Belchior avisou: Nordeste é uma ficção

Durval Muniz de Albuquerque Jr.*

Quando escrevi “A Invenção do Nordeste e outras artes“, no início dos anos noventa, não conhecia a canção de Belchior, “Conheço o meu lugar”, gravada por ele no final dos anos setenta. Se conhecesse, é evidente que teria escolhido a estrofe que diz: “Nordeste é uma ficção, Nordeste nunca houve”, para epígrafe da minha tese de doutorado, que se transformaria em livro. 

Teria prestado uma justa homenagem à genialidade do poeta cearense que intuiu, duas décadas antes, aquilo que minha pesquisa de historiador iria confirmar: o Nordeste é uma ficção, pois fruto da elaboração humana, da construção de sentidos e significados, muito estereotipados, para um dado recorte regional, região que é também uma fabricação humana no campo da cultura. Como realidade natural ou como uma coisa já dada, como um espaço que existiu desde sempre, Nordeste nunca houve.

Eis que por diversos caminhos, eu e Belchior, que nos desencontramos nos anos noventa, não paramos de nos encontrar em distintas produções culturais dos últimos tempos. Fico muito feliz e lisonjeado que artistas de diferentes áreas venham se inspirando em minha obra para questionarem o imaginário em torno da região Nordeste e em torno do ser nordestino. E mais feliz me torno ao me ver entrelaçado com homenagens mais do que merecidas ao desditado músico, cantor e artista múltiplo sobralense. 

Tal como faço em “A Invenção do Nordeste”, Belchior, em “Conheço o meu lugar“, contesta o lugar estereotipado, o lugar de “baiano” ou de “paraíba”, que sua origem nordestina o reservava nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao afirmar que não pertencia ao lugar dos esquecidos, à nação dos condenados, ao sertão dos ofendidos, o poeta cearense afirmava a sua consciência de pertencer a uma classe média, a um setor privilegiado da sociedade nordestina, ou seja, ele afirmava que conhecia seu lugar de classe, embora estivesse sendo alojado num lugar de subalternidade só por ser nordestino.

Nordeste ficção, enunciado saído da música de Belchior, nomeia o trabalho musical, recém-lançado nas plataformas digitais, pela cantora, compositora e atriz potiguar Juliana Linhares, que traz na capa trecho de “A Invenção do Nordeste” como se fosse uma carta assinada por mim. A música que dá título ao trabalho, “Nordeste ficção”, de autoria da própria Juliana, traz em um de seus refrãos as afirmações de que o Nordeste é uma ficção científica, o Nordeste é uma invenção política, o Nordeste é uma criação artística, fazendo eco a teses centrais de meu livro e aos versos da canção de Belchior. 

Produzido por Elísio Freitas, com direção artística de Marcos Preto, o álbum se compõe de onze faixas, com duas parcerias de Juliana com Chico César e uma com Zeca Baleiro, a regravação de “Tareco e Mariola”, de Petrúcio Amorim, e uma música inédita de Tom Zé. 

Além da belíssima voz de Juliana, dos arranjos inovadores para as sonoridades ditas nordestinas, sem deixar de estar nelas referenciadas, podemos dizer que o álbum de Juliana nos coloca musicalmente na vivência de entrelugares, que é a experiência da maioria dos nordestinos, fadados a migração, a desterritorialização, a transplantação, como muito bem figura a bela imagem, presente na canção título, de um cacto sertanejo plantado na soleira da porta de um prédio de cidade grande, mal cuidado, esquecido, quase sem raízes, mas, por isso mesmo, podendo se imaginar ramificando, se espalhando por outros espaços.

O documentário “Oxente, Bixiga!“, dirigido por Daniel Fagundes e Fernanda Vargas, produzido pela “Caramuja: pesquisa, memória e audiovisual”, traz logo na abertura, como síntese do que a obra se propõe a fazer, os versos de Belchior: “Não há pranto que apague dos meus olhos o clarão, nem metrópole onde não veja o luar, o luar do sertão”.

Durante pouco mais de uma hora, somos levados a um encontro com as múltiplas camadas de memórias, vivências e saudades que configuram a história do bairro do Bixiga, em São Paulo, com ênfase nas memórias dos nordestinos. 

O documentário é uma verdadeira etnografia poética do povo brasileiro, de seus trânsitos, de suas viagens, de suas dolorosas experiências de viver entre lugares, mas também da potência criativa, das belezas estéticas e existenciais que nascem dos encontros entre vidas e realidades tão diversas. 

Gente como a mãe da cineasta, que saiu do Ceará para fugir da violência paterna e foi se casar em São Paulo, com um exilado boliviano fugindo da violência política. Gente como Belchior que, vivendo no porão de um prédio ainda em construção, no bairro do Bixiga, pode ter aí criado muitas das pérolas musicais que comporiam seu LP Alucinação. 

Quando em entrevista para o documentário, falei da saudade como experiência fundamental da maioria dos brasileiros, dos nordestinos, dos cearenses – como os da cidade de Mombaça, que fazem o trânsito permanente entre o Bixiga e o interior do Ceará -, por sermos um povo em sua maioria esquecido, condenado, ofendido, desterrado, não imaginava que mais uma vez estaria me encontrando com Belchior, estaríamos nos encontrando na saudade, na ausência dessa presença cada vez mais incontornável da cultura brasileira, a presença do gênio que enunciou, por vez primeira, que Nordeste é ficção, com ele que morreu esquecido e abandonado numa fria cidade do Sul do país. 

Esse é um país que adoece, enlouquece e mata suas maiores inteligências! Resultado: a ignorância no poder.

*Durval Muniz de Albuquerque Jr é Professor da Pós-Graduação da UFPE e UFRN. Autor de diversos livros fundamentais para a compreensão da sinonímia Nordeste e Sertão, entre eles “A Invenção do Nordeste”.

Carta ao amado LG com o pranto a me correr

                                                                Aurora Miranda Leão

Quando eu nasci, era ano de Torneio de Xadrez e você não ganhou por pouco, talvez por me esperar há tanto tempo com o coração cheio de contentamento pela sua Aurora que vinha a caminho. Você era tão bom enxadrista que ficou em segundo lugar mas sempre disse que o maior troféu você ganhou quando eu nasci.

Contava sempre do dia em que chegou à maternidade e logo se preocupou ao não me ver no quarto. Disse que saiu correndo e foi me procurar enfurecido pelos corredores; encontrou-me com duas enfermeiras que disseram ter-me levado “para dar um meio-banho”. E você disse bem raivoso: “Que meio-banho que nada: não pode tirar minha filha de perto da mãe”. Você falava isso com tanto orgulho, ao mesmo tempo rindo das moças que tinham ido me banhar.

