Arquivo da tag: CINEMA

Helena Ignez: ‘Tudo que eu fiz como diretora, eu aprendi no Set…’

AURORA DE CINEMA direto do I Nossas Américas, Nossos Cinemas

Atriz e cineasta conta o que leva alguém a ser ator: “É como se no íntimo sobrasse espaço para outras almas”

Ela afirma que existem bons filmes em todos os gêneros ‘porque o filme não deve estar preso a rótulos nenhuns nem a correntes nenhumas. O bom filme tem que ser verdadeiro. E a gente sente quando o filme é verdadeiro, quando não foi feito pra enganar.

Helena Ignez começou no teatro, na Bahia, e logo depois seguiu para o Rio e juntou-se a um grupo onde estavam os dramaturgos Vianninha e Armando Costa:  “Ensaiávamos peças e apresentávamos na periferia do Rio e na Paraíba” E deixa escapar uma certa tristeza e/ou desencanto: ‘filmes nossos nunca foram exibidos em Cuba…’, afirma, ao mesmo tempo, que “uma revolução pessoal, do comportamento, profundo, isso é que eu acredito que existe em mim com mais força”. Afinal, foi esta atriz que um dia acabou presa numa farmácia em Porto Alegre, no auge dos anos sombrios, simplesmente porque estava de minissaia e isso ainda não era permitido – “era simplesmente uma minissaia, mas ela era ‘perigosa’”.

O sentido libertário, da expressão sem preconceitos ou discriminações, perpassa toda a vida, carreira, e maneira de estar no mundo desta atriz tão importante quanto necessária. Por ter um sentido autoral profundo, é fácil perceber a própria Helena Ignez em suas obras, e as obras criadas por ela são como monumentos vivos, construídos com o sentimento de quem sabe estar produzindo páginas relevantes para a cultura do Brasil na esperança de ver dias melhores chegando. Foi dessas reflexões que Helena Ignez tirou uma frase lapidar de seu filme de estréia, Canção de Baal:

“Ela é adúltera, tem que levar porrada” – esta fala é de um camponês, dirigida à mulher na peça BAAL, do dramaturgo Bertold Brecht, e foi ouvindo-a que Helena sentiu os primeiros insigths pra criação de seu roteiro. Acho que o ser Mulher é como um índio, eu me sinto um índio.

As coisas são tão complicadas ou pouco entendidas que Martim Gonçalves, o antropólogo baiano, autor de livros importantes e pessoa respeitada nos meios acadêmicos (homem que culturalizou o jovem baiano), criador de um movimento bacana em Salvador, ‘foi expulso de lá pelos estudantes de esquerda e o Partido Comunista… eles escreveram em todas as paredes: “Sai veado”. Foi nesta época que eu me solidarizei com Martim, resolvi sair de Salvador, e fui trabalhar no Rio’.

AC – Que motivos lhe levaram a querer ser atriz e garantem sua permanência no ofício do teatro e do cinema ?

HI – Talvez uma necessidade de ser outro, de compreender o outro, é uma vivência a mais que se busca ao procurar a emoção do teatro e do cinema. É como se no íntimo sobrasse espaço para outras almas, se não você vai ficar triste, e isso é vital. O que eu quero é conhecer melhor as pessoas. Eu não tenho vontade de me destacar não, em nada. Eu acho que todos nós somos destaque e merecemos atenção.

AC – Olhando toda a sua trajetória, como avalia a forma como você se insere no panorama artístico brasileiro ?

HI – Talvez o meu mérito seja reconhecer o mérito dos trabalhos que eu fiz, e considero todos muito importantes, eles são pontos de iluminação na minha vida, como por exemplo, o primeiro trabalho, o curta-metragem O Pátio, onde fui dirigida por Glauber Rocha… Meu intuito é fazer como diretora com o mesmo ímpeto com que fiz como atriz. Porque bons atores fazem bons filmes. E o que me interessa no cinema é justamente este poder de transformar, que vai contra o estereótipo da masculinidade. Se isso não fosse possível, eu não teria o menor prazer em fazer cinema.

Ney e Helena em cena de Luz nas Trevas

Sobre a escolha de Ney Matogrosso para protagonizar Luz nas Trevas (segundo longa da diretora que vem angariando elogios por onde passa), ela diz que não foi fácil, pois queria um ícone, um homem de 70 anos, que soubesse cantar, que ultrapassasse a figura do “Bandido”: Teria que ser um bandido original, teria que ser um homem do mesmo naipe do Ney, porque eu sabia que as comparações e cobranças seriam muitas. O Luz é um filme que custou R$ 2 milhões de reais, vencedor em 4 editais. Foram minhas filhas Paloma Rocha e Sinai Sganzerla que sugeriram o nome de Ney Matogrosso para o filme. E a escolha foi muito acertada: Ney Matogrosso está muito bem como o ‘bandido’.

Mulher que conquista pela simplicidade, charme, elegância, inteligência refinada e sensibilidade aguçada, Helena é também uma mulher cujo oxigênio é matéria de encantaria, o que a faz uma mulher apaixonada e apaixonante. O amor, amizade, cumplicidade, afeto, sentido de admiração e saudade de todos os momentos vividos ao lado do grande e eterno amor (o cineasta Rogério Sganzerla), está presente em todas as entrelinhas: “Quem me inspirou mais, como cineasta, ainda me interessa e vai me inspirar vida afora foi e é Rogério Sganzerla”.

Difícil não encher os olhos de lágrimas sentindo a emoção escoar pelas palavras de Helena Ignez : “Me encantei com o cinema dele, sua energia impressionante e a inteligência fora do comum de Rogério Sganzerla…”

Em São Paulo, foi lançado esta semana o documentário Mr. Sganzerla, que tornou-se possível graças à imensa generosidade de Helena Ignez, que cedeu todo o material de arquivo. O filme, dirigido por Joel Pizzini, foi o vencedor do É Tudo Verdade deste ano, e será o filme de abertura da primeira edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba, que começa hoje na capital paranaense. 

