Arquivo do mês: julho 2011

Mais de 100 milhões em projetos culturais

Funarte vai investir em prêmios de estímulo às artes, a retomada do Mambembão e a reabertura do Dulcina
 
O presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Antônio Grassi, anunciou hoje os programas de fomento às artes para este ano. Serão investidos mais de R$ 100 milhões em projetos nas áreas de teatro, dança, circo, música, artes visuais e de integração entre as artes.
 
Com orçamento quase 50% maior que o do ano passado, será lançado até o fim de agosto o Prêmio Myriam Muniz, uma das principais ações de estímulo à produção teatral no País. O investimento no programa, que em 2010 foi de R$ 7 milhões, passou este ano para R$ 10 milhões. Também serão lançadas as novas edições do Prêmio Klauss Vianna de Dança e do Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo, cada um com investimento de R$ 4,5 milhões.
 
Ainda em julho, começa o processo de seleção de projetos para a ocupação de 19 espaços culturais da Funarte. Os vencedores recebem aporte financeiro para a ocupação do espaço e realização do projeto. Estas e outras ações na área de teatro, dança e circo vão somar quase metade do total a ser investido pela Funarte em 2011.
 
Além disso, estão programadas a retomada do projeto Mambembão, de estímulo à circulação de espetáculos; a reabertura do Teatro Dulcina, dia 2 de agosto; e a estreia sul-americana do espetáculo Uma flauta mágica, de Peter Brook, em setembro (que faz parte da programação especial do Teatro Dulcina). Apenas na recuperação do teatro foram investidos R$ 2,3 milhões.
 
Artes integradas
 
Uma das ações previstas na área de artes integradas é a digitalização do acervo Walter Pinto, um dos maiores empresários do Teatro de Revista, e que será transformado em livro. A ação faz parte do projeto Brasil Memória das Artes, que conta com patrocínio da Petrobras, no valor de R$ 1 milhão. Com a digitalização de acervo, a Funarte preserva e torna acessível ao público, através da internet, a memória cultural brasileira.
 
Na área de artes visuais – que inclui a fotografia – estão previstos investimentos de R$ 22,4 milhões. Somente o Programa Rede Nacional de Artes Visuais contará com R$ 1,9 milhão.
Na programação de ações da Funarte está prevista ainda a 19ª Bienal de Música Contemporânea Brasileira, considerada a mais importante mostra de música erudita, a ocorrer em outubro. Outra ação é o programa Microprojetos Mais Cultura Rio São Francisco, cujo objetivo é descentralizar a política de fomento. Serão concedidos prêmios de R$ 15 mil para que pequenos produtores possam viabilizar seus projetos. O investimento total do programa é de R$ 16,2 milhões.

Selecionados ao Festival de Brasília

O Festival de Brasília este ano vai acontecer de 26 de setembro a 3 de outubro, tendo na disputa 6 longas-metragens, 12 curtas-metragens e 12 curtas de animação. Ao todo, 624 filmes foram inscritos. Confira os selecionados:

Mostra competitiva de longas-metragens“As hiper mulheres”, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro (Rio de Janeiro/Pernambuco)

“Hoje”, de Tata Amaral (São Paulo)

“Meu país”, de André Ristum (São Paulo)

“O homem que não dormia”, de Edgard Navarro (Bahia)

“Trabalhar cansa”, de Juliana Rojas e Marco Dutra (São Paulo)

“Vou rifar meu coração”, de Ana Rieper (Rio de Janeiro)

Mostra competitiva de curtas-metragens:“A casa da vó Neyde”, de Caio Cavechini (São Paulo)

“A Fábrica”, de Aly Muritiba (Paraná)

“De lá pra cá”, de Frederico Pinto (Rio Grande do Sul)

“Elogio da Graça”, de Joel Pizzini (Rio Janeiro)

“Imperfeito”, de Gui Campos (Distrito Federal)

“L”, de Thais Fujinaga (São Paulo)

“Ovos de dinossauro na sala de estar”, de Rafael Urban (Paraná)

“Premonição”, de Pedro Abib (Bahia)

“Ser tão cinzento”, de Henrique Dantas (Bahia)

“Sobre o menino do Rio”, de Felipe Joffily (Rio Janeiro)

“Três vezes por semana”, de Cris Reque (Rio Grande do Sul)

“Um pouco de dois”, de Danielle Araújo e Jackeline Salomão (Distrito Federal)

Mostra competitiva de curtas de animação:“2004”, de Edgard Paiva (Minas Gerais)

