Cultura Popular e Cotidiano em novos livros de Euclides Moreira Neto

Euclides capa

O professor e pesquisador maranhense Euclides Moreira Neto (Mestre em Comunicação Social) está em São Luís recolhendo dados para sua tese de doutoramento em Estudos Culturais pela Universidade de Aveiro, em Portugal. Nos intervalos de sua investigação doutoral, Euclides, um notório apaixonado pela cultura popular, escreveu os livros “O vai querer dos Blocos Tradicionais”, “Ajuntamento de Memórias” e “Provocações do Cotidiano”, os quais estão em fase de revisão. Os livros deverão ser publicados pela editora da Universidade Federal do Maranhão (EDUFMA) em breve.

Vai Querer

Em O vai querer dos Blocos Tradicionais, Euclides revisita a história que gerou o Inventário dos Blocos Tradicionais do Maranhão (BTM), relatando as etapas que o antecederam e mostrando como a comunidade ludovicense se envolveu com a pesquisa que inventariou aquela manifestação cultural na gestão do ex-Prefeito João Castelo (2009 a 2012). No livro, o autor conclama gestores e apreciadores dos BTMs a retomar a proposta de transformar essa manifestação em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil junto ao IPHAN, e demonstra como é importante desarquivar o processo que inventariou a manifestação.

No livro sobre os BTMs, Euclides Moreira faz merecida homenagem à produtora cultural Maria Michol Pinho de Carvalho, que coordenou o trabalho de pesquisa do INRC e faleceu em novembro de 2012. São quase trezentas páginas de texto e fotografias rememorando as várias etapas desenvolvidas para se chegar ao INRC dos Blocos Tradicionais. Em 2012, quando a documentação foi entregue ao IPHAN/Ministério da Cultura, São Luís contava 49 grupos de BTMs. Atualmente, são pouco mais de 30 grupos, daí a importância de manter viva a proposta de salvaguarda desta manifestação cultural, reafirma Euclides.

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Outro livro a ser lançado por Euclides Moreira – Ajuntamento de Memórias – refere-se a uma longa e providencial entrevista realizada com a saudosa produtora cultural Zelinda de Castro e Lima, na qual ela relembra como eram praticadas as manifestações culturais da cidade de São Luís a partir da década de 1930, do século passado. Dona Zelinda, como é chamada pelos integrantes do meio cultural ludovicense, é uma personagem mais que legitimada com intensa atuação na área cultural local tendo sido gestora de vários equipamentos públicos ligados à cadeia produtiva da área da cultura e do turismo.

Nessa obra, Euclides Moreira Neto incluiu (além da entrevista propriamente dita) um capítulo intitulado “Considerações  sobre  Memorizar”,  quando  reflete  sobre  o  ato  de violar memória oral, como pensou José Carlos Sebe Bom Meihy (1996; 2007)  nas  obras  “Manual  de  História  Oral”  e “História oral: como fazer, como pensar”, além de um item que ele denominou de “Decupagem de Memórias” para reafirmar os conceitos emitidos pela entrevistada, com a sua ótica de entendimento, objetivando fixar esses conceitos e afirmações, produtos da memória oral de dona Zelinda Lima.

Coube a Euclides ouvir, testemunhar, gravar, transcrever, corrigir e tornar  público – por  meio do  livro Ajuntamento  de Memória (alusão a uma expressão utilizada pela entrevistada quando respondeu a uma pergunta por ele realizada referente à definição do que seria bloco) – o legado de Dona Zelinda. Ao responder objetivamente sobre o que era bloco, disse: “Bloco é o ajuntamento de pessoas…”, o que iluminou o autor para chegar ao título do livro.

PROVOCAÇÕES DO COTIDIANO

Prov capa

O terceiro livro que Euclides Moreira vai lançar reúne 20 crônicas e artigos do autor referente a vários assuntos palpitantes na cidade de São Luís, no Maranhão, no país e em Portugal. A obra é uma coletânea de crônicas, artigos e relatos de fatos elaborados jornalisticamente a partir das vivências culturais do autor, testemunhadas por ele e fruto de investigações científicas desenvolvidas durante seu desempenho no Programa Doutoral em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro (UA), Portugal. Seu conteúdo reúne visões críticas do autor enquanto investigador cultural, atuante no Maranhão e em Portugal.

Euclides Barbosa Moreira Neto nasceu em 13 de abril de 1957, na cidade de Cururupu-MA. Cursa doutoramento no Programa Doutoral em “Estudos Culturais” na Universidade de Aveiro (PT) desde 2014 (com previsão de conclusão no ano de 2017), sendo seu objeto de investigação os “Blocos Tradicionais do Maranhão”, manifestação cultural do ciclo carnavalesco. Sua formação educacional e acadêmica ocorreu em instituições de ensino público. Atualmente, Euclides é Professor Universitário, lotado no Curso de Comunicação Social do Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão, ministrando as disciplinas “Jornalismo Cultural”, “Jornalismo de Revista” e “Laboratório de Telejornalismo”.

Ao longo de sua carreira como docente, Euclides esteve sempre envolvido com a área de extensão e cultura, desenvolvendo atividades em todas as áreas de expressões artísticas, principalmente na área audiovisual. A nível administrativo na UFMA,  coordenou o Núcleo de Atividades Visuais do Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, além de ter sido diretor daquele Departamento (CD4) por 12 anos consecutivos (1996-2008).

Como diretor do Departamento de Assuntos Culturais, Euclides Moreira desenvolveu extensa grade de projetos e atividades artístico-culturais, motivando sempre o envolvimento dos Departamentos Acadêmicos nas ações executadas, objetivando revelar novos talentos e propiciar a participação de alunos e professores nos projetos propostos e/ou desenvolvidos por aquele Departamento. Entre os projetos e ações desenvolvidos sob sua coordenação, até o ano de 2008, na UFMA, destacam-se: 12 edições da Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ), 25 das 32 edições do Festival Guarnicê de Cinema, 4 edições da Mostra Guarnicê Itinerante de Cine Vídeo, 13 edições do Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO), 12 das 23 edições do Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ), 12 edições do Festival Universitário de Reggae – UNIREGGAE, 8 edições da Mostra Brasileira de Miniatura Artística no Maranhão.

 

Euclides Moreira coordenou ainda 12 das 33 edições do Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO), 11 edições da Mostra Maranhense de Arte Efêmera, 12 edições da Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão, 12 edições da Cantata Natalina, 12 edições da Exposição Presépio, 6 edições do Salão de Artes Plásticas 31 x 31, 6 edições do Projeto Carcará de Cara Nova, 3 edições do Curta Lençóis: Festival de Cine-Vídeo dos Lençóis Maranhenses, 2 edições do Projeto LUSOBRAS: Festival Luso-Brasileiro de Arte Cultura, 10 edições do Programa Regional de Apoio às Artes Plásticas, 2 edições do Maranhão Vídeo de Bolso – Festival Regional de Vídeo de Bolso no Maranhão, e 9 edições do Encontro de Teatro de São Luís na Periferia.

Quase todos os projetos coordenados por Euclides Moreira eram de abrangência regional e/ou nacional, destacando-se que parte deles era de periodicidade semanal e/ou quinzenal, como foi o Projeto Carcará de Cara Nova, executado toda quinta-feira, às 12h30min, no auditório central da UFMA; o Projeto Quarta Cultural, executado toda quarta, às 19 horas, no Espaço Reinaldo Faray do Palacete Gentil Braga; Projeto Sexta Poética, executado toda sexta, às 19 horas, no Espaço Reinaldo Faray do Palacete Gentil Braga; e o Programa Regional de Apoio às Artes Plásticas, que promovia, a cada 15 dias, exposições de artes plásticas na Galeria Antônio Almeida e na Sala Maia Ramos, ambas no Palacete Gentil Braga.

Euclides e noix MA 2008

Teca Pereira, Aurora Miranda Leão, Fafy Siqueira e Euclides Moreira Neto na edição 2008 do Festival Guarnicê, em São Luís (MA).

Dos projetos de abrangência nacional, destacam-se: Festival Guarnicê de Cinema; Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO); Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO); Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ); Festival Universitário de Reggae (UNIREGGAE); Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ), e Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão.

