Arquivo do dia: 12/05/2010

WALTER SALLES, HOJE, no Espaço UNIBANCO

Walter Salles e o professor de cinema da USP, Ismail Xavier. participam do programa Seminários de Cinefilia que promove encontros entre profissionais de cinema e seu público, pela primeira vez, no Espaço Unibanco de Cinema, em Sampa.

O bate-papo que vai girar em torno do depoimento pessoal ou da análise histórica, vai acontecer nesta quarta, 12, e quinta, 13, às 20h30, com entrada franca.

Arquivo/AE

 Walter Salles hoje em aula gratuita no UNIBANCO

Hoje, o tema da aula do diretor de Central do Brasil e Diários de Motocicleta será Fim do Cinema, Fim da Cinefilia? Walter Salles vai falar sobre as formas de resistência ligadas ao cinema, entre outras abordagens.  Já Xavier vai falar sobre A Mediação Civilizadora da Cinefilia. O autor de livros como Alegorias do Subdesenvolvimento e O Olhar e a Cena, vai comentar pela primeira vez sobre sua formação de cinéfilo, além de traçar um histórico da cinefilia. A mediação do encontro será feita pelo editor da PubliFolha Alcino Leite Neto.

“Cinefilia como criação de cinema” será o tema do cineasta Carlos Reichenbach, amanhã. O diretor de Alma Corsária e Dois Córregos, vai explicar a influência da cinefilia em seu processo de criação, além de relatar os fatos importantes de sua formação de cinéfilo. Reichenbach vai dividir a noite com o crítico da Folha Inácio Araújo, cuja aula terá como tema Cinefilia como Crítica de Cinema. A mediação será de Adhemar Oliveira, programador e diretor do Espaço Unibanco de Cinema e do Unibanco Arteplex.

Seminários de Cinefilia – HOJE e amanhã, às 20h30. Local: Espaço Unibanco de Cinema . Endereço: Rua Augusta, 1475. Tel.: 3287-5590. Entrada Franca

APLAUSO para CÉLIA HELENA

 

Artista intuitiva e multifacetada, Célia Helena rompeu os preconceitos de seu tempo, dedicou-se às artes cênicas desde a adolescência e entrou para a história como uma grande educadora. “Célia Helena – Uma Atriz Visceral”, título escrito por Nydia Lícia, conta a trajetória da filha de uma família de dez irmãos saída do interior de São Paulo, que se casou três vezes, foi mãe de duas filhas, um dos grandes destaques do teatro brasileiro e inovadora ao criar uma escola com seu nome. O lançamento da Imprensa Oficial, pela Coleção Aplauso, está marcado para a próxima quinta-feira (13), às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Célia Helena – Uma Atriz Visceral

Nydia Lícia

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Coleção Aplauso

“O essencial é identificar-me com a personagem, pois como atriz sou meio bicho, totalmente intuitiva, não adianta querer racionalizar as coisas. Senti, captei, e pronto, interpreto”. As palavras são da atriz Célia Helena, uma das mais elogiadas seu tempo, ao definir a forma como desenvolvia seu trabalho, reconhecido nos palcos e também no ensino das artes cênicas aos jovens. Na essência, ela era Uma atriz visceral, tal qual sugere o perfil descrito pela também atriz e escritora Nydia Lícia na obra da Coleção Aplauso, produzida pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com lançamento marcado para a próxima quinta-feira (13), na livraria Cultura do Conjunto Nacional. Na oportunidade também será lançada a revista Olhares, da Escola Superior de Artes Célia Helena, editada por Luiz Fernando Ramos, crítico de teatro e um dos editores da revista Sala Preta, da Universidade de São Paulo, onde é professor da Escola de Artes e Comunicação.

Uma das dez filhas do casal Octaviano Raymundo Silva e Lygia Camargo Silva, Célia Helena sempre procurou usar a intuição para nortear seus passos como artista. Aos 15 anos decidiu ser atriz, opção nem sempre bem aceita para os padrões da época. O fato incomum de escolher o rumo de sua vida tão cedo denotava uma independência não usual em famílias burguesas nos idos dos anos 50. 

Celinha, como é denominada por Nydia, enfrentou críticas e conselhos contrários à sua escolha. Convicta, mesmo não podendo ser aceita na Escola de Arte Dramática (EAD) pela pouca idade, se inscreveu no Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo com o intuito de aprender a arte de representar.

Começa então a história de uma das mais elogiadas atrizes brasileiras, dona de uma beleza, talento e personalidade inquietantes. Seu legado foi a participação em mais de cem trabalhos, entre peças de teatro – 80 – e produções de TV, cinema e criação de sua escola de ensino de artes cênicas, hoje uma faculdade. 

