woody Allen como sendo o Melhor de 2011.

O escritor Paulo Coelho (de letrista das melodias de Raul Seixas passou a ser o escritor brasileiro mais lido no exterior) redigiu oportuno depoimento sobre Meia-Noite em Paris, do qual transcrevemos o parágrafo de interesse para fãs e cinéfilos da realização de Woody Allen. Ei-lo: (Texto I)

Trecho – Texto I

Adorei o filme de Woody Allen e a forma criativa como nos mostra uma Paris de sonho, mais surreal em relação àquela na qual viviam os surrealistas. Trata-se, na verdade, de um conto de fadas: à meia-noite, após as doze badaladas, surge uma carruagem… Não, neste caso é um automóvel dos anos 20 que vem ao encontro de Gil numa viela deserta. Nele estão Zelda e Scott Fitzgerald, sua mulher, para surpresa e encantamento de quem apenas sonhava tornar-se romancista, embora fosse um roteirista de certo sucesso em Hollywood. Zelda e Scott o levam ao encontro de Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dali… como certamente um dia o desejou o próprio Woody Allen em sua primeira e inesquecível visita a Paris, a Cidade-Luz. Quem lá esteve, jamais a esquece e faz tudo para visitá-la novamente, tantos os encantos.

Recursos expressivos na criação da atmosfera

Para o critico e escritor Enéas de Souza, de quem nos valemos para este arremate, o cinema de Woody Allen é a história trabalhada em cima da imagem encarnada em luz e sombra, no caso luz/cor. Veja-se a luz/cor branca dos ambientes da família de Inez, salvo o quarto dos noivos, onde existe um tom de suave atmosfera sensual.

Paris, sempre Paris

Vejam-se, no entanto, os ambientes de Paris dos anos 20, onde o jogo de luz e cores funciona tanto para as cores escuras, quentes, como para a luz propiciadora de um brilho de inteligência. Uma cena extraordinária nesse nível é a da dança de Josephine Baker. Ótima a escolha dos atores, como era com Minnelli. Gil é um jovem de modos ingênuos, cabelos românticos, olhos sempre espantados, boca e fala tímidas, porém com interesse intelectual para o literário.

La belle Inez

Já Inez é composta propositadamente com uma beleza carnal discreta, mas sempre presente, através dos decotes, dos ombros nus, ou de vestidos levemente eróticos. Os pais – credo! – representam a própria formalidade americana, abusiva, arrogante, sobretudo a mãe. E Paul Bates tem a tipologia do “scholar” pedante: corpo impositivo, barba composta com um misto de refinamento, de petulância, de exibicionismo e, evidentemente, de segurança burocrática.

As fronteiras

Enfim, o filme de Allen compõe uma permanente construção de atmosfera, seja gelada e vulgar da família e dos amigos de Inez, seja de aquecimento, de dinamismo, de febrilidade da fantasmagórica Paris da cultura. Com isso, a natureza da imagem de Woody Allen oscila entre o realismo da crítica e a poesia do imaginário. Não se esqueça da qualidade das imagens de Paris, todas colhidas pelo fotógrafo iraniano Darius Khordji. Indefectivelmente, um nome para guardar.

L.G. DE MIRANDA LEÃO
Critico de cinema

 

MESSI e Maradona eleitos os Melhores do Mundo… Saravá !

Foi este o resultado de um ranking elaborado pela revista americana ‘Sports Illustrated’ com os 100 melhores jogadores de futebol (soccer) de todos os tempos. Pelé aparece em quarto lugar e é desbancado por Messi, Maradona e Cruyff.

Craque argentino: competência reconhecida mundialmente…

“Será que eu preciso explicar? O júri pode questionar se Messi é o melhor de todos os tempos, mas já houve um ‘melhor jogador’ quando se fala em atitude, altruísmo e ritmo de trabalho?”, indaga o jornalista Raphael Honigstein para justificar seu voto no atual camisa 10 do Barcelona.

