Arquivo do dia: 10/05/2010

MARADONA Quer Ser Superado por MESSI

Treinador afirma que craque do Barcelona fará um grande Mundial na África

Messi e Bojan comemoram gol do BarcelonaPara Maradona, Messi vai brilhar (Foto: Reuters)

Diego Maradona, técnico da seleção argentina,  disse esperar que, na África do Sul, Lionel Messi supere o que ele fez no México (1986) e na Itália (1990).

Eu gostaria que hoje Messi fosse o mais reconhecido. Acho que ele fará uma grande Copa – disse Maradona em um programa do canal argentino “Telefe”.

O técnico argentino assegurou que uma das etapas mais difíceis no cargo foi nos últimos dias, quando teve que escolher “apenas” 23 jogadores para ir à África do Sul.

– Só posso chamar 23 para a Copa. Vários jogadores vão ficar fora. É preciso falar com todos e isso será difícil – comentou.

A única informação antecipada por Maradona sobre a convocação é que o lateral Marcos Angeleri, do Estudiantes, não irá à Copa, já que voltou de lesão há dois meses.

O técnico da seleção confirmou que os jogadores se concentrarão em Buenos Aires a partir do próximo dia 20, para quatro dias depois, no estádio do River Plate, fazer um amistoso contra o Canadá. A viagem para a África será dia 26.

A Argentina está no Grupo B do Mundial, junto com Nigéria, contra quem estreia em 12 de junho. Coreia do Sul e Grécia também estão na chave.

APLAUSO para SÉRGIO RICARDO

Um dos artistas brasileiros mais completos e criativos de todos os tempos, o compositor Sérgio Ricardo dividiu-se, e continua dividindo-se, entre as mais diversas expressões da arte.

Sérgio Ricardo – Canto Vadio, obra escrita por Eliana Pace, coincide com os 60 anos de carreira do artista e prova que ele fez muito mais do que quebrar um violão no palco. O lançamento da Coleção Aplauso acontece hoje na Casa das Rosas. 

“Quem guardou na lembrança apenas a imagem de Sérgio Ricardo quebrando seu violão, talvez ignore a biografia de um dos nomes mais marcantes da cultura brasileira.

Cantor, compositor, poeta, escritor, cineasta com assinatura em uma série de curtas e longas-metragens premiados no Brasil e no exterior, pintor e um dos precursores da Bossa Nova, Sérgio Ricardo é um artista multimídia graças à sua inquietação e que está sempre se revezando entre a música e o cinema, o cinema e a pintura, a pintura e a música”.

É dessa maneira que a jornalista Eliana Pace, autora da biografia de Sérgio Ricardo, resume o significado do artista na abertura do livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com lançamento marcado para HOJE, 10 de maio, às 19 horas, na Casa das Rosas – Av. Paulista, 37.

Todo escrito em primeira pessoa, o livro percorre a vida de Sérgio, pseudônimo de João Lutfi, desde seu nascimento em Marília, interior paulista, no ano de 1930. Seu pai, comerciante, era “um grande contador de histórias” e leitor voraz, enquanto a mãe “cantava o tempo todo, até mesmo na cozinha ou lavando roupa”.

Sua infância foi típica de um menino do interior. Mais velho de quatro irmãos, aos 17 anos foi morar em São Vicente, com um tio. Ali trabalhou na Rádio Cultura, exercendo praticamente todas as funções. Pouco tempo depois realizou o sonho de ir morar no Rio de Janeiro, dessa vez com outro tio. Logo na seqüência, sua família também se mudou para a ainda capital federal.

Após uma breve e indisciplinada passagem pelo Exército, realizou o sonho de tocar piano na noite. Nesta fase fez amizades com diversos artistas que viriam a se tornar, como ele, expoentes da música nacional. Entre eles, Tom Jobim, João Donato, Johnny Alf e João Gilberto – de quem se tornou grande amigo e o influenciou a tocar violão.

 

Uma das curiosas passagens de sua vida aconteceu com Dick Farney, um de seus ídolos: “Ele veio durante o meu ensaio para ouvir Tu És o Sol, que eu tinha acabado de compor, e assim que saí do piano, sentou-se e aprendeu a música na hora. Impressionou-me a sua rapidez, cantou e tocou lindamente, dizendo que queria gravar a música. Fez apenas um reparo num acorde, queria mudar um mi bemol menor por um mi bemol maior, achava que ficaria melhor. Discordei e foi a maior burrice que fiz na vida”. Farney levantou-se do piano, foi embora e não gravou a música.