“A mala”, de Fabiannie Bergh (Pará)

“Bomtempo”, de Alexandre Dubiela (Minas Gerais)

“Cafeka”, de Natália Cristine (Rio Grande do Sul)

“Céu, inferno e outras partes do corpo”, de Rodrigo John (Rio Grande do Sul)

“Ciclo”, de Lucas Marques Sampaio (Distrito Federal)

“Media training”, de Eloar Guazzelli e Rodrigo Silveira (São Paulo)

“Menina da chuva”, de Rosaria (Rio de Janeiro)

“Moby Dick”, de Alessandro Corrêa (São Paulo)

“Quindins”, de David Mussel e Giuliana Danza (Minas Gerais)

“Rái sossaith”, de Thomate (São Paulo)

“Sambatown”, de Cadu Macedo (São Paulo)

“O mundo é meritocrata, os pais se esqueceram disso”

“Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”

O psiquiatra Içami Tiba redefine os papéis de pais e educadores e alerta para perigos da “cultura do prazer”

 
Uma pergunta que nunca sai – ou ao menos nunca deveria sair – da cabeça de pais e professores é “como educar as crianças de verdade?”. Autor de livros como “Adolescentes: quem ama educa!” e “Disciplina: Limite na Medida Certa” (ambos da Editora Integrare), o psiquiatra Içami Tiba responde esta e outras questões relacionadas à educação em seu novo livro, “Pais e Educadores de Alta Performance” (Editora Integrare). 
 

Içami Tiba: “os pais devem exigir que seus filhos façam o que é necessário”

Com 43 anos de experiência em consultório, Içami alerta os pais para os perigos da cultura do prazer. “Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”, comenta, avaliando a atitude de pais que oferecem tudo sem exigir responsabilidade em troca. Para ele, a família é a principal responsável pela formação dos valores e não deve jogar esse papel para a escola. Mas as escolas, por terem um programa educacional organizado, podem guiar os pais. Leia a entrevista com o autor.

iG: Qual a responsabilidade dos pais e qual a dos educadores na educação das crianças?
Içami Tiba: A família continua sendo a principal responsável pela educação de valores, mas é importante que haja uma parceria na educação pedagógica. As crianças viraram batatas quentes: os pais as jogam na mão dos professores, os professores devolvem. Pais precisam ser parceiros dos professores. Quem tem que liderar a parceria, no começo, é a escola, pois tem um programa mais organizado. Com a parceria, ambos ficam fortes. Os pais ficam mais fortes quando orientados pela escola.

iG: O que é mais importante na educação de uma criança?
Içami Tiba: É exigir que ela faça o que é necessário. Os pais dão tudo e depois castigam os filhos porque estes fazem coisas erradas. Mas não é culpa dos filhos. Afinal, eles não querem estudar porque estudar é uma coisa chata, mas alguma vez ele fez algo que é chato em casa? No final, a criança estica na escola aquilo que aprendeu em casa. A educação é um projeto de formar uma pessoa com independência financeira, autonomia comportamental e responsabilidade social.

iG: Como os pais podem educar bem seus filhos? Qual o segredo?
Içami Tiba: Um pai de verdade é aquele que aplica em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. Os pais devem começar a fazer em casa o que se faz fora dela. E, para aprender, as crianças precisam fazer, não adianta só ouvir. Elas estão cansadas de ouvir. Muitas vezes nem prestam atenção na hora da bronca, não há educação nesse momento. É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família.

iG: No livro, o senhor comenta que uma das frases mais prejudiciais para se falar para um adolescente é o “faça o que te dá prazer”. Por quê?
Içami Tiba: O problema é que essa frase passa apenas o critério de prazer e não o de responsabilidade. Nós queremos que nossos filhos tenham prazer sem responsabilidade. Por isso eles são irresponsáveis na busca deste prazer. E o que é uma droga, senão uma maneira fácil de se ganhar prazer? A pessoa não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Nós educamos os filhos para que eles usem drogas. Se ele tiver que preservar a saúde dele, pensa duas vezes.

iG: Por que você acha que alguns pais não ensinam os filhos a ter responsabilidade?
Içami Tiba:
Não ensinam porque não aprenderam. Estes pais querem ser amigos dos filhos e isso não faz sentido. Provedor não é amigo.

