Arquivo do dia: 24/04/2011

“O Que Terá Acontecido a Rosemary?”

Santos Reafirma Talento pra Comédia 

Cartaz no Espaço Teatro Aberto, na Praça dos Andradas, no centro de Santos (SP), a comédia O Que Terá Acontecido a Rosemary?”, texto de Kadu Veríssimo que parodia filmes clássicos como “A Malvada” (1950) e “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” (1962), merece ser vista.

Sucesso de critica e público na região, a montagem tem direção de André Leahun, calcada na interpretação dos atores que resgatam o humor popular das antigas chanchadas do cinema brasileiro, dos programas de auditório do rádio, dos dramas de circo e do besteirol, envolto em embalagem cênica moderna.

Recheado de deliciosos clichês, texto mostra o embate entre duas irmãs: Rosy e Betty Blue, suas aventuras e desventuras em busca da fama, do sucesso e, do reconhecimento.

Até dia 15 de maio, fica em cartaz em Santos. Em seguida, espetáculo cumprirá temporada na capital paulista.

SERVIÇO

O Que Terá Acontecido a Rosemary?Texto: Kadu Veríssimo Direção: André Leahun Com: Junior Brassalotti, Kadu Veríssimo e Luiz Fernando Almeida.

Onde: Espaço Teatro AbertoPraça dos Andradas, 102 – SANTOS

A Propósito de JUVENTUDE…

Soterrados pela Magia do Cinema 

Sessão lotada. Filme aguardado. Platéia ansiosa. Afinal, era mais um Domingos Oliveira na tela. Dramaturgo e cineasta dos mais respeitados, com um filme novo, falando de Juventude... Domingos, Paulo José e Aderbal Freire-Filho, três homens de Teatro, essencialmente, homens da Cena.

 

Domingos, Aderbal e Paulo José: belas lições de amor à vida em JUVENTUDE

Juventude era, desde o princípio do festival, um dos filmes mais aguardados pela imprensa, logo, um dos mais esperados também pela enorme turma de cinema e convidados presentes ao mais concorrido festival de cinema do país. 

Burburinho no Palácio dos Festivais. Lugares disputadíssimos, Domingos e Paulo José na platéia. O cineasta-dramaturgo sobe ao palco antes da exibição e convida a equipe de Juventude para subir com ele… 

Começa a sessão e um silêncio respeitoso toma conta do espaço. A projeção vai dominando a sala e, aos poucos, o riso e a sincronia vão ganhando corpo… Uma energia que não se vê mas intui-se nos pequenos gestos vai criando aquela atmosfera própria dos contos-de-fada… o mesmo respirar, os silêncios e idênticas pausas, risos em momentos semelhantes, uma cumplicidade involuntária parecia irmanar a todos naquela noite que tinha um quê de cinema e um não-sei-o-quê de teatro… tudo parecia contaminar uma platéia cada vez mais identificada com os temas e as reflexões propostas pelos três atores que protagonizam JUVENTUDE.

 

E essa sensação quase onírica, quase etereal, difícil de traduzir mas antevê-se, parece quase explodir quando sobem os letreiros do filme: entre risos, aplausos, acenos e gestos de apoio, a platéia vai deixando o Palácio dos Festivais absolutamente emocionada. 

A sensação soberana era a de que alguém havia jogado por sobre as pessoas aquele pozinho da fada Sininho da história de Peter Pan, como se algo muito contagioso e contagiante tivesse saído da tela e invadido o coração do público… como se Vinícius de Moraes tivesse dali extraído seus versos: “E no entanto é preciso cantar/Mais que nunca, é preciso cantar/É preciso cantar e alegrar a cidade…”, entregando de bandeja o mote pra Toquinho continuar: “Ando escravo da alegria, hoje em dia minha gente, isso não é normal/ Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval…” 

Se alguém, completamente por fora do que estava acontecendo, adentrasse o cinema de Gramado naquele momento, sem dúvida sentiria uma sensação refrescante, assim como se ali tivesse sido derramada – ainda que não se saiba como nem porquê – a tão almejada água da vida…  ou tivesse sido descoberto, de repente, o Tesouro da Juventude.

 

Depois de assistir à JUVENTUDE, o sentimento que parecia dominar o coração de todos quanto tiveram o prazer e a alegria de assistir ao filme de Domingos, Paulo José e Aderbal, era o de que finalmente alguém havia encontrado o elixir da Juventude Eterna, e era preciso sair pelo mundo abraçando e contando a todos que ser feliz é possível em qualquer lugar, a qualquer tempo, de qualquer maneira. A partir daquele filme, Ser Jovem passou a ser uma disposição do espírito, um adestramento da vontade, uma determinação involuntária, intraduzível e necessária. 