Entre idas e vindas, foi convidado para ser ator da TV Tupi e radioator da Rádio Tamoio. Depois, passou por várias emissoras, como ator, apresentador e diretor de programas, inclusive pela TV Globo. Sergio conta também sobre seu lado cineasta, tendo dirigido diversos filmes. Era grande amigo de Glauber Rocha – foi autor da trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Terra em Transe, além de filmes de outros diretores – e conviveu com figuras como Roberto Santos, Cacá Diegues, Leon Hirzsman, David Neves, Ruy Guerra, Capovilla e Joaquim Pedro de Andrade. Como se não bastasse, Sérgio foi também ator teatral, tendo sido dirigido inclusive por Augusto Boal e Chico de Assis. 

Fica clara no livro a contrariedade de Ricardo em rotular os gêneros musicais. Até mesmo sobre sua participação na “criação” da Bossa Nova o biografado mostra-se reticente: “Eu gostava muito dos shows que fazíamos, Pernas e outras composições minhas tinham a cara do movimento, mas eu não concordava com as regras estabelecidas pelo clubinho do Ronaldo Bôscoli: ser ou não ser Bossa Nova. ser ou não ser Bossa Nova.Johnny Alf não era Bossa Nova, João Donato não poderia ser Bossa Nova, nem Vinicius com suas canções de amor maravilhosas que ganhavam uma nova dimensão e que fez uma revolução poética na música popular”.

Sua preocupação com as questões sociais brasileiras e sua ligação com os partidos de esquerda fizeram com que fosse censurado durante o regime militar. Criou o Circuito Universitário, pelo qual fazia apresentações com cenários improvisados em universidades e permitia a participação dos estudantes nas apresentações. Quanto mais a repressão aumentava, mais Sergio Ricardo atuava nos “bastidores”, quase isolado, enquanto outros artistas exilavam-se.  

Sobre o famoso episódio em que quebrou o violão no palco, durante o Festival da Record de 1967, Sergio explica que tinha a ver com o avanço da repressão. Mas as conseqüências não foram boas: “O pior foi estar, daí em diante, não só na mira da censura, mas na autocensura das gravadoras, rádios e TVs, fato que dificultava a divulgação do meu trabalho ou da minha contratação para shows. Até ser esquecido como artista”. 

Sérgio Ricardo é ainda autor de três livros e, atualmente, desenvolve outra de suas vocações artísticas: a pintura. No final do livro, há a discografia completa, todas as músicas compostas, as trilhas sonoras gravadas, os filmes dirigidos e os livros escritos.

 

CCBN no Twitter e You Tube

O Centro Cultural Banco do Nordeste está disponibilizando dois canais em mídias sociais: um perfil no microblog Twitter e um canal de vídeos no You Tube.

O perfil no Twitter (www.twitter.com/ccbnb) está compartilhando e colhendo – junto aos internautas – informações, sugestões e opiniões sobre a programação dos três Centros Culturais Banco do Nordeste (Fortaleza; Cariri, em Juazeiro do Norte, na região sul do Ceará; e Sousa, no alto sertão paraibano). O perfil atualmente conta com 363 seguidores.

Recentemente, dentro da programação do IV Festival BNB das Artes Cênicas, a entrevista com o ator, dramaturgo e diretor teatral Ricardo Guilherme foi tuitada ao vivo no perfil do CCBNB, destacando e compartilhando frases emitidas pelo artista sobre sua história de vida e trajetória artística, no decorrer da conversa.

Por sua vez, o canal do Centro Cultural Banco do Nordeste no You Tube (www.youtube.com/user/centroculturalbnb) está exibindo vídeos de entrevistas com os cantores e compositores Raimundo Fagner, Ednardo, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Antônio Nóbrega, com o dramaturgo, romancista e poeta Ariano Suassuna e com o ator Emiliano Queiroz, além de um debate sobre Literatura na Internet e um vídeo institucional sobre o BNB.

Com duração média total de 55 minutos, cada uma dessas entrevistas e debate disponível no canal do CCBNB no You Tube está dividida em cinco a sete blocos. Ao todo, são 44 vídeos publicados no referido canal, segmentados em sete programas especiais (entrevistas e debate), mais o vídeo institucional.

