Arquivo da tag: Luiz Carlos Lacerda

A Poética Memória de Luiz Carlos Lacerda

Poesias do cineasta Luiz Carlos Lacerda reúnem artistas em concorrida noite carioca no Teatro dos Quatro…

livro Bigo

Cineasta, produtor, roteirista e escritor, Luiz Carlos Lacerda – carinhosamente chamado Bigode pelos muitos amigos – lançou livro reunindo poemas inéditos. Os Sais da Lembrança, lançamento da editora Giostri, marca estreia oficial do cineasta carioca como POETA.

O livro de Luiz Carlos Lacerda também será lançado em Fortaleza, durante a sétima edição do Festival For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, que está grifado para o período de 22 a 28 deste mês.

Confira aqui no Blog AURORA DE CINEMA flashes do lançamento de Os Sais da Lembrança, que teve noite repleta de Artistas e Celebridades na capital carioca – todas as fotos são de Alisson Prodlik.

livro capa

Sobre o livro, diz Luiz Carlos:

FELIZMENTE tenho mais amigos do que livros para poder presentear, mas o livro está à venda – por enquanto – na Livraria do Teatro dos 4, no Shopping da Gávea, nos horários dos espetáculos ( das 19:30h em diante nas 5as e 6as, e das 16 h em diante no final de semana).

Cacá Diegues

Cacá Diegues foi prestigiar lançamento do amigo cineasta…

Bigo e Bete

Betty Faria, atriz de For All, também abrilhantou noite-poesia de Bigode

Cacá Diniz

Cacá Diniz, produtor do filme ‘Leila Diniz’, foi levar seu abraço a Luiz Carlos

Carla Daniel

Carla Daniel enfeitou com charme e elegância a noite poética de Bigode…

Ney Latorraca

Querido ator Ney Latorraca, grande parceiro de Bigode, também estava lá !

Bigo vô

Momento Especial: atriz Cláudia Mauro leva filhos p/celebrar o ‘vô Bigo’…

André e Bigo

Ator André Di Mauro também foi levar seu abraço especial…

Cláudia NettoAtriz e cantora Cláudia Netto também foi abraçar e conhecer as poesias de Luiz Carlos Lacerda…

Bigo e afilhado

Bigode com casal Denise e Antônio Bento Ferraz, “afilhado, ator e diretor”

Pietro

Luiz Carlos Lacerda e um de seus assistentes, o diretor Pietro Grassia

Lucho

Bigode e o diretor  Lucho Pérez Fernández, também assistente na direção

Bigo e ana Maria

Bigode e a atriz Ana Maria Magalhães, amigos de longa data…

atores Bigo

Atores reunidos para leitura de poemas de ‘Os Sais da Lembrança’…

Edwin

Querido ator Edwin Luisi, ‘todo trabalho na elegância’ (como bem diria seu personagem ‘Tio Lili’), prestigiando autógrafos de Luiz Carlos Lacerda…

Edy Botelho e Ney

Atores Edi Botelho e Ney Latorraca em momento-concentração…

Henric

Ator Henrique Pires também foi pegar autógrafo com Luiz Carlos Lacerda…

Ma Zilda

Luiz Carlos Lacerda recebe o abraço da atriz Maria Zilda

Ma Padilha

Maria Padilha recebendo livro autografado pelo amigo Luiz Carlos Lacerda

Marcos Breda

Marcos Breda, ator já dirigido por Bigode, participou da concorrida noite de autógrafos do cineasta carioca…

Pat e Cavi

Patrícia Niedermeier e Cavi Borges na noite de poesia do Teatro dos Quatro

TESSY Bigo

Luiz Carlos Lacerda com a atriz Tessy Callado em noite plena de poesias…

Tuca e Paulo Reis

Os atores Tuca Andrada e Paulo Reis também estiverem no lançamento de ‘Os Sais da Lembrança’, de Luiz Carlos (Bigode) Lacerda…

Luiz Carlos Lacerda: “O exercício da alegria e do prazer é político”

 

É tão verdadeira e forte a entrevista do CINEASTA Luiz Carlos Lacerda ao jornal a voz da serra, do rio de janeiro, que reproduzimos para que mais pessoas tomem conhecimento. Confira:       

  

não. Respeito, sim

Em entrevista polêmica, o cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, fala de homossexualidade e preconceito