Ideias e frase lapidares de HELENA IGNEZ 

“Rogério Sganzerla é um cineasta que ainda precisa ser muito estudado para ser compreendido em sua plenitude. Ainda há muito a se descobrir sobre ele”.

“Acho que um filme não pode ser desclassificado porque foi feito com uma técnica menor, com menos dinheiro e menos condições técnicas. As idéias não pertencem às técnicas”.

“Um diretor de cinema não pode desconhecer ou menosprezar o Teatro. É indispensável ! Os grandíssimos diretores de Cinema tem uma boa relação com o Teatro. Cito por exemplo o caso de um ator como João Miguel: ele vai sempre além do que o roteiro lhe dá. Se o ator não tiver seu ABC, seus signos, seus códigos próprios, ele não consegue avançar, ir mais além”.

Para os que estão começando na carreira ou pretendem ingressar na área do Audiovisual, a recomendação de Helena Ignez é simples e clara: “Ler, ler muitíssimo, sobretudo os pensadores do Cinema.

E para finalizar nosso bate-papo, HELENA IGNEZ cita uma frase do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que é fonte inspiradora para o novo longa da diretora, intitulado RALÉ:

“Vamos indigenizar o Brasil e reinventar esta história”.

Helena Ignez na noite em que foi homenageada no I Encontro Nossas Américas, Nossos Cinemas, realizado em Sobral, no sertão cearense…

Abertas inscrições ao Festival de Brasília

 Setembro é o mês do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Segundo o Secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, o festival manterá as mudanças realizadas em 2011, como o fim do critério do ineditismo, a incorporação do formato digital na mostra competitiva, a descentralização das exibições e a elevação do valor do prêmio. E serão feitas mais alterações: criação de uma mostra competitiva específica para o gênero do documentário – em longa e curta-metragem –, inclusão da cidade do Gama no projeto Festival nas Satélites, transferência das exibições para as salas Villa-Lobos e Martins Penna do Teatro Nacional, e mudança no perfil da Mostra Brasília, que agora ficará sob a responsabilidade da Câmara Legislativa.

Já o coordenador do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Sérgio Fidalgo, destaca que, com a inclusão da categoria de documentário, espera-se um volume maior de inscrições, portanto, as comissões de seleção trabalharão dez dias e não cinco, como em 2011. Serão cinco integrantes na comissão de curtas e longas de documentário, e cinco para curtas e longas de ficção.

Sérgio Fidalgo e Cibele Amaral, assessora de cinema da Secretaria de Cultura do GDF, também avisaram que pretendem marcar a 45ª como uma edição festiva. Para tanto, já anunciam o lançamento do catálogo Brasília 5.2 – Cinema e Memória, que vem sendo escrito pela pesquisadora Berê Bahia e inclui 12 mostras que irão circular pelo DF, de junho a setembro. E a realização de uma oficina de roteiro para séries televisivas contando com a presença dos escritores Marçal Aquino e Adriana Falcão.

PROGRAMAÇÃO GERAL

Mostras competitivas de filmes de longa-metragem de ficção e de documentário, filmes de curta-metragem de ficção, de documentário e de animação, além de mostras paralelas, tais como Mostra Brasília, Mostra Panorama Brasil, Festivalzinho e, ainda encontros, debates, seminários, oficinas, Cinema Voador, Festival nas cidades do Distrito Federal, lançamentos de catálogos, livros e DVDs e solenidades de abertura e de premiação.

Debate sobre séries de TV, com Marçal Aquino (Força Tarefa); Adriana Falcão (Louco por elas) e Túlio Gonçalo – crítico, roteirista, cineasta e professor no IESB (Mediador).

Debate com as equipes dos filmes concorrentes.

Seminário sobre a Crítica Cinematográfica.

Oficina de Interpretação para Câmera – com o ator libanês Mounir Maasri – para atores profissionais

Oficina Interpretação para iniciantes  – com Mallu Moraes

PRÊMIOS

Troféu Candango e prêmios em dinheiro: R$ 635.000,00

Filme de longa-metragem de ficção:

Melhor filme – R$ 250.000,00
Melhor direção – R$ 20.000,00
Melhor ator – R$ 5.000,00
Melhor atriz – R$ 5.000,00
Melhor ator coadjuvante – R$ 3.000,00
Melhor atriz coadjuvante – R$ 3.000,00
Melhor roteiro – R$ 5.000,00
Melhor fotografia – R$ 5.000,00
Melhor direção de arte – R$ 5.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 5.000,00
Melhor som – R$ 5.000,00
Melhor montagem – R$ 5.000,00

Filme de longa-metragem documentário:

Melhor filme de longa-metragem de documentário – R$100.000,00
Melhor direção – R$ 20.000,00
Melhor fotografia – R$ 5.000,00
Melhor direção de arte – R$ 5.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 5.000,00
Melhor som – R$ 5.000,00
Melhor montagem – R$ 5.000,00

Filme de curta-metragem de ficção:

Melhor filme – R$ 20.000,00
Melhor direção – R$ 5.000,00
Melhor ator – R$ 3.000,00
Melhor atriz – R$ 3.000,00
Melhor roteiro – R$ 3.000,00
Melhor fotografia – R$ 3.000,00
Melhor direção de arte – R$ 3.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 3.000,00
Melhor som – R$ 3.000,00
Melhor montagem – R$ 3.000,00

Filme de curta-metragem de documentário:

