Arquivo do mês: janeiro 2011

Para Atuar em TV e Cinema

Cineasta Luís Carlos Lacerda, um dos mais atuantes e respeitados criadores de Cinema do país – carinhosamente chamado pelos muitos amigos de Bigode -, abrirá espaço em sua requisitada agenda para ministrar curso especialíssimo de Interpretação para Cinema e TV.

As aulas terão lugar na Cinédia Cena Criativa. Em tempos de novos rostos e aperfeiçoamento de talentos espontâneos, a oportunidade é mais do que bem vinda !

As aulas vão acontecer a partir do dia 2 na agradável e bucólica sede da CINÉDIA, capitaneada por Alice Gonzaga, em Santa Tereza, com acesso muito fácil, seja de carro, ônibus ou metrô. 

Ney Latorraca, esta redatora e Luiz Carlos Lacerda em festivo encontro no Curta Santos 2009…

Saina mais sobre LUIZ CARLOS LACERDA

Cineasta com mais de 20 documentários sobre personalidades da nossa cultura; dirigiu os longas de ficção Mãos Vazias; O Princípio do Prazer; Leila Diniz; For All – O Trampolim da Vitória, e Viva Sapato !, todos bastante premiados em festivais no Brasil e no exterior.

Professor do Curso de Cinema da Universidade Estacio de Sá e da Escola Internacional de Cinema de Cuba. Realiza frequentemente oficinas nas Mostras de Tiradentes; Ouro Preto e Belo Horizonte; na Universidade Federal de Santa Catarina e no Polo do Pensamento Contemporâneo (RJ).

 Cinédia Cena Criativa

Rua Santa Cristina, n° 5 – Glória

Tel. (21) 2221-2633

www.cinedia.com.br

 

Vedetes e Muito Glamour

 

 APLAUSOS para mais estes 2 sugnificativos lançamentos da Imprensa Oficial de São Paulo !

A memória da Cultura Brasileira agradece. 

PAULÍNIA de CINEMA

 

A quarta edição do Paulínia Festival de Cinema será realizada de 7 a 14 de julho As inscrições poderão ser feitas a partir de 1º de março, e até 15 de maio através do site www.culturapaulinia.com.br  ou na Secretaria de Cultura de Paulínia – Av. Prof. José Lozano de Araújo, 1550.  O FESTIVAL terá um total de R$ 650 mil, a serem divididos entre cerca de vinte e cinco prêmios.

 

Além dos filmes selecionados para compor a mostra oficial, o IV Festival Paulínia de Cinema, idealizado pelo crítico RUBENS EWALD FILHO, terá encontros e debates com personalidades do meio cinematográfico, exibição de filmes infantis e títulos recentes do cinema brasileiro (que não chegaram ao circuito comercial da cidade), lançamentos de livros, seminários, workshops, palestras e oficinas para moradores de Paulínia  e da região metropolitana de Campinas. 

As exibições vão acontecer no Theatro Municipal e atividades paralelas – como oficinas, workshops, debates e palestras – estarão locadas entre o Espaço Cultura e as dependências dos estúdios do Pólo Cinematográfico de Paulínia

Dez nomes comporão os dois júris que escolherão os melhores filmes e os melhores profissionais das categorias concorrentes. 

                                 

O Paulínia Festival de Cinema – 2011 é uma realização da Prefeitura Municipal de Paulínia com coordenação de produção da Secretaria Municipal de Cultura.

 

La PIRES é a GLÓRIA !

 

Uma fonte inesgotável de talento, Gloria Pires nos surpreende a cada novo papel. Basta ligar o seu televisor no horário nobre global para se deparar com um show de interpretação da atriz. Na pele da vilã Norma, ela promete uma memorável interpretação, assim como na famosa novela “Vale Tudo”, na qual ela deu vida a Maria de Fátima. Se você é fã, admirador ou curioso pela trajetória de Gloria Pires, não perca a chance de ler a biografia dos 40 anos de Glória na teledramaturgia.

Ela é uma das atrizes brasileiras mais bem sucedidas de todos os tempos. O seu currículo é de dar inveja a qualquer profissional. Foram 21 novelas, 13 filmes, duas minisséries e diversos programas especiais em 40 anos de carreira. Seu nome é sinônimo de sucesso.  

Em uma simples consulta no Google, Gloria Pires aparece em mais de um milhão de citações. A atriz está à frente de todas as grandes estrelas da tevê nacional. “O tempo não apaga da lembrança dos fãs a maquiavélica Maria Fátima, na telenovela “Vale Tudo”, ou as inesquecíveis irmãs gêmeas Ruth e Raquel, de” Mulheres de Areia” .  

