A Propósito de JUVENTUDE…

Soterrados pela Magia do Cinema 

Sessão lotada. Filme aguardado. Platéia ansiosa. Afinal, era mais um Domingos Oliveira na tela. Dramaturgo e cineasta dos mais respeitados, com um filme novo, falando de Juventude... Domingos, Paulo José e Aderbal Freire-Filho, três homens de Teatro, essencialmente, homens da Cena.

 

Domingos, Aderbal e Paulo José: belas lições de amor à vida em JUVENTUDE

Juventude era, desde o princípio do festival, um dos filmes mais aguardados pela imprensa, logo, um dos mais esperados também pela enorme turma de cinema e convidados presentes ao mais concorrido festival de cinema do país. 

Burburinho no Palácio dos Festivais. Lugares disputadíssimos, Domingos e Paulo José na platéia. O cineasta-dramaturgo sobe ao palco antes da exibição e convida a equipe de Juventude para subir com ele… 

Começa a sessão e um silêncio respeitoso toma conta do espaço. A projeção vai dominando a sala e, aos poucos, o riso e a sincronia vão ganhando corpo… Uma energia que não se vê mas intui-se nos pequenos gestos vai criando aquela atmosfera própria dos contos-de-fada… o mesmo respirar, os silêncios e idênticas pausas, risos em momentos semelhantes, uma cumplicidade involuntária parecia irmanar a todos naquela noite que tinha um quê de cinema e um não-sei-o-quê de teatro… tudo parecia contaminar uma platéia cada vez mais identificada com os temas e as reflexões propostas pelos três atores que protagonizam JUVENTUDE.

 

E essa sensação quase onírica, quase etereal, difícil de traduzir mas antevê-se, parece quase explodir quando sobem os letreiros do filme: entre risos, aplausos, acenos e gestos de apoio, a platéia vai deixando o Palácio dos Festivais absolutamente emocionada. 

A sensação soberana era a de que alguém havia jogado por sobre as pessoas aquele pozinho da fada Sininho da história de Peter Pan, como se algo muito contagioso e contagiante tivesse saído da tela e invadido o coração do público… como se Vinícius de Moraes tivesse dali extraído seus versos: “E no entanto é preciso cantar/Mais que nunca, é preciso cantar/É preciso cantar e alegrar a cidade…”, entregando de bandeja o mote pra Toquinho continuar: “Ando escravo da alegria, hoje em dia minha gente, isso não é normal/ Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval…” 

Se alguém, completamente por fora do que estava acontecendo, adentrasse o cinema de Gramado naquele momento, sem dúvida sentiria uma sensação refrescante, assim como se ali tivesse sido derramada – ainda que não se saiba como nem porquê – a tão almejada água da vida…  ou tivesse sido descoberto, de repente, o Tesouro da Juventude.

 

Depois de assistir à JUVENTUDE, o sentimento que parecia dominar o coração de todos quanto tiveram o prazer e a alegria de assistir ao filme de Domingos, Paulo José e Aderbal, era o de que finalmente alguém havia encontrado o elixir da Juventude Eterna, e era preciso sair pelo mundo abraçando e contando a todos que ser feliz é possível em qualquer lugar, a qualquer tempo, de qualquer maneira. A partir daquele filme, Ser Jovem passou a ser uma disposição do espírito, um adestramento da vontade, uma determinação involuntária, intraduzível e necessária. 

Deixamos o cinema como a nos perguntar: aquilo era só um filme ? O filme era a história de uma peça ? Onde acaba o cinema e recomeça a vida ? O que é mesmo Vida e o que é Cinema ? Onde estão os limites que separam a noção do cinema e a emoção da vida ? Quem sabe quando começa a ficção e onde impera a verdade ?  

Entre aqueles atores e nós, o público, havia uma tela, mas entre os atores e cada um de nós que formava aquela seleta platéia, naquela noite de emoção contagiante, não havia elisão, nem diferença, nem contradita: entre os atores de Juventude e a platéia de Gramado reinava gloriosa a empatia da generosidade e a cumplicidade do afeto; uma sutil, intensa e desafiadora vontade de prosseguir apostando no bem, no bom e no belo como fontes essenciais da alquimia de saber viver.                              

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