Melhor documentário de curta-metragem – R$ 20.000,00
Melhor direção – R$ 5.000,00
Melhor fotografia – R$ 3.000,00
Melhor direção de arte – R$ 3.000,00
Melhor trilha sonora – R$ 3.000,00
Melhor som – R$ 3.000,00
Melhor montagem – R$ 3.000,00

Filme de curta metragem de Animação:

Melhor filme de curta-metragem de animação – R$ 20.000,00

Prêmio do Júri Popular: total R$ 65.000,00

Melhor filme de longa-metragem de ficção – R$ 20.000,00
Melhor filme de longa-metragem documentário – R$ 15.000,00
Melhor filme de curta-metragem de ficção – R$ 10.000,00
Melhor filme de curta-metragem de documentário – R$ 10.000,00
Melhor filme de curta-metragem de Animação – R$ 10.000,00

O Festival de Brasília acontecerá de 17 a 24 de setembro, e as inscrições podem ser feitas até 30 de junho. www.festbrasilia.com.br

Cinema em cenário de Cinema: Selecionados do Festival de Jericoacoara…

 
A terceira edição do Festival de Cinema Digital de Jericoacoara, cujo comando é do escritor, advogado e cineasta Francis Vale, será realizado de 15 a 21 de junho, na paradisíaca praia cearense.
 
 
E os fimes que estarão na tela popular de JERI são estes :
01. CHAPADA – Valério Fonseca – RJ – Exp – 5′
02. ASSIS QUE SE FAZ – Carlos Segundo – MG – Doc – 15′
03. BANQUETE EM TRANSE – Thalles Chaves – RN – Exp – 5′
04. ROBERTO,ROBERTA – Adriano Pequeno/Danilo Lima – SP -Fic – 6’48″
05. TEMPUS FUGIT – Lino Meirelles – DF -FIC- 9’52″
06. INACABADO – Márcio Farias – PE – Doc – 15′
07. 8 ESTAÇÕES – Célia Gurgel(coletivo) – CE – Doc. -15′
08. MARCAS D’AGUA – Thaís Oliveira – GO – Fic – 15′
09. PIQUE-SALVA – Antonio Balbino -DF – Fic – 6’40″
10. MEIO A MEIO – Danilo Amorim Rabelo – ES – Anim. – 2’40″
11. GUERRA NO BRASIL – Ionaldo Araújo – PE – Doc. – 15′
12. DOIDO PELO RIO – Márcio Câmara – RJ – Fic. – 15′
13. NICO – Felipe Matzembacher – RS – Fic. – 10′
14. HOMEM-AVE – Bernardo Canto/Rafael Saar – RJ – Exp. – 7′
15. FÁTIMA – Jéferson Tadanori/Sobral H. – CE – Anim. – 5′
16. QUANDO SAIO DE CASA – Robson Lopes – RJ – Exp. – 7′
17. IRMÃS – Gian Orsini – PB – Doc. – 14’55″
18. OS SUSTENTÁVEIS – Lisandro Santos – RS – Anim – 1′
19. HEMPOCRISY – Maria Aline – PE – Doc. – 13′
20. PINHEIRINHO – A HISTÓRIA DE NAJI NAHAS E DONA MARIA – Coletivo Luta Popular – SP – Doc. – 13’20″
21. COMUNICANDO – Telmo Carvalho – CE – Anim.- 4’49″
22. O MAR DE LIA – Hanna Godoy – PE – Doc. – 12′
23. PARAIZOO – Amaury Tangará – MT – Fic. 15′
24. ALDEIA – Zeca Ferreira – RJ – Fic. – 15′
25. EM TERRA DE CEGO – Aly Muritiba – PR – Fic.- 15′
26. RITMOS – Elisa Cabral e Laurita Caldas – PB – Exp.- 5′
27. SUCATA DE PLÁSTICO – Yargo Gurjão – CE – Doc. – 6’37″
28. DESTIMAÇÃO – Ricardo de Podestá – GO – Anim. – 13′
29. SOY LOCO POR TI – Nathália Barreto – RJ – Doc. -14′
30. O RIO MEARIM SECÔ – Rwanyto Oscar – MA – Exp – 3,29″
31. POETA URBANO – Antonio Carrilho – PE – Doc. – 15′
32. PRAINHA DO CANTO VERDE – Maria Évila – CE – Doc. – 11’08″
33. O QUADRO – Humberto Rosa/Thayron – RJ – Fic. – 15′
34. MONTE PEDRAL – Marcley de Aquino – CE – Doc. 15′
35. ERICKSON LUNA – Osman Godoy – Doc. – 13′
36. O CONTADOR DE FILMES – Elinaldo Rodrigues – PB – Doc.- 15′
37. QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA – Camilo Vidal – CE – Fic. – 15′
38. UM DIA QUE CORRE – Arthur Leite – CE – Fic – 15′
39. BRAVO – Bruno Monteiro – CE – Anim. – 2′
40. O REINO DO CHOCOLATE – Rafael Jardim – BA – Anim. – 4’36″
 

Fellini, o novo papel de Wagner Moura no cinema…

Consagrado internacionalmente pelo filme Tropa de elite, o ator baiano Wagner Moura foi convidado para viver Federico Fellini no longa independente Fellini Black and White (Fellini em Preto e Branco, em tradução livre), a ser dirigido e roteirizado por Henry Bromell, produtor da série “Homeland”.

O elenco deve incluir ainda Terrence Howard, Peter Dinklage (“Game of Thrones”) e William H. Macy (“Shameless”).

O filme contará trechos da vida de Fellini em Los Angeles, em 1957, na primeira viagem do cineasta aos Estados Unidos para assistir ao Oscar. Na ocasião, o diretor desapareceu por 48 horas e quase não conseguiu ir à cerimônia.