iG: Por que o pai não pode ser só amigo ou só provedor?
Içami Tiba: Não pode ser amigo porque pai não é uma função que se escolhe, e amigos você pode escolher. O filho é filho do pai e tem que honrar os compromissos estabelecidos com ele. Um filho não pode trocar de pai assim como troca de amigo, por exemplo. Por outro lado, o pai que é unicamente provedor, como eram os de antigamente, também não dá uma educação saudável ao filho, afinal ele apenas dá e não cobra. Pai não pode dar tudo e não controlar a vida do filho. Quando digo controle, quero dizer que o pai deve fazer com que o filho corresponda às expectativas, que o filho faça o que precisa ser feito. Um filho não pode deixar de escovar os dentes ou de estudar e o pai não pode deixar isso passar.

iG: Como a meritocracia pode ajudar na criação?
Içami Tiba: O mundo é meritocrata, os pais se esqueceram disso. Ganha-se destaque por alguma coisa que a pessoa fez; se não mereceu, logo o destaque se perde. Dar a mesma coisa para o filho que acertou e para o que errou não é bom para nenhum dos dois. É preciso ser justo. Os pais precisam aprender a educar, não dá para continuar achando que apenas porque são bonzinhos vão ser bons pais. Não adianta muito um cirurgião apenas amar seu paciente; para fazer uma boa cirurgia é preciso ter técnica. É a mesma coisa com os pais.

iG: Amor e educação combinam com disciplina?
Içami Tiba: Disciplina é a coisa que mais combina com a educação. É uma competência que você desenvolve para atingir o objetivo que quer. Se você ama alguém, tem que ter disciplina. Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir o amor. Os pais precisam exigir.

iG: Como exigir sem agressividade?
Içami Tiba: O exigir é muito mais acompanhar os limites, aquilo que o filho é capaz de fazer. Não dá para exigir que ele vá pendurar roupas no armário se ele não pode arrumar uma gaveta. Por outro lado, os pais não podem fazer pelos filhos o que eles são capazes de fazer sozinhos. A partir daí, quando se cria uma segurança, a exigência começa a fazer parte da convivência. Essa exigência é boa. O pai não pode sustentar e não receber um retorno. É como se ele comprasse uma mercadoria e não a recebesse.

iG: No livro, o senhor diz que todos somos educadores. Como podemos nos portar para educar direito as outras pessoas?
Içami Tiba: Você quer educar? Seja educado. E ser educado não é falar “licença” e “obrigado”. Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.

* Texto de Camila de Lira, iG São Paulo |

SELTON MELLO é Melhor Diretor e Febre do Rato ganha Ficção

Com a exibição de Assalto ao Banco Central e a presença do diretor Marcos Paulo, foi encerrada ontem a quarta edição do Festival PAULÍNIA de Cinema. Em seguida os apresentadores Marina Person e Rubens Ewald Filho anunciaram os vencedores.

 
 
Rubens Edwald Filho e Marina Person comandaram a noite: Festival nasceu de um projeto do crítico

Selton Mello, que mobilizou Paulínia durante o Festival, foi aclamado MELHOR DIRETOR                    

Júri 

Longas (Documentário e Ficção):

denise weinberg (atriz), heloisa passos (diretora de fotografia), isabela boscov (crítica de cinema), gustavo moura (documentarista) e sérgio rezende (diretor). 

 
 
Curtas (Regional e Nacional):

Bruno Torres Moraes (Ator), Daniel Ribeiro (Diretor), Leila Bourdoukan (Produtora E Jornalista), Pedro Butcher (Jornalista) E Sérgio Borges (Diretor). 

 

Filmes de Longa Metragem

Melhor Filme Ficção: R$ 250 mil Febre do Rato, Claudio Assis
Melhor Documentário: R$ 100 mil  Rock Brasiliaera de ouro, Vladimir Carvalho
Melhor Diretor Ficção: R$ 35 mil Selton Mello – O Palhaço
Melhor Diretor Documentário: R$ 35 mil  Maíra Buhler e Matias Mariani – Ela Sonhou Que eu Morri
Melhor Ator: R$ 30 mil  Irandhyr Santos – Febre do Rato
Melhor Atriz: R$ 30 mil  Nanda Costa – Febre do Rato
Melhor Ator Coadjuvante: R$ 15 mil  Moarcir Franco – O Palhaço
Melhor Atriz Coadjuvante: R$ 15 mil  Maria Pujalte – Onde Está a Felicidade?
Melhor Roteiro: R$ 15 mil  Selton Mello e Marcelo Vindicatto – O Palhaço
Melhor Fotografia: R$ 15 mil  Walter Carvalho – Febre do Rato
Melhor Montagem: R$ 15 mil  Karen Harley – Febre do Rato
Melhor Som: R$ 15 mil  Trabalhar Cansa – Gabriela Cunha, Daniel Turini e Fernando Henna
Melhor Direção de Arte: R$ 15 mil  Renata Pinheiro – Febre do Rato
Melhor Trilha Sonora: R$ 15 mil  Jorge Du Peixe – Febre do Rato
Melhor Figurino: R$ 15 mil  Kika Lopes – O Palhaço
Especial do Júri: R$ 35 mil  Trabalhar Cansa
 
