Arquivo da tag: Zeca Brito

Filme de Zeca Brito em competição internacional

O Guri entre concorrentes internacionais do 6° Cine Fantasy 
Primeiro longa-metragem inteiramente filmado em Bagé, O Guri , longa de estréia do jovem cineasta gaúcho Zeca Brito, será exibido na mostra competitiva internacional 6° Cine Fantasy em São Paulo, que começa no próximo dia 24.

O Guri estará concorrendo com 21 longas, entre eles a produção norte americana The Whisperer in Darkness , além de  A DAY OF VIOLENCE do Reino Unido,  HAROLD’S GOING STIFF da Grã-Bretanha, KAYDARA da França e  FROST (AKA PSYHOS) da Grécia, entre outros longas de diversas partes do mundo.

Zeca Brito orienta o estreante Lucas Domingues no set, em Bagé…

As sessões de O Guri em São Paulo vão acontecer no dia 26 de novembro na Biblioteca Viriato Correa, às 19h, e dia 4 de dezembro no Centro Cultural São Paulo, ás 18h.

O Festival CINE FANTASY prossegue até 4 de dezembro e dedica sua programação ao gênero fantástico.
 

 
O filme de Zeca Brito, cujo elenco é todo de Bagé, terra natal do cineasta, também será exibido no 10° Festival de Cinema de Guaíba, dia 24 de novembro, às 16h, no SESC de Guaíba.
 
Em Bagé, o filme será exibido dentro da programação do III Festival de Cinema da Fronteira, de 10 a 17 de dezembro.
 
Em Porto Alegre, o filme prossegue em exibição no Cine Santander, sempre às 17h e as 19h.
 

 
O Guri é um trabalho realizado de forma coletiva, onde diversas parcerias foram buscadas para viabilizar o projeto. Feito por recém-egressos do curso de cinema da Unisinos, é o primeiro filme de longa-metragem assinado por um diretor oriundo de um curso superior de cinema do RS. O primeiro longa-metragem inteiramente filmado em Bagé. Inteiramente realizado sem dinheiro de leis de incentivo ou editais. Um filme de guerrilha.
 
Sinopse:
A maldição do lobisomem paira sobre as terras da fronteira gaúcha. Em tempos de guerra, em que os homens estão ausentes e as mulheres governam, fatos estranhos começam a acontecer. É tempo de descobertas e a vida do menino Lucas jamais será a mesma.
 
No elenco principal, Lucas Domingues, Sandra Alencar, Luiza Ollé, Eliane Pacheco, Marilu Teixeira, Tatiana Vinhais, Rafael Tomini, Danny Gris e Yaya Venieri.
 
O cartaz é uma ilustração do renomado artista bageense Glênio Bianccheti. 
 
“O Guri assinala o nascimento de um novo talento cinematográfico no Brasil”                    Jean-Claude Bernardet
 
 

 
Direção e roteiro: Zeca Brito
Elenco: Lucas Quintana Domingues; Eliane Pacheco, Sandra Alencar e Luiza Ollé; Marilu Teixeira, Tatiana Vinhais e Yaya Vernieri, Danny Gris e Rafael Tombini.
Direção de Fotografia: Bruno Polidoro e Pablo Escajedo
Direção de Arte: Virginia Simone
Montagem: Frederico Ruas e Lufe Bollini
Trilha Sonora: Luiz Felipe Damiani
Edição de Som: Tiago Bello
Produção: Coletivo Inconsciente, Delicatessen Filmes.

http://www.cinefantasy.com.br/programa/lo002.html

Bagé promove fronteiras com o Cinema do Mundo…

O Festival de Cinema de Fronteira visa à fomentar a produção regional e aproximar a recente cinematografia brasileira do espectador sulino, estabelecendo diálogos com a América Latina, através de mostras competitivas, mostras informativas itinerantes, oficinas, seminários e debates.

Uma Janela no Pampa

O Estado do Rio Grande do Sul, por razões de ordem político-administrativas
e econômicas, acabou, a partir do século passado, dividido em duas grandes regiões: Metade Norte e Metade Sul.