Por Felipe Dias

Há algum tempo venho abordando a questão homofobia e bullying no meu blog www.olivrodehelio.webnode.com.br. Infelizmente, não param de pipocar aqui e acolá casos que servem de “inspiração” para abordar o assunto. As últimas notícias que publiquei foram a do levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia a respeito do aumento do número de homossexuais mortos no Brasil em 2010 (250 casos confirmados, fora os não confirmados) em comparação ao ano de 2009 (198 casos), e a do caso das quatro meninas lésbicas agredidas num McDonald’s, em Taboão da Serra (SP), por dois homens e uma mulher.
Desde que comecei a discutir o tema, recebo e-mails relatando casos de agressão sofridos dentro e fora de casa. Uma das lições que aprendi com a vida foi que a melhor forma de resolver um problema é encará-lo de frente e conversar a respeito. Pensei em convidar personalidades assumidamente homossexuais para falar de suas experiências para provar que, apesar das adversidades, é possível ser respeitado. Porque, afinal, tirando a questão da notoriedade, somos todos iguais.
A cada momento, vemos celebridades emprestando suas imagens às lutas contra a violência urbana, câncer de mama, corrupção, extinção do mico-leão-dourado, entre outras. Por que não contra a homofobia? Fiz contato com muitas personalidades e, para minha surpresa, não demoraram a surgir candidatos, o que me incentivou a criar a coluna Aceitação, não. Respeito, sim.
Para a estreia convidei uma pessoa que foi fundamental no processo de entendimento da minha sexualidade. No ano em que o conheci, 1997, tinha apenas 20 anos. Fui seu estagiário em um seminário de cinema documental que ele ministrou na faculdade em que estudei. Eu era um jovem com mais medos e angústias do que certezas. Então, conheci essa pessoa assumidamente gay, mas respeitada por sua postura, ideias e, talvez até, por seu bigode de xerife de filme de bang-bang. Foi quando a minha ficha caiu. Nunca falei disso com ele. Só agora, 14 anos depois, tive a oportunidade de reencontrá-lo e admitir sua importância em minha vida. Nesta entrevista, o diretor, roteirista e professor Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, diz o que pensa:

Quando a homossexualidade surgiu em sua vida?
LUIZ CARLOS LACERDA, O BIGODE – Desde menino sentia atração por homens. Adorava o Tarzan com aquelas coxas de fora! Morava em Copacabana e os via na praia, jogando vôlei, saindo suados pra mergulhar; depois voltando, molhados. Adorava ver o Bellini, capitão da seleção brasileira de futebol, com seu calção apertado na bunda. Mas não tinha com quem dividir isso. Minha primeira experiência sexual foi com uma prostituta; depois com um amigo (sem penetração). E muita masturbação fantasiando os homens da praia, jogadores de futebol e artistas de cinema.

Como foi seu processo de aceitação desta condição? Tentou se convencer de que era algo passageiro? O que o levou a tomar esta atitude?
BIGODE – Eu também sentia atração por uma menina em quem dava uns amassos e numa mulher mais velha. Mas o meu tesão pelos homens era mais forte, mais visceral. Não queria aceitar que era homossexual porque naquela época (anos 60) você era discriminado pelos outros garotos (da turma da rua, do colégio, na família etc). Por várias vezes os vi espancando, violentamente, gays na rua, em plena luz do dia. Achava um absurdo e não queria que aquilo acontecesse comigo. Depois de algumas paixões platônicas, a primeira transa mesmo foi com o Lúcio Cardoso, meu escritor preferido. Eu tinha uns 16 anos. Ele era “assumido”, sinônimo de homossexual. Meu pai desconfiou. Eu não queria ter problemas em casa. Meu pai era marxista militante e eu também. Mas a paixão era mais forte do que a repressão. Essa paixão me deu certeza de que eu era gay. Mas só alguns anos mais tarde (aos 19), eu já não fazia questão de esconder. Foi difícil. Conflitos em família, na escola e, claro, a turma da rua me discriminou.