O paraibano Vladimir Carvalho, diretor do Melhor Documentário: Rock Brasília
 
Cláudio Assis e Nanda Costa, que sagrou-se Melhor Atriz pela atuação no filme dele
 

Curtas Regionais

Melhor Filme: R$ 25 mil  Diego Costa, Argentino
Melhor Direção: R$ 15 mil  Diego Costa, Argentino
Melhor Roteiro: R$ 10 mil  Cauê Nunes e Maurício de Almeida, 3 x 4

Curtas Nacionais

Melhor Filme: R$ 25 mil  Carlos Nader, Tela
Melhor Direção: R$ 15 mil  Gabriela Amaral Almeida, Primavera
Melhor Roteiro: R$ 10 mil  Gustavo Suzuki, O Pai Daquele Menino

 

Júri Popular

Melhor Longa Ficção: R$ 25 mil  Carlos Alberto Riccelli, Onde Está a Felicidade?
Melhor Documentário: R$ 15 mil  Damià Puig, A Margem do Xingu – Vozes Não Consideradas
Melhor Curta Nacional: R$ 5 mil  Thiago Luciano, Café Turco
Melhor Curta Regional: R$ 5 mil  Diego Costa, Argentino

 

Paulo José, Selton Mello, Jorge Loredo e Moacyr Franco: 3 troféus para O Palhaço
 
 

Júri da Crítica

Melhor Longa Ficção Claudio Assis, Febre do Rato
Melhor Documentário Lucia Murat, Uma Longa Viagem
Melhor Curta Nacional Carlos Nader, Tela
A eterna BRUNA LOMBARDI, que ganhou Júri Popular para seu novo longa com o marido Riccelli,Onde está a Felicidade ?
 

Os Filmes de Gramado…

O 39º Festival de Cinema de Gramado, único festival de cinema brasileiro que acontece ininterruptamente desde sua primeira edição, em 1973, divulga os filmes selecionados.

Nesta edição, a acontecer de 5 a 13 de agosto, registra-se aumento de 45% no número de filmes inscritos em relação ao ano passado. Esse acréscimo foi registrado em todas as categorias.

Para 2011, foram inscritos 180 filmes de longa-metragem:

105 longas brasileiros (dentre eles 11 produções gaúchas); 57 documentários, 48 de ficção.

75 longas estrangeiros.

Já na categoria de curta-metragem nacional foram 323 filmes inscritos. A Mostra Gaúcha, coordenada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e em conjunto com entidades de classe, recebeu 48 inscrições de curtas.

Foram selecionados para as mostras competitivas:

Longas Brasileiros – 7 filmes;

Longas Estrangeiros – 7 filmes;

Curtas Nacionais – 16 filmes;

Mostra Gaúcha – 20 filmes.

Longas Brasileiros

– As Hiper Mulheres – Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro – Pernambuco (documentário)

– O Carteiro – Reginaldo Faria – Rio Grande do Sul

– Olhe Pra Mim de Novo – Claudia Priscilla e Kiko Goifman – São Paulo (documentário)

– País do Desejo – Paulo Caldas – Rio de Janeiro

– Ponto Final – Marcelo Taranto – Rio de Janeiro

– Riscado – Gustavo Pizzi – Rio de Janeiro

– Uma Longa Viagem – Lúcia Murat – Rio de Janeiro (documentário)

Longas Estrangeiros

– A Tiro de Pedra – Sebastian Hiriat – México

– El Casamiento – Aldo Garay – Uruguai (documentário)

– Garcia – Jose Luis Rugeles – Colombia

– Jean Gentil – Laura A. Guzmán & Israel Cárdenas – República Dominicana, México e Alemanha

