GRAMADO celebra 45 anos de Cinema

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Ao todo, 42 produções, divididas em quatro categorias, disputarão o Kikito de Ouro entre 17 e 26 de agosto, na Serra Gaúcha, quando o evento celebra 45 anos de vida e 25 anos de internacionalização.

Na categoria Longa Brasileiro, concorrem sete filmes, mesmo número de produções que disputarão o prêmio de Longa-metragem estrangeiro. Já as mostras Curtas Brasileiros e Curtas Gaúchos reúnem 14 produções, cada. O filme de abertura do festival (hors-concours), com exibição dia 18 de agosto, é João, o maestro, de Mauro Lima. Na tela, a história do pianista e maestro João Carlos Martins, protagonizada por Alexandre Nero. Mas é a mostra Educavídeo (projeto que difunde o cinema nas escolas municipais gaúchas) que iniciará as projeções na noite de sexta, no histórico Palácio dos Festivais. Ali, serão exibidos três filmes: “O Roubo do livro”, de Gustavo Gomes, “Será que o amor sempre vence?”, de Ticiane Silva, e “Pra sempre, você”, de Bruno Peteffi, com codireção de Lauterbach Amorim.

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Rubens Ewld Filho é garantia de qualidade e pluralidade na Curadoria do Festival…

Neste ano em que celebra 45 anos exibindo, divulgando e difundindo o Cinema Brasileiro e Latino-Americano, o Festival de Gramado terá homenagens e exibições especiais. Na Curadoria, a presença do crítico, roteirista, diretor de teatro e escritor Rubens Ewald Filho é garantia de qualidade na tela  na programação. Entre as comissões julgadoras, nomes como Cacá Diegues e Germano Pereira.

Alice boa

Alice Gonzaga vai receber merecida homenagem nos 45 anos do Festival

A pesquisadora e arquivista Alice Gonzaga – que dirige a lendária CINÉDIA – será uma das homenageadas da noite de terça-feira. Nesse dia, à tarde, Alice poderá ser vista na telona protagonizando o filme Desarquivando Alice Gonzaga, da cineasta Betse de Paula. A produção é um documentário criativo alto astral sobre uma personalidade insólita e notável, cuja história carrega em si uma saudável mistura de carioquice, feminismo, pioneirismo, vanguarda e vitalidade. Um filme inteligentemente agradável para todas as idades.

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Atriz e cantora argentina, Soledad Villamil vai receber o Kikito de Cristal…

Também serão homenageadas a atriz paraense Dira Paes com o troféu Oscarito, e o cineasta gaúcho Otto Guerra com o troféu Eduardo Abelin. Já o ator baiano Antonio Pitanga receberá o Troféu Cidade de Gramado, enquanto o Kikito de Cristal – dedicado a expoentes do cinema latino-americano – será entregue à atriz argentina Soledad Villamil, protagonista de O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella. Na programação, também está previsto o Gramado Film Market: Conexões, que vai promover painéis e oficinas voltados para profissionais e universitários do segmento audiovisual nos dias 24 e 25.

Rubens e Sônia

Rubens Ewald Filho festejado por Sônia Braga na edição 2016…

Confira os filmes do 45º Festival de Gramado:

 

Longas Brasileiros

“A Fera na Selva” (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel

“As Duas Irenes” (SP), de Fábio Meira

“Bio” (RS), de Carlos Gerbase

“Como Nossos Pais” (SP), de Laís Bodanzky

“O Matador” (PE), de Marcelo Galvão

“Vergel” (Brasil/Argentina), de Kris Niklison

“Pela Janela” (Brasil/Argentina), de Caroline Leone

 

Longas-metragens Estrangeiros

“Los Niños” (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi

“Pinamar” (Argentina), de Federico Godfrid

“El Sereno” (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad

“Sinfonía para Ana” (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito

“Mirando al Cielo” (Uruguai), de Guzmán García

“La Ultima Tarde” (Peru), de Joel Calero

“X500” (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango

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Curtas Brasileiros

“#feique” (RJ), de Alexandre Mandarino

“A Gis” (SP), de Thiago Carvalhaes

“Cabelo Bom” (RJ), de Swahili Vidal

“Caminho dos Gigantes” (SP), de Alois Di Leo

“Mãe dos Monstros” (RS), de Julia Zanin de Paula

“Médico de Monstro” (SP), de Gustavo Teixeira

“O Espírito do Bosque” (SP), de Carla Saavedra Brychcy

“O Quebra-cabeça de Sara” (RJ), de Allan Ribeiro

“O Violeiro Fantasma” (GO), de Wesley Rodrigues

“Objeto/Sujeito” (SP), de Bruno Autran

“Postergados” (SP), de Carolina Markowicz

“Sal” (SP), de Diego Freitas

“Tailor” (RJ), de Calí dos Anjos

“Telentrega” (RS), de Roberto Burd

 

Curtas Gaúchos

“10 Segundos” (Canoas), de Thiago Massimino

“1947” (Porto Alegre), de Giordano Gio

“Através de Ti” (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel

“Bicha Camelô” (Pelotas), de Wagner Previtali

“Cá Com Meus Botões”, de Murilo Bittencourt

“Cores de Bissau” (Porto Alegre), de Maurício Canterle

“Gestos” (Porto Alegre), de Alberto Goldim e Júlia Cazarré

“Kátharsis” (Caxias do Sul), de Mirela Kruel

“Luna 13” (Porto Alegre), de Filipe Barros

“Mãe dos Monstros” (Porto Alegre), de Julia Zanin de Paula

 “O Caçador de Árvores Gigantes”, de Anttonio Pereira

“Secundas” (Porto Alegre), de Cacá Nazario

“Sena, Os Fios em Prosa” (Porto Alegre), de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena

“Sob Águas Claras e Inocentes” (Porto Alegre)”, de Emiliano Cunha

“Solito” (Porto Alegre), de Eduardo Reis

“Telentrega” (Porto Alegre), de Roberto Burd

“Temporal”, de Gabriel Honzik

“Yomared”, de Lufe Bollini

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  Gramado: cidade gaúcha vai se transformar na Capital do Cinema

Pinta & Borda: FECIN inova e convida para oficinas gratuitas

​Em Muqui, inscrições abertas para oficinas de atuação, cinema e novas mídias do projeto           Pinta & Borda

São 10 vagas para a oficina de teatro para iniciantes com a atriz Cláudia Puget, que acontece de 21 a 27 de agosto, no teatro Neném Paiva. E 10 vagas para a oficina de cinema e novas mídias com a cineasta alemã Ilka Westermeyer, a ser realizada de 4 a 8 de setembro, no cineclube CinEstação.

