Arquivo do dia: 19/07/2010

Newton Cannito e o Mercado de Cinema

No debate sobre novas políticas públicas para o Cinema, realizado na última sexta, no Festival de Paulínia, Newton Cannito, recém-empossado secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, jogou novas luzes, abriu novas perspectivas, e renovou os ares da discussão sobre a produção cinematográfica do nosso país.

Claro, objetivo, inovador, e desprovido do idioma politiquês que muitas vezes atravanca o discurso político-cultural brasileiro, Cannito foi direto: ‘Acho estranho muita gente dizer que é contra o mercado. O que significa isso? É o mesmo que ser contra a Lei da Gravidade. O mercado somos todos nós. Ou alguém é contra ser remunerado pelo seu filme?’.

A proposta de Cannito é que a produção brasileira deixe de bater de frente com as grandes empresas americanas na luta por um mercado que já é restrito, e que o Brasil comece a se preocupar não só em criar novos mercados, como também em ampliar o pouco que existe.

Traduzindo em números, hoje o país tem 190 milhões de habitantes, sendo que apenas 10 milhões deles freqüentam – nem que seja muito raramente – as salas de cinema. Ou seja, são 180 milhões de brasileiros que nunca, jamais, em tempo algum, pisaram num cinema. E o que é pior: nem pisarão, se tudo continuar como está. Uma primeira preocupação das novas políticas públicas seria começar a prestar atenção nesta imensa massa de pessoas cinematograficamente excluídas.

Roteirista dos filmes Bróder e Quanto Vale ou é por Quilo, Cannito defende também o desenvolvimento de novos nichos no cinema brasileiro. ‘Não fazemos ainda filmes de terror, comédia trash, tecnobrega, filme gospel ou de cowboy’. Comparando Cinema e Futebol, Cannito diz que nossas políticas públicas ‘financiam o jogo, e não o time’. Ou seja, os mecanismos de captação atuais funcionam para um filme isoladamente, e não para um projeto de produção. Como resultado, feito o filme, não há continuidade para a equipe de produção, perde-se o ritmo, e o mercado é prejudicado como um todo. Cada novo filme é um novo recomeço.   

Ainda utilizando o jargão esportivo, Cannito não usa meias palavras: ‘O Cinema Brasileiro precisa deixar de ser Dunga. Precisa parar de só reclamar e se defender, e partir para o ataque’. E provoca: Se o cinema americanoque é feito por americanosconsegue tanto mercado, imagina então o que nós, brasileiros, que somos muito mais criativos que eles, conseguiremos fazer se partirmos para o ataque’.

 * Texto de CELSO SABADIN

PAULÍNIA: Festival de Cinema tem sessões sempre lotadas

A Volta de MALU MADER

 

Talento, charme, beleza, espontaneidade, elegância. Isto é MALU  MADER, atriz que retorna hoje às nossas telinhas como uma das principais atrações da novela Ti Ti Ti, cujo remake é assinado por Maria Adelaide Amaral.

MALU MADER é pura sedução. Sedução pelo charme natural, o frescor e a vitalidade em cena, a forma como interpreta fazendo o espectador tornar-se cúmplice nos primeiros olhares.

Muito BOM saber do retorno de MALU MADER esta noite em TI TI TI…

Malu Mader é um encontro raro de Ser Humano Especial e Atriz de Talento e Vocação. 

VIDA LONGA para MALU MADER !

A Vida Alheia de Falabella

 

 

Miguel Falabella e os nomes principais do elenco de A Vida Alheia...

Depois de conversar meia hora com Miguel Falabella fica óbvia a origem dos diálogos ferinos de Alberta Peçanha (Claudia Jimenez) e Catarina Faissol (Marília Pêra), “as duas doidas” que editam uma fictícia revista de celebridades na série A Vida Alheia, que vai ao ar às quintas-feiras na TV Globo.

Falabella e o co-autor da atração, Flavio Marinho, receberam a reportagem da Folha para uma conversa sobre a série e um almoço cheio de ironias e citações a clássicos do cinema americano.

  Rafael Andrade/Folhapress  
Miguel Falabella
O ator Miguel Falabella, que criou e escreve os roteiros do seriado A Vida Alheia, da TV Globo

FOLHA – Como surgiu “A Vida Alheia”?
FALABELLA – “A Vida Alheia” surgiu no baixo Leblon. Estávamos eu, Claudia Jimenez e Betty Lago no Sushi Leblon e o Candelária, que é o paparazzo que está sempre nos fotografando. Aí ficamos brincando com ele: “Candelária, pega o ângulo direito! Não me fotografa de boca aberta!”, enfim ficamos brincando com ele. Ele é muito gentil e muito querido. Aí eu já sabia que tinha o “Dirt”, mas nunca vi o “Dirt” até pra não dizerem que copiei. Assim nasceu. Quando começamos a produzir, veio “Cinquentinha”, e a Betty estava reservada. Aí eu convidei a Marília. A Betty era pra ser a Catarina.

