Arquivo do dia: 05/03/2010

Vésperas do Oscar…

 
Sandra Bullock, Matt Damon e Anna Kendrick estão entre os indicados que apresentarão prêmios na cerimônia do Oscar

 

Sandra Bullock, Matt Damon e Anna Kendrick estão entre indicados que apresentarão festa

Mesmo que não ganhe o prêmio de Melhor Atriz, ao qual está indicada, Sandra Bullock sobe ao palco do Kodak Theatre, onde ocorre a cerimônia do Oscar, neste domingo. Ela deve anunciar os indicados de outras categorias,, segundo os produtores da festa.

Além dela, outros indicados funcionarão como apresentadores da cerimônia. Concorrente de Bullock, Carey Mulligan, de “Educação”, também deve anunciar um dos prêmios da noite, assim como Jeff Bridges, indicado a melhor ator por “Coração Louco”.

Matt Damon, candidato a melhor ator coadjuvante pelo filme Invictus, e Anna Kendrick, que concorre a melhor atriz coadjuvante por Amor sem Escalas, também estarão entre os apresentadores do prêmio.

Jeff Bridges está em sua quinta indicação ao prêmio –antes tinha uma como melhor ator e três como melhor ator coadjuvante. Já Matt Damon acumulou três indicações –antes foi indicado por Gênio Indomável, pelo qual ganhou o prêmio de melhor roteiro.

Sandra Bullock, Carey Mulligan e Anna Kendrick são indicadas pela primeira vez à estatueta.

BODAS DE CINEMA com ELY AZEREDO

 
Com alguma modéstia, Ely Azeredo apresenta-se ao leitor que não o conhece como o crítico de cinema que atuou em diários de circulação nacional pelo mais longo período de tempo no Brasil.  Foram 50 anos de reflexão, divididos especialmente com os do leitores de Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil e O Globo.

Ao lançar, Olhar Crítico (Instituto Moreira Salles, 416 págs., R$ 54), Azeredo oferece uma súmula de sua produção – 98 textos que deixam claro que o tamanho de sua contribuição não se mede apenas pelo tempo de prática, mas pelo que ensina sobre o ofício ao qual dedicou sua carreira.

Azeredo teve atuação notável num dos períodos mais ricos da produção e discussão cinematográfica no Brasil, o da eclosão do Cinema Novo, no final da década de 50. Como se deu na França, com a Nouvelle Vague, o Cinema Novo promoveu a entrada em cena não apenas de uma nova geração de cineastas, mas também de críticos, que apoiaram o movimento com entusiasmo.

De uma geração anterior, em atividade desde o final da década de 40, Azeredo viu com simpatia a onda de renovação provocada pela geração de Glauber Rocha, a ponto de, em 1961, batizar o movimento com o rótulo (Cinema Novo) que ficou para a história, mas logo entrou em atrito com os cineastas e críticos “alinhados”.

 
Os textos de Azeredo sobre filmes do Cinema Novo incluídos na coletânea expõem a luta de um crítico independente, analisando obras no calor da hora e sob pressão dos próprios cineastas e de seus aliados.

Azeredo elogia Barravento e aprecia “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber, embora sublinhe: “Sem ser o maior filme até hoje produzido neste planeta, como querem alguns exagerados”. Gosta de Garrincha, Alegria do Povo e extasia-se com Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, mas não poupa críticas a “Terra em Transe”, de Glauber, e a Porto das Caixas, de Paulo Cesar Saraceni, entre outros.

Na introdução do livro, Azeredo lembra uma observação do cineasta Cacá Diegues, para quem o Cinema Novo foi, entre outras coisas, “um partido”. Questionado pelo UOL sobre o assunto, o crítico observa que o núcleo central do Cinema Novo, formado por Glauber, Cacá, Joaquim Pedro, Leon Hirszman e Gustavo Dahl, “desejava uma crítica ‘alinhada’ com as diretrizes do movimento”. Conta Azeredo:

“Restrições a qualquer filme cinemanovista eram consideradas ‘alienação’, submissão ao colonialismo cultural etc. Quando me desliguei da ‘militância’ no Cinema Novo e critiquei alguns filmes frustrados, Glauber me pediu pessoalmente que parasse de ‘atacar o Cinema Novo’. Meus artigos na ‘Tribuna da Imprensa’, segundo ele, estariam criando dificuldades para a liberação de empréstimo no Banco Nacional para a produção de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Ora, como um crítico pode se pautar pelas expectativas bancárias de produtores?”

