Arquivo do mês: dezembro 2010

TRIBO DO TEATRO se Despede…

Tribo do Teatro / Ano 1
  
HOJE, sexta, 31 de dezembro, na Roquette-Pinto FM (94,1), ao meio-dia e meia, ou pelo site 94fm.rj.gov.br. 
(a edição anterior pode ser ouvida em qualquer outro horário, durante a semana, acessando o site da emissora). 
 

BASTIDORES: Futuras Estreias

Pequenos Burgueses, de Gorki, pelo grupo Nós do Morro

Paletó de Lamê, com o Lado B da Nossa Música

ONDE: Teatro Municipal Café Pequeno.  

  

Retrospectiva:  Sergio Fonta faz um balanço do movimento teatral neste ano: “Claro que, num curto espaço de tempo, é impossível falar de todos os espetáculos de 2010, mesmo porque foi um ano rico, com dezenas de bons trabalhos. Mas pontuamos alguns entre os muitos, lembrando também, na medida do possível, daqueles que não estouraram na mídia, mas tinham igual qualidade. Feliz Ano Novo a todos e até 2011, com muitos palcos iluminados”!                          
 
Contatos
Rádio Roquette-Pinto FM / Arte em Movimento / Tribo do Teatro (Av. Erasmo Braga, 118 / 11º)

  
Remessa de livros: Rua Paula Freitas 45 / 801  cep: 22040-010  Rio de Janeiro-RJ
  

Vá ao teatro ! 

 

 

 

Você precisa de teatro e

o teatro precisa de você !

Mais do REI…

Roberto Carlos avalia a possibilidade de relançar primeiro disco de sua carreira, Louco  por você (1961).  A decisão ainda não está tomada por conta da qualidade de som do disco, que talvez não seja suficiente para competir no mercado atual.

Único registo da fase de RC pré-Jovem Guarda, a obra traz, entre as 12 faixas, iê-iê-iês e boleros. Quem tiver a chance de ouvir a raridade, encontrará algumas composições originais de Carlos Imperial como Chorei, Ser bem e Não é por mim, e versões que fizeram sucesso na época, como Loucos por você.

Seria uma grande alegria pros inúmeros fãs de todo o mundo se o Rei resolvesse presentear seus fãs com a novidade. Porém, caso a surpresa não se confirme, Roberto cogita a possibilidade de lançar um disco de inéditas em 2011. O cantor já até adiantou que possui grande parte do repertório. Na verdade, o álbum de inéditas já vem sendo prometido desde 2009. Por questões pessoais, Roberto pensou em lançá-lo em 2010, mas, diante de tantos compromissos, não conseguiu. O lançamento para o ano que vem também não é certeza e o artista garante que só lança se estiver muito satisfeito com o resultado. A nós, fãs, resta torcer ! E é o que já estamos fazendo…

Vida longa para ROBERTO CARLOS !

FELIZ ARUANDA NOVO !

  
Eis o criativo cartão de BOAS FESTAS que recebemos do atencioso agitador cultural e documentarista BERTRAND LIRA, tendo como “modelo’ o sapeca JUAN, que durante o concorrido festival paraibano formava – com a bela maninha Maria Olívia e o primo Gabriel – o Trio ARUANDINHA.
 
Juan e Maria Olívia são filhos do casal Lúcio Villar, idealizador e coordenador-geral do Festival ARUANDA de Documentários, que já virou tradição dos dezembros culturais em João Pessoa, cresce a cada ano e se consolida como um dos mais importantes do país.
 
O cartão é uma grata surpresa, que divido com você, leitor amigo, torcendo pra que, na próxima edição, o Trio ARUANDINHA faça as entregas dos troféus aos vencedores da Mostra ARUANDINHA – sessões de filmes infantis que acompanham a programação oficial do FestARUANDA.
 
E nós fazemos coro: FELIZ 2011 e um Novo Ano de muito CINEMA BRASILEIRO ! 
 
 

POEMA DE NATAL com ÁGUA

 

 Os votos do AURORA DE CINEMA para que o CLIMA de PAZ & FRATERNIDADE do NATAL se propague por todos os dias do NOVO ANO que se avizinha, através das belas palavras do poeta de Goiânia, MIGUEL JORGE:

        POEMA DE NATAL COM ÁGUA

Do menino se via os pezinhos cruzados,

o sol, nas águas do seu corpo,

secava os cabelos prateados.

