Arquivo do dia: 30/11/2010

Diversas Faces da Homossexualidade

Imprensa Oficial Livro revela diversas faces da homossexualidade
Organizada por Horácio Costa, Berenice Bento, Wilton Garcia, Emerson Inácio e Wiliam Siqueira e coeditada pela Imprensa Oficial e Edusp, obra tem artigos apresentados por especialistas em congresso sobre o tema. O lançamento acontece sábado, 4 de dezembro), às 16 horas, na Casa das Rosas, em São Paulo.
Anualmente, no mês de junho, várias cidades brasileiras são cobertas por bandeiras coloridas e tomadas por multidões que se reúnem para celebrar a diversidade e festejar a visibilidade conquistada no espaço social – a Parada Gay realizada em São Paulo é apontada como a maior do mundo. Apesar disso, o Brasil ainda está entre os primeiros países no índice de crimes de ódio contra homossexuais. Direitos básicos, como o casamento, são negados. Esta é uma das várias questões abordadas por “Retratos do Brasil Homossexual – Fronteiras, Subjetividades e Desejos”, livro que a Imprensa Oficial lança em parceria com a Edusp no próximo sábado, 4 de dezembro, a partir das 16 horas na Casa das Rosas – Av. Paulista, 37.A publicação traz artigos e ensaios apresentados durante o IV Congresso da Associação Brasileira de Estudo da Homocultura (Abeh), realizado na USP em setembro de 2008. Cerca de 1/3 deles foi selecionado pelos organizadores para fazer parte da obra. O restante foi reunido em um CD, que acompanha o volume. A organização é de Horácio Costa, presidente da Abeh na época do congresso, Berenice Bento, Wilton Garcia, Emerson Inácio e Wiliam Siqueira Peres.A obra é dividida em cinco partes, cada uma com artigos relativos aos respectivos temas: Homocultura e Direitos Humanos , Homocultura e Literatura, Homocultura e Artes, Universo Trans e Pensar “Identidades”. Alguns dos textos foram produzidos por participantes do congresso que vieram da América Latina e da Espanha, como Fernando Grande-Marlaska, juiz em exercício na Audiência Nacional, equivalente ao Supremo Tribunal Federal espanhol.

O primeiro texto trata de uma das questões mais polêmicas discutidas atualmente, a união entre pessoas do mesmo sexo. “Assegurar somente aos heterossexuais a possibilidade de formar uma família afronta o princípio da igualdade. E, como que vivemos em um Estado democrático de direito – e vivemos – não há como condenar à invisibilidade uma parcela de cidadãos. É uma forma muito perversa de exclusão”, afirma Maria Berenice Dias. De acordo com ela, desde 1992 o Brasil é signatário do Pacto dos Direitos Civis e Políticos da ONU, que em dois artigos proíbe a discriminação por motivo de opção sexual. “Ou seja: negar direitos aos homossexuais é descumprir tratados internacionais, o que compromete a credibilidade do país perante o mundo”. Para ela, isso acontece porque a aparente restrição constitucional, ao invés de sinalizar neutralidade, encobre um grande preconceito que motiva a omissão do legislador, porque existe o receio de ser rotulado de homossexual, desagradar seu eleitorado e comprometer sua reeleição. Isso impede a aprovação de qualquer projeto que assegure direitos à parcela minoritária da população.

Entre os diversos assuntos abordados na obra estão as diferenças entre os movimentos americano e brasileiro na luta pelos direitos homossexuais; o debate sobre a diversidade de gêneros; o homoerotismo nas poesias brasileira, portuguesa e mexicana do Modernismo; o humor e a homofobia; as representações do gay no teatro brasileiro; o tratamento dedicado aos travestis em algumas cidades brasileiras; trajetória da militância política de gays e lésbicas no País; as práticas sutis de discriminação; os efeitos das chamadas club drugs, substâncias utilizadas principalmente por frequentadores de clubes noturnos e raves para facilitar a interação social; e o papel desempenhado pelos veículos de imprensa destinados ao público gay na construção das diferentes identidades da comunidade homossexual.