Para coroar essa brilhante carreira, a Geração Editorial lançou em 2010 “40 anos de Gloria”, (346 páginas, R$ 39,90, com mais de 100 fotografias coloridas e em preto-e-branco), a história da longa e vitoriosa carreira de uma atriz ainda jovem, mas com 40 anos de atuações marcantes e cenas antológicas. Embora trate da vida de Gloria, o livro não é propriamente uma biografia, mas a história de sua carreira na televisão e no cinema.

Os autores Eduardo Nassife e Fábio Fabrício Fabretti desvendam a trajetória de Gloria desde a sua estreia em 1969, aos quatro anos de idade, até o período que viveu em Paris com a família, em paz e longe dos holofotes.

Na obra há detalhes da vida de atriz, de mãe, de esposa, da celebridade, inclusive da cantora (sim, Gloria canta) com relatos em primeira pessoa de Gloria Pires sobre todos os grandes acontecimentos da sua carreira e do dia-a-dia de uma mãe de quatro filhos. Os depoimentos são em ordem cronológica e reveladores.  

O livro – uma edição de luxo a preço quase popular, apenas R$ 39,90 – foi impresso em tamanho 21 x 23 centímetros e papel especial, com mais de 100 imagens resgatadas de álbuns de família, arquivos pessoais, divulgação e mais um ensaio exclusivo realizado pelo reconhecido fotógrafo Marcelo Faustini. A capa foi um presente do designer Giovanni Bianco, que também trabalha para Madonna e é um dos maiores designers de moda do planeta, com escritório em Nova York.


Capítulos de uma vida que mais lembra um filme 

Entre os 25 capítulos, há histórias sobre a gravidez de risco da mãe da atriz, o início precoce da carreira de Gloria aos quatro anos, o trabalho com o pai, o talentoso ator Antonio Carlos Pires, as primeiras participações em programas humorísticos, uma reprovação traumatizante, os primeiros papéis de repercussão, como Marisa, em “Danci’n Days” e Zuca em “Cabocla”, a convivência com os amigos mais velhos, como Lauro Corona e Daniel Filho, os nascimentos dos seus quatro filhos e a interrupção de duas gestações precocemente.

O livro contém curiosidades, como os dois convites feitos pela revista Playboy, para posar nua, as cirurgias dentárias reparadoras, a tatuagem no pé, além dos frequentes problemas de saúde ao longo da sua premiada carreira.  

Os autores abordam o rigoroso profissionalismo da atriz e sua obsessão com a disciplina nas preparações para viver seus personagens. Exemplo: para viver a heroína Maria Moura, na minissérie “Memorial de Maria Moura”, em 1994, Gloria Pires fez aulas de equitação, tiro e até curso básico de sobrevivência na selva. “Maria Moura trouxe uma mulher poderosa dentro de mim”, conta. Para interpretar com maior riqueza de detalhes a heroína, durante um treinamento de tiro, a atriz quase se machucou quando atirou com uma espingarda calibre 12. 

Nas páginas também há relatos emocionantes e sinceros sobre com a convivência com as atores mais velhos como Lauro Corona, seu grande amigo e Daniel Filho, que a reprovou em um teste para quando ainda era garota.  


No set de filmagem 

Gloria esteve presente nos filmes de maiores públicos e de reconhecimento internacional desde a retomada no cinema nacional, como nos papéis de Helena e Claudio, em “Se Eu Fosse Você 1 e 2”, além de fazer parte do elenco de “O Quatrilho”, que levou um longa-metragem brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1995, depois de um jejum de 33 anos. Além de estrelar a mãe do presidente Lula, Dona Lindu, em “Lula, O Filho do Brasil” neste ano e participou de outras 10 produções nacionais. Ela quase interpretou a pintora mexicana Frida Khrlo, em uma produção estrangeira. 