Na oficina de teatro, o aluno terá oportunidade de ter contato com fundamentos de interpretação, construção corporal de personagem, ritmo, jogo cênico, entre outras técnicas. A oficina de cinema e novas mídias conta com conceitos teóricos de audiovisual, edição e filmagem. O resultado será apresentado no Festival de TV e Cinema do Interior, que será realizado dias 8 e 9 de setembro.

Inspirada no conceito de Cinema de Bordas, criado pela escritora e pesquisadora capixaba Bernadete Lyra, o projeto Pinta & Borda propõe a realização da 1ª Mostra Trans de Cinema de Gênero no interior do Espírito Santo, numa programação com exibição de obras audiovisuais e oficinas de teatro e cinema para jovens e adolescentes de Muqui (ES). A mostra acontece na antiga Estação Ferroviária, dentro do CinEstação, na programação da 6ª edição do Festival de Cinema de Muqui, o FECIN.

O projeto é uma realização do escritor, produtor e cineasta Léo Alves, com produção da Caju Produções e tem apoio do Funcultura, da Secretaria de Estado da Cultura, Secult (ES).

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Aurora Miranda Leão e a escritora Bernadete Lyra, que inspirou o Pinta & Borda

Formulário para inscrição:

Oficina de teatro:https://goo.gl/forms/CWL502e9Ce6193bC2

Oficina de cinema e novas mídias:https://goo.gl/forms/p0Nu32dIjM3zTeOz1

Estrutura das oficinas:

Teatro para iniciantes, com Cláudia Puget

De 21 a 27 de agosto

Das 18 às 20h

Local: Teatro Neném Paiva

Objetivos:

– Propiciar aos alunos o contato com fundamentos técnicos da interpretação;

– Desenvolver atividades práticas visando que cada participante compreenda itens básicos da estruturação de uma cena teatral pelo enfoque da interpretação;

– Possibilitar que cada aluno compreenda como se pode estruturar o personagem teatral;

Possui uma abordagem básica do método de interpretação a partir da improvisação. É realizada por meio de jogos e exercícios que visam trabalhar: a sensibilização, a desinibição, afetividade, equilíbrio, auto-identidade, auto-expressão, espírito de grupo e expressão de grupo. São fornecidos elementos técnicos que possibilitam aos alunos realizarem improvisações de cenas de teatro, na Oficina e em trabalhos posteriores;

Outras abordagens utilizadas no conteúdo programático:

– Ritmo; Interpretação do texto; Jogo cênico; Concepção, utilização, articulação dos elementos cenográficos; Construção corporal do personagem;

Oficina de Cinema e Novas Mídias

Com Ilka Westermeyer

De 04 a 08 de setembro

16h às 18h

10 vagas

Público alvo: jovens de 14-20 anos

Local: Cineclube CinEstação

Sugestão de conteúdo:

MÓDULO 1 – O AUDIOVISUAL E AS NOVAS MÍDIAS

O AUDIOVISUAL E SUAS MÍDIAS

-> Apresentação: Relevância e Estrutura da oficina;

-> Introdução a Linguagem Audiovisual;

-> Possibilidades: cinema, publicidade, vídeo clipe, vídeo aula, web vídeo e web série.

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AS MÚLTIPLAS TELAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

-> Janelas: Salas de cinema, Museus, Galerias, Outdoor e Intervenções em espaço público;

-> O registro e a exposição do outro;

-> Internet: Consumo, Canais e plataformas.

MÓDULO 2: CONTEXTUALIZAÇÃO E PRÁTICA AUDIOVISUAL

PLANEJANDO UMA IDEIA

-> do roteiro à produção.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS I

-> elaboração de roteiros e pré-produção.

A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM E DO SOM

-> imagem: o olhar, a composição, a luz, a câmera;

-> som: seu comportamento, o processo de captação e a escolha das músicas

EXERCÍCIOS PRÁTICOS II

-> decupagens e gravação.

NASCENDO E CRIANDO IDENTIDADE

-> edição, mixagem, finalização e distribuição.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS III

-> editando, sonorizando, exportando, distribuindo e exibindo.

Gramado: Conexões e os jurados do Festival

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Abertas as inscrições ao Gramado Film Market – Conexões, o mais novo espaço de aproximação de talentos do Festival de Cinema de Gramado. Com ênfase na força da linguagem audiovisual e suas novas dimensões, o projeto surge focado nos pontos cruciais da atividade, no gargalo de escoamento e nas parcerias nacionais e internacionais.

Durante os dias 24 e 25 de agosto, o Gramado Film Market terá uma programação intensa e diversificada com a presença marcante do Canadá, país convidado de honra do 45º Festival, e apresentará painéis temáticos e workshops, com participação através de inscrições prévias.

As inscrições podem ser feitas nos formulários disponíveis no site www.festivaldegramado.net, onde também está disponível a programação completa do Gramado Film Market.

 

O Júri do 45º Festival de Cinema de Gramado

 A responsabilidade de escolher os melhores filmes do 45º Festival de Cinema de Gramado estará com 26 profissionais do audiovisual e da imprensa. Confira quem terá voto decisivo na escolha dos vencedores em todas as mostras deste ano:

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Cacá Diegues integra o principal júri do Festival de Cinema de Gramado…

 LONGAS BRASILEIROS

– Cacá Diegues, cineasta (presidente de honra)
– Alfredo Calvino, distribuidor
– Bárbara Paz, atriz, diretora e produtora
– Edu Felistoque, cineasta
– Katia Adler, produtora e diretora
– Miguel Barbieri Jr., jornalista e crítico de cinema

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Bárbara Paz: atriz vai estar em Gramado como jurada…

LONGAS ESTRANGEIROS
– Alquimia Peña, pesquisadora e gestora cultural
– Isaac León, professor e crítico de cinema
– Patricia Primón, pesquisadora e palestrante
– Pedro Zurita, distribuidor e programador
– Verónica Perrotta, atriz e dramaturga

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Germano Pereira: ator, escritor, diretor e roteirista também integra comissão julgadora 

CURTAS BRASILEIROS
– Germano Pereira, ator
– Gustavo Spolidoro, cineasta
– Marta Machado, produtora e professora
– Tula Anagnostopoulos, montadora e pesquisadora
– Vera Zaverucha, consultora, professora e palestrante

PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – MOSTRA GAÚCHA DE CURTAS
– Alziro Barbosa, diretor de fotografia
– Geraldo Veloso, cineasta, pesquisador e professor
– Izabela Cribari, documentarista
– João Campos, ator
– Lara Lima, cineasta

JÚRI DA CRÍTICA
– Cecília Barroso
– Cristiano Aquino
– Danilo Fantinel
– Juan Pablo Cinelli
– Suyene Correia Santos

Os filmes da Mostra Gaúcha

Além de exibir 18 curtas-metragens em competição no Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas, a 45a edição do Festival de Cinema de Gramado terá exibições hors-concours em sua programação paralela. Outros cinco filmes realizados no Rio Grande do Sul serão apresentados, fora de competição, dias 21 e 22 de agosto no teatro Elisabeth Rosenfeld (Rua São Pedro, 369 – Centro), com sessões às 14h e 16h. São eles: “A Liga dos Canelas Pretas”, de Antônio Carlos Textor; “O Caso do Homem Errado”, de Camila de Moraes; “Som Sem Sentido”, de Gabriela Bervian; “Substantivo Feminino”, de Daniela Sallet e Juan Zapata; e “Todos”, de Luiz Alberto Cassol e Marilaine Castro da Costa.

Confira os dias e horários da Mostra Gaúcha:

21 de agosto, segunda-feira
14h – “Todos”
16h – “O Caso do Homem Errado”

22 de agosto, terça feira
14h – “Som Sem Sentido” e “A Liga dos Canelas Pretas”
16h – “Substantivo Feminino”

Mulheres de Cinema em Revista


O edital Filme Cultura 63 está com inscrições abertas para textos até 8 de setembro. Com a temática “Mulheres, Câmeras e Telas”, a revista pretende investigar o espaço das mulheres no audiovisual nacional, além de analisar o que elas estão produzindo e como estão sendo retratadas e representadas nas telas.  

A revista Filme Cultura foi lançada em 1966, porém com várias pausas durante esses mais de 50 anos. No final de 2016, a volta da revista, que estava parada desde 2013, foi pensada de uma forma que fosse mais sustentável e desse a possibilidade de ampliar as vozes da publicação. Assim, ocorreram algumas mudanças:

– realização de edital de chamada para textos, nos moldes de “call for papers” das revistas acadêmicas, abrindo espaço para quem quiser participar, ampliando as possíveis vozes na temática de cada edição;

– redução dos exemplares impressos para diminuição de custos;

– valorização do portal com todo o acervo da revista para gerar maior quantidade de acessos possíveis e estar disponível para quem quiser pesquisar, baixar ou visualizar todas as edições.

Com tudo isso, o desejo é que a revista seja compreendida como uma política pública de Estado para o Cinema Brasileiro e que consiga ser sustentável, periódica, acessível e perene. 

A revista Filme Cultura é uma publicação dedicada à pesquisa, à reflexão e à divulgação do cinema brasileiro, abordando de forma aprofundada um tema a cada edição. A revista sempre esteve associada a órgãos públicos de cultura e de cinema (INC, INCE, Embrafilme, CTAv e SAv), não sendo, no entanto, uma publicação institucional. 

Edital: https://goo.gl/JucGuu

Acervo: http://hmg.revista.cultura.gov.br/filme-cultura/

Facebook: https://www.facebook.com/RevistaFilmeCultura/

Cineamazônia prorroga inscrições

 

Prorrogadas até dia 15 as inscrições para a Mostra Competitiva do Cineamazônia. Basta acessar (www.cineamazonia.com.br/ficha-de-inscricao).

Podem se inscrever para a seleção da Mostra Competitiva, filmes no formato de curtas, médias e longas-metragens, nas categorias de ficção, documentário, animação e experimental, produzidas em qualquer parte do mundo, realizados a partir de 2014. Os realizadores podem ainda inscrever até 3 (três) filmes/vídeos, e mesmo o Festival deixando em evidência o conteúdo audiovisual com a temática ambiental, a seleção está aberta para a inscrição de todo e qualquer tema e gênero de produção.

Para a inscrição, é obrigatório o envio do filme, o qual deverá ser realizado, exclusivamente, através da plataforma digital indicada no Regulamento 2017. Os filmes que forem selecionados para a Mostra Competitiva da 15ª edição do Cineamazônia, concorrerão na categoria Longa-Metragem, ao Melhor Longa Documentário, e na competição de médias e curtas metragens.

Os participantes de filmes de curtas e médias-metragens concorrerão ao Prêmio Danna Merril, de Melhor Documentário; Prêmio Major Reis, de Melhor Animação; Prêmio Vitor Hugo, de Melhor Ficção; Prêmio Manoel Rodrigues Ferreira, de Melhor Experimental; Prêmio Chico Mendes, de Melhor Roteiro; Prêmio Povos Indígenas de Rondônia, de Melhor Trilha Sonora; Prêmio Silvino Santos, de Melhor Fotografia; Prêmio Capô (Maurice Capovilla), de Linguagem; Prêmio Melhor Montagem; Prêmio Melhor Direção; Prêmio Melhor Ator; Prêmio Melhor Atriz; Prêmio Thiago de Mello: Júri Popular (Troféu Esperança).

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O Cineamazônia surgiu há 15 anos e, ao longo de sua trajetória, tem exibido filmes e contribuído com a formação de plateia voltada à Sétima Arte, especialmente, na região Norte brasileira e fronteiriça com países como a Bolívia e Peru. A exibição, divulgação dos vencedores e as homenagens vão acontecer de 17 a 21 de outubro, em Porto Velho.

A 15ª edição do Cineamazônia tem patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual e da Lei Rouanet. Ainda tem o apoio cultural da Sejucel, Funcultural, Fecomércio e SESC Rondônia. O Cineamazônia é associado ao Fórum dos Festivais e membro do Green Film Network.

Luiz Melodia: Brasil perde sua voz-veludo

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Minha voz tá quase muda: perdemos Luiz Melodia…

Arranje algum sangue, escreva num pano: 

PÉROLA NEGRA, TE AMO, TE AMO !

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Rasgue a camisa, enxugue meu pranto…

Ele partiu nesta sexta de nordeste ensolaradamente triste. E a tristeza só não é maior porque nosso genial Pérola Negra já vinha sofrendo há tempos. Foram muitos meses  de internação. Sofria Luiz Melodia num leito de hospital enquanto, do lado de cá, nós, seus inúmeros fãs, sofríamos por saber o motivo da voz calada. Nunca porque faltava o amor, ao contrário: com Melodia, tudo era

Palavra figura de espanto, quanto
Na terra tento descansar

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O cantor, compositor e músico carioca Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia, morreu, na manhã desta sexta, 4 de agosto, no Rio. Aos 66, o cantor lutava contra um câncer que atacou a medula óssea. Ele morreu na madrugada, por volta das 5h.

