E agora Maria ?
Sua graça era Maria
O clarão do sol forte
Em seu olhar recendia
E a cascata do rio
Com seu passo acompanhava
Todo dia

Lavava roupa
De noite e de dia
Num tinha tempo bom nem ruim
Só muita vontade de ver brotar a alegria
Agora ela tava tão só, mesmo assim nunca fria

Maria era menina de dia
De noite, virava uma mulher
E foi assim q conquistou seu Zé
Até que um dia ele se foi
E a tristeza afundou os olhos de Maria
Maria ficou só com duas gurias
Que nem ela quando brincava
Na beira do rio com outras meninas
E nem o sol, o vento ou a chuva
Faziam esmaecer aquela alacridade
Que nascia como feito torrente
Maria, na beira do rio, à flor dos dias
Porém naquele dia que correu
Foi tudo tão ligeiro
Que Maria mal percebeu
Uma dor foi tomando de conta
E Maria foi ficando mofina
A tristeza bateu nela de com força
E Maria, sem notar nem saber
Como estancar a dor
Mergulhou num precipício
E de lá não soube mais sair
O coração ficou triste
O dia já não tinha mais cor
Era uma filha e a caçula
E Maria não via graça
Na vida
Nem de dia nem de noite
Nem no rio, nem nas ruas
Nem cotovia queria ver
Flanar naquelas águas tão turvas
E naqueles dias tão sombrios
Que mergulharam Maria
Na solidão do desencanto
No desvario do amor sem resposta
Nos passos do gesto sem volta
E da melancolia sem hora de todo dia.
Ah, Maria, Maria
Agora eu sei o quanto te machuca os pés
Andar descalça nas ruas…
O quanto a noite ficou fria
E o tanto que o rio virou lembrança
Afiada como um açoite
Incapaz de estancar a amargura…
Ah, Maria, Maria
Agora você entende aqueles estranhos sinais
O fim da tarde, a água escura do rio
Ficou pra trás a pureza das cantigas de roda
A ventania nos cabelos
E o colorido das festas no olhar
Ah, Maria, Maria
Mas eu lembro o quanto você sorriu
Lembrando daqueles dias…
Quisera agora pudesse vir em sortilégio
Uma cantiga pra transformar
Tamanha dor em poesia…
























































