– La Lección de Pintura – Pablo Perelman – Chile

– Las Malas Intenciones – Rosario Garcia Montero – Peru, Alemanha, Argentina

– Medianeras – Gustavo Taretto – Argentina, Espanha, Alemanha

Curtas Nacionais

– A Melhor Idade – Angelo Defanti – Rio de Janeiro

– A Mula Teimosa e o Controle Remoto – Helio Villela Nunes – São Paulo

– A Musa da Minha Rua – Adolfo Lachtermacher – Rio de Janeiro

– A Verdadeira História da Bailarina de Vermelho – Alessandra Colasanti e Samir Abujamra – Rio de Janeiro

– Calma Monga, Calma! – Petrônio de Lorena – Rio de Janeiro

– Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo – Rodrigo John – Rio Grande do Sul

– Insustentável – Luisa Pereira – São Paulo

– Julie, Agosto, Setembro – Jarleo Barbosa – Goias

– O Cão – Abel Roland e Emiliano Cunha – Rio Grande do Sul

– Orquestra do Som Cego – Lucas Gervilla – São Paulo

– Perfidia – Ramon Navarro Distrito Federal

– Polaroid Circus – Jacques Dequeker – São Paulo

– Qual Queijo Você Quer? – Bittar – Santa Catarina

– Ribeirinhos do Asfalto – Jorane Castro – Pará

– Rivellino – Marcos Fábio Katudjian – São Paulo

– Um Outro Ensaio – Natara Ney – Rio de Janeiro

Mostra Gaúcha

– A Conquista do Espaço – Chico Deniz – Porto Alegre

– A Noite do Artista – Rafael Rodrigues – Porto Alegre

– Antônia – Tyrell Spencer e Ligia Tiemi – Porto Alegre

– Boia – Alice Castiel e Paula Martins – Porto Alegre

– Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo – Rodrigo John – Porto Alegre

– Corneteiro Não Se Mata – Pablo Müller – Porto Alegre

– De Lá Pra Cá – Frederico Pinto – Porto Alegre

– Especulativo Móvel – James Zortéa – Porto Alegre

– Eu To Cansado – Henrique Lahude – São Leopoldo

– Gaveta – Richard Tavares – Porto Alegre

– Kopeck – Jaime Lerner – Porto Alegre

– Madre Sal – Maria Elisa Dantas – Porto Alegre

– Marcovaldo – Cíntia Langie e Rafael Andreazza – Pelotas

– Melhor Que Aqui – Eduardo Wannmacher – Porto Alegre

– Nico – Filipe Matzembacher – Porto Alegre

– O Cão – Abel Roland e Emiliano Cunha – Porto Alegre

– Telefone de Gelo – Fabiano de Souza – Porto Alegre

– Três Vezes Por Semana – Cris Reque – Porto Alegre

– Tricô e Pitangas – Iuli Gerbase e Marília Garske – Porto Alegre

– Um Dia Daqueles – José Rodolfo Masiero e Caio Pereira – Porto Alegre

Além dos filmes das mostras competitivas, também serão exibidos os seguintes filmes na Mostra Panorâmica:

– Mundialito, do (Uruguai), 90′

– Luz Teimosa, (Portugal) 75′

– La Historia En La Mirada (México) 78′

– Muchedumbres (Equador) 99′

– O Senhor do Labirinto, 88′

– Alquimia da Velocidade, 70′ + Carne e osso,65′

– Mãe e Filha, 80′

– Sobre a gente, 75′ + Clementina de Jesus, 60′

– Os Últimos Cangaceiros, 79′

– Transeunte 125′

MESSI em campo: MESSENSACIONAAALLLL !!!

MESSENSACIONAAAALLLLLLLLLL !!!

Torcida delira no estádio Mário Kempes em Córdoba com ES-PE-TA-CU-LAR atuação do craque na Copa América !

Time argentino – ciceroneado pela genialidade inegável de LIONEL MESSI – fez 3 a ZERO contra a Costa Rica. Mas merecia muito mais.

E juiz ainda deixou de marcar um pênalti, claríssimo, para a seleção albiceleste. Seria então o Gol de Higuain…

DESTAQUE_SE: todos os gols da partida – 2 de Agüero e um de Di Maria – foram passes certeiros do craque MESSI, entregues à porta do gol para os companheiros. Quem não quer um jogador assim ?

VIVA LIONEL MESSIIIIIIIII !!!

SARAVÁ, ARGENTINA !!!

CRAQUE: Sempre que tocava na bola, MESSI de driblar muitos…

Jogador saiu ovacionado pelas arquibancadas: torcida não parava de cantar, aplaudia e gritava

                         “MESSI, MESSI…” 

Porque o RESTO é sempre MAIOR que o Principal

Em apenas cinco dias de absoluta imersão no universo da Sétima Arte, do qual Goiânia é âncora todos os novembros, foi gestado o Resta Um, curta-metragem agora ofertado para o olhar, a mente e o coração de quem estiver na platéia ou com este texto em mãos. 