 

Em meus olhos, outro menino

na Manjedoura, talhado em ternura,

nada sabe do mundo.

E se fosse somente pelos pés, um menino

seria o outro, afora a costura do tempo.

As alucinações do mundo, as mesmas,

a desorganizar sonhos em imagens

pelo planeta. 

Que fosse por este Natal, o encontro das raças.

De alguém a atar abraços, os dedos assim,

entrelaçados ao acaso. A vitória do Amor, na

leveza do silêncio que o alimenta.

 

Entre um céu e outro, o sol enche de luz

os objetos. Bichos e santos num instante

de eternidade a se renovar naquela noite.

 A chama da beleza rudemente acesa floresce

 as distantes manhãs: e que nada se diga dos

mistérios dos corações, as águas dos rios

a destrançar hemisférios.

É Natal! Deito-me e o nome continua

a ecoar enorme dentro de minha infância:

                        É Natal !

 

Um breve rumor de palavras escritas

na alma e, outras tantas, que mudas,

ficaram por se dizer.

É Natal ! Precisamos justificar

o peso do tempo que passa,

pesa e nos enlaça.

Novela de Gilberto Braga Vai Ganhar o Cinema

A Novela das Oito Marca Estreia de Odilon Rocha como cineasta 

O cenário montado no antigo colégio Sagrado Coração de Jesus, no Alto da Boa Vista, transporta quem está presente no set de filmagem de A Novela das Oito diretamente para a década de 70. Ao ver todos os elementos daquele tempo reproduzidos para o longa de estreia de Odilon Rocha, a impressão que se tem é de estar assistindo aos bastidores de um folhetim de época. O que não deixa de ser verdade, já que o pano de fundo para esta história é Dancin’ Days, novela de 1978 escrita por Gilberto Braga.
 
Odilon, radicado há 20 anos em Londres, é um pernambucano fascinado por novelas e ‘Dancin’’ marcou sua infância. “É uma homenagem aos folhetins. O futebol e o Carnaval que me desculpem, mas a telenovela é o fenômeno nacional”, afirma. Sendo uma paixão dos brasileiros, nada melhor que atores que a representem. Claudia Ohana é a musa, segundo Odilon, acompanhada por Vanessa Giácomo, Mateus Solando e Alexandre Nero, entre outros nomes televisivos.
Cláudia Ohana será a protagonista de A Novela das Oito
Com roteiro também assinado por Odilon, A Novela das Oito conta a história entrelaçada de um grupo de seis pessoas, em que o fio condutor da trama são os adolescentes Caio e sua melhor amiga, Mônica (Thaís Muller). Os personagens estão vivendo o auge da década de 70 e sonham com tudo que está sendo mostrado por ‘Dancin’ Days’, a boate, a moda e o clima ali representados. “Quis fazer um filme para mostrar que o importante é acreditar no sonho. Eu não gosto de filme feio, quem gosta desse tipo é intelectual. Eu quero atingir uma grande audiência, como as novelas”, afirma Odilon, que quer ser reconhecido por ser um cineasta brasileiro, mesmo que more em Londres, na Inglaterra.

Na cena rodada sob um forte dia de sol, Dora, personagem de Ohana, vai atrás do filho, Caio, vivido por Paulo Lontra, na saída da escola. O menino foi criado pelos avós, já que a mãe fugiu por problemas políticos, típicos dos anos da ditadura militar. O que ela não sabe é que no mesmo momento era seguida por Amanda (Giácomo), uma perua, patroa de Dora, que está desconfiada dos passos da empregada e futura amiga.

Foto:   Divulgação
Este é o primeiro trabalho de Vanessa Giácomo após o nascimento do seu filho mais novo, Moisés, e o figurino é repleto de cor e brilho. “Eu sempre tenho que chegar antes de todo mundo. Ela tem muitos elementos, usa várias perucas, troca de esmalte o tempo todo. Ela é toda trabalhada no exagero”, diz, rindo.

A Poderosa Empatia de ROBERTO CARLOS !

A cada vez vejo Roberto Carlos cantar, e uma enorme platéia, apaixonada, acompanhá-lo, mais impressiono-me com a poderosa força de sua expressividade artística.