Você foi sempre assim, todo cheio de cuidados, atenção, mimos e amores comigo. Loló, Lolita, Litote, você era o rei dos apelidos e pra mim tinha sempre os melhores ínsitos. E como você ficava feliz de caminhar junto comigo. Nas idas à praia do Caça & Pesca que você amava tanto, eu era sua companheira na longa caminhada a pé pelas areias, e na volta você sempre parava para ir comer umas piabinhas e degustar um barbudo, que você dizia ser o melhor peixe do Ceará. E era mesmo. Por isso é tão doloroso saber que você partiu e eu não pude sequer te dar o enorme abraço de gratidão e amor que você sempre mereceu.

Lembra quando sofri um acidente com a mãe na rua Padre Mororó, no centro da sua amada Fortaleza ? Eu lembro como fora hoje: mãe dirigia um fusca vermelho, placa AD 1199, tinha ido te levar ao trabalho no Banco do Nordeste, aquele edifício bonito e imponente no qual ficava o Cine São Luis. De lá, ela foi fazer alguma coisa que não consigo lembrar mas guardo bem a memória do ônibus que pegou nosso carro na hora que o sinal abriu. A pancada foi violenta, o carro se acabou mas eu pulei no colo dela quando vi que o ônibus vinha. Nós duas não tivemos nada: ela ligou te contando e a grande lembrança que trago desse dia é você correndo feito louco, descendo a Guilherme Rocha em disparada, com seu terno de linho branco, ávido para ver se eu realmente estava bem. Como não havia falado comigo, você achou que mamãe escondia alguma coisa. Mas eu estava ilesa, pai, e sua imagem correndo, louco pra me ver e me pegar no colo, permanece indelével na parede da minha memória.

Que delícia foram os anos de férias que você me proporcionou na Cidade Maravilhosa ! Como você amava o Rio, embora sempre ressaltasse que cidade boa era Fortaleza “porque é toda plana”. Cresci, o joelho avisou que não era mais mocinha e passei a entender porque é tão importante uma cidade plana.

Foram 3 anos seguidos de adoráveis férias cariocas, em apartamentos imensos que você alugava no Rio: os dois primeiros em Laranjeiras – como você amava a General Glicério ! -, e um terceiro na Tijuca. E você passou a nos levar ao Tijuca Tênis Clube. Outro lugar do Rio que te encantava era o Clube Costa Brava com sua piscina cheia de pedras e água do mar ! Você aprovava e eu ia junto: que férias mais preciosas você me ofertou, Paizinho ! E picolé de limão, você lembra ? Nunca vi alguém gostar tanto de picolé de limão: você pagava quantos a gente quisesse, pros filhos, pros primos, pros amigos. Você parava a carrocinha da Kibon e haja a tomar picolé de limão. O picoleiro já te conhecia e toda tarde ele passava pelas ruas da nossa convivência para ver você se fartar de alegria e limão, feliz da vida por estar curtindo férias ao lado da família.

Depois vieram muitas outras mas eu já estava apaixonada pelo Rio: quando você foi de lá com sua amada Marlene para Buenos Aires e insistiu pra que eu fosse, eu recusei e disse que não queria ficar longe do Rio. Você tinha muitos amigos enxadristas na capital portenha e amava a Argentina como eu a amo, desde então e sempre mais.

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LG de Miranda Leão, meu melhor companheiro de praia, amigo da vida toda…

As férias em Recife também eram um prato cheio pra ficarmos juntos e irmos tomar nosso banho entre algas e sargaços. Você foi sempre um apaixonado pelo mar e saudava o sol com uma alegria tão imensa que é você quem primeiro me vem ao coração quando vejo um sol escaldante, arretado de bonito, em qualquer lugar onde esteja, tão forte e inspirador como o da nossa amada Fortaleza.

Lembro do dia em que você ia voltar de uma das férias cariocas – você sempre voltava antes da mãe porque o trabalho do BNB te exigia. E nesse dia, lá no apartamento dos avós na Senador Vergueiro, tocou uma música que bateu tão fundo em mim que caí no choro de saudade de você. Lembro como se fora hoje: eu era garotinha, talvez 8 ou 9 anos mas fiquei com o coração dilacerado porque a gente ia se separar.

Eu sempre tive isso de chorar com saudade de você. A música “O filho que eu quero ter”, do Velho Vina – como vc chamava carinhosamente nosso amado Vininha -, eu nunca consegui ouvir sem chorar. Que saudade me dava de você, emoldurando um medo infinito e quase inexplicável de te perder sem conseguir viver tudo que sempre foi possível ao seu lado.

Lembro de uma noite que voltávamos pra casa, vindos de uma homenagem ao vô Miranda que tinha acontecido na UFC: você vinha num carro diferente do que eu estava e me deu um aperto enorme de achar que você poderia ter sofrido um acidente no caminho, e também caí no choro. Só descansei quando nos abraçamos ao chegar em casa.

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Desde garota, LG me ensinou a importância de ir cumprimentar os artistas no camarim e assim fizemos grandes amigos, como o querido Clemente Vizcaíno – Rio, final dos anos 1980…

Tempos depois, no dia da estreia de um programa na Rádio Universitária FM, no qual eu fazia a locução, com patrocínio do seu querido Banco do Nordeste – que você carinhosamente chamava de “O Conterrâneo”; afinal, você foi por décadas assessor da presidência do BNB e aquela era uma marca fortemente associada à instituição -, eu caí no choro ao lembrar de você, do quanto eu aprendi com você, do tanto que você era uma imensidão dentro de mim e do quanto queria você por perto. EU QUERIA VOCÊ POR PERTO SEMPRE, Pai. Eu te amava sem medida de tempo, espaço, sem fronteira, sem obstáculo.

Você era tão gentil, educado e generoso que esses são alguns dos traços dos quais as pessoas mais se lembram pra falar sobre você. Sua delicadeza era tamanha que quando, raramente, pedia alguma coisa, avisava logo: “Não tem pressa, minha filha, faça só quando puder”. E sempre se despedia, ao vivo ou por telefone, dizendo: “Se precisar de mim, tô aqui, viu ?!”

Por causa de você, e com você, conheci enormes intelectuais e grandes figuras humanas: como eu gostava do Mestre Aurélio, seu fiel amigo ! Que encontros felizes tivemos com Antônio Houaiss, Rocha Lima, Paulo Rónai, Vianna Moog, Vinícius de Moraes, Walter Hugo Khoury, Gilberto Freyre, Fernando Sabino, Jorge Amado, Darcy Ribeiro, Juarez Machado, Manuel Puig, Fernando Solanas…

Com o cineasta Walter Hugo Khoury, uma amizade cheia de afeto e afinidade

Que lembranças felizes dos primeiros teatros, os primeiros filmes, a ida constante ao circo para ver os mágicos, que você achava a melhor parte do entretenimento, como eu. Sou apaixonada por mágicos até hoje, assim como também embarquei no seu fascínio pelos fogos de artifício, que nós achamos a parte mais bela e deslumbrante de qualquer espetáculo no qual apareçam.