A intensa ação desenvolvida por Euclides Moreira na área cultural da capital maranhense o levou a atuar como produtor cultural, ator, crítico de arte e cineasta. Na atividade audiovisual, dirigiu e produziu vários filmes, obtendo diversas premiações em festivais de cinema e vídeo pelo Brasil, destacando-se os filmes “Mutações”, “Colonos Clandestinos”, “Bom Jesus”, “A greve da meia-passagem”, “Alegre Amargor”, “Feições”, “Mamucabo”, “Periquito Sujo”, “Jardins Suspensos” e o vídeo “O lavrador de palavras”.

No quadriênio 2009-2012, Euclides Moreira Neto foi Presidente da Fundação Municipal de Cultura, órgão vinculado à estrutura da Prefeitura de São Luís; em 2012, recebeu do Governo do Estado do Maranhão o título de Comendador, considerando os bons serviços prestados à cultura maranhense. Como integrante da comunidade universitária, Euclides Moreira Neto dedica-se a pesquisar a atuação das manifestações culturais “reggae” e “carnaval”, no meio cultural maranhense.

Euclides e eu 15 ago 15 - Cópia

Aurora Miranda Leão e Euclides Moreira Neto: reencontro feliz em Fortaleza…

O Barrococó Neoclássico de Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho

A Teresa de Camila Pitanga: presença destacada por uma composição artística que semelha quadro de um grande pintor: obra de Raimundo Rodriguez !      #aplausoblogauroradecinema

Parceria profícua dos dois Artistas de Velho Chico são parte fundamental do êxito da novela do horário nobre !

Luiz Fernando dirigindo as primeiras cenas parece inserido num quadro, cuja estética leva a assinatura de Raimundo Rodriguez…

Você que nos acompanha aqui pelo #blogauroradecinema, ou por nossa presença em redes sociais como Instagram, Flickr, Twitter e Face, já deve saber o quanto somos fãs de Raimundo Rodriguez e de seu singular trabalho criativo.

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Raimundo Rodriguez em seu atelier…     foto #auroradecinema

Raimundo Rodriguez trabalha com Arte há muitos anos, e deve vir inventando coisas novas desde o berço. Tão simples quanto criativo, o artista tem a nobre tarefa de responder por todo o visual plástico da novela Velho Chico. Ele foi convidado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho logo que este foi ‘convocado’ pela direção artística da TV Globo para ‘aprontar’ em tempo recorde uma nova novela para o horário das 21h – quando ainda estava no ar A Regra do Jogo e a audiência começava a dar sinais de combustível na reserva.

E Luiz Fernando (que tem uma bela e vasta parceria com Raimundo) logo chamou o companheiro de tantos trabalhos belos e ousados. E os dois começaram a elaborar mentalmente como seria o visual da nova novela de Benedito Ruy Barbosa. Seria a estreia da dupla no horário nobre. Antes eles fizeram as minisséries “A Pedra do Reino”, “Hoje é Dia de Maria”,“Capitu” e “Alexandre e Outras Heróis”. E, com bastante destaque, a belíssima e inesquecível #MeuPedacinhodeChao, outra novela de Benedito Ruy Barbosa, exibida em 2014 no horário das 18h.

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O teto da sala de Milagres em Velho Chico: obra de Raimundo Rodriguez…

“Com Velho Chico, estou voltando para minhas origens. Por ser cearense, a religião sempre esteve em minha vida e me influenciou demais. Ainda mais a religiosidade do sertão”, diz um artista cheio de talento e criatividade, completamente mergulhado no trabalho e contente com os elogios que suas criações vem recebendo em toda parte.

Não é pra menos: o que Raimundo Rodriguez cria – em geral de material reciclado: o artista não gosta de ver nada sendo descartado, logo imagina como transformar aquilo num objeto de arte – é impressionante !

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Os oratórios e santos definem o poderoso conceito estético de Barrococó Neoclássico

Para atestar o que dizemos, basta ver Velho Chico, ou qualquer dos outros trabalhos assinados por Luiz Fernando Carvalho em que os dois são parceiros, ou acompanhar os trabalhos de RR pelas redes sociais e em muitas galerias cariocas, como a Sérgio Gonçalves (que representa o artista) e na galeria do Café Baroni (da qual Raimundo é curador), no centro do Rio.

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A Sala de Milagres da igreja de Grotas…

O casamento de Afrânio e Leonor: preciosismo nos mínimos detalhes…

Raimundo Rodriguez é o responsável por toda aquela beleza que habita em Grotas do São Francisco, a fictícia cidade onde acontecem as pelejas entre as famílias de Santo e do Coronel Saruê. Quem conhece a obra de Raimundo, logo identifica a ‘presença’ do notável artista, não só nas obras de arte propriamente ditas mas em todo o pensar artístico que emoldura esteticamente as cenas da novela das 21h...

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Detalhe do altar do casamento de Afrânio e Leonor: como é luxuosa a Cultura Popular !

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A barraquinha de Santos em dia de festa na praça de Grotas…

É de Raimundo Rodriguez a arte que inunda as cenas através da religiosidade tão própria do nordeste, impregnada nos artefatos da cultura popular (nas muitas festas que acontecem em Grotas), nos diversos oratórios, altares e santos dos personagens. Assim como aconteceu nos casamentos de Afrânio e Leonor (sua falecida esposa), e de Teresa e Carlos Eduardo, sem esquecer da riqueza visual que assomava na Missa do Vaqueiro (e sobre a qual falamos em post anterior).

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O oratório do quarto de Doninha, a governanta da fazenda dos Saruê…

Raimundo ajeita

Raimundo Rodriguez passa o dia no Projac e cuida pessoalmente de todos os detalhes de sua criação para a novela Velho Chico

Velho Chico explode em beleza e nordeste agradece

Novela chega ao acme emocional com Missa do Vaqueiro…

                        *Aurora Miranda Leão

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Os ‘vaqueiros’: Domingos Montagner e Marcos Palmeira em ótimas atuações !

O nordestino que habita em Luiz Fernando Carvalho (filho de mãe alagoana) encontra no artista e parceiro Raimundo Rodriguez  um esteio fabuloso ! Cearense que é, mesmo tendo deixado a terra natal há muitos anos, Raimundo Rodriguez com seu magnânimo “latifúndio” de preciosidades da cultura popular (que ele transforma em Arte num piscar de olhos), deve ter ficado com o coração tonto de tanto cantar, vexado de alegria com o resultado plástico tão lindo que foi este capítulo da Missa do Vaqueiro e da Pega do Boi.

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Belmiro dos Anjos (Chico Diaz) quase salta da tela para conferir a Missa em sua homenagem, tal a perfeição da pintura de Raimundo Rodriguez…

O padre Benício organiza a missa para celebrar a data festiva, na qual o grande homenageado é Belmiro dos Anjos, o pai assassinado de Santo e Bento. Então, mesmo os que estavam à toa na vida foram à praça, que se enfeitou de alegria para festejar a nordestinidade, emoldurada com seus chãos sagrados nas bandeiras de todos os estados da região – e quando a câmara tirou o foco do padre (Carlos Vereza com a competência que todos conhecemos e aplaudimos !), a primeira bandeira que se viu foi a bandeira do Ceará de Raimundo ! Que delicadeza grandiosa de Luiz e sua equipe com o parceiro das terras de Alencar !

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Uma tradução da Missa do Vaqueiro por Raimundo Rodriguez, também autor da foto…

Com a inconteste capacidade de conseguir que toda a equipe mergulhe sem freios na ideia central do espetáculo, o que se vê através de Velho Chico (desde o início, diga-se de passagem) é um país que ganha relevância e aprofunda raízes através de uma inequívoca brasilidade que a novela expressa e tanto bem faz aos olhos e ao coração.

A partir do reencontro Teresa e Santo – conforme já dissemos aqui em matéria anterior -, a novela inaugurou uma terceira fase. Desde então, tudo está mais aflorado, mais denso e mais emocionante, por isso mais belo.

O capítulo desta segunda, 25 de julho, foi especialmente tocante ! Quem não arrepiou diante da tela é porque nada de brasileiro tem, ou pode ser que tenha ‘coração de gelo’, como dizia um famoso personagem de desenho infantil que minha filha gostava de ver.