São legiões de pessoas que há anos acompanham sua trajetória – no meio dessas, muitas crianças e pessoas que não acompanharam sua fase mais criativa – anos 70/80. Mesmo assim, a audiência é tomada de emoção por suas músicas e sua voz agradável, estando ademais o Rei cantando melhor a cada dia – é impressionante a maneira natural e quase translúcida como RC canta qualquer música… parece não fazer o menor esforço pra cantar tão bonito e bem, como se contasse uma história baixinho no ouvido de quem escuta…

Tudo isso me vem a propósito do belo show de Natal na praia de Copacabana, famosa mundo afora por conta das emblemáticas canções feitas em sua homenagem. Aliar Roberto Carlos à famosa praia carioca em pleno final de ano foi dos maiores acertos já anotados em se tratando de eventos de grande porte na capital carioca. Tudo concorria para o êxito da noite, atestado pela imprensa de qualquer parte do mundo.

Foi uma noite primorosa. Faltaram algumas canções, outros convidados poderiam ter acrescentado mais. Mas essas coisas serão sempre sentidas ante a qualquer show do Rei. Afinal, nós, público, sempre queremos muito mais além de Detalhes, Cama e Mesa, Proposta, Côncavo e Convexo, Jesus Cristo…

Eu, por exemplo, gostaria de ter ouvido a belíssima Cavalgada, e os clássicos As Canções que Você fez pra Mim, As Curvas da Estrada de Santos, De Tanto Amor, Quando, Você, A Distância, Rotina, Os Seus Botões, e outras as quais ele deu uma interpretação soberana, como Ninguém Vai Tirar Você de Mim (Edson Ribeiro & Hélio Justo), Força Estranha (Caetano Veloso), e Mais uma Vez (Maurício Duboc e Carlos Colla), dentre uma infinidade de pérolas.

Já disse no Twitter que a homenagem que a escola de samba carioca Beija-Flor fará ao Rei no carnaval 2011 fará com que o público do Sambódromo aumente significativamente no próximo carnaval. Homenagem justíssima. Há muito, Roberto Carlos já poderia ter sido tema de samba-enredo.

O capixaba de Cachoeiro do Itapemirim é ídolo pop no país, e também no exterior. Em abril deste 2010 recebeu homenagem na sede da gravadora Sony Music, em New York, pelos seus 50 de carreira e por ter alcançado a marca de 100 milhões de discos vendidos no mundo. O REI é, portanto, um grande tema para a avenida-matriz do samba, onde sonoridades várias e múltiplas coreografias dão o tom, transmutando corações de todo o país e além-fronteiras em alegrias multicores, próprias à cobiçada espontaneidade carioca.

A presença da cantora Paula Fernandes foi uma grata surpresa. E é importante destacar o naipe de músicos, há muito na estrada com Roberto. Isso de se olhar para o palco e ver senhores de meia-idade (a começar pelo maestro) e até o trio que atua como backing vocal, sem a “obrigatoriedade” de vender sempre o jovem como o que tem valor, é um traço de singular significado na trajetória do REI. Nele estão embutidos o valor que o artista consagra às amizades, a confiança nos companheiros de vida artística, o respeito que dedica à experiência, o lastro de carinho e apreço que os une há décadas. Isso é, no mínimo, um grande exemplo para os que estão ingressando na laboriosa sina musical.

No mais, nosso comovido e mais sincero aplauso a Roberto Carlos, Artista Brasileiro de inegável carisma, cuja trajetória intensa, profunda, serena e coerente sempre agrega passos de inestimável valor aos princípios norteadores de qualquer cidadania mais justa, fraterna e amorosa.

Sobretudo neste momento, no qual a informação corre célere, embora nem sempre verdadeira, é de suma relevância apostar na difusão de um Artista como RC, renovando as esperanças no ato da comunicação como uma saudável comunhão com o próximo.

Pra finalizar, deixo com você, leitor amigo, a abalisada análise do saudoso cronista Artur da Távola, intitulada Roberto Carlos, o rei simbólico:

A idolatria de um artista popular transborda os conceitos puramente artísticos, penetrando-se de elementos empático-mitológicos de impossível aprisionamento por palavras, conceitos ou análises de exclusivo corte lógico-ideológico-racional. No caso de Roberto Carlos, o lugar-comum expressa-se antes de mais nada por sua mediania. Não é bonito ou feio. A voz é normal, apenas afinada. Nada (salvo talento e sensibilidade) possui em forma de exceção. A sua mediania o identifica com as multidões porque consegue sujeitar o turbilhão de sua sensibilidade, a força do seu talento e as dores de suas amarguras, dentro de um invejável equilíbrio.