Resta Um é um curta digital, colorido, tem 19’25”, roteiro e direção de Aurora Miranda Leão. Ingra Liberato é a presença mais constante, embora não possamos dizê-la “personagem principal” ou protagonista. Isso não existe nos filmes Belair. Lá como cá, os atores não representam mas valem pelo que representam, como nos diz Antônio Medina Rodrigues, e aí a cabeça do espectador tem todo o controle e pode optar por entender o que quiser. O que pra uns pode estar explícito, para outros pode ser apenas um jogo do roteiro ou uma insinuação da direção.  

A imagem icástica de Ingra Liberato a ilustrar o cartaz, bem como o material de divulgação do filme, destacando o indicador da atriz apontando… como a indicar que Resta Um

O que resta encontrar então neste novo filme que a produtora Aurora de Cinema nos oferece ? 

O que resta pode ser você, espectador, que não participou das filmagens e não conviveu com o grupo formado em Goiânia. Resta você que entende a intenção da obra ou resta você que vai sair do cinema perguntando o que é mesmo o filme que viu, qual seu sentido, e o que querem significar suas imagens.

Resta Um filme a ser feito, um fotograma a ser exibido. 

Resta Um desejo de falar da vida e contar da alegria através do cinema. Resta Um desejo de contagiar e fazer coro ao convite de Sílvio Tendler para tentar fazer mais gente entrar nesta canoa. 

Resta Um ator que não estava nas filmagens, um vinho que não foi tomado, e um beijo que não foi roubado. Resta você que se pergunta sobre o sentido deste filme, resta você que poderia ter dado um depoimento. Resta Um espectador que chegou atrasado e um diretor que não foi convidado. 

Resta Um convite que não foi aceito e um amor que não se realizou. Resta Um filme que não foi feito e um roteiro inacabado, um caminho a ser seguido e um piano esquecido no canto da sala. 

Resta Um violão que emudeceu e um canto de passarinhos que não se reproduziu.   

Resta Um carinho esquecido, um afago a ser lembrado e um afeto nunca recebido.

Resta Um filme a ser visto, um aplauso a ser ouvido e um som a ser imitado.

Resta Um enquadramento por fazer, um som e uma luz em sintonia.

Resta Um coração a ser tocado, um amor a ser encontrado.

Resta Um barco no oceano e um barco-olho rumo ao infinito.

Resta Um motivo a mais para se cultivar a ética, um passo a mais a ser dado, um gesto a menos a ser esquecido.

Resta Um belo quadro na parede, flores viçosas na varanda e um roteiro a ser escrito.

Resta Um canto triste a embalar a solidão e um tango sempre disposto a tocar.

Resta Um coro de pássaros a anunciar uma manhã na qual os jornais só estampem boas notícias e um amor de pai e mãe que nem a dor da ingratidão abafou. 

Resta Um gol argentino a ser aplaudido, um drible de Messi a ser imitado e uma canção de Lupicínio ecoando na sala. 

Resta Um desvario a ser socorrido, um cotidiano de sonhos a percorrer o imaginário e um arrojo de Kubrick a ser lembrado. 

Resta Um enorme impulso pra falar de vida, celebrar a Paz e espalhar a alegria. RESTA UM desejo quase incontido de perseguir a utopia do amor sem mentiras, da amizade sem sustos, do afeto sem medo de se ofertar em público, da ternura sem hora marcada pra se instalar. 

Resta Um quadro de Picasso a querer ver, um Renoir ainda intacto, um Rembrandt pra quem desconhece as nuances da cor e um bolero de Ravel acordando as madrugadas douradas. 

Resta Um caminho novo a buscar, uma ousadia nova a perseguir e um lixo amontoado na calçada que Vik Muniz precisa transformar. 

Resta Um canto feliz de andorinha a sonorizar a espera tão acalentada, e um movimento de Tchaikovsky tocando pra quem não tem medo da música clássica. 

Resta Um brilho no olhar da criança esquecida nas madrugadas soturnas das grandes cidades, e um brilho de esperança no gesto de quem vivencia a solidariedade. 

Resta Um livro a ser lido e um grande autor a ser celebrado. 

Resta Um disco bonito na vitrola, um guardanapo com um poema que a noite revelou, um lenço para amparar lágrimas de amor. 