A Marília não pareceu uma escolha óbvia, embora já tenho feito muita comédia…
FALABELLA – Não sei se eu classificaria “A Vida Alheia” como comédia…

É humor negro…
MARINHO – É humor, sim…

FALABELLA – É verdade… “A menina está em coma? Coma é capa!” [diz Catarina em um episódio]. Eu acho que o que importa é a maneira de se tratar do assunto. Por exemplo, a história do jogador com o travesti. Isso todo mundo já viu, já saiu. O surpreendente ali é o cara falar: “Qual é o problema? Eu sou maior de idade…”

Esse jogador é uma referência clara ao Ronaldo Fenômeno?
FALABELLA – Não é o Ronaldinho, é apenas uma inspiração como várias inspirações que a gente pega e mistura. Mesmo porque os nossos escândalos não chegam nem perto dos ingleses e dos americanos. Isso de originalidade é uma bobagem. Todas as histórias já foram contadas. O negócio é como contá-las e o frescor de diálogo, por isso que a gente aposta no diálogo que traga um ruído novo da TV aberta. Pelo menos é a proposta.

Você coloca a Betty Lago cheirando pó em cena. A Danielle Winits numa casa de suíngue. E tudo isso na TV aberta. Como consegue?
FALABELLA – Tudo é feito com muito bom gosto. É óbvio que a humanidade sabe que ninguém está incentivando ninguém a cheirar pó porque uma doida tá fazendo isso numa festa. Eu acho que negar a realidade é se afastar completamente do público. Quando você insiste no conto de fadas sem abrir a janela e olhar lá pra fora, forçosamente ele se esgota. Nosso objetivo com “A Vida Alheia” é trazer um diálogo que te instigue, que te faça prestar atenção. Não é “Oi, mãe, a Adriana ligou”, “As empresas vão falir” e não sei o quê… Que é um diálogo que você já ouviu ao infinito. Eu fiz uma proposta para a TV Globo de sair de uma prateleira que eu venho fazendo há algum tempo. Eles compraram a ideia.

Miguel Falabella: inteligência e bom humor distribuídos em mil e uma atuações

Você pega situações que você presencia com seus colegas da Globo?
FALABELLA – Nenhum dos meus colegas chega perto de mim. A minha bagagem é muito mais sórdida do que a de qualquer um deles, hahahahaha!

Mas você retrataria a morte do marido da Susana Vieira e todo o escândalo ao redor, por exemplo?
FALABELLA – Eu poria uma mulher que namora com um homem bem mais jovem. É uma ideia. A Susana não é a primeira mulher que se envolveu com um homem mais jovem e se deu mal. Antes dela, várias e depois dela milhões virão. As coisas estão aí. Mas eu me inspiro mais nos escândalos internacionais. Na Inglaterra eles são violentíssimos, eles expõem as vísceras. Não têm o menor pudor. Se eu escrevesse a “A Vida Alheia” lá seria um programa violento.

Mais do que já acusam de ser?
FALABELLA – Ele não é violento. Se fosse mais verdadeiro e menos ficcional o público não ia aguentar, porque a realidade é bem mais dura. Quem tem que entender a mensagem entende. Quem tem que entender vai além.

As pessoas na rua falam da série? Comentam contigo?
FALABELLA – Não, não é um programa popular. Não é o “Toma Lá, Dá Cá”. Muita gente nem sabe que é meu. No Twitter mesmo. Várias vezes me perguntam: “Ah, é você que escreve ‘A Vida Alheia’?” Mas eu sabia que essa ideia de fazer um diálogo mais sofisticado não era para massas.

O que acontece com a audiência?
FALABELLA – Essa geração é diferente.

MARINHO – “A Vida Alheia” foge um pouco da dramaturgia tradicional. Não tem um mocinho e um vilão definidos. Ninguém vale nada.

FALABELLA – Eu não acho que ninguém valha nada lá. Meus personagens não são planos. São humanos. Eu não conheço uma revista como “A Vida Alheia”, honestamente. Acho que não existe essa publicação aqui no Brasil. Não daquele jeito. Porque é uma revista ficcional efetivamente. As revistas de celebridades não focam o escândalo. “A Vida Alheia” tem maldade. Na “Caras”, por exemplo, é tudo lindo.

