Arquivo do dia: 11/05/2010

Surf de Floripa Dá Vitória a ZANELLA

      

O jovem jornalista ANTÔNIO ZANELLA – Floripa pra galera –  segue colecionando prêmios com seu comovente documentário de estréia, Uma Luz no Fim do Tubo.

ZANELLA, e os muitos amigos que fez em Ribeirão Pires, estamos felizes da vida com os dois troféus conquistados pelo jovem catarinense na primeira semi-final do festival de Cinema de Ribeirão Pires, Um Novo Olhar, cuja mostra competitiva aconteceu de 2 a 8 de maio no município paulista, servindo de mote para consagrar uma bela porção de amigos, fabricando uma saudável constelação de realizadores-irmãos, agora encharcados de saudades da vila ferroviária de Paranapiacaba…

Que venha 2011 !

SAI LISTA CONCORRENTES de MARINGÁ

Trinta e seis filmes de 11 estados brasileiros são escolhidos para o Festival

Trinta e seis filmes, de onze estados brasileiros, foram os escolhidos para concorrer aos prêmios do 7° Festival de Cinema de Maringá. São 12 curtas-metragens de 35mm, 15 curtas digitais, quatro longas-metragens digitais e cinco longas de 35mm. O Rio de Janeiro ficou com o primeiro lugar, com dez filmes selecionados, dos 38 inscritos. São Paulo, que foi o estado que mais inscreveu filmes (58), ficou com a segunda colocação com oito filmes escolhidos. O estado de origem do Festival, o Paraná, inscreveu 22 filmes e dois foram selecionados. Ao todos foram inscritos 212 filmes, sendo 183 curtas-metragens e 29 longas-metragens. Produtores de 18 estados enviaram seus filmes para o Festival de Cinema de Maringá.

Este ano, foram ampliadas as premiações técnicas com destaque para melhor direção e melhor roteiro. Várias categorias técnicas, entre longas e curtas metragens, receberão premiação com troféu e certificado. Além disso, em quatro categorias haverá premiação em dinheiro. O melhor longa (35mm ou digital) receberá a quantia de R$8 mil. O melhor curta-metragem de 35mm, de ficção ou documentário, receberá o prêmio de R$4 mil. Já o melhor curta-metragem digital de ficção ou documentário e o melhor curta-metragem de animação (35mm ou digital) receberão R$2mil cada. A escolha dos vencedores é feita por júri popular.

Segundo o organizador do evento, Pery de Canti, os filmes que serão exibidos no Festival irão surpreender.  “Recebemos inscrições de filmes de ótima qualidade de conteúdo e com nomes expressivos no cenário nacional de cinema”. Uma prova disso são as premiações recebidas por eles. Um exemplo é o curta de 35mm Groelândia, da produtora Manga Rosa Filmes (RS) que ganhou como Melhor curta-metragem no Festival de Cine Iberoamericano de Huelva (Espanha). Outro filme a ser exibido, na categoria  longas digitais é Calangueiros – uma viagem caipira, da produtora Cândido &Moraes Ltda (RJ), vencedor do Prêmio  Júri Popular de Melhor Longa no 4º Festival de Cinema e Vídeo dos Sertões (PI), em dezembro de 2009.

Um filme de um produtor maringaense estreante no Festival, Elinton Oliveira, também participará. O “Duas Garotas, Um Banheiro, Traição”, da produtora Gato na Árvore Filmes (SP) será um dos destaques da categoria de curtas digitais.

Outro filme premiado que será exibido nas telas do Festival de Maringá é o O Contador de Histórias. O filme, que concorrerá a categoria de longas de 35mm, já ganhou como Melhor Filme Júri Popular , Melhor Filme Crítica, e Melhores atores (os 3 que representam Roberto Carlos) no II Festival de Paulínia, Melhor Filme no II Cine Fest Brasil Madri (Espanha) e Melhor Filme no IV Cinefest Barcelona (Espanha). Em seu filme, o cineasta Luiz Villaça (“Cristina Quer Casar”), recria história real de ex-menino de rua.

