Arquivo do dia: 17/03/2010

BH no Circuito dos Museus Internacionais

Personagens históricos e fictícios, riquezas do solo e do subsolo, eras do metal, projeto educativo com conteúdo que se renova.  Tudo isso e muito mais no Museu das Minas e do Metal EBX

 Acervo virtual, imagens cenográficas fortes, efeitos holográficos (miragens), atrações interativas e projeto educativo inovador inserem o Museu das Minas e do Metal EBX em Belo Horizonte, no roteiro dos mais modernos do mundo, uma parceira da EBX Investimentos com o governo de Minas Gerais. O investimento R$ 25 milhões, num projeto ousado: adequar um prédio do final do século XIX e tombado pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais) às necessidades de um museu contemporâneo, que ocupa 6 mil m², com 18 salas de exposição e cerca de 50 atrações em 3D e 2D. A inauguração será em 22 de março, às 19 horas, e a abertura ao público, em meados de abril, após um período de soft open, com duração de aproximadamente 15 dias, para grupos convidados.

O prédio da antiga Secretaria da Educação, que integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade e vai abrigar o MMM, foi inaugurado em 12 de dezembro de 1897, junto com a nova capital, que ainda era chamada Cidade de Minas. Para romper com o Império e o estilo colonial das construções de Ouro Preto (Patrimônio da Humanidade/Unesco), sede da antiga capital, o prédio, assim como a cidade, foi construído em estilo eclético, sob forte influência francesa tanto na fachada externa quanto na decoração interior, repleta de elementos art nouveau, em função dos movimentos políticos e culturais daquela época.

Com a assinatura de Marcello Dantas, autor do projeto museográfico, toda a proposta é voltada para o conhecimento e o entretenimento. Para ele, “somente Minas Gerais poderia ter um museu como este”, dada as características do estado, a história econômica, social e cultural da sua atividade mineradora, a riqueza do subsolo e suas paisagens cravadas nas montanhas de minério de ferro.

Foram selecionadas 11 minas – ferro, ouro, diamante, nióbio, zinco, pedras coradas, manganês, grafita, alumínio, calcário e água – para contar a história de Minas e do país a partir de personagens como Dom Pedro II e a imperatriz Tereza Christina, uma das poucas mulheres a mergulhar nas profundezas da Mina de Morro Velho (acreditava-se que quem usava saia – mulheres e padres – provocava acidentes em minas), Mendelleev e a tabela periódica, o barão Wilhem Ludwig von Eschwege, entre outros.

Formado em Cinema e Televisão e pós-graduado em Telecomunicações Interativas pela New York University, ele tem entre seus trabalhos a direção artística do Museu da Língua Portuguesa (SP) e o Museu do Caribe, na Colômbia, e, mais recentemente, a exposição 50 anos de carreira do cantor e compositor Roberto Carlos.

Além da museografia moderna, novo recorte conceitual e grandes espaços doam também nova vida à coleção de mineralogia do Museu Professor Djalma Guimarães, que terá tratamento especial, além de uma sala em homenagem a esse importante geólogo mineiro. O MMM propõe uma curiosa viagem pelas eras do metal e seus desdobramentos na história da humanidade. Um novo olhar sobre o patrimônio cultural de Minas Gerais e o desenvolvimento econômico: do ciclo do ouro à indústria de microprocessadores.

O projeto arquitetônico que permitiu compatibilizar novas ideias e a preservação do patrimônio público é do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, com acompanhamento feito pelo seu filho, o também arquiteto Pedro Mendes da Rocha. Paulo Mendes da Rocha recebeu em 2000 o prêmio Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana por sua obra de renovação da Pinacoteca do Estado de São Paulo e, em 2006, o prêmio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura.

 A direção dos trabalhos de criação e instalação do museu é sinalizada pela diretora de Projetos Culturais e Sociais da EBX, Helena Mourão, que acompanha pessoalmente todas as etapas dos processos nos diversos segmentos para a criação de um museu que pode ser definido como “extraordinário”. Ela conta com o apoio dos departamentos jurídico, financeiro, de comunicação, de engenharia, entre outros do Grupo EBX. 