A Metade Norte, por razões endógenas de ocupação territorial, maior espírito
de associatividade pelos imigrantes e com apoio dos governos centrais, desenvolveu-se economicamente, enquanto a Metade Sul, desfavorecida, acabou envolvida num processo de decadência econômica, o qual, hoje, governos e iniciativa privada tentam reverter.

No Norte, está a maior concentração demográfica, as principais iniciativas empresariais e, conseqüentemente, a riqueza oportunizada pelo emprego. Pujante região serve de modelo para outras en busca da emancipação econômica e social.

Em contrapartida, o Sul teve seus modelos de produção esgotados, e, em
conseqüência, a degradação econômica. No entanto, esta região, ora em processo de despertar, está em busca de novos caminhos para sua redenção. Para alavancar este processo, o pampa conta com o que tem de melhor, a sua matriz cultural. Esta, representa a própria identidade do Rio Grande, alicerçada nas vertentes da História, da Tradição e da Cultura.

O Rio Grande luta para ser um só, coeso e integrado à realidade nacional.

Buscando os caminhos do desenvolvimento, novas ações brotam dia-a-dia no
âmbito da iniciativa pública e privada na Metade Sul, trazendo alento e ânimo às novas gerações. As artes, no contexto histórico do povo da fronteira, têm sido, ao longo do tempo, o alimento dos espíritos livres desta gente. Colocando-se em posição de vanguarda, os criativos cumprem religiosamente seu dever de antecipar-se ao futuro, balizando e sustentando a identidade cultural do gaúcho.

Dentre todas as artes, talvez a que mais se preste para revelar nossa identidade seja o CINEMA. Por estar ligado À forma como sonhamos e visualizamos nosso mundo, a Sétima Arte é o veículo ideal de idéias e pensamentos, sonhos e imaginação, cultura e sentimentos.

O Festival de Cinema da Fronteira quer tornar real a viabilidade da realização cinematográfica. Objetivando a auto-afirmação dos potenciais criadores e espectadores, encasulados pelas distâncias e limitações financeiras e técnicas, o festival pretende contribuir para a formação do olhar, através de mostras de repertório; o exercício prático do aprendizado cinematográfico através da realização de oficinas, seminários e debates; a concretização da produção local; janela de exibição da produção brasileira e uruguaia, criando um espaço de confluência cultural; e a consagração dos produtos locais que melhor cumprirem o ciclo de exercício cinematográfico através de premiação por categorias e prêmios especiais.

Paralelamente aos seus objetivos precípuos, o festival busca a integração dos
municípios de Candiota, Hulha Negra e Aceguá, cidades ligadas por laços afetivos e históricos. A produção da cinematografia uruguaia também será contemplada, visando à integração entre os povos da fronteira Sul.

Em 2011, a emblemática Rainha da Fronteira completa seus 200 anos de
fundação. Para assinalar esta celebração, unem-se as forças da comunidade de modo a demarcar indelevelmente esta passagem de tempo. O objetivo maior do III Festival de Cinema da Fronteira é cunhar a marca do Cinema na história presente da bicentenária Bagé. 

Oficinas realizadas o ano inteiro potencializam a vocação de Cinema de Bagé

Assim,  a terceira edição do Festival de Cinema da Fronteira vai acontecer de 3 a 10 de dezembro próximos e já começa a transformar BAGÉ na futura capital do Cinema que não tem fronteiras nem escolhe limites, o Cinema de todas as etnias, tradições, cores e vertentes.

O Festival é uma realização da Prefeitura Municipal de Bagé, através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Centro Histórico Vila de Santa Thereza, Casa de Cultura Pedro Wayne, Instituto Municipal de Belas Artes, Biblioteca Pública Municipal e Biblioteca Pública Infantil, órgãos estes subordinados à Secretaria Municipal de Cultura.

Zeca Brito nas filmagens de O Sabiá, aproveitando o cenário natural da cidade

O III Festival de Cinema da Fronteira conta com apoio do IFSUL- Instituto Federal Sul-Riograndense, URCAMP- Universidade da Região da Campanha e UNIPAMPA -Universidade Federal do Pampa. Além destes, outros organismos, empresas e instituições deverão em breve manifestar seu apoio formal ao evento.

