Arquivo do dia: 27/03/2011

A Profissão de Ator como um rito…

Matheus Nachtergaele De Volta à TV …

Rodrigo FonsecaMatheus Nachtergaele / Foto Leonardo Aversa

Mantenha os ouvidos atentos às palavras de Matheus Nachtergaele. A partir do dia 11 de abril, quando estrear “Cordel encantado”, a próxima novela das seis da Rede Globo, profecias hão de brotar de seus lábios. Por vezes, ele vai falar de fé:

Tenho a sensação de que me comporto diante da beleza que são os rituais religiosos como um antropólogo capaz de ver inclusive a profissão de ator como um rito. Um rito com uma forte função social. Ser ator no Brasil é acreditar que você pode fazer o seu próprio povo se ver e se descobrir – diz o paulistano de 42 anos, escalado para o elenco do folhetim das 18h no papel de Miguézim, profeta fundador da fictícia cidade de Vila da Cruz.

Outras vezes, a porção profética de Nachtergaele vai falar de política:

Miguézim vive na fissura provocada pelo dom de iluminar os outros: é capaz de se divertir com o que conhece, ao mesmo tempo em que sofre com a dor de saber. Já eu… eu me alegro com a sensação de que, politicamente, o Brasil está caminhando para uma boa direção. Mas sofro com a impressão de que muita coisa de base deixou de ser feita.

Já sobre a arte, Matheus Nachtergaele, dentro ou fora das novelas, sempre há de falar. Segundo seus colegas, ele sequer tem a escolha de não falar dela.

– Para Matheus, ser artista não é profissão. É doutrina – diz a atriz Dira Paes. – Tive a honra de atuar no primeiro trabalho dele como diretor, o filme “A festa da menina morta”, e pude vê-lo exercendo todas as suas potencialidades artísticas, que não são poucas.

Pela barba grossa que Matheus vem ostentando, Miguézim já deu seus primeiros sinais de vida, transformando as feições do ator e cineasta. Há 14 anos na TV, ele emplacou pelo menos quatro personagens marcantes: o travesti Cintura Fina de “Hilda Furacão” (1998); o herói pícaro João Grilo em “O auto da Compadecida” (1999); o vidente Helinho de “Da cor do pecado” (2004); e o peão Carreirinha de “América” (2005).

Atuar não é um ofício fácil. Com o tempo, você percebe que as pessoas, suas espectadoras, o conhecem mais do que você a elas. Você sai de casa para tomar um chope e nota que todo mundo te olha. Os personagens te deixam exposto, nu. Às vezes, você se pergunta: “Será que eu quero isso para mim?”. Outras vezes, você adora. Fazendo novela, o que muda é o fato de que você nunca sabe a trajetória completa que seu personagem pode ter. Em “Cordel encantado”, já me contaram que Miguézim guarda um mistério. Mas ninguém me contou qual – diz Matheus, cuja trajetória se mistura com a evolução do cinema brasileiro desde a Retomada.

Xuxa e a “peleja” com Walter Hugo Khouri…

* Confira o instigante artigo do professor e documentarista paraibano Lúcio Villar, idealizador e presidente do Festival ARUANDA de Documentários…

 
Contra o cinema

Nunca simpatizei a suposta “rainha dos baixinhos”,
ícone-mor do consumismo em escala industrial, responsável
por “n” disfunções no imaginário e formação das
crianças nas décadas de 80 e 90 no Brasil. Melhor sorte
tiveram os nascidos neste século; sem a mesma força
do apelo de mídia daqueles anos, estes prescindem dos
caprichos mercadológicos da balzaquiana que ainda força
a mão, prorrogando uma plastificada postura infantil que
está mais para simulacro dela mesma no pesado jogo das
indústrias do entretenimento.
O ponto em questão, entretanto, não é este, até
porque o tema foi amplamente abordado na academia. A
apresentadora está, mais uma vez, encarando o fantasma
do filme Amor, Estranho Amor (1982), onde aparece em
cena de sexo com um garoto de 12 anos.
Para quem não sabe, basta resumir que a fita está fora
do mercado há duas décadas por decisão judicial, atendendo
a recurso da própria atriz que tomou a decisão de
‘abafar’ a película após se consagrar na TV na condição de
apresentadora. Ação policial apreendeu as cópias originais
do vídeo nas locadoras do país.
Trata-se de filme do diretor Walter Hugo Khouri que
morreu angustiado com o esdrúxulo desfecho. Mas, nem
tudo foram flores para a loira que não conseguiu evitar a
circulação de cópias piratas e pode ser baixado na web.
Nos EUA foi lançado em DVD e pode ser importado; ela
também entrou com ação por lá, mas perdeu.
Agora, o produtor do longa-metragem pode ter de
volta o direito de comercialização, uma vez que o trato
estabelecido sobre a não circulação do longa foi quebrado.
Quanto ao imbróglio jurídico, este segue sob questionamento
em todas as esferas.


Afinal, foi a primeira vez que uma atriz interditou
uma obra de arte que, em última instância, só a figura do
produtor ou do diretor deveria ter poder para tanto. Caso
único em que a perversa ‘bipolaridade’ de uma apresentadora
negou a atriz que um dia ela foi…