Deixamos o cinema como a nos perguntar: aquilo era só um filme ? O filme era a história de uma peça ? Onde acaba o cinema e recomeça a vida ? O que é mesmo Vida e o que é Cinema ? Onde estão os limites que separam a noção do cinema e a emoção da vida ? Quem sabe quando começa a ficção e onde impera a verdade ?  

Entre aqueles atores e nós, o público, havia uma tela, mas entre os atores e cada um de nós que formava aquela seleta platéia, naquela noite de emoção contagiante, não havia elisão, nem diferença, nem contradita: entre os atores de Juventude e a platéia de Gramado reinava gloriosa a empatia da generosidade e a cumplicidade do afeto; uma sutil, intensa e desafiadora vontade de prosseguir apostando no bem, no bom e no belo como fontes essenciais da alquimia de saber viver.                              

De Olho no Kikito…

Até 1º de junho, estão abertas as inscrições para as mostras competitivas da 39ª edição do Festival de Cinema de Gramado, agendado para o período de 5 a 13 de agosto, na adorável serra gaúcha.

Mais charmoso e concorrido festival de cinema do pais, o Festival de Gramado dá especial atenção ao cinema brasileiro e às cinematografias autorais e de produção independente e a obras da América Latina, organizando a programação em três mostras competitivas:

filmes longa-metragem brasileiros; longas-metragens estrangeiros; filmes em curta-metragem brasileiros.

O KIKITO é o mais conhecido e cobiçado prêmio do Cinema Brasileiro

Além disso, o Festival de Gramado promove a Mostra Panorâmica com filmes em longa-metragem, brasileiros ou estrangeiros, fora de competição.

Os interessados em concorrer devem acessar www.festivaldegramado.net

Vamos às Novas Controvérsias de Ronaldo Werneck

Com lançamentos em JUIZ DE FORA e CATAGUASES já realizados, POETA RONALDO WERNECK convida:

26 de abril, terça, das 18h30 às 21h30
Livraria Martins Fontes – Av. Paulista – São Paulo/SP
Avenida Paulista, 509
Tel.: (11) 2167-9900

30 de abril, sábado, a partir das 11h
Livraria Mineiriana – Belo Horizonte/MG
Rua Paraíba, 1419, Savassi
Tel.: (31) 3262 0961


DAS MINAS DO MUNDO

DÁ-SE O DIA A DIA

FUTEBOL-CINEMA

CANÇÕES-POESIA

Pelé. Baudelaire. Vittorio Gassman. Elizeth Cardoso. Rock. Glauber. Godard. Rimbaud. Zidane. Jim Morrison. Chico Anísio. Ungaretti. Paris. Clarice Lispector. Ferlinghetti. Baden Powell. Roma. Guimarães Rosa. Bossa Nova. Jean Seberg. Apollinaire. Rio. Bethânia. Recife. Vinicius. Frevo. Nelson Cavaquinho. John Huston. João Gilberto. Dino Risi. Paulinho da Viola. Maracatu. Jards Macalé. Cinema Novo. Tennessee Williams. Joyce Moreno. Nouvelle Vague. Nara. Humberto Mauro. Lúcio Alves. Cataguases. Chico Buarque. Maria Alcina. Ary Barroso. Tomate & seus Pepinos & Cães & Gatos.

É do dia a dia de Minas e do mundo – de “futebol e cinema, de canções e poesia” – que trata o novo livro de Ronaldo Werneck, Há Controvérsias 2 – com mais de 500 páginas, todo ilustrado –, dando continuidade às crônicas do livro Há Controvérsias 1, lançado em 2009 pela Editora Artepaubrasil. São textos (vários inéditos) publicados a partir de 2003 na coluna Há Controvérsias, que o poeta e escritor mineiro assina nos jornais Cataguases e O Liberal, de Cabo Verde, e nos blogs Cronópios, Contra o Vento e Ronaldo Werneck/Há Controvérsias.

“E pergunto, em quieta abstração, em que consiste a estilística de Ronaldo Werneck” – escreve a poeta mineira Lina Tâmega Peixoto, no prefácio de Há Controvérsias 2. “Talvez, a habilidade de jogar com as palavras, uma provocação lúdica às formas verbais para alcançar uma linguagem delirantemente estética. Ou o emprego de leves palhas de humor e doce ironia. (…) Tudo servindo à construção das tensões do processo de interpretar as beiradas da vida e do mundo, a delicada e conflituosa experiência da criação, o talento com que Ronaldo Werneck empunha e manobra a beleza, intelectualmente fabricada”.