O SABIÁ, premiado curta-metragem de Zeca Brito, inteiramente rodado em Bagé com não-atores de uma comunidade quilombola

A democratização e o acesso à produção audiovisual são os principais focos do Festival de Cinema da Fronteira, festival que programa exibições de filmes e vídeos de diferentes gêneros e formatos, sem distinção.

O Festival pretende divulgar o cinema nacional de curta- metragem, possibilitar o intercâmbio para a produção realizada na região da Campanha Gaúcha, incentivar a produção audiovisual em Bagé e cidades vizinhas, além de discutir meios e estratégias para fomentar a produção e distribuição audiovisual local, e ainda a formação de platéia para o cinema brasileiro.

As inscrições deverão ser realizadas através do site www.festivaldafronteira.com.br e estarão abertas até 20 de outubro.

 

O GURI – longa realizado em Bagé e finalizado este ano, com direção e roteiro de Zeca Brito, um bageense convicto. 

Os filmes serão selecionados pela comissão organizadora do festival, entre produções inscritas e/ou convidadas, realizadas em qualquer suporte, desde que finalizadas também em suporte digital. No caso do formato digital, o arquivo deverá apresentar áudio e vídeo em mesmo local e não poderá estar zipado.
As produções deverão ter a duração máxima de 25 minutos…

Sede da Secretraia Municipal de Cultura, órgão responsável pelo Festival

QUEM FAZ O FESTIVAL CINEMA DA FRONTEIRA 

REALIZAÇÃO: Prefeitura Municipal de Bagé, Secretaria Municipal de Cultura.

PRODUÇÃO: Primeiro Corte Produções

CURADORIA: Aurora Miranda Leão

COMISSÃO ARTISTICA: Carmem Barros, Eliane Pacheco, Fabiane Lázzaris, Lisandro Moura, Sandra Carmerine, Vera Medeiros e Zeca Brito.

APOIO INSTITUCIONAL: IFSUL- Instituto Federal Sul-Riograndense, URCAMP- Universidade da Região da Campanha e UNIPAMPA -Universidade Federal do Pampa.

 

O CAPITÓLIO – um dos mais importantes cinemas do país, erguido em Bagé em 1934…

 

A antiga estação ferroviária de Bagé, inaugurada em dexzembro de 1884, hoje Centro Administrativo

RESTA UM na noite de Fortaleza

Um filme só acontece depois que chega ao espectador. Por isso, você é a pessoa mais importante desta noite de TERÇA na qual RESTA UM será exibido, pela primeira vez, em Fortaleza.

O CONVITE para esta noite no Centro Cultural Oboé tem a intenção de ser espalhado por aí aos quatro ventos pra que possamos ter uma sessão de cinema com casa cheia.


Aurora Miranda Leão e Rubens Ewald Filho durante o período de gravações em Goiânia…

Vá e leve os amigos ! Se não puder ir, pelo menos recomende a uma porção de parceiros porque, afinal, sempre RESTA UM

Venha você também descobrir porque O Resto é sempre maior que o Principal…

 

FICHA TÉCNICA e ARTÍSTICA RESTA UM 

Argumento, Roteiro, Fotografia e Direção – Aurora Miranda Leão

Trilha: Ricardo Bacelar

Câmera adicional – Julinho Léllis

Imagens de celular: Aurora M. Leão e Ingra Liberato

Contribuição afetiva – Rubens Ewald Filho

Colaboração no Roteiro: Alex Moletta,Miguel Jorge,Rogério Santana 

Estrelando INGRA LIBERATO

 Participação: Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler, Bruno Safadi, Samuel Reginatto, Miguel Jorge, Henrique Dantas, Carol Paraguassu e Patrícia Luciene

Produção: Aurora M. Leão e Julinho Léllis 

Edição: Aurora Miranda Leão e Lília Moema

Filmes citados:  Amanda & Monick, de André da Costa Pinto

                              Aos Pés, de Zeca Brito

                              Áurea, de Zeca Ferreira

                             Harmonia do Inferno, de Gui Castor     

 

Realização: Aurora de Cinema & Cabeça de Cuia Filmes       

                                      

RESTA UM – LANÇAMENTO em Fortaleza
HOJE, 19, 19:30h
COQUETEL no Centro Cultural Oboé – rua MARIA TOMÁSIA, 531