Foi você quem me deu os primeiros discos, como também me deu o primeiro relógio e o primeiro radinho de pilha: fiquei tão feliz mas não consegui esconder meu encabulamento, tímida que era naquele tempo, porque sempre achei que estava dando despesa e você me dando mais do que merecia. Os discos eram de Chico Buarque e Vinícius de Moraes e eles passaram uma vida inteira comigo. Mais tarde, a mudança de cidade me forçou a me desfazer deles, mas a música e a poética desses dois gigantes me acompanham desde sempre. Você sempre foi extasiado por música, amava a Bossa Nova, era encantado com Nara Leão e Astrud Gilberto, Tito Madi e Carlinhos Lyra. Apreciador contumaz de tango, Gardel, LePera, Piazzolla e Orlando Silva mas eu nunca aguentei ouvir essas músicas sem chorar. Mesmo ao seu lado, elas me provocavam uma tristeza imensa. Foi também por você que acabei me apaixonando por Ernesto Nazareth ao som do piano de Arthur Moreira Lima. Que preciosidade é a Música: Beethoven, Bach, Tchaikovski, você me aproximou de todos eles e me ensinou a senti-los com os ouvidos do coração. Foi você também quem me trouxe os Afro-Sambas de Baden Powell e Vinícius e me chamou a atenção para a beleza do Samba da Bênção. Assim como me alertou para o talento e beleza de Léa Garcia e Neila Tavares, de quem os caminhos da Arte me trouxeram as amizades.

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O encontro com a cineasta da Nouvelle Vague, Agnés Vardá, em Fortaleza, 2009.

Você sempre gostou mais de Cinema – “A arte mais rica de todas”. Achava que o teatro carecia maior síntese. Novela então… você dizia que levava-se tempo demais para dizer alguma coisa que o cinema diria em minutos, mas você também era um amante da televisão e via de tudo um pouco, sobretudo das novelas e programas de debate: nunca esqueceu Beto Rockfeller e tinha um apreço enorme por Luiz Gustavo, o protagonista. Como você adorava Ziembinski, que você carinhosamente chamava de Zimba e me levou para conhecê-lo quando ele esteve em Fortaleza. Era tão fã do dramaturgo Bráulio Pedroso que um dia fomos encontrá-lo lá no Teatro da Pequena Cruzada, na Fonte da Saudade (Lagoa/RJ).

Ademais, foi você quem desde menina me foi alimentando o gosto pelo teatro e o apreço pelas artes: assinava os três principais jornais daqueles anos 70-80-90: O Globo, Folha e Estadão, além das principais revistas e estava sempre trazendo livros(fazia coleção de dicionários) e me presenteando com obras literárias dos mais diversos autores . Que estante fabulosa era a sua ! Quem chegava em casa, sempre se impressionava com o número de livros e de filmes que você tinha, algo em torno de  5 mil.

E me dizia desde pequenina quando o assunto era teatro: “Loló, você precisa conhecer o Aderbalzin !” E eu conheci com você, e tive aulas incríveis com ele, ficamos amigos e, por mais de uma vez, ele foi lá em casa para jantar conosco e uma turma grande do teatro cearense. Uma conversa adorável que varou a madrugada. Tenho até foto do querido Aderbal Jr, que depois virou Aderbal Freire-Filho, com minha amada filha Joyce no colo. Aliás, seu amor e encantamento com a neta era algo transcendental. Aderbal era filho do seu grande amigo, Aderbal Freire, e você sempre foi fiel em todas as suas opções.

A chegada de Joyce reabasteceu LG de vitalidade, alegria e leveza: a neta dominou completamente o coração do avô

Joyce chegou em meados dos anos 80 e veio para dar uma guinada total na sua vida: parecia a filha que você sempre quis ter: você era pai, avô, irmão, companheiro, parceiro, professor, contador de história, tudo na vida dela. Quanta sintonia e incomparável afinidade: qualquer pessoa que os visse juntos, ficava seduzido com aquela aliança sentimental que ultrapassava qualquer noção de idade, conhecimento, incompatibilidade de interesses. Se a neta demonstrava gostar de alguma coisa, lá ia você e passava a gostar também. E o vice-versa funcionava na mesma rapidez. Você levou a pequena Joyce tantas vezes para se divertir com teatro de bonecos e como amava vê-la sorrindo e encantada com a arte de contar histórias. Por isso também, PAI, intensamente, por ter adotado minha filha como sua parceira de alegrias e narrativas e companheira de todas as ideias, viagens e sonhos, eu também lhe sou eternamente GRATA. Por causa da Joyce, até carnaval entrou na sua agenda e você foi curtir com ela e mamãe em Recife… e, de repente, lá estavam vocês curtindo o monumental Galo da Madrugada ! Como dizer a você que você foi muito mais do que eu jamais poderia imaginar ? Como te dizer neste momento que você foi uma permanente bênção nas nossas vidas ?

Bom, meu LG Amado, Imensurável e Inolvidável: isso é o que consigo te dizer por ora. Há muito mais e nunca vai acabar porque eu terei sempre coisas lindas, leves, engraçadas, edificantes e inspiradoras pra dizer sobre você.

LG de Miranda Leão: lacuna imensa na crítica de cinema do Brasil

Deixo por aqui meu abraço colossal em Você, PAI, e você o divide com nossa amada Marlene, e, sobretudo, expresso um MUITO OBRIGADA GIGANTE que só não é MAIOR que o descomunal AMOR e ADMIRAÇÃO que tenho por você, de hoje, de ontem, de amanhã, PARA TODO O SEMPRE, desde quando você trocou sua indubitável paixão pelo tabuleiro e as jogadas de Mestre, para me carregar no colo e dizer: “Vem, Loló, o Pai vai tá sempre aqui ! Isso aí que você tá sentindo não vale nada, num instante passa”.

Tomara, PAI ! Tomara LG !

SAUDADE, SAUDADE, SAUDADEEEEEEEEEEEEEE MONSTRUOSAAAAAA ! Dilacerante, sem conserto. TE AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO Infinitamente e por todas as vidas que ainda hei de ter !

“Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança, que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo, nos teus passos você foi mais eu…”

VI Simpósio Internacional “Fusões no Cinema” começa dia 20

Cinema, Arte e Educação serão discutidos, a partir de Portugal

Nos próximos dias 20 e 21 de novembro, Cinema e Educação estarão em destaque na 6a edição do Simpósio Internacional “Fusões no Cinema”. A realizar online, esta primeira parte do evento é organizada pela Universidade Aberta (UAb), a Unidade Móvel de Investigação em Estudos do Local (ELO) e o Caminhos do Cinema Português, em parceria com o Plano Nacional de Cinema (PNC). Docentes, investigadores, oradores convidados e especialistas analisarão práticas atuais e os novos desafios que se apresentam sobre o papel artístico e educativo do cinema.