A pesquisa de Nydia para contar a trajetória da artista contou com várias fontes, tanto do círculo profissional – as peças, programas de TV, filmes no quais participou e os prêmios ganhos -, quanto pessoal da atriz, entre eles depoimentos da filha, Lygia Cortez, fruto do relacionamento de Célia Helena com Raul Cortez. A obra conta com uma homenagem do diretor José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina, escrita em 2008, por ocasião dos 47 anos do Teatro Oficina Uzyna Uzona

Célia Helena conseguiu chamar atenção mesmo com pouco tempo no curso do Centro de Estudos Cinematográficos. A partir daí foi convidada para participar de um filme e não parou mais. Com menos de 20 anos de idade, ela trabalhava de forma intensa em teatro, cinema e TV, inclusive subindo aos palcos às segundas-feiras. Integrante de grandes companhias contracenou desde cedo com diversos nomes tais como Cacilda Becker, Walmor Chagas e Cleyde Yáconis. 

Célia ainda estava casada com o diretor Paulo Afonso Grisolli, durante a excursão do grupo de Cacilda pela Europa, quando conheceu Raul Cortez, posteriormente o seu segundo marido e pai de Lygia Cortez, a primeira filha da atriz. 

Sua trajetória também incluiu o trabalho na inauguração do Teatro Oficina. Com o grupo, em 1963, estreou “Os Pequenos Burgueses”, um dos marcos e um dos maiores sucessos do grupo de teatro dirigido por José Celso. 

Artista já consagrada decide, em 1975, fundar a Célia Helena Produções Artísticas S/C Ltda. Monta espetáculos voltados ao público jovem e, em 27 de junho de 1977, inaugura o Teatro Escola Célia Helena, na Liberdade, região central de São Paulo. Durante a transformação da antiga fábrica de carimbos em teatro, conhece o arquiteto Ruy Ohtake, pai de sua segunda filha, Elisa.

O espaço foi o primeiro a oferecer cursos para crianças, pré-adolescentes e adolescentes, mantidos até os dias atuais. Como as despesas eram grandes, Célia Helena não parou de trabalhar em produções teatrais e de TV. 

Célia Helena morreu em 1997, aos 61 anos, vítima de um câncer raro que ataca as paredes dos Vasos sanguíneos. Atualmente a Escola Superior de Artes Cênicas é administrada por sua filha Ligia. 

A autora 

Atriz, diretora e empresária, Nydia Lícia estreou em 1948 no Grupo de Teatro Experimental, dirigido por Alfredo Mesquita. Pertence ao grupo de fundadores do Teatro Brasileiro de Comédia, onde permaneceu até 1953. No ano seguinte, em 1954, criou junto com seu marido Sérgio Cardoso a Companhia Nydia Licia-Sérgio Cardoso. Integra a equipe da Escola Superior de Artes Célia Helena. É autora de outros títulos pela coleção Aplauso: “Leonardo Villar – Guerra e Paixão”, “Raul Cortez – Sem Medo de se Expor”, “Rubens de Falco-Um Internacional Ator Brasileiro”, “Sérgio Cardoso-Imagens de Sua Arte” e “Teatro Brasileiro da Comédia-Eu vivi o TBC”.

TELA MIRIM em FLORIPA

Mostra de Cinema Infantil divulga selecionados
  
De um total de 146 filmes inscritos, foram selecionados 71 para a 9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que ocorre na capital de Santa Catarina de 19 de junho a 4 de julho. A listagem completa está em www.mostradecinemainfantil.com.br.
 
Nesta edição, houve crescimento de 25% nas inscrições e a concorrência foi acirrada. “Mais uma vez o aumento da produção e da qualidade técnica, artística e de conteúdo mostram que o cinema infantil brasileiro está cada vez mais ascendente”, diz Luiza Lins, diretora da Mostra. O critério de escolha, segundo Melina Curi, da curadoria, leva em consideração o entretenimento, educação, diversidade cultural e conteúdo adequado para crianças ou adolescentes.
 
São Paulo é o estado com o maior número de selecionados, com 25 filmes. Em seguida, vem o Rio de Janeiro com 15, Rio Grande do Sul com oito, Paraná com quatro e Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal com três filmes cada um. Em menor número, há curtas do Ceará, Pernambuco, Amazonas, Alagoas, Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás.
 
Os selecionados concorrem a quatro prêmios de aquisição da TV Brasil no valor de R$ 5.000,00 para Melhor Ficção e Melhor Animação, que serão escolhidos por um júri formado por profissionais de cinema e de educação, Melhor Filme Júri Popular, com votação do público, e Prêmio Especial, que será indicado por um júri formado por crianças.

Voz ao Telefone ou Abraço: “Relaxantes Naturais”

Voz de mãe ao telefone conforta tanto quanto abraço

Um estudo de pesquisadores americanos sugeriu que ouvir a voz da mãe ao telefone conforta tanto quanto receber um abraço.

Os cientistas submeteram 60 meninas entre sete e 12 anos de idade a situações de estresse e monitoraram as respostas hormonais delas à voz materna, um toque carinhoso e um filme.

Em um artigo na revista científica Proceedings of the Royal Society B, os pesquisadores afirmam que os dois primeiros gestos proporcionam o mesmo nível de conforto – medido pelos níveis do “relaxante natural” oxitocina.

“Assumia-se que a liberação de oxitocina em um contexto social requeria contato físico”, disse a coordenadora do estudo, Leslie Seltzer, da Universidade de Wisconsin-Madison.