Na sua opinião, a série é só uma brincadeira sobre a cultura das celebridades?
FALABELLA – Exato! Eu e Arlete Salles, por exemplo, paramos a entrada da peça “Sunset Boulevard”, com a Glenn Close. Porque tinha um grupo de brasileiros e começaram a nos pedir autógrafo no lobby do teatro. E os americanos, como nos viram sendo fotografados, começaram a fazer uma fila pra pedir autógrafo também.

Sem conhecê-los?
FALABELLA – Imagina se algum americano sabe quem sou eu!!!! Ou a Arlete Salles!!! Virou uma confusão no lobby, e o gerente do teatro nos tirou do local. Foi até chiquérrimo porque eles nos levou ao backstage. Só não nos apresentaram a Glenn. Hahahahaha!!! Decerto ela pensou: “ai, esses aborígenes eu não quero ver não…”

Você disse que um jornalista te ligou dizendo que a crítica sobre “A Vida Alheia” ia sair de qualquer jeito e que seria melhor você falar. O que achou de ser pressionado desse jeito?
FALABELLA – Não achei nada. Não me interessa. Não leio aquilo mesmo. Eu já sabia o que aquele jornalista ia escrever. Eu sabia que ele ia desancar. Pelo tom dele. Agora, eu sou igual Eva Todor. Ela contava: “Nunca Iglesias [marido da atriz] permitiu que eu lesse um comentário desagradável e desabonador sobre a minha pessoa. Quando o jornal vinha cortado, eu já sabia… Falam mal de Eva”. Agora, isso diz mais sobre ele que sobre mim. O programa não é ruim, não é mal escrito, não é rancoroso, não é um ataque contra a imprensa, muito pelo contrário. É o espaço ficcional de duas malucas dizendo graças.

“A Vida Alheia, mais interessante que a sua.” Há uma interpretação indireta de que os leitores acham suas vidas muito enfadonhas.
FALABELLA – Claro. A Arlete Salles, por exemplo, vai fazer, na série, o papel da mãe de uma ex-miss. Aí tem uma hora em que ela fala assim: “Mais uma coisa, para nós entrarmos em acordo. Eu não quero mais que seja publicada a minha idade”. Aí a Alberta diz: “Impossível, minha querida. Nossas leitoras não querem envelhecer sozinhas…”. Agora dizer que isso é um ataque à imprensa. Imagina. São personagens super interessantes. Quem dera eu que todos os jornalistas fossem como a Alberta e Catarina. Eu dava até uma festa. E sou encantado com a Catarina e a Alberta. Mas, quando eu era garotinho, gostava das vilãs…

Tem um episódio que vocês chamaram de “Filme Americano”. Ao fim, Catarina diz: “Somos americanos, afinal…” O que você quis dizer com isso?
FALABELLA – Era um brincadeira com o inverossímil. Tinha uma câmera escondida no sutiã, depois teve os artistas que foram pra uma clínica de reabilitação sexual. Quer dizer, dos americanos a gente aceita tudo, no “Law & Order” e tal… Aí vem alguém e diz que nós somos inverossímeis. O americano faz o que quer. Fala inglês na Mongólia, no Cazaquistão. Por isso que eu gosto da Gloria Perez. Todo mundo fala português na Índia e vamos em frente. Aqui o politicamente correto mata a criatividade. Porque é hipócrita e sem substância.

Me pareceu uma crítica ao modo como nossa cultura de celebridades está aproximando da americana…
FALABELLA – Sim, e também foi metalinguístico, de como a série estava parecendo um seriado americano.

Geralmente o casamento é mostrado na dramaturgia como o fim máximo, a redenção. No fim das novelas todos casam. E vocês mostram o casamento de Catarina Júlio como uma coisa torpe. Por que essa opção?
FALABELLA – Desde o início a gente sabia que a Catarina vivia um momento trágico na relação. Meio Virgínia Woolf. Ali virou uma doença. Há muitos casamentos assim, que nem sequer são diagnosticados. Isso era importante para a Catarina como personagem. Ela era uma menina mimada que envelheceu achando que ainda é uma menina mimada. E agora está aterrorizada, porque tem um garoto na vida dela.

MARINHO – Desde o início a gente se refere a esse casamento como um pacto. Tudo que tem na “Vida Alheia” tem esse toque cruel.

Você fizeram um programa que é, ao mesmo tempo, seriado e episódico. Como foi isso?
FALABELLA – Isso aconteceu por acaso. Quando a gente percebeu que queria um tom em cada episódio. Um mais farsesco, um mais dramático. Foi no cinco que a gente começou. O das cantoras sapatonas.