Recebendo o troféu Candango no Festival de Brasília…


DEPOIMENTOS  

Na parte final da obra, diretores, atores, atrizes e familiares deixam um recado para Gloria Pires. Entre eles estão Stephan Nercessian, Daniel Filho, Cléo Pires, Joanna Fomm, Reginaldo Faria, Rogéria, Arlete Salles, Malu Mader, Regina Duarte, Denis Carvalho, Orlando Morais e Aguinaldo Silva. Confira alguns trechos: 

Em “A Partilha”, tinha pouco dinheiro para o filme e todo mundo sabia disso. Meu prazo era curto e a Gloria passando mal com a gravidez. As pessoas falavam para substituí-la. Respondia que não faria isso de jeito nenhum. Sem ela, não teria filme. Resolvi dar uma parada e banquei tudo até ela melhorar”, Daniel Filho 

“Ela tem uns recursos espontâneos, naturais, que eu admiro demais numa atriz. Era difícil contracenar com ela. Levava aquela frieza da Maria de Fátima às últimas consequências, com muita propriedade e talento”, Regina Duarte 

“Adoro escrever para a Glorinha porque ela encaixa o tom do personagem como realmente queremos.”, Aguinaldo Silva 

“Tenho grande admiração por Gloria. Fui muito amiga do pai dela. Trabalhamos juntos em rádios e tevês. Ele só podia fazer uma filha como Gloria Pires. Ela é uma atriz inteira, quente, aglutinadora. Ela sempre se põe no jogo da comunicação humana e se entrega de uma forma simples e delicada. Mas muito forte. Merece todo o sucesso que tem. E todo o nosso carinho. E todo o nosso reconhecimento” Fernanda Montenegro

 

Geração Editorial

Até dia 30, Inscrições ao FESTin …

 

As inscrições da segunda edição do FESTinFestival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa foram prorrogadas até dia 30, domingo.

Podem ser inscritos Curtas, Médias e Longas, nas categorias Documentário ou Ficção. Única exigência: língua portuguesa representada, para que alcance o processo de seleção. 

O FESTinFestival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa é um evento único, idealizado e coordenado por Calebe Pimentel, cujo objetivo é fomentar a interculturalidade, a inclusão social e o intercâmbio cultural nos países lusófonos. Através do festival, pretende-se descobrir e incentivar novos valores espalhados pelos sete cantos do mundo, unidos por uma mesma língua. 

A segunda edição do FESTin vai acontecer de 26 de Abril a 1º de Maio, no Cinema São Jorge, onde será celebrada a continuidade do sucesso evidenciado na primeira edição, realizada em maio passado. A edição deste ano tem co-produção da Fundação Luso-Brasileira e apoio oficial do Ministério da Cultura de Portugal.

Inscrições e Informações: www.festin-festival.com

VIK MUNIZ Leva Lixo Extraordinário ao Oscar…

Documentário mostra trabalho de Vik Muniz com catadores do Jardim Gramacho (RJ), um dos maiores aterros sanitários do mundo

Trabalho singular e aplaudido de VIK MUNIZ: reconhecimento na festa mais badalada do cinema mundial 

O longa-metragem Lixo Extraordinário, com direção conjunta dos brasileiros João Jardim e Karen Harley e da britânica Lucy Walker, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário. O filme, produzido pela brasileira O2 Filmes e a inglesa Almega Projects, já ganhou cerca de 20 prêmios em festivais importantes como Sundance e Berlim. Está em cartaz no Brasil desde sexta passada, 21 de janeiro.

 

Os diretores e produtores brasileiros comemoram: “A indicação da Academia joga luz sobre o universo dos catadores e o trabalho de arte feito com material reciclável. A mistura do olhar estrangeiro com o olhar brasileiro deu força para o filme”, afirma João Jardim, co-diretor. “A indicação ao Oscar dará mais visibilidade à causa dos catadores, veio na hora certa, já que o aterro de Jardim Gramacho será fechado em 2012”, conta Karen Harley, co-diretora.

 

A produtora-executiva do filme, Andrea Barata Ribeiro, ressalta a importância dessa indicação para o Brasil: “É o reconhecimento do cinema nacional, mostra que estamos no caminho certo. A co-produção teve papel fundamental, permitiu juntar esforços para a realização do filme”, afirma Andrea.

 

Lixo Extraordinário mostra o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis com objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente.

O próprio VIK em trabalho assinado por ele…

Vik Muniz, como não podia deixar de ser, está radiante com a indicação:

“Estou muito feliz, porque foi uma história que começou por acaso e virou um filme de grande importância, porque consolida um grupo social e mostra o verdadeiro valor do lixo”, disse artista em entrevista ao G1 por telefone, minutos após saber da indicação.

E agora sonha em levar para a festa de Hollywood um dos catadores retratados no filme: “Agora tenho outro desejo, que é levar o personagem do filme, o Tião, para Hollywood, para subir ao palco e receber o prêmio. Nada mais justo do que homenagear essas pessoas, que fazem deste filme um documento tão especial.”

Vamos ao Cinema ! Prestigiar o CINEMA BRASILEIRO !