O roteiro conta o que pode ter acontecido nos dois dias de sumiço. Depois, o diretor voltou para a Itália e dirigiu filmes como La Dolce Vita (1960) e (1963).

Combinando memórias pessoais, fantasias e sonhos, Fellini construiu uma visão crítica da sociedade, tendo servido de referência para alguns dos cineastas mais aclamados da atualidade.

Diretores como Woody Allen, David Lynch, Girish Kasaravalli, David Cronenberg, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Tim Burton, Pedro Almodóvar, Terry Gilliam e Emir Kusturica confessam ter sidos profundamente influenciados pela obra do italiano.

  Tazio Secchiaroli/Coleção David Secchiaroli  
Federico Fellini durante as filmagens de "Oito e Meio", em 1963
Federico Fellini durante as filmagens de “Oito e Meio”, em 1963

Audiovisual, concursos e fotografia

 

1º Concurso de Cinema Sul-Americano” href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/30/itamaraty-abre-inscricoes-para-o-1%c2%ba-concurso-de-cinema-sul-americano” target=”_blank”>Itamaraty abre inscrições para o 1º Concurso de Cinema Sul-Americano
O Itamaraty abriu as inscrições para o 1º Concurso Itamaraty para o Cinema Sul-Americano, competição que vai premiar o melhor longa-metragem sul-americano feito em coprodução por no mínimo dois países da América do Sul. Cada um dos países do subcontinente será convidado a indicar até dois filmes para concorrer a um prêmio em dinheiro no valor de R$ 90 mil reais.
Caribeño de Finlandia – CINEMAISSÍ 2012″ href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/30/festival-de-cine-latinoamericano-y-caribeno-de-finlandia-%e2%80%93-cinemaissi-2012″ target=”_blank”>Festival de Cine Latinoamericano y Caribeño de Finlandia – CINEMAISSÍ 2012 Se recibirán inscripciones de largos y cortometrajes dirigidos por realizadores latinoamericanos y caribeños, o eventualmente por directores de otros países si la temática de la obra está relacionada con América Latina.
curta-metragens” href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/30/mozilla-firefox-lanca-concurso-de-curta-metragens” target=”_blank”>Mozilla Firefox lança concurso de curta-metragens
A Mozilla abriu inscrições para o concurso de curta-metragens Firefox Flicks. A competição vai escolher as melhores obras associadas à missão da organização (“manter o poder da Internet nas mãos das pessoas”). Para participar, os interessados devem criar um anúncio ou uma história, em vídeo, de no máximo 30 segundos.
Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental” href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/30/14%c2%aa-edicao-do-festival-internacional-de-cinema-e-video-ambiental” target=”_blank”>14ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental As inscrições ao FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental – estão abertas até 9 de abril. O festival, sediado na Cidade de Goiás, irá receber para a mostra competitiva filmes de qualquer duração nos gêneros ficção, animação ou documental com temática ambiental produzidos em qualquer parte do mundo.
Identidade Visual do 44º Festival de Inverno da UFMG” href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/30/concurso-publico-para-a-criacao-da-identidade-visual-do-44%c2%ba-festival-de-inverno-da-ufmg” target=”_blank”>Concurso Público para a Criação da Identidade Visual do 44º Festival de Inverno da UFMG O 44º FESTIVAL DE INVERNO DA UFMG convida a todos os criadores, coletivos, artistas, designers, educadores, estudantes e todos os demais interessados a apresentarem uma proposta de identidade visual para o Festival, que se realizará no período de 15 a 26 de julho em Diamantina (MG).
Abierto 2012″ anuncia en Lima una convocatoria internacional ” href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/26/el-proyecto-artistico-%e2%80%9ccentro-abierto-2012%e2%80%b3-anuncia-en-lima-una-convocatoria-internacional-xtrart” target=”_blank”>El proyecto artístico “Centro Abierto 2012″ anuncia en Lima una convocatoria internacional Alta Tecnología Andina (ATA), Fundación Telefónica y el Museo de Arte de Lima-MALI convocan a artistas residentes en Perú y el resto de Latinoamérica a presentar propuestas de intervención en diversas locaciones del Centro Histórico de Lima. Esta nueva edición de “Centro Abierto” consistirá en una exhibición compuesta por cuatro intervenciones comisionadas a importantes artistas, a las que se sumará un proyecto seleccionado por convocatoria abierta.
Caribe” href=”http://www.intermediarte.org/lang/es/2012/03/26/muestra-itinerante-de-cine-del-caribe” target=”_blank”>Muestra Itinerante de Cine del Caribe La quinta edición está abierta a la diversidad de temas e historias que expresen con autenticidad y valor estético la realidad social, historia y cultura de los países del Caribe, de sus islas y del continente, abordadas por cineastas caribeños, residentes o no en sus países de origen, así como por realizadores de otras latitudes que sigan las mismas premisas.
www.duplo.cl), además de una asesoría tecnológica de Ingeniería MCI, empresa colaboradora del proyecto.

Cinema, a Arte do século ?

 

“O cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados”…

O pesquisador, professor e crítico de cinema, L.G. de Miranda Leão, escreve sobre o reconhecimento do cinema como Arte.