Que comparação você faz da época em que se assumiu para a de um jovem que se assume nos dias de hoje?
BIGODE – Hoje é mais fácil. Tem essa coisa do politicamente correto que ajuda os hipócritas a fingirem que nos aceitam. Acho que, no entanto, ganhamos com isso, embora nada tenha sido fácil. Foi muita luta de afirmação da nossa identidade, do nosso comportamento dentro da sociedade. Antigamente, os gays eram os bobos da corte que frequentavam os salões de beleza ou os salões das grã-finas (costureiros, decoradores, atores e diretores de teatro). Era chique uma perua ter o seu “viadinho” de estimação. Mas não podia se misturar, ter opinião, se impor como pessoa. Isso começou a mudar, pelo menos pra mim, quando eu vi o poeta Walmir Ayala, apesar de muito afeminado, falar de igual pra igual com as pessoas. Vi que também podia ser respeitado. Não queria ser “aceito”, não precisava desse aval. Queria ser respeitado. E consegui. No início fui até bastante agressivo. Expunha meu tesão por um homem, na frente de todo mundo—como fazem os machistas com as mulheres. Mas isso coincidiu com a revolução sexual, com o chamado “desbunde”—a agressividade fazia parte daquele show. Depois, tudo foi se acalmando.

Ter sido amigo de uma pessoa liberal e revolucionária como Leila Diniz o ajudou na questão da homossexualidade?
BIGODE – Leila era minha amiga de adolescência. Ela vivia um período também cheio de conflitos, tinha saído da casa dos pais. Perambulávamos pelas ruas de Ipanema. Dormimos muitas noites em escadas de prédios, em trens que iam até o subúrbio, em mesas de botequim e até na casa do Lúcio—que não quis assumir a relação comigo porque eu era menor e ele não era apaixonado como eu. Tinha outros jovens parceiros. Ela me apoiava e eu a apoiava. Mas eu só assumi mesmo, pra valer, publicamente, aos 20 ou 21 anos. Sozinho. A Leila não interferiu em nada. Apenas, como era uma pessoa verdadeiramente livre e minha amiga, aceitou como uma coisa normal.

Como o fato de ser homossexual reflete em seus filmes?
BIGODE – Todos os meus filmes, cada vez mais, têm personagens homossexuais, claro! E gosto de filmar os homens sob a ótica do meu desejo. Isso é inevitável. Principalmente quando estão nus. E o que tem de homem nu nos meus filmes!…

Você foi professor da Escola de Cinema de Cuba. Em agosto de 2010, Fidel Castro admitiu ter perseguido homossexuais entre as décadas de 60 e 70, tendo exonerado de cargos públicos, funcionários gays que foram enviados para campos de trabalho forçado. O que você conta sobre sua experiência neste país que durante anos viveu sob uma ditadura homofóbica?
BIGODE – Antes disso, em 1997, uma jornalista venezuelana fez uma longa entrevista com o Fidel, publicada no livro “Un grano de maiz” [Um grão de milho], onde ele pede desculpas aos cubanos pelo “erro político” da perseguição aos gays, e até sugere às famílias que os aceitem. Mas eu não acredito na sinceridade desse ditador que mandou matar e torturar milhares de pessoas por causa de suas orientações sexuais, como na União Soviética, de Stalin, e na Alemanha nazista. O que acontece é que pegou mal—volto a insistir no “politicamente correto” que nos ajuda em muitas situações. Mas até hoje os travestis são perseguidos e extorquidos pela polícia cubana. Os soropositivos são isolados num hospital no município de Los Cocos, como eram os leprosos no século XX e só visitam as famílias com um acompanhante enfermeiro. De qualquer maneira, a ficha caiu, pelo menos parcialmente. E é diferente do Irã, onde basta os gays serem denunciados por um vizinho para serem enforcados em praça pública—como pode ser constatado em sites, com fotos horrendas. Eu não tive problemas em Cuba, até porque vivia numa escola internacional, um território livre.

Você concorda que o Brasil é um país “gay friendly”, apesar dos casos de homofobia?
BIGODE – A formação étnica do Brasil é erotizada. A miscigenação, nossa maior riqueza e característica como afirmou Darcy Ribeiro, é resultado de uma grande sacanagem. O brasileiro gosta muito de transar. E isso, apesar da repressão da igreja católica, “não tem limites”—como canta Chico Buarque em “O que será, que será?”.

