
REFLEXÃO DA SEMANA
"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos.. sem querer“ * Sigmund FREUDPIPOCAS, TEATRO, CINEMA, CULTURA, MÚSICA, OLHO NA TV, LANTERNINHA, SÉTIMA ARTE
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O Blog AURORA DE CINEMA é redigido pela jornalista/atriz/radialista/produtora cultural e aprendiz de cineasta Aurora Miranda Leão, filha do crítico de cinema, LG de Miranda Leão. A autora é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pós-graduada em Audiovisual em Meios Eletrônicos pela mesma instituição. Integra o corpo de associados da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema, além de ter atuado como Curadora no II Curta Lençóis - Festival de Cinema e Vídeo dos Lençóis Maranhenses, realizado pela UFMA em 2009; e no III Festival de Cinema da Fronteira, realizado pela Prefeitura Municipal de Bagé, através de sua Secretaria de Cultura, em dezembro de 2011, em Bagé (RS). É ainda editora de Arte & Cultura da revista mensal Gente de Ação, e apresentadora dos programas Cultura & Música, e Conversando com Arte, veiculados pela rádio Universitária FM de Fortaleza.
Cultora de VINÍCIUS DE MORAES, admiradora de Júlio Bressane e Fabrício Carpinejar, fã confessa dos BEATLES e do futebol de MESSI, Tevéz, Maradona, Agüero, Palermo e demais argentinos, adora dançar, viajar, cultivar os amigos, ler, ouvir música, e é assumidíssima fã dos PARALAMAS DO SUCESSO.
Atua como jornalista convidada em diversos festivais de cinema (como jurada ou na função de repórter/redatora), ministra palestras sobre o tema, produz e dirige curtas-metragens e tem páginas no twiter e facebook, além de um canal no YOUTUBE, atendendo como AURORA DE CINEMA.
De Fortaleza para saudar a Arte do mundo, espalhando Alegria, Força e Fé por onde der...Cinema com Rubens Ewald Filho
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Jorge Salomão faz Rio de Poesia em Santa !
O Poeta, escritor, ator, compositor, performer e inquieto agitador JORGE SALOMÃO convida para novo espetáculo.
Vai ser no próximo fim de semana, sábado e domingo, no bucólico bairro de Santa Tereza, na Cidade Maravilhosa… ali, no belo Centro Cultural Parque das Ruínas, o poeta vai desfilar suas poesias em tarde-noite que terá o sabor da alegria e a cor da sensibilidade, temperados pelo alto astral de Salomão.
A entrada é franca, o programa é IMPERDÍVEL !
Vamos à Santa com JORGE SALOMÃO !
Publicado em CULTURA
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Porque Jorge Salomão é um Código Explosão, sempre !

Este é o queridíssimo Poeta Jorge Salomão, o baiano mais carioca do país, Artista de mil antenas, autêntica representação das muitas misturas culturais que atende pelo nome BRASIL.
Por isso, a Poesia de Jorge Salomão é tão comunicativa, tão pulsante, sensorial, múltipla, ao mesmo tempo simples e plural.
Jorge Salomão é Artista das letras, das palavras, das imagens, das cores, de todas as pulsações.
Ele está no videoclipe que Viviane Rangel lança no próximo dia 22, no belo espaço da CAZA ARTE CONTEMPORÂNEA, na Cidade Maravilhosa.
CÓDIGO DE EXPLOSÃO é o clip… Explosão é o próprio SALOMÃO !
São Jorge Salomão em obra de Raimundo Rodriguez…
Salve JORGE, Viva Salomão !
Uma vez com Jorge, sempre Salomão !
Publicado em CULTURA
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Hoje é o Dia da POESIA: aos POETAS, todos os dias !
O dia da POESIA é Hoje mas desde semana passada o Rio de Janeiro ferve em prosa poética pelos quatro cantos.
Quem vem agitando poeticamente as noites da praia do Leme com muita Poesia é o ator Eduardo Tornaghi, que responde pela Pelada Poética, toda quinta.
Cidade Maravilhosa, CAPITAL DA POESIA !
A Quinta Semana da Poesia já começou,
com avant-première na Pelada Poética.
Este ano, celebrando a Poesia em Pé,
com a proposta Rio, Capital da Poesia !