 Voltamos ao velho tema sobre se cinema é realmente a arte do século. Claro, há décadas o cinema tem sido definido como tal, e vários autores o colocam como arte dinâmica ao lado das artes estáticas. Afinal, costuma-se perguntar: como conceituar arte? Não é do escopo destas linhas entrar no labirinto das definições. Mas, das várias e complexas, uma das mais simples, sem dúvida, é aquela do saudoso J. R. Capablanca, ex-campeão mundial de xadrez, segundo o qual “a arte consiste na transformação de uma boa ideia em matéria”. Imaginemo-nos como um comerciante ou produtor de filmes. Sabedores de um drama vivido por um casal de amigos em dificuldades econômico-financeiras, logo pensaríamos em ajudá-los. Essa ajuda poderia ser contratar um bom roteirista e aplicar os nossos recursos disponíveis para levar a bom termo esse apoio aos amigos. Feito o filme, com razoável retorno e possibilidades de ajudarmos a quem precisa, teríamos transformado a ideia de ajuda em matéria. Este é apenas um exemplo banal da definição de JRC. Quanto a definir cinema como 7ª Arte, apoiemos-nos no crítico e teórico italiano Ricciotto Canudo (1877 – 1923), nascido em Gioia delle Calle na Itália. Foi ele quem classificou e difundiu as artes, começando, segundo alguns registros, com a música, dança, pintura, arquitetura, teatro e literatura, vindo depois a 7ª (cinema) e a 8ª (a fotografia). Após fixar-se em Paris, em 1902, Canudo tornou-se figura líder da vida cultural francesa, atuando como anfitrião de artistas como Pablo Picasso (1881 – 1973), Raoul Dufy (1877 – 1953) e Fernand Léger (1881 – 1955). Quando começou a escrever suas análises críticas sobre arte e o cinema mudo em 1907 como meio de expressão, Canudo propiciou uma base para o subsequente pensamento europeu sobre a estética do cinema. Pois foi ele, no fim de contas, quem cunhou a frase “7ª Arte” para descrever a nova arte. Assim fundou em 1920 o Clube dos Amigos da 7ª Arte em Paris e em 1923 planejou a realização de um filme mudo em colaboração com a figura marcante de Marcel L´Herbier (1888 – 1979), proeminente realizador impressionista do “avant-garde” com influência sobre vários diretores do período, notadamente o brasileiro Alberto Cavalcanti (1897 – 1982) e Claude Autant Lara (1903 – 77). Coube, aliás, a L´Herbier fundar o IDHEC, a famosa escola francesa de cinema. Em 1954, dirigiu L´Herbier vários filmes para a TV francesa, um dos quais o instigante “La Citadelle du Silence”, de 1937, exibido depois nos cinemas de Paris. Discordância O renomado teórico Ralph Stephenson, autor de “The Cinema as Art”, obra exponencial com J. R. Debrix, discorda da classificação de Canudo segundo a qual o cinema é a fusão de três artes do espaço (pintura, arquitetura e dança) e de três artes do tempo (música, teatro e literatura). A proposição de Canudo tem sido usada para mostrar que o filme não é uma arte em seu próprio direito, mas o argumento do italiano não convence. Para Stephenson, o cinema não é apenas a soma dessas seis artes, mas algo novo e diferente de todas elas. Apesar, disso, a lista pode servir para ilustrar a complexidade dos elementos que a compõem. Para concluir, convém distinguir entre fotografia (a 8ª arte) e cinema. Valemo-nos de uma definição do saudoso Stanley Kubrick, realizador de alguns dos filmes mais importantes do século XX. Para SK, “o cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados, e esta, em troca, tem o poder de gerar e ampliar nossos sonhos e pesadelos”. Isso porque, como escreveu o filmólogo Román Gubern, “um filme é como uma simulação involuntária do sonho; quando as luzes do ambiente se apagam, a noite invade a sala de cinema, é como o ato de fechar os olhos: começa então na tela e no próprio interior do homem a incursão na noite do inconsciente; as imagens, como no sonho, aparecem e desaparecem, dissolvem-se e escurecem, o tempo e o espaço tornam-se flexíveis, retraem-se e dilatam-se à vontade, a ordem cronológica e os valores relativos à duração já não correspondem à realidade…”. Eis a riqueza da 7ª Arte!

L.G. DE MIRANDA LEÃO

A “Criadoria” em Cinema

Criadores-curadores se destacam pela eventual originalidade de suas propostas

* Carlos Alberto Mattos

Um dos aspectos que mais têm chamado minha atenção na produção visual contemporânea é o que venho chamando de ‘Criadoria’. Trata-se de um processo em que a criação se confunde com a curadoria, pois se projeta sobre obras alheias já existentes ou ainda por nascer.

Esse processo tem sido muito comum nas artes visuais que se fundam na reprodutibilidade técnica, característica que facilita a criadoria. Cinema e fotografia, temas da mostra Fotocine, realizada no Rio de Janeiro na semana passada, são justamente os campos em que isso mais parece florescer.

No cinema, a criadoria se manifesta desde a velha forma do filme em episódios, em que um produtor-curador repassa a diretores diversos a responsabilidade de criar um filme curto a partir de um determinado tema ou dispositivo – as séries ‘Cidades, eu te Amo’, Destricted  (filmes eróticos por diretores de cinema de arte) etc – até modelos mais sintonizados com a arte colaborativa em voga.

Tomemos, por exemplo, o brasileiro “Desassossego” (2010), um longa formado por fragmentos filmados por diversos realizadores a partir de sugestões contidas numa carta dos diretores-curadores Felipe Bragança e Marina Meliande, que montaram o filme final. Ou “Pacific” (2009), em que Marcelo Pedroso editou cenas filmadas por turistas em cruzeiros. Eduardo Coutinho fez “Um Dia na Vida” (2010) com trechos de programas de TV de um único dia, enquanto Kevin MacDonald construiu “A Vida em um Dia” (2011), com cenas filmadas por pessoas de várias partes do mundo num mesmo dia e postadas no Youtube especialmente para esse projeto. Em “The Clock” (2011), Christian Marclay examinou uma miríade de filmes para reunir referências visuais e sonoras às 24 horas do dia, minuto a minuto, num filme de 24 horas de duração.