Muitas pessoas não concordam com a forma como as paradas gays acontecem, deixando de ser um movimento político-social para ser uma espécie de “micareta”. Qual sua opinião?
BIGODE – Política não precisa ser o exercício do mau-humor ou da formalidade. O exercício da alegria e do prazer—como escreveu Freud tratando da questão da repressão sexual—é político. Essas paradas são muito importantes também porque dão uma visibilidade absoluta para a sociedade. Apesar da tentativa de folclorização pela mídia, que só divulga as imagens dos travestis, involuntariamente estão politizando essa questão ao tirar da obscuridade e da sombra esses seres condenados à escuridão das ruas. Os travestis e os “trans” merecem todo o brilho que exibem à luz do generoso Sol que nasce todo dia para todos. Eu prefiro esse espetáculo vital, essa alegria, do que muito seminário acadêmico de bichas intelectualizadas e carrancudas.

Qual sua opinião a respeito da forma como o governo trata a questão LGBT?
BIGODE – Fico feliz de estar vivendo os dias que vivemos hoje e de poder assistir a inclusão social dos LGBT através de programas oficiais. Quando poderíamos imaginar a criação de uma Secretaria da Diversidade vinculada à Presidência da República, por determinação e coragem política do ator Sérgio Mamberti? Hoje, a maioria dos governos (do Rio, de Minas e de São Paulo, com certeza) criou essas secretarias. No Rio, o funcionário público gay tem direito à pensão do companheiro morto. Alguns juízes começam a dar o direito de adoção para casais homossexuais. Minha única frustração é o governo brasileiro ainda não ter resolvido no Congresso a questão da criminalização da homofobia. É uma contradição! A posição dos católicos e evangélicos, que fazem parte da sustentação política do governo no Congresso, é a razão desse impasse.

O que você espera do governo Dilma Rousseff em relação à questão LGBT?
BIGODE – Continuidade da política pública de apoio ao movimento LGBT e avanços nessas questões como a criminalização da homofobia. Já conquistamos a legalização da união civil de pessoas do mesmo sexo.

Qual a sua opinião sobre a forma como homossexuais são retratados na televisão brasileira?
BIGODE – Mesmo sendo caricaturas, acho importante. A sociedade brasileira hoje não pode mais esconder os altos índices de homossexuais entre seus pares. Se as novelas e os filmes quiserem se comunicar com um público mais abrangente, terão que retratar a sociedade como ela é em sua totalidade. Hoje é difícil não ter um ou mais personagens gays nas novelas. Mais uma vez o politicamente correto, apesar de hipócrita, está nos favorecendo.

Em 2010 foi noticiado que o programa “Clandestinos—O Sonho Começou”, da Rede Globo, levaria ao ar o primeiro beijo gay da televisão brasileira, mas a cena foi cortada da edição final. No passado outros programas também tiveram beijos gays cortados. Qual sua opinião a respeito deste fato?
BIGODE – Falei com a Glória Perez por telefone quando cortaram o beijo dos dois rapazes em “América”. Ela estava chateada porque escreveu a cena, foi gravada, mas a direção da televisão decidiu cortar. Mesmo quando a Censura Federal foi extinta no Governo Sarney, as TVs demoraram muito a absorver essa mudança. Acredito que estamos caminhando… Em outros tempos “matavam” os personagens gays num desastre encomendado. Mais importante do que o beijo em si é a existência de uma relação verdadeira, com afeto, conflitos; a sua relação plena com a sociedade, e não mais e apenas a caricatura. O personagem da Paula Burlamaqui em “A Favorita”, do João Emanuel Carneiro, era uma lésbica apaixonada pelo personagem da Lilia Cabral que emocionou o Brasil. Isso é mais importante do que o beijo em si.

Como você vê a forma como a questão LGBT é tratada pelo cinema brasileiro e internacional?
BIGODE – O cinema tem uma dívida muito grande com essa questão. Nisso a TV está mais adiante. E estou falando do mundo todo. Mas já há uma filmografia bastante significativa com essa temática.

No começo é comum nos sentirmos desorientados em relação à nossa postura diante do fato de sermos homossexuais. Que conselho você dá para quem está passando por isso?
BIGODE – O único conselho que dou é para não aceitarem conselhos de ninguém. Cada um sabe o que fazer da sua vida, pois cada existência tem sua própria história. O mais importante é você se aceitar. O resto vem com o tempo.