Conhecido como El Pibe de Oro, Maradona foi a grande estrela da Copa de 2010…

Para chegar à lista final, a revista reuniu 10 repórteres especializados em futebol para fazer um ‘draft’, no qual, após sorteio, o primeiro escolhe um jogador, que não poderá mais ser citado pelos demais votantes. Segundo na lista, Ben Lyttleton ficou com Maradona por ele “ter liderado a Argentina na Copa de 1986”, enquanto Jonathan Wilson elegeu Cruyff por considerá-lo o mais inteligente de todos os tempos.

MESSI e MARADONA: talentos do futebol argentino, legendas mundiais do futebol…

A lista dos 10 melhores jogadores

1 – Lionel MESSI (ARG)
2 – Diego MARADONA (ARG)
3 – Johann Cruyff (HOL)
4 – Pelé (BRA)
5 – Franz Beckenbauer (ALE)
6 – Lev Yashin (URSS)
7 – Michel Platini (FRA)
8 – Bobby Moore (ING)
9 – Zinedine Zidane (FRA)
10 – Ferenc Puskas (HUN)

Zeca Baleiro e O Disco do Ano na web, a partir de segunda…

Na próxima segunda, dia 30, entra na rede o hotsite (http://www.zecabaleiro.com.br) do novo CD do cantor e compositor Zeca Baleiro, cujo lançamento está previsto para março, pela Som Livre. Apostando na interatividade com o público, Baleiro lançará uma enquete no hotsite, com três opções de capas do novo CD para votação. A mais votada será a escolhida para embalar O Disco do Ano– 9º de inéditas do compositor maranhense.

Além da enquete, o hotsite terá novidades, como pequenos vídeos e mensagens de Baleiro, postadas diariamente, até o lançamento do CD pela Som Livre.  Seus últimos discos saíram por seu próprio selo – Saravá Discos.

Os lançamentos mais recentes de Baleiro são de 2010, quando celebrou seus 13 anos de carreira com o pacote “Vocês vão ter que me engolir”, incluindo dois CDs – “Concerto” e “Trilhas”; o programa “Biotônico” na rádio UOL; os livros “Bala na Agulha (reflexões de boteco, pastéis de memória e outras frituras)” e “Vida é um Souvenir Made in Hong Kong – Livro de Canções”; e a estreia do musical infanto-juvenil “Quem tem medo de Curupira?”, de sua autoria. Para a escolha do repertório do cd “Concerto”, gravado ao vivo, Baleiro também contou com a opinião do público, que votava em suas canções prediletas numa cédula ao final do show ou no site do artista.

O novo CD de Zeca Baleiro

O Disco do Ano terá 12 faixas inéditas, à exceção de “Nada Além”, parceria com Frejat e presente no disco “Intimidade entre Estranhos”. O CD ainda terá parcerias com Hyldon, Lúcia Santos (irmã de Baleiro), Kana (compositora japonesa) e Wado. Estão confirmadas ainda as participações de Margareth Menezes, Andreia Dias e Chorão. Ao todo, 15 produtores assinam o disco.

 Acesse o Hotsite  http://www.zecabaleiro.com.br

Últimos dias para inscrições ao FESTin Lisboa…

Até a próxima terça, dia 31, prosseguem abertas as inscrições ao segundo FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, a ser realizado no Cinema São Jorge, em Lisboa, de 9 a 20 de maio, incluindo uma Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo, a propósito do Ano do Brasil em Portugal. 

O Brasil será o país homenageado nesta 3ª edição, sucedendo a Moçambique (2010) e a Portugal (2011), no entanto, a partir do próximo ano, o festival passará a contar na sua programação, sempre, com a Mostra de Cinema Brasileiro, anteriormente produzida pela Fundação Luso-Brasileira.

 

Sede da Fundação Luso-Brasileira na capital portuguesa…

As inscrições para a Selecção Oficial Competitiva de Cinema de Expressão Portuguesa (longas e curtas) devem ser feitas, e o regulamento pode ser consultado, pelo site www.festin-festival.com 

Para além das secções competitivas de longas e curtas-metragens e de mostras temáticas paralelas, o FESTin promove ainda debates e oficinas para crianças e jovens. No próximo ano, a organização do evento pensa estender suas atividades às comunidades de língua portuguesa espalhadas pelo mundo. 