Durante os dois dias do evento, o Cinema será tratado como Arte, e sobretudo como meio e ferramenta pedagógica, num contexto em que o ensino à distância e o teletrabalho se tornaram estruturas cruciais para a sociedade.

Acreditada como ação de curta duração para professores pelo Centro de Formação Leonardo Coimbra da Associação Nacional de Professores, a iniciativa destina-se aos interessados na temática do cinema e a todos os agentes envolvidos no campo da Arte, da Educação e da Cultura, especialmente educadores e docentes que usem pedagogicamente o cinema nas suas aulas.

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O Simpósio Fusões no Cinema será transmitido pelo YouTube Studio – Canal ELO/UAb. Basta acessar: https://www.youtube.com/c/ELOUnidadeMóvelemEstudosdoLocal_UAb

A segunda parte deste Simpósio Internacional, mais focada na relação entre Arte e Cinema, decorrerá em Coimbra, dias 27 e 28 de novembro.

E no entanto é preciso sambar…

Documentário de Valmir Moratelli é libelo contra o racismo

*Aurora Miranda Leão

           Faltam 30 dias para o carnaval começar. O cenário é a capital carioca, berço mais popular do samba, e as verbas para fazer a folia desfilar como Rainha na cidade, tão decantada em verso e prosa, perigam não chegar para garantir a festa que leva milhares à Passarela do Samba e encanta retinas do mundo inteiro. Dezenas de comunidades que trabalham o ano inteiro para fazer a tristeza sucumbir em meio a lantejoulas, ritmistas, baterias, confetes, atabaques, passistas, brilhos e adereços, e ver a algazarra acontecer, vivem dias de ansiedade e aflição com a espera que parece não ter fim.

             Diante desse dilema, o jornalista Valmir Moratelli, de longa estrada na cobertura do carnaval das escolas de samba cariocas, cansado de ver diariamente o descaso que a prefeitura do Rio de Janeiro distribui, desavergonhadamente, para as festividades de Momo, toma uma decisão insólita – própria de quem sabe que a resistência é pedra fundamental entre os que pensam arte, defendem a vida e semeiam a igualdade -, inspirado pela incongruência política e incompetência dos gestores municipais.

            O ano é 2018 e a decisão de Moratelli foi convergente com sua sensibilidade: escancarar o descaso com a cultura egressa do povo, que ele tanto admira, aplaude e acompanha. Jornalista antenado e consciente das demandas sociais de seu tempo, capaz de compor um bailado rizomático de imagens poéticas, a opção de Valmir para exercitar seu direito de protestar contra as injustiças e arbitrariedades sociais foi fazer um registro audiovisual sobre essa peleja da cultura popular contra o assombroso descaso governamental com a maior festa coletiva do Brasil. Juntou alguns amigos, angariou parceiros para levar sua ideia adiante, partiu para uma vaquinha virtual e assim foram nascendo os primeiros atalhos na trilha do seu objetivo.

               Exatamente, um mês depois disso, estava pronto seu primeiro ensaio imagético sobre os dias difíceis, tensos, aflitivos e ansiosos que antecederam o carnaval carioca de 2019: TRINTA DIAS, um Carnaval entre a alegria e a desilusão !

            O documentário marca de forma auspiciosa a chegada de Valmir no arâmio audiovisual: TRINTA DIAS é muito mais que um desabafo contra o flagelo a que a desastrosa classe política do Rio de Janeiro vem submetendo o carnaval da terra do inesquecível Lalá, o monumental Lamartine Babo (compositor de todos os hinos dos clubes de futebol carioca).

             Com câmera sensível e competente nos registros; muito bem elaborada fotografia; produção que nem parece ter atuado movida apenas pelo gás da vontade de documentar; edição cuidadosa; roteiro que revela a competência jornalística de seu criador; depoimentos fortes, bonitos, emocionados e emocionantes, o filme perfaz um caminho narrativo simples, ideal para dar seu vigoroso recado contra o preconceito, a intolerância religiosa, a escravização vergonhosa de que este país é herdeiro, e a favor da pluralidade e da emergência de novos paradigmas sociais.

           “Saravá, meu povo/Saravá, pai Oxalá !”. Canta assim o refrão do samba-enredo da escola Alegria da Zona Sul, protagonista da narrativa audiovisual de Valmir Moratelli. Aguerrida, decidida, intrépida e disposta a estar na Marquês de Sapucaí com toda a garra, alegria e disposição dos milhares de componentes da escola, a Alegria saiu pra passarela do samba debaixo de uma enorme chuva. E é nesse ponto que o filme começa com a voz imponente de Camila Xavier (diretora da ala das baianas da escola) convocando todas as mulheres da agremiação a adentrarem a avenida dando seu melhor, algo como “Cada uma de nós será a outra desfilando em beleza, força e emoção. Cada uma dará a mão a outra, cada uma ajudando a outra a se vestir: aqui cada uma é todas nós ! Vamos, juntas o tempo todo, ser a voz e a alegria de cada uma, ecoando pela Sapucaí com toda a força da nossa emoção e do nosso samba. Agora a Alegria é o Carnaval e nós vamos sacudir a Sapucaí !”

           A voz pujante e impávida de Camila anuncia nas entrelinhas o que iremos ver, não apenas no Sambódromo construído por Brizola mas, sobretudo, na forma como a escola da Alegria vai desfilar na avenida fílmica de Moratelli. Tudo no documentário “Trinta Dias” é construído com tocante singeleza: os preparativos dos artesãos da escola, o dia da tradicional feijoada, os passos dos brincantes em genuína celebração da festa que trazem no berço de sua ancestralidade, a desesperança do diretor da escola, o desestímulo do presidente da liga do grupo de acesso da folia, mergulhado em revolta e tristeza ao constatar o desprezo a que foi relegada a maior festa da cultura popular do planeta.

           Não há dúvida: há um poeta do jornalismo conduzindo o enredo que mescla desilusão e alegria mas em nenhum ponto desequilibra. Há um comunicador que tem o dom da fala e a eloquência da imagem para conduzir o desassossego que é mote do seu coração quando se fala em povo, carnaval, Rio de Janeiro e Cultura.

               “Trinta Dias” poderia ser um filme pequeno, contando apenas 30 dias de uma lenta (e inconcebível) agonia. Mas não: é muito mais que um registro audiovisual de uma fase ignóbil do carnaval do Rio. Valmir Moratelli mostra que quando entra na cena é pra valer e agiganta de forma notável a temática que embasa seu constructo audiovisual. Os trinta dias de tensão e afligimento da escola de samba “Alegria da zona sul” se transformam em senha para a metanarrativa que ele quer levar adiante.