Como se pode perceber, a escolha da equipe de criação do MMM envolveu um critério básico: alguns dos melhores profissionais do mercado, lembrando que a temática do conteúdo do arquiteto e do museógrafo foi proposta pelo governo do estado. Daí em diante, todos os prestadores de serviço foram selecionados seguindo a mesma linha de qualidade para a elaboração de todos os projetos, desde a restauração, pelo Grupo Oficina do Restauro, o mesmo que fez a restauração do Palácio da Liberdade, passando pelo projeto de restauro arquitetônico, da Século 30 – Restauro e Arquitetura, pelo gerenciamento do Projeto Arquitetônico, AFT com o escritório de arquitetura de Ângela Arruda, execução da obra projetos de Engenharia da Uni Construtora, especializada em ampliação de shoppings, obras de restauração no Rio, Tiradentes e Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, até a fiscalização da obra, a cargo da Concremat. Ao todo, foram 593 pessoas para transformar o MMM em realidade. 

“O Museu das Minas e do Metal é um presente para os mineiros”, resume o presidente do grupo, Eike Batista, com o apoio do pai, Eliezer Batista: “Somos um museu do futuro, interativo, voltado para o conhecimento”. Convidada para fazer a curadoria educativa do MMM, a psicóloga Adriana Teixeira da Costa é mestre em História (PUC-SP), com especialização em Política Internacional, e dedica-se à área de Responsabilidade Social e Curadoria Educativa desde 1991. Para ela, “o museu é uma casa cheia de personagens que vai atrair muitos outros. Em três anos, serão trabalhadas biografias, cartografias e iconografias dentro do cronograma estabelecido para o Projeto Educativo, com seminários, webnários, colóquios e pré-roteiros escolares para professores”, explica. 

Adriana acumula experiência em empresas que desenvolvem projetos nesse segmento, como a C&A, Bunge, Unilever, Nestlé, Vivo, Eli Lilly, entre outras. Na área internacional, destacam-se os trabalhos realizados em programas de Cooperação na América Central (Voluntariado Nações Unidas); Cooperação em Desenvolvimento Comunitário em Moçambique; e parceria com a Alemanha para programas de empreendedorismo social no Brasil. Atualmente, ela mora na região da Filadélfia, nos Estados Unidos, e periodicamente vem ao Brasil, mas confessa que o Projeto Educacional do Museu das Minas e do Metal é algo especial em sua vida. 

“Vou trabalhar com um museu de imagem”, que é a proposta do Marcello Dantas. “A forma didática que ele achou para puxar as pessoas foi personificar a questão das minas. Contar a história a partir de personagens importantes. Alguns históricos, como Chica da Silva, com leitura de textos feita pela atriz Zezé Mota e cenas do filme de Cacá Diegues, em que foi protagonista, e também personagens imaginários, como o Zinc, um boneco de lata”, completa. 

Ela acredita que essa é uma maneira muito positiva de fazer o primeiro contato com o conteúdo denso do museu. Trabalhar o museu como uma casa onde moram várias personalidades da história e personagens do futuro, com informações que serão complementadas pelo educativo, por meio das pesquisas de biografias e do desenvolvimento de dinâmicas e materiais didáticos, o que é desafiante e apaixonante. Preocupações que estão presentes no museu o tempo todo, como na Sala do Meio Ambiente, onde existe um bebê brasileiro, que permite mostrar o quanto se consome de minerais em seu período de vida. Cálculos de impactos positivos e negativos da atividade mineradora poderão ser realizados em um grande ábaco. 

Quando se cria um museu, trabalha-se a autoconsciência daquilo que está no cotidiano, na vida, no dia a dia, que você não percebe. O objetivo é sair e reencontrar o que está lá fora a partir do que está dentro. “É isso que queremos fazer com as escolas, famílias, para que as pessoas comecem a organizar o conhecimento e a perceber o que não viam antes. Estou me deliciando de trabalhar com isso”, diz. 

São parceiros do governo de Minas em outros equipamentos culturais do Circuito Cultural Praça da Liberdade o Banco do Brasil (Centro Cultural Banco do Brasil), a TIM/UFMG (Espaço do Conhecimento) e a Vale (Memorial Minas Gerais/Vale).

 Espaços expográficos: 

Museu das Minas 

No 1º andar – 2º Pavimento: Sala Chão de Estrelas: um planetário invertido, com lunetas e telescópios que apontam para o chão e permitem ver de perto minerais da coleção Djalma Guimarães; Mapa das Minas: um mapa interativo das jazidas minerais de Minas Gerais; Sala das Minas: a história de 11 minas e as particularidades de seus minérios com videoinstalações; Inventário Mineral (acervo físico do Museu Professor Djalma Guimarães): coleção de minerais apresentada em gavetas interativas; Sala Miragem: algumas peças de destaque do acervo flutuam no ar, efeito holográfico; Sala Meio Ambiente: a sala mostra o ciclo de vida de uma mina próxima a Belo Horizonte e apresenta na atração Livro das Leis os direitos e os deveres da mineração. Ainda na sala do meio ambiente, O bebê: plasma mostra uma estimativa do consumo, por um bebê brasileiro, de metais, minerais e outros recursos naturais durante a sua vida; Djalma Guimarães: a imagem do grande geólogo Djalma Guimarães ocupa a última sala do Museu das Minas. 