Entre os diferenciais interessantes do acesso a esses vídeos publicados no canal do CCBNB no You Tube, o designer gráfico do Ambiente de Comunicação do BNB, Gabriel Ramalho, aponta: “os vídeos podem ser vistos na Internet, no momento e na ordem em que o internauta desejar e, também, através de dispositivos móveis, em qualquer lugar, como Ipod, Iphone e demais smartphones; além disso, os usuários podem optar por se inscrever no canal de vídeos, recebendo, assim, todas as atualizações em primeira mão; e todos os vídeos podem ser compartilhados em blogs, redes sociais ou enviados aos amigos”.

As entrevistas foram gravadas no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, dentro dos programas Nomes do Nordeste, Literato e Papo XXI. O Nomes do Nordeste mostra a trajetória de vida e a atuação artístico-cultural dos principais nomes da cultura nordestina, por meio de depoimentos de profissionais e artistas reconhecidos nacional e internacionalmente.

Já o Literato contempla a realização de palestras com autores nordestinos, além de debates sobre temas ligados à literatura regional. Nesses encontros, os leitores são apresentados às idéias dos autores, discutindo obras ou temas.

Além do Nomes do Nordeste e do Literato, o CCBNB realiza o Papo XXI. Nesse programa de debates, o tema central são as tendências da cultura para o Século XXI. O objetivo é discutir e aprofundar os conhecimentos sobre temas emergentes da atualidade, com forte repercussão no Nordeste.

Editados no formato DVD, as entrevistas, debates, depoimentos e palestras referentes a esses três programas são veiculados na rede de TVs públicas brasileiras. Organizadas em cinco coleções de dez volumes, esses DVDs são distribuídos gratuitamente pelo Centro Cultural Banco do Nordeste para bibliotecas e estabelecimentos de ensino públicos, equipamentos culturais e organizações não-governamentais, mediante solicitação por ofício. A íntegra das entrevistas com os cantores e compositores Alceu Valença e Geraldo Azevedo também está disponível em forma de livro.

Veja a seguir a sinopse de cada uma dessas entrevistas disponíveis no canal do Centro Cultural Banco do Nordeste no You Tube (www.youtube.com/user/centroculturalbnb):

25 Anos da APTC Gaúcha

Nos últimos 25 anos, a história do cinema gaúcho se entrelaça com a história da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul, sendo os agentes da organização associativa os mesmos agentes do cinema feito no Estado

A APTC – Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul celebra seus 25 anos de atuação, no dia 11 de maio, no Zelig Bar (Rua Sarmento Leite, 1086 – Porto Alegre/RS), a partir das 20h, com o lançamento de projeto APTC 25 anos. Durante o evento será apresentado o novo site da entidade e a programação de atividades ligadas ao projeto, que contempla ações de formação e memória, confirmando a vocação da entidade que é democratizar e qualificar. Estão previstas a publicação de um livro comemorativo, para o registro e reflexão e a realização de um seminário com três edições a ser realizado entre os meses de junho e dezembro, com inscrições gratuitas. Essas atividades contam com o apoio do Fundo Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura. Além disso, o projeto traz uma Mostra de Cinema, em que serão exibidos filmes que marcaram a trajetória da associação (de curtas a longas-metragens) e a realização de um documentário em vídeo, que aborda os 25 anos de audiovisual no RS e a participação da APTC neste processo.

De acordo com o presidente da Associação, Jaime Lerner, a APTC foi criada com este espírito: democratizar o acesso aos meios de produção e organizar os profissionais de cinema no Estado. Ele lembra que na época da fundação, em maio de 1985, o Brasil passava por uma fase de transição, na qual se libertava de duas décadas de Regime Militar e abria seus horizontes para a democracia. Junto com a organização de classe, entrava em cena uma geração de cineastas que marcaram época no cinema brasileiro, primeiro através do curta metragem, na chamada Primavera do Curta, e até os dias de hoje, com a produção de curtas, documentários, telefilmes e longas. Nos últimos 25 anos, a história do cinema gaúcho se entrelaça com a história da APTC/ABD-RS, sendo os agentes da organização associativa os mesmos agentes do cinema feito aqui.

 “Seguramente, podemos afirmar que o período contemporâneo possui traços de uma fase de transição para o audiovisual. Isto em virtude das constantes transformações tecnológicas, da atuação dos agentes e das instituições, do dinamismo do público e das novas formas de recepção disponíveis”, destaca Lerner.