MARINHO – E esse ficou pesado. Uma delas se mata no final…

FALABELLA – Agora, você tem que ver as coisas que eu recebo no Twitter: “Ah, mas eu achei que era comédia…” Tá difícil. É uma questão de sofisticação. Depois do reality show e das redes sociais, a gente tem que repensar a ficção. Uma mudança muito violenta está acontecendo. Você não olha mais o outro com admiração. Você quer ser o outro. Você acredita que no Twitter entram me pedindo pra eu arranjar um [selo] “Verified Account”? Aí eu pergunto: “Por que você precisa de um ‘Verified Account’, tem gente copiando você?” Agora virou um objeto de desejo, porque mostra que você é um celebridade. Eu não sei pra onde vai a ficção. Hoje a celebridade se esgota em si mesma. A pessoa que é famosa por que é famosa. Na verdade é o musical “Chicago”. Elas matam e viram estrelas. E nós não estamos longe disso. O mundo deixou de ser das Margo [estrela do teatro interpretada por Bette Davis em ‘A Malvada’] e passou a ser das Eve [aspirante a estrela que puxa o tapete de Margo].

O que você acha legal do Twitter?
FALABELLA – O legal é que eu me mantenho antenado com o pensamento de pessoas muito mais jovens. E curiosamente tem muita garotada que assiste “A Vida Alheia” e que consegue perceber a ironia do texto. Eles comentam o texto. Botaram uma frase que foi retuitada loucamente: “As mulheres sonham… E os homens? Os homens bebem…” Disso eu fico orgulhoso.

Os atores fizeram laboratório na revista “Quem”, certo?
FALABELLA – Sim, os atores fizeram.

MARINHO – A minha imprensa era diferente. Eu larguei em 1987. Eu tive um editor que uma vez… Foi quando eu percebi que as coisas estavam começando a mudar. Em 1986, fui entrevistar a Marieta Severo. Ela estava lançado a peça “Ligações Perigosas”. Aí ele perguntou: “Apurou a briga dela com o Chico [Buarque]?” Eu falei: “Nem sabia que ela tinha brigado com o Chico… E mesmo que eu soubesse não teria perguntado. Fui lá entrevistá-la sobre a peça”. Ele disse: “Ah, Flávio, a notícia tá debaixo do seu nariz e você não vê”. Aí eu pensei: “As coisas estão mudando”. Vi que a grande imprensa ia tomar um outro rumo.

Vocês gostam bastante das divas de Hollywood, não é?
FALABELLA – Você imagina o que deve ter sido o set de “O que Terá Acontecido a Baby Jane?” [filme estrelado por Bette Davis e Joan Crawford, que se odiavam]. Eu dava um dente da frente pra ter visto.

Não tem mais essas rivalidades em Hollywood…
FALABELLA – Ah, o “star system”… A gente sai nessas revistas ao lado de tudo quanto é tipo de gente. Bandidos, condenados. Você pode ser roubado enquanto é fotografado hoje em dia. Hoje em dia você não precisa mais fazer nada. Mas no coração o público sente. O público sempre sabe quem é quem. Eles querem sangue, mas sabem que querem sangue. Dali espera pão. Dali espera circo.

O que vocês acham de quem diz que quem vota no Lula é ignorante?
FALABELLA – As pessoas sabem perfeitamente o que estão fazendo.

MARINHO – Hoje qualquer porteiro tá indo visitar a família de avião no Nordeste. O aeroporto é a nova rodoviária…

FALABELLA – E eu acho particularmente maravilhoso. A gente sente um crescimento. Infelizmente o crescimento cultural não está acompanhando.

Você foi processado na época de “A Lua me Disse” por racismo. Como foi?
FALABELLA – A melhor história é o processo. A gente foi muito processado naquela época. Por causa de racismo, por causa da índia, da criança presa em jaula. O juiz tinha que ler o laudo, e a acusação era de crueldade infantil. E o menino [da novela] era um inferno. Quebrava tudo e quando a avó queria paz, botava o menino na jaula. Aí quando o juiz vai ler. “Na cena tal, uma personagem fala com dona Sulanca. A senhora é uma louca? A senhora prende o menino na jaula. Não sabe que isso é crime? Resposta da avó da criança: No meu tempo era pior, o macaco tava vivo.” Até o juiz riu. Só se fosse um juiz doido pra condenar. É muita falta de humor.

