Arquivo do dia: 27/12/2010

POEMA DE NATAL com ÁGUA

 

 Os votos do AURORA DE CINEMA para que o CLIMA de PAZ & FRATERNIDADE do NATAL se propague por todos os dias do NOVO ANO que se avizinha, através das belas palavras do poeta de Goiânia, MIGUEL JORGE:

        POEMA DE NATAL COM ÁGUA

Do menino se via os pezinhos cruzados,

o sol, nas águas do seu corpo,

secava os cabelos prateados.

 

Em meus olhos, outro menino

na Manjedoura, talhado em ternura,

nada sabe do mundo.

E se fosse somente pelos pés, um menino

seria o outro, afora a costura do tempo.

As alucinações do mundo, as mesmas,

a desorganizar sonhos em imagens

pelo planeta. 

Que fosse por este Natal, o encontro das raças.

De alguém a atar abraços, os dedos assim,

entrelaçados ao acaso. A vitória do Amor, na

leveza do silêncio que o alimenta.

 

Entre um céu e outro, o sol enche de luz

os objetos. Bichos e santos num instante

de eternidade a se renovar naquela noite.

 A chama da beleza rudemente acesa floresce

 as distantes manhãs: e que nada se diga dos

mistérios dos corações, as águas dos rios

a destrançar hemisférios.

É Natal! Deito-me e o nome continua

a ecoar enorme dentro de minha infância:

                        É Natal !

 

Um breve rumor de palavras escritas

na alma e, outras tantas, que mudas,

ficaram por se dizer.

É Natal ! Precisamos justificar

o peso do tempo que passa,

pesa e nos enlaça.

Novela de Gilberto Braga Vai Ganhar o Cinema

A Novela das Oito Marca Estreia de Odilon Rocha como cineasta 

O cenário montado no antigo colégio Sagrado Coração de Jesus, no Alto da Boa Vista, transporta quem está presente no set de filmagem de A Novela das Oito diretamente para a década de 70. Ao ver todos os elementos daquele tempo reproduzidos para o longa de estreia de Odilon Rocha, a impressão que se tem é de estar assistindo aos bastidores de um folhetim de época. O que não deixa de ser verdade, já que o pano de fundo para esta história é Dancin’ Days, novela de 1978 escrita por Gilberto Braga.
 
Odilon, radicado há 20 anos em Londres, é um pernambucano fascinado por novelas e ‘Dancin’’ marcou sua infância. “É uma homenagem aos folhetins. O futebol e o Carnaval que me desculpem, mas a telenovela é o fenômeno nacional”, afirma. Sendo uma paixão dos brasileiros, nada melhor que atores que a representem. Claudia Ohana é a musa, segundo Odilon, acompanhada por Vanessa Giácomo, Mateus Solando e Alexandre Nero, entre outros nomes televisivos.
Cláudia Ohana será a protagonista de A Novela das Oito
Com roteiro também assinado por Odilon, A Novela das Oito conta a história entrelaçada de um grupo de seis pessoas, em que o fio condutor da trama são os adolescentes Caio e sua melhor amiga, Mônica (Thaís Muller). Os personagens estão vivendo o auge da década de 70 e sonham com tudo que está sendo mostrado por ‘Dancin’ Days’, a boate, a moda e o clima ali representados. “Quis fazer um filme para mostrar que o importante é acreditar no sonho. Eu não gosto de filme feio, quem gosta desse tipo é intelectual. Eu quero atingir uma grande audiência, como as novelas”, afirma Odilon, que quer ser reconhecido por ser um cineasta brasileiro, mesmo que more em Londres, na Inglaterra.

Na cena rodada sob um forte dia de sol, Dora, personagem de Ohana, vai atrás do filho, Caio, vivido por Paulo Lontra, na saída da escola. O menino foi criado pelos avós, já que a mãe fugiu por problemas políticos, típicos dos anos da ditadura militar. O que ela não sabe é que no mesmo momento era seguida por Amanda (Giácomo), uma perua, patroa de Dora, que está desconfiada dos passos da empregada e futura amiga.

Foto:   Divulgação
Este é o primeiro trabalho de Vanessa Giácomo após o nascimento do seu filho mais novo, Moisés, e o figurino é repleto de cor e brilho. “Eu sempre tenho que chegar antes de todo mundo. Ela tem muitos elementos, usa várias perucas, troca de esmalte o tempo todo. Ela é toda trabalhada no exagero”, diz, rindo.

A Poderosa Empatia de ROBERTO CARLOS !

A cada vez vejo Roberto Carlos cantar, e uma enorme platéia, apaixonada, acompanhá-lo, mais impressiono-me com a poderosa força de sua expressividade artística.

São legiões de pessoas que há anos acompanham sua trajetória – no meio dessas, muitas crianças e pessoas que não acompanharam sua fase mais criativa – anos 70/80. Mesmo assim, a audiência é tomada de emoção por suas músicas e sua voz agradável, estando ademais o Rei cantando melhor a cada dia – é impressionante a maneira natural e quase translúcida como RC canta qualquer música… parece não fazer o menor esforço pra cantar tão bonito e bem, como se contasse uma história baixinho no ouvido de quem escuta…

Tudo isso me vem a propósito do belo show de Natal na praia de Copacabana, famosa mundo afora por conta das emblemáticas canções feitas em sua homenagem. Aliar Roberto Carlos à famosa praia carioca em pleno final de ano foi dos maiores acertos já anotados em se tratando de eventos de grande porte na capital carioca. Tudo concorria para o êxito da noite, atestado pela imprensa de qualquer parte do mundo.