De todas as forças que se entrecruzam dentro de sua figura pessoal e a de comunicação resulta a percebida tristeza, representação do que todos sentem e nem sempre sabem e podem expressar.

Fortalece a mitologia do lugar-comum na arte de Roberto Carlos o fato de que o público percebe não haver ódio ou azedume em sua dor por conter-se. Nela, sim, há frustração, impossibilidade, tristeza. Não há raiva, imprecação, ressentimento. O que foi contido, não se recalcou: distribuiu-se pelas várias partes do seu ser, fecundando-as. O público fareja, longe, os representantes da sua frustração. Em maior ou menos escala, há, na vida, uma carga obrigatória de frustração. Ninguém vive sem se frustrar. Quando aparece um artista que, além de representar a frustração transforma-a em arte, em beleza, encanto, em canto, poesia, mensagem ,este receberá a adesão emocional de todos. Principalmente, se na maneira de o fazer mantenha vivos os elos de sua relação com o público, ou seja, a sua mediania […]Em suma: alguém que não ressalta o que o difere. Assim é, pois, um ídolo: a exata expressão de todos os demais em estado de equilíbrio, um igual !

[…] Parece ser a relação misteriosa e secreta com a Transcendência que o fez e faz ser, dela, um representante, carismático leigo a obter a idolatria, título máximo da profundidade do lugar-comum. Está mais para apóstolo que para mártir”.

Roberto Carlos: canções imortais que o tempo só faz consagrar mais e mais

As Muitas “Vozes” da Suprema Anna

Paraísos Artificiais é o novo longa de Marcos Prado (do premiado Estômago, filme, aliás, muito apreciado por Ivan Cineminha – personagem adorável da cultura paraibana). A temática são as drogas sintéticas.

Filmagens de Paraísos Artificiais

O filme é inspirado no livro homônimo de Baudelaire e tem roteiro de Marcos Prado e Pablo Padilha. As filmagens aconteeram em Recife, no Rio e vão prosseguir em Amsterdam (março/abril), e conta com o auxílio luxuoso de Anna Costa e Silva na Assistência de Direção (dela também a Assistência em A Suprema Felicidade, o novo de Jabor).

A jovem, bela e competente Nathália Dill encabeça o elenco de Paraísos Artificiais, que tem ainda Lívia de Bueno (do filme Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini), e Bernardo Mello (que já atuou em Malhação).

Atriz Nathália Dill escureceu os cabelos para as filmagens de sua estréia no cinema

Anna Costa e Silva é uma encantadora garota carioca, que cursou cinema na Universidade Gama Filho, ao tempo de Ruy Guerra e Sérgio Sanz, e estreou como roteirista e diretora com o curta Nosso Amor é Tão Bonito – só imagens de mãos). Agora, Anninha roda festivais – no Brasil e no exterior – com Vozes, cuja direção assina ao lado de Fábio Canetti e Luiza Santolini, com Tiago Catarino na assistência.

Vozes – que levou duas estatuetas no I FestCine Maracanaú – já participou de festivais em Milão, New York, Miami, Los Angeles, New Jersey, Fenarte (PB), Cabo Frio, Ribeirão Pires, Iguacine (RJ). Este filme tem meu querido amigo André Miguéis como Assistente de Produção.

Dandarra Guerra é a protagonista em trabalho digno de muitos elogios. Também conta para o êxito da obra a bela direção de arte, a fotografia, a trilha e a bem cuidada produção.

Que venham muitos outros para Anna Costa e Silva e sua aguerrida equipe !

ROBERTO CARLOS Lota Copacabana de Emoção

Show de Roberto Carlos

Roberto Carlos emocionou o público de 1 milhão, segundo os organizadores (Foto: Alexandre Durão/G1)

“Que prazer rever vocês. Mais uma vez aqui no Rio, mas a primeira nessa praia maravilhosa. Fazer esse show é meu melhor presente de Natal”, disse o cantor logo no início do show, cuja transmissão começou com Emoções, como já virou tradição.

