Arquivo do dia: 06/04/2010

CHORANDO pelo RIO…

HÁ 44 ANOS, CIDADE MARAVILHOSA NÃO VIA TANTA ÁGUA

A chuva que atinge o Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido nesta terça-feira deixou ao menos 93 mortos no Estado, informou o Corpo de Bombeiros. Por volta das 16h42, segundo a agencia meteorológica Climatempo, voltou a chover na cidade. De acordo com a corporação, o número de mortos pode aumentar porque diversos corpos ainda estão sendo contabilizados em Niterói.

“Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover, estamos abrindo nossos frontes de trabalho”, disse o sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros. O número de feridos é de ao menos 44.

A maioria das mortes, 40, aconteceu em Niterói, no Grande Rio, disseram os Bombeiros. Segundo a corporação, na capital houve 36 vítimas fatais. Outras cidades afetadas foram São Gonçalo e Nilópolis.

No morro do Borel, na Tijuca, a bebê Ana Marcele Barbosa, de cinco meses, uma jovem de 16 anos e Francisca Bezerra de Souza, 60 anos, morreram soterradas no desabamento da casa em que estavam. Outras 12 pessoas ficaram feridas.

No morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco vítimas fatais, todas de uma mesma família que morava na rua Senador Nabuco. Um deslizamento de terra causou mais cinco óbitos no Morro do Andaraí e outros três no Morro do Turano, ambos na zona norte. A tragédia também fez uma vítima no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste.

A Defesa Civil contabilizou 12 mortos e 15 feridos no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. O caos também se abateu sobre a Região Metropolitana. A prefeitura de Niterói informou que as mortes no município em decorrência do temporal já somam 14 pessoas. Em São Gonçalo, o número chega a nove. Segundo os bombeiros, muitos corpos ainda estão desaparecidos. Nilópolis, na Baixada Fluminense, registrou uma vítima. Em Petrópolis, na Região Serrana, houve a notificação de uma pessoa morta.

Na capital fluminense, as aulas foram canceladas e a população foi orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos e há ainda muitos desaparecidos.

“A situação é crítica. São vias muito alagadas e paradas. A orientação para as pessoas é que não saiam de casa e evitem deslocamentos”, disse por telefone o prefeito Eduardo Paes (PMDB), na manhã desta terça.

Em uma entrevista coletiva posterior, o prefeito informou que em menos de 24 horas choveu em média 288 mm na cidade, e que havia pelo menos 10 mil residências em locais de risco, principalmente em morros e favelas. “É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro”, disse.

De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.

Alagamentos

A Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira, na região central, alagou logo no início do temporal na segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou que tentavam cruzar a região ficaram submersos, muitos foram abandonados.

Prédio ameaça desabar

Um prédio de quatro andares na estrada do Rio Jequiá, na Ilha do Governador, corre risco de desabar. Bombeiros de várias unidades foram deslocados para o local.

Prefeito recomenda: NÃO SAIAM DE CASA

Em comunicado, o prefeito Eduardo Paes pediu que a população evite os grandes deslocamentos de pela cidade, principalmente em direção ao centro.

“A situação é de caos. Todas as vias estão interrompidas e é um risco enorme para quem tentar sair de casa. Não saiam de casa, não levem seu filho à escola até que possamos avaliar melhor a situação e alterar a orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em áreas de risco. A situação é muito crítica”, disse o prefeito.

MAIS CHUVA…

Segundo a Climatempo, a chuva ainda deve atingir o Rio. Uma forte frente fria avança pelo Sudeste do Brasil e o intenso contraste térmico entre o ar polar e o ar quente tropical mantém as condições de chuva constante. Além disso, a temperatura superficial das águas do Atlântico, perto do litoral fluminense, está cerca de 2°C acima do normal.

Em menos de 12 horas foram acumulados, em algumas áreas da cidade, cerca de 300 mm de chuva. No geral o volume acumulado variou entre 150 e 300 mm. O volume normal para todo o mês de abril é de cerca de 140 mm. Ainda chove de forma constante ao longo do dia de hoje, totalizando pelo menos cerca de 70 mm nesta terça-feira. Além disso, o mar sobe muito nas próximas 24-36 horas. Há previsão de ressaca entre esta quarta e quinta-feira.