Saiba mais: www.lixoextraordinario.net

 

FICHA TÉCNICA

 

Direção:  Lucy Walker,

Codireção: João Jardim, Karen Harley

Produção: Angus Aynsley, Hank Levine

Coprodução: Peter Martin

Produção Executiva: Fernando Meirelles, Miel de Botton Aynsley, Andrea Barata Ribeiro, Jackie de Botton

Música: Moby

Edição: Pedro Kos

Direção de Fotografia:  Dudu Miranda

Codireção de Fotografia: Heloisa Passos, Aa ron Phillips

Mixagem de Som: Aloysio Compasso, José Lozeiro

Duração: 99 minutos

Formato: RAIN

Som: Dolby Digital 5.1

Janela: 1:85

Ano de produção: 2009

Classificação Etária: Livre

Orçamento: US$ 1,5 milhões

Patrocínio: BB Seguro Auto, Ourocap, Eletrobrás

Viabilizado pela Lei do Incentivo ao Audiovisual (Art. 1º A)

PRÊMIOS E PARTICIPAÇÕES EM FESTIVAIS INTERNACIONAIS

SUNDANCE – Janeiro 2010

Prêmio do Público de Melhor Documentá rio Internacional

FESTIVAL DE BERLIM – Fevereiro 2010  

Prêmio da Anistia Inte rnacional (AI)

Prêmio do Público de Melhor Documentário – Mostra Panorama

FESTIVAL TRUE/ FALSE (EUA) – Março 2010

Seleção oficial

FULL FRAME DOCUMENTARY FESTIVAL (EUA) – Abril 2010 

Prêmio do Público de Melhor Documentário

DALLAS INTERNACIONAL FILM FESTIVAL (EUA) – Março 2010      

Prêmio Target Film Maker – Melhor Documentário

HOT DOCS (CANADA) – Maio 2010

Entre os 10 favoritos do público

PROVINCETOWN INTERNATIONAL FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio HBO do Público – Melhor Documentário

SEATTLE FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio Golden Space Nee dle – Melhor Documentário

MAUI FILM FESTIVAL (EUA) – Junho 2010

Prêmio do Público de Melhor Documentário Internacional

FESTIVAL DE PAULÍNIA (SP) – Julho 2010

Prêmio do Públic o de Melhor Documentário

Prêmio Especial do Júri

DURBAN INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – Agosto 2010

Prêmio de Melhor Documentário

Prêmio do Público de Melhor Filme

Prêmio da Anistia Internacional (AI)

FESTIVAL DO RIO – Setembro 2010

Première Brasil Hors Concours

ECOFOCUS FILM FESTIVAL – Outubro 2010

Prêmio do Público de Melhor Longa-Metragem Documentário

TRINIDAD E TOBAGO FILM FESTIVAL – Outub ro 2010

P rêmio do Público de Melhor Documentário

FLAGSTAFF MOUNTAIN FILM FESTIVAL – Outubro 2010

Prêmio do Juri

VANCOUVER INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – Outubro 2010

Rogers People’s Choice Award

MOSTRA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO INTERNACIONAL – Novembro 2010

Prêmio Itamaraty de Melhor Documentário

AMAZONAS FILM FESTIVAL – Novembro 2010

Prêmio Especial do Júri

INTERNATIONAL DOCUMENTARY F ILM FESTIVAL AMSTERDAM – Novembro 2010

Prêmio do Público

STOCKHOLM FILM FESTIVAL – Novembro 2010

Silver Audience Award

INTERNATIONAL DOCUMENTARY ASSOCIATION’S AWARDS – Novembro 2010

Pare Lorentz Award

CURTAMAZÔNIA Convida

Inscrições abertas ao 2º Festival de Cinema  

Infinitas são as ações e lutas dos cineastas e realizadores brasileiros que batalham incansavelmente em busca de recursos na iniciativa pública e privada para produzir filmes, e ainda lutam por espaços de exibição e distribuição de suas obras num mercado cada vez mais competitivo e qualificado.

Partindo dessas ações e lutas para manter o filme brasileiro cada vez mais próximo e querido por seu público, a organização do Festival CURTAMAZÔNIA  informa: até 31 de março recebe inscrições ao mais novo empreendimento cultural de Rondônia, a ser realizado em maio, na cidade de Porto Velho. 

Faça seu filme e venha concorrer nas diversas categorias de curtas-metragens, produzidos a partir de janeiro de 2006, com tempo de 1 a 25 minutos de duração, com temática livre para produções regionais e nacionais – filmes internacionais também concorrem, conforme regulamento no sitio www.curtamazonia.com

Este ano, todos concorrem na premiação principal disputando o troféu CURTAMAZÔNIA enquanto o troféu Três Caixas D´Água será para homenageados e convidados.