As jornalistas Adriana Niemeyer e Lea Teixeira, idealizadoras e produtoras do FESTin, que vai movimentar Lisboa em maio…

O FESTin -  Festival Itinerante de Cinema da Língua Portuguesa foi criado em 2010 pelas amigas Adriana Niemeyer e Léa Teixeira com o objetivo de celebrar e fortalecer a cultura de expressão portuguesa através do cinema, num ambiente de partilha, intercâmbio e inclusão social. É organizado pela Padrão Actual, em co-produção com a Fundação Luso-Brasileira e a EGEAC – Cinema São Jorge. 

Em 2011, a 2ª edição do festival realizou-se entre 26 de Abril e 1 de Maio, exibindo 78 produções dos oito membros da Comunidade de Países da Língua Portuguesa, que foram vistas por mais de 3000 espectadores. O filme vencedor da 2ª edição foi “Hortas di Pobreza”, da jovem realizadora Sara de Sousa Correia.

Mais informações: www.festin-festival.com

Siga o FESTin: www.facebook.com/festin.lisboa

Fevereiro de Blues em Fortaleza

 O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza anuncia a realização da mostra II Blues do Nordeste, nas duas primeira semanas de fevereiro – do dia primeiro a 4, e de 8 a 11, com ENTRADA FRANCA.

A banda De Blues em Quando é uma das atrações…

Num expressivo recorte da cena Blues, com apresentação de 23 shows musicais, a mostra no CCBN reunirá os principais adeptos do gênero em Fortaleza, além da participação de alguns grupos convidados do Piauí (Clínica Tobias Blues), Rio Grande do Norte (Gustavo Cocentino), Alagoas (Barba de Gato) e Rio de Janeiro (Black Dog). 

“Vale ressaltar a importante parceria com a Associação Casa do Blues, que através de ações desenvolvidas em pontos estratégicos da cidade, há muito tempo vem contribuindo para a formação de novos músicos adeptos ao gênero e de novas plateias”, enfatiza o coordenador da mostra, André Marinho.

A carioca Black Dog, com significativo trabalho na área, vai tocar novamente em Fortaleza…

                       II Blues do Nordeste 

         Agenda de shows da Primeira Semana 

01/02/12 (QUARTA)  

17:00 – Água Ardente Blues

18:30 – Bluzeria 

02/02/12 (QUINTA)  

17:00 – Victor Gueiros

18:30 – Gambiarra 

03/02/12 (SEXTA)  

15:30– Metal in Blues

17:00– The Blues is on the Table

18:30 – Allysson dos Anjos 

04/02/11 (SÁBADO)  

14:00 – Felipe Cazaux

15:30 – Blues Label

17:00 – Zeppelín Blues 

18:30 – Malvácea Band 

                        II Blues do Nordeste – Segunda Semana 

08/02/12 (QUARTA) 

17:00 – Lorena Nunes

18:30 – Marcelo Justa 

09/02/12 (QUINTA) 

15:30 – Los Carecas

17:00 – Black Dog (RJ)

18:30 – Rafael Balboa 

10/02/12 (SEXTA)  

15:30– Puro Malte

17:00– Clínica Tobias Blues (PI)

18:30 – Kazane Blues 

11/02/12 (SÁBADO) 

14:00 – De Blues em Quando  

15:30 – Barba de Gato (AL)

17:00 –Artur Menezes  

18:30 – Gustavo Cocentino (RN)  

Músico cearense de Sampa, filho da cantora Lucinha Menezes, Artur Menezes é atração do último dia do II BLUES do NORDESTE

Mais informações: 3464. 3108 ou www.bnb.gov.br/cultura

Vem aí o II Festival de Cinema de Anápolis…

Com coordenação-geral de débora torres, Cidade goiana prepara nova edição de seu concorrido Festival

 

Na próxima semana, será divulgado o Edital do Festival, o qual este ano terá mais uma mostra competitiva: a de CURTAS DOCUMENTÁRIOS do CENTRO OESTE, além da principal Mostra – que reverencia a memória do pioneiro ADHEMAR GONZAGA – com exibição de LONGAS METRAGENS BRASILEIROS DE FICÇÃO PREMIADOS e curtas anapolinos de todos os gêneros.
 