Aeroportos

O aeroporto Santos Dumont ficou fechado para pousos e decolagens durante três horas na manhã desta terça-feira. O terminal alternou períodos de funcionamento e suspensão das atividades. Às 16h, o boletim da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrava 28 atrasos (27,5%) e 68 cancelamentos (66,7%).

Ainda de acordo com a Infraero, o Galeão, que operou por instrumentos durante o dia, também tinha problemas, com 38 dos 78 voos atrasados (48,7%) às 16h.

Transporte

A Secretaria de Transportes informou que a operação do metrô continua normal na tarde desta terça-feira com intervalos de 6 minutos nas linhas 1 e 2. Os trens operados pela SuperVia também circulam regularmente em todos os ramais, inclusive na linha para Saracuruna, normalizada às 15h30.

Para quem utiliza as barcas, a volta para casa também está garantida. Os intervalos na travessia Rio-Niterói são de 30 minutos. Por determinação da Capitania dos Portos, e em função da baixa visibilidade no mar, as embarcações estão operando com velocidade reduzida e auxílio de instrumentos. A linha Rio-Charitas continua interrompida em função da previsão de ondas de até 3 m. As viagens para Cocotá a partir do Rio serão retomadas a partir das 17h.

Aulas suspensas

A Secretaria de Educação do Rio anunciou que os estabelecimentos de ensino da rede municipal devem suspender as aulas nesta terça-feira. A decisão se deve aos alagamentos causados pelo temporal de 13 horas que atingiu a cidade. A informação é da Globo News.

Ministério Público fechado

O Ministério Público (MP) suspendeu as atividades em todo o Estado devido à forte chuva que atinge o Rio de Janeiro.

IMPRENSA OFICIAL Recebe TROFÉU APCA

 

Empresa receberá o inédito Troféu APCA, entregue pela primeira vez nesta edição como reconhecimento ao seu trabalho desenvolvido em prol das artes e da cultura paulistas. Premiação acontece nesta terça-feira, no Sesc Pinheiros, a partir das 20 horas.

Durante a 54ª edição do prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo terá destaque especial ao ser premiada com o Troféu APCA. Criado pela entidade a partir desta edição para homenagear o trabalho de uma instituição, o troféu será concedido pela primeira vez como reconhecimento ao apoio e incentivo da empresa às artes, principalmente pelo lançamento da Coleção Aplauso.

Segundo a direção da APCA, a coleção é “um registro histórico relevante das artes paulistas”. O presidente da Imprensa Oficial, Hubert Alquéres, receberá o prêmio ao lado de Eva Wilma, Nicete Bruno e Etty Fraser, atrizes biografadas pela Aplauso, e Nydia Lícia, autora de “Eu Vivi o TBC” e da biografia de Raul Cortez, entre outros títulos da coleção. A cerimônia acontece HOJE, a partir das 20 horas, no Teatro Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195.

Com mais de 200 livros lançados desde 2004, a Coleção Aplauso, coordenada pelo jornalista RUBENS EWALD FILHO, reúne grande parte da memória artística nacional, entre biografias, roteiros de cinema, perfis e histórias de emissoras de TV. Seu objetivo é resgatar e registrar a história das artes cênicas nacionais e seus principais protagonistas. Boa parte dessa produção está acessível pela internet: numa iniciativa pioneira, a Imprensa Oficial colocou 174 livros da coleção à disposição para download gratuito no site www.imprensaoficial.com.br/colecaoaplauso. 

Desde sua entrada no ar, em dezembro de 2009, o portal teve 45 mil acessos, com 2,1 milhões de páginas visualizadas e cerca de 50 mil downloads feitos. Neste endereço estão disponíveis para download gratuito 174 títulos da Coleção Aplauso, com biografias de Raul Cortez, Fernanda Montenegro, Mazzaroppi, Cecil Thiré, Eva Wilma e Tônia Carrero; roteiros de filmes como Chega de Saudade, Cidade dos Homens, Contador de Histórias e Zuzu Angel; e a trajetória das TVs Tupi, Excelsior, Cultura e Gazeta e do Teatro Brasileiro de Comédia.