As TRÊS CAIXAS D’ÁGUA que são estilizadas no bonito troféu rondoniense

O Festival traz algumas novidades: agora tem também as categorias celular e câmera fotográfica digital, aberta para oportunizar novos diretores independentes que estão surgindo e ganhando destaque na produção audiovisual nacional. Esses, se valen do YouTube e outras plataformas como ferramenta de produção e divulgação.

Além dessas categorias, o CURTAMAZÔNIA terá ainda a categoria webjornalismo e vídeo-reportagem regional e nacional, objetivando valorizar e divulgar os profissionais que fazem Jornalismo com credibilidade nas informações prestadas.

Ficha de inscrição: www.curtamazonia.com 

A promoção da realização do Festival de Cinema CurtAmazônia é da Associação Curta Amazônia, com apoio institucional da ABD/RO, ABD Nacional, Maporé – Apoio Cultural Sítio do Chicão e da mídia rondoniense – e blogs regionais:  betobertagna.com, sergioramos.com.br; blog nacional: auroradecinema.wordpress.com

Enfim, A Biografia de RUBENS CORRÊA

Rubens Corrêa, um Salto para Dentro da Luz, livro de Sergio Fonta (Coleção Aplauso, Editora Imprensa Oficial de São Paulo, 600 p.) Lançamento: HOJE na Livraria Travessa / Leblon, às 19h. 

PORQUE  RUBENS CORRÊA MERECE NOSSA ETERNA SAUDADE e ADESÃO  

 

 

                 O Legado da Paixão

 

Rubens Corrêa foi um dos maiores atores do Brasil, talvez o maior. Para alguns esta afirmação pode parecer um exagero, mas não é: ele foi mesmo. Quem o assistiu em cena nunca mais o esqueceu. Diário de um louco, que ele interpretou com 33 anos, Marat-Sade (em São Paulo e depois Rio) ainda nos anos 60, O assalto, O arquiteto e o imperador da Assíria, Hoje é dia de rock, O beijo da mulher-aranha, mais que tudo Artaud! e O futuro dura muito tempo, seu último trabalho antes de retomar Artaud! até o fim de seus dias, todos estes trabalhos-ícones, entre dezenas de outros, transformaram-se num legado apaixonado de quem amou o teatro como poucos.

Nascido em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, em 23 de janeiro de 1931 e morto em 22 de janeiro de 1996 no Rio de Janeiro, Rubens Corrêa construiu sua carreira ao lado do diretor e também ator Ivan de Albuquerque, cujo impulso definitivo veio com a inauguração do Teatro Ipanema, onde a dupla emplacou seus maiores sucessos. Mas Rubens não se limitou ao teatro e, embora não fosse o seu chão, realizou belos trabalhos também em cinema, como Na boca da noite e Álbum de família, entre outros, e na televisão, em novelas como Partido alto, Kananga do Japão e Pantanal, em Especiais como O bispo do rosário ou seriados como Decadência, de Dias Gomes, na Rede Globo, seu último trabalho em tv. Além disso, dirigiu inúmeros espetáculos com enorme sensibilidade, além de fazer a trilha sonora para vários deles. Amou o teatro, a poesia, a música, a vida e o ser humano. Um nome para não esquecer. Agora ficará para sempre lembrado também em livro.

O ator, dramaturgo e diretor Sergio Fonta conheceu Rubens Corrêa nos anos 70, bem jovem, quando começava sua caminhada, ainda como repórter, trabalhando no Jornal de Ipanema e no Jornal de Letras. Entrevistou-o diversas vezes durante a vida mas, desde a primeira vez, surpreendeu-se com seu carisma, sua inteligência e sua generosidade. Mais impactado ainda ficou quando assistiu à montagem histórica de O arquiteto e o imperador da Assíria, no Teatro Ipanema, em que Rubens contracenava com José Wilker, então surgindo como ator: acabou repetindo a dose por oito vezes mais.

Na introdução de Um salto para dentro da luz, Sergio Fonta fala da emoção daquele momento:

“ – O que dizer das atuações de Rubens, senhor do seu espaço, comandante irrevogável, dilacerado e definitivo, e de Wilker, pleno como o Arquiteto? Dois belos momentos de teatro. E o que dizer da inesquecível trilha sonora criada por Cecília Conde? E da encenação com direito a pietás, missas mozartianas e um enorme e misterioso chapéu branco de mulher”?