Luzia e Santo

Lucy Alves vive a ardilosa Luzia, que trama mil e uma pra ficar com Santo…

O capítulo de sábado acertou com ótimo gancho, deixando antever que na segunda viria um capítulo “importante” (entre aspas, porque em novela boa, todo capítulo é assaz importante). Pois o capítulo desta segunda tinha como temática a Missa do Vaqueiro, tradicional acontecimento do nordeste brasileiro. E o que a equipe da novela construiu, a partir da regência de Luiz Fernando Carvalho, foi um autêntico HINO DE AMOR AO NORDESTE !

Mesmo sendo essa missa já tão mostrada em fotos, filmes, livros, e vista por nós também no interior do Ceará, o que Velho Chico mostrou foi de uma fortaleza tão grande que gritava – entre figurinos, cavalos, uma constelação imensa de figurantes com seu figurino de gibão de couro e tudo o mais – “Este é o Brasil dos brasileiros e para os brasileiros, com a vastidão de sua riqueza cultural, e nem precisamos de muitos cortes, nem vasta tecnologia: mostramos a tessitura de que é feito este país, e porque mostramos com competência e sensibilidade, e destituído de preconceitos, a tela se encharca de poesia e a audiência retribui com um caloroso e silente aplauso,  depois confirmado pelas estatísticas !”

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Antônio Fagundes e Marcelo Serrado: competência em Lá Maior !

Mesmo nós, que do sertão propriamente dito não viemos, sentimos pulsar ali – na escolha dos closes, dos grandes planos, na emoção estampada no olhar de cada ator, no figurino magnífico de Thanara Schönardie (mesclando o ousado e o tradicional), na escolha de cada take, em cada enquadramento, nos diálogos, nos sentimentos latentes, enfim, em todo o desenho estético minuciosamente pensado e realizado com invejável esmero – a inteireza de nossa alma, filigranada em várias camadas sobrepostas (qual labirinto ou filé de toalha de renda), e um fio condutor, a Paixão !

Teresa

Teresa (Camila Pitanga) foi ver de perto a tradicional ‘pega do boi’ onde o amado era figura central…

Fora a telinha caseira de cada um de nós um dispositivo compartilhado numa sala de cinema ou num teatro, e ali estaríamos todos a aplaudir a excelência do capítulo desta segunda, 25 de julho, em que Luiz Fernando Carvalho e sua equipe extrapolaram do direito de ser notáveis !

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Lucy Alves e Irandhir Santos em momento de tensão de seus personagens…

Encerrar com Santo entregando a corda do boi por ele conquistada na batalha travada na caatinga ao grande amor de sua vida (Teresa), depois de toda a tensão que ronda o personagem vivido com galhardia por Domingos Montagner desde o capítulo anterior, foi um dos mais lindos happy ends de capítulo que já vi !

ANTOLÓGICO !!!

Santo

A Vitória: Teresa é a grande vencedora na ‘pega do Boi’…

SENSACIONALLLLLLLLLL !!!

Como diria Mestre Vinícius, “Sua bênção, oh Luiz Fernando… sua bênção, Benedito… sua bênção, oh Domingos, sua bênção Fagundes, que a gente gosta tanto que até aceita vê-lo fazendo um coronel… sua bênção, Camilinha, menina linda, de sorriso doce, que só dela podia ser a Teresa… sua bênção, oh Mestre Raimundo Rodriguez, que não és um só, és tantos, tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive meu São Sebastião… Saravá !”

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O sorriso lindo e meigo que Camila Pitanga empresta à Teresa é trunfo da empatia da atriz com o público…

Velho Chico e a riqueza da criação de Raimundo Rodriguez

                                                 Aurora Miranda Leão*

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Não é preciso muito para se encantar diante da obra de Raimundo Rodriguez. O artista, que assina todo o conteúdo cenográfico da novela Velho Chico, tem um vasto e aplaudido currículo nas artes visuais e há uma década trabalha junto com o diretor Luiz Fernando Carvalho.

Os dois trilham uma harmoniosa parceria na qual sobram talento, dedicação, conhecimento, inventividade e mergulho profunda num repertório de múltiplas inspirações artísticas. É difícil saber onde começa a criação de hoje e por onde envereda a cumplicidade do outro. Porque o casamento artístico de Raimundo Rodriguez (RR) e Luiz Fernando Carvalho (LFC) assoma na copa de muitas hortas, depois de suas raízes beberem em reservatórios de intensa sensibilidade, mergulhando em águas salobras que dá um Velho Chico de beleza e imensidão de referências.

É por isso que quando se olha para uma obra teledramatúrgica com a assinatura de Luiz Carvalho, a sensação primeira é de ENCANTAMENTO !

Como num quebra-cabeças, a sensibilidade vai juntando as peças que, unidas, causam aquele esplendor, e nesse exercício sensorial, você vai chegar, indubitavelmente, ao trabalho precioso de Raimundo Rodriguez !

Vamos falar especificamente de Velho Chico, a novela do horário nobre que ora Raimundo Rodriguez assina junto com Luiz Fernando, maestro de uma laboriosa e notável equipe que faz da obra atual de Benedito Ruy Barbosa um marco da Teledramaturgia Brasileira.

Muito antes de a novela começar, Raimundo Rodriguez, Luiz Fernando e mais uma equipe numerosa, seguiu para os grotões do Nordeste em busca de locações que representassem as entrelinhas e os entremeios da criação de Benedito, Edmara Barbosa e Bruno Luperi. Vasculhando as terras castigadas pelo inclemente sol nordestino, ancoraram entre a Bahia e a Paraíba e aí decidiram ambientar a fictícia Grotas do São Francisco, cidade onde manda e desmanda o Coronel Afrânio de Sá Ribeiro, o terrível Coronel que a Sabedoria Popular em hora propícia cognominou de Saruê (alusão ao mais fedorento gambá de que se tem notícia na região).

Criações artísticas de Raimundo Rodriguez destacam  atuação do elenco…

A dupla Raimundo-Luiz Fernando fez um laboratório de pesquisa amplo, intenso e minucioso, bem registrado por Raimundo em fotos que acompanhamos com muito interesse via Instagram e em outras redes sociais, nas quais o artista está sempre presente com seu olhar acurado e disposição inata para descobrir o inusitado e flagrar o belo. Ali, naquelas primeiras imagens, há o que depois viraram detalhes no vasto território velho chiqueano, através dos quais a emoção mergulha e viaja em referências próprias de uma cultura que nos é familiar e tão corriqueira que, no mais das vezes, a deixamos escapar sem sequer saber traduzi-la.

Raimundo Rodriguez: o dom de transformar o cotidiano em obra de Arte !

É para que esse relicário de miudezas físicas e grandezas emotivas não se perca, nos desvãos do tempo e na insensatez da pressa que deixa o essencial escapar, que é fundamental, relevante e, sobretudo, NECESSÁRIA a existência de um artista como Raimundo Rodriguez !

Mas se fazia mister que esse olhar primoroso de RR encontrasse um outro olhar, tão sensível e poderoso como o seu, para que sua obra majestosa pudesse sair do restrito mercado das galerias e ganhasse outros espaços, uma dimensão que pudesse evidenciar toda essa magnitude que está no cerne de Velho Chico, bem como nas obras A Pedra do Reino, Hoje é Dia de Maria, Capitu, e Meu Pedacinho de Chão (!!!). E esse encontro de olhares aconteceu quando Luiz Fernando Carvalho visitou uma exposição de Raimundo Rodriguez, em 94. E logo veio o convite para que os dois trabalhassem juntos. E foi a televisão, ou mais precisamente, a TELEDRAMATURGIA, que ocupou esse bendito lugar, de tornar visível ao grande público, de ‘desencantar’, de fazer prosperar e reverberar as criações assinadas pelo mestre Raimundo Rodriguez.

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A partir de sua obra #latifúndios, Raimundo Rodriguez fez nascer o esplendor da mágica vila onde habitavam os personagens de #meupedacinhodechão…

Bendito seja pois Luiz Fernando Carvalho – e a dramaturgia que ele engrandece com sua notável incursão artística na televisão – ao tornar acessível ao grande público (são mais de 50 milhões de telespectadores envolvidos pelas telenovelas em todo o país) um trabalho importante e belo como o de Raimundo Rodriguez !