 

Mauro Mendonça autografa sua biografia em dia de lançamento da COLEÇÃO APLAUSO

Além da Coleção Aplauso, seu catálogo editorial reúne 650 livros, incluindo as áreas de Direito, História, Política, Antropologia, Comunicação, Informática e Ciência e Tecnologia. Parte deles é editada e produzida em coautoria com as mais importantes instituições educacionais e culturais do Pais, como USP, Unicamp e Unesp. A Imprensa Oficial possui ainda o selo Imprensa Social, que até o momento publicou 28 títulos.


Tônia Carrero recebe o carinho de TONY RAMOS na noite de lançamento de sua biografia, em belíssima edição, um dos volumes mais festejados da coleção

Ricardo Calil e o Sucesso de Daniel Filho

Das dez maiores bilheterias da chamada “retomada” do cinema brasileiro, Daniel Filho assina seis como diretor, produtor ou supervisor, incluindo o recordista “Se Eu Fosse Você 2″. Em breve, haverá mais um filme seu para a lista, talvez brigando pelo primeiro lugar: Chico Xavier, que já bateu o recorde de bilhteria no final de semana de estréia, com seus 590 mil espectadores.

O que nos leva à pergunta fundamental: o que é o segredo do sucesso de Daniel Filho ? Em entrevista à revista Trip, eu fiz a pergunta diretamente ao cineasta.

 Sua resposta foi a seguinte: “72 anos de vida, 72 anos de experiência. Na verdade, só de carteira assinada são 57 para 58 anos, na Globo como diretor foram 30 anos trabalhando com todo tipo de público… Isso dá um conhecimento na sua alma, no seu sentimento da plateia. Você sabe que na televisão é obrigado a agradar o público de ponta a ponta. Você passa a ter um conhecimento da linguagem do país.” Não é uma má resposta, mas me parece insuficente. Se a questão fosse de quilometragem, um produtor como Luiz Carlos Barreto não estaria em fase de baixa, não teria cometido um erro de avaliação de bilheteria tão grande quanto no caso de “Lula, o Filho do Brasil”.

Há outras frases na entrevista que ajudam a entender melhor seu sucesso. A começar por sua falta de vergonha em relação ao sucesso… Ele diz: “Corro atrás o público como quem corre atrás de um prato de comida”. É uma diferença marcante em relação à maioria dos diretores brasileiros, que costumam dizer que estão fazendo arte mesmo quando fazem apenas escambo. Mas é, na essência, uma diferença de discurso. Muitos outros correm desesperadamente atrás do público.

Então, afinal, qual é a resposta? Talvez seja algo simples: Daniel Filho faz cinema de qualidade (e em escala industrial) para o grande público. Algo que bons artesãos – como Carlos Manga ou Roberto Farias – faziam no passado. É simples, mas ao mesmo tempo muito mais raro que o desejável no cinema brasileiro atual. O que deveria ser regra vira exceção – e, por isso, nos espanta.

Texto do crítico Ricardo Calil

CHICO XAVIER TEM ESTRÉIA LOTADA

O filme Chico Xavier, cinebiografia do médium mineiro, é o novo recordista de estreia da retomada do cinema brasileiro. Segundo  cálculos preliminares da distribuidora Downtown, o filme dirigido por Daniel Filho, que chegou aos cinemas brasileiros na última sexta-feira, foi visto por cerca de 600 mil espectadores em seus três primeiros dias em cartaz.

A média de ocupação é de 1,5 mil por sala, num total de R$ 6 milhões de renda. O recorde anterior pertencia a Se eu fosse você 2 (2009), também dirigido por Filho, que atraiu cerca de 570 mil pagantes no mesmo período, e foi responsável por um total de 6,1 milhões de pagantes.

Lançado no  feriado da Sexta-feira da Paixão, data que coincide com o centenário de nascimento de Chico Xavier, que morreu em 2002, o filme sobre a vida e a obra do líder espírita ocupa um circuito com 377 salas, e é fruto de uma parceria entre a Globo Filmes e a Sony Pictures do Brasil.