Muitos jovens me escrevem falando sobre o fato de ainda não terem se assumido para suas famílias e amigos. Uns alegam medo da reação das pessoas, outros dizem que ainda se acham muito novos para isso, e alguns acreditam que possam viver uma vida aparentemente heterossexual (casamento, filhos etc.) alternada com momentos em que se permitam relações homossexuais. O quê você tem a dizer para eles?
BIGODE – Tenho amigos e conhecidos que levaram uma vida inteira mentindo para as esposas, os filhos e a si mesmo. Essa é a maior infelicidade que um ser humano pode viver! Depois se arrependem do tempo perdido. Aí é tarde.

Para encerrar, passe uma mensagem para nossos internautas/leitores.
BIGODE – O mais importante na vida é procurar ser feliz.

Sobre Luiz Carlos Lacerda, ou Bigode:

Filho do produtor João Tinoco de Freitas, membro do Partido Comunista Brasileiro, que ajudava a financiar filmes nos anos 50, como “Rio 40 Graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos, LC Lacerda começou no cinema aos 19 anos como assistente de direção de “Onde a Terra Começa” (1965), de Ruy Santos. Sua escola no cinema foi o set dos filmes de Nelson Pereira dos Santos, de quem foi assistente de direção nos filmes “El Justicero” (1966), “Fome de Amor” (1967), “Azyllo Muito Louco” (1969), “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1970), “Quem é Beta?” (1972) e “Amuleto de Ogum” (1973).
Estreou na direção com “Mãos Vazias” (1971), uma adaptação do romance homônimo de Lúcio Cardoso, e em 1978 dirigiu “O Princípio do Prazer”, no qual aborda o incesto. Nos anos 80, fez filmes publicitários, produziu seriados e novelas para a Rede Globo e assinou alguns vídeos. Em 1987 filmou o sucesso “Leila Diniz” (1987), cinebiografia da atriz, interpretada por Louise Cardoso. Realizou e roteirizou cerca de 30 curtas sobre personagens da cultura brasileira como Nelson Pereira, Lúcio Cardoso, Cecília Meireles, Ernesto Nazareth, Antônio Parreiras, Quirino Campofiorito, Walmir Ayala, Oduvaldo Viana Filho, Alex Viany, Anísio Medeiros, Paulo Villaça, Arduíno Colasanti, Vatenor, Júlio Paraty, Zé Tarcísio, Ângelo Agostini, Mário Faustino e Alair Gomes.
Na produção, participou de “Chuvas de Verão” (1978), de Carlos Diegues, “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabor, “O Homem da Capa Preta” (1986), de Sérgio Rezende, entre outros. Dirigiu “For All – O Trampolim da Vitória” (1997) e “Viva Sapato” (2004). O primeiro conta a história no estilo chanchada sobre a presença do exército americano na cidade de Natal (RN), durante a Segunda Guerra Mundial, e o segundo é uma coprodução Brasil/Espanha, filmada no Rio e em Havana. Bigode foi professor do curso de cinema da Escola de Cinema de Cuba (1992 e 1993) e da Universidade Estácio de Sá.
(Fontes: Filme B e Wikipedia)

Gil, Sônia Dias, Macalé e Bigode

“Vida Vertiginosa”, de Luiz Carlos Laderda. Foto: Alisson Prodlik

Nildo Parente, Um Adeus Emocionado e Emocionante

 

Conheci-o no final dos anos 60, ele belíssimo, chegado de Fortaleza e já fazendo teatro, nas mesas do La Gondola ,num jogo que consistia em lembrar o nome de atores secundários; de tecnicos de filmes principalmente americanos.E sempre ganhava! Os outros “jogadores” eram Fabiano Canosa (criador dos primeiros “cinemas de arte” no Brasil, que levou o Cinema brasileiro pra NY,onde passou a ser programador de um cinema cult no East Village e orientou Sonia Braga nos seus primeiros passos nos States);Napoleão Moniz Freyre e Renato Coutinho, ambos atores e tb amigos do Nildo.

Em 1969 ficamos amigos durante a preparação e filmagem do único filme que protagonizou – o hoje clássico Azyllo muito louco, do mestre Nelson Pereira dos Santos, filme naquela época incompreendido apesar de ter recebido no Festival de Cannes do ano seguinte o Prêmio Luis Buñuel da crítica, com a presença do diretor e dele.