Resta Um quadrilátero de paixão nas esquinas nas quais ela em vão aguardou um adeus. Resta Um um sinal de que a vida é o bem maior. 

Resta Um poeta que a noite teima em querer despertar e um silêncio revelador que o ouvido atento antevê. 

Resta Um desassossego da alma em desalinho pela paixão que arrebata e se intromete nas horas mais improváveis. 

Resta Um violão dedilhando Bossa Nova e um bar em Ipanema rememorando Vininha.

Resta Um choro de flauta aguardando Pixinguinha e um verso ousado de Clarice, Coralina ou Adélia Prado.

Resta Um solo de Toquinho, uma marchinha do Lalá, um twiiter de Carpinejar e um olhar acurado de Caetano que a manhã precisa revelar. 

Resta Um minuto para que possamos afirmar a palavra necessária e um espanto ante à embriaguez do luar. 

Resta Um comovido apelo à Paz e uma busca incessante pela alquimia dos grandes amores. 

Resta Um olhar sempre atento à obra de Truffaut e à dramaturgia de Fassbinder, um interesse crescente pelo bandoneon de Piazzolla e um espanto ante à indiferença da sociedade do descartável. 

Resta Um motivo sempre novo para ver Fernanda representar e reler a grandeza necessária de Ibsen. 

Resta Um atrevido gosto pelos filmes incompreensíveis e um incontido apego aos lugares onde a emoção fez amigos e plantou saudades. 

Resta Um microfone para celebrar Mário Reis e um anseio de ouvir cantar como Francisco Alves. 

Resta Um filme de Bressane a ser visto e estudado, e um olhar acurado sobre a cinematografia inspiradora da Belair. 

Resta Um dilacerante silêncio ante a brutalidade do desaparecimento de John Lennon e um inexplicável mal-estar ante as ingerências nefastas da política no cotidiano

Resta Um infinito e revolucionário desejo de se perpetuar nos fotogramas que hoje são pixels nas alquimias da edição digital, tão rápida e eficiente que nos faz brincar com as horas e achar graça da facilidade de criar temporalidades diversas, fazer andar pra frente e retroceder nos ponteiros de nossa imersão cotidiana.

Resta Um constante e permanente desejo de continuar abraçando o cinema brasileiro e um desejo intermitente de ouvir o som paralâmico da guitarra de Herbert Vianna. 

Resta Um olhar para A Última Palavra, aquela que nos tirará do dilema profundo que parece nos atar ao nada existencial. 

Resta Um indormido desejo de expressar-se e traduzir em imagens o que vai n’alma e no pensamento. 

Resta Um permanecente intuito de reaprender a amar pra não morrer de amar mais do que pude. 

Resta, sobretudo, essa vontade enorme de acertar e prosseguir fazendo cinema e apostando em coisas nas quais acreditamos, sejam elas concludentes ou não. 

Resta ademais um desejo de falar de vida, o aconchego do abraço amigo nas noites eternas, e a ânsia de chegar a um tempo onde a ingratidão morra de sede, a indiferença naufrague de tédio, a injustiça definhe por inanição e a estupidez se envergonhe de existir… 

Porque, enfim, Resta Um desejo de amar e ser amado

Amar sem mentir nem sofrer

Desejo de amar sem mais adeus…

Até, quem sabe,

Resta Um desejo de morrer de amar mais do que pude. 

Enfim, Resta Um anseio de que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. 

*O título deste artigo e as palavras finais nos foram inspirados por textos do cronista Artur da Távola, bem como as citações óbvias aos versos do saudoso poeta Vinícius de Moraes.

 

SERVIÇO: 

Curta-metragem RESTA UM

Exercício coletivo realizado no VI Festival de Cinema de Goiânia

Direção: Aurora Miranda Leão

Produção: Júlio Léllis

Edição: Aurora Miranda Leão e Lília Moema

Colaboração no roteiro: Miguel Jorge, Alex Moletta e Rogério Santana

Estrelando: Ingra Liberato

Participação: Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler

Bruno Safadi, Carol Paraguassu, Henrique Dantas

Realização: Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

Duração: 20m, cor, digital, gênero Experimental

 

Coquetel de lançamento  

QUANDO e ONDE: 19 de julho, 19:30h

CENTRO CULTURAL OBOÉ – rua Maria Tomásia, 531 – Aldeota

ENTRADA FRANCA
COLABORE, COMPAREÇA, AJUDE A ESPALHAR por aí !

VAMOS A GANAR, MESSIIIIIII… Saravá, Hermanos !