Inspirado no livro As Vidas de Chico Xavier, do jornalista Marcel Souto Maior, a produção conta com um elenco grandioso, que inclui Tony Ramos, Christiani Torloni, Letícia Sabatella, Pedro Paulo Rangel, Giovanna Antonelli, Cássia Kiss e Paulo Goulart, entre muitos outros. Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier, revezam-se nas caracterizações do personagem-título na infância, a juventude e na fase adulta, respectivamente.

A performance de abertura de Chico Xavier serve de parâmetro para o fôlego de um filme brasileiro no circuito nacional. Avatar, a superprodução americana dirigida por James Cameron, vendeu mais de 800 mil entradas em seus três primeiros dias em cartaz no país. Já Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto, fez pouco mais de 220 mil espectadores em seu fim de semana de estreia. Rodado entre junho e agosto do ano passado em locações em Minas Gerais (Tiradentes, Uberaba) e Rio de Janeiro e nos estúdios do complexo cinematográfico de Paulínia (São Paulo), o filme custou R$ 12 milhões.

 

Daniel Filho no set com Christiani Torloni e Cássia Kiss…

JORGE SALOMÃO em ENTREVISTA EXCLUSIVA

O poeta e agitador cultural Jorge Salomão, figura emblemática da cena cultural carioca há pelo menos duas décadas, é o entrevistado do programa Conversando com Arte deste domingo, 11 de abril.


 
Baiano de Jequié, acostumado tanto aos bastidores da produção quanto às luzes do palco, Salomão foi testemunha ocular de um movimento que influenciou decisivamente a cultura brasileira na segunda metade do século 20: o Tropicalismo.
 
Ele e seu irmão, Waly Salomão, transitaram fortemente pelos caminhos do movimento que até hoje influencia gerações e gerações de músicos, poetas e artistas brasileiros.
 
No programa deste domingo, em entrevista concedida a jornalista Aurora Miranda Leão no Rio de Janeiro, Jorge Salomão fala com a eloqüência que lhe é peculiar e trafega com competência pelo Audiovisual, Música, Poesia, Artes Plásticas, Moda e mais, com espaço também para seu recente CD – CRU Tecnológico – onde seus  textos estão acompanhados de arrojado tratamento musical.
 
“Quando era pequeno, eu, Waly e minhas irmãs, brincávamos sempre de teatro em nossa casa. Tivemos uma infância rica. Era a época da Rádio Nacional, com cantoras como Marlene, Linda e Dircinha Baptista. Em Jequié, também existiam três cinemas e neles nós assistimos a todos os filmes da chanchada, depois o neorealismo italiano…  No curso clássico, em Salvador, descobrimos Jean Paul Sartre e passamos a ler Marx. Éramos conhecidos como os ‘vermelhos’ pelos outros alunos…  Na juventude, eu li todo o romance nordestino, descobri a obra de Rachel de Queiroz… Essa história de ficar tudo no centro Rio/São Paulo é muito boba. Vivemos num país grande, maravilhoso. É preciso fazer dele um campo de possibilidades. Para isso, estão aí os artistas, os pensadores: eles devem abrir caminhos, derrubar estruturas…
 
“O fato de eu ser nacionalmente conhecido não me coloca numa poltrona, separado de tudo. No Brasil, você sempre deve ficar lutando para não desistir. Então, eu tonifico e quero tonificar, de algum jeito, o pensamento. A gente precisa mudar a cabeça das pessoas. Eu? Já fiz a revolução na minha cabeça. Não me enquadro nesses esquemas de ser maldito, marginal, o escambau”.
 
 Com idéias assim, polêmicas, antenadas com o agora e sempre olhando em direção à não estagnação da criatividade, Jorge Salomão está em entrevista imperdível no próximo CONVERSANDO COM ARTE da Universitária FM, domingo, das 15 às 16h.
 

 
O poeta JORGE SALOMÃO entre as jornalistas  Bernadete Duarte e Aurora Miranda Leão durante o II Curta Lençóis, realizado em novembro passado em Barreirinhas (MA).

O programa, patrocinado pela Banco do Nordeste do Brasil e levado ao ar pela Universitária FM de Fortaleza, é uma produção de Calé Alencar, e pode ser acompanhado pelos endereços www.auroradecinema.com.br e www.radiouniversitariafm.com.br