Vinícius de Moraes, uma lacuna maior a cada ano…
A Homenagem do AURORA DE CINEMA ao mais amado de todos os Poetas, o incomparável VINÍCIUS DE MORAES; ao Poeta de todas as horas, JORGE SALOMÃO; ao Poeta da Celebração à vida, FERREIRA GULLAR, e ao encantador PoetAtor, EDUARDO TORNAGHI. A eles, e a todos os Poetas que cantam o Amor, a Poesia, a Beleza, e que lutam em versos pela PAZ no mundo, nosso caloroso APLAUSO.
Quarta, 14 de março – Dia Nacional da Poesia

Eduardo Tornaghi: ator, poeta e agitador cultural comanda rodas de poesia na praia em plenas noites cariocas…
PELADA POÉTICA
Quiosque Estrela de Luz – Praia do Leme
(em frente ao restaurante Fiorentina)
Hora: 20h
Entrada Franca
Quinta, 15 de março
RATOS DI VERSOS
Sinuca Tico e Taco – Rua da Lapa, 141 – Centro
Hora: 20h
Entrada Franca
Sexta, 16 de março
SARAU NA PRAÇA CAZUZA
Praça Cazuza – Leblon
Hora: 20h
Evento Gratuito
Sábado, 17 de março
UM BRINDE À POESIA
MAC – Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Mirante da Boa Viagem, s/nº – Niterói
Hora: 15h às 18h
Entrada: $ 5,00
LUARAU (luau + sarau)
Praia do Arpoador
(em frente ao Arpoador Inn)
Hora: 23h
Evento Gratuito
Domingo, 18 de março
SARAU NO DRUMMOND
Estátua do Drummond
Posto 6, Copacabana
Hora: 15h às 18h
Evento gratuito
Segunda, 19 de março
POESIA DE PRIMEIRA
Espaço Cultural Correia Lima
Rua Bento Lisboa, 58 – 1º andar – Catete
Hora: 19h30
Entrada: $ 5,00
ARTE EM ANDAMENTO
Livraria República do Bardo
Av. Rainha, Elizabeth, 122 – loja E – Copacabana
Hora: 21h
Lançamento do livro de poesia
“Brasil Social: a verdade desvelada”
de Diogo Fonseca Dantas a partir das 18h.
Entrada Franca
CORUJÃO DA POESIA E DA MÚSICA
Livraria Nobel – Av das Américas, 500
Shopping Downtown – Barra da Tijuca
Hora: 21h
Entrada Franca
SARAU CRIAR
Leviano Bar – Mem de Sá, 47 – Lapa
Hora: 21h
Entrada: lista amiga no facebook ou $10,
Terça, 20 de março
CORUJÃO DA POESIA E DA MÚSICA
Espaço Cavídeo/ Espírito das Artes
Cobal Humaitá – Humaitá
Hora: 21h às 3h
Entrada Franca
DIZER POESIA – UMA NOITE ENCANTADA
Condomínio Mirante de Copacabana
Rua Santa Clara, 431, Salão de Festas – Copacabana
Hora: 20h
Entrada Franca
Quarta, 21 de março – Dia Mundial da Poesia
POESIA EM PÉ
Instituto Cultural Cravo Albin
Rua São Sebastião, 2 – Urca
Hora: 18h30
ABRAÇO NA PRAÇA
Praça XV de Novembro – Marechal Hermes
Hora: 9h às 11h
Evento Gratuito
FESTA DA POESIA
Vila Olímpica da Maré
Rua Tancredo Neves, s/n – Maré
Hora: 14h às 16h
Evento Gratuito
POESIA EM FESTA
Escola Municipal D. João VI
Rua Darke de Matos, 166 – Higienópolis
Hora: Turno da manhã e Turno da tarde
Evento para alunos e funcionários da escola
Quinta, 22 de março
PONTE DE VERSOS
Livraria República do Bardo
Av. Rainha Elizabeth, 122 – Loja E
Hora: 20h
Entrada Franca
Terça, 27 de março
POESIA SIMPLESMENTE
Teatro Glaucio Gill
Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana
Hora: 18:30 h
Entrada: $ 5,00 (1/2 -$ 3,00)
Sábado, 31 de março
RIO DE VERSOS
Hipodrómo Up
Praça Santos Dumont, 8 – Baixo Gávea
Hora: 21h
Entrada Franca
Publicado em CULTURA
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Jorge Salomão lança livros em noite de sucesso
Foram muitos os amigos que rodearam o poeta Jorge Salomão na noite de lançamento de seus dois novos livros no Rio. A noite teve dança, performance, vídeo, música e muita poesia, claro.
Gulherme Fiúza, Jorge Salomão e Narcisa Tamborindeguy: noite festiva no Cine Jóia
Conhecido como o poeta das frases curtas e polêmicas, Salomão prometeu e fez uma ”festa do balaco”, para a qual todas as pessoas portadoras de luz interior, disponíveis ou não, foram convidadas.
Segundo Jorge, os livros estão difíceis de serem editados por conta do preço elevado: “Outro dia passando por várias livrarias do centro e da zona sul, eu fiquei ‘literalmente’ assustado. Os livros estão caríssimos! E para subverter essa tirania intelectual de grife, os meus livros são vendidos a R$10,00”, conta o poeta baiano, soltando uma gargalhada.
Salomão e a amiga Vânia Badin: uma estrada recheada de pensamentos…
Capitaneada pela Jacaré Produções, a noite de autógrafos aconteceu no Cine Jóia, em Copacabana. Os livros são A Estrada do Pensamento (dedicado ao filho João, que é mísico e mora nos States), e Conversa de Mosquito (dedicado ao irmão Wally, também poeta, e já no andar de cima)…
Alexandre Agra, Marco Rodrigues, Jorge Salomão e Antônio Cícero: amigos de longa data…

