Arquivo do dia: 14/04/2010

CineIpoema a partir do dia 20

Programação terá 43 filmes 

A CineIpoema, que acontece de 20 a 25 de abril, vai oferecer  filmes e shows em praça pública,  além de oficinas e seminário para qualificação e debates sobre a sétima arte. Toda a programação é inteiramente gratuita. 

De terça a domingo, Ipoema, distrito de Itabira, realizará sua primeira Mostra de Cinema. A programação é inteiramente gratuita e inclui exibição de filmes em praça pública, debates, seminário, oficinas e shows musicais (confira a programação completa logo abaixo). 

O Filme que abre a Mostra, no espaço Elke, é O contador de Histórias de Luiz Villaça, baseado na vida de Roberto Carlos Ramos.  Os longas Orquestra de Meninos, de Pedro Tiago, Alô, Alô Terezinha, documentário sobre a vida de Chacrinha do diretor Nelson Hoineff,  o filme Estrada real da cachaça, de Pedro Urano, Zuzu Angel, de Sérgio Rezende, Menino da Porteira de Jeremias Moreira e o filme Bem próximo do mal, de Sérgio Gomes, também fazem parte da programação.

Além desses, será exibido o longa de animação “O grilo feliz e os insetos gigantes” sobre a nova aventura do personagem criado por Walbercy Ribas e o filme Pequenas Histórias, de Helvécio Ratton, considerado o melhor longa infantil pela Academia Brasileira de Cinema. 

Elke Maravilha, conhecida por sua irreverência é a grande homenageada da Mostra. Elke nasceu na Rússia e aos seis anos de idade foi morar em Itabira do Mato Dentro, cidade à qual pertence o distrito de Ipoema.  A atriz atuou em diversos filmes como Quando o Carnaval Chegar e Xica da Silva, de Cacá Diegues, em que foi premiada com a Coruja de Ouro como melhor atriz coadjuvante.  Atualmente está trabalhando no teatro, com o musical Elke – do Sagrado ao Profano interpretando canções e textos, com direção geral de Rubens Curi e direção musical de Ian Bath. 

A Mostra, já em sua primeira edição, recebeu inscrições de norte a sul do país, com a participação de 10 estados, como Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Ceará, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Além de conseguir trazer um pouco da diversidade audiovisual do Brasil, que é o tema central que permeia toda a programação, a CineIpoema tem se mostrado de grande importância para o distrito. Todos os segmentos da sociedade se envolveram para garantir que a Mostra fosse realizada.

“Reunimos os cidadãos, pousadas, restaurantes, hotéis em prol do festival. As pessoas abraçaram o projeto. É uma semente que vai crescendo com o apoio de todos”, destaca o Coordenador da Mostra, Cléber Camargos. A Mostra também vai contar com a participação de todas as escolas da região. “Vai abrir espaço a quem que não tem acesso ao cinema. Muitos alunos não têm nem televisão em casa.”, completa a Diretora do Museu do Tropeiro, Eleni Vieira.

Breno Silveira Começa Novo Longa

BEIRA DO CAMINHO: Filmagens Começam Amanhã 

As filmagens de Beira do Caminho, novo longa de Breno Silveira, com produção da Conspiração Filmes em parceria com a Fox Film do Brasil, começam amanhã, 15 de abril, na cidade de Juazeiro, na Bahia, e serão encerradas em Paulínia (SP). 

Estrelado por João Miguel, Dira Paes, Ludmila Rosa e Denise Weinberg, o filme conta a história do caminhoneiro João que resolve cruzar o Brasil e nunca mais voltar a sua cidade natal.  Nesta jornada, João conhecerá novas pessoas e lugares. Ao dar carona a um menino, que sonha em encontrar o pai, João embarca numa viagem ao passado que mudará o destino dos dois.

  Ficha Técnica 

Diretor: Breno Silveira

Roteiro: Patrícia Andrade

Produção executiva: Eliana Soárez e Pedro Buarque de Hollanda

Produção: Breno Silveira e Lula Buarque de Hollanda

Direção de Fotografia: Lula Carvalho

Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto

Figurino: Angele Froes

Maquiagem: Marcos Freire

Produção de elenco: Cibele Santa Cruz

Preparação de elenco: Lais Correa

Produtor delegado: Marcos “Tim” França

Direção de produção: Cecília Grosso e Alexandre Mancen

Fernanda Montenegro Ganha Shell

Fernanda Montenegro, premiada como melhor atriz na 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo por sua atuação no monólogo Viver sem tempos mortos, se disse surpresa com o prêmio, em entrevista à rádio Bandeirantes.