         Além de Camila abrindo o filme com uma legenda imaginária que escreve Negritude, Feminismo e Liberdade em letras garrafais, o filme traz também os depoimentos de Luiz Antônio Simas, Fábio Fabato, Felipe Ferreira e Carolina Rocha Silva. Todos num belo mosaico semiótico que vai sendo desenhado com cuidado e delicadeza para bradar contra o racismo, denunciar o preconceito, saudar o sagrado e o profano, misturar todas as etnias e celebrar a potência cultural brasileira.

            Um caloroso Parabéns a Valmir Moratelli e Fabiano Araruna (El Tigre Produções) pelo aguerrido trabalho, e um Viva à sua competente equipe: Vitor Kruter no som; Guilherme Bezerra, Pedro Villaim e Fabrício Menicucci na fotografia, e Artur de Carvalho no design.

        TRINTA DIAS é um libelo contra o preconceito e uma ode às nossas raízes afro-ameríndias. Precisa ser visto: é uma aula de história, apreço pelo carnaval e respeito pela Cultura Popular. Tem ademais uma bela fotografia, enquadramentos preciosos (como a chuva amanhecendo no viaduto da Sapucaí), depoimentos fortíssimos sobre nossas raízes, e críticas potentes à descabida equação do binarismo sagrado X profano.

Documentário pode ser visto online no canal Prime Box Brasil

        TRINTA DIAS é um belo e respeitável Documentário ! Vale a pena ser visto e revisto com atenção e carinho.

*Aurora Miranda Leão é jornalista, pós-graduada em Audiovisual em meios eletrônicos, doutoranda em Comunicação pela UFJF e editora do blog Aurora de Cinema.

Samba resiste, Alegria desfila na Sapucaí e é destaque em filme de Valmir Moratelli que estreia na TV

30 dias

Uma estreia muito aguardada do Cinema Brasileiro, o documentário 30 Dias, do jornalista, poeta e pesquisador Valmir Moratelli, estreia nesta quarta, 02 de setembro,  na sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil.

Destaque ano passado na mostra Première Brasil do Festival do Rio, o filme mostra a crise que o carnaval carioca vem sofrendo há algum tempo, e que se acentuou em 2019. Agora, “30 Dias – um carnaval entre a alegria e a desilusão” será exibido na televisão.

O documentário de Moratelli, que é um apaixonado pela folia e tem mais de uma década de cobertura de desfiles carnavalescos no Sambódromo do Rio de Janeiro, é uma narrativa sobre a saga de anônimos para colocar o bloco na rua e não ficar de fora do mais badalado carnaval do país. Assim, Valmir Moratelli fez um trabalho de fôlego, na base do “cinema do próprio bolso” e com ajuda de “vaquinha virtual” para registrar o esforço de brincantes, músicos, carnavalescos, costureiras, coreógrafos, artistas visuais, emfim, de toda uma comunidade, para estar presente – no peito, na garra e no gogó – ni desfile da maior festa popular do país em 2019.

Alegria

Documentário “30 dias” mostra resistência da escola de samba Alegria da Zona Sul…

É a dificuldade imensa das escolas do grupo de acesso ao desfile do carnaval carioca, aliada à paixão pela cultura popular, que Moratelli registra em seu belo documentário. A escola que simboliza toda a luta e empenho de brincantes para estar na Sapucaí é a Alegria da Zona Sul,  rebaixada na Série A em 2019, ano no qual foi feito o registro audiovisual.

“Fizemos esse filme sem recursos. Nosso objetivo é dar visibilidade ao grupo de Acesso, mas também discutir racismo e o preconceito com a cultura popular”, diz Moratelli. E vai mais além: “O filme mostra a perversidade do poder público com o carnaval carioca. É interessante perceber que, bem antes da crise trazida pela pandemia, já não se valorizava o que é popular. O carnaval vem sendo atacado por uma onda neopentecostal que domina a política fluminense”, afirma Valmir.

O trailler do filme você vê aqui: https://youtu.be/sszVuixp5hs

Valmir filme

Fabiano Araruna, Valmir Moratelli e o ator Romeu Evaristo no Festival do Rio 2019.

O documentário ’30 Dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão’, do diretor Valmir Moratelli, tem produção de Fabiano Araruna, da El Tigre Studio.

A exibição online do documentário de Valmir Moratelli será nesta quarta, 2 de setembro,  às 18h45, na sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil. O canal está disponível na Claro (canal 656 ou 156); Sky (canal 157); Vivo (canal 109) e Oi (canal 85). 

SERVIÇO

Estreia de Cinema na TV

O que: lançamento de filme online

Título: 30 Dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão

Diretor: VALMIR MORATELLI

Produção: El Tigre Studio

Quando: Quarta, 02 de setembro de 2020

Onde: sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil

Horário: 18:45h.

*O filme também pode ser visto na Claro (canal 656 ou 156); Sky (canal 157); Vivo (canal 109) e Oi (canal 85). 

*Depois da exibição, o diretor Valmir Moratelli vai participar de debate sobre o filme no Instagram @primeboxbrasil, com participação da pesquisadora Carolina Rocha, da Coordenadoria de Experiências Religiosas Afro-Brasileiras. Começa às 20:30h.

Jornadas Namídia destacaram crônica, telenovela, carnaval e telejornalismo

NAMIDIA panfleto mini

As Jornadas NAMÍDIA são uma realização anual do grupo de pesquisa acadêmica da UFJF “Narrativas Midiáticas e Dialogias”, coordenado pela jornalista e professora Doutora Cláudia Thomé.

Neste 2020, a quarta edição das Jornadas de Mídia e Literatura NAMÍDIA aconteceram em versão online – por conta da pandemia que tomou de assalto o mundo -, e tiveram 6 sessões virtuais, no período de 6 a 11 de julho, via Youtube.

Intituladas Jornadas Namídia: narrativas em tempos de pandemia. Gratuito e aberto a quem se interessa pelas discussões propostas, o evento enfatizou o quanto este tempo de quarentena e confinamento privilegiou o olhar para as artes, em especial, o audiovisual.

Os seis dias das JORNADAS tiveram a seguinte configuração:

Na sessão de abertura, as Jornadas Namídia receberam as jornalistas Michele Ferreira (TV Integração) e Mariana Cardoso (TV Globo). A conversa teve mediação do jornalista Pedro Miranda (doutorando em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia), e a pauta teve como foco os desafios e mudanças no fazer telejornalístico do período de pandemia.

Na segunda sessão, o convidado foi Victor Menezes (mestre em História Cultural pela Unicamp), que conversou com Vanessa Martins (mestranda em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia) e Laura Sanábio (mestranda em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia) sobre o universo fantástico de “Harry Potter” e Fake News.