Azeredo lembra de outros três problemas que afetaram o trabalho dos críticos de cinema durante o período. Em primeiro lugar, a militância cinemanovista via com restrições a produção de cineastas não alinhados ao movimento, independente da qualidade dela.

“Nunca aceitei tentativas de terrorismo contra os cineastas ‘não cinemanovistas’. Aqui, como ocorreu na França com o grupo (da revista) Cahiers du Cinéma da Nouvelle Vague ao negar aptidão profissional a (Henri-Georges) Clouzot, (Claude) Autant-Lara e outros, houve tentativas de enxovalhar a reputação profissional dos não alinhados”, diz o crítico.

Em segundo lugar, lembra Azeredo, a defesa intransigente do Cinema Novo levou a militância a defender filmes de pouca qualidade. “Alguns ‘novos’ eram louvados pelos cinemanovistas, apesar de sua mediocridade. David Neves era considerado uma espécie de mestre de cerimônias do clã, e era louvado pelos CN, embora jamais tenha realizado um filme de valor”, afirma o crítico. “Só para mencionar um desastre: Neves jogou fora todos os valores de ‘Lucia McCartney’, de Rubem Fonseca, o que causou revolta na atriz protagonista, Adriana Prieto, que se solidarizou com minha crítica.”

Por fim, Azeredo fala do seu espanto com a adesão de críticos já experientes, na época, à defesa do movimento. “Estranhei que críticos de valor, como Alex Viany e Maurício Gomes Leite, tenham ingressado no ‘partido’ CN, perdendo a visão de conjunto da produção nacional. Um intelectual como Paulo Emílio Sales Gomes se tornou um ‘papa’ do novo culto, chegando a roteirizar uma das frustrações da vertente, ‘Capitu’, dirigido por Saraceni”.

Olhar Crítico não se detém no período do Cinema Novo. Estende-se até os primeiros anos do século 21, passando em revista a produção das décadas de 70, 80 e 90, até chegar aos principais títulos da chamada “retomada” do cinema brasileiro.

Fiel a seu mote desde os anos 60 – “promover um novo cinema brasileiro paralelamente a posições críticas independentes” – Azeredo avalia cada filme em função das qualidades e problemas que enxerga na obra em si, e também no contexto de sua época, dos diálogos do autor com os seus predecessores e com seus contemporâneos e do lugar do filme dentro da trajetória do cineasta. Um exercício duro, sujeito a erros e acertos, cumprido com coragem e honestidade pelo crítico.

HERRERA Brilha em Vitória do BOTAFOGO

O Botafogo precisou de três pênaltis, mas garantiu nesta quinta-feira sua segunda vitória pela Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca. Após vencer o Americano na estreia, o time do técnico Joel Santana atuou derrotou o Duque de Caxias de virada por 2 a 1, em partida realizada no Estádio do Engenhão e na qual o atacante Herrera foi o grande nome.

Com o resultado, a equipe de General Severiano igualou o Vasco como os únicos times com seis pontos em dois jogos no Grupo B da competição. O Duque, que estreou vencendo o América, permaneceu com três pontos e permanece na sétima colocação dentre os oito times que compõem o Grupo A ¿ sem pontuar, o Americano é o lanterna da mesma chave.

Apesar de jogar em casa, o Botafogo começou tomando sufoco do Duque. De cara, no chute de Leandro Teixeira aos 8min, Jefferson agiu bem e mandou para escanteio. Porém, na cobrança pela direita aos 9min, a qual a zaga alvinegra afastou errado e deixou a bola sobrar para Marcelo. O atacante aproveitou a bobeada da defesa, apareceu bem na segunda trave, esticou o pé e tocou por cima de Jefferson, fazendo 1 a 0.