A informação foi confirmada ao colunista Mauro Ferreira, do G1, por Renato Piau, guitarrista que tocou com Melodia, após ligação para a família do artista. Melodia chegou a fazer um transplante de medula óssea e resistiu ao procedimento, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia.

 
Desde julho do ano passado, o artista tratava uma doença autoimune, e precisava fazer um transplante de medula, o que acabou acontecendo, segundo sua esposa Jane Reis. Segundo boletim médico divulgado na época pela produção do músico, com o início da quimioterapia, houve uma baixa glicêmica e acidez sanguínea. Por isso, o cantor permaneceu internado no CTI. O câncer voltou e o estado de saúde de Melodia se agravou bastante nesta quinta-feira (3).

O último trabalho do cantor, “Zerima”, foi lançado em 2014. Este foi seu décimo terceiro álbum de estúdio com músicas inéditas.

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Sou feito cobra coral/Semente brota em qualquer local…

MELODIA nasceu em 7 de janeiro de 1951 no Morro do São Carlos, no Estácio, região central do Rio. Filho único, começou sua caminhada na música após ver seu pai tocando em casa. O menino Luiz Carlos dos Santos cresceu jogando bola na favela e dançando nas rodas com os músicos da escola de samba Estácio de Sá. Sua ligação afetiva com o berço foi eternizada numa de suas mais belas canções, “Estácio, Holly Estácio”, na qual determinava que “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”.

*Com informações do jornal O GLOBO.

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No dia em que ouvi CRUEL, meu coração disparou e as lágrimas transbordaram meu coração…

CONFIRA:

Tudo cruel, tudo sistema
Torre babel, falso dilema
É uma dor que não esconde o seu papel
São Carlos, morro, Borel
Eu subo e nunca estou no céu

Tudo João, nada na mesa
Deu no jornal, mãos na cabeça
Um marginal que já não pode mais fugir
Vai reagir
Menino é bom ficar de olho aí

Que tudo é desse mundo
Surpresa também
Espinho é bem mais fundo
Destino também
O amor tá quase mudo
Minha voz também
Cruel é isso tudo

Tudo tão mal, tão sem beleza
Doce de sal, lágrima presa
O que eles falam não se deve nem ouvir
Verbo mentir
Menino é bom ficar de olho aí

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Só queria que todos tivessem comida
Tivessem oportunidade, tivessem guarida
Não precisassem rezar pedindo melhores dias
Reclamando migalhas, vivendo só de agonia      

*Letra de Pra quê, criação de LUIZ  MELODIA

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É, Luiz, se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais…

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O céu hoje ganha um swing novo: Luiz Melodia se junta a Tim Maia… e haja festa no ceú !

P A I X Ã O

A paixão é num instante
Quando vê, ela sumiu
Eu te amo, tu me enganas
É primeiro de abril

Mas não sei viver sem seu xodó
Eu, nós dois, uma pessoa só

A paixão é como um raio
Feito porta que se abriu
O mergulho de uma arraia
Projeto ano de dois mil

Ter paixão é bom
Bombom, feito bala de mel
Se você dar corda
Enrola igual carretel

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Foi muito lindo, MELÔ ! Vai com Deus que a gente aqui continuará cantando, eternamente, suas muitas pérolas negras ! Saravá !

Cine Ceará começa sábado em Fortaleza

cine CE

A 27a edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema será aberta oficialmente neste sábado, 5 de agosto, no Cineteatro São Luiz, no centro da capital cearense.

As exibições começaram dia 1º com a Mostra de Cinema Chileno, na CAIXA Cultural Fortaleza. Ao longo de toda esta edição, serão mais de 90 filmes entre curtas e longas, projetados também no Cinema do Dragão e na Praça do Ferreira. Amanhã, sexta, dia 4, os ingressos para a abertura oficial serão distribuídos, a partir das 14h, na bilheteria do cine São Luiz. Toda a programação é gratuita.

“Uma Mulher Fantástica”, premiado filme chileno de Sebástian Lelio, será o filme de abertura. No domingo, 6, acontece a première mundial de “Malasartes e o Duelo com a Morte”, longa brasileiro com o maior número de efeitos especiais já realizado. A exibição contará com a presença do diretor Paulo Morelli e do protagonista Jesuíta Barbosa. Também no dia 6, o Cine Ceará vai homenagear o cineasta e diretor de fotografia Walter Carvalho. Na segunda, 7, será exibido o argentino “Ninguém está Olhando”, de Julia Solomonoff.

Já na terça, 8, a produção cubana-francesa “Santa e Andrés”, de Carlos Lechuga, vencedor de 11 prêmios em festivais internacionais, terá sua première no Brasil. Na quarta, 9, a competição contará com dois longas: o brasileiro “Pedro sob a Cama”, de Paulo Pons, com a presença do ator Fernando Alves Pinto, e a produção “O homem que cuida”, de Alejandro Andújar. Na quinta, será exibido “Últimos dias em Havana”, de Fernando Pérez, um dos grandes destaques da Berlinale deste ano e premiado melhor filme latino-americano no Festival de Málaga.

Os filmes serão distribuídos nas seguintes mostras: Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, Mostra de Cinema Chileno, Olhar do Ceará, mostras sociais Melhor Idade, Acessibilidade e O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece e Cinema na Praça. Também haverá Exibições Especiais, entre elas, o longa “Corpo Elétrico”, de Marcelo Caetano, dia 6, seguida de debate com o diretor, e “O Caminho das Hortências”, de Ronaldo Nunes, dia 8, ambas no cinema do Dragão. Os curtas também marcam presença: na competitiva estão 14 produções, com destaque para “Vênus – Filó a fadinha Lésbica”, de Sávio Leite, e “Mehr Licht!”, de Mariana Kaufman Na Mostra Olhar do Ceará participam 23 curtas.

O Chile é o país homenageado desta edição com a Mostra de Cinema Chileno, que apresentará 16 longas e um curta. A mostra exibirá importantes obras do cinema chileno como “A montanha sagrada”, de Alejandro Jodorowsky, “De quinta a domingo”, de Dominga Sotomayor, “Como me dá na telha II”, de Ignacio Agüero, além de “Gloria”, de Sebastián Lelio.