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Oratório de Eulália e Ernesto Rosa na primeira fase de #velhochico…

Ao evidenciar o trabalho artístico de Raimundo Rodriguez através da teledramaturgia, Luiz Fernando Carvalho não só propiciou que a criação de RR chegasse aos mais distantes e distintos locais do país – o que sem a força da TV jamais seria possível -, como elevou o nível de excelência artística da Televisão Brasileira (notadamente da TV Globo,  única emissora que investe pesada e maciçamente em literatura brasileira e conteúdo nacional). Portanto, ao perceber em Raimundo um futuro parceiro com quem muito poderia produzir, Luiz Fernando marcou um gol triplo (coisa só afeta a grandes gênios): evidenciou a criação de Raimundo Rodriguez, redimensionou seu trabalho (as melhores obras televisivas de LFC são as que tem RR como Artista Plástico), e deu um upgrade na qualidade da Teledramaturgia Brasileira ! E o maior dentre todos os beneficiados é o grande público, no qual nos incluímos, grata.

Julia

Assistir a Velho Chico é embarcar diariamente num rio de caudalosa beleza ! Impossivel assistir à novela que torna ainda mais nobre o horário, e não arrepiar a emoção a partir dos olhos, extasiados de encantamento ! Se você a assiste, deve conosco concordar. Em caso contrário, discorde: as dissidências farão pulsar mais forte os aplausos à novela. E se você não assiste por puro preconceito (nocivo e decadente como todos os outros), saiba que é você o grande perdedor.

Neste caudal de belezas e símbolos fortemente referenciados nos escaninhos de nossa cultura, avulta o que Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho chamam de estilo ‘barrococó neoclássico contemporâneo’.

Raimundo Rodriguez é o artista que assina toda a riquíssima ambiência cênica de #velhochico…

Raimundo Rodriguez, que tem a simplicidade própria aos verdadeiros sábios, sempre fala com prazer sobre seu trabalho e enaltece a parceria com o diretor: “O Luiz é muito culto e me dá sempre referências”, afirma. “Às vezes, ele fala apenas uma palavra e eu trabalho em cima”. Foi assim com “rica” e “miscigenação”. A primeira definiu o caminho da estética religiosa das peças da matriarca Encarnação (Selma Egrei no melhor papel da carreira). A segunda, o altar de Doninha, a governanta da fazenda dos Sá Ribeiro, interpretada por Bárbara Reis/Suely Bispo: “Ali misturei índios e caboclos com imagens de santos católicos”.

Quando assistimos a Meu Pedacinho de Chão, ficamos completamente tomados por aquele vasto arsenal de beleza que Raimundo e Luiz Fernando criaram para a história de Benedito Ruy Barbosa. Porque se RR cria artesanalmente suas obras nos terrenos das Artes Plásticas, é Luiz Fernando quem está por entre câmaras, fios e microfones como maestro de uma prodigiosa equipe, para a qual contribuem os trabalhos também notáveis de fotógrafos, editores, iluminadores, sonoplastas, direção de arte, caracterização, produção, maquiagem, figurino e atores, e todos esses engrandecem e são engrandecidos pelo trabalho de formiguinha (ágil, indormida, astuta e laboriosa) de RAIMUNDO RODRIGUEZ !

Bento

Irandhir Santos é o aguerrido vereador Bento dos Anjos em #velhochico…

Benza Deus ! E que todos os Santos, sobre os quais Raimundo Rodriguez trabalha com tanto sentimento e afinco, digam AMÉM e proliferem esta saudável e profícua cumplicidade e parceria de Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho por tantos e fartos anos.

Afinal, como diz a belíssima canção do querido José Miguel Wisnik (emérito compositor e profundo conhecedor de Música e Literatura), sobre letra do saudoso poeta Gregório de Matos]),

“Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.

Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura”.
 

* Aurora Miranda Leão é atriz, jornalista e editora do #blogauroradecinema    

RR

“Firmar-lhe a vida em atadura … dura”…                                                

Tony Ramos e Sônia Braga: os homenageados de Gramado

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Na próxima edição do Festival de Cinema de Gramado, a acontecer de 26 de agosto a 3 de setembro, Tony Ramos receberá o Troféu Cidade  de Gramado, e Sônia Braga o Troféu Oscarito. O filme de abertura será Aquarius, do diretor Kleber Mendonça Filho, representante do Brasil na última edição do Festival de Cannes. Estrelado por Sônia Braga, o filme ganhou prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Sydney.

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Tony Ramos receberá justíssima homenagem em Gramado…

No compasso dos atuais movimentos cinematográficos, o Festival de Cinema de Gramado chega a sua 44ª edição refletindo e acompanhando a pluralidade da atual filmografia brasileira e latina, em franca expansão e consolidando um novo modelo de gestão e realização. Desde as mudanças firmadas na sua edição comemorativa de 40 anos, em 2012, o Festival tem redesenhado sua identidade sem perder os conceitos que lhe consagram como o maior evento ininterrupto do gênero no Brasil.

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Sônia Braga estará na serra gaúcha para receber homenagem do Festival de Gramado…

Observando os nomes que protagonizam o fazer cinematográfico contemporâneo sem deixar de enaltecer quem abriu os caminhos dessa arte para os talentos de hoje, Gramado se remodela e aposta em homenagear nomes de prestígio como Glória Pires, Juan José Campanella, Marília Pêra, Othon Bastos Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Walter Carvalho.

Rubens Ewald Filho: a Enciclopédia Ambulante de Cinema !

Com curadoria assinada por Eva Piwowarski, Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho, o Festival de Cinema de Gramado também se fortaleceu como palco de importantes estreias: da primeira exibição em território nacional de “360”, filme realizado internacionalmente por Fernando Meirelles, à escolha do celebrado “Que Horas Ela Volta?” por começar sua trajetória no Brasil com exibição inédita na Serra Gaúcha, o festival ainda expandiu sua latinidade: somente em 2015, a mostra estrangeira apresentou filmes de sete países diferentes.

É sublinhando essa atualizada trajetória do Festival que a Gramadotur, autarquia municipal criada com a missão de fazer a gestão dos grandes eventos da cidade, realiza a 44ª edição do mais tradicional festival de cinema do país: “Ao longo de quatro anos à frente do Festival, a Gramadotur já sente amadurecimento na gestão e transparência nos processos do Festival. Isso nos permite pensar em projetos mais ousados e mais calculados a cada edição. Conquistamos a premiação em dinheiro para os vencedores dos Kikitos, por exemplo, uma reivindicação de longa data da classe”, comenta o presidente da Gramadotur João Pedro Till.

Diretor de eventos da autarquia e coordenador geral da 44ª edição, Enzo Arns acredita na realização de um festival responsável do ponto de vista de gestão sem perder a qualidade artística: “Esta é uma edição realizada com o devido planejamento de gestão que, ao mesmo tempo em que amplia o diálogo com as entidades de cinema do Rio Grande do Sul, incrementa parcerias e abre novas janelas para o cinema brasileiro, latino e internacional. Gramado este ano apresenta um festival maduro, atento a seus acertos e preocupado com aperfeiçoamentos. Para esta edição, também nos dedicamos às novas possibilidades do audiovisual, com programações paralelas que colocam Gramado nas pautas sobre os avanços da plataforma on demand e também como polo de encontros que fomentam a ideia do cinema como negócio”, projeta Arns.

Direção artística

Para sua 44ª edição, a Gramadotur agrega ao time da comissão executiva a figura de um diretor artístico.: Edson Erdmann assume a função e, juntamente com a curadoria e Gramadotur, trabalha o conceito criativo da edição, propondo diferenciais estéticos e de conteúdo. “Estamos pensando em um festival mais envolvente e glamouroso. Queremos aproximar cada vez mais Gramado da linguagem dos grandes festivais, sem nunca perder o charme e as características que tanto tornam esse evento especial e único dentro da cinematografia brasileira. Essa edição deve surpreender e encantar, valorizando o público que celebra o evento. Estamos propondo um Festival que vai ultrapassar o Palácio dos Festivais e toma conta da cidade emocionando público e convidados. Um conceito novo, contemporâneo, dinâmico e que vai trazer um movimento diferente ao evento”, afirma Erdmann.

