Arquivo do dia: 21/03/2010

RENATO RUSSO em Cds e Filmes

Para relembrar o legado de RENATO RUSSO, um dos maiores ícones do rock brasileiro – que faria 50 no próximo dia 27 -,estão sendo programados relançamentos dos discos em formato de vinil; um CD em que o artista faz dueto com cantoras; outro com a trilha de Faroeste caboclo, filme em fase de pré-produção de Renê Sampaio; e ainda o longa Somos tão jovens, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura. Há também o documentário de Vladimir Carvalho, Rock Brasília, que terá Renato como uma das figuras mais importantes.

A maioria dos tributos se atém ao lado mais conhecido do artista, famoso pelos protestos políticos e sociais presentes nas letras, e ainda pelo estilo carrancudo e fechado na vida pessoal. O Renato que Carminha conhecia na intimidade era outro. “Entre nós foi uma pessoa extremamente carinhosa, brincalhona e festeira. Adorava preparar o Natal e distribuir presentes”, conta ela, que guarda forte lembrança do último momento em que esteve diante do filho. Já bastante debilitado pela doença, foi vê-lo no apartamento em que o cantor vivia em Ipanema, no Rio, e, ao sair, os dois se abraçaram fortemente como nunca. Foi como a despedida. O apartamento onde tudo ocorreu permanece da maneira que ele deixou, como um espaço reservado à família. Daí em diante a popularidade do músico só aumentou.

Renato Manfredini Júnior ou Renato Russo, codinome usado no showbizz, nasceu no Rio, em 1960, mas foi em Brasília que iniciou a carreira musical, inicialmente na banda Aborto Elétrico (1978), de onde saiu por desentendimentos com os integrantes. Com o fim do grupo, começou a se apresentar sozinho, como o Trovador Solitário. Pouco tempo depois, decidiu se unir ao baterista Marcelo Bonfá, ao guitarrista Eduardo Paraná e ao tecladista Paulo Guimarães, na formação do Legião Urbana. O ano era 1982 e, pouco tempo depois o som do grupo começou a invadir as rádios.

Renato tornou-se conhecido em todo o país, como cantor e compositor, sobretudo pelas letras polêmicas, pelo timbre forte, pelo jeito peculiar de interpretar e ver o mundo e pela bissexualidade, assumida publicamente em 1988.

As homenagens não se pautam nas polêmicas geradas pela vida do artista. Os fãs terão acesso, nos próximos dias, apenas às preciosidades. A começar pelos relançamentos de todo catálogo de discos do Legião, na EMI, em formato vinil. Outra aposta é o CD de duetos do cantor com intérpretes como Cássia Eller, Célia Porto e Laura Pausini.

Algumas faixas foram realizadas graças a recursos de tecnologia. “Adorei”, resume a mãe, que teve acesso em primeira mão ao projeto. Haverá ainda o lançamento antecipado da trilha sonora do filme Faroeste caboclo, nome de uma das faixas mais conhecidas de Renato Russo. Com mais de nove minutos de duração, a canção, de 159 versos, narra a vida de João de Santo Cristo, do nascimento numa fazenda no interior da Bahia até a morte, num duelo com Jeremias em Ceilândia, cidade satélite de Brasília.

Doc Brasileiro Vence Guadalajara

O documentário Entre a Luz e a Sombra, de Luciana Burlamaqui, ganhou o prêmio de melhor documentário Ibero-Americano no 25º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara.

Entre a Luz e a Sombra acompanha a vida de três pessoas que se conheceram no Carandiru: a atriz Sophia Bisilliat e a dupla de rap 509-E formada por Dexter e Afro-X.

A relação entre os três protagonistas surgiu em 1999, quando Sophia desenvolvia o projeto “Talentos Aprisionados” no Carandiru e conheceu o trabalho dos rappers. Impressionada com a força das letras da dupla, arranjou uma gravadora para os dois, que lançaram o CD Provérbios 13. Para promover o álbum, a atriz conseguiu uma autorização judicial inédita para que Dexter e Afro-X pudessem divulgar o trabalho fora da prisão, contanto que retornassem ao presídio todos os dias.

