Arquivo do dia: 24/05/2011

Paul McCartney Emociona até quem lá não estava…

O colega jornalista, repórter, radialista e beatlemaníaco NELSON AUGUSTO, mais uma vez, deslocou-se de sua Fortaleza e foi conferir um show de Paul McCartney. Teríamos feito o mesmo, caso as finanças o tivessem permitido.

Sinto-me bem representada, entretanto, na platéia do encantador e eterno BEATLE pela admiração exageradamente justificada de Nelson e pela emocionada presença de minha mana querida Astrid Miranda Leão nos shows do estádio Engenhão, onde PAUL, mais uma vez, provou e justificou os milhões de APLAUSOS em muitas décadas de estrada artística, recheada de invejável sensibilidade, uma beleza capaz de sobrepor-se ao tempo e aos modismos de plantão, e a força de uma musicalidade capaz de permanecer intensa e profícua, renovando-se a cada vez porque sempre diferente em sua igualdade de décadas de afinação e dedicação ao ofício para o qual nasceu, indubitavelmente, predestinado.

Através da emoção inconteste de ASTRID e Nelson Augusto, sinto-me mais uma na calorosa, imensa e devotada platéia de PAUL, irmanando-me nos aplausos ao eterno BEATLE e em sua admiração incondicional.

SARAVÁAAAAAAAAAAA !!!

Fiquem agora com a bem elaborada reportagem de Nelson Augusto sobre a passagem de PAUL McCARTNEY pela capital carioca, escrita ainda no Rio de Janeiro:

No domingo passado, o ex-Beatle Paul McCartney fez o primeiro dos dois shows da “Up and Coming Tour” marcados, no Rio de Janeiro, com um coro de 45 mil vozes

Na série de apresentações da “Up and Coming Tour”, em 2011, que já passou, na América Latina, pelo Chile e Peru, Paul McCartney fez o primeiro show no Brasil no domingo passado e repetiu a exibição ontem. Devido ao documentário que é mostrado antes do espetáculo, o começo da “Up and Coming Tour” se estendeu por alguns minutos, espera que passou despercebida, até pela qualidade da produção inicial que foi reproduzida em dois telões com excelente qualidade de imagem.

Paul McCartney subiu ao palco acompanhado por instrumentistas tarimbados, do talento de Abe Laboriel Jr (bateria e percussão) Brian Ray (guitarra e baixo), Paul Wix Wickens (teclado), Rusty Anderson (guitarra). O ex-beatle estava vestido num sofisticado blazer azul, calça preta e camisa branca. Em quase três horas de show, Paul cantou e tocou em três guitarras diferentes, no seu inconfundível baixo Hoffner, e também no violão, ukulele, cavaquinho e o piano.

Já na abertura, brindou a plateia, estimada em 45 mil pessoas, com um clássico do tempo dos Beatles, a criativa “Hello goodbye”. Em seguida, depois de cantar uma da época dos Wings, “Jet” do excelente álbum “Band on the run”, se esforçou falando em português: “Olá, Rio. E aí cariocas, boa noite boa”. Logo depois, resgatou um clássico dos Beatles, “All my loving” sendo acompanhado pelo público. No final, agradeceu dizendo “obrigada (sic)” e já mandou ver uma se sua carreira solo, “Letting go”. Disse depois: “É ótimo estar de volta ao Rio. Esta noite eu vou tentar falar português, mas, vou falar mais em inglês”.

Ao interpretar a ritmada “Drive my car”, do álbum dos Fab Four “Rubber Soul”, tirou o paletó a disse, “tudo bem, tudo ótimo”. Na sequência mandou mais duas de sua fase pós-beatle: “Sing the changes” e “Let me roll it”. Retornando ao repertório dos Beatles, já deixando o baixo e tocando piano, empresta sua voz para a balada “The Long and winding road”. O set list seguiu com mais duas de sua carreira solo: “1985” e “Let ´em in”.

Trocando o piano pelo violão, emenda três canções gravadas em discos ao lado de John, Ringo e George: “I´ve just seen a face”, “And I Love Her” e “Blackbird”, esta última, sozinho com seu instrumento. Antes de cantar “Here toda” anuncia que escreveu essa música para o amigo John Lennon. Logo depois, utilizando o pequeno ukulele, convida a galera para dançar e pede para prestarem atenção na performance coreográfica do baterista Abe Laboriel Jr.

Parceira

Retornando ao violão, faz a primeira parceria vocal com os presentes ao cantar “Mrs. Vandebilt”, no refrão. Paul dizia, “agora é com vocês” e saía do microfone, acenando para os fãs e deixando que eles comandassem a interpretação coletiva – isso também se repetiu em “Ob-la-di, ob-la-da” e “Hey Jude”.