 – Aos 80 anos deveríamos ser remidos e a premiação deveria se voltar aos mais jovens, que estão vindo com um talento imenso e necessitam deste reconhecimento. Graças a Deus o teatro se renova. Existe ainda uma devoção ao teatro que é comovente – declarou a atriz, que creditou sua vitória à “antiguidade”. – Às vezes os anos contam. Não me acho nem melhor nem pior do que minhas amigas que concorreram comigo. Tenho uma galeria de prêmios e a gente sempre acha que depois desse não haverá nenhum outro, porque há novas gerações e novos trabalhos – declarou Fernanda, brincando que agora sua “galeria de prêmios está completa”.

Após uma hiato de sete anos, Fernanda voltou ao teatro em Viver sem tempos mortos como Simone de Beauvoir, em um espetáculo austero e focado na interpretação, concebido pela prória atriz, que se baseou na troca de correspondências entre a filósofa francesa e seu marido, Jean-Paul Sartre, sob a direção de Felipe Hirsch.

 – Toda maneira de amar vale a pena. Nunca tive preconceiro com nenhum gênero, desde que a gente não se avilte. Tenho como norma que se experimente, especialmente no campo da interpretação. Todo trabalho é um aprendizado e um desafio de realização. É preciso dismistificar nossa profissão. É um ofício e queremos fazê-lo bem, com domínio de seu instrumental. Todo o período de TV, de cinema, de teatro que eu tenha feito, mesmo que com textos menos nobres ou com direções menos extraordinárias, tudo isto serve. Mas o que me norteia é o teatro. Se eu faço TV, eu levo a sério como no teatro. No cinema, levo minha bagagem de teatro – afirmou a atriz, falando sobre a diferença entre atuar na TV, no teatro ou no cinema. 

Fernanda revelou que é a primeira vez em que ganha um prêmio Shell em São Paulo. 

São Paulo é uma cidade que me recebe sempre muito bem. Não tinha na minha galeria de prêmios um Shell de SP. Quero agradecer a plateia paulista que é extraordinária. Tem uma pulsação que é arrebatadora, dá vontade de aplaudir quando acaba o espetáculo – completou.

 Fernanda falou também sobre a dificuldade em obter recursos para produzir cultura no Brasil. 

– Hoje a cultura brasileira está estatizada, temos que ir à Meca mesmo, à Basílica de São Pedro, fazer o pedido. Aí a cúria vai lá e diz se merece ou não, se está de acordo com as normas deste governo. A vida levou nos levou a bater na porta do governo. Durante 30 anos, para se fazer qualquer tipo de teatro no Brasil, do mais experimental ao mais complacente, íamos ao banco, nos endividávamos. Agora não se faz nada sem aprovação de uma comissão – avaliou a atriz.

Artistas Criam Comitê para Defesa do Direito Autoral

Reunidos segunda-feira no Teatro Juca Chaves, no Itaim Bibi, Zona Sul paulistana, cerca de 50 artistas e representantes de entidades ligadas à classe oficializaram a instalação do Comitê Nacional de Cultura e Direitos Autorais. A medida foi uma clara resposta à decisão do governo de colocar em consulta pública, nos próximos dias, criar o Instituto Brasileiro do Direito Autoral.

A idéia de criar o órgão – apresentada mês passado por Samuel Barichelo, coordenador-geral de regulação e direitos autorais do Ministério da Cultura – viria atrelada a mudanças na atual Lei do Direito Autoral, em vigor no país desde 12 de fevereiro de 1998. 

– Este evento mostra a potência da cultura brasileira e como nós devemos nos defender em um momento tão frágil, em que nós percebemos que há claramente uma intenção de mexerem em algo que diz respeito única e tão somente às classes que têm direitos autorais – opinou Roberto Correa de Mello, presidente da Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes).

Na mesa formada para debater a questão se viam também nomes conhecidos do público, como Zezé Motta e Walter Franco. A atriz e cantora representava a Socinpro (Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Intelectuais) e o compositor, a vice-presidência da Abramus, duas das 24 instituições signatárias do manifesto de lançamento do Comitê Nacional, ligadas a setores como música, indústria do livro, produção de discos e artes plásticas.

 Juca de Oliveira e os músicos Eduardo Gudin e Sílvio César eram alguns dos rostos conhecidos na platéia.

Acho fundamental essa reunião de autores contra a tentativa de apoderamento do poder do criador por grupos políticos. Ou de submeter toda a criação a um tipo de gestão política de controle ideológico – opinou Juca, à saída do encontro.