KIKITO, a cobiçada estatueta de Gramado, troféu relevante em qualquer estante

Museu do Festival de Cinema de Gramado

Está agendada para a semana do evento a abertura do Museu do Festival. O empreendimento, esperado ao longo de décadas, visa celebrar a sétima arte sob a luz do Kikito e seus melhores filmes, diretores, atrizes e atores. Grandes momentos da história do evento serrano estarão eternizados no Museu. Instalado ao lado do Palácio dos Festivais e da Igreja São Pedro, o empreendimento conta uma área de 584 m² e vista panorâmica para o centro da cidade. A proposta é um museu interativo com  tecnologia e dinamismo, que, além do acervo, deve oferecer exposições e atrações durante todo o ano. A administração é do grupo Gramado Parks.

O cinema gaúcho em Gramado

O Festival é internacional, mas os holofotes nunca deixam de dar protagonismo ao cinema gaúcho. Neste ano, duas importantes novidades para os realizadores do Estado: o Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas ganha uma nova sessão – na sexta-feira à tarde, antes da abertura -, ampliando a sua janela de exibição, e incrementa a sua premiação em dinheiro, que agora distribuir R$ 48 mil no total, um aumento de 16% em comparação aos anos anteriores.

O Festival pelos gramadenses – Educavídeo

Iniciativa já definitivamente incorporada à programação oficial do Festival de Cinema de Gramado, a avant première para a comunidade gramadense segue celebrando os alunos da rede municipal que participam do Educavídeo, projeto que dá acesso a diferentes manifestações culturais, como criação, edição e produção com as novas tecnologias, gerando mercado de trabalho e renda com a formação de novos talentos. Os grupos conhecem toda a rotina da realização de um filme e fazem de tudo, desde a pré-produção até a edição das imagens. Em 2016, eles exibem os resultados de seus trabalhos mais recentes na noite do dia 25 de agosto no Palácio dos Festivais.

Luiz Fernando Carvalho mergulha em Shakespeare e Machado e faz elegia de amor ao nordeste

Por AURORA MIRANDA LEÃO*

VC

Audiência responde e novela chega ao capítulo 100 com recorde de audiência

Assistir a Velho Chico tem sido um convite diário ao encantamento !

A primeira imagem que, habitualmente, ganha a tela depois de exibido o título da novela do horário nobre, é um plano geral sobre o rio São Francisco, e não há má vontade nenhuma que não se aperceba dessa maravilha de cenário.

É um episódio relicário que o artista num sonho genial A letra da canção de Martinho da Vila se achega como trilha precisa para a emoção que aflora ao nos reportarmos à novela, escrita por Benedito Ruy Barbosa e seu neto Bruno Luperi, e dirigida com maestria por Luiz Fernando Carvalho (LFC).

Luiz Fernando Carvalho costuma dizer que seu intuito é tornar o invisível visível. Diz que, em geral, parte de um som, de uma cor, de uma música: “Tenho um delírio de associações muito amplas, e boto todos os meus colaboradores nessa energia. É um processo alquímico.” E não é difícil perceber essa forma de mergulho artístico que Luiz Fernando faz: basta reparar em quaisquer das obras assinadas por ele – desde o filme Lavoura Arcaica, baseado na complexa obra do escritor Raduan Nassar, e um divisor de águas na carreira do ator Selton Mello – para entender direitinho que essa alquimia acontece mesmo, como a transformar tudo ao calor da entrega e ao sabor da paixão. Quem viu Hoje é dia de Maria, A Pedra do Reino, ou Meu Pedacinho de Chão há de concordar conosco. Afinal, é como se o olhar de quem assiste fosse convidado, diariamente, para contemplar o belo e, delicadamente, fosse convocado a pensar o cotidiano por outro viés, tomar novos caminhos, buscar atalhos, e daí então fique fácil perceber a multiplicidade de questões que tantas vezes nos são roubadas pela avalanche de informações do dia-a-dia e a pressa habitual do time is money.

FAZENDA

A fazenda do Coronel Afrânio na primeira fase da novela, quando o padre ainda era interpretado pelo saudoso ator Umberto Magnani…

Santoro

Rodrigo Santoro marcou com brilhantismo sua participação na primeira fase…

Em todas essas obras, nota-se claramente que a equipe realizadora – do elenco aos maquiladores – está mergulhada num mesmo caldeirão, envolvida até a alma para que a obra televisual em produção se defina com beleza, magnitude e força aos olhos do telespectador. E assim LFC criou um estilo de direção diante do qual o público se apercebe tocado por uma sensorialidade diferente, capaz de sentir-se convidado a embarcar num outro universo, bem distante de uma fruição rápida, respingada de ofertas consumistas e inserções que em nada acrescentam à teledramaturgia.

Fag menor

Antônio Fagundes é o perverso e todo-poderoso Coronel Afrânio…

Velho Chico estreou em março com a árdua tarefa de recuperar a audiência do horário das 21h. Mesmo diante de uma novela de João Emanuel Carneiro – notabilizado por sua incomparável Avenida Brasil -, o público foi escasseando ao longo de A Regra do Jogo. A par do enorme talento da maioria de seus atores, era duro ver, com frequência, um Cauã Reymond de arma em punho, ou um Tony Ramos desferindo maldades e matando quem em seu caminho ousasse se intrometer. Mesmo sendo ações exigidas aos personagens, eles não deixam de ser Cauã e Tony, fortemente assimilados e amados pelo público.

Aí chega Velho Chico e nos mostra – como no potente capítulo da sexta-feira, 8 de julho – um perverso Coronel Afrânio (Antônio Fagundes) jogar sua arma no chão e declinar da vontade de agredir ao receber das mãos da matriarca da família rival, Piedade (vivida com enorme competência pela atriz paraibana Zezita Mattos) um ramo de flores, explodindo num gesto comovente e altamente simbólico de fraternidade e onipresença do AMOR.

Fag e Mig

Fagundes e Gabriel Leone em momento tenso da trama de #VelhoChico

E ao final da cena, os três personagens masculinos, agora membros da mesma família (vividos por Domingos Montagner, Irandhir Santos e Gabriel Leone) riscarem no chão barrento um triângulo como vórtice da família Dos Anjos, e nele jogarem o ramo de flores, que o vento leva como a inscrever na aridez da terra que a PAZ deve prevalecer.

A potência que tem para o telespectador mais comum dos comuns, ou mesmo entre aqueles que nem assistem à novela mas passam por algum lugar na hora em que a cena é exibida, é incomensurável ! Tem um valor simbólico inestimável em defesa da PAZ, do respeito às diferenças, da necessária convivência dos contrários e do respeito ao próximo.

Se outros méritos não tivesse, só uma cena desse quilate já faz de VELHO CHICO um marco relevante, sério e NECESSÁRIO para a produção teleaudiovisual do país. Aplausos de pé !!!

Cel e vó

Então… chegou um momento em que a audiência de A Regra do Jogo ficou preocupante e a direção da TV Globo acelerou o fim da novela: convocou Benedito, Luiz Fernando e sua trupe para o centro da cena  fim de dar uma guinada nesse panorama. E o intuito foi alcançado. Velho Chico estreou com uma audiência das maiores do horário, trazendo de volta à produção audiovisual brasileira o ator Rodrigo Santoro, que hoje vive na ponte Rio-EUA, e é o ator brasileiro de maior reconhecimento no exterior. Rodrigo, Carol Castro, Rodrigo Lombardi, Chico Diaz e Fabíula Nascimento foram alguns dos atores que participaram da primeira fase da novela, e a segunda estreou cerca de 4 semanas depois (novela estreou em 14 março e segunda fase começou dia 11 de abril).

Nós dissemos que uma terceira fase da novela começou no dia em que os personagens de Teresa e Santo se reencontraram, trinta anos depois do tórrido romance que tiveram na adolescência. E nas cenas emocionantes que, desse reencontro, explode em sensação latente o clássico  Romeu e Julieta.

tereza e santo

Belíssimo figurino de Thanara Schönardie é um reforço ao belo que inunda #VelhoChico…

Como de resto é de amor e paixão que todos estamos a falar – mesmo os que disso parecem fugir -, o reencontro de Teresa e Santo foi qual uma assinatura da obra, como a dizer “Estamos a falar de muitas coisas, mas de todas elas a mais importante é o AMOR”.

A ideia motriz de Velho Chico, fácil perceber, é uma disposição antropofágica, inteligentemente ressignificada por LFC no sentido de estabelecer uma espécie de neo-barroco, lindamente anunciado desde a vinheta de abertura com a música-tema de Caetano (um dos ícones do tropicalismo) sendo ‘ilustrada’ por cores vivas e traços acentuadamente originários dessa matriz cultural.