“E não adiantam as mil notas de pé de página das teorias do tom menor”, diz o escritor e dramaturgo português Cunha de Leiradella. “Ronaldo Werneck entende do seu ofício que nem os cortadores de pedra do antigo Egito entendiam de pirâmides. Procurando os veios do rochedo e abrindo-o nos seus mais guardados segredos, as obras feitas para durar. Sim, escrever é ver. E saber. Saber ver. Ler o mundo, descre/ver. O pensar que se fixa e perdura, se brotado em escritura”.

A Biblioteca Nacional encomendou à Editora Arte Paubrasil nova tiragem do livro Há Controvérsias 1, que será distribuído a bibliotecas de todo o país. Sobre esse livro, disse Zuenir Ventura: “Você não se cansa de me surpreender com essa sua polissemia, polivalência, politalento. Que excelente poeta você é, cara, e que cronista!”. Por sua vez, no texto de apresentação, escreveu Moacyr Scliar: “Humor, talento, grandeza humana: Ronaldo Werneck é tudo isso e muito mais, esteja ele escrevendo sobre política, ou sobre futebol, ou sobre a arte de curtir a vida. Leiam-no e constatem”. 

Sobre o autor

Poeta e jornalista, Ronaldo Werneck é mineiro de Cataguases. Participou de várias antologias, a mais recente delas Roteiro da Poesia Brasileira Anos 70 (Global, 2009). Tem seis livros de poemas publicados, entre eles Minerar o Branco (Editora Arte Paubrasil, 2008). Em 2009, publicou Kiryrí Rendáua Toribóca Opé: humbertoMAUROrevistoPORronaldoWERNECK e Há Controvérsias 1, pela Editora Arte Paubrasil.


Título: Há Controvérsias 2

Autor: Ronaldo Werneck
Texto das orelhas: Cunha de Leiradella
Gênero: Literatura brasileira/Crônicas
ISBN: 978-85-99629-34-5
Formato: 16 X 23 cm, brochura
Páginas: 503
Peso:  740 g
Preço: R$ 45,00
Editora Arte Paubrasil

Editora Arte Paubrasil
Rua Caravelas, 187 – Vila Mariana

04012-060 – São Paulo-SP – Brasil
Pabx: (11) 5085-8080

Em cenário “filme catástrofe”…

Para Célia Bitencourt

Películas “escapando” de suas latas, dezenas de fitas VHS, entre o mofo e a desfiguração apodrecida, fotografias amareladas e espalhadas pelo chão, recortes de jornais voando pela sala quente e inadequada para armazenar tamanha riqueza de registros imagéticos e sonoros da Parahyba…

Em típico cenário “filme catástrofe”, eis que desponta um espectro na embaçada imagem da vitrine. Ao passar a mão, o vulto dá lugar a um cineasta… Mas, ele não faleceu? – pergunto-me ao mesmo tempo que um frio percorre a espinha, gelando até a alma. Sim, é verdade! Como, então?! Ao tentar racionalizar a resposta, uma nova dimensão se interpõe, destituindo de sentido a indagação. Diante de mim, lá está Machado Bitencourt no Espaço Cultural, esbravejando em cena aberta de “filme silencioso”, do qual visualizo apenas expressões de angústia e revolta em estado puro.

Ensaio voltar ao sentido perdido, pois reza a lenda que os mortos serenam seus ânimos. Qual nada! “Aqui”, a normalidade cotidiana é absolutamente subvertida; dou-me conta então do pesadelo em que estou mergulhado.

Ainda lembro dos sonhos como manifestação de desejos, já dizia Freud… Este, porém, se passa em velocidade chapliniana, sem sonorização, acompanhado apenas de música triste enquanto Machado nos lembra Michael Douglas (Um Dia de Fúria), revirando o que restou de seu acervo até levar as mãos à cabeça em desespero incontido ante um desfecho tão apoteótico quanto desolador:

Fotogramas escorrem impunemente em transmutação líquida (“síndrome do vinagre”, que configura a decomposição da película) pelas rampas do Espaço Cultural, na mais surreal e fantástica tomada com força de “tsumani”. Desperto subitamente, ainda acometido do forte aroma do tempero doméstico.

Tal como um náufrago, eis o melancólico resumo da fita, Machado parece ter perdido de vez as esperanças de que sua “garrafa”, lançada ao mar de indiferenças e má vontades recorrentes… seja um dia encontrada.

Eita Parahyba velha de guerra ! Nem na vida eterna dá descanso a seus filhos !

* Texto do professor e documentarista paraibano, LÚCIO VILLAR, coordenador-geral do Festival ARUANDA de Documentários, que acontece todo dezembro na adorável João Pessoa…