Os fotógrafos não estão imunes a essa febre de criadorias. Dois projetos chamaram minha atenção recentemente na internet. Um é do artista canadense Jon Rafman, que surfou mundo afora pelo Google Street View e encontrou ‘fotoschocantes, curiosas, engraçadas ou intrigantes. Seu projeto “9 Eyes of Google Street View” (http://9-eyes.com/) já rendeu exposições, um livro e muita badalação. O outro projeto é da fotógrafa suíça Corinne Vionnet, que sobrepôs centenas de fotos encontradas na internet, criando imagens coletivas de pontos turísticos incontornáveis (http://is.gd/uRCrAu).

Esses trabalhos lidam com a abundância e o quase-anonimato da produção fotográfica contemporânea. Procuram no excesso e no indiscriminado aquilo capaz de criar novos sentidos. Novos, mas que, em última análise, se referem à própria condição atual da imagem: solta pelo mundo.

Esses criadores-curadores se destacam pela eventual originalidade de suas propostas e pelo acesso que conseguem aos meios de repercussão. Mas não têm outros privilégios especiais, já que todos somos curadores em potencial. O acervo do mundo está ao alcance de qualquer um para escolher, recombinar, repaginar e exercer a ‘criadoria’.

Acesse: http://carmattos.wordpress.com/ https://twitter.com/carmattos.

Direitos Humanos: Vem aí Nova Mostra

 
Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, evento que celebra o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948dedica-se a apresentar filmes sul-americanos que discutem temas atuais de direitos humanos no nosso continente.
 
Realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira / Ministério da Cultura e patrocínio da Petrobras, a Mostra foi apresentada ano passado em 20 capitais brasileiras: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Teresina, circuito que tem se ampliado a cada edição.
 
A curadoria é do jornalista Francisco Cesar Filho e a programação compreende uma seleção de filmes contemporâneos, que desde 2008 são também escolhidos por meio de chamada pública, além de uma retrospectiva histórica, homenagens e programas especiais.
 
Em suas recentes edições, a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul promoveu homenagens ao projeto brasileiro Vídeo nas Aldeias e aos argentinos Cine Ojo (produtora) e Ricardo Darín (ator).
 
Nas três últimas edições, as retrospectivas históricas tiveram por tema “infância e juventude”, “iguais na diferença” e “direito à memória e à verdade”.
 
Prevista para os meses de outubro e novembro, a 6a Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul abre chamada para receber  trabalhos audiovisuais para análise de sua curadoria. A Mostra é voltada a obras realizadas em países da América do Sul e finalizadas a partir de 2008, cujo conteúdo contemple aspectos relacionados aos direitos humanos.Não há restrição quanto à duração, gênero ou suporte de captação/finalização. As exibições serão em suporte digital.
 
A Mostra não é competitiva, no entanto as obras mais votadas pelo público serão contempladas com o Prêmio-Exibição TV Brasil nas categorias curta, média elonga-metragem.
 
A ficha de inscrição deve ser preenchida e enviada para a organização da Mostra através do site www.cinedireitoshumanos.org.br. Cópias em DVD acompanhadas de sinopse, foto, ficha técnica e contato devem ser encaminhadas até 30 de junho para:
 
6ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
04021-070 São Paulo/SP

LG Analisa Cinema Alemão

Runze completa 85 anos de batente

Cineasta germânico dos melhores, mas pouco conhecido dos cinéfilos, tão raro ver celulóides alemães por estas plagas, Ottokar Runze completou neste 2011 nada menos de 85 anos bem vividos, tempo durante o qual atuou como realizador e também como escritor cinematográfico, ator e produtor de filmes tanto para a telona como para a TV!. Mestre da concisão e do preciso, cônscio da importância dos signos visuais, mormente daqueles sugestivos de algo subjacente ou prestes a acontecer, Runze lega para os amantes da 7ª Arte um registro de 18 filmes de categoria (v. filmografia mais adiante) recomendáveis para o cinéfilo atento e, naturalmente, para quem estuda cinema e conseguiu ver pelo menos alguns dos seus filmes.Assim, pareceu-nos bastante justo este preito a Runze, pois nem todos os cineastas chegam aos 85 anos com saúde e disposição para trabalhar – e muito – por trás das câmaras e orientar os jovens iniciantes sobre como aproveitar a experiência e as lições de mestres como Schirk, Weingarter, Schwenke e vários outros, máxime no tocante à sempre difícil transformação de uma obra literária em representação cinematográfica. A noção segundo a qual as ações de um filme oscilam entre a continuidade e o intervalo também não pode ser esquecida por quem se inicia na carreira diretorial ou quer aventurar-se na crítica.

Ponto de partida

Nascido em Berlim em 1925/26, Runze começou sua carreira aos 23 anos como ator, mas já aos 26 foi “manager” de um dos teatros de vanguarda atuantes em Berlim, Munique e Hamburg, quando assumiu a TV Aurora. Também atuou no “Deutsches Theater” e de 1956 em diante dirigiu o prestigiado “British Center´s Berlin Theater”. Foi “free lance” até 1968, quando começou a produzir pequenos filmes independentes. Seu primeiro grande sucesso como diretor foi com “Der Lord von Barmbeck” (1973) pelo qual ganhou seu primeiro Prêmio de Cinema concedido pelo Governo Federal. Precederam-no “Viola e Sebastian” (Viola und Sebastian, 1972) e “O Dinheiro Está no Banco” (Das Geld Liegt auf der Bank, 1971), este feito para a TV. Seus filmes, assim como boa parte da sua atuação no “script”/direção, focalizaram o drama criminal, os erros judiciais, a questão da culpa e da pena, e também as falhas do sistema prisional e da nossa visão dos criminosos e de como os tratamos, conforme registra Sandra Brennan, biógrafa de Runze. Como escritor de “teleplays” e realizador, Runze muito contribuiu, segundo Sandra, para o salto qualitativo da TV alemã, uma das melhores da Europa.Quanto ao mais, é preciso não esquecer as lições deixadas pelos cobras do cinema alemão no tocante à adaptação de textos literários para as telas dos cinemas. Poucos fizeram tão bem, daí o motivo pelo qual vale a pena revê-los em DVD, se for possível conseguir os filmes dessa plêiade à frente da qual estão Runze, Farberbock, Müller, Kluge, Tykwer, Schlondorff, Herzog, Monk, Staudte, Baier, Richter, Hirschbiegel, Becker e tantos outros.