 
 
Débora Torres envia um carinhoso convite, no qual reafirma seu propósito de realizar um amplo painel audiovisual e aprofundar os laços afetivos, a partir do fazer cinematográfico:
 
 
Conto com a presença de todos vocês! Alguns como convidados, outros como jurados, ou ainda como homeageados. Mas,sempre com grande prazer.
E VIVA O CINEMA BRASILEIRO !!!
 
 
 
Aurora Miranda Leão, Walter Webb e Débora Torres curtindo a primeira edição do Festival de Cinema de Anápolis…
 

Depois de virar “Bandido”, Ney Matogrosso conquista Sampa

Salva de Palmas: Aniversário da capital paulista terá show do magnífico Artista na praça da República …

A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo convida para os festejos de hoje quando a cidade comemora seus 458 anos. A grande atração é o show Beijo Bandido com Ney Matogrosso na Praça da República, a partir das 20h. 
Com direção musical e arranjos de Leandro Braga, o show mergulha numa atmosfera intimista, em contraponto à sonoridade roqueira do projeto anterior do cantor. O título, Beijo Bandido foi inspirado na letra da música Invento, integrante do repertório, de Victor Ramil.

A seleção das músicas é enfatizada pela excelência e singularidade vocal de Ney, com tangos e canções populares brasileiras, algumas nunca gravadas por ele, como Medo de Amar, de Vinicius de Moraes e Bicho de Sete Cabeças, de Geraldo Azevedo, Ramalho e Renato Rocha.

No espetáculo desta noite, sai de cena o figurino exótico que tornou conhecido e amado o ex-vocalista da banda Secos & Molhados para dar lugar a um terno de cor clara, criação do festejado estilista Ocimar Versolato.

A produção tem caráter acústico e a banda que acompanha NEY reúne artistas como Leandro Braga (piano), Lui Coimbra (violoncelo e violão), Alexandre Casado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).

Com sua performance espetacular e voz singular de contra-tenor, Ney Matogrosso empresta sua original leitura a canções como Tango para Teresa, sucesso na interpretação de Ângela Maria; De Cigarro em Cigarro, e Segredo, ambas gravadas em trabalhos anteriores.

Nascido na pequena cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, Ney Matogrosso também vai mostrar no show desta noite clássicos como A Bela e a Fera, de Chico Buarque e Edu Lobo; e Nada por Mim, verdadeiro hino dos anos de 1980, criação do poeta Herbert Viannaque cedeu parceria a Paula Toller.

Cor do desejo é a única canção inédita do projeto e foi entregue pessoalmente a Ney por um dos compositores, Junior Almeida, durante a turnê do espetáculo anterior do cantor, Inclassificáveis, em Maceió.

Dentre as 19 músicas previstas para o show do aniversário da cidade de São Paulo, estão ainda As Ilhas, Doce de Coco, e À Distância, sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

TRADUZINDO: a praça da República de São Paulo viverá esta noite um de seus mais impactantes momentos artísticos com o imperdível SHOW deste Artista fenomenal que é NEY MATOGROSSO, um Midas da MPB – tudo que Ney canta vira preciosidade.

Arrisco-me até a dizer que, caso NEY resolvesse cantar o hit Ai, se eu te pego, do paranaense Michel Teló,  a música ganharia outra sonoridade, e talvez até se descobrisse nela algum valor a mais do que o de ser uma típica música-chiclete.

O que se comenta nas entrelinhas: depois de arrasar pelos festivais do mundo com sua magnífica performance como Ator, vivendo o BANDIDO DA LUZ VERMELHA, no filme de Helena Ignez – a partir de cuidadoso roteiro de Rogério Sganzerla -, Ney Matogrosso conquistou definitivamente o coração da paulicéia.