Informações: 3264.7038
ENTRADA FRANCA

O GURI na visão da Crítica

Críticos consideram primeiro longa do cineasta ZECA BRITO uma obra poderosa


“O Guri assinala o nascimento de um novo talento cinematográfico no Brasil” Jean-Claude Bernardet – USP

O GURI

“Um homem só se possui através de lampejos esparsos, e mesmo quando se possui não alcança sua totalidade.”
Artaud

Muitas são as impossibilidades para uma criança entender o mundo. Mundo inautêntico banhado pelo sangue, pelo silêncio, pelo receio das muitas proibições e pelas coisas não explicadas. E se o ponto de partida é, em nosso cinema, uma vez mais a infância, como formar-se melhor para a vida? Como entender por si só a descoberta do desejo ou a violência das tantas e tantas guerras? Tantos são os estragos na formação de todos que recomeçar do princípio torna-se o fim de toda e qualquer inocência.

José Teixeira Brito (o Zeca, para os mais íntimos) se triplica em seu esforço para provocar a vitalidade desesperada da falsa normalidade, ao não dirigir um filme menor para o mercado, mas sim para os que ainda gostam de pensar a história e o cinema. Nesse sentido, O Guri é uma overdose de caminhos e contradições. Um filme que nos faz enxergar bem além do “cinema” televisivo que, com apoio de idiotas, burocratas e multinacionais, tenta imitar Hollywood. Radicalíssimo como linguagem experimental e imperceptível como essência, nos faz pensar em Lorca, Arrabal e Bellocchio.

Zeca se deixa atravessar por realidades, e não faz o cineminha culpado dos donos do dinheiro, pois não é oportunista nem canalha. Em princípio, rigorosamente, é um jovem em formação superando-se na degeneração cultural desse nosso tempo, que vive provocando para não morrer no tédio da República. Em um esforço brutal de formação, expurga seus demônios ao construir, no caos rural de um tempo indefinido, o uso da ignorância e as obscuras zonas do desejo como expressão ou complexo. E que na desvalorização sistemática do humano, edifica o sacrifício do vazio de vidas inúteis. Ora, o que são as guerras senão continuação da política ? Nada além de lucros, mortes, a mídia e vazios. Mas… e a política não é a mais potente arma da produção de vazios ?

Onde se quer chegar? No caso do filme em questão, no renascimento do “guri” libertado pela “velha” louca, a serviço da infinitude dos sonhos como substância da liberdade. Absolutamente ousado como linguagem, assimila bem um cinema de idéias, e faz da descoberta da sexualidade a dimensão do seu desenvolvimento narrativo lorqueano.

Ora, como afundado num campo abandonado no sul do país, é possível entender o mundo em guerra e preconceituoso dos adultos? Como ter uma infância feliz no silêncio que nada explica? Um silêncio incômodo devasta horrores humanos. Mas seremos mesmo humanos? O Guri aproxima-se cauteloso de Anahy de las Misiones e de Cão Sem Dono como mais um filme anticonformista fechado numa discussão poético-estético-visceral de invenção como reivindicava o saudoso crítico e cineasta Jairo Ferreira.

Ou seja, não é um filme esvaziado pela TV e pelo dinheiro que tudo compra e corrompe. O Guri é um impiedoso tormento de angústias e contradições profundas que, fechado no inferno familiar sem homens (todos na guerra), habitado por mulheres neuróticas, se faz poesia. Mas não é doce-amargo como Mutum , mas ácido na diversidade nos remetendo curiosamente a um personagem teatral de Pasolini que diz: “O poder serviu-se de quem o criticou para compreender indecisamente antes. Depois serviu-se de quem dele se rebelou de maneira extrema, para obter uma extrema consciência de si.”