Sete filmes vão concorrer ao troféu Mucuripe: na competitiva de longa, serão agraciados os vencedores nas categorias Melhor Filme, Direção, Fotografia, Edição, Roteiro, Som, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Ator e Atriz dos longas. Concorrem ao troféu Mucuripe na competitiva de curtas os eleitos pelo júri nas categorias de Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Produção Cearense. Convidado do festival, o jornalista Rodrigo Fonseca assina a curadoria dos longas junto a Margarita Hernández, coordenadora-geral do Cine Ceará, e Wolney Oliveira, diretor do festival. Na curadoria dos curtas estão a professora e cineasta Beatriz Furtado e o cineasta e programador de cinema, Salomão Santana.

Apresentado por BNDES e Enel, o 27° Cine Ceará acontecerá de 5 a 11 de agosto, numa promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC), através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, via Secultfor, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará, Bucanero Filmes e OUTLED, patrocínio vip da SP Combustíveis e M. Dias Branco, patrocínio da Oi e BNB. Apoio cultural: Oi Futuro, Indaiá e Unifor e parceria: Sebrae-CE.

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SERVIÇO

27° Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema – De 05 a 11 de agosto de 2017 

Cineteatro São Luiz (Praça do Ferreira, s/n – Centro); Cinema do Dragão – Sala 2 (Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura); Hotel Oásis Atlântico (Av. Beira Mar, 2500 – Meireles), Acesso gratuito mediante ingressos com distribuição no local.  www.cineceara.com.

 

 

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Baudelaire e o Diabo na terra da praia

Fabian Cantieri* escreve sobre Um homem e seu pecado, filme de Luís Rocha Melo, que encerra exibições hoje na Cinemateca do MAM carioca…cartaz menor

Lívido (Pedro Henrique Ferreira) tem o corpo desconjuntado, o coração empedrado, a alma atormentada: um vulcão guardado sem manejo de suas lavas reprimidas. Um personagem anacrônico e deslocado ao pé de uma juventude afetiva que jamais olharia para uma Igreja com seus grandes olhos vidrados, cheios de indiferença e curiosidade. Um homem e seu pecado é menos sobre o incesto em si do que o pecado como reação ao mundo. Um affair, a cidade cartão-postal, o trabalho, os amigos no bar, o hobby contraventor: nada aquieta ou mobiliza o espírito solitário de Lívido. É preciso que ele seja demitido, leve umas porradas da vida ou do Diabo (Thiago Brito) e esbarre com um louco ou Baudelaire (Hernani Heffner) para que enfim retome alguns nós perdidos. Esse triângulo de ações faz com que nosso protagonista procure sua irmã, convencendo-a sair do monastério para encontrar seu pai e seus fantasmas.

Luis Melo no set

Um homem e seu pecado: Luis Rocha Melo no set…

Luís Rocha Melo faz desse percurso um filme um tanto atípico: existe uma agilidade de encenação que às vezes poderia fazer lembrar dos derradeiros filmes de Alberto Salvá ou Paulo César Saraceni, Na Carne e na Alma (2011) e O Gerente (2011) respectivamente, mas com um peso dramático que o aproxima muito mais de gente como um Walter Hugo Khouri. Este peso está sobre os ombros de Lívido, existencialmente, mas também na religiosidade. Da aridez cristã ao onírico do candomblé, a religiosidade atravessa a família Gomes como pão (que alimenta) e faca (que a dilacera). Deus está morto, não há “Pai” que guie nossos passos e Dr. Gomes (Otoniel Serra) há muito deixou de ser guia norteador de um ethos para seus filhos. Vitória (Anna Karinne Ballalai) se aporta no cristianismo, Lívido vive sem qualquer âncora.

Ballalai no filme

Ana Karinne Ballalai e Pedro Henrique Ferreira protagonizam Um homem  seu pecado

É aí que Baudelaire, vulgo a poesia, sobrevêm como telos. “É necessário estar sempre bêbado”. Trôpegos, errantes e pecadores, andamos. Eis aí um curioso aforismo para o cinema brasileiro: embriagados – de vinho, poesia ou virtude – filmamos. Curioso também como o tema atemporal de O homem e sua paixão, à luz da urbe carioca de hoje, é filmado por uma handycam digital qualquer e isso lhe dá uma desenvoltura toda particular, emprestando ao filme uma cara muito mais irmã à geração de David Neves do que a de seus contemporâneos. O que se destaca não é uma especificidade técnica moderna, mas a leveza de um modus operandi que lhe dá organicidade do entorno germinada em sua filmografia desde, pelo menos, Legião Estrangeira (2011). O que parece interessar mais para Luís Rocha Melo em O homem e seu pecado é uma decupagem calcada nos olhares, a subjetividade em confronto com o mundo e seus atravessamentos. Poderia aqui, inclusive, subverter as palavras do próprio diretor sobre Neves em uma crítica sobre seu primeiro longa-metragem Memória de Helena (1969): o que vemos em ação é “um cronista que observa a sua geração, ou melhor, que observa seus amigos, ou melhor, que ama seus amigos, os filmes de seus amigos e o passado do cinema brasileiro”.

O passado do cinema brasileiro aqui é todo presente. Memória é imaginação. Luís Rocha Melo filma seus amigos não simplesmente pondo-os em cena, mas antes absorvendo algo de intrínseco neles e reformulando à obra. Não há tábula rasa, a fabulação se dá a partir de uma vivência próxima. Há um elo de amizade e intimidade que se desdobra no desabrochar não do drama, mas de suas consequências. Há, antes de tudo, um pacto de fé, uma metafísica aí em jogo: a cena é mais do que a materialidade das coisas. Não só pela crença em Baudelaire ou no Diabo ou pela recorrente dúvida em torno do Mal, mas pelo fora de campo como dialética moral. Não à toa, uma das primeiras referências óbvias – pois não há batedor de carteira mais notável na história do cinema do que Michel, personagem de Martín LaSalle – é Robert Bresson, católico fervoroso do plano.

O filme – e seu mistério – está todo no olhar de Lívido. Frequentemente ele deixa de observar o que olha; seus olhos por vezes fogem de encarar, como seu pai percebe, outras tantas, se reviram para o horizonte distante da realidade por pleno costume de fuga. Alguns contra-planos chicoteados, como na primeira despedida dos filhos na casa do pai, perturbam para depois criar tensão pela fixidez entre os olhares confrontados. Um plano corriqueiro é uma espécie de over the shoulder sobre o protagonista mirando a desenhista, Vitória, Baudelaire ou Dr. Gomes, um plano um tanto esquisito em termos de composição não só pelo ponto de fuga diagonal, como pela aparente necessidade de mostrar alguma primeira reação de alguém – Lívido – que normalmente não teria sua face exposta só ficando de costas. Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície, um olhar nem sempre conseguindo, sem saber, enfim, onde mirar, onde morar.