Imprensa Oficial

Retratos do Brasil Homossexual – Fronteiras, Subjetividades e Desejos
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Edusp
Lançamento: 04/12 (sábado)
Local: Casa das Rosas – Av. Paulista, 37
Horário: 16h00

Moreira Salles, Guardião da Cultura Brasileira

Acaba de chegar ao Instituto Moreira Salles o acervo pessoal do escritor Carlos Drummond de Andrade. A coleção ainda será submetida a inventário e catalogação mas é composta por livros da biblioteca de Drummond, edições de publicações do próprio escritor, cartas, desenhos, fotos e todas as crônicas que ele escreveu para o Jornal do Brasil, de 1969 a 1984. Todos esses documentos estavam sob os cuidados da família. A coleção ficará sob a guarda do IMS em regime de comodato, por dez anos.

Casa onde nasceram e cresceram Walter Salles e o caçula João Moreira Salles: transformada em Instituto, é hoje um templo onde repousam preciosidades da Cultura Brasileira

Aproveitando o recém-lançamento de Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema, nova edição do livro concebido pelo próprio Drummond em 1967, ampliada pelo também poeta Eucanaã Ferraz, o Instituto Moreira Salles preparou um vídeo especial para seu site com 11 traduções do poema No meio do caminho

Participaram da produção David Arrigucci Jr., Matthew Shirts, Paulo Schiller, Jean-Claude Bernardet, Carlos Papa, Yael Steiner, Heloisa Jahn, Pieter Tjabbes, Jana Binder, Sidney Calheiros, Laura Hosiasson e Eucanaã Ferraz.

Filme de João Jardim Impressiona Brasília

Amor ? enfoca relacionamento marcado pela violência física, e recebe aplausos

 

Paixão de trapo e farrapo, que funciona a tapas e beijos? É mais ou menos o mote central de Amor?, de João Jardim, mix de ficção e documentário muito aplaudido pelo público do Cine Brasília. O diretor parte de uma pesquisa com pessoas que viveram relacionamentos marcados pela violência física e, a partir desses casos reais, faz atores e atrizes interpretarem as histórias. O modus operandi dialoga com o já clássico documentário de Eduardo Coutinho, jogo de cena, no qual atrizes interpretam relatos reais. ´Com a diferença de que o filme do Coutinho joga com a ambiguidade entre realidade e encenação, ao passo que no meu é dito que tudo é encenação, logo de início`, diz o diretor.


Foto: Heloisa Passos/Divulgação
 

Amor? tem momentos fortes, em especial graças à atuação de intérpretes como Angelo Antonio, Júlia Lemmertz, Silvia Lourenço e outros, que emprestam credibilidade e dramaticidade às falas. É um filme da fala. E do rosto do ator como tela das emoções. E no que consistem esses depoimentos? Em histórias nas quais as notas do amor e do desejo se entrelaçam com as da violência física.

Ao todo, são oito relatos, sete heterossexuais, apenas um relembrando a turbulenta relação entre duas mulheres. Esse caso de amor lésbico, com todas as suas complicações, paixões e preconceitos envolvidos, é um dos que atingem maior grau de densidade emocional em todo o conjunto de histórias. Silvia Lourenço e Fabíula Nascimento interpretam o casal.

Amor ? foi bem aplaudido no final, palmas que continuaram durante os créditos, quando são apresentados os intérpretes, muitos deles rostos conhecidos da televisão como Du Moscovis, Lilia Cabral e Mariana Lima.

Curtas

Os curtas da noite também foram bons, em especial A mula teimosa e o controle remoto, de Hélio Vilela Nunes (SP), história infantil deliciosa sobre a convivência de dois meninos, um da cidade outro do campo. Um tem problemas com a mula que empaca, o outro, o filho do patrão, traz como brinquedo uma maravilha tecnológica, um aviãozinho acionado por controle remoto. O encanto está na maneira como as duas realidades dialogam.

Café Aurora, de Pablo Polo (PE), investe num visual sofisticado para dar conta de um entrecruzamento de experiências Um garçom se encanta pelo mundo das esculturas, enquanto a artista plástica saboreia o ótimo café feito pelo garçom Refinado.

Os nomes dos contemplados saberemos hoje à noite quando forem distribuídos os Candangos, os troféus do Festival de Brasília, depois da exibição hors concours de Os deuses e os mortos, de Ruy Guerra, em cópia restaurada.

* Informações do Diário de Pernambuco