Quem já viu LUZ NAS TREVAS, o premiado filme da eterna musa Helena Ignez sabe do que estou falando. O filme se passa numa graande cidade qualquer, e é ambientado numa São Paulo moderna, caótica, contraditória, onde NEY vive o famoso Bandido da Luz Vermelha em outro momento de sua história – o primeiro foi em 1968, e o Bandido era Paulo Villaça.

Ney em cena de Luz nas Trevas: consagrado também como grande Ator

Helena Ignez colocou Ney Matogrosso para filmar em meio a comunidade de Heliópolis e ali NEY foi rigorosamente aclamado. O cantor, que iniciou carreira artística como ator, dá um show de atuação no filme e, sobretudo na cena final, onde aparece cantando e atuando, NEY conquista plateias e adesões, mundo afora. Não poderia ser diferente com Sampa. 

Os que ainda não viram, aguardem: LUZ NAS TREVAS será lançado nacionalmente em maio.

Viva São Paulo ! E PARABÉNS ao enorme público da capital paulista que tem hoje a chance de verouvir, de graça, UM SHOW  do mais alto quilate, o SHOW do Artista genial e singular que é NEY MATOGROSSO.

Todos à praça da República !

SARAVÁ !!!

 

Djin Sganzerla faz últimas apresentações de O Belo Indiferente…

Atriz está em cartaz no SESC Consolação em atuação magnânima. Espetáculo tem direção de Helena Ignez e André Guerreiro Lopes

É tão esmeradamemte bem cuidada a atuação de Djin Sganzerla para a cantora carente, insana, perturbada e sofrente da peça escrita por Jean Cocteau que é difícil não cair no lugar comum ao pretender dizer qualquer coisa sobre o espetáculo.

Mas deixar passá-lo em brancas linhas seria um pecado, no qual não quero incorrer.

Estive uma semana em Sampa e um dos objetivos de minha ida foi assistir à Djin no teatro. Estive na platéia muitas vezes e a cada noite fui tocada de modo diferente. Porque o grande intérprete não se repete nunca. Em geral, pulsa no ritmo dos espectadores, noutras vezes é ele quem conduz o público conforme o calibre de sua emoção.

Djin, Helena Ignez e Aurora Miranda Leão: teatro na noite paulista

O Belo Indiferente é um texto difícil. Não é fácil falar da dor da rejeição/solitude/desatenção/desamor/indiferença. Esses sentimentos carregam sempre muita dor, o que só acresce mais obstáculos ao seu desabafo, inda mais quando este é praticado em solilóquio.

Djin Sganzerla topou o desafio. Mergulhou fundo no abismo da busca interior por um personagem sofrido/sofrente, e saiu de lá com invejável fôlego. É esta a sensação que percorre o âmago do espectador que assiste a O Belo Indiferente, em cartaz no terceiro andar do espaço cultural SESC Consolação.

DJIN: beleza e maestria para falar de tristeza e rejeição…

A atriz tem a suprema sorte de carregar no sangue os genes artísticos do pai cineasta (o memorável Rogério Sganzerla) e da mãe atriz, cineasta, artista plástica, escritora, Helena Ignez. E é Helena quem assina a direção do espetáculo, compartilhada com o também ator, diretor, videomaker e grande fotógrafo André Guerreiro Lopes.

E é quase impossível uma receita dar errado quando todos os ingredientes estão certos, bem medidos, inteligentemente unidos.

O BELO INDIFERENTE que São Paulo e seus muitos visitantes podem conferir até a próxima sexta no SESC Consolação é um momento teatral de suprema relevância no contexto cultural contemporâneo. Vale a pena ser visto, mesmo por aqueles que não tem muita afeição pelo Teatro em versão monólogo.

Embora Djin esteja em cena ao lado de Dirceu de Carvalho, este não diz sequer uma palavra. O que também é ato difícil, corajoso, e digno de aplausos. Sabe lá o que ser Ator e ficar uma hora em cena ouvindo o que seu personagem ouve e não esboçar quase nenhuma reação, perfazendo toda a intensa curva dramática do espetáculo sem pronunciar sequer um Ai ? Pois Dirceu faz isso e o faz com competência. Teve a humildade necessária para assumir o papel e tem a grandeza exigida pelo eloquente texto de Cocteau. A ele também o nosso aplauso sincero.