Um homem 1

Um homem e seu pecado: “Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície”.

Georges Bataille, numa análise de uma escrita de Sarte sobre Baudelaire, escreveu: “o homem não pode se amar completamente se ele não se condena”. Autocondenação é o que não falta à Lívido e no entanto, o pecado reside em sua erradicação ou, ao menos, relativização. Ao fim, o Museu do Universo parece nos contestar a magnitude peremptoriamente estagnada de certos pecados criados pelo homem diante do mundo. Eppur si muove: a mítica frase murmurada por Galileu após ter sido obrigado a renegar sua visão heliocêntrica do mundo, costuma ser um símbolo que sintetiza a teimosia da Ciência contra a censura da fé e a autoridade religiosa. Depois de negar que a Terra se move ao redor do Sol, o físico e filósofo italiano haveria balbuciado: “no entanto se move”. Deste lado do oceano, Paulo Emílio costumava dizer que a mediocridade do cinema brasileiro é imanente – o subdesenvolvimento está em nós. No entanto, algo se move.

*Fabian Cantieri é crítico da revista Cinética

“Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento”

Ballalai no mar

Anna Karinne Ballalai em cena de Um Homem e seu Pecado

Você tem somente até amanhã para ver Um homem e seu pecado, na Cinemateca do MAM  – ENTRADA FRANCA

*Confira a crítica de Guilherme Sarmiento ao filme de Luis Rocha Melo

Entre 1938 e 1945, George Bernanos viveu no Brasil. Então considerado um dos maiores escritores franceses vivos, o autor do aclamado romance Sob o sol de satã atravessou o Atlântico envolto nos miasmas pestilenciais soltos pela ascensão do fascismo e buscou na maior nação católica do planeta algum alento espiritual e, quem sabe, ser tocado pela visão do paraíso. Estabeleceu-se na cidade mineira de Barbacena, lugar muito adequado a sua imaginação silvestre e afeita ao escrutínio do mal. Logo em torno de sua figura divina e ao mesmo tempo satânica formou-se um círculo de contritos admiradores, alguns deles, inclusive, tornaram-se amigos íntimos como o poeta Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Alceu Amoroso Lima, Austregésilo de Athayde e Murilo Mendes. Não se sabe o quanto Bernanos foi responsável em sua passagem pelo vigor alcançado pelo neocatolicismo literário entre nós, mas o certo é que, coincidentemente ou não, alguns livros bem adequados a certas obsessões bernanosianas foram saindo do prelo dez anos depois de sua partida, como se fossem jabuticabas temporãs: azuis de tão escuras, como pérolas noturnas e pecaminosas. Podemos citar aqui A menina morta, de Cornélio Pena, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, como parte dessa safra. Esse longo preâmbulo em torno da emergência do novo pensamento católico entre nós soaria fútil se o novo longa de Luís Alberto Rocha Melo não tivesse guardado em seu íntimo esse coração palpitando após a queda, um órgão ainda pulsante no peito de um decaído.

Essa relação fica clara desde o seu título: Um homem e seu pecado. Se existe um stimmung, uma ambiência, dentro do qual o pensamento católico facilmente se desloca, não vai tão longe quando circunscrito pela noção da culpa e do pecado. E o filme ofertará ao espectador tudo aquilo que a titulação desde o seu início prometeu. O plano de abertura é um crucifixo: diante dele, Lívido, o protagonista da história, reza fervorosamente. Seu nome por si mesmo se apresenta como um indicativo de seu contínuo assombramento, um mundo interior cheio de interditos que nem mesmo o recital de uma oração consegue silenciar por completo. Parte mesmo desses rompantes são forçados por uma oposição barroca entre o sacro e o profano, o bem e o mal, o inferno e o paraíso, a carne e o espírito, mostram-se evidenciados pela montagem muitas vezes reflexiva de estados de espírito descontínuos. Após a gregoriana imersão no mundo espiritual, uma crua e lânguida cena de sexo somente acentua o programa previamente estabelecido pelo diretor. A interposição deste dois momentos, sem nenhum outro respiro, ajuda a compor a cisão interna daquele a partir do qual se baseia o ponto de vista narrativo. O olhar aficionado de Lívido mira, na verdade, o pecado original ao qual sempre retornará para justificar o seu fracasso profissional e amoroso.

E que pecado é esse tão acalentado a ponto dele chamar de seu? Uma relação incestuosa. Eis aqui um dos temas recorrentes dentro do neocatolicismo. A arte e a beleza nada mais são do que a deriva do pensamento em perigosas regiões fronteiriças, onde o homem tem a possibilidade de flertar com o mal sem, no entanto, ser completamente atravessado por ele. Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento. Porém, a alma de Lívido escorregou para além dessa fronteira e agora ele precisa acertar contas com o seu passado e, quem sabe, ter uma nova chance de ser perdoado e redimido de sua falta monstruosa. Ele, então, resolve visitar o pai em Barra de São João. Porém, antes de fazê-lo, comete um ato que revela toda a sua covardia. Visita o claustro onde sua irmã até então vivia uma vida “piedosa” e a envolve temerosamente em seu plano de redenção. Esse movimento em direção ao vórtice do pecado – de cuja memória sua irmã também compartilha – terá consequências funestas para o destino das duas personagens.

Mas se engana quem achar que Um homem e seu pecado é um filme soturno e carregado, como o tema exigiria, caso estivéssemos diante de uma obra tradicional. A noção de uma irremediável mancha adquirida por uma queda está muito longe da “piedade” notada por Aristóteles ao definir a catarse como fim último da tragédia. Se nas obras do pensamento católico as bases constituintes do trágico continuam intactas, elas, no entanto, vem ungidas por inúmeras crises, incluindo, entre elas, a crise do próprio discurso. Não se passa pelo decadentismo impunemente. A atmosfera frívola e saturada pela pulsão de morte parece domesticada aqui por um sentido de paródia bem cara a Luís Alberto Rocha Melo, abordagem que vai além da mera atualização de um determinado registro literário ou artístico, desautorizando-o através de um riso que irradia desde a superestrutura narrativa. A ética da paródia é uma ética dialógica, onde se desfigura o sentido formal para se denunciar a fixidez artificiosa da norma. Esse pendor ao humor iconoclasta já se encontrava presente em seu longa anterior, Nenhuma fórmula para a contemporânea visão de mundo, mas, aqui, subsiste de forma mais discreta, sem, contudo, deixar de ser notável. Nesse sentido, o filme, em seu humor fino e rebelde, reflete um pensamento articulado a uma atividade crítica intensa, como se o próprio ato de narrar estivesse também sob o jugo de um permanente escrutínio – entregar-se a uma atividade sem esse constante desarme risonho e alerta, nesse caso, seria se dobrar a pior das tentações.

