Filme de João Jardim Impressiona Brasília

Amor ? enfoca relacionamento marcado pela violência física, e recebe aplausos

 

Paixão de trapo e farrapo, que funciona a tapas e beijos? É mais ou menos o mote central de Amor?, de João Jardim, mix de ficção e documentário muito aplaudido pelo público do Cine Brasília. O diretor parte de uma pesquisa com pessoas que viveram relacionamentos marcados pela violência física e, a partir desses casos reais, faz atores e atrizes interpretarem as histórias. O modus operandi dialoga com o já clássico documentário de Eduardo Coutinho, jogo de cena, no qual atrizes interpretam relatos reais. ´Com a diferença de que o filme do Coutinho joga com a ambiguidade entre realidade e encenação, ao passo que no meu é dito que tudo é encenação, logo de início`, diz o diretor.


Foto: Heloisa Passos/Divulgação
 

Amor? tem momentos fortes, em especial graças à atuação de intérpretes como Angelo Antonio, Júlia Lemmertz, Silvia Lourenço e outros, que emprestam credibilidade e dramaticidade às falas. É um filme da fala. E do rosto do ator como tela das emoções. E no que consistem esses depoimentos? Em histórias nas quais as notas do amor e do desejo se entrelaçam com as da violência física.

Ao todo, são oito relatos, sete heterossexuais, apenas um relembrando a turbulenta relação entre duas mulheres. Esse caso de amor lésbico, com todas as suas complicações, paixões e preconceitos envolvidos, é um dos que atingem maior grau de densidade emocional em todo o conjunto de histórias. Silvia Lourenço e Fabíula Nascimento interpretam o casal.

Amor ? foi bem aplaudido no final, palmas que continuaram durante os créditos, quando são apresentados os intérpretes, muitos deles rostos conhecidos da televisão como Du Moscovis, Lilia Cabral e Mariana Lima.

Curtas

Os curtas da noite também foram bons, em especial A mula teimosa e o controle remoto, de Hélio Vilela Nunes (SP), história infantil deliciosa sobre a convivência de dois meninos, um da cidade outro do campo. Um tem problemas com a mula que empaca, o outro, o filho do patrão, traz como brinquedo uma maravilha tecnológica, um aviãozinho acionado por controle remoto. O encanto está na maneira como as duas realidades dialogam.

Café Aurora, de Pablo Polo (PE), investe num visual sofisticado para dar conta de um entrecruzamento de experiências Um garçom se encanta pelo mundo das esculturas, enquanto a artista plástica saboreia o ótimo café feito pelo garçom Refinado.

Os nomes dos contemplados saberemos hoje à noite quando forem distribuídos os Candangos, os troféus do Festival de Brasília, depois da exibição hors concours de Os deuses e os mortos, de Ruy Guerra, em cópia restaurada.

* Informações do Diário de Pernambuco

Uma resposta para “Filme de João Jardim Impressiona Brasília

  1. Gostaria de ter um email ou blog do Joao Jardim, tenho uma sugestão de um filme pra ele.
    Obrigado pela atenção .
    Ana Rigazzo

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