Aqueles muitos meses de preparação no Rio, onde montamos atelier na Rua Paschoal Carlos Magno, em S.Teresa, comandado pelo diretor de arte Luiz Carlos Ripper, nos aproximou logo.Ripper aglutinava atores e equipe à sua volta para produzirem as bijouterias e objetos artesanais do filme.A chegada em Paraty foi triunfal.Nós tres fomos na frente.Nildo queria se deixar impregnar pela cidade que passou a frequentar através de outros filmes ali realizados ou qdo tinha tempo livre.Fez muitos amigos.

Frequentei quase todas as noites o espetáculo Hoje é dia de rock no Teatro Ipanema.Além dos amigos Nildo e Isabel Ribeiro,oriundos do filme em Paraty,o teatro virou point dos descolados de todas as áreas, atraídos pela ideologia hippie do texto de José Vicente e tb pela direção de Rubens Correia que imprimiu uma atmosfera de viagem lisérgica e comunhão ao espetáculo.

À partir do meu primeiro filme (Mãos vazias, 1970) sempre pude contar com o grande e disciplinado ator nos meus projetos (os longas O princípio do prazer e For All; o curta Acendedor de lampiões e como narrador do curta sobre nosso mestre,Nelson Filma); além de filmes que produzi para outros diretores e que o indiquei (Republica dos assassinos, de Miguel Faria Jr.; Ajuricaba, de Oswaldo Caldeira;entre outros).

Em 2009 assisti à cerimônia de entrega do Prêmio Especial pela sua carreira no For Rainbow Festival de Fortaleza – onde exibiram um audacioso curta em que atuava ao lado de Ney Matogrosso.Disciplinado, chegou mais cêdo do que todos, observando tudo, conferindo a qualidade do som, elogiando a cenografia transformadora do Cine São Luiz, na Praça do Ferreira, que frequentou durante sua juventude.Emocionado, recebeu o troféu das mãos de Verônica Guedes – diretora do Festival e autora da brilhante idéia da homenagem.

No meio do ano passado fui convidado pelo Canal Brasil , para minha surprêsa, a dirigir um documentário sobre Nildo para a série Retratos brasileiros.Ele já tinha tido o primeiro AVC, filmamos em sua pequena cobertura cercado de livros e de filmes, e parecia estar se recuperando bem.Foi uma tarde alegre onde relembramos nossa juventude, as aventuras e loucuras que vivemos juntos, e ele sorria, sentindo-se prestigiado e excitado com a lembrança de toda a sua vasta carreira no teatro; no cinema e na TV.

Mexia em fotos tiradas de caixas; irritava-se quando demorava a lembrar o nome de um espetáculo ou de um autor.

Quando enviei-lhe o DVD pronto, telefonou-me, satisfeito e agradecido.

A última vez que nos vimos foi no aniversário da empresária Yvone Kassú, no La Fiorentina, point do teatro e do cinema desde os anos 60.Elegante como sempre, com seu característico e iluminado sorriso, beijou-me com o cumprimento que marcou nossos encontros. Hy, By God ! e eu respondia, Hy, Teremp Donil .

Lembrar do Nildo é lembrar da atriz  Thais Moniz Portinho e de Fabiano Canosa – seus melhores amigos; inseparáveis companheiros de muitos anos dos 75 que Nildo viveu – agora mais órfãos do que todos nós.

Viva o Padre Simão ! como gritava o coral feminino constituído por Leila Diniz; Ana Maria Magalhães e Irene Stefânia no Azyllo muito louco que permanecerá sob seu comando na nossa história pessoal e na do cinema brasileiro.

 
Luiz Carlos Lacerda

Para Atuar em TV e Cinema

Cineasta Luís Carlos Lacerda, um dos mais atuantes e respeitados criadores de Cinema do país – carinhosamente chamado pelos muitos amigos de Bigode -, abrirá espaço em sua requisitada agenda para ministrar curso especialíssimo de Interpretação para Cinema e TV.

As aulas terão lugar na Cinédia Cena Criativa. Em tempos de novos rostos e aperfeiçoamento de talentos espontâneos, a oportunidade é mais do que bem vinda !

As aulas vão acontecer a partir do dia 2 na agradável e bucólica sede da CINÉDIA, capitaneada por Alice Gonzaga, em Santa Tereza, com acesso muito fácil, seja de carro, ônibus ou metrô. 