Depois veio Além do Horizonte, cantado em coro pelo público. Roberto aproveitou para agradecer ao prefeito Eduardo Paes a oportunidade de se apresentar em Copacabana e para se desculpar por ter que usar um banco para se apoiar durante o espetáculo. Dizendo que “tudo fica mais difícil quando não se tem 35 anos”, ele contou estar com o joelho doendo muito e por isso não poderia fazer todo o show de pé, já que teria sofrido um acidente de moto recentemente.

Em seguida, o Rei homenageou o famoso bairro da Cidade Maravilhosa: “Quando cheguei ao Rio, meu sonho era morar em Copacabana”, revelou, emendando com uma versão de Copacabana, Princesinha do Mar.

Roberto Carlos começou show de Natal às 21h50 | Foto: João Laet / Agência O Dia

Roberto Carlos encerrou o espetáculo cantando Noite Feliz com o coral de 200 crianças da Escola de Música da Rocinha. E logo depois, com a ajuda do público, terminou a noite cantando Jesus Cristo em ritmo de samba, junto com a bateria da Beija-Flor. No telão, a imagem do Cristo Redentor, emoldurava o palco, enquanto o cantor jogava rosas vermelhas ao público.

Show de Roberto Carlos

REI dividiu o palco com membros da escola de samba Beija-Flor (Foto: Alexandre Durão/G1)

Como é tradição há mais de 3 décadas, o especial do REI integra a programação de fim de ano da TV Globo. Foi bonito e emocionante também ver a maior parte da platéia vestindo as cores preferidas do ídolo, azul e branco.

Miguel Jorge, De Ouro em Ouro

O escritor goiano Miguel Jorge é um querido. Reconheço entre seus traços mais marcantes a elegância no convívio, a atenção indormida com os amigos e sua intensa ligação e interesse por tudo quanto se refere à Cultura.

Conheci-o ainda na primeira edição do FestCineGoiânia, em 2005, importante festival de CINEMA BRASILEIRO que idealizou ao lado da agitadora cultural e produtora Débora Torres, outra querida de quem o Cinema me fez irmã.

A partir de então, comecei a “descobrir” Miguel Jorge, escritor dos mais atuantes em solo goiano.

O Poeta é natural de Campo Grande (MS) e ainda garoto mudou-se com os pais para Inhumas (GO), onde fez os primeiros estudos.

É formado em Farmácia e Bioquímica pela UFMG, Direito e Letras Vernáculas pela UCG, lecionou Farmacotécnica na Faculdade de Farmácia da UFG e Literatura Brasileira no Departamento de Letras da Universidade Católica de Goiás.

Foi um dos fundadores do GEN (Grupo de Escritores Novos) e seu presidente por duas vezes. Também foi por duas vezes presidente da UBE, seção de Goiás. Dirigiu também por duas vezes o Conselho Estadual de Cultura e integra os quadros de críticos de arte da ABCA e  AICA, ocupando a Cadeira número 8, na Academia Goiana de Letras.

Seus textos também já ganharam as telas de cinema, seja atavés de curtas ou longas-metragens. É dele, por exemplo, o roteiro de Wataú (Prêmio de Incentivo Cultural do Ministério da Cultura), filmado às margens do rio Araguaia, sob a direção de Débora Torres.

Com o cineasta João Batista de Andrade, roteirizou o longa Veias e Vinhos, baseado em seu romance homônimo, filmado em São Paulo, tendo no elenco Simone Spolladore, Leonardo Vieira, Eva Wilma, José Dumont, Celso Frateschi, Marcela Moura e Ailton Graça, sob a direção do próprio João Batista, seu amigo de longa data, que este ano realizou um Doc em homenagem ao amigo escritor.

O nome de Miguel Jorge consta do The Dictionary of international Biografhy (Tenty-Third Edition), England.

E é de MIGUEL JORGE o belo livro de poemas que tenho em mãos – DE OURO EM OURO.

Publicado pelo Instituto Casa Brasil de Cultura, o livro vem em bela caixa contendo ainda 15 gravuras originais do artista Roos e um Cd com os poemas interpretados pelo próprio autor.

E por tão instigante o presente que recebi de Miguel, convido você, leitor amigo, a partilhar um pouco da vasta obra do poeta comigo. Vamos ao poema…

NO MAR, NENHUM BARCO

Os amores são largos e longos e cabem nas cartas.