A justaposição de imagens e conceitos é capaz de provocar  uma multiplicidade de interpretações, desaguando num farto território de amplos signos culturais, focando num manancial de referências profundas e formadoras do povo brasileiro. Assim, o Velho Chico – que estoura em beleza na fotografia da novela, assinada por  Alexandre Fructuoso -, figura como o símbolo decantado por nosso mais célebre escritor, conforme citou LFC em entrevista no dia do lançamento da novela – “Machado de Assis dizia que o São Francisco é o rio da integração nacional. Ele reúne as culturas fundadoras da identidade brasileira”. E é desse VELHO CHICO que tudo o mais deriva, nasce, renasce, volta e se recria. Na vida brasileira, como no rico contexto teledramatúrgico de que falamos.

DIRA

Lee Taylor, Dira Paes e Irandhir Santos: figuras de destaque no cotidiano de Grotas…

Essa inspiração em parâmetros ancestrais se faz notar também, de modo a evidenciar uma estética pensada com amplos mergulhos nas mais variadas fontes, quando se coloca o velho coronel Afrânio num misto de Rei Lear e Hamlet ao defrontar-se com o espelho e pronunciar um discurso existencial sobre como chegou até aquele ponto, que momentos o fizeram tornar-se o que é hoje, figura da qual não pode mais abrir mão mas que não era o que ele próprio idealizara quando jovem; assim como se nota em força e beleza a presença dos cânones shakespearianos quando os personagens de Tereza e Miguel se deparam com a ‘tragédia’ de ter vivido 30 anos debaixo da mentira de uma família que nunca existiu de verdade, ou por outra, nunca foi integralmente de sangue.

Camila Pitanga e Gabriel Leone, mãe e filho, em ótimas atuações…

A forma como LFC se ‘apropria’ de um ícone do valor de um dramaturgo como Shakespeare – cuja morte chegou este ano aos 400 – e o coloca numa obra popular como uma telenovela (que atinge a marca de mais de 50 milhões de telespectadores no país – marca que deixou os americanos que fizeram matéria sobre as olimpíadas no Brasil de queixo caído) é simplesmente revolucionária e genial !

Revolucionária porque coloca Shakespeare no cerne de uma questão que se passa no interiorzão do Brasil, há mais de 400 de sua morte; e genial porque reafirma o valor do bardo e ressignifca sua inconteste importância e atemporalidade. Outrossim, ao atualizar a obra de Shakespeare, evidenciando-a num veículo ainda tão desprezado pela elite intelectual do Brasil como a TV, Luiz Fernando confirma o que tanto diz: que só trabalha com absoluta condição de liberdade e que seu objetivo é sempre procurar o novo e traduzi-lo.

Quando LFC junta Shakespeare (que não tem nada de antigo e sim de PERMANENTE), a Antônio Fagundes (ator de notável envergadura e desde sempre um apaixonado por teatro), Caetano Veloso, Raimundo Rodriguez, Gabriel Leone, Irandhir Santos, Camila Pitanga, rio São Francisco, Machado de Assis, santos tradicionais, e ícones da cultura popular, entre tantos outros, ele está simplesmente elevando o nível da nossa Teledramaturgia, mostrando que é possível fazer (basta ter Talento, bagagem cultural, não ter viseira nas retinas e estar aberto à procura do novo), fazer com galhardia e ainda tornar essa alquimia assimilável pela audiência.

Egrei

Selma Egrei interpreta a ranzinza Dona Encarnação, matriarca do clã Sá Ribeiro…

Gésio Amadeo é Chico Criatura, o popular dono de boteco de Grotas…

Assim, a novela é um banho de beleza, cultura, dramaturgia, música, fotografia ! Enfim, VELHO CHICO é uma inovação que requer um olhar atento, arguto e não pré-concebido de quem pretende entender a complexidade que é fazer telenovela – produto caríssimo, de ampla repercussão social, e sérias implicações mercadológicas -, e fazer com um nível de excelência que o exterior inteiro aplaude, e do qual devemos nos orgulhar !

Quem está à frente e por trás das câmeras são todos profissionais brasileiros (à exceção de um ou outro, como é o caso da atriz francesa Yara Charry, que faz a Sophie), num trabalho hercúleo (os que fazem protagonistas, mal tem tempo de parar em casa), que em termos artísticos e técnicos corresponde mais ou menos a fazer um curta-metragem por dia. E nós, que também lidamos com o cinema, sabemos o quão difícil é realizar um Curta-Metragem, que dirá um por dia, durante 8 meses… benza Deus !

Rai VC

A riqueza dos santuários criados por Raimundo Rodriguez

Nós aplaudimos com louvor ! Sobretudo em se tratando de uma obra com as fartas qualidades que apontamos em Velho Chico. 

E é com inteligência, simplicidade, coerência e inegável paixão, que Luiz Fernando Carvalho resume o trabalho complexo, intenso, sensível e quase artesanal que vem fazendo, à frente de uma equipe super competente, na qual figuram nomes como os de Raimundo Rodriguez (que assina a obra como Artista Plástico, assim como foi em Meu Pedacinho de Chão e tantas outras em parceria com LFC) e o da figurinista Thanara Schönardie):

“Eu coloco todo mundo para trabalhar em torno disso, trazendo experiências, estudiosos, elementos, para fundamentar e contextualizar o que é isso que estou chamando de neobarroco, que neoantropofagia é essa, que engole a própria linguagem da televisão para gerar uma nova televisão, uma televisão em que acredito. Uno todo mundo para produzir esse novo olhar sobre o país”

 

 

 

 

 

 

 

 

Luiz Fernando Carvalho dirigindo Antônio Fagundes… 

Do lado de cá da poltrona, rendemos homenagens a estes profissionais e ousamos afirmar: é como se Velho Chico fosse do país, a partir do nordeste (e toda sua imensa soma de valores – música, atores, folguedos, festas populares), “A sua mais completa tradução… e os novos baianos (artistas nordestinos em papéis de destaque na novela) passeiam na tua garoa, e novos baianos te podem curtir numa boa”

*Aurora Miranda Leão é atriz, jornalista, e editora do #BlogAuroradeCinema

Juliana Paes: a nova Dona Flor do Cinema

Juliana Paes, a Diva Master entre as morenas brasileiras da atualidade, vai protagonizar mais um clássico do saudoso Jorge Amado: a atriz será Dona Flor no Cinema !

A nova versão do filme Dona Flor e seus dois maridos começará a ser rodada mês que vem em  Salvador. A direção é de Pedro Vasconcelos, um dos talentos emergentes da TV Globo, emissora na qual estreou como ator.
O inesquecível trio Mauro-Sônia-Wilker em Dona Flor e seus Dois Maridos
A ideia do diretor é repetir o sucesso da primeira adaptação do filme, de 1976, que durante 34 anos foi a produção nacional de maior público da história do Cinema Brasileiro, com mais de 10 milhões de espectadores. Agora, perde apenas para Tropa de Elite 2, de José Padilha.
Esta será a segunda vez que Juliana Paes protagoniza um remake de Jorge Amado. Em 2012, a atriz incorporou a lendária Gabriela em uma das novelas das 23h de maior audiência na TV Globo, dirigida por Mauro Mendonça Filho. Na versão fílmica de 1976, de retumbante êxito, o famoso trio Dona Flor Flor e seus Dois Maridos foi interpretado por Sônia Braga, José Wilker (Vadinho) e Mauro Mendonça (Teodoro). Já na TV, a minissérie de 1998, dirigida por Maurinho Mendonça, teve Giulia Gam, Edson Celulari e Marco Nanini nos papéis principais.
No filme de Pedro Vasconcelos, os maridos serão Marcelo Faria (Vadinho) e Leandro Hassum (Teodoro).
Despedida
Atualmente, Juliana Paes pode ser vista na telona no filme ‘A Despedida’, do premiado diretor Marcelo Galvão. O filme recebeu 4 Kikitos no Festival de Gramado, há 2 anos, incluindo o de Melhor Atriz para Juliana. E antes que o ano acabe, Juliana volta ao Projac para os primeiros trabalhos de preparação de elenco rumo à próxima novela de Glória Perez, do horário nobre, a ser exibida em 2017.
Juliana

Juliana Paes também está em Dois Irmãos, série já gravada e ainda inédita, sob direção de Luiz Fernando Carvalho, da obra do escritor amazonense Milton Hatoum, que pode ir ao ar em janeiro.