 Conceito

“Da retrospectiva do novo cinema alemão destaco particularmente ´O Vulcão´ (Der Vulkan, 1999), ´O Estandarte´ (Die Standarte, 1977), ´O Assassinato´ (Der Mörder, 1979), todos de Ottokar Runze e, naturalmente, ´Inquérito´ (Aufrage, 1962), ´Um Dia´ (Ein Tag, 1967) e ´Os Irmãos Oppermann´ (Die Geschwister Oppermann, 1983), estes de Egon Monk, de categoria ímpar”. (Eberhard Fechner, transcrito do “Deustsche Zeitung”, 1999).

Rumo ao cinema

Findas as experiências ganhas por Runze depois de assumir a Televisão Aurora em 1972, e também o sucesso conquistado por ele como diretor cinematográfico em 1973, pode-se incluir a seu favor o rico aprendizado decorrente do trabalho persistente com os atores e as discussões com os autores, um tanto difíceis, a maioria delas concernente a problemas de iluminação, desenho, adequação de cenários. Tanto o “regisseur” de cinema como o de teatro enfrentam às vezes dificuldades outras nos bastidores, mas Runze logrou resolvê-las. Ele também trabalhou como técnico incumbido da dublagem de filmes estrangeiros para o idioma alemão, e veio daí sua aproximação com a magia do cinema e o interesse em aprofundar-se nos meandros da arte do século. Foi quando Runze começou a fazer seus próprios filmes experimentais e penetrar no mundo de possibilidades ensejadas pela arte das imagens em movimento.

Essa ambiência cinematográfica naturalmente o contaminou, levando-o a estudar cinema não só analisando os livros dos melhores autores do seu tempo, como Bela Balázs, André Bazin, Renato May, Peter Wollen, Ralph Stevenson, Hans Richter, Jean Marie Straub, Visevolod Pudovkin e Sergei Eisenstein, mas também vendo e revendo os filmes dos cineastas mais importantes de alguns países, como Orson Welles, William Wyler, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, e naturalmente da Alemanha, como os clássicos de F. W. Murnau, Joseph von Sternberg, Arnold Fanck, Walter Ruttmann, Sepp Algeir e Leni Riefenstahl (cineasta de talento invulgar mas infelizmente, como sabemos, peça importante da máquina de propaganda nazista e do sanguinário ditador), e os modernos Alexander Kluge (a inteligência condutora e a voz eminente do novo cinema alemão), Egon Monk, Helmut Käutner, Rainer W. Fassbinder, para citar apenas estes nomes vindos à memória.

Sobre “O Vulcão”

“O Vulcão” (Der Vulkan), elogiada adaptação da obra de Klaus Mann, com “script” do próprio Runze e de sua filha Rebecca e de Ursula Grützmachertabori, tem sido exibido em alguns cineclubes daqui e dali. Por isso mesmo, dos filmes alemães vistos e revistos por este crítico, tanto na Casa de Cultura Alemã da UFC como no Instituto Goethe do Rio de Janeiro, selecionamos “Der Vulkan” para homenagear o derradeiro filme de Runze para a tela, pois soubemos ter retornado novamente para a TV. Além disso, já havíamos comentado “Aimée & Jaguar” (1998), de Max Farberbock (filme louvado por Kenneth Turan, do Los Angeles Times), “Despedida de Ontem” (Abschied von Gestern, 1966), de Alexander Kluge, “O Jovem Torless” (Der Junge Torless, 1967) e “O Tambor” (Die Blechtrommel, 1979), ambos de Volker Schlöndorff, e “A Deusa Imperfeita” (Die Macht der Bilder, 2003), de Ray Müller.

O título O Vulcão foi escolhido pelo romancista Klaus Mann para sugerir metaforicamente o perigo iminente, algo está para explodir o “status quo” socioeconômico e político da França, pouco tempo antes de estourar a II Guerra Mundial, embora alguns franceses desavisados confiassem na intransponibilidade da Linha Maginot ! Como se enganaram ! Em verdade, o Rei da Bélgica, fascista disfarçado e simpatizante de Hitler, não permitiu o prolongamento da linha de defesa da França até o território belga, motivo pelo qual os exércitos do ditador alemão puderam contornar a Linha Maginot em maio de 1940 com suas Divisões Panzer e derrotar as forças de defesa da França para logo chegar em Paris, apesar da bravura dos combatentes franceses.

L.G. DE MIRANDA LEÃO

Wagner Moura: Cada Vez Mais, de Cinema

 

Wagner Moura na pré-estreia de VIPS em Sampa, nesta segunda-feira

A maturidade do cinema brasileiro contemporâneo passa pelo nome de Wagner Moura. Selton Mello divide as atenções, mas Moura tem o amparo do público e das bilheterias: desde 2007, quando estreou o primeiro Tropa de Elite, seus filmes foram vistos por cerca de 14 milhões de espectadores e faturaram por volta de R$ 125 milhões. Nenhum outro artista nos últimos anos, nem mesmo favoritos das telas como Xuxa ou Renato Aragão, pode se gabar disso.

Em entrevista para divulgar “Vips”, que estreia na próxima sexta, Wagner Moura,  disse não ter nenhum problema com o sucesso, pelo contrário: quer ser visto. E não só pelos brasileiros, já que a partir de julho estará filmando em Hollywood, ao lado de Matt Damon e Jodie Foster.