Em seguida, na quarta (08 de julho), foi a vez do pesquisador Valmir Moratelli (escritor, poeta, jornalista, cineasta e doutorando em Comunicação PUC-Rio) abordar o tema da Teledramaturgia. O bate-papo teve como mediadora a atriz e jornalista Aurora Miranda Leão (esta que vos fala, que é doutoranda em Comunicação PPGCOM UFJF e membro do Namídia) e contou com o auxílio luxuoso do jornalista Pedro Miranda (doutorando em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia). Essa foi uma das conversas que rendeu mais audiência, evidenciando o quanto a telenovela é querida no país e o quanto o público se mantém fiel a essa forma de ecxpressão artística, mesmo em tempos de isolamento social. A atriz Rosamaria Murtinho foi uma das que acompanhou as Lives NAMÍDIA e postou vários comentários elogiosos.

Já na quarta sessão, o convidado foi o jornalista Maranhão Viegas, da TV Brasil, que conversou com a pesquisadora Cláudia Thomé (professora da Facom e da pós-graduação PPGCOM/UFJF, além de coordenadora do Namídia), tendo como mediadora a acadêmica Michele Pereira (doutoranda em Comunicação pela PUC-Rio e membro do Namídia). O tema foi a crônica audiovisual na TV e rendeu belos momentos de defesa da atividade jornalística com ênfase ao aspecto humanitário da profissão, à necessidade do profissional da Comunicação e às sutilezas poéticas da crônica televisiva num ambiente que exige tanta velocidade de produção e deixa pouco espaço para o lirismo. A audiência, atenta e emocionada com as palavras de Maranhão Viegas, acabou emocionando o colega da TV Brasil, que se declarou inteiramente imerso em afetividade e gratidão. 

Na penúltima sessão das #jornadasnamidia, o convidado foi o jornalista e comentarista da folia carioca, Bruno Filippo (Rádio BandNews FM). A conversa sobre Carnaval foi conduzida pelo também jornalista e pesquisador Marco Aurélio Reis (professor Unesa-RJ e vice-coordenador do Namídia) e pela pesquisadora Samara Miranda (mestranda em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia).

Para encerrar a semana de JORNADAS NAMÍDIA, o convidado super especial foi o pesquisador, carnavalesco e comentarista do Carnaval Globeleza, Milton Cunha. O bate-papo sobre as narrativas da Sapucaí foi conduzido pelos jovens pesquisadores Samara Miranda (mestranda em Comunicação PPGCOM/UFJF) e Rafael Rezende (doutorando em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia). 

A participação de Milton Cunha, que é mestre e doutor em Ciências da Literatura, PHD em História da Arte e coordenador-geral do Observatório de Carnaval da UFRJ, foi das mais festejadas e encerrou com brilhantismo esta quarta edição das Jornadas de Mídia e Literatura do grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias.

Quem quiser rever, ou quem perdeu e gostaria de assistir às Jonadas NAMÍDIA, basta acessar o canal do grupo no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCjsbXtrj4gCfB-5NrbPgQ2w

Para entrar em contato, basta seguir as redes sociais:

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas E-mail: grupo.namidia@gmail.com instagram.com/narrativasmidiaticas/ facebook.com/narrativasmidiaticasedialogias ufjf.br/narrativasmidiaticas/

NAMÍDIA convida para Jornada de Mídia e Literatura online

NAMIDIA panfleto mini

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias (NAMIDIA) – UFJF/CNPq – vai reunir profissionais e pesquisadores de diversas áreas da Comunicação em evento que acontece de 6 a 11 de julho

NAMIDIA Jornadas 20

O grupo Narrativas Midiáticas e Dialogias (NAMIDIA) pesquisa as mudanças na narrativa jornalística, buscando detectar e analisar os deslizamentos entre os gêneros e as plataformas midiáticas, e as estratégias de uma hibridização que é anterior à convergência midiática, mas que se acelera no contexto atual.

A velocidade com que a narrativa midiática contemporânea se altera e é atravessada por novas possibilidades de narrar, diante da convergência das mídias, acena para a necessidade de uma análise de gêneros que se hibridizam, no “deslizamento” de um meio a outro. As tecnologias digitais aceleraram esse fenômeno que, no entanto, não é tão novo.

Narrativas Midiáticas e Dialogias - Home | Facebook

O grupo NAMIDIA – certificado pelo CNPq e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF -, abriga projetos de pesquisas sobre narrativas em mutação, estratégias narrativas no telejornalismo e seu diálogo com outros campos, cronismo audiovisual e novas funções e competências no jornalismo. Nessa configuração, incluem-se pesquisas sobre audiovisual, telenovelas, documentários, histórias em quadrinhos, crônicas, carnaval, crônicas e muitas outras.

O que se verá na quarta edição das JORNADAS promovidas pelo grupo de pesquisa do curso de Comunicação, a nível de pós-graduação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), converge para destacar as muitas pesquisas que acontecem no âmbito do NAMÍDIA, coordenado pela jornalista e profa Doutora Cláudia Thomé, que tem reuniões semanais na FACOM/UFJF.

E com a realização das Jornadas onlione que começam na próxima segunda, 06 de julho, cujas inscrições estão abertas, o NAMÍDIA prova que continua ativo e que sua capacidade de produção e intercâmbio não cessou com a pandemia. Muito ao contrário, o grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias está produzindo em várias frentes através de participação em congressos, produção de oficinas (como a que está nas redes sociais sobre Fake News), realização de LIVES e produção de artigos científicos.

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas

Jornalista e Profa. Dra. Cláudia Thomé é a coordenadora do grupo NAMÍDIA.

As quartas Jornadas de Mídia e Literatura do NAMÍDIA vem confirmar o potencial de todos os pesquisadores envolvidos no grupo e a relevância de um trabalho coeso, disciplinado, intenso e prospectivo que reúne tantos estudantes de vários níveis de graduação e pós, e que neste momento tão difícil de isolamento continua irmanado em suas discussões acadêmicas e trocas filosóficas.

Quem quiser participar das Jornadas que começam dia 06 de julho, segunda, e prosseguem até dia 11 (sábado), deve inscrever-se no link abaixo 👇🏼 . Mas não perca tempo porque as inscrições são limitadas !

Acesse: https://www.sympla.com.br/jornadas-namidia-narrativas-em-tempos-de-pandemia__895329

claudiathome Instagram posts - Gramho.com

Grupo Namídia tem atuação constante em eventos acadêmicos.

 

Raimundo Rodriguez abre FIVE LIVE de Julho

Conversas ao vivo no Instagram @auroradecinema ganham impulso neste julho, que começa com o artista Raimundo Rodriguez e terá vários outros ao longo do mês

Ri e Gentileza

Raimundo Rodriguez é aquele artista magistral porque une talento, inteligência, disciplina e rebeldia para criar obra de arte. Cria maravilhas que encantam até o mais insensível dos mortais, e tudo parte de sua mania de colecionar e ressiginificar objetos.