Zeca Brito faz um filme doído, sofrido, angustiante. Constrói a sua ambigüidade familiar num tempo indefinido que pode ser o nosso. Buscando além do Rio Grande do Sul, a sua inquietude criativa, as suas dúvidas, a sua formação das artes-plásticas ao cinema. Fazendo do não-naturalismo televisivo reinante a sua ousadia, agonizante entre as “bruxas” de negro, guerras invisíveis, fome de entendimento da vida, desesperos e aberrações, o cerne de seu primeiro longa bellocchiano, onde o irracionalismo serve a revelação da nossa má formação humana. Ou seja, é do classicismo religioso agrário, que os seus personagens se tornaram aquilo que são: todos desprovidos de uma fisionomia humana.

Receptivo ao cinema moderno dá um significado ao seu olhar. Fluido e sutil irradia contradições a serviço dos seus demônios. Como artista é uma experiência rica em movimento da gravura para o cinema. E naturalmente que seu processo de desenraizamento do fácil lado de uma narrativa linear, coloca-o quase como um estrangeiro no seu próprio meio. Mas… nunca foi harmonioso não ser medíocre ou comum. Mas onde estão os medíocres e comuns? Claro que na burocracia, no governo e nas televisões do país. Fazendo? Dando uma expressão grandiosa ao fascismo das nossas elites. Já Zeca e seu primeiro longa são generosas externalizações de liberdade. Até mesmo para errar. Ora, falar da guerra sem mostrá-la é um achado, pois em momento algum faz sensacionalismo barato querendo vender o triste e pobre espetáculo da violência como produto digerível do nosso fascismo visual.

Como um filme de linguagem usa e abusa da poesia num atrevimento já raro no nosso cinema. Cúmplice de todas as suas personagens deixa-se levar a um furioso regresso, ao trágico, pontuando aqui e ali com imagens e situações impressionantes, onde trabalha a grandeza de Lorca, realizando uma espécie de auto-análise. Onde os mecanismos pejorativos da moral são superados pela ousadia do filme e de todos nitidamente felizes. Mesmo trabalhando sobre uma submissão ao vazio e ao medo da guerra. O Guri é quase um personagem Zen, pois se regula concentrado no olhar que pergunta, mas não explica. Um êxtase entre a normalidade e o transe. E seu mérito é desabrochar no desejo sem a plumagem emprestada pelo conhecimento escolar. Uma luz que produz contradições como no cinema de Arrabal. Razão pela qual torna-se ímpar como linguagem rompendo com muitas regras do não-vazio. E serenamente é conduzido sem que se tenha que explicar o que seja. E que longe de ser o grande sermão da moralidade, investe poeticamente numa rica experiência entre o caos e a loucura. É quase um “Édipo” primitivo que precisa da morte da mãe, para tê-la só para si.

Para concluir, não poderíamos deixar de elogiar a interpretação segura de todos, a fotografia e a montagem pasoliniana de tensões e vazios do talentoso Frederico Ruas que, do material em bruto, deu ao arcaico mundo camponês do sul do país uma tensão ilusória perturbadora, raramente vista no nosso cinema, artificializado por Hollywood e pela TV.

O Guri tenta ser uma apropriação poética da tragédia grega, só que adequada à infância, que se revela doída e selvagem. As mulheres de negro representando um coro que mata. Mas entre elas está também a mãe do realizador, defendendo o enredo trágico do filho. Mas não é de modo algum um estudo psicanalítico mórbido do sacrifício na tragédia, mas uma superação enlouquecedora do destino onde o único êxito é a cumplicidade de todos. Boa sorte ao filme !

* Por Luiz Rosemberg Filho   

LUPICINIO é um dos holofotes de MUÇUEMBA…

Um trio gaúcho para celebrar a nata da  Música Brasileira. Na foto de Arthur Leite, que faz o belo still do curta-metragem MUÇUEMBA – primeira produção Aurora de Cinema e Coletivo Inconsciente, Zeca Brito, incorpora o melhor da calorosa energia musical tabajara e expressa a fonte que interliga vários pontos luminosos no ceú da mais pura arte brasileira:

ELIS REGINA, LUPICÍNIO RODRIGUES e ZECA BRITO, uma digressão imagético-poética como um dos trunfos de MUÇUEMBA

Aguarde novos posts para saber mais…

O Sabiá e Menina da Chuva: mais prêmios em JERI

O Sabiá, curta do gaúcho ZECA BRITO,  produzido pela Manga Rosa Filmes, levou a estatueta de Melhor Ator na segunda edição do Festival de Jericoacoara – CINEMA DIGITAL.