Helena Ignez, que estreou no teatro fazendo este monólogo, teve papel decisivo na hora de indicar a montagem para Djin e André, casados na vida real, e amantes super modernos no filme Luz nas TrevasA Volta do Bandido da Luz Vermelha, cujo lançamento está agendado para maio, no Rio.

Esta aguerrida baiana que despontou para o teatro nos anos de 1960, e que em 1968 provocou uma revolução na forma de interpretar das atrizes brasileiras por sua atuação insólita, visceral e ultra transgressora no filme-marco de Rogério Sganzerla (a obra-prima O BANDIDO DA LUZ VERMELHA), tem mesmo ares de xamã, musa, e maga. Ou então deve carregar escondidinho por entre suas longas madeixas uma varinha de condão… só isso para explicar o porquê de Helena Ignez transformar em ouro tudo o que toca.

A montagem de O BELO INDIFERENTE é um acerto do começo ao fim. Impregnada do ritmo veloz destes nossos tempos, linkados em fruições de mil matizes, esta montagem ganha contornos de instalação visual, entrecortada por sons que dominam o ambiente, vindos de todos os quadrantes, dialogando com discursos visuais criados pela câmera ágil e sensível de André Guerreiro Lopes e o resultado não podia ser outro: O BELO INDIFERENTE é uma encenação inteligente e sensivelmente poderosa.

Djin Sganzerla numa cama que é o próprio retrato da lancinante rejeição…

Ainda pudesse alguém achar o texto entediante, repetitivo, doloroso de ouvir ou coisa que o valha, toda a ambiência cênica proposta por seus criadores, faz com que os aplausos ecoem de forma unânime e ninguém permaneça indiferente a este belo espetáculo. O que mais se alcança dos escólios da platéia, ou se consegue entreouvir quando as luzes de acendem, são as pessoas fazendo comentários de identificação, contando ter vivido tal situação, ou que fulana passou por isso, ou “coitada dela, ainda tá nessa…”, e coisas do tipo.

Em O Belo Indiferente, que Jean Cocteau escreveu especialmente para sua amiga, a cantora Edith Piaf, a dor do desamor e da rejeição, a facada do desafeto e da espera inútil, e o desvario do sentimento que tem como resposta a indiferença se confundem com a falta de amor próprio, com a inexistência de auto-estima, e/ou com a cegueira trágica de um ego mal resolvido ou abandonado. Tudo isso é magistralmente traduzível na cena acme do espetáculo, quando um dos símbolos do amor bem realizado, a cama, se afirma como um deserto de aspereza, iniqüidade, e morte de qualquer emoção aceitável entre duas pessoas que partilham o mesmo espaço.

A cena mais parece um quadro do genial artista belga René Magritte, de uma eloquência chocante, magnânima, necessária. Um luminar da Direção.

Não dá pra se dizer fã, apreciador, aprendiz ou estudioso de teatro ou das novas mídias e não compactuar deste momento forte, vibrante, memorável do Teatro Brasileiro.

E vamos à fabulosa equipe técnica: Simone Mina responde pela Direção de Arte, cenografia e figurinos; a iluminação cabe a Marcelo Lazzaratto; e a concepção sonora é de Gregory Slivar.

Para tornar possível a montagem, colaboram o Ministério da Cultura, a Mercúrio Produções, o Estúdio Lusco Fusco, a Sabesp e o Serviço Social do Comércio. E os colaboradores especiais são: Tufi Duek, e Casa da Sogra – Soluções Sonoras. Apoio: Gopalla Madhavi (restaurante de saborosa culinária – lacto vegetariana com sabores da Índia), Goa, Amazônia, Helaine Garcia, Dona Estética, Banana Verde, Yam, Barão da Itararé, Rota do  Acarajé, Vegacy (Cozinha Vegetariana), Cantina Luna di Capri, Cantina e Pizzaria Piolin, Planeta’s Restaurante, Alves Lavanderia e Tinturaria, Bar do Batata, e Pres Pizza.