Nestes difíceis dias de Quarentena forçada, que começaram em março, ele tem trabalhado sem cessar, ou seja: manteve a mesma rotina de sempre ou, por outra, aprofundou e multiplicou sua capacidade de trabalhar embelezando o mundo e dando novos sentidos ao usado, ao gasto, ao rechaçado, ao desprezado.

Cearense de Santa Quitéria, ele mora no Rio desde os 13 anos, e há décadas fixou residência numa bela casa da Baixada Fluminente, de onde não quer sair por nada. Ali mesmo construiu seu atelier, que há cerca de dois anos ganhou um espaço maior.

Raimundo Rodriguez diz que tem horror ao desperdício e que seu vício é o “Colecionismo”. E já que foi preciso ficar em isolamento por conta da pandemia, está criando a série de estêncil “Fique em casa mas em boa companhia”, que divulga em postagens diárias no Instagram e no Face.

ESTENCIL MACHADO

Machado de Assis é inspiração para a série de estêncil criada por Raimundo Rodriguez

A série é instigante: traduz uma homenagem do artista a ícones daArte e da Literatura Brasileiras, inspírações da vida inteira. Nomes como  Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Bispo do Rosário, Machado de Asssis, Manoel de Barros, o conterrâneo Belchior, Carolina de Jesus e Garrincha estão na série. Nelson Sargento Grande Otelo e João do Valle serão alguns dos próximos a também ganhar versão em estêncil.

TVHITZ SÉRIE ESTENCIL, RAIMUNDO RODRIGUEZ - YouTube

 O ateliê de Raimundo Rodriguez na Baixada Fluminense.

Os insights de Raimundo para criar surgem de suas próprias vivências cotidianas. Colecionador obcecado, ele não joga nada fora e diz que “A arte contemporânea se mistura com a vida. Junto as coisas mais inúteis, sei que uma hora elas se encaixaram em algo. Quando dou um destino para esses objetos, me liberto”.

Raimundo Rodriguez recebe prêmio por sua atuação audiovisual ...

É como diz a pesquisadora Renata Gesomino, Doutora em História da Arte,

“As obras de Raimundo Rodriguez traduzem, desta maneira, um “fazer” primordial, juntamente com uma consciência espontânea de aproveitamento que se manifesta em meio a uma variedade caótica de elementos descartados, objetos errantes, recontextualizando-os e extraindo-os do vasto cenário urbano onde repousam os restos e as sobras do mundo. Esses idílicos fragmentos tornam-se atemporais. Serve para o artista toda matéria-prima que não sirva para mais ninguém”.

Raimundo Rodriguez chega ao horário nobre para enriquecer parceria ...

A cidade cenográfica da novela Meu pedacinho de chão é uma criação de Raimundo Rodriguez a partir de toneladas de lata e material reciclado…

* Para saber mais sobre Raimundo Rodriguez, acompanhe a FIVE LIVE do blog @auroradecinema que acontece hoje pelo INSTAGRAM, a partir das 17h.

Na programação das FIVE LIVE @auroradecinema deste JULHO que hoje começa, haverá conversas online com o roteirista e dramaturgo Alex Moletta, o ator/diretor e professor de Teatro,  Ricardo Guilherme, a atriz Teka Romualdo, o ator pernambucano Albert Tenório, o jornalista mineiro Luiz Felipe Falcão, os atores Tadeu Mello e José Araújo, e muitos outros.

 

Miguel e a morte inafiançável

Morte de Miguel expõe o racismo estrutural por trás das ...

Diante da trágica morte do garoto pernambucano Miguel, vítima do descaso, racismo, indiferença e negligência de uma patroa (branca) de sua mãe, ficamos todos mudos e indignados.

O Poeta CARPINEJAR foi quem melhor traduziu toda a perplexidade, revolta, repulsa e aflição diante da evitável tragédia. A seguir, a crônica iluminada do notável escritor gaúcho:

DEUS NÃO ACEITA FIANÇA
Fabrício Carpinejar

Diante de Deus, você não terá direito a fiança, não terá desculpas, não terá influência, não terá advogados poderosos, não terá costas quentes, não terá tradição, não terá imóveis, não terá sobrenome, não terá barganha, não terá privilégios, não terá acesso a celulares de governantes.
Diante de Deus, você não será branca, rica, loira, olhos claros, primeira dama, viajada, culta, nada.
Diante de Deus, conhecerá uma inédita igualdade, uma surpreendente justiça, todos são iguais em Sua presença, o que aconteceria com a doméstica se ela fizesse isso com o seu filho realmente acontecerá com você.
Diante de Deus, pagará a conta de sua consciência, não poderá mentir, disfarçar, sonegar a verdade.
Ele sabe que andar apertou no elevador, Ele sabe que você não quis perder tempo com o filho da empregada, Ele sabe exatamente o que você pensou, Ele sabe quem você é, Ele sabe que você abriu a porta para a morte.
Diante de Deus, entenderá o que é um olhar demorado, o que é cuidar, aquilo que deixou de fazer por uma criança indefesa.
Diante de Deus, suas unhas pintadas não serão mais importantes do que a vida de um menino.
O inferno não é um lugar inventado, vem daqui da terra. De seu coração.

Carpinejar derrama poesia ao falar sobre a mãe

     “A decepção materna é a minha maior intuição”

Sesc convida Maria Carpi para debate sobre poesia - Guia21

A poetisaa gaúcha Maria Carpi, mãe do poeta e cronista Fabrício Carpinejar.

 

Outro dia, quase as lágrimas me invadem logo cedo ao ler crônica do poeta Carpinejar em que ele falava de Decepção.
Foi em sua galeria do Intagram e a foto era de sua mãe, a bela poetisa gaúcha Maria Carpi, aquela mãe exemplar que alfabetizou o filho em verso e prosa com delicadeza, disponibilidade, amor e dedicação invejável, tão logo recebeu do colégio a indicação de que deveria tirar o filho da escola pois ele não tinha condições de acompanhar o desenvolvimento da turma.
Ao que Maria prontamente virou as costas, fez ouvidos de mercador, e exerceu o mais sublime da maternidade: educar com sentimento, verdade, na trilha do bem, convidar para a alegria, abrir espaço para a emoção, estender os braços para a arte do convívio e da generosidade, celebrar as vitórias, sorrir de mãos dadas com o vento e enxergar o positivo em cada curva ou ribanceira do caminho. Dessa forma, ela legou ao filho um arsenal de empatia, amor e disponibilidade ao novo invejáveis.
Por saber de tudo isso é que a foto falando em decepção surpreendeu-me, mas apenas por segundos. Sabia que só poderia vir junto uma torrente de delicadeza e gratidão.
Deixo então você. leitor amigo, com a beleza cheia de ternura desta crônica de Fabrício CARPINEJAR, Poeta de minha maior Admiração !