LOS ANGELES Vê CHEIROSA…

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Para completar seu 10° festival, é lógico que a
Brasilia só poderia trafegar na cidade mais caótica da América… Los Angeles!!!
E ela esteve lá, entre 27 de abril e 2 de maio.
Parabéns para toda a equipe…

A brasilinha vai ganhar o mundo… rs
 

Lançamentos CINÉDIA

CARYBÉ e Esculturas: Novos Livros Imprensa Oficial

            

QUINTA, no Museu Afro Brasil, acontece o lançamento duplo de obras ligadas às artes visuais: “As Artes de Carybé” e “De Valentim a Valentim – a escultura brasileira – Século XVIII ao XX”, editados pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Museu Afro Brasil.  

As Artes de Carybé 

Famoso em todo o mundo como Carybé, o pintor, ilustrador, desenhista, ceramista, escultor, pesquisador, historiador e jornalista argentino Hector Julio Paride Bernabó tem sua genialidade associada à Bahia, cuja essência soube sintetizar em desenhos, aquarelas, esculturas e grandes murais. 

Argentino de nascimento e baiano por opção, Carybé foi um dos mais produtivos e inquietos artistas que a Bahia abrigou. Agora sua trajetória ganha um livro, As Artes de Carybé, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em parceria com os institutos Afro Brasil e Carybé. 

 

Organizada por Emanoel Araujo, diretor-curador do Museu Afro Brasil, a obra bilíngue – português e espanhol – apresenta reproduções de pinturas, desenhos e ilustrações e fotos de esculturas e murais, além de esboços que marcaram a arte brasileira do século XX. Os trabalhos apresentados no livro são entremeados por diversos textos de pessoas com quem conviveu, como Jorge Amado, Rubem Braga e José Cláudio da Silva. Há ainda uma poesia do imortal PoetaVinícius de Moraes, grande amigo de Carybé, em homenagem ao artista. As artes de Carybé traz toda a cronologia de vida e obra do artista e suas exposições individuais e coletivas.

Fotos: Lalo de Almeida
Cabeças do filho-de-santo Abia no rito de iniciação do candomblé e figura feminina de costas: traço telegráfico de CARYBÉ

 

De Valentim a Valentim 

A obra De Valentim a Valentim – a escultura brasileira – Século XVIII ao XX, de Mayra Laudanna e Emanoel Araujo, conduz o leitor a uma viagem por mais de 200 anos, do rococó carioca até a escultura geométrica, desde o mineiro Mestre Valentim, nascido em 1745, até o baiano Rubem Valentim (1922 a 1991). São registros que remontam à chegada da Missão Artística Francesa e percorrem fatos e momentos importantes como as atividades da Academia Imperial de Belas Artes e Liceu de Artes e Ofícios, as visitas de escultores italianos a São Paulo e o modernismo. A obra tem 448 páginas ricamente ilustradas. 

Fruto de intensa pesquisa, o livro tem textos sobre cada um dos escultores retratados. Alguns, encontrados em museus, acervos, bibliotecas ou em jornais de época, muitas vezes assinados pelos próprios artistas. Os outros, com breves cronologias, foram produzidos pelos autores. Como ilustração, as obras expostas no Museu Afro Brasil, em março de 2009, que retratam não só a história da escultura brasileira, mas também a de escultores europeus que estiveram no Brasil e por aqui deixaram sua marca. 

Os trabalhos pertencem hoje aos acervos do Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, Museu Mariano Procópio de Minas Gerais e a colecionadores particulares de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Há ainda fotografias de monumentos públicos e tumulares. No total, 350 obras estão fotografadas.  

Entre os outros escultores retratados estão Rodolfo Bernardelli, De Chirico, Nicola Rollo, Adolfo Rollo, Honório Peçanha, Arlindo Castellani, Menotti Del Picchia, Victor Brecheret, Antonio Gomide, Galileo Emendabili, Lelio Coluccini, Celso Antônio, Ernesto de Fiori, Francisco Brennand, Frans Krajcberg, Mario Cravo Júnior e Carybé.

TV SAI DO ARMÁRIO

Fruto de ampla pesquisa sobre a cobertura dada pela TV à questão da homossexualidade, a obra revela como as emissoras ainda se pautam pelo preconceito e pela falta de informação. Analisando a programação das emissoras, o autor mostra os equívocos ao lidar com as diferenças sexuais.