Depois do sucesso da novela Totalmente Demais, Juliana Paes adotou o look que exibe agora com novo corte de cabelo…

Gramado já recebe inscrição de filmes

Gramado 1

Festival mais importante e mais tradicional do Brasil inscreve para sua 44a edição…

Abertas as inscrições para a 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado. O tradicional festival que acontece na serra gaúcha está recebendo filmes para as mostras competitivas de longas-metragens brasileiros e estrangeiros e curtas brasileiros. As inscrições podem ser feitas no site www.festivaldegramado.net, através do qual também está disponível o regulamento oficial da competição.

Os realizadores podem submeter seus trabalhos até 1º de junho. Além do cobiçado KIKITO, serão distribuídos 280 mil reais entre os vencedores das mostras competitivas.  A curadoria de longas-metragens segue com a presença de Rubens Ewald Filho, Eva Piwowarski, e Marcos Santuario.

O Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema – Mostra Gaúcha de Curtas, promoção conjunta com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul,  também começará a receber inscrições este mês.

Gram KIK

Troféu mais cobiçado do Cinema Brasileiro terá nova edição em agosto…

Andréia Horta vai eternizar Elis Regina no Cinema

Semelhança de Andréia Horta com Elis Regina impressiona…

ELIS, cinebiografia em homenagem à cantora Elis Regina, será lançado no próximo semestre, e traz Andréia Horta no papel-título e em caracterização que a deixou mega parecida com a saudosa “Pimentinha“. O filme narra a vida da cantora gaúcha desde sua chegada à capital carioca até sua morte em 19 de janeiro de 1982. A direção é de Hugo Prata, que assina seu primeiro filme.

Andréia Horta, que atualmente protagoniza a novela Liberdade, Liberdade, diz acreditar na força dos sonhos. Sobretudo porque desde os 19 anos, quando leu a biografia da cantora , desejou interpretá-la: “Foi uma cabeçada. Fiquei completamente apaixonada e comecei a desejar fazê-la um dia”.

Elis e Andreia

Durante o processo de produção do filme, Andréia teve problemas de agenda e quase perde a chance de assumir Elis: “Quando saiu a grana do projeto, fui chamada para fazer uma novela e não teria condições de me preparar. Tive que sair, mas acabei voltando. Acho que a Elis não deixou. Ela foi lá e me trouxe de volta”.

Andréia Horta conta que passou por uma intensa rotina de preparação vocal e corporal: “No filme é a voz dela, porque quando você a ouve, o coração balança. Fizemos um filme justamente porque ela canta como ela canta. O trabalho de canto foi exaustivo porque eu tinha que ‘encostar’ nela. A voz é da Elis, mas minha veia tem que saltar quando a dela salta, minha respiração tem que ser a mesma.”

Elis PB

Elis Regina: força, carisma, voz e interpretação que entraram para a História !

Os olhos de Andréia se enchem de brilho quando fala de ELIS: “Era uma mulher fiel aos seus impulsos, com uma capacidade de elaboração das coisas incrível. Um ouvido brilhante ! Os músicos diziam que ela era um instrumento, porque era um absurdo de escuta musical. Tinha também um lado caseiro, que eu desconhecia.Tudo nela me interessa”. A atriz afirma que um dos momentos mais tocantes nas filmagens foi quando gravou a música O Bêbado e o Equilibrista, que tornou-se um clássico da MPB e um hino do movimento da Anistia. Além disso, Andréia lembra da emoção de cantar o clássico Fascinação. “Era como se eu estivesse cantando para ela”.

Enfim, Elis Regina tem data marcada para chegar aos cinemas…

 João Marcello Bôscoli, filho mais velho da cantora (que tinha 11 anos quando Elis morreu), diz estar satisfeito com os trechos que viu do filme. João Marcelo declara também que muitas pessoas se interessaram em levar a vida de Elis ao cinema, mas nada foi adiante. Segundo ele, o diretor Hugo Prata é quem foi ousado e não desistiu da ideia, realizando um projeto de forma autoral: “O Hugo disse que ia fazer e fez. É seu primeiro filme e as pessoas estão surpresas com o resultado”.

Andréia Horta no set durante as filmagens de ELIS

O diretor HUGO PRATA, que declara ser um apaixonado por música, diz que seu primeiro longa-metragem, não poderia fugir ao tema: “Essa história precisava ser contada. Elis reúne todas as características de um bom personagem. É forte, controversa, apaixonada, brava, profunda, polêmica e, além de tudo, uma artista excepcional. Colocava muita paixão em tudo, sempre. E isso é fundamental”.

Comentando a eleita Andréia Horta para o papel da cantora, Hugo Prata enxerga a escolha pela sensibilidade: “Ela teve a compreensão da personagem e a força dramática. Foi difícil traduzir essa mulher tão complexa, grande e forte. Andréia trabalhou o tempo todo no limite da emoção, assim como a Elis. Tentamos levar isso para a tela. E acho que conseguimos. Mas foi com muito sangue, suor e paixão”.

Andréia Horta e o desafio de viver a história da eterna Elis Regina

Esse Vazio estreia hoje no Teatro Glaucio Gill

Vazio

 

O vestiário masculino de um pequeno clube de uma cidade do interior é o cenário para o encontro de três amigos de infância: Hugo, Lucas e Max. A razão da reunião é triste: na sala ao lado, Matias, o quarto integrante do grupo, está sendo velado. Inédito no Brasil, o texto Un Hueco (título original), do autor e diretor teatral argentino Juan Pablo Gómez, ganha sua primeira montagem brasileira.

Idealizada e adaptada por Daniel Dias da Silva, a versão brasileira da peça – levada ao palco pela primeira vez em Buenos Aires, em 2009 – ganhou o nome de Esse Vazio. A estreia é neste sábado, 7 de maio, no Teatro Glaucio Gill. Com direção de Sergio Módena, a produção traz no elenco Gustavo Falcão, Sávio Moll e o próprio Daniel.

Gustavo e Vazio

Gustavo Falcão encabeça elenco de peça argentina inédita no país…

A trama de Esse Vazio acontece dentro do vestiário, de onde o trio observa a movimentação em torno do velório, o comportamento das pessoas e os interesses dos familiares. Dos quatro amigos, apenas Hugo (Gustavo Falcão) deixou a cidade natal em busca de novas perspectivas numa metrópole – e agora está de volta para o enterro. Lucas (Sávio Moll) e Max (Daniel Dias da Silva) permaneceram na cidade, assim como Matias, funcionário do clube que eles frequentavam juntos na juventude. Como não se encontravam há alguns anos, Hugo faz questão de ressaltar como Lucas e Max ficaram parados no tempo, enquanto ele amadureceu desde que foi morar na cidade grande. “São os bastidores de uma amizade. É como se a gente tirasse um véu dessas relações e o público pudesse espiar esse encontro”, conta Gustavo Falcão.

Vazio 1

O velório de Matias e o retorno de Hugo coloca os amigos diante da imensidão do vazio e da solidão evocada pela morte. No pequeno vestiário, um local intimista e reservado, eles refletem sobre o sentido e as perspectivas de suas vidas, a felicidade e a dor do amadurecimento e a falta de horizontes. Aos poucos, redefinem seus conceitos de distância e de amor fraterno. “O vazio causado pela perda desse amigo faz com que eles se reúnam e descubram os próprios vazios. São pessoas que eram muito próximas e, a partir do momento em que se reencontram, surgem vários comportamentos antigos. Mas, ao mesmo tempo, você percebe uma distância enorme entre eles”, diz Sergio Módena.

Vazio Gustavo

Com Esse Vazio, a Territórios Produções, dos atores Daniel Dias da Silva e Gustavo Falcão, estreita ainda mais o diálogo com o público brasileiro através da dramaturgia latino-americana – processo iniciado com a montagem de Matador, do venezuelano Rodolfo Santana, em 2012. “O interessante no texto do Juan Pablo é não existir uma busca por respostas definitivas, como acontece na vida. É um flagrante daquele instante”, ressalta Daniel Dias da Silva.