“Sou um artista que quer se comunicar com as pessoas”, disse o ator. “Meu trabalho foi feito para as pessoas assistirem, sem que isso seja um demérito, sem que eu tivesse que abaixar meu senso de qualidade, meu senso estético. Shakespeare existiu como um dos maiores artistas de todos os tempos, mas popular em sua essência.”

A partir disso, seria fácil imaginar o ator na televisão, mas seu último papel foi na novela Paraíso Tropical, há quatro anos, justamente quando “Tropa” entrou em cartaz, e ele não mostra qualquer disposição de voltar aos folhetins tão cedo. “A novela é uma coisa de tempo, você precisa passar um ano inteiro fazendo, tem que estar com muita disposição. Além disso, o cinema brasileiro está vivendo um momento muito bom. Acho que VIPS’ se insere num contexto extraordinário, que é de filmes de qualidade, com bons roteiros, bem produzidos, com bons atores e que querem ganhar público, achar um lugar no mercado.”

 

Wagner Moura em VIPS, que estreia nesta sexta

“Tenho muito bode desse negócio de que filme bom precisa ser um negócio cabeçudo para 17 pessoas assistirem, e que filme pra agradar o público precisa ser uma droga, ser um filme bobo”, continuou o ator. “Acho significativo o ‘Tropa de Elite 2′ ser o maior sucesso da história do cinema nacional porque ele se enquadra nisso, reúne uma dimensão política enorme, tem substância e as pessoas mesmo assim foram lá e assistiram. O espectador não é um idiota, que só quer ver porcaria, e nem o crítico só vai respeitar um negócio porque é hermético. Talvez o Brasil, por ter uma herança do Cinema Novo, do cinema político, tenha deixado essa sensação de que filme bom tem de ser difícil, não pode se comunicar. Digo isso não em oposição ao cinema de experimentação, que acho ótimo e precisa ser feito. Mas acho que não é só ele que merece ser aplaudido pela crítica e pelo público.”

Moura também disse se sentir confortável com o fato de, sozinho, já conseguir atrair público para o cinema, responsabilidade geralmente exclusiva a galãs ou astros infantis. “Acho bom existirem atores que chamem o público para o cinema. Eu vou ver os filmes que o Selton faz, por exemplo, porque gosto do trabalho dele. A mesma coisa com Sean Penn, Al Pacino. Isso faz parte. O fato de ter um ator que leve o público também é significativo desse momento do cinema brasileiro.”

O convite para o primeiro trabalho de destaque em Hollywood, segundo Moura, foi consequência de sua exposição nas telas do país. “Estou indo fazer esse trabalho por causa do ‘Tropa de Elite’, principalmente, mas também pela história que tenho aqui.”

O filme em questão se chama Elysium e tem direção do sul-africano Neill Blomkamp, o mesmo de Distrito 9, indicado ao Oscar no ano passado. O ator comentou que “Tropa” e “Distrito” são esteticamente parecidos, pelo “viés político”, e que aceitou o papel de um vilão pela qualidade do roteiro, que se passa 100 anos no futuro. “É um personagem muito bom, que eu aceitaria se fosse feito aqui ou em qualquer lugar. É muito legal mesmo.”

Ao lembrar do passado, Wagner Moura contou ter saudade de um certo sentimento “selvagem” da juventude, mas não troca isso pela experiência. “Entendi melhor como funciona o mecanismo do cinema, jogo melhor com a parafernália toda. Me tornei um ator rodado, tanto que já me deu vontade de dirigir um filme.”

 

Vanessa da Mata e Wagner Moura no set do videoclipe dirigido pelo ator

A estreia atrás das câmeras acontece com o clipe de Te Amo, de Vanessa da Mata, que será veiculado em breve. Rodado em 35mm, o vídeo é protagonizado pela bailarina Marilena Ansaldi, tem figurino do estilista Ronaldo Fraga, fotografia de Lula Carvalho (“Tropa 2″, Budapeste”) e montagem de Daniel Rezende (“Cidade de Deus”). “O que me dá tesão de dirigir é poder reunir vários profissionais legais e deixar eles trabalharem. Estou feliz.”

São dois os projetos como diretor de longa-metragem, a exemplo, mais uma vez, de Selton Mello (que dirigiu Feliz Natal e finaliza O Palhaço). O primeiro, segundo ele, “muito pessoal, como geralmente são os primeiros filmes”, ainda ganha forma e está apenas em um caderno, escrito a mão, com caneta esferográfica. O outro é a adaptação de um livro, não-revelado, através de Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtor famoso por ter comprado os direitos de sucessos recentes como as biografias de Tim Maia e de Lobão.

Enquanto as ideias não se concretizam, Wagner Moura continua a toda como ator. No segundo semestre, estreia O Homem do Futuro, de Cláudio Torres, mistura de comédia e ficção científica. Nesta semana, ele começa as filmagens de A Cadeira do Pai. Primeiro longa do diretor Luciano Moura, o filme conta a história de um casal de médicos que está se separando e precisa lidar com o sumiço do filho de 13 anos, que foge de casa. Ainda no elenco, estão Mariana Lima (“A Suprema Felicidade”) e Lima Duarte.

Além disso, tem ao menos mais dois projetos encaminhados: a superprodução Serra Pelada, de Heitor Dhalia, diretor que está atualmente em Hollywood filmando com Amanda Seyfried; e a adaptação do livro Viúvas da Terra, sobre política agrária no Brasil, com direção de Henrique Goldman (“Jean Charles”). Isso sem contar as novas propostas que recebe semanalmente. A televisão, realmente, ficou para trás.

* Por Marco Tomazzoni