O gol fez com que os visitantes se recuassem para barrar o avanço do Botafogo. Mas na primeira boa chance que teve, logo aos 11min, Herrera aproveitou o cruzamento e cabeceou ¿ Getúlio Vargas espalmou, a bola bateu na trave e voltou para o goleiro. A partir daí, o time de Joel Santana passou a dominar, mas sem conseguir chegar com perigo ao gol azul e laranja.

Quando finalmente conseguiu entrar na área, o Botafogo marcou. Após cruzamento rasteiro de Caio, Herrera se antecipou e acabou derrubado pela zaga. O próprio argentino bateu no canto direito de Getúlio Vargas e empatou a partida aos 39min da primeira etapa.

No segundo tempo, outros dois pênaltis decidiram a sorte botafoguense no jogo. No primeiro, aos 3min, Caio foi derrubado por Marlon na área, mas Herrera bateu para fora. No segundo, aos 6min, o mesmo Caio entrou na área pela direita e foi empurrado pela marcação ¿ desta vez, o mesmo Herrera converteu e decretou a virada.

Tecnicamente superior, o campeão da Taça Guanabara voltou a assustar aos 22min, e novamente com o argentino ¿ desta vez, em cruzamento da direita, que contou com desvio na defesa antes de acertar o travessão. Dez minutos depois, foi Fahel quem acertou o travessão de Getúlio Vargas, acertando a cabeçada após cruzamento de Lúcio Flávio. Acuado, o Duque ainda perdeu Mayaro, expulso aos 34min ao entrar duro em Caio.

Batido, o Duque de Caxias tenta se recuperar da derrota no domingo, quando entra em campo pela terceira rodada para enfrentar o Tigres, em partida às 17h no Estádio Marrentão às 17h (de Brasília). No mesmo dia, mas às 19h30, o Botafogo tenta manter seu embalo no clássico contra o Fluminense, marcado para o Maracanã.

PACHAMAMA na visão de Carlos Alberto Mattos

Pachamama, no antigo idioma aymara, quer dizermãeterra’, seu significado se expandindo também para ‘vida’ e ‘realidade’. Mas há outra palavra mencionada no filme de Eryk Rocha que se presta melhor a definilo. É Pachakutik, que significauniverso em movimento’.

Eryk fez um roaddoc que se vale de dois procedimentos básicos: a viagem e a sintonia do rádio.

O movimento é reiterado desde as imagens de abertura (asfalto em velocidade) e através de estradas, serras e cidades do centro-oeste e norte brasileiro, do Peru e da Bolívia. ‘Não há limite entre viagem e filme’, diz a voz do diretor logo no início. A viagem, porém, não se torna um tema do filme. Ninguém mais se refere a ela. O que não impede que o movimento seja um eixo narrativo e uma matéria de constante experimentação imagética.

Assuntos e paisagensnaturais e humanas – vão se sucedendo num regime de edição parecido com o girar do dial de um rádio. De vez em quando, é o rádio mesmo que se ouve, provavelmente o rádio do jipe Land Rover, ‘editando’ notícias sobre a situação de determinado lugar. É, portanto, com a superficialidade e a ligeireza de um travelling que Eryk pretende dar conta do motivo de sua viagem: ‘saber o que estava acontecendo no Peru e na Bolívia’ em janeiro de 2007.

Caixa de texto:   Divulgação Empunhando o tempo todo a própria câmera, o diretor recolhe sinais de uma América do Sul em transformação: aqui um muro grafitado em louvor da revolução agrária’, ali a manifestação de um militante em prol da civilização aymara, acolá uma imagem de Evo Morales defendendo na TV a legalidade da folha de coca. O Brasil aparece em reflexo nas considerações de peruanos e bolivianos, entre o ressentimento e a admiração.

Quando saiu à procura desse ‘o que estava acontecendo’, Eryk tinha os olhos voltados não somente para o presente, mas sobretudo para o passado. Peru e Bolívia seriam exemplos de uma tentativa de conciliar política contemporânea e culturas muito antigas. De fato, ouvir a lenda da fundação de Cuzco pela boca de um velho xamã, na língua quéchua, ou a reivindicação de um boliviano a respeito das ‘nações origináriasandinas, é algo que desperta a consciência de uma ancestralidade sul-americana, normalmente sufocada pela premência do futuro e a necessidade do moderno.