O trabalho de pesquisa de Fonta durou mais de um ano. Além da escrita do próprio livro em si, colheu dezenas de depoimentos e entrevistas com todos os que conviveram com Rubens no teatro, na tv ou no cinema, entre eles, Sérgio Britto, Ary Coslov, Julia Lemmertz, Emiliano Queiroz, Caíque Botkay, Ivone Hoffmann, Ricardo Blat, Fauzi Arap, Evandro Mesquita, Cristina Pereira, Thelma Reston, José Wilker, Nildo Parente, Maria Padilha, Walter Lima Júnior, Jacqueline Laurence, Rosamaria Murtinho e  Tizuka Yamasaki.

“ – Espero ter contribuído para a preservação da memória deste grande ator, diz Fonta. Seu universo é tão vasto, suas amizades tão permanentes, pois todos os que deram seus depoimentos conservam intactos seu sentimento por ele, que, talvez, fosse necessário mais um livro sobre ele, tanta a admiração e a saudade de quem o conheceu ou o viu num palco”.

 

Rubens Corrêa, um Salto para Dentro da Luz, será lançado no dia 24 de janeiro, próxima segunda-feira, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h. 

Algumas declarações sobre Rubens Corrêa para o livro Um salto para dentro da luz, de Sergio Fonta 

Emiliano Queiroz:

“RUBENS CORRÊA, um homem bom e generoso. Um artista BELO, um encantador de almas”.

 Rosamaria Murtinho: 

“Rubens deixou como legado o amor a um ideal, o amor ao teatro. A procura do texto bom para mostrar ao público. Ele sempre nivelou por cima. Sempre procurou coisa boa, espetáculo bom. E o público ia. Sempre”.

 

Maria Padilha: 

“Arte e ética juntos são imbatíveis! Esse, para mim, é o maior legado que o Rubens deixou”.

Júlia Lemmertz: 

Além de ser um ator incomparável, era uma criatura linda, dava vontade de ficar por perto dele e conversar muito”.

Sergio Britto: 

“Eu sempre disse que nós, atores, tentamos dialogar como os personagens à nossa frente. Sempre achei que o Rubens dialogava mais alto, sem exageros, ele dialogava com Deus. As suas falas adquiriam dimensão maior. Não eram meras palavras de um texto, era um ser humano tentando a comunicação maior. Esse é o Rubens Corrêa que merece ser lembrado”.

* Foi com grande alegria que soube, há mais de um ano, que Sérgio Fonta trabalhava na feitura desta biografia do ator RUBENS CORRÊA e, por causa disso, eu e Sérgio trocamos figurinhas desde então. Uma enorme e saudável alegria saber que ele se debruçava sobre vida e obra deste Mestre Querido de todos os Palcos e Telas, uma satisfação imensa partilhar este lançamento auspicioso de hoje com você, leitor amigo. Mais uma meritória iniciativa da Imprensa Oficial de São Paulo.

Esta redatora teve a honra e a alegria de entrevistar RUBENS CORREA, de vê-lo algumas vezes, sempre MAGNÂNIMO, em cima do palco, e ademais, a imensa Glória de ser aluna do Ator-Entidade, o Ator-Soberano, o Ator de todos os papéis e pra quem qualquer APLAUSO será, sempre, merecido.

Saudades enormes de Rubens Corrêa !

A propósito do Resta Um…

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal 

Estávamos todos contagiados. O mesmo sentimento de euforia e entusiasmo contagiou a mim, Ingra Liberato, Rosamaria Murtinho, Miguel Jorge, Rogério Santana e Alex Moletta naquela agradável noite goiana, ancoradouro privilegiado para nossa emoção, transformando em vibração entusiástica os pilares e preceitos nos quais se ergueu a Belair. A calorosa sensação de ter encontrado alguma coisa que parecíamos buscar há tempos, invadiu o espírito de todos, e nossa vontade era sair abraçando cada um, como dizia a inspirada letra de Chico : “Era uma canção, um só cordão, uma vontade, de tomar a mão de cada irmão pela cidade”… Sim, era como se, a partir das contundentes e belas imagens garimpadas por Bruno Safadi e Noa Bressane, tudo começasse a criar sua própria lógica e os sentidos eregiam conexões absolutamente inovadoras, criando sensorialidade onde antes havia interrogação e tédio. Uma incisiva sintonia aflorou e o rosto de cada um estampava fulgores até então impensáveis.

Capital goiana foi a concha envolvente que abrigou o RESTA UM

Assim, foi-se desenhando com mais clareza a idéia inicial de fazer um registro imagético do inesperado encontro em Goiânia, cidade aprazível demais para deixarmos perder-se nos desvãos do andamento voraz do cotidiano, próprio da modernidade líquida onde estamos imersos(tão bem definida pelo sábio sociólogo Zigmunt Balman).