Parabéns ao SESC pela aposta no ousado projeto de Djin, André e Helena. Um acerto com absoluto louvor !

E um abraço muito especial de PARABÉNS a esta trupe ultra charmosa e pra lá de competente que são Djin Sganzerla, André Guerreiro Lopes e a amada Helena Ignez.

Que O Belo Indiferente ganhe mais e mais palcos do país !

André Guerreiro Lopes e Djin Sganzerla constroem juntos uma bela carreira…

Enquanto não fica pronto e chega às telas o longa-metragem baseado na peça, que Helena Ignez e André Guerreiro Lopes elaboram juntos, com o auxílio luxuoso da câmera de André Dragoni, mais um jovem e promissor cineasta que o Brasil precisa conhecer.

Floripa recebe inscrições para mostrar infância na tela

Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

Abertas até 18 de março inscrições à Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, um dos mais importantes festivais do segmento no Brasil. A 11ª edição vai ocorrer de 29 de junho a 15 de julho no Teatro Governador Pedro Ivo Campos, na capital catarinense.

Podem participar produções nacionais de todos os gêneros e formatos, direcionadas ao público infanto-juvenil e inéditas em Santa Catarina. Regulamento e ficha de inscrição disponíveis em mostradecinemainfantil.com.br

Este ano, todo o processo será online, inclusive o envio dos filmes. As obras selecionadas serão divulgadas no final de maio. O Melhor Filme, eleito pelo Júri Oficial, e o Melhor Filme,escolhido pelo público infantil, receberão o prêmio aquisição da TV Brasil no valor de 10 mil reais.

Além dos curtas nacionais na Mostra Competitiva, a programação trará curtas e longas-metragens internacionais, médias e longas brasileiros nas mostras especiais não-competitivas e pré-estreias. “É o resultado de um ano de muito trabalho e pesquisa, pois fizemos parcerias com vários festivais do Brasil e exterior”, salienta Luiza Lins, diretora da Mostra e idealizadora do projeto.

Nesta edição, será realizado o 8o Encontro Nacional de Cinema Infantil, o 5º Fórum de Cinema e Cidadania, o Pitching, em parceria com o Festival Internacional de Cinema Infantil, oficinas para crianças e professores da rede pública, e o Projeto Escola, que oferece transporte para as crianças das escolas públicas até a sala de cinema do festival.

 A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis é uma realização da  Lume Produções Culturais, com apoio do Núcleo de Ação Integrada e patrocinadores.

O Bandido da Luz Vermelha leva Helena Ignez a Roterdã: atriz será homenageada num dos principais festivais do mundo

O professor Gabe Klinger, radicado nos States desde criança,  é um dos curadores, ao lado do holandês Gerwin Tamsma, da mostra A Boca do Lixo, uma seção especial do Festival de Roterdã, a ser aberto semana que vem na Holanda, e prosseguindo até 5 de fevereiro.

Um dos principais do mundo, o festival vai homenagear o cinema marginal produzido em São Paulo entre o fim dos anos 1960 e meados dos 1980. Serão exibidos 16 filmes, de títulos sugestivos como “Fuk fuk à brasileira”, de Jean Garret; “Orgia ou o homem que deu cria”, de João Silvério Trevisan; “Oh! Rebuceteio”, de Cláudio Cunha; e, claro, “Senta no meu, que eu entro na tua”, de Ody Fraga —todos agora enxergados como cult no exterior, mas praticamente ignorados em seu país de origem, o Brasil.

A Boca do Lixo era o termo utilizado para se referir a uma região no centro da cidade de São Paulo onde funcionavam produtoras, distribuidoras e empresas de equipamento cinematográfico, mais ou menos no local que hoje é chamado de Cracolândia. Seus filmes nunca tiveram uma temática única, mas foram associados aos movimentos do Cinema Marginal e da Pornochanchada.