Em meio a um amplo descrédito com relação à política tradicional, o filme recolhe também vozes contrárias ao rumo que então tomavam as democracias peruana e boliviana. Há tanto quem duvide que a ascensão de representantes indígenas a postos-chave do estado seja a panaceia para os males do continente, como quem se oponha a essa ascensão, caso dos aguerridos autonomistas de Santa Cruz de la Sierra. Enquanto gira seu dial, “Pachamama” demonstra que está viajando no centro de uma lenta fogueira.

Como em “Intervalo Clandestino”, mas de maneira mais poética e efetiva, Eryk Rocha foca esse novo filme na multidão. Os rostos sem nome enchem a tela como avisos de inquietação, esperança e perplexidade. Quando se move, “Pachamama” é dominado pela exuberância da natureza. Quando se detém, são os rostos que falam, com palavras ou com silêncios nos quais se podem ler muitos significados. A magnífica edição sonora de Aurélio Dias forja ritmos e atmosferas mobilizadoras, abrindo o campo de representação das imagens para além do visível.

Enquanto partilha conosco um passeio elucidativo pelo coração do continente, dando corda a sua veia experimental, Eryk vai confirmando sua relativa discrição enquanto figura enunciadora nos filmes. Se em “Rocha que Voa”, sua condição de filho do personagem Glauber permanecia no plano do engendramento, sem nunca chegar ao proscênio, aqui sua presença resume-se à voz de introdução, à referência de um sindicalista sobre ‘o gringo que nos está filmando’ e à crise respiratória que o acometeu dentro da antiga mina de prata de Cerro Rico de Potosí, na Bolívia.

De resto, é no manejo hábil e sensível da câmera que ele se coloca por inteiro.

Pachamama (Brasil – 2008 – 105’) Direção: Eryk Rocha Ditribuição: Videofilmes

FITINHAS da FÉ: Adesão Européia

Os corpos continuam bem encobertos por casacos pesados e luvas, em um inverno europeu com temperaturas glaciais. Mas, dentro de dois meses, quando os braços e pulsos estiverem mais à mostra nas principais capitais do continente, como Paris e Londres, um pequeno adereço estético, colorido e bem familiar, vai chamar a atenção dos brasileiros: fitinhas do Nosso do Senhor do Bonfim. Isso porque, a exemplo do fenômeno Havaianas, as pulseirinhas de tecido vêm se tornando um novo hit dos fashionistas e “brasilófilos” de plantão.

Os mais atentos à moda já perceberam a aparição das fitinhas. Evidentemente, não há estatísticas para explicar o fenômeno, mas a sensação de quem trabalha com acessórios, ou os admira, é taxativa. “Todo mundo usa”, sentencia a jornalista franco-americana Jenny Barchfield, especialista em moda da agência Associated Press em Paris. “Durante muitos anos, eu usava, mas não uso mais por causa disso. Tem “bobo” demais usando”, conta, valendo-se da expressão típica do francês para designar os parisienses “burgueses-boêmios”.

Outro indicativo do sucesso das fitinhas é o rumor de que elas estariam prestes a desembarcar em pelo menos dois templos fashionistas parisienses, uma grande loja de departamentos e uma butique – caríssima -, ponto de romaria dos “mais descolados” à Rue Saint-Honoré. Os paninhos baianos benditos, conhecidos na França como “porte bonheur”, acabaram supervalorizados por vendedores de lojinhas badaladas. Seu preço pode variar de ? 0,50 a ? 5. Customizadas, são vendidas com o apelo “desenho Saint-Tropez” em lojas como a Spirit Wire, na Côte D”Azur, por valores de ? 11 a ? 25.

Boa parte da propaganda das fitas é feita no boca a boca. A “tendência” é mais presente entre os familiares e amigos de brasileiros e entre quem já foi ao Brasil. É, de certa forma, um símbolo de distinção de quem conhece o país, cuja imagem é positiva na Europa. “São bonitinhas demais!”, derrama-se Mélanie Durand, de 27 anos, uma francesa aficionada por capoeira que conhece o litoral do Nordeste melhor que muitos brasileiros.