Neste contexto, o Seminário intitulado Tempos de Transição pretende colocar em cena alguns questionamentos inadiáveis: De que maneira a tecnologia interfere na construção da estética e da linguagem do audiovisual? Quais são os novos processos de captação e manipulação de imagens e de que forma eles estão disponíveis para o mercado gaúcho e brasileiro? As políticas culturais para o audiovisual caminham junto com o desenvolvimento do mercado? O RS está atualizado com suas políticas Culturais com o cenário nacional e internacional? Os principais objetivos são a articulação de informação atualizada sobre temas relevantes, a promoção do debate e da reflexão, o incentivo ao intercâmbio de idéias entre o mercado regional e o nacional/internacional, além da contribuição para o aperfeiçoamento teórico-prático dos profissionais do Rio Grande do Sul. Os cronogramas de inscrições e as datas dos encontros serão divulgados em breve, bem como a programação da Mostra de Cinema.

Já a publicação do livro quer tornar perene um pedaço da história da produção audiovisual do Rio Grande do Sul, para contribuir com a compreensão deste espaço e dos seus agentes. A obra buscará apresentar o significado da trajetória da instituição e da produção audiovisual do Rio Grande do Sul no contexto local e nacional, através de um amplo material de pesquisa, depoimentos, documentos e textos de análise e reflexão. A distribuição será gratuita e direcionada para cinematecas, bibliotecas públicas do estado do Rio Grande do Sul, universidades brasileiras com cursos de comunicação e cinema, além de profissionais da área audiovisual. O lançamento do livro será feito em dois eventos, que serão organizados junto a importantes festivais de cinema do Brasil.

TONS de TOTONHO na TV

TONS DE TOTONHO é mais um documentário do cearense CARLOS NORMANDO a ser exibido pela TV Câmara.

Os outros foram o premiado LOLÔ S.A., Celiomar em Dó Maiore Possante Velho de Guerra

As exibições vão ser amanhã, às 5h, sábado (15) às 5:30h. quarta (19) às 6:30h, e sexta, 21, às 22:30h. Vai ser no canal 11 da NET.

 

Alinne Moraes em mais um Filme

Atores Pedro Neschling  e Bruno Mazzeo já estão confirmados para o filme O Jardim Perfumado, adaptação do livro Corrida do Membro, do jornalista Ubiratan Muarrek.

A participação da bela e competente Alinne Moraes está sendo cogitada para um dos papéis. O longa começa a ser filmado somente em 2011.

A direção é de Johnny Araújo (O Magnata) e o roteiro é assinado por Lusa Silvestre e Marcos Jorge.

A história narra as dores do macho em um mundo dominado pelas mulheres.

Memória, Arquivo e Percepção

O Museu Andy Warhol em Pittsburgh, nos EUA, abriga até 18 de julho  mostra individual do artista paraibano José Rufino.

José Rufino (à direita): obra reconhecida no exterior

Blots & Figments, com curadoria da americana Jessica Gogan, reúne 59 obras criadas pelo brasileiro, entre elas, monotipias, desenhos e serigrafias sobre suportes especiais e um vídeo nos quais ele desenvolve a questão da memória, do arquivo e da percepção, tão caras em sua pesquisa – Rufino, nascido em 1965, é filho de um preso político durante a ditadura militar brasileira na década de 1960. Ao mesmo tempo, o artista aproxima suas criações com a linguagem e a relação do artista pop americano Andy Warhol com sua cidade natal, Pittsburgh, fazendo um diálogo entre as duas poéticas.

Para esta exposição, ainda, José Rufino realizou uma série de obras em colaboração com profissionais e pacientes do Centro de Pesquisas de Alzheimer (ADRC) da Universidade de Pittsburgh.

UFOS em Filme no Ceará

Definitivamente, há alguma coisa estranha acontecendo em Quixeramobim. Terra de Antônio Conselheiro, esse pequeno município no interior do Ceará foi palco, nos últimos anos, de uma série de inexplicados eventos sobrenaturais. Aparições de objetos não identificados e casos de abdução em massa se tornaram frequentes, intrigando a comunidade científica internacional. Mas nada, até agora, havia causado tamanha perplexidade pública quanto o trailer do longa Área Q, uma inédita co-produção Brasil e Estados Unidos filmada na árida e montanhosa região.

Vazado recentemente no YouTube, não poderia ousar mais: flashes de luz aterrorizam a população local, ovnis em forma de balão gigante dominam o vasto céu, e Murilo Rosa surge com visual sertanejo, afirmando em inglês que irá viver por mais de “a hundred and twenty years”… Aos que se impressionaram com a originalidade das imagense dos efeitos especiais, contudo, o diretor e produtor Gerson Sanginitto, brasileiro radicado há 14 anos em Los Angeles, garante que ainda há muito mais por vir.