Estas amigas não podiam faltar: a produtora Alicinha Silveira e a jornalista Philys Huber …
O Rio por Jorge Salomão e as lentes de Berg Silva
BERG SILVA inaugura hoje a exposição de fotos Meu Rio, no restaurante Sobrenatural, em Santa Teresa. Jorge Salomão faz o texto da mostra, contando um pouco de nossa cidade através das fotos. 
O poeta JORGE SALOMÃO, baiano apaixonado pelas belezas do Rio…
SALOMÃO diz: “Quando a lente foca e o click é acionado, o resultado é misterioso: é o Rio que se revela das lentes de Berg Silva//Ele é ágil na arte de fotografar e o Rio surge nas suas intensidades: excessiva beleza da sua sinuosa geografia, seus momentos mágicos//A cidade entre o mar e a montanha. Cheia de bossas, de requebros, de novidades: a cidade e seus matizes. Esse é o Rio de Berg Silva. Fotos de rara beleza: uma poética nova”… 
* Esta nota foi pinçada da coluna de HILDEGARD ANGEL. no jornal O Gloho
Muito AXÉ no São João de Jorge Salomão… Saravá !!!
Publicado em PIPOCAS
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JORGE SALOMÃO Revive HÉLIO OITICICA e Platéia Delira
É o que diz a antenada HILDEGARD ANGEL em sua coluna do GLOBO:
Publicado em CULTURA
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A propósito do Resta Um…
Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal
Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM…
Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).
Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM…
Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…
Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um…
As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.
Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi.
Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.
Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.
A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um.
O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 
O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme.
Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido.
Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa.
Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala.
Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.
Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.
Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.
Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.
Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.
Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.
Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.
Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.
Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.
Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala.
Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado.
Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas.
Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar.

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.
Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica.
Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.
Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade.

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…
Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.
Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.
Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado.
Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor.
Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior.
Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê.
Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.
Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.
Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar.
Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar.
Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores.
Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável.
Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen.

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades.
Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves.
Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair.

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano.
Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana.

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna.
Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial.
Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento.
Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude.

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não.
Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir…

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado
Amar sem mentir nem sofrer
Desejo de amar sem mais adeus…
Até, quem sabe,
Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude.
Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.
* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes
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