Miguel Jorge, Ingra l.iberato, Alex Moletta, Aurora, Rogério Santana, Rosamaria Murtinho e Débora Torres: cada um, a seu modo, contribuindo pro RESTA UM

Qual deveria ser o próximo passo então ? Como alinhavar os elos das intersecções que fomos amealhando ao longo daqueles dias, arejados de imagens e plenos do oxigênio das afinidades que se impõem pela naturalidade de ideais siameses ? Como traduzir pelo gesto da palavra e a alquimia do olhar análogo aquela luminosidade que nos arrebatava e intrometia-se em nossas conversas, todas as horas, noite adentro ? Como significar a eloqüência do instantâneo entrosamento em Goiânia e o contato absolutamente conversor expresso no encontro com a Belair ? A Belair de Júlio Bressane, Rogério Sganzerla e Helena Ignêz…

Cineasta Júlio Bressane, inspirador do clima nas gravações do Resta Um

As idéias então foram tomando assento: no restaurante do hotel, na van que nos conduzia ao cinema, nas cadeiras da sala de exibição, nas trocas de assunto a palpitar quando, a maioria de nós, assumia a função de jurados.

Então Samuel Reginatto, imagem da alegria numa única noite de cinema e festa, se juntou a Júlio Léllis, cineasta amante da Literatura e da sensatez; e se somou à disponibilidade integral de Ingra Liberato, ganhando a benfazeja cumplicidade de Rosamaria Murtinho; e conquistou Miguel Jorge, sábio escritor que de imediato aderiu à nossa idéia de fazermos um filme; e chegou até a Alex Moletta, ator e roteirista a nos encher de ânimo e verdade; e encontrou guarita em Débora Torres, chegando até Rogério Santana, e extrapolando fronteiras para ganhar Sílvio Tendler, Henrique Dantas e o próprio Bruno Safadi. 

Assim, em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos.

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, mostra o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que Aurora Miranda Leão ora nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando sobre o que é mesmo que viu e qual o sentido deste filme. 

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado.

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um punhado de bons filmes a ver e belas músicas pra ouvir.

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou.

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um samba em homenagem à nata da malandragem, um swingue de Gil e Mautner, um ator com a competência de Mauro Mendonça, um desejo de ouvir a contagiante gargalhada de Zéu Brito e mais algumas pérolas de Wisnik.

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um texto de Rubens Ewald Filho pra ler, um poema de Jorge Salomão que não nos sai da cabeça, um personagem para Fernando Eiras interpretar e um ator da grandeza de Emiliano pra gente ensinar aos que ainda vão chegar.

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Imagem de Aos Pés, premiado curta do cineasta gáucho Zeca Brito…

Resta Um take a mais de Zeca Ferreira, mais um documentário que Gui Castor está a concluir, uma nova inquietude imagética de André da Costa Pinto, e um novo mergulho nas invenções fílmicas de Zeca Brito.

Resta Um outro Benjamim de Gardenberg para Paulo José, um outro Suassuna para Nachtergaele, um texto com a concisão de Carlos Alberto Mattos, um novo documentário com a assinatura de João Moreira Salles e o precioso olhar de Coutinho.

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis.

 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um cantinho, um violão, um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano. 

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana. 

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

* O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes

ENSAIOS DE CINEMA, HOJE, na Oboé

Para “ler” o Cinema

Um dos críticos de cinema mais conhecidos fora do eixo Rio-São Paulo, o cearense L.G de Miranda Leão lança Ensaios de Cinema (Banco do Nordeste, 2010, 282 páginas, R$ 20,00), novo livro de críticas, hoje à noite, no Centro Cultural OBOÉ, na Aldeota, às 19:30h.

  

Dificilmente uma sequência costuma fazer jus ao seu filme original. Na contramão dessa tendência, o crítico de cinema L. G de Miranda Leão lança hoje sua primeira e bem-sucedida “continuação”, o livro Ensaios de Cinema – extensão da primeira obra do autor, Analisando Cinema.

Nos dois títulos, L.G. reúne críticas e ensaios publicados ao logo de mais de 50 anos de carreira. O primeiro, lançado em 2006 pela Imprensa Oficial de São Paulo, torna-o o único cearense, residente em Fortaleza, a ser publicado na prestigiada Coleção Aplauso.