Museu do Metal 

No 2º piso – 3º Pavimento: Tabela Periódica: sistema de tubos metálicos, com luzes e projeções torna tangíveis os símbolos dos elementos químicos; Sala Ligas e Compostos: mostra como a combinação dos metais cria ligas com características diferentes; Língua Afiada: oito metais e oito eras, com uma superfície escultural ao centro que enfatiza as principais qualidades do metal: maleabilidade e brilho; Janelas para o mundo: o uso dos metais no passado, no presente e nos desenvolvimentos futuros; Estações Interativas: propriedades dos metais e seus processos de produção permitindo o contato direto do público; Mesa dos Átomos: jogo que permite manipular em mesa interativa elementos da tabela periódica; Vil Metal: quantos gramas de ouro eram necessárias para comprar um litro de leite em 1875? E quantos são necessários hoje? O público escolhe uma data e commodities, seja milho, cana, petróleo, água, descobrindo o valor através do tempo.  Logística: um simulacro de brinquedo com escavadeira, transportar até a siderurgia, carregamento em trem até o embarque em navio; Adorno do Corpo: joias de várias culturas podem ser colocadas virtualmente no corpo; Vale Quanto Pesa: estimativa da quantidade de metais no corpo.

AMIZADE, Tema do Novo Curta de ANDRÉ COSTA

O mais recente trabalho do jovem cineasta e agitador cultural André da Costa Pinto, paraibano de Barra de São Miguel que criou o concorrido festival de cinema COMUNICURTAS (Campina Grande),  o curta À minha amiga: um breve relato sobre nós, começa a ganhar as telas nacionais.

                O Doc está na seleção da Mostra Competitiva Nacional do 3º Iguacine – Festival de Cinema da Cidade de Nova Iguaçu/RJ. O Festival acontece de 15 a 21 de abril e conta com a participação de curtas e longas de todo Brasil.

À minha amiga: um breve relato sobre nós é um documentário experimental, com 10 minutos de duração, que mostra a história de Dona Carminha e Dona Inacinha, amigas há mais de 60 anos, elas dividiram alegrias, tristezas, confidências, carnavais e “São Joãos”. Devido às casualidades da vida, uma delas foi acometida por um AVC que comprometeu seus movimentos e sua fala, levando-a a enxergar o mundo de outra forma. A música, que a vida toda esteve presente entre as duas, tornou-se um forte elo para a amizade, trazendo recordações que podem surpreender.

       Com os curtas Amanda e Monick e A Encomenda do Bicho Medonho, André já participou dos principais festivais de cinema do país, conquistando mais de dez prêmios na categoria de melhor filme.

         À minha amiga: um breve relato sobre nós é uma produção do Moinho de Cinema da Paraíba.

 

Teatro no Rio

AmigAtriz cearense Berenice Xavier participa e dá a dica:Flyer_MomentShow.jpg

Selton Mello em Clima de Esperança

Foto: Divulgação

Selton Mello vem sobrevivendo a momentos de desestabilização. Não só sobrevivendo como revertendo a seu favor. Depois do mergulho intenso em Lavoura arcaica (2001), transposição cinematográfica de Luiz Fernando Carvalho para o romance homônimo de Raduan Nassar, passou por uma crise durante as filmagens de Jean Charles (2009), de Henrique Goldman, quando questionou seu vínculo com a profissão de ator. A crise gerou seu segundo longa-metragem como diretor, O palhaço, cujas filmagens estão tomando conta, nesse momento, dos estúdios de Paulínia.

Meu personagem sonha em deixar o circo. Ele se pergunta se realmente quer continuar trabalhando como palhaço. Mas hesita em abandonar o pai, já idoso – diz Mello, sobre Benjamim, que forma com o pai, Valdemar, a dupla circense Puro Sangue e Pangaré.

Os nomes dos personagens, interpretados pelo próprio Mello e por Paulo José, são homenagens aos pioneiros palhaços Benjamin de Oliveira, também compositor e ator, e Arrelia (Waldemar Seyssel), o primeiro a aparecer na televisão brasileira. Antes de começar as filmagens, que irão se estender até 12 de abril (com locações em Ibitipoca, MG), Mello investiu num longo processo de pesquisa, que pretende transformar num produto adicional ao filme.