Em pleno século XXI, os meios de comunicação ainda abordam a questão da homossexualidade de forma preconceituosa. Embora se esforcem para ser “politicamente corretos”, na prática, são incapazes de lidar com a diferença. Para o jornalista Irineu Ramos Ribeiro, a mídia, em geral, aponta a sexualidade com deboche, discriminação e caricaturização. No livro A TV no armário – A identidade gay nos programas e telejornais brasileiros, lançamento das Edições GLS, ele analisa diversos aspectos do tratamento dado aos gays na programação humorística, em telejornais e em novelas, demonstrando as diversas formas pelas quais o preconceito é estimulado. Baseando-se no pensamento de Michel Foucault e noções da teoria queer, ou teoria do estranhamento, o autor comprova que a televisão brasileira acaba transmitindo valores negativos, depreciativos e caricatos no que se refere aos gays. “Está na hora de mudar de rumo”, afirma Ribeiro, lembrando que a mídia tem um papel determinante na formação de identidade.

Fruto de ampla pesquisa, desenvolvida durante dois anos, incluindo também a observação de toda a programação de TV, a obra abre caminhos para problematizar a maneira pejorativa como a comunidade LGBT é retratada na telinha. Ribeiro mostra, em quatro capítulos, que os meios de comunicação ainda precisam percorrer um longo caminho para retratar as diferenças de gênero, ajudando a reafirmar a identidade gay e a construir um mundo onde a diversidade seja respeitada. “A TV tem dificuldade de se pautar por abordagens que informam sobre a amplitude que o tema sexualidade implica. A consequência disso é que acabam se restringindo à reprodução de enfoques que estimulam o preconceito”, complementa o autor.

Ao longo da obra, o autor discorre sobre o limiar dos gêneros, abordando questões como ambiguidade, identidade, sexualidade e formas de pensar. Fala sobre o desenvolvimento das identidades sexuais “proscritas” no decorrer do século XX e as relações de poder na mídia televisiva. Faz um breve histórico do movimento homossexual no mundo e de algumas de suas lutas até chegar à década de 1970, quando o gênero passa a ter uma conotação social ampla. “O conceito de gênero se refere à construção social e cultural que se organiza a partir da diferença sexual”, revela o autor.

O livro traz ainda um breve relato histórico do surgimento da TV no Brasil e o levantamento da cobertura jornalística televisiva da Parada do Orgulho Gay de São Paulo. Em seguida, o autor examina alguns programas humorísticos que tratam o gay com escracho, um game show que perde a oportunidade de esclarecer que a diferença é saudável e uma novela que acaba apelando para o sentimentalismo na hora de retratar o amor homossexual. “Procuro demonstrar as sutis abordagens em que o preconceito é estimulado e impede a existência de um mundo onde a diferença seja respeitada”, explica o autor.

“Ribeiro tem a rara capacidade de expor as inclinações preconceituosas e reforçadoras de preconceitos que as emissões de TV disseminam em relação aos homossexuais sem cair na tentação de enxergar nisso uma conspiração dos setores dominantes da sociedade. Ele entende a dinâmica da indústria cultural e não a acusa de intenções diabólicas”, afirma Carlos Eduardo Lins da Silva, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, que assina o prefácio da obra.

O autor

Irineu Ramos Ribeiro é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), pós-graduado em História pela mesma instituição e mestre em Comunicação pela Universidade Paulista (Unip). É membro do Centro de Estudos e Pesquisa em Comportamento e Sexualidade (CEPCoS), organização não governamental ligada às questões de gênero e sexo. Integra ainda o Grupo de Estudos “Estética, Mídia e Homocultura” da Universidade de São Paulo (USP). Apresenta trabalhos acadêmicos em diversos congressos e simpósios nacionais e é palestrante da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (Cads), órgão vinculado à Secretaria de Participação e Parceria da Prefeitura de São Paulo, no qual desenvolve trabalhos de capacitação nas questões de gênero, sexualidade, mídia e educação com professores da rede pública.

Título: A TV no armário – A identidade gay nos programas e telejornais brasileiros
Autor: Irineu Ramos Ribeiro
Editora: Edições GLS
Preço: R$ 31,90
Site: http://www.edgls.com.br

SIRON FRANCO Expõe no RIO

Os últimos sete meses de trabalho do artista plástico goiano Siron Franco aportam no Rio, a partir desta terça.

