Arquivo do dia: 23/09/2010

Edgar Morin em Fortaleza

Mesmo prejudicado pelo som, o pensador francês Edgar Morin empolgou o público na abertura da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes para uma Educação do Presente, ontem no hotel Praia Centro

Professores, estudantes, pesquisadores, políticos. Era grande a variedade de públicos na manhã de ontem no auditório da Fábrica de Negócios do hotel Praia Centro. O motivo principal da casa cheia era a presença do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Ele veio a Fortaleza especialmente para participar da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes para uma Educação do Presente, evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), junto com a Universidade Católica de Brasília (UCB), que segue até a próxima sexta-feira (24) discutindo novas propostas para a educação.
Impressionando tanto pelo conhecimento quanto pela simplicidade, Morin começou suas palavras anunciando que falaria num misto de português com espanhol e explicando que usava chapéu por conta do clima. Tossindo e pigarreando muito, ele apresentou durante cerca de uma hora as bases do que considera os sete saberes necessários para a educação do futuro, por ele chamados de “1º- Erro e ilusão”, “2º – O conhecimento pertinente”, “3º – Ensinar a condição humana”, “4º – Identidade terrena”, “5º – Enfrentar as incertezas”, “6º – Ensinar a compreensão” e “7º- Ética do gênero humano”. “Acredito que um dos saberes, que cada vez me parece mais importante, é a compreensão humana. Compreensão em grupo, entre amigos, entre marido e mulher. Está havendo uma degradação nisso”, apontou Morin.
Mesmo incomodado com o som e com a ausência de um tradutor, o que na maior parte do tempo tornava incompreensível as palavras de Morin, o público acompanhou atento e concentrado cada palavra que ele dizia. “Penso que é possível melhorar a condição humana”, afirmou ele antes de apontar a necessidade de aproveitar o melhor de cada cultura. “A concepção planetária há que conceber a simbiose das culturas. A simbiose do que há de melhor”. E continuou: “Quando um sistema não tem mais poder de resolver seus problemas, ele se destrói e nasce um meta-sistema. É quando ocorre uma metamorfose. Acontece na natureza, como na borboleta. A vida é uma regeneração permanente”.
Público atento

Mesmo ressaltando a dificuldade de ouvir as palavras do filósofo, o estudante de psicologia João Campos saiu satisfeito com a oportunidade de assisti-lo. “Acho muito interessante pessoas com propostas de novas ideias, como é o caso do Edgar Morin. Ele está vendo mais o todo, a complexidade”. A técnica em educação Maria Conceição concorda. “Sua expectativa de esperança é estimulante. Ele ensina que se deve aprender a caminhar caminhando”.

Ruth Cavalcante, representando o Centro de Desenvolvimento Humano e a Universidade Biocêntrica, considerou o evento como um “marco histórico na educação mundial”. Convidada para coordenar os círculos de diálogo sobre os saberes de Edgar Morin e sobre educação biocêntrica, ela comentou “a educação biocêntrica é uma das poucas abordagens que tem como base o pensamento complexo do Edgar Morin. E é importante tirar da conferência a construção da paz. Eu só posso celebrar a vida se eu estiver voltado para essa construção da paz”.

* Texto de Marcos Sampaio

SCORCESE Leva LIMITE à Noruega

Filme brasileiro lançado em 1931 é restaurado e será exibido em festival norueguês

O longa-metragem Limite, clássico experimental lançado em 1931, do diretor Mario Peixoto, será exibido no festival norueguês Filmes do Sul em 10 de outubro.

O filme foi restaurado pela organização World Cinema Foundation, criada por Martin Scorsese, e será exibido na Ópera da Noruega.

Limite, filme sem diálogos falados, vai contar com nova trilha sonora, composta pelo norueguês Bugge Wesseltoft, em parceria com os brasileiros Naná Vasconcelos, Marlui Miranda e Rodolfo Stroeter.

O filme tem 120 minutos e foi o único realizado por Peixoto, sendo um dos 100 filmes mais importantes do mundo, na lista do cantor David Bowie. O festival Filmes do Sul, a acontecer entre 7 e 17 de outubro, é dedicado ao cinema feito na Ásia, África e América Latina. Ao todo, serão exibidos 12 filmes escolhidos pela World Cinema Foundation. O dinheiro arrecadado com a exibição de Limite vai servir para apoiar o trabalho da fundação.

 

Imagem marcantre de LIMITE, filme recém-debatido no Cineclube Vila das Artes, em Fortaleza