VOCÊ SÓ DECEPCIONA QUEM É PRÓXIMO

* Fabrício Carpinejar

Para se decepcionar, você precisa ter intimidade.

Confundimos a decepção, que requer o contato constante, com o desapontamento, com o desencantamento. Não é a mesma coisa.

A decepção é feita depois do entendimento de como realmente é o outro. Depende de um longo convívio. Depende do julgamento das virtudes e dos defeitos. Depende de estar próximo para comparar o antes e o depois. Depende de experimentar a fundo a personalidade, ultrapassando as aparências da opinião.

Você decepciona pai e mãe, irmãos, filhos, namorado ou namorada, marido ou esposa, melhores amigos, não quem lhe conhece de fora.

Decepção é mágoa de uma transformação, aponta que rompeu alguma lealdade de origem. Deixou de ser fiel a si.


Tanto que sofro quando a minha mãe me censura dizendo “você não é assim”. Sei que mudei para pior, que estou mesquinho, egoísta, completamente equivocado.

A decepção materna é a minha maior intuição. Sou capaz de me enganar, jamais de enganá-la.

Ela me sabe de cor desde pequeno, meu jeito de fugir dos enfrentamentos, minhas manhas, minhas desculpas, minhas fugas. Não tem como convencê-la de que é só uma impressão. Guarda todas as minhas versões para perceber que me desviei da minha essência.

Ao ouvir sua reprimenda, paro tudo para reestabelecer a rota. Ainda que seja necessário recuar para en
direitar a minha estrada.
carpi e mãe

Aí essa crônica sobre decepção, me trouxe à lembrança outra pérola do Poeta, também dedicada à mãe, que é ANTOLÓGICA:

 

Mãe não tem fim – Fabrício Carpinejar

Minha mãe não tem igual.

Eu não dormia fácil de pequeno, com aquele resmungo de cólica. Minha mãe me carregava no colo, me segurava pela barriga, e não me aquietava. Recusava bico, leite, conforto espiritual. Desdenhava da cama, do móbile, do carrinho, do andador. Aflita, ela pegava o carro e me levava para passear de madrugada. Na terceira quadra, me entregava ao sono.

O carro foi meu segundo ventre. Até hoje quando sento no banco de trás, eu fecho docemente as pálpebras. É o único lugar em que fico em silêncio. Não me apresentei: sou o filho preferido de minha mãe. Meus irmãos também acham que são os filhos preferidos. Ela criou todo filho como se fosse único. Para cada um separava uma cantiga de ninar e um segredo. “Não conta para ninguém, tá?”, ela me alertou. Como eu não falei para meus irmãos, nem meus irmãos falaram para mim, ninguém sabe qual o segredo que é meu, qual o segredo que é deles. Vários segredos juntos formam um mistério.

É um problema quando estamos reunidos. Eu acho que ela cozinhou para mim, os outros também acham. É um problema quando estamos longe. Eu acho que ela só ligou para mim, os outros também acham.

Ela reclama imensamente de mim, nunca está satisfeita com o que eu faço. Penso que somente reclama de mim, reclama da família inteira na mesma proporção. Assim como divide um doce de forma igual. Assim como divide o pão em fatias gêmeas.

Mãe não tem dedos, tem régua. Reclamar é sua lista de chamada. Reclamar é um jeito disfarçado de sentir saudade. No fundo, torce para que eu me distraia de uma de suas regras. Ela aponta a louça para lavar, e logo limpa a pia. Ela pede uma carona, vou me arrumar, já tomou um táxi. Nunca pede duas vezes. Ou ela é rápida demais ou eu demoro. Na verdade, ela é rápida demais e eu demoro.

Mãe é gincana. É agora ou nunca. Nem invente de responder nunca para ela. Sua reclamação tem virtude, sua reclamação é um quarto privativo, reclama só para mim. Para os demais, me torna muito melhor do que sou. Não me elogia para mim porque não quer me estragar. Tem esperança de que não me estraguei.

Ela vibra quando encontra algo que não fiz. Inventa necessidades para ser reconhecida. Atrás da mínima palavra, pergunta se eu a amo. Ela escreve isso com os olhos, eu leio isso em seus lábios. O que a mãe mais teme é ser esquecida. Não tem como: mãe é a memória antes da memória. É a nossa primeira amizade com o mundo.

O que parece chatice é cuidado. Cuidado excessivo. Cuidado a qualquer momento. Cuidado a qualquer hora, ao atravessar a rua, ao atravessar um namoro. Para o nosso bem, repete conselhos desde a infância. Para o nosso bem.

Repetir o amor é aperfeiçoá-lo. Mãe não cansa de nos buscar na escola, mesmo quando não há mais escola. Mãe não cansa de controlar nossa febre, mesmo quando não há febre. Mãe não cansa de nos perdoar, mesmo quando não há pecado. Mãe não cansa de nos esperar da festa, mesmo quando já moramos longe. Mãe se assusta por nada e se encoraja do nada. Entende que o nosso não é um sim, que o nosso sim é talvez. Avisa para pegar o último bolinho, o último bife, em seguida arruma uma marmita para o lanche da tarde.

Mãe tem uma coleção de guarda-chuvas prevendo que perderemos o próximo. Está sempre com a linha encilhada na agulha e caixinha de botões a postos. Conserva nosso quarto arrumado como se houvesse uma segunda infância. Mãe passa fome no lugar do filho, passa sede no lugar do filho, passa a vida guardando lugar ao filho.

Mãe é assim, um exagero incansável. Adora chorar de felicidade nos observando dormir. Minha mãe chorava quando finalmente descansava no carro. Ela sussurrou o segredo, disse que eu era seu filho favorito. Não fofoquei para meus irmãos, não pretendia machucá-los. Eles também não me contaram que eram os favoritos dela.

Carpi frase

Depois da riqueza sentimental que são essas duas crônicas, lembro a você, leitor amigo, que está à venda o mais novo livro do CARPINEJAR:

COLO

“Adaptar-se nunca é uma derrota, é vencer por dentro.”

* Parte das vendas deste novo livro serão revertidas ao Hospital das Clínicas – SP, para ajudar no combate à Covid-19. Adquira seu exemplar num dos endereços a seguir:

“Colo, por favor! – Reflexões em tempos de isolamento”
Fabrício Carpinejar
176 páginas
@planetadelivrosbrasil
Amazon: https://bit.ly/ColoPorFavorAmazon2 (livro) ou https://bit.ly/AmazonColoPorFavor (ebook)
Submarino: https://bit.ly/ColoPorFavorSUB
Livrarias Curitiba: https://bit.ly/ColoCuritiba
Leitura: https://bit.ly/ColoLeitura
Americanas: https://bit.ly/ColoAmericanas
Livraria da Vila: https://bit.ly/ColoPorFavorVila