Esse viés de natureza crítica, certamente, foi forjado em anos de colaboração com revistas importantes como Contracampo, Filmecultura, e, também, atividades acadêmicas próprias a trajetória profissional de Luís Alberto Rocha Melo. Vê-se de forma bastante explícita dentro de sua dramaturgia uma gama de referências cinematográficas bastante heterogêneas, que abarcam desde autores do Cinema Novo, especialmente os católicos, como Fernando Coni Campos, e Paulo César Saraceni, até os autores ligados de alguma forma ao cinema da Boca do lixo, aqui, especialmente, Carlos Reichenbach e Rogério Sganzerla, movimento caro ao diretor cuja estreia nos longas-metragens se deu através de um documentário sobre Antônio Polo Galante. A colagem destas referências, por sua vez, ajudam ainda mais a tensionar a narrativa, que oscila entre o leve escracho mobilizado por uma câmera galhofeira e o peso circunspecto construído em torno do protagonista Lívido, cuja força atrativa age sobre a história como um buraco negro.

Essa polaridade também se produz nos diferentes tons impressos pelos atores principais em suas interpretações. Enquanto Anna Karinne Ballalai imprime nuances brechtianas à personagem Vitória, irmã do protagonista, Pedro Henrique Ferreira deixa seu olhar expressivo nuançar as características de Lívido, cuja alma se desintegra diante do espectador. Algo parecido ocorre quando comparamos a atriz à Otoniel Serra, em seu último papel no cinema, que cria a personalidade paterna como uma força apaziguada e quase impotente. Por ser praticamente a co-diretora do longa-metragem, tendo-o montado, produzido e escrito o roteiro junto com Rocha Melo, Balallai demonstra-se cúmplice do distanciamento agenciado pela direção que, mesmo mantendo-se dentro de certo decoro, deixa entrever suas intenções satanicamente satíricas. Mostra-se cúmplice das diabruras propostas pelo diretor. O diabo, como bem notaram os moralistas, mora na inconstância, na mistura e no desregramento e, por todo esse clima de hibridismo, Um homem e.seu pecado consegue criar essa atmosfera fáustica bastante característica de nossa cultura.

Inserido dentro de uma cena peculiar da cinematografia carioca, onde está acompanhado por nomes como André Sampaio, Cavi Borges, Christian Caselli e Guilherme Withaker, e, também, pelo saudoso Ricardo Miranda, Luís Alberto Rocha Melo aos poucos constrói uma obra coerente com um projeto de cinema autoral. Sem desejar ser santo, ainda assim encara a sétima arte como uma missão artística. Desse modo, vai permanecendo aqui na terra elaborando obras singulares e necessárias, à margem de “Deus”, amigado de Zé Pelintra, com quem bebe uma gelada nas horas vagas e, quem sabe, articula novos projetos futuros para o cinema brasileiro.

*Guiherme Sarmiento é professor Doutor em Análise Fílmica pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia.

David Cardoso recebe homenagem do Festival de Inverno de Bonito

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A 18ª edição do Festival de Inverno de Bonito, a 278 quilômetros de Campo Grande, será encerrada hoje.

Sendo o festival de arte e cultura mais tradicional do Mato Grosso, este ano  a programação vai totalizar 149 atrações artísticas, 32 oficinas e cursos, nove estandes e 17 horas diárias de programação gratuita.

E a diversidade é grande: a programação terá exposição de artes, artesanatos, shows, teatro, dança, circo, culinária, e não podia faltar espaço para o cinema.  E no espaço da Sétima Arte, o grande homenageado desta edição é o ator, diretor, roteirista e produtor David Cardoso.

Festa terá shows de Ney Matogrosso e Karol Conka. Foto: Facebook Oficial/Divulgação

A inclusão de atividades no espaço do Centro de Múltiplo Uso (CMU) é uma das novidades desta edição, sendo o novo endereço do FIB em Bonito nesta edição comemorativa. O local vem servindo de ponto de encontro entre os estudantes bonitenses para participarem de oficinas, atividades culturais e espetáculos. Uma tenda de circo recebe apresentações de estudantes de escolas públicas bonitenses e outras instituições, como o Centro de Educação Infantil Laura Vicuña, Pestallozzi, Studio Kadoshi Dance e Instituto Família Legal.

No CMU, também acontecem múltiplas atividades contando com a presença de artistas como o poeta, escritor e ator Emmanuel Marinho, a banda Muchileiros, a cantora Juci Ibanez, os palhaços Anderson Lima, Pietro Lara e Pepa Quadrini & Junior de Oliveira, o mágico Tabajara, o grupo Arte e Riso Cia de Animação e Grupo Guavira com teatro de bonecos, a atriz Ramona Rodrigues com um varal de poesia com a obra de Manoel de Barros e o instrumentista Marcos Assunção com a sua viola pantaneira.

Já o ator David Cardoso, um dos mais notáveis artistas da região pantaneira, é o Homenageado do Festival de Bonito em sua 18a edição. E a trajetória do artista, que tem mais de 80 longas-metragens no curriculo, é por si só um grande reconhecimento para torná-lo merecedor das mais justas homenagens, sobretudo em sua terra natal.

Este sábado em Bonito começou com uma apresentação do grupo de dança sul-matogrossense Bailah, seguindo-se exposições, campeonato de skate, cinema, palestra e passeio noturno de bicicleta até a Capelo do Sinhozinho. Logo mais, às 20h, haverá apresentação da cantora Alzira Espíndola e, logo depois, é a vez do cantor Ney Matogrosso subir ao palco.

Amanhã, a programação termina com a Corrida de Inverno, intervenção artística, teatro, cine truck e shows de Marcelo Loureiro e Gabriel Sater.

David Cardoso, o Homenageado

Engajado com as causas ambientais desde quando isso ainda era uma ferramenta quase desconhecida, David Cardoso tem uma prosa farta e agradável. Difícil estar com ele sem dar boas risadas, falar muito sobre Cinema, cantarolar algumas pérolas do nosso cancioneiro, e tirar sarro das situações mais bizarras. Dizendo melhor: David Cardoso é um gentleman, um homem de Cinema (de fato e de direito), e um Querido, indo e voltando.