Nesta última, a plateia também colaborou visualmente, exibindo cartazes com a sílaba “Na” para reforçar o coro em uníssono com os presentes. Empunhando o cavaquinho, cantou a emblemática “Eleanor Rigby” e, em seguida, falou: “A próxima música é um tributo para o meu amigo George”, para interpretar “Something”. Logo na sequência, fez o público dançar outra vez com “Band on the run”, faixa-título de um dos seus melhores álbuns da fase do Wings.

Retornando aos Fab Four, emendou as clássicas, “Ob-la-di, ob-la-da”, “Back in the U.S.S.R.”, “I´ve got a Feeeling”, “Paperback writer” e “A day in the life”, viagem musical psicodélica que teve um medley com a pacifista “Give peace a chance”, assinada também por John Lennon. De volta ao piano, a balada “Let it be” fez os apaixonados se abraçarem; a incendiária “Live and let die”, agitar os mais afoitos (destaque aqui para o impacto do show pirotécnico, coordenado com a música) e a popularíssima “Hey jude” ecoar um som uníssono no grudento refrão, embelezando também o ambiente com balões coloridos.

Retorno

Para o primeiro bis, McCartney retorna acenando com uma bandeira do Brasil e depois acelera o público com “Day tripper”, “Lady Madonna” e “Get back”. Sai de cena outra vez, e, sob um coro que grita seu nome, volta para o bloco final inicialmente alicerçado apenas com o seu violão ao dedilhar os primeiros acordes de “Yesterday”. De novo, o coro de 45 mil vozes entrou em ação. Depois do clima acústico, a mais pesada da noite, o marco inicial do heavy metal, “Helter skelter” e o bloco final com “Sgt. peppers lonely hearts club band/The End” que encerra numa atmosfera de êxtase total para todos os que se deliciaram com quase três horas de uma performance musical invejável.

Um pouco mais perto de Paul

No sábado, mesmo sem compromisso profissional, resolvemos dar uma conferida, como turistas, em frente ao Copacabana Palace, onde estava hospedado Sir Paul McCartney. Chegamos 12h30 e uma pequena multidão, de umas duzentas pessoas, já se aglomerava na frente do luxuoso hotel. De imediato, percebemos pessoas de várias gerações, todas imbuídas de uma só vontade: ver Paul de perto.Eram admiradores da obra musical de Paul McCartney. Muitos deles o veriam no palco nos dois dias seguintes, mas, na possibilidade de assistir pelo menos um flash, bem mais próximo do seu ídolo, estavam pacientemente de prontidão, observando com atenção, qualquer possibilidade da aparição.

Quase todos os fãs estavam com algo que os identificassem como tal, principalmente camisetas. Também se via faixas, cartazes e trajes usados pelos Beatles no disco Sgt. Pepper´s, o qual, no formato do antigo LP, também era mostrado por um fã.

Outros ostentavam bonés e bandeiras. No entanto, o que mais impressionou o jornalista, foi uma tatuagem azul escura na batata da perna de um adolescente, a qual homenageava o disco Abbey Road.

Qualquer pessoa que abrisse uma janela do luxuoso hotel Copacabana Palace, era motivo de excitação para os fãs que começavam a gritar em coro o nome de Paul McCartney. Filhos acompanhados pelos pais, pessoas de alguns estados do Brasil, inclusive do Ceará, e também de países vizinhos como o Chile e a Argentina.

Uma típica carioca foi chegando e logo bradando em alto e bom som e seguido por uma coro: “Paul, cadê você. Eu vim aqui só pra te ver”. Outra, com um porte avantajado e uma potente voz gritou para um jornalista que estava numa sacada: “Ei, cara, chama o Paul aí para mim”.

Um artista gráfico gaúcho e torcedor do Grêmio começa a conversar conosco por conta da estampa de nossa camiseta. Ele elogia a blusa e pergunta onde comprei.

Alheias ao artista que causava o burburinho no hotel três senhoras que caminhavam pelo calçadão comentavam: “Esse povo não tem o que fazer”. Uma tiete liga o som do seu telefone celular no qual se ouve “Another Day”. Em outro momento, mesmo sem instrumentos, uma galera canta “Hey Jude”.

O repórter turista já ia desistindo de esperar para ver seu ídolo quando, exatamente às 17h25, Paul McCartney aparece simpático, lépido e fagueiro acenando para o público. Êxtase total. Gritos, gente chorando e, é claro, a grande maioria filmando e fotografando tudo. Depois, o artista entra em sua Mercedes 2011, modelo 2300, prateada, placas EFY-7606, de São Paulo e, inicialmente, ainda com o vidro do carro abaixado, dá adeus.