 O filme acompanha a história de Juvêncio, um menino quilombola que após ter sido abandonado pela mãe, tem um bloqueio mental e se recusa a falar. Os avós insistem em sua educação e, através da oralidade, expressa-se o desafio de perpetuar a herança cultural africana no momento em que a luz elétrica chega ao quilombo do “Rincão do Inferno”.

Ficha Técnica:
Roteiro e direção: Zeca Brito
Direção de fotografia: Bruno Polidoro
Direção de Arte: Edison Larronda
Montador: Lufe Bollini
Edição e desenho de som: Tiago Bello e Augusto Stern
Trilha original: Luis Felipe Damiani
Direção de Produção: Eliane Pacheco e Taty Behar
Produção executiva: Cintia Helena Rodrigues
Produtora do filme: Manga Rosa Filmes
Ator: Juvêncio de Assis
Coadjuvantes: Alcíbio Franco e Onélia Franco

Imagens da bela animação MENINA DA CHUVA, da inteligente e sensível animadora carioca Rosária Moreira, que levou 3 troféus e mais um cheque de R$ 5 mil reais na segunda edição do Festival de Jericoacoara – Cinema Digital

A segunda edição do Festival de Jericoacoara de Cinema Digital foi encerrada na noite da terça (21 de junho) após a exibição de cinquenta filmes e premiação de treze cineastas na Mostra Competitiva de Curtas-metragens.

O público compareceu à tenda armada próxima ao centro de artesanato para conhecer os vencedores nas categorias animação, ficção, documentário e experimental, que receberam o trófeu Pedra Furada. Um prêmio de R$ 5 mil foi para cinco categorias.

Entre os vencedores da Mostra Competitiva de Curtas, destacam-se filmes do Ceará, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro. A produção pernambucana “Uma noite em 68″, de Ionaldo Araújo, ganhou por melhor filme experimental. A produção cearense “Mato alto- Pedra por pedra” premiou o diretor Arthur Leite nas categorias de melhor documentário e melhor direção. O curta protagonizado pelo ator Caco Ciocler, “Timing”, de Amir Admoni, venceu na categoria de melhor ficção.

 O júri foi presidido pelo cineasta Zeca Ferreira. Entre os homenageados com o trófeu Pedra Furada o cantor/compositor e pesquisador musical Calé Alencar, o produtor de cinema Jackson Bantim, o ator Luiz Carlos Salatiel, a atriz mineira e moradora de Jericoacoara, Lívia Matos; o secretário de Turismo e Meio Ambiente de Jijoca de Jericoacoara, Osmar Fonteles, e o representante do Conselho Comunitário de Jericoacoara, Steban Franich.

OS VENCEDORES
Melhor animação:
A menina da chuva – Rosária Moreira, RJ.
 
Melhor filme experimental:
Uma noite em 68 – Ionaldo Araújo, PE.
 
Melhor documentário:
Mato alto – Pedra por pedra – Arthur Leite, CE.
 
Melhor ficção:
Timing – Amir Admoni, SP.
 
Melhor filme de Ceará, Piauí e Maranhão:
O outro lado do Curral Velho – Felipe Ribeiro, CE
 
Melhor Edição:
Silêncio, Por favor - Felipe Matzenbacher, RS.
 
Melhor ator:
Juvêncio de Assis – Filme: O Sabiá – Cineasta Zeca Brito, RS.
 
Melhor direção de arte:
O Filho do vizinho – Alex Vidigal, DF.
 
Melhor trilha original:
A Menina da chuva – Rosária Moreira, RJ.
 
Melhor fotografia:
Tic Tac – Sylvio Rocha, SP. 
 
Melhor roteiro:
A Menina da chuva – Rosária Moreira, RJ.
 
Melhor direção:
Mato alto – Pedra por pedra – Arthur Leite, CE
 
Menção honrosa:
 É Muita areia pro meu caminhãozinho – Ana Guimarães, SP.
- Reciclando formas: a arte de Ana Cristina – Eliza Cabral e Laurita Caldas, PB. 
- Curta Saraus – David Alves, SP.