“Mas esses resultados deixam claro que a voz de uma mãe pode ter o mesmo efeito de um abraço, ainda que elas não estejam fisicamente presentes.”

Vencendo a distância

As conclusões indicam: mães que precisam sair para trabalhar e deixar as crianças na creche podem tranqüilizá-las com uma simples ligação telefônica.

Pesquisas anteriores feitas com roedores se concentravam na liberação de oxitocina em situações de tensão através do contato físico.

A substância é uma espécie de “sedativo natural” associado à empatia e capaz de aliviar os efeitos do cortisol, o chamado “hormônio do estresse”.

Na pesquisa, as meninas tiveram de falar e resolver questões de aritmética em público inesperadamente, o que fez acelerar os seus batimentos cardíacos e elevar os níveis de cortisol.

Após a experiência, elas foram divididas em três grupos: o primeiro recebeu uma ligação telefônica materna logo após a situação de estresse; o segundo, recebeu um toque carinhoso, como um abraço; o terceiro foi levado para assistir ao filme A marcha dos pingüins, considerado “emocionalmente neutro”.

Segundo os cientistas, os níveis de oxitocina subiram nos dois primeiros grupos em praticamente igual medida. Não houve aumento no nível desse hormônio no terceiro grupo.

* da BBC Brasil

Cannes Terá Curtas Brasileiros

Márcia Farias é uma das poucas participantes da seleção do Brasil em Cannes que pode dizer, sem força de expressão, que desde criança sonha com a oportunidade de participar do festival. Isso porque seu berço é dos mais cinematográficos do cenário brasileiro. Ela é filha do produtor Rivanides Faria, o Riva, sobrinha do diretor Roberto Farias e do ator Reginaldo Faria. A “família de cinema” se completa com os também primos-diretores Lui e Mauro Farias e o primo-ator Marcelo Farias.

Márcia não errou o caminho e igualmente se tornou uma profissional experiente no meio, como assistente de direção dos cineastas Hector Babenco (Carandiru), Walter Salles (Abril Despedaçado) e Sérgio Machado (Cidade Baixa e no recente Quincas Berro d’Água), entre outros.

Mas, só agora, a carioca de 41 anos estréia na direção com o curta Estação. Seu sonho foi além e o filme, inédito por aqui, é o único brasileiro a disputar uma das competições oficiais do festival – a dedicada aos curtas. Além de Estação, outro projeto brasileiro selecionado, no formato, é A Distração de Ivan, de Cavi Borges e Gustavo Melo, a ser exibido na Semana da Crítica.

Há ainda a participação do peculiar Los Minutos, Las Horas, que, apesar de ser da diretora cearense Janaína Marques Ribeiro, representa Cuba na mostra paralela da Cinéfondation pelo fato de ter sido desenvolvido numa escola de cinema do país caribenho. “Demorou um pouco não é?”, brinca Márcia, para então justificar. “É que eu queria encontrar a história certa para desenvolver meu próprio projeto.”

E a chance apareceu durante os testes para atrizes da minissérie Alice (HBO), cuja equipe Márcia integrava, quando uma da jovens ouvida relatou a experiência que valeu a trama do curta. Nela, a personagem interpretada por Carolina Abras chega de viagem no Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, e passa a morar ali e a viver o cotidiano do local, conhecendo freqüentadores e figuras incomuns. “Fiquei impressionada com o que a jovem contou”, diz a diretora.

Estação trata da idéia de um espaço de transição que ao mesmo tempo significa desorientação para alguns e idéia de casa e conforto para outros. O elenco ainda conta com a premiada atriz Denise Weinberg.

A expectativa em Cannes é pela visibilidade que um grande festival como esse propicia a um filme e seu realizador. Especialmente porque Márcia já prepara o primeiro longa-metragem sobre uma avó argentina que vem procurar seu neto no Brasil, depois que a ditadura militar os separou. “Mais uma vez conto uma história sobre o deslocamento de uma pessoa de seu local de origem e as conseqüências disso.

Cavi Borges e Gustavo Melo podem ser estreantes em Cannes, mas a carreira deles tem longa folha corrida. Cavi é proprietário de uma produtora no Rio de Janeiro, responsável por mais de 40 produções no formato curta. Ele mesmo assinou 18 trabalhos. Um deles é justamente A Distração de Ivan, que participou e foi premiado em diversos festivais brasileiros, entre eles o Cine PE e o Amazon Film Festival do ano passado.

“Não acredito que isso tenha ajudado de alguma forma o curta ser selecionado por Cannes”, diz Cavi. “Fiz a inscrição em toda as seções possíveis, mas só depois que o filme esgotou suas chances nas mostras do Brasil. Usei essa estratégia para dar uma vida útil maior ao trabalho.

No filme, coube a Melo, também com trabalhos anteriores no formato, a referência pessoal na história do menino Ivan e suas brincadeiras de bairro sempre atrapalhadas pela avó geniosa. Ela é interpretada pela atriz veterana Myrian Pérsia, ícone de filmes O Grande Momento (1957), que ensina teatro na ONG Nós do Morro, local onde os diretores buscaram apoio para formar o elenco de A Distração de Ivan.