SEGREDOS é o nome da expô que a Caixa Cultural vai oferecer gratuitamente ao público carioca e aos que estiverem de passagem pelo Rio.

As novas obras do consagrado pintor e escultor Siron foram criadas no ateliê dele em Aparecida de Goiânia.

Reconhecido internacionalmente, Siron Franco já teve sua obra representada em mais de uma centena de coletivas pelo mundo, incluindo os mais importantes salões e bienais, e garante que, dentre sua obra, esta série é a que mais exige o olhar atento do espectador.

São figuras que estão encobertas sob várias camadas de tinta. Está vendo aquele Nietzsche ali? – aponta para o canto superior esquerdo da tela SEGREDO número 3. – Só fui perceber aquele rosto depois de três meses.

O mesmo aconteceu com a escultura SEGREDO número 21, que simboliza uma fogueira de São João, composta por mármore sintético incrustado por santos e símbolos religiosos. Siron levou quatro anos para perceber que a obra remetia à memória de sua mãe.

– Demorei a perceber que a escultura era a homenagem que sempre quis fazer a ela. Sabia que não queria algo figurativo, como o rosto dela numa tela. Mas não sabia bem como fazer.

Comecei a trabalhar nessa obra como se os cilindros de mármore estivessem como estacas presas ao chão. Depois percebi que deveriam ser expostos como uma fogueira. Foi quando a obra se mostrou como uma homenagem à minha mãe, pois todos os anos nas festas de São João, ela andava descalça sobre a fogueira; e quando eu encostava no pé dela, era gelado feito mármore.

Inspirações reunidas

Segredos tem início na tela Número 1, produzida sobre um fundo de carvão com CDs dispostos, de forma a simular os furos do cartão que lhe dava acesso ao quarto de hotel em que se hospedou em Caracas, em 2001.

Levei o cartão para o meu ateliê. Um dia o sol bateu nele e os pontos onde estavam os furos começaram a brilhar. Esse momento me tocou. Agora, por que isso me tocou? Este é que é o segredo – afirma Siron Franco. Além disso, há a relação entre a obra e o segredo contido no cartão que permitia eu abrir a porta daquele quarto.

Embora a tela tenha sido produzida em 2001, a ideia da série surgiu quatro anos depois, quando as linhas horizontais e verticais do outro quadro lhe indicaram um caminho para composições, que, na maioria das obras, se encontram formando cruzes.

Nesta série, fui criando mesclando conceitos, imagens, círculos em várias camadas dentro da estrutura vertical e horizontal. Penso no formato da obra, mas, como ela vai se desenvolver, descubro no processo. É como o jazz; você tem o tema fixo, mas os músicos vão improvisando de acordo com o que estão sentindo naquele momento.

A analogia remete ao processo atual de criação do artista. Se até os anos 80 sua obra era composta a partir de imagens bem reconhecidas – principalmente quando contestava a ditadura militar, expondo vísceras e figuras descarnadas – hoje Siron Franco lança mão das linguagens contemporânea para criar e recriar suas obras, se valendo do tempo para agregar conceitos e reflexões num mesmo quadro.

Há tempo atrás eu jogava fora coisas estranhas que produzia no ateliê. Hoje eu guardo. Faço a primeira intervenção e viro a tela para a parede. Vou fazendo isso com vários quadros. Deixo-os lá e parto para retomar o primeiro. Aí olho pra tela e penso qual caminho seguir, como se estivesse esquentando meu sistema nervoso. Pode levar anos. O Millôr Fernandes quando ia lá no meu ateliê sempre dizia: “este quadro está melhorando”. É isso mesmo, as obras vão se impondo, recebendo várias camadas, que representam várias reflexões. Elas vão se mostrando para mim.

A exposição que marca a volta do artista goiano à cidade requer o olhar atento do espectador: “as obras exigem reflexão”

Segredos

CAIXA CULTUTAL – Av. Almirante Barroso, 25 – centro do Rio, ( 21)  2544-4080. De 3ª a sáb., 10h às 22h; dom., 10h às 21h. Grátis.  

* Informações de Bernardo Costa