Agora, em Ensaios de Cinema, o especialista traz uma visão mais ampla da produção cinematográfica de países como Alemanha, EUA, República Checa e Suécia. Na lista de cineastas abordados estão grandes nomes como François Truffaut, Stanley Kubrick, André Bazin, Ingmar Bergman, Martin Scorsese e Orson Welles.

A obra, que já foi lançada no FestCine Goiânia e no V Festival de Cinema e Vídeos dos Sertões (Floriano-PI), tem apresentação do colega Rubens Ewald Filho, que tece elogios ao rigor do trabalho do autor.

“Ao lançar ´Analisando…´, notei o entusiasmo de muita gente, alunos, amigos e colegas. Isso me animou a escrever um segundo livro”, comemora L.G. “Assim, comecei a reunir novas críticas e ensaios”. Os textos apresentados no novo trabalho cobrem pelo menos meio século de trajetória da sétima arte, ao abordar temas e gêneros como a Nouvelle Vague, o cinema americano nos anos 70, filmes de guerra, entre outros temas.

Carreira

Frente a um recorte tão grande e à considerável produção acumulada, o autor recorreu ao critério de afinidade para selecionar o material. “Escolhi textos sobre diretores e filmes com os quais tenho mais afinidade”, ressalta. “Truffaut, Kubrick, Bergman e Welles, por exemplo, sempre estiveram à frente de seu tempo”. O livro foi organizado com a ajuda da filha do crítico, Aurora Miranda Leão, que também trabalha com cinema. Na orelha da publicação, a caçula lembra as matinês do Cine São Luís, no Centro de Fortaleza, onde assistiu, na companhia do pai, aos primeiros exemplares de sua filmoteca pessoal.

Para o próprio L.G., a paixão também vem de família – no caso, graças à influência do pai, o médico e cinéfilo João Valente de Miranda Leão. “Ele nos levava ao cinema com frequência”, recorda o crítico.

Uma experiência em particular marcou o crítico. “Na década de 40, Welles veio ao Ceará para filmar cenas de It´s all true, no Mucuripe. Meu pai tinha sido apresentado ao Welles, e nós fomos assistir à uma gravação. Vi o diretor deitado no chão, com a câmera apontada em contra-plano. Ao seu lado havia uma caixa preta, parecido com um decodificador de TV, que ele manipulava com cuidado. Meu pai foi perguntar o que era aquilo e Welles respondeu que era um gravador de som direto, algo que fomos ter no Ceará apenas nos anos 80″, conta, entusiasmado. Na ocasião, L.G. tinha dez anos de idade. “A partir daí, cinema passou a ser paixão”, confessa o crítico. Não por acaso, Orson Welles está na lista de seus cineastas favoritos.

Alguns anos depois, o crítico conheceu outra figura cuja influência foi fundamental em sua carreira – o jornalista e também crítico de cinema Darcy Costa (1923 – 1986), criador do Clube de Cinema de Fortaleza (um dos clubes de cinema pioneiros no País). “Foi na inauguração do Clube, em fevereiro de 1949. Na ocasião conheci e fiz amizade com Darcy Costa, um grande conhecedor do cinema. Foi quando vi que, além de ver filmes, precisava estudá-los”.

Os primeiros artigos publicados de L.G, em 1953, foram justamente sobre o Clube de Cinema de Fortaleza. Ao longo dos anos, inúmeros filmes e diretores passaram pelo crivo do autor, que costuma assistir ao mesmo título várias vezes antes de escrever sobre ele.

Função

Em relação ao seu ofício, L.G. acredita que o papel do crítico de cinema é abrir horizontes de entendimento e de conhecimento para espectador, “porque nem todo mundo estuda o tema com profundidade”, ressalta. “No mercado, talvez o crítico contribua para melhorar o nível das produções”, opina.

Para ilustrar melhor a função, o autor cita o filme Morangos Silvestres, clássico do sueco Ingmar Bergman. “Na história, um professor de 78 anos vai receber uma homenagem. Antes da cerimônia, sonha que está andando na rua e vê um relógio sem ponteiros”, destaca. Segundo o crítico, trata-se de uma referência à morte, a representação do tempo esgotando-se na vida do personagem.

Aposentado do Banco do Nordeste e da Universidade Estadual do Ceará, L.G. ministrou diversos cursos voltados ao cinema. É justamente esse interesse por passar o conhecimento adiante que atualmente inspira seu próximo projeto. “Quero preparar um manual prático de ´ler´ cinema, voltado à compreensão dos significantes visuais. É um desafio grande. Talvez, depois dele, não faça mais nada”, brinca o crítico.

ADRIANA MARTINS
Repórter do Caderno 3/Diário do Nordeste