Aquele trailer era só um esboço, não está totalmente pronto. Nem era para ter vazado – avisa o cineasta, que pretende lançar o longa em setembro nas salas brasileiras e em outubro nos EUA. – Estamos trabalhando em efeitos especiais novos, vai ficar muito bacana.

Sanginitto, que comanda uma produtora baseada em Los Angeles (a novata Reef Pictures), pretende inovar o cinema nacional com o intercâmbio entre os dois países.

Quero ter um produto que eu possa comercializar lá fora e no Brasil – planeja. – Minha ideia não era apenas rodar aqui, mas trazer uma coisa nova para o cinema do país, que é a ufologia. Se eu tivesse feito esse filme no EUA, seria apenas mais um filme de ficção científica…

Formado em cinema na Califórnia, pela universidade Cal State (“A mesma em que Steven Spielberg se formou”, lembra), Sanginitto mantém-se fiel às bases da escola de Hollywood. Quer fazer entretenimento acima de tudo, “mas sem esquecer de passar uma mensagem”. Deixando escapar, aqui e ali, um termo em inglês, ele adianta o main plot do longa: Thomas Mathews, um conceituado repórter americano (interpretado pelo ator Isaiah Washington, mais conhecido como o dr. Preston Burke da série Grey’s anatomy, exibida no Brasil pela Sony), viaja até Quixeramobim para investigar casos de abduções. Depois do ceticismo inicial, começa a acreditar que os fenômenos sejam, de fato, reais, encontrando inclusive conexões com o desaparecimento de seu filho, anos antes.

A gente trata a ficção científica de forma poética – explica Sanginitto.Não chamamos os alienígenas de seres do espaço, e sim de “seres de luz”. Queria fazer uma junção de arte com entretenimento. O personagem é movido pela esperança de reencontrar o filho, nunca desiste desse propósito. É uma mensagem bonita, de renovação, que vai tocar as pessoas.

As filmagens no Nordeste foram extenuantes. A primeira tarefa era encontrar atores brasileiros fluentes em inglês. Funcionou facilmente com Tania Khalil, que interpreta uma cientista. Já Murilo Rosa – que, pelo que o trailer dá a entender, tem um papel central na trama – enfrentou dificuldades no início, mas acabou dando conta ao longo da empreitada.

As condições de clima (com sol a pico o dia inteiro) atrapalharam bastante o orçamento limitado. Nas tomadas noturnas, sempre havia a expectativa de, quem sabe, estabelecer algum contato imediato.

Rapaz, vou te dizer que eu estava doido para ver alguma coisa – admite Sanginitto. – O céu do sertão é incrível, mas não vimos nada. A cidade tem um clima diferente, o povo vive 24 horas em função dos contatos extraterrestres. Parece que 30 % da população de lá, se não foi abduzida, pelo menos já teve alguma experiência. Tem uma atmosfera muito boa que deu ao filme a vibe que ele precisava. Você encontra as pessoas na rua e elas já te contam como viram duas bolas de fogo no céu… E não ficam arregalando os olhos, mas falam como se fosse uma coisa normal. É o único lugar no mundo onde alguém recebe aposentadoria do INSS por abdução.

Apesar das dificuldades, Sanginitto afirma que o nicho de coproduções EUA-Brasil continua a todo vapor, e já adianta três novos projetos em andamento: um thriller “puxado para o terror”, uma sátira política, e um drama intitulado Boa noite Cinderala (“Nada a ver com a droga”, ele frisa). No momento, o diretor ainda trabalha, em parceria com a Estação Luz Filmes, em mais um longa baseado na vida de Chico Xavier (As mães de Chico, que terá outra vez Nelson Xavier no papel do médium).

Acho que estamos vivendo uma nova fase do cinema no Brasil, com uma maior preocupação com a questão do comercial, de fazer os filmes se pagarem – avalia Sanginitto. – Com essa coisa de UFO e sci-fi, estamos mostrando o Nordeste por outra perspectiva. É o lado místico, não o da seca e da miséria. Isso é inovador e vai chamar muito turistas. Se Área Q for o sucesso que eu acho que vai ser, o Ceará entrará no mapa.

N.R.: O filme Area Q também teve locações na cidade de Quixadá, terra da escritora Rachel de Queiroz, e conta com o cineasta cearense Halder Gomes (dos premiados curtas O Astista contra o Caba do MalLoucos de Futebol) na produção.

 * Com texto de Bolívar Torres