Só que, no cinema produzido na Boca, foram feitos faroestes, melodramas, kung-fus, comédias eróticas e qualquer outro tipo de obra de baixo orçamento com caráter popular. Seu principal cinema era o Cine Marabá, uma sala bonitona que servia como palco para a estreia dos filmes daquela turma.

— O que a gente ganhava num filme, gastava no próximo, sempre procurando melhorar o nível artístico e profissional — afirma Cláudio Cunha, diretor de “Oh! Rebuceteio” e “Snuff, víimas do prazer” (ambos incluíos na mostra de Roterdã, que vai viajar para o festival holandês) .  Além de Cunha, destacaram-se diretores como Walter Hugo Khouri, Carlos Reichenbach, Ozualdo Candeias, Ody Fraga, Rogério Sganzerla, David Cardoso e José Mojica Marins.

Uns faziam filmes de vanguarda; alguns, aventuras comerciais; outros, comédias eróicas. Na lista do Festival de Roterdã estão “A margem”, de Candeias; “O império do desejo”, de Reichenbach; “O despertar da besta”, de Mojica; e “O Bandido da Luz Vermelha”, de Sganzerla.

Obra-prima de Sganzerla, O Bandido desperta cada vez mais a atenção do mundo…

A Cinemateca Brasileira ajudou na restauração de algumas das cópias.A maioria dos filmes nunca havia sido legendada antes, e um dos trabalhos mais áduos da equipe da mostra foi traduzir alguns dos tíulos selecionados. “Fuk fuk àbrasileira”, por exemplo, virou “Fuk fuk Brazilian style”. Já no caso de “Oh! Rebuceteio”, nã foi encontrada uma tradução apropriada.

—O cinema da Boca do Lixo é uma alternativa interessante ao Cinema Novo porque tem mais a ver com a realidade urbana contemporânea do brasileiro —explica Klinger. —A primeira ideia de Roterdã era fazer uma mostra sobre o sexo no cinema brasileiro. Mas aí percebemos que o recorte de filmes da Boca do Lixo era mais interessante, com mais a se debater. Há obras que exploram o sexo, e outras que mostram a realidade mais triste do brasileiro.  Além disso, é uma maneira de exibir São Paulo no exterior. A imagem mais comum que se tem do brasileiro internacionalmente é a do Rio, nunca a de São Paulo. O curioso quanto ao cinema da Boca do Lixo é que sua incessante busca pelo sucesso foi também a responsável por seu fim —e ainda serve de explicação para o preconceito existente hoje contra parte daqueles filmes. Durante os anos 1970, alguns de seus cineastas passaram a optar por incluir cenas de sexo explícito, principalmente após “O Impéio dos sentidos”, do japonês Nagisa Oshima, ter recebido autorização para chegar à telas brasileiras a partir de uma medida judicial. Por conta do polêmico filme japonês, os diretores da Boca descobriram o caminho do sexo e das medidas judiciais. E conseguiram exibir seus filmes com toda a sacanagem que pudessem imaginar.

A intenção era atrair cada vez mais púlico. Mas também afastou as famíias das salas e fez com que o cinema brasileiro ficasse marcado pelos anos seguintes como um cinema baixo, sujo e apelativo.

—A censura atacava por um lado, e a banda podre da mídia, por outro. Chamavam todos os nossos filmes de “porno” alguma coisa. Era pornodrama, pornocomédia, pornochanchada ou pornoterror. Eu fiz o “Sábado alucinante”e chamaram de pornodiscoteca —lembra Cládio Cunha. —Foi isso que acabou com o nosso cinema. Nó deixávamos os departamentos de censura com os filmes retalhados e depois enfrentávamos uma mídia que nos tratava como marginais.

Agora, após a homenagem em Roterdã, essa história pode ser revista. Gabe Klinger pretende aproveitar as novas cópias dos filmes e levar a mostra para outros cantos do mundo, sobretudo para o Brasil. Seria uma maneira de resgatar um gênero que foi taxado com vários nomes pejorativos. Mas que, sobretudo, deveria ser lembrado como uma importante escola do cinema brasileiro.

* Reportagem de André Miranda, do Globo