Zezé Motta preferiu usar sua vez de se manifestar para cantar “O poder da criação” – um hino aos artífices e poetas da música feito por João Nogueira e Paulo César Pinheiro.

Estamos afinados também no discurso em defesa dos direitos autorais, que no Brasil funciona da mesma forma que no mundo todo. Não vejo porque mexerem nisso de cima para baixo, à revelia dos próprios artistas – disse ela.

Todos se comprometeram a continuar se reunindo para defender o sistema atual de controle e fiscalização – a cargo do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição dos Direitos Autorais – e não permitir que o atual governo tenha ingerência no setor, sobretudo estando às vésperas da eleição.

Alceu Valença Dirige Longa

Alceu Valença prepara sua primeira incursão cinematográfica, com roteiro, direção e trilha sonora assinados por ele. Filmado no sertão pernambucano, em lugares nos quais passou a infância e adolescência, como São Bento do Una, sua cidade natal.

O filme A Luneta do Tempo traça um painel da cultura nordestina, impregnado “inconscientemente”, como diz Alceu, em sua obra e pensamento. A necessidade de destrinchar em imagens e versos o imaginário de seus primeiros passos e influências no sertão surgiu após a morte de seu pai, Décio Valença, numa espécie de reflexão sobre o legado que ele e o interior pernambucano lhe deixaram.

Comecei a desenvolver este roteiro há 10 anos. Na minha cabeça eu estava escrevendo um romance, na forma de um inventário das coisas que vi e vivi em São Bento do Una – recorda Alceu, que se apresenta sábado na Fundição Progresso. – Escrevia muito; ia no bar tomar um cafezinho e rascunhava alguma coisa… Até que, em 2002, encontrei o Walter Carvalho, que me perguntou o que eu estava fazendo. Tirei uns papéis do bolso e mostrei pra ele, que respondeu: “Isto é cinema”. Aí foi que me entusiasmei.

Olhando para o passado, Alceu encontrou os elementos para o enredo do filme. As histórias de cangaço, os circos do interior, as festas regionais e a literatura de cordel estão presentes no roteiro, que narra a tragédia de Severo e Antero Filho, dois irmãos que entram em conflito, alimentando um ódio por gerações.

Chapéu de Lampião

Os relatos do cangaço sempre estiveram presentes, seja pelas histórias que eu ouvia ou pelos cordéis que eu lia – comenta o cantor. – Lembro que lá em casa havia um chapéu que diziam ser de Lampião. Em 1938, meu pai estava conversando com uns amigos na Faculdade de Direito do Recife, onde também estudei, e foram avisados que Lampião havia sido assassinado. Alugaram um carro e foram para Angicos, no Sergipe, onde se deu o combate derradeiro. Lá, eles recolheram alguns pertences que ficaram no campo de batalha, entre os quais o chapéu, que foi destruído mais tarde por um bêbado a tesouradas.

A familiaridade com o cinema já não vem de hoje. No início dos anos 50, Alceu conta que São Bento do Una, vivia uma efervescência cultural, com três grupos de teatro e dois cinemas, dentre os quais o Cine Rex, onde, além de assistir às chanchadas da época, experimentou o palco pela primeira vez, aos seis anos.

Um rapaz estava organizando um concurso de calouros e foi à minha escola perguntar se havia alguém que gostasse de cantar. Disseram que tinha o filho de Adelma, que era encapetado e talvez quisesse cantar. Aceitei e cantei É frevo meu bem, do Capiba – lembra Alceu. – Não ganhei o prêmio, que era uma caixa de sabonetes, mas fui muito aplaudido. Posso dizer que o Cine Rex me encaminhou para a música e para o cinema. Lá, assistia aos filmes de Oscarito, Ankito e Grande Otelo. Depois, no Recife, tive contato com o neorrealismo italiano, cinema novo e nouvelle vague.

Como preparação para a empreitada cinematográfica, Alceu vem estudando cinema desde 2002 com Alessandra Lessa. Outros grandes incentivadores foram o diretor de fotografia do longa, Luis Abramo – que se entusiasmou quando Alceu lhe mostrou um plano-sequência que havia feito em São Bento do Una – e o cantor, compositor e cineasta Sérgio Ricardo:

– Procurava um diretor para o filme e fui encontrar o Sérgio em Niterói. Ele disse para eu mesmo dirigir e passou a tarde inteira me falando sobre o eixo de câmera, para não dar pulos na imagem.

Em novembro, Alceu vai gravar no Marco Zero de Recife seu terceiro DVD.