O doc marca a estréia na direção cinematográfica da jornalista, produtora televisiva e sócia da Zora Mídia (empresa especializada na produção de documentários e longas-metragens focados em temáticas humanistas), Luciana Burlamaqui, que praticamente realizou a obra sozinha. Com uma câmera digital na mão, acompanhou durante sete anos a vida dos três personagens. Além de diretora, foi cinegrafista, roteirista e produtora.

As filmagens começaram no ano seguinte. A idéia inicial, que era filmar durante um mês, transformou-se numa produção que levou 16 anos para ganhar vida.

Em Guadalajara, outros 13 filmes latino-americanos estavam na disputa. Entre a Luz e a Sombra questiona os métodos do sistema carcerário por meio de quatro personagens centrais.

O filme já foi lançado no circuito nacional – nas grandes capitais – no ano passado, com produção da VideoFilmes.

Gilda de Abreu no Teatro

Divulgação

Para interpretar as muitas facetas de Gilda de Abreu (1904-1979), no musical Vicente Celestino – a voz orgulho do Brasil, com estréia na próxima quinta, no Sesc Ginástico, foi preciso escalar duas atrizes.

Camila Caputti (esquerda) é a Gilda jovem cantora, que se apaixona pelo compositor Vicente (1894-1968), e Stella Maria Rodrigues é a Gilda madura, que abdica da carreira musical para se dedicar ao marido. Além de ser a primeira oportunidade de mostrar seu canto lírico no palco, Camila teve outros motivos (quase bizarros!) que a empurraram para o papel. “Minha família veio da Calábria, na Itália, e a de Vicente também. E ele era a cara do meu avô. Além disso, minha mãe se chama Gilda”, conta Camila, que acabou de voltar de uma turnê pela França com a opereta Fedegunda e, no segundo semestre, a leva para a Itália. As razões de Stella para se fascinar por Gilda não foram tão místicas, mas igualmente intensas. “A história de amor do casal é arrebatadora, porque era um amor sem competição. Ela deixou o canto de lado para cuidar dele, mas, mesmo assim, não virou dona de casa.

Escrevia poesias e se tornou uma das primeiras mulheres a dirigir um filme”, afirma Stella, antes de contar algumas curiosidades: “Os dois eram ativos politicamente e se recusaram a cantar para o então presidente Costa e Silva. Quando Vicente morreu de câncer, Gilda sofreu muito. Anos depois, ela ainda mantinha uma foto dele em cima da poltrona na qual o marido costumava se sentar”. Amor assim é para poucos.

* Informações de Heloísa Tolipan

Alice Braga: nova estréia em telas americanas

Os Coletores, filme do britânico Miguel Sapochnik, chega aos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá, tendo como destaques do elenco a brasileira Alice Braga e a dupla Forest Whitaker e Jude Law. 

Law e Whitaker encarnam os amigos Remy e Jake, que se conhecem desde a infância e ficam ainda mais unidos depois de lutarem pelo Exército americano em uma guerra. Quando Remy e Jake voltam para casa, passam a aproveitar suas táticas de guerra para ganhar a vida como pistoleiros de uma companhia muito peculiar. Essa empresa é a The Union, uma poderosa corporação que enriqueceu vendendo órgãos artificiais caríssimos que salvaram e prolongaram a vida de milhares de pessoas no mundo. O trabalho de Remy e Jake, que seguem as ordens do presidente da companhia (Liev Schreiber), é requisitar pela força os órgãos que essas pessoas deixaram de pagar, mesmo que isso represente a morte imediata desses indivíduos. “É um filme que, entre suas muitas mensagens, faz uma crítica social”, explicou Whitaker, para quem Os Coletores critica empresas e bancos que se aproveitam de seus clientes, ao mesmo tempo em que evidencia “o perigo de a sociedade perder a sensibilidade diante da violência”.

Em mais uma incursão em Hollywood, Alice Braga interpreta desta vez a sedutora Beth, uma cantora que tenta fugir do destino macabro de ser uma mulher biônica, melhorada com os órgãos artificiais fabricados pela The Union e que não pode pagar.

“Li o roteiro e fiquei encantada. É uma história diferente de tudo que estava lendo naquele momento. O personagem é muito diferente, muito forte. Me diverti muito nas filmagens”, disse a atriz à Agência Efe.

Os Coletores é baseado no livro The Repossession Mambo, do americano Eric Garcia, e é a estréia de Miguel Sapochnik na direção de um longa-metragem.

A estréia do filme no Brasil está prevista para setembro.