Aliança Anima Carnaval de Bagé…

CARNAVAL de PORTO ALEGRE TEM CINEMA NO GOGÓ

ZECA BRITO, cineasta/cantor/compositor, arrasta multidão pelas ruas de Porto Alegre (todas as fotos são de Ricardo Stricher/PMPA)

A simpatia, espontaneidade, generosidade e benquerença que ZECA BRITO transmite na convivência diária toma conta do trio elétrico do bloco MARIA DO BAIRRO quando é tempo de carnaval…

E as ruas da adorável PORTO ALEGRE ficam assim, tomadas de alegria, descontração e  samba no pé quando o incomparável ZECA BRITO assume o microfone… SARAVÁ !!!

Ano que vem, se Deus quiser, estarei por lá, pulando, cantando e curtindo ao lado de ZECA…

Este ano, em oportuna iniciativa, a escola de samba ALIANÇA, que desfila na terra natal de ZECA, a conhecida BAGÈ de tantos ilustres, desfila homenageando o cantor e cineasta, que ano passado realizou um dos mais importantes curtas-metragens gaúchos, o belo O SABIÁ, cujas locações e atores são todos egressos do próprio município.

O SABIÁ agradece e ZECA BRITO merece todas as Homenagens que venham impregnadas de ARTE, Coração, FÉ e alegria contagiantes.

SALVE ZECA BRITO, o Bloco MARIA DO BAIRRO e o CARNAVAL de BAGÉ !!!

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

O Cinema Audaz e Quilombola de Zeca Brito

Emoção, Beleza e Herança dos Quilombolas em O Sabiá

Um menino decide que não quer mais falar depois que é abandonado pela mãe. Seus avós são quilombolas, descendentes de escravos, e tentam transmitir a ele sua herança cultural, na localidade de Rincão do Inferno, interior da cidade de Bagé (RS).

O Sabiá é o terceiro curta do jovem realizador gaúcho Zeca Brito que aposta aqui em não-atores e reafirma sua competência ao colocá-los diante das câmeras com invejável espontaneidade. 

* Antes, Zeca tinha feito Um Filme chamado Sfíncter, com o qual estreou já ganhando prêmios (trata-se de deliciosa e cáustica comédia sobre a dificuldade para se escolher um tema para levar às telas), no qual o próprio Zeca – que é filho de dois dos mais profícuos atores de Bagé – atua.

Depois, foi a vez do impactante e premiado Aos Pés, que desde o ano passado vem rodando festivais no Brasil e no exterior – uma ousadia de linguagem a merecer do crítico e cineasta Luiz Rosemberg Filho judicioso comentário:

“… não deixando de ser um delicado exercício entre Tchekov, Godard e Greenaway. E, longe de ser um trabalho pesado, é um doce curta sobre encontros e desencontros amorosos. Quase uma dança sem coreografia alguma…”

Em O Sabiá, Juvêncio de Assis, Onélia Franco e Alcíbio Franco são os protagonistas. Juvênio e Onélia são os únicos moradores de Rincão do Inferno, descendentes dos quilombolas. A equipe ficou cinco dias acampada na locação para conseguir retratar a beleza e a emoção dos próprios quilombolas, que reinterpretaram sua história.

Fotografia de Bruno Polidoro, arte de Edison Larronda, direção de produção de Eliane Pacheco e Taty Behar, e produção executiva da Manga Rosa Filmes. Realização da RBS TV.

Na noite da solenidade de premiação do programa Histórias Curtas-RBS (para o qual O Sabiá foi produzido, sendo a primeira produção toda rodada em Bagé a chegar às telas de TV e brevemente entrando no circuito de festivais), Zeca conseguiu a proeza de reunir o elenco de O Sabiá e toda a comunidade quilombola de Rincão do Inferno. Eles estavam na concorrida platéia do Teatro São Pedro.

Pós-solenidade, Zeca (que também canta e tem belíssima voz e afinação, além de precioso repertório) seguiu com seus amigos de O Sabiá (agora atores) para um tradicional reduto noturno dos artistas em Porto Alegre. E foi lá, no Bar do Brecht, onde vararam a noite a cantar e festejar a alegria do ENCONTRO de almas promovido pelo filme O Sabiá.