David Cardoso não passa incólume em lugar algum onde vá: ele sempre retorna pra casa com novos e muitos convites para ir lançar seu livro, exibir seu filme, fazer palestras e/ou participar de debates sobre Cinema e questões afins em quaisquer eventos onde ser autêntico e fugir do estereótipo de celebridade seja mais importante que arrotar sapiência e enumerar vantagens simplórias travestidas de conhecimento num terreno onde o descartável virou rotina e a desfaçatez posa de bacana.

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David Cardoso ao lado do Rei Roberto Carlos…

“Fiz tudo o que você imaginar sem estudar. Era um analfabeto. Colei a vida toda, o que não recomendo para ninguém. Mas aprendia vendo os outros, de curioso. Quando eu era continuísta, enquanto o pessoal ia para a farra, eu ficava passando as folhas a limpo. Olhava a câmera de 40 e tantos quilos, a lente…”

Aos 74 anos, completados em 9 de abril, David Cardoso conta que o patrimônio adquirido foi fruto de muito suor: “Abri mão de comprar Mustang e fumo – nada contra, mas todo dinheiro que ganhava, mandava para o meu pai”. Atualmente, ele “corre atrás” dos inquilinos que não pagam e acorda antes das 5 horas, dormindo apenas 240 minutos por dia, fruto de uma insônia que o acompanha há 60 anos:

“Hoje acordei às 3h20. Fiz comida, pratiquei uma hora de boxe, vim para o escritório e agora estou falando com você… Não tem preguiça. Nunca cheguei atrasado em qualquer encontro, fosse com homem, mulher, cachorro ou viado. Sei que uma hora vou cair duro, estafado”, revela o irrequieto ator, diretor e produtor. David Cardoso ainda é reconhecido pelo grande público como o “rei da pornochanchada”, aquele que transou com mais de 800 mulheres.

O ator continua: “No táxi, o motorista me reconhece, fala que não vai cobrar nada e liga para a esposa, para mostrar quem está com ele no carro, dizendo que tivemos um papo incrível. Mas há outras pessoas que torcem o nariz. Apesar disso, posso afirmar que tive uma vida gratificante, fulgurosa”, sintetiza o ator, que, entre os filmes mais marcantes, fez “A Moreninha”, com Sônia Braga, e “Caingangue, a Pontaria do Diabo”.

David Cardoso revela que gostaria de ter sido um Tony Ramos, um “cara correto, que dá todo o dinheiro que recebe à mulher”, mas que ele e a TV não foram feitos um para o outro. Chegou a participar de algumas novelas, no final dos anos 70 e início dos 80, mas o fato de ficar longe de sua terra, levou-o a abandonar o estrelato na telinha: “Enquanto estava na Globo, roubaram minha fazenda, pegaram o meu avião para saltar de para-quedas, além de 17 vacas”.

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Amigos de Cinema: Alice Gonzaga, Aurora Miranda Leão e David Cardoso em noite festiva em Araxá…

David Cardoso ficou estigmatizado, rotulado pelas várias produções com mulheres peladas (e ele também): “Falavam que meus filmes tinham de tudo. Durante muito tempo, eu era o rei da sacanagem no Brasil. Nunca participei de suruba, nunca transei com duas mulheres ao mesmo tempo… Mas nada como o tempo para ir acertando tudo”, sublinha.

O problema, segundo ele, é que as pessoas fundiam o personagem com o ator, algo que, admite, não fazia questão de refutar na época, como parte do marketing de suas produções:“Fiz um filme, o ‘Dezenove Mulheres e um Homem’, e falaram que eu tinha comido todas as 19 atrizes… Quando eu era ator e produtor dos filmes, eu não me envolvia com elas. Terminadas as filmagens, aí sim, envolvi-me com várias, não vou negar”.

Segundo David, o lendário “teste do sofá” nunca aconteceu em suas produções, com as atrizes sendo convidadas pela beleza e pelo talento: “A Matilde Mastrangi (uma das rainhas da pornochanchada) fez seis filmes comigo e só pus a mão nela em cena. Numa viagem a Portugal, chegamos a dormir na mesma cama, mas ela era noiva e eu também. Sempre a respeitei”, salienta.

Ele lembra que empregou muita gente e abriu as portas para atrizes que deslancharam no gênero posteriormente. “Vi muitas boas profissionais começando na pornochanchada. Não havia putaria. Nunca as vi fazendo programa. Eram algumas vezes trouxas, caindo de amores por homens, ricos ou pobres”, recorda David.

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David Cardoso, Carlos Alberto Ricceli e Rubens Ewald Filho (foto Aurora de Cinema)

Produtor de 34 filmes, David Cardoso faz questão de frisar que nunca foi acionado na Justiça trabalhista: “Venho da escola Mazzaropi, pagando religiosamente todos os funcionários nas sextas-feiras. Chorava até o último momento, mas pagava o combinado”, destaca. O seu filme de maior bilheteria foi Dezenove Mulheres (no qual só há 18 atrizes porque uma saiu em cima da hora) que ficou oito meses em cartaz no Cine Marabá, de São Paulo.

O filme mais recente produzido por David Cardoso é Sem Defesa, que ele define como um trabalho “contundente, misto de ficção e documentário, sobre a violência brasileira”, com participação dos apresentadores Datena e Ratinho e do senador Álvaro Dias, do Paraná.

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David Cardoso rodando o país para mostrar seu longa Sem Defesa

“A Justiça brasileira é capenga, com ninguém indo preso”, critica David Cardoso, que pôs a mão no bolso para bancar parte dos R$ 400 mil gastos na produção, realizada em apenas quatro dias e já exibida fora do país. “Com esse filme, encerrei a carreira de produtor”, avisa, sem, no entanto, abdicar do amor ao cinema.

“Pedi R$ 100 mil para atuar em um filme paulista. O diretor acabou me pagando R$ 10 mil em dez vezes. Mas se gosto do projeto, não é o dinheiro que irá me fazer desistir. Amo o cinema. Vi ‘Matar ou Morrer’ 46 vezes. ‘Meu Ódio Será Tua Herança’, 28. Vejo um mesmo filme duas vezes num mesmo dia”, registra.

* Trecho de entrevista realizada pelo jornalista Paulo Henrique Silva, do site mineiro Hoje em Dia.