– Conheci palhaços como Biribinha e Cochicho, que hoje trabalha no circo de Beto Carrero e nos ajudou nas gags físicas – conta Selton, que chama atenção para as mudanças decorrentes da passagem do tempo. – Antigamente, o palhaço era a grande estrela. Depois passou a ter a função de costurar os números.

Não há como deixar de pensar na referência de Bye bye Brasil (1979), de Carlos Diegues, filme que registra o momento de passagem de um país voltado para o entretenimento artesanal para outro, sintonizado nas antenas de TV.

Além de Bye bye Brasil, revi O profeta da fome (1970), de Maurice Capovilla, Tico-tico no fubá (1952), do Adolfo Celi, e filmes de Mazzaropi – enumera Selton Mello.

Paulo José, contudo, diferencia O Palhaço de produções anteriores.

– Acho que Selton não questiona propriamente a decadência do circo. Até porque a crise não é definitiva, mesmo que não vivamos mais a época das tradicionais famílias circenses. Basta notar que o circo é cada vez mais incorporado por quem faz teatro. Luiz Carlos Vasconcelos, por exemplo, criou o palhaço Xuxu – observa Paulo, presente na coletiva de imprensa, ao lado de Selton, da produtora Vânia Catani e de Emerson Alves, secretário de Cultura de Paulínia.

Paulo José (com as filhas Ana e Bel Kutner) volta ao set vivendo o palhaço Valdemar no novo longa de Selton Meelo

O ator sabe do que está falando. Afinal, é ligado ao circo desde o início de sua carreira.

– Sou de Lavras do Sul. Lá eu e meus irmãos tínhamos um circo de fundo de quintal. Depois formei com Flavio Migliaccio a dupla Shazan & Xerife. Eu e Dina (Sfat) fizemos ainda uma dupla de circo na novela O homem que deve morrer recorda Paulo, que poderá ser visto, em breve, em outros filmes, como Insolação (2009), de Felipe Hirsch, e Quincas Berro D’água, versão de Sergio Machado para o romance de Jorge Amado. – Na época do Teatro de Arena os atores viajavam pelo interior e se apresentavam em circos, já que os espetáculos eram concebidos para o formato circular.

Hoje, Paulo perpetua um pouco sua ligação com o circo através do vínculo com o Grupo Galpão. Da companhia, Mello convidou Teuda Bara para integrar o elenco. Também fazem parte da equipe de O palhaço os atores Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Thogun, Hossen Minussi e Álamo Facó. Selton hesitou diante do desafio de acumular as funções de ator e de diretor.

Ofereci o personagem a Wagner Moura, que não pode aceitar por causa de Tropa de elite 2, e a Rodrigo Santoro, que estava envolvido com um filme sobre Heleno de Freitas. Então, decidi fazer. Percebi que não precisaria explicar para outro ator o que queria.

“Sou um cineasta bipolar”

Apesar de retomar o universo do convívio familiar, Selton Mello caminha em direção oposta ao amargo Feliz Natal (2008), sua estreia como diretor. Através da figura do palhaço, ele quer trazer à tona a qualidade lúdica própria da infância.

– Mandei Feliz Natal para Raduan Nassar assistir. Ele me ligou e disse: “Nossa, é um filme tão sem esperança”. Eu contei que estava começando a filmar O Palhaço, ambientado num circo que se chama Esperança. Avisei que será um filme solar. Sou um cineasta bipolar – diverte-se Mello, antes de afirmar sua vocação para a diversidade. – É provável que meu trabalho como diretor contemple projetos tão diferentes quanto os que faço como ator.

No caso de O Palhaço, Mello gostaria que esta nova empreitada fosse classificada como uma “comédia sonhadora”. Uma rápida visita a um dos estúdios do Polo Cinematográfico de Paulínia, onde foi montada a lona do Circo Esperança de Valdemar e Benjamin, sugere uma atmosfera amorosa e nostálgica. Uma sensação impregnada nas cadeiras gastas da platéia, na cortina de veludo, nas luzes coloridas que atravessam o palco e nos muitos ventiladores antigos.

Um filme impregnado de candura é o mais louco que podemos fazer numa época como a de hoje. .. Quando você pensa em coisas alegres, fica distante da morte – conclui.

* Reportagem de Daniel Schenker, Jornal do Brasil