Arquivo do dia: 25/06/2011

O Palhaço une talento de Selton como Ator e Diretor

Selton Mello tem 38 anos. Mas, se funcionário padrão fosse, já poderia pedir a aposentadoria por tempo de serviço. “Tenho 30 anos de carreira”, contabiliza, sorrindo.

“Nisso, sou meio parecido com os palhaços, que crescem no picadeiro, que se sucedem de geração em geração”, diz o ator. “Comecei a ser ator muito pequeno… Era mágico. Adorava ver aquelas câmeras, aquela gente…”

Não é preciso ser psicanalista para perceber que, por trás do nariz vermelho de Benjamin, protagonista de O Palhaço, esconde-se a face íntima de Selton, aquela que a maquiagem disfarça.

O filme, que será exibido pela primeira vez no Festival de Paulínia, em julho, mergulha no universo circense em busca de uma resposta: o que significa, na essência, ser um artista?

  Guilherme Maia/Divulgação  
O ator Selton Mello em cena de "O Palhaço" (2011), dirigido por ele próprio
O ator Selton Mello em cena de “O Palhaço” (2011), dirigido por ele próprio

DUAS FACES

Em seu segundo longa como diretor, Selton parece ter unido as duas versões de sua carreira: a cômica e a densa.

É como se, depois de uma década, os personagens de “O Auto da Compadecida” e “Lavoura Arcaica” se reencontrassem, amalgamados.

“Não pensei nisso, mas o circo tem uma mistura de sentimentos, é melancólico, mas divertido…”, reflete.

“O filme fala sobre identidade, e este é um momento feliz para mim”, diz. “O filme tem essa calma, essa delicadeza. O personagem está em crise, mas o filme homenageia o lado bendito da vida.”

Nesse sentido, O Palhaço é o oposto de Feliz Natal, sua estreia na direção. Hoje, Selton define o primeiro filme como um grito. “Era como se eu quisesse dizer: ‘Também sou isto aqui!’ Foi o início de uma nova fase.”

Essa novidade contempla, cada vez mais, a direção. Além dos dois longas, Selton dirigiu um episódio da série “A Mulher Invisível” e o talk-show “Tarja Preta”.

Seu desejo com O Palhaço, “comédia lírica” que estreia em outubro, é fazer algo popular e profundo.

“Não me conformo que, para fazer sucesso, um filme tenha que abrir mão de camadas mais sensíveis.”

NA ESTRADA

Antes de construir seu picadeiro, Selton pegou a estrada atrás de circos e histórias. O primeiro palhaço que conheceu, em 2009, foi Biribinha, de Maceió. O que deu nome ao personagem do filme foi Benjamin de Oliveira (1870-1954), ex-escravo que fugiu para seguir um circo.

Antes de tomar para si o papel, ofereceu-o a Wagner Moura e Rodrigo Santoro. Os dois tinham problemas de agenda. E os dois perguntaram: “Por que você não faz?”.

Selton achou boa a ideia e chamou, para ser seu pai, também palhaço, Paulo José. “Pra mim, era uma alegria ver o Paulo, o Macunaíma [do filme de Joaquim Pedro de Andrade], ali comigo.”

Como em Feliz Natal, ele se esmerou no elenco. Estão em cena, por exemplo, Teuda Bara, do Grupo Galpão, e o cantor Moacyr Franco.

Selton se prepara, agora, para colocar no mundo seu palhaço. “É um momento novo o de falar sobre o filme. Mas vai ser bom fazer isso. Vou ter muito prazer em apresentar o meu palhaço.”

* Texto de ANA PAULA SOUSA

Festival de PAULÍNIA: Júri e Programação

 
O IV Paulínia Festival de Cinema divulga a programação, bem como o júri de longas e curtas.  

JÚRI 

Longas (Documentário e Ficção):

Denise Weinberg (atriz), Heloisa Passos (diretora de fotografia), Isabela Boscov (crítica de cinema), Gustavo Moura (documentarista) e Sérgio Rezende (diretor). 

Curtas (Regional e Nacional):

Bruno Torres Moraes (ator), Daniel Ribeiro (diretor), Leila Bourdoukan (produtora e jornalista), Pedro Butcher (jornalista) e Sérgio Borges (diretor). 

PROGRAMAÇÃO 

Quinta-feira, 7 de julho

20h: Cerimônia de Abertura; exibição do longa-metragem Corações Sujos, de Vicente Amorim; (sessão fechada para convidados)

23h: Paulínia Fest: Rita Lee e DJs Addictive TV 

Sexta-feira, 8 de julho

Selton Mello e Paulo José, protagonistas de O Palhaço, que estará em competição

18h: Curta Nacional: O Cão, de Emiliano Cunha e Abel Roland

18h30: Documentário: Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat

20h30: Curta Nacional: Polaroid Circus, de Marcos Mello e Jacques Dequeker

21h: Ficção: O Palhaço, de Selton Mello

23h: Paulínia Fest: Caetano Veloso e Seu Jorge 

Sábado, 9 de julho

18h: Curta Nacional: A Grande Viagem, de Caroline Fioratti

18h30: Documentário: Rock Brasília – era de ouro, de Vladimir Carvalho

20h30: Curta Nacional: Tela, de Carlos Nader

21h: Ficção: Meu País, de André Ristum

23h: Paulínia Fest: Gilberto Gil e Vanessa da Mata 

Domingo, 10 de julho

18h: Curta Nacional: Café Turco, de Thiago Luciano

18h30: Documentário: A Cidade Imã, de Ronaldo German

20h30: Curta Nacional: Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida, de Denise Marchi

21h: Ficção: Onde Está a Felicidade?, de Carlos Alberto Riccelli 

Segunda-feira, 11 de julho

18h: Curta Regional: Argentino, de Diego da Costa

18h15: Curta Nacional: Off Making, de Beto Schultz

18h30: Documentário: Ibitipoca, Droba pra Lá, de Felipe Scaldini

20h30: Curta Nacional: Qual Queijo você quer?, de Cíntia Domit Bittar

21h: Ficção: Os 3, de Nando Olival 

Terça-feira, 12 de julho

18h: Curta Regional: Adeus, de Alessandro Barros

18h15: Curta Nacional: Uma Primavera, de Gabriela Amaral Almeida

18h30: Documentário: Ela Sonhou que eu Morri, de Maíra Bühler e Matias Mariani

20h30: Curta Nacional: O Pai Daquele Menino, de Raul Arthuso

21h: Ficção: Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra 

Quarta-feira, 13 de julho

18h: Curta Regional: 3×4, de Caue Nunes

18h15: Curta Nacional: Acabou-se , de Patrícia Baía

18h30: Documentário: As Margens do Xingu – vozes não consideradas, de Damià Puig

20h30: Curta Nacional: O Cavalo, de Joana Mariani

21h: Ficção: Febre do Rato, de Cláudio Assis 

Marcos Paulo é o diretor do filme que encerra o festival de Paulínia

Quinta-feira, 14 de julho (sessão fechada para convidados)

19h: Cerimônia de Encerramento; exibição do longa Assalto ao Banco Central, do ator e diretor de cinema e TV, Marcos Paulo.