MACALÉ nas Telas

 Uma das histórias a respeito de Jards Macalé dá conta de que puseram esse nome artístico nele porque o compositor jogava futebol tão mal quanto o jogador Macalé, do Botafogo. O público vai poder tirar a prova em Jards Macalé – Um morcego na porta principal, documentário que chega ao circuito amanhã (assista ao trailer) . O músico joga bola numa das cenas do filme, que traz entrevistas com o próprio e com gente que fez parte da vida e da carreira de Macalé, como Maria Bethânia, José Celso Martinez Corrêa e Gilberto Gil. Com direção e roteiro de Marco Abujamra e do jornalista do GLOBO João Pimentel, o documentário ganhou o prêmio especial do júri do Festival do Rio de 2008.

Jards Macalé foi filmado em 2002 e 2003, e partiu da vontade de Pimentel de falar do seu antigo vizinho.

– O Macalé morava perto da casa dos meus pais, e um dia eu quis fazer aula de violão com ele. Apareci na casa dele, fiquei tocando a campainha e nada; até que ele, que estava dormindo, apareceu de cueca, tomou meu violão e fechou a porta na minha cara – lembra Pimentel.

Um pouco desse temperamento do músico está na tela, em histórias como a que Dori Caymmi conta. Ao modificar um acorde numa música de Jards Macalé contra sua vontade, Dori foi surpreendido por um Macalé muito enraivecido, que entrou num lotação onde ele estava e gritou para todos os passageiros ouvirem que ele o “tinha traído com aquela mulher”, como se os dois tivessem um romance.

O filme traz Yards Mahatkalef – como o músico diz que é seu nome em árabe – sendo entrevistado por Jaguar e lhe contando como foi expulso de quatro colégios; fotos de álbuns de família; e trechos de filmes em Super-8 do tempo em que morou em Londres com Caetano Veloso. Há ainda Nelson Pereira dos Santos falando das trilhas que o músico fez para filmes seus, como “O amuleto de Ogum”, em que Macalé também atua.

Jards Macalé levou Pimentel e Abujamra a entrevistarem cerca de 50 pessoas; em torno de 20 entraram na obra.

– Uma das nossas grandes dificuldades foi o fato de não haver material sobre o Macalé. O que líamos sobre ele eram sempre curtas referências em obras sobre outros. Então tivemos que ir atrás de muita gente, para formar um material de pesquisa – conta Marco Abujamra.

Essa ausência de material talvez seja explicada pelo modo como ele preferiu conduzir sua carreira, acrescenta Abujamra:

– Ele atravessou o Opinião, a época dos festivais… Produziu um dos mais importantes discos do Caetano, “Transa”, e foi com ele para Londres. Mas não se fixou a nenhum grupo. Poderia ter feito isso com o tropicalismo, por exemplo, quando Bethânia e os outros baianos frequentavam a casa dele. Mas o Macalé sempre pautou a trajetória dele em cima de princípios próprios, não fez concessões mercadológicas e sempre teve personalidade forte, que não permitia interferências no seu trabalho. Depois desse documentário, o que a gente pôde concluir é que ele faz só o que está com vontade de fazer.

* Texto de Alessandra Duarte

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