Entre algumas tribos, a fitinha é até polêmica. Há quem defenda o uso respeitando ritos baianos. “A fitinha não se compra, se ganha! Enfim, as que eu recebi em Salvador me foram todas doadas”, reitera Laure Nakara, de 29 anos. Alheia à polêmica, a arquiteta Cláudia Cerantola, proprietária do site de comércio online de produtos brasileiros Pur Suco, que comercializa desde 2006 o “Souvenir du Dieu de Bahia”, por meio euro, trata de aproveitar a onda. “Viraram acessório da moda. As vendas só aumentam.” Segundo ela, empresas francesas as estão copiando, produzindo e vendendo como fitas “tipo brasileiras”, e com a escrita que o cliente quiser.* Texto de Andrei Netto

Adeus a Johnny Alf

O músico Johnny Alf, um dos precursores da bossa nova, morreu na tarde desta quinta, em Santo André (SP). O artista estava internado no Hospital Estadual Mário Covas, onde passava por um tratamento contra um câncer na próstata.

Segundo Nelson Valencia, empresário de Alf, o músico havia sido internado na última segunda-feira (1), quando seu estado se agravou. A doença havia sido diagnosticada há 10 anos.


“Johnny era uma pessoa muito serena e espiritualizada. Estava encarando a doença com otimismo, nunca se desesperou”, conta o empresário.

Valencia explica que mesmo após saber da doença, Alf continuou a fazer shows. “Nos últimos três anos ele deu uma parada. Mas até agosto do ano passado chegou a fazer algumas pequenas apresentações”.

Segundo o empresário, o velório do artista será realizado no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A assessoria de imprensa da Casa ainda não confirma a informação. O enterro será nesta sexta, no Cemitério do Morumbi, com horário a ser definido.
 

Alfredo José da Silva nasceu em 19 de maio de 1929, no Rio de Janeiro, e iniciou os estudos de piano ainda criança. Na adolescência, se interessou pelo jazz e pelas músicas do cinema norte-americano. O apelido foi dado por uma amiga americana.

No início da década de 50, Alf formou seu primeiro grupo musical no Instituto Brasil-Estados Unidos. Logo depois, uniu-se a Dick Farney e Nora Ney apresentando-se na noite carioca e nas rádios. Dessa época são as composições “Estamos sós”, “O que é amar”, “Podem falar” e “Escuta”, que apareceram no disco de Mary Gonçalves “Convite ao romance”, de 1952, e ajudaram a lançar a carreira de Alf.

Em 1955, lançou a lendária Rapaz de Bem e O Tempo e o Vento em compacto considerado o primeiro disco da bossa nova. Chega de saudade, de João Gilberto, só apareceria três anos depois.

Segundo o escritor Ruy Castro, Alf é “o verdadeiro pai da bossa nova”. Tom Jobim, outro pioneiro, da bossa costumava chamálo de GeniAlf’.


Na segunda metade da década de 1950, Alf também passou a se apresentar em São Paulo, dividindo as noites com o grupo Tamba Trio, de Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Sylvia Telles. Em 1967, apresentou a música “Eu e a brisa”, uma de suas mais conhecidas, no III Festival da Música Popular Brasileira em 1967, da TV Record.
Uma das últimas apresentações de destaque do pianista aconteceu na exposição Bossa na Oca, em São Paulo, em 2008. Na mostra que homenageava os 50 anos do estilo musical que projetou o Brasil mundialmente, Alf teve um encontro virtual com ídolos como Tom Jobim, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Stan Getz. O artista tocava piano com as projeções dos colegas, já mortos, para um filme que foi exibido ao longo do evento.

“Ele ficou muito emocionado quando viu o resultado, os olhos encheram d´água”, conta o curador da exposição, Marcello Dantas. “Ele falava pouquinho, em decorrência de um derrame que havia sofrido pouco tempo antes. Mas o semblante dizia tudo, não era preciso palavras”.

Para o curador, o artista foi desvalorizado pela memória do país. “É o caso clássico do artista que não teve o reconhecimento a altura de seu talento. E Alf foi um gênio, teve participação na história da nossa música”.