Quem lá já estava ou foi chegando, encantava-se com a sonoridade percussiva especial da comunidade quilombola de Bagé, a desdobrar-se em cantos próprios de sua cultura, tão bonitos quanto desconhecidos.

Zeca Brito e seus novos fãs e amigos quilombolas eram só alegria e emoção na “noite teatral” do Bar do Brecht. Afinal, comemoravam a primeira (e louvável) aparição pública da pequenina BAGÉ, através da tela, para todo o Brasil.

Foi só o momento inaugural de uma história que ainda deverá ter muitos bons desdobramentos. Como merecem Zeca, seus quilombolas parceiros e os habitantes de Bagé, os quais devem agora alçar ZECA BRITO - e sua aguerrida disposição de colocar Bagé nas telas - ao posto que lhe é devido: ao de Mecenas da Arte e Cultura Bageanas.

SARAVÁ !

Zeca Brito: Talento reconhecido também no Festival Curta Canoa, realizado em setembro na praia cearense

Histórias Curtas Elege Vencedores

Traz Outro Amigo Também Vence Prêmio Histórias Curtas 2010

Traz Outro Amigo Também, de Samir Machado e Frederico Cabral, foi o grande vencedor na noite de entrega de troféus do Prêmio Histórias Curtas 2010, nesta quarta-feira, no Theatro São Pedro, na Capital. O curta ganhou as categorias Melhor Programa pelo Júri Popular e Oficial.

Em sua décima edição, a iniciativa da RBS TV, premiou também Trocam-se Bolinhos  por Histórias de Vida. A história abocanhou as estatuetas de Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Arte e Melhor Direção de Produção. E ainda, O SABIÁ, de Zeca Brito, vencedor da MELHOR FOTOGRAFIA (troféu para Bruno Spolidoro).

A cerimônia foi transmitida ao vivo, pelo Canal Brasil e clicRBS, com a presença de atores, diretores e produtores dos oito episódios concorrentes — todos exibidos pela RBS TV e TVCOM.

Além do vencedor como melhor programa, pelo Júri Popular e Oficial, as oito produções concorreram em outras 12 categorias: Melhor Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro, Fotografia, Música Original, Desenho de Som, Direção de Arte, Montagem e Direção de Produção.

No projeto MiniMetragem, o vencedor foi Composto, de Gibran Sirena e Natália de Rissi, escolhido pelo Júri Oficial e Popular, ganhando troféu e prêmio de R$ 1 mil.

A noite contou ainda com participação de Duca Leindecker e Humberto Gessinger, que interpretaram uma das músicas do show Pouca Vogal, que vêm realizando em todo o Brasil.

Yanto Laitano e sua banda fizeram uma homenagem aos atores e atrizes desses dez anos com uma interpretação especial de Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas.

Os bailarinos, dirigidos por Marco Rodrigues, prepararam uma coreografia especial para a apresentação de Yanto Laitano.

Assista aos curtas vencedores e concorrentes no site oficial da premiação.

Troféu Histórias Curtas 2010

Melhor Histórias Curtas — Júri popular e oficial: Traz Outro Amigo Também

Melhor Diretor: Vicente Moreno (Mãos Dadas)

Melhor Ator: Marcos Contreras (Mãos Dadas)

Melhor Atriz: Sissi Venturin (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida)

Melhor Ator Coadjuvante: Alexandre Scapini (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida)

Melhor Atriz Coadjuvante: Isadora Pillar (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida)

Melhor Roteiro: Samir Machado de Machado (Traz Outro Amigo Também)

Melhor Fotografia: Bruno Polidoro (O Sabiá)

Zeca Brito em Bagé dirigindo não-atores para o belo curta O Sabiá…

Melhor Música Original: André Trento (Amélia e Pippo)

Melhor Desenho de Som: Tiago Bello (Mãos Dadas)

Melhor Direção de Arte: William Valduga (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida)

Melhor Montagem: Denise Marchi e Bruno Carvalho (SMS)

Melhor Direção de Produção: Glauco Urbim (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida)

Melhor MiniMetragem — Júri popular e Júri oficial: Composto, de Gibran Sirena e Natália de Rissi