A noite lenta fere de faca a luz cega do medo.

Indiferentes, as borboletas são anjos vestidos de prata..

Assim, os musgos vão cobrindo de vermelho os moluscos dentro das caixas.

São do domingo os escargots, lentas flores, colocadas sobre bandejas de prata.

Talvez não se possa evitar a falta de pão, os reflexos da ira,

a dor que não se quer dar aos filhos.

Dormem as naves sobre as janelas do mar, talvez um barco, igual a  um barco, indo além do mar, brasa da alma (Baco num riso igual a um risco de língua nas bocas).

Igual a um casaco de frio que se pendura detrás da porta.

Igual às ondas a testemunhar as rosas se desfazendo no branco laço das águas.

(A noite carrega os diamantes no impacto do chão que se faz cinza).

Se viam roucas as Américas, a constituição dos ventos cobrindo

lábios muito finos. Estrelas ostentam um festim ameno de  vozes.

Os ratos, os gatos, o nojo anunciado. O gozo desfeito em nada, se põe de lado, ainda mais quando do céu se toma lei e posse de secretos códigos.

Este é um dos belos poemas onde Goiânia me renasce em saudades… NO MAR, NENHUM BARCO…

Da lavra de MIGUEL JORGE, este quase goiano cuja POESIA nos encanta tanto quanto sua maneira de ser e estar plena de LUZ, sensibilidade, refinamento de gestos e ações cotidianas.

Como a sua POESIA que se aninha fácil em nossa emoção, tão naturalmente tocante quanto concisa, bela, objetivamente clara.

A POESIA de MIGUEL JORGE é assim: mesmo que não se saiba explicar porquês, prontamente ela consegue nossa adesão.

O resto é DE OURO EM OURO

De
DE OURO EM OURO
Poemas de Miguel Jorge

Goiânia: Instituto Centro-Brasileiro de Cultura, 2009.
64 p.  ilus.   ISBN  978-85-9876237-7

 Como diz FERNANDO PY: “Miguel Jorge realiza uma articulação entre o silêncio e a palavra, desnudando(se) (n)o cerne de sentimentos, sob três aspectos: o pessoal, o social e o estético-filosófico, inquirindo os valores fundamentais do homem sob a capa de exercícios lúdicos que confrontam o visual e o verbal.” 

GILBERTO BRAGA de VOLTA !

As ondas batem de mansinho em frente ao apartamento de Gilberto Braga, no Arpoador. Com esse barulhinho, ele escreve Insensato Coração, sua próxima novela em coautoria com Ricardo Linhares, que estreia dia 17 de janeiro na Globo. Porém, nem tudo até agora correu em velocidade de cruzeiro. Os dois protagonistas saíram com a produção em curso. De Ana Paula Arósio, ele fala secamente, mas para Fábio Assunção tem palavras doces. Agora que os problemas foram contornados e o céu parece de brigadeiro, Gilberto retomou o trabalho intenso e promete uma produção em que voltará a retratar a classe média, como fez em “Anos dourados” e “Anos rebeldes”. No ar também no canal Viva com “Vale tudo” (que escreveu com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères), um grande sucesso, ele afirma que pouco mudou em seu ofício desde 1988, quando criou a inesquecível Odete Roitman: “Como dizem meus amigos Titãs, o povo quer comida, diversão e arte.” Palavra de quem já está há anos reinando nessa praia.

Quais serão as principais marcas de Gilberto Braga em “Insensato Coração”? Devemos esperar vilãs espetaculares, festas memoráveis, enfim, o que você citaria?