Ney Latorraca, esta redatora e Luiz Carlos Lacerda em festivo encontro no Curta Santos 2009…

Saina mais sobre LUIZ CARLOS LACERDA

Cineasta com mais de 20 documentários sobre personalidades da nossa cultura; dirigiu os longas de ficção Mãos Vazias; O Princípio do Prazer; Leila Diniz; For All – O Trampolim da Vitória, e Viva Sapato !, todos bastante premiados em festivais no Brasil e no exterior.

Professor do Curso de Cinema da Universidade Estacio de Sá e da Escola Internacional de Cinema de Cuba. Realiza frequentemente oficinas nas Mostras de Tiradentes; Ouro Preto e Belo Horizonte; na Universidade Federal de Santa Catarina e no Polo do Pensamento Contemporâneo (RJ).

 Cinédia Cena Criativa

Rua Santa Cristina, n° 5 – Glória

Tel. (21) 2221-2633

www.cinedia.com.br

 

“Esta Pintura Dispensa Flores”

Documentário de Luiz Carlos Lacerda no Festival do Rio

Hoje, dia 1º, às 19h, no Pavilhão do Festival do Rio (Centro Cultural da Ação da Cidadania) tem Sessão Especial do documentário Esta Pintura Dispensa Flores, do cineasta carioca Luiz Carlos Lacerda (“Leila Diniz” – 1987; “For All - O Trampolin da Vitória” – 1997; “Viva Sapato!” – 2002), o Bigode, sobre Victor Arruda, pintor contemporâneo cuja obra é inspirada em pintores esquizofrênicos, no pintor norte-americano Robert Crumb, em Carlos Zéfiroartista que notabilizou-se pelos famosos catecismos, HQs pornôs das décadas de 1950 e 1960 – e, em grafites de banheiros públicos masculinos.

O filme acompanha o trabalho criativo do artista, sua crítica ao comportamento e à ideologia da classe média. Sua obra pode ser encontrada nos acervos dos mais importantes museus brasileiros e coleções particulares nacionais e internacionais, apesar de suas exposições serem sempre proibidas para menores de 18 anos. Uma das características de sua pintura é o homoerotismo.

Esta Pintura Dispensa Flores (Brasil201042’Roteiro e direção: Luiz Carlos Lacerda Fotografia e câmera: Alisson Prodlik Edição: Allan Fontes e Paulo Revesz Musica original: Marcelo H. Produtora: Matinê Filmes

Onde: Pavilhão do Festival do RioCentro Cultural da Ação da CidadaniaRua Barão de Tefé, 75Zona Portuária Tel.: (21) 2233-7460 – HOJE, dia 1º, às 19h entrada franca

Bigode Vai Colocar CASA 9 na Tela

Compositor JARDS MACALÉ é um dos que dará depoimento sobre a CASA 9 
 
Luiz Carlos Lacerda, incansável, trabalha em novo filme, que terá depoimento de seu grande amigo, cineasta Nélson Pereira dos Santos
 
Poeta JORGE SALOMÃO feliz da vida com participação no novo filme de Bigode
 
 * Transcrito da coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, do Globo…

Defesa do Cine de Cataguases

Do amigo Luiz Carlos Lacerda, recebemos a seguinte mensagem:
Queridos amigos,
Este filme plano-sequencia, realizado a partir de uma idéia de Joel Pizzini, Gustavo Jardim e Emilio Gallo, e com a nossa participação, foi feito em defesa do Cine Edgard de Cataguases que, como muitos pelo Brasil, apesar de tombado pelo IPHAN, corre o risco de desparecer.
Solicitamos que divulguem esse filme-manifesto, principalmente nos festivais que tb defendem a questão da preservação de salas e a memória do nosso cinema, nos sites, e em todos os canais possíveis.
 
Luiz Carlos Lacerda/Bigode
Portanto, Amigos das Artes e da Cultura, façamos a nossa parte.
 
Pela defesa URGENTE do Cine Edgard, da mineira Cataguases, do pioneiro HUMBERTO MAURO !
 
O Filme Regard Edgar – fita manifesta está em
 
www.festivalverefazerfilmes.org.br

www.fabricadofuturo.org.br

Victor Arruda Chega às Telas