Você faria uma série como “Weeds” [em que uma dona de casa fica viúva e passa a vender maconha para sobreviver]?
FALABELLA – Se eu fizesse “Weeds” aqui eu tava preso. Já tô quase apanhando por causa da “Vida Alheia”… E a nossa cultura ainda tem um ranço da esquerda radical, que acha que ser bem sucedido é ser uma pessoa escrota e de direita.

Mas houve uma época em que os pobres eram de esquerda e os ricos de direita. Hoje não tem mais isso. Tem até um blog chamado Gays de Direita…
FALABELLA – Mentiiiiiiiiraaaaa!!!! Eu quero ler isso!

MARINHO – Nada mais lamentável…

FALABELLA – Genial!!!

MARINHO – Eu sei de gente que deve estar lá…

Eles dizem que a maioria dos crimes contra gays são cometidas por outros gays. É um cara católico. E ele usa uma frase sua…
FALABELLA – Eu processo essa bicha! O que ela diz?

Quando você falou que achava cafona isso de se interessar pela vida sexual dos outros. Ele usou isso para justificar o direito de estar no armário. Para sempre…
FALABELLA – Ah, mas aí é outra enfermaria, né? Tô nem aí pra isso.

E aquela história de quando você fazia “Negócio da China”, que uma repórter te abordou perguntando sobre a Grazi Massafera?
FALABELLA – Ai, era a festa de lançamento da novela. Eram 3h da manhã. Aí ela me aborda e fica: “Ai, a Grazi é péssima atriz, né? Nossa, a Grazi é um horror…” Quer dizer, ela queria que falasse mal da Grazi. Aí olhei pra ela falei: “Minha filha. A Grazi tá comendo o Cauã Reymond e você tá aí com essa sandalinha e com esse bloquinho na mão. Quem tá melhor na fita?”

E ela?
FALABELLA – Derreteu feito uma Bruxa do Oeste…

O que você pensa dos jornalistas?
FALABELLA – Tem alguns adoráveis. Esse povo que cobre televisão, por exemplo, é tudo meu amigo. Porque eu digo insanidades pra eles… E eles já me conhecem… No dia do lançamento da série, tinha uma menina que eu falei: “Minha filha, vocês da Folha têm mania de achar que eu sou a Gloria Estefan.”

Como assim?
FALABELLA – Parecia que ela era a repórter do Fidel Castro entrevistando a cantora cubana que fugiu pra Miami e se entregou ao capitalismo. Me entreguei a coisas bem piores, diga se de passagem…

Que tipo de coisas?
FALABELLA – Isso é impublicável. Eu poderia ser preso, hahahaha!

Você fuma muito?
FALABELLA – Não, agora tô fumando. Em geral só fumo um depois do almoço, tô fumando agora porque tô aqui conversando. Nem posso fazer isso.

E maconha?
FALABELLA – Não, muito raramente. Nem dá tempo, né? A gente acabou de fazer uma sinopse pra novela das sete. Chama-se “Um Mundo Melhor – A Comédia da Tolerância”.

E qual é o argumento?
FALABELLA – É uma comunidade em um terreno que tem uma loja imensa, tipo Daslu, a “Comprai”, que está sendo investigada pela Polícia Federal e que quer expulsar essa comunidade de negas… Porque é das nêga que a gente gosta, hahahaha!!!

E quem são as negas?
FALABELLA – Ah, tem Mary Sheila e Zezé Barbosa, que são as costureiras que trabalham em uma confecção e que fazem tudo falsificado pra vender na “Comprai”. Elas falam: ‘Isso aqui é uma favela de Mumbai!’ Trabalham 18 horas por dia. E a confecção se chama Chinel…

Até quando vai o seu contrato?
FALABELLA – Até ano que vem.

A Record já te sondou?
FALABELLA – Não… Não…

Os bispos não te querem?
FALABELLA – Acho que não, né?

Por quê?
FALABELLA – Acho que não faço o perfil…

Será? É tudo negócio…
FALABELLA – Não, não… Eu sou muito iconoclasta pra eles… Não imagino esse diálogo de Mumbai na Record… Nem Chinel… “A Comédia da Tolerância”? Na Record?…

MARINHO – Podia ter o in entre parênteses.. A comédia da (in)tolerância…

O que você acha de Geisy Arruda?
FALABELLA – Eu adoro Geisy. Eu amo. Sou louco por Geisy. I love Geisy. E Geisy tá bonita! Eu vi Geisy outro dia. Geisy emagreceu, fez um outro tom [de cabelo]. Já teve uma bicha que passou ali e fez um mel, tirou o lourosa. “I Love Geisy” é um bom título para uma episódio de “A Vida Alheia”.

* Matéria de JAMES CIMINO, da FOLHA, enviado especial ao RIO