ELES EM CENA

JUAN PABLO GÓMEZ (autor) – Autor e diretor teatral, formado em Licenciatura em Artes Combinadas na Universidade de Buenos Aires. Trabalhou como assistente de direção ao lado do renomado autor e diretor argentino Rafael Spregelburd, em La Estupidez e La Modestia e em El Pasado es un animal grotesco, de Mariano Pensotti, com os quais participou de festivais na América Latina e nos Estados Unidos.

Sua estreia como diretor foi em 2001 com Marambio e, em seguida, dirigiu Los demás no Existen e Vuelve la Rabia (em colaboração com Walter Jakob), que mereceu o Prêmio Metrovías de Textos Teatrais. Em 2009, estreou Un Hueco, no vestiário do Clube Estrela de Maldonado. Escrito em colaboração com os atores Patrício Aramburu, Nahuel Cano e Alejandro Hener, a peça ficou em cartaz por três anos consecutivos e participou de diversos festivais.

SERGIO MÓDENA (diretor) – Bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp. Também é formado pela École Philipe Gaulier em Londres, onde realizou especializações em Shakespeare, Tchecov e Melodrama. Seus trabalhos mais recentes como diretor são:Como me tornei estúpido, adaptação da obra de Martin Page feita por Pedro Kosovski; Janis, de Diogo Liberano, Ricardo III, de William Shakespeare; A arte da comédia, de Eduardo De Filippo, Politicamente incorretos, Forró Miudinho, Bossa Novinha- A Festa do Pijama e Sambinha, musicais de Ana Velloso; A revista do ano – O Olimpo Carioca, de Tânia Brandão, As mimosas da Praça Tiradentes, de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche e o  show Paletó de Lamê – os grandes sucessos (dos outros).

Seus últimos trabalhos receberam inúmeras indicações nos principais prêmios do Rio de Janeiro: Ricardo III nos prêmios Cesgranrio, Shell, APTR, FITA e APCA-SP; A Arte da comédia nos prêmios Cesgranrio, Shell, FITA e APCA-SP; e os musicais Sambinhae Bossa Novinha nos prêmios Zilka Sallaberry e CBTIJ. Em 2016, ganhou o prêmio CBTIJ de melhor direção por Forró Miudinho.

DANIEL DIAS DA SILVA – Ator, autor, diretor e tradutor. Formado pelo Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará. Estudou dramaturgia no Instituto Dragão do Mar. Lá, atuou em diversas peças: Jacques e seu amo, de Milan Kundera eViúva, porém Honesta, de Nelson Rodrigues. Morando no Rio desde 1998, dedicou-se mais intensamente à direção, tendo trabalhado como diretor assistente de Gracindo Junior, Luiz Arthur Nunes e Walter Lima Junior. Durante sete anos (2008-2015) ocupou o cargo de diretor do Teatro João Caetano.

Atuou nos longas Eu Não Conhecia Tururu, de Florinda Bolkan e As Mães de Chico Xavier, de Glauber Filho e Halder Gomes. Dirigiu as peças Cara a Tapa, A Moratória,Depois daquele Baile e Dirigir-se aos Homens, além dos infantis Caqui – Uma Fábula Circense e Êta, seu Bonequeiro, O Duende Rumpelstiltskin e os musicais O Gato de Botas, com Andrea Veiga e O Boi da Cara Preta.  Na TV, seus trabalhos mais recentes foram nas telenovelas Alto Astral e Êta, Mundo Bom, ambas de TV Globo, sob direção geral de Jorge Fernando.

No teatro, esteve no elenco de Um Sopro de Vida, dirigido por Roberto Bomtempo, O Santo Parto, com direção de Luiz Arthur Nunes e no infantil Escola de Anjos, dirigido por Gamba Junior. É autor das peças Oropa, França e Bahia (adaptada para o cinema com direção de Glauber Filho), Eu Sou Mais 500, A Terra É Azul e Uma Canção para Eulália. Em 2012, ao lado de Gustavo Falcão, atuou e produziu o espetáculo Matador, do venezuelano Rodolfo Santana, sob direção de Susana Garcia e Herson Capri.

GUSTAVO FALCÃO – Começou a sua carreira em Recife, sua cidade natal, tendo participado de montagens com Os biombos, de Jean Genet e Esperando Godot, de Samuel Bekcett. Por sua atuação em Para um Amor no Recife, foi agraciado com o Prêmio de Melhor Ator de 1999 da Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco).

Participou da montagem de A Máquina, de João Falcão, e também da versão para o cinema. Recebeu o Prêmio de Ator Revelação no Festival de Cinema de Natal. Entre os seus trabalhos mais recentes estão as peças Ariano, musical dirigido por Gustavo Paso em homenagem a Ariano Suassuna, e Bartleby, o Escriturário, dirigido por João Batista. Atuou e produziu, ao lado de Daniel Dias da Silva, Matador, produção anterior da Territórios Produções. Seu mais recente trabalho no teatro foi no espetáculo Race, de David Mamet, dirigido por Gustavo Paso, pelo qual foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator de 2015.

Em 2007, fundou com a mulher, a atriz e acrobata aérea Juliana Féres, o espaço cultural Lunático Café e Cultura. No cinema, está no elenco dos longas Fica Comigo esta Noite, de João Falcão, Árido Movie, de Lírio Ferreira, As Mães de Chico Xavier, de Glauber Filho e Halder Gomes e Praça Saens Peña, de Vinícius Reis, além de ter atuado em 13 curtas-metragens. Na TV, atuou em novelas como Cobras e Lagartos e As Filhas da Mãe, além das séries Mandrake, da HBO e Carandiru – Outras Histórias e Amor Te Amo, ambas da Rede Globo.

SÁVIO MOLL – Ator formado pela UNIRIO e pela CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), também estudou na Escola Nacional de Circo. No teatro, atuou emPinteresco, de Harold Pinter sob direção de Ary Coslov, Two Roses for Richard III, da Cia. Bufomecânica em coprodução com a Royal Shakespeare Company e em As Centenárias, de Newton Moreno e direção de Aderbal Freire-Filho.

Participou do espetáculo O Púcaro Búlgaro e O que Diz Molero, ambos com direção de Aderbal Freire-Filho, A incrível confeitaria do Sr. Pellica, autoria e direção de Pedro Bricio, Minha Alma É Imortal, de Jefferson Miranda e A Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna e direção de Elza de Andrade. Mais recentemente, esteve no elenco da elogiada montagem de Santa Joana dos Matadouros, de Bertolt Brecht, com direção de Marina Vianna e Diogo Liberano.

Na TV, apresenta o programa Estação Saúde, do Canal Futura participa atualmente da nova temporada de DPA, no canal Gloob. No cinema, atuou no filme Corda Bamba, dirigido por Eduardo Goldstein. Foi integrante dos projetos Doutores Palhaços (Fundação Theodora – Suíça) e Doutores da Alegria, tendo estudado com mestres da palhaçaria, entre eles Luis Carlos Vasconcelos, Phillipe Gaulier, Florant Pelayo, André Riot Sarcey, Nani e Leris Colombaione e Leo Bassi. Também tem experiência como professor de artes cênicas em comunidades da periferia do Rio e voltado para crianças e jovens de escolas públicas, já tendo atuado em diversos projetos sociais, como Horizontes Culturais e Escolas de Paz.

FICHA TÉCNICA

Direção: Sergio Módena

Texto: Juan Pablo Gómez (em colaboração com Patrício Aramburu, Nahuel Cano e Alejandro Hener)

Tradução: Daniel Dias da Silva

Elenco: Gustavo Falcão, Daniel Dias da Silva e Sávio Moll

Cenário: Claudio Bittencourt

Figurinos: Victor Guedes

Iluminação: Tomás Ribas

Programação visual: Gamba júnior

Design do projeto: Antonia Muniz

Assist. Direção / Fotos de Divulgação / Stand-in: Daniel Moragas da Costa

Mídias Sociais: Rafael Teixeira

Direção de produção: Daniel Dias da Silva e Gustavo Falcão

Realização:  Territórios Produções Artísticas

Vazio eles

Sávio Moll, Daniel Dias e Gustavo Falcão encenam Esse Vazio…

SERVIÇO

ESSE VAZIO

Peça de teatro em temporada de 7 de maio a 13 de junho de 2016.

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde s/n – Copacabana).

Informações: (21) 2332-7904 | 2332-7970

Dias e horários: Sábados, domingos e segundas, às 20h.