GILBERTO BRAGA: Acho que a marca preponderante de “Insensato coração” é a minha volta à classe média, uma vertente que começou em “Dancin’ days” com a casa de Alberico (Mário Lago) e que eu desenvolvi mais em minisséries – “Anos dourados”, com as fofocas da Tijuca nos anos 50, e “Anos rebeldes”, com a casa do Damasceno (Geraldo Del Rey), pai de Maria Lúcia (Malu Mader). Assim, na espinha dorsal, temos em Florianópolis uma família em que há uma grande inveja de um personagem (Gabriel Braga Nunes) pelo irmão bem-sucedido (Eriberto Leão), num momento em que o casamento dos pais (Antônio Fagundes e Natália do Vale), juntos já há 35 anos, está em forte crise. O primeiro capítulo mostra uma comemoração desse aniversário de casamento que acaba virando uma grande lavação de roupa suja em família. No Rio, via Lázaro Ramos e Camila Pitanga, começa a parte glamourosa e com bastante comédia romântica. Deborah Secco defende a comédia, misturada a crítica social, com o personagem do Herson Capri, o banqueiro corrupto, que vai nos levar a falar de impunidade. Enfim, acho que a minha marca está lá, sim. E isso é curioso, porque eu nunca tive tantos coautores quanto nesta novela, sem contar com o parceiro maior, Ricardo Linhares. E o Dennis (Carvalho), depois de ler seis capítulos, disse que é “Gilberto Braga na veia”. Costumo opor em minhas novelas duas mulheres. Desta vez, pra variar, opus dois homens. O grande vilão é o personagem do Gabriel. A Glória Pires é uma vilã diferente, porque começa como boa moça, mas leva uma rasteira fortíssima e vai se vingar. Acredito que ela seja uma personagem muito forte.

Você estará no ar com duas novelas simultaneamente, “Insensato coração” e “Vale tudo”. Isso te faz pensar nas mudanças no panorama da audiência da televisão de lá para cá? Na época de “Paraíso tropical” você declarou que tinha uma expectativa em relação a números e ela se frustrou. Agora, está provado que isso não tinha nada a ver com a sua novela, era um patamar novo que tinha se estabelecido. O que você espera desta vez?

Minha cabeça é meio complicada. Acho que os números de “Paraíso” tinham razão de ser. O espectador não torcia pelo casal principal (Alessandra Negrini e Fábio Assunção). Espero que isso não se repita. Eriberto e Paola Oliveira estão formando um casal lindo, forte. Quanto às mudanças nos últimos 20 anos, acho que a televisão avançou, há mais concorrência, isso é ótimo para todos, especialmente para o espectador.

Gilberto Braga e o parceiro de novelas, Ricardo Linhares

Voltando a “Vale tudo”, o Brasil mudou muito de lá para cá, mas o que mudou para quem escreve novela? O que é impossível hoje com o politicamente correto e com a classificação indicativa? O politicamente correto te freia ou você não está nem aí para isso?

Para quem escreve novela acho que não mudou nada. Como dizem meus amigos Titãs, o povo quer comida, diversão e arte. Quanto ao politicamente correto, tento não pensar muito nisso, pra não pirar.

Mas, falando em “Vale tudo”, a que atribui a grande força que a novela mostra ter até hoje?

Apesar de estar tecnicamente ultrapassada por causa de iluminação etc., a história e os personagens são muito fortes, eu próprio me surpreendi vendo alguns capítulos. Não lembrava que a novela fosse tão interessante.

Gilberto Braga e uma das atrizes de seu “time”, Glória Pires

Você já declarou que gosta de trabalhar com sua turma de atores. Como ela é? Você cria personagens pensando num determinado ator? E agora como está fazendo para se inspirar de novo para os postos que eram de Ana Paula Arósio e Fábio Assunção?

Continuo com minha turma, escrevo para eles. Os dois saíram, tento me adaptar a Paola e Gabriel Braga Nunes, que estão ótimos, e com certeza vão entrar pra minha turma pra sempre. Já estamos escrevendo os novos capítulos pensando neles.

De que maneira os acontecimentos envolvendo os dois atores impactaram na novela – objetivamente – e como você pessoalmente sente isso tudo? Fica magoado? Ou consegue ver com frieza profissional?

Não comento esse assunto. A (Ana Paula) Arósio para não ser descortês com ela. E o Fábio por motivos óbvios. É um grande amigo, é como um filho, não vou falar publicamente dessa relação. Inclusive porque acho a vida mais importante do que o trabalho.

Fábio Assunção e Gilberto Braga: amizade de muitas décadas

Depois de ter enfrentado dificuldades com Fábio Assunção em “Paraíso tropical” e agora novamente, voltaria a trabalhar com ele?

Claro que sim, espero muito escrever pro Fábio o protagonista da minha próxima novela. Além de amigo, ele é um ator esplêndido.

* Texto e entrevista de PATRÍCIA KOGUT, publicada no jornal O GLOBO