Foi uma noite primorosa. Faltaram algumas canções, outros convidados poderiam ter acrescentado mais. Mas essas coisas serão sempre sentidas ante a qualquer show do Rei. Afinal, nós, público, sempre queremos muito mais além de Detalhes, Cama e Mesa, Proposta, Côncavo e Convexo, Jesus Cristo…

Eu, por exemplo, gostaria de ter ouvido a belíssima Cavalgada, e os clássicos As Canções que Você fez pra Mim, As Curvas da Estrada de Santos, De Tanto Amor, Quando, Você, A Distância, Rotina, Os Seus Botões, e outras as quais ele deu uma interpretação soberana, como Ninguém Vai Tirar Você de Mim (Edson Ribeiro & Hélio Justo), Força Estranha (Caetano Veloso), e Mais uma Vez (Maurício Duboc e Carlos Colla), dentre uma infinidade de pérolas.

Já disse no Twitter que a homenagem que a escola de samba carioca Beija-Flor fará ao Rei no carnaval 2011 fará com que o público do Sambódromo aumente significativamente no próximo carnaval. Homenagem justíssima. Há muito, Roberto Carlos já poderia ter sido tema de samba-enredo.

O capixaba de Cachoeiro do Itapemirim é ídolo pop no país, e também no exterior. Em abril deste 2010 recebeu homenagem na sede da gravadora Sony Music, em New York, pelos seus 50 de carreira e por ter alcançado a marca de 100 milhões de discos vendidos no mundo. O REI é, portanto, um grande tema para a avenida-matriz do samba, onde sonoridades várias e múltiplas coreografias dão o tom, transmutando corações de todo o país e além-fronteiras em alegrias multicores, próprias à cobiçada espontaneidade carioca.

A presença da cantora Paula Fernandes foi uma grata surpresa. E é importante destacar o naipe de músicos, há muito na estrada com Roberto. Isso de se olhar para o palco e ver senhores de meia-idade (a começar pelo maestro) e até o trio que atua como backing vocal, sem a “obrigatoriedade” de vender sempre o jovem como o que tem valor, é um traço de singular significado na trajetória do REI. Nele estão embutidos o valor que o artista consagra às amizades, a confiança nos companheiros de vida artística, o respeito que dedica à experiência, o lastro de carinho e apreço que os une há décadas. Isso é, no mínimo, um grande exemplo para os que estão ingressando na laboriosa sina musical.

No mais, nosso comovido e mais sincero aplauso a Roberto Carlos, Artista Brasileiro de inegável carisma, cuja trajetória intensa, profunda, serena e coerente sempre agrega passos de inestimável valor aos princípios norteadores de qualquer cidadania mais justa, fraterna e amorosa.

Sobretudo neste momento, no qual a informação corre célere, embora nem sempre verdadeira, é de suma relevância apostar na difusão de um Artista como RC, renovando as esperanças no ato da comunicação como uma saudável comunhão com o próximo.

Pra finalizar, deixo com você, leitor amigo, a abalisada análise do saudoso cronista Artur da Távola, intitulada Roberto Carlos, o rei simbólico:

A idolatria de um artista popular transborda os conceitos puramente artísticos, penetrando-se de elementos empático-mitológicos de impossível aprisionamento por palavras, conceitos ou análises de exclusivo corte lógico-ideológico-racional. No caso de Roberto Carlos, o lugar-comum expressa-se antes de mais nada por sua mediania. Não é bonito ou feio. A voz é normal, apenas afinada. Nada (salvo talento e sensibilidade) possui em forma de exceção. A sua mediania o identifica com as multidões porque consegue sujeitar o turbilhão de sua sensibilidade, a força do seu talento e as dores de suas amarguras, dentro de um invejável equilíbrio.

De todas as forças que se entrecruzam dentro de sua figura pessoal e a de comunicação resulta a percebida tristeza, representação do que todos sentem e nem sempre sabem e podem expressar.

Fortalece a mitologia do lugar-comum na arte de Roberto Carlos o fato de que o público percebe não haver ódio ou azedume em sua dor por conter-se. Nela, sim, há frustração, impossibilidade, tristeza. Não há raiva, imprecação, ressentimento. O que foi contido, não se recalcou: distribuiu-se pelas várias partes do seu ser, fecundando-as. O público fareja, longe, os representantes da sua frustração. Em maior ou menos escala, há, na vida, uma carga obrigatória de frustração. Ninguém vive sem se frustrar. Quando aparece um artista que, além de representar a frustração transforma-a em arte, em beleza, encanto, em canto, poesia, mensagem ,este receberá a adesão emocional de todos. Principalmente, se na maneira de o fazer mantenha vivos os elos de sua relação com o público, ou seja, a sua mediania […]Em suma: alguém que não ressalta o que o difere. Assim é, pois, um ídolo: a exata expressão de todos os demais em estado de equilíbrio, um igual !

[…] Parece ser a relação misteriosa e secreta com a Transcendência que o fez e faz ser, dela, um representante, carismático leigo a obter a idolatria, título máximo da profundidade do lugar-comum. Está mais para apóstolo que para mártir”.

Roberto Carlos: canções imortais que o tempo só faz consagrar mais e mais