Maradona apóia Messi antes de partida crítica da Argentina

Ídolo argentino disse que povo de seu país precisa trocar vaias por apoio “ao melhor do mundo”

Foto: Getty Images Ampliar
 
Lionel Messi, o mais contestado jogador da seleção argentina que disputa a Copa América, recebeu o apoio de peso do maior ídolo do futebol do país sede da competição. Diego Maradona trocou as críticas que tomaram conta do noticiário da Argentina pelo apoio incondicional a Messi e seus companheiros. A Argentina joga sua classificação contra a Costa Rica nesta segunda-feira. Só uma vitória garante a classificação da equipe para a próxima fase.

“Nós, argentinos, não podemos nos comportar assim, com o melhor (jogador) do mundo”, disse Maradona, criticando as reportagens que atacaram Messi. Bastante emotivo, Maradona, que está com a mãe no hospital, disse também para o jornal “Olé” que Messi teria sofrido jogando com três volantes na equipe.

Sérgio Batista, que substituiu Maradona no comando do selecionado argentino, coloca Javier Mascherano, Ever Banega e Esteban Cambiasso no meio-campo do seu 4-3-3. Sergio Aguero, reserva, marcou contra a Bolívia o único gol da equipe no torneio até agora. “(Javier) Pastore seria um bom parceiro para Lio (Messi)”, disse Maradona sobre o meia do Palermo (ITA) que teve uma ótima temporada no Campeonato Italiano. Pastore ainda não jogou no torneio. 

A Costa Rica, com uma equipe quase completamente sub-23 e com apenas metade do time que chegou até às quartas de final da Copa Ouro nos Estados Unidos, pode gerar problemas se a Argentina não melhorar.

Com três pontos na tabela, Ricardo La Volpe, que viu o seu time ser convidado no último minuto depois da desistência do Japão, disse que a preparação do time inclui um aspecto psicológico.

“Estou focando em como contra-atacar um time que quer mostrar para o povo argentino que tem uma grande seleção. Não tenho dúvida de que eles virão com tudo, então temos que ficar muito concentrados”, ele disse a repórteres.

A Argentina tem dois pontos e está em terceiro no grupo A. A Colômbia, com quatro pontos, tenta antecipar sua classificação contra a Bolívia jogam neste domingo, às 16, em Santa Fé.

Gilberto Braga: Sempre um Sucesso na Telinha

 
Tomamos uma’carona’ no jornal EXTRA e fazemos uma singela homenagem ao sucesso da novela VALE TUDO, clássico da TV que é recorde de audiência no canal Viva, em sua reprise. Antes de os últimos capítulos irem ao ar, convidamos três atrizes veteranas para um brinde: Beatriz Segall e Nathália Timberg, representantes da sala de estar mais chique da trama, e Maria Gladys, a inesquecível empregada, dona das melhores tiradas do folhetim. No tim-tim, um bate-papo delicioso com as intérpretes de Odete Roitman, Tia Celina e Lucimar.

Beatriz Segall, Nathália Timberg e Maria Gladys 

Beatriz Segall, Nathália Timberg e Maria Gladys Foto: Urbano Erbiste / Extra

A pergunta que o Brasil fazia era: “Quem matou Odete Roitman?”. Para garantir o sigilo, todos os atores do elenco foram convocados para a gravação do capítulo em que seria revelado o assassino. “Lembro que cheguei e Nathália estava sendo maquiada. Todos eram suspeitos. Só que um contra-regra chegou e disse: ‘Dona Nathália, não foi a senhora, não precisa ser maquiada’. Imagina se tivesse sido ela? Que tinha atuado brilhantemente como a irmã boa…”, lembra Beatriz.

Maria Gladys emprestou seu jeito cômico a Lucimar, dando destaque para a empregada na trama. “Lucimar não falava muito. Um dia, em cena, abri a geladeira e tinha um queijo velho dentro. Peguei e disse ‘É maionese ou sabonete?’. E aí ela começou a ter mais falas”, festeja ela, que atuou até no figurino: “Uma camareira tinha uma blusa de oncinha bem justinha que gostei e achei que cairia bem na Lucimar. Usei em uma cena e a roupa acabou entrando no armário da personagem para sempre. A camareira adorou!”.

A morte de Odete mexeu tanto com o povo brasileiro que o número do túmulo da personagem virou aposta no jogo do bicho. Beatriz, que na época não soube dessa febre no jogo do bicho, se surpreendeu alguns anos depois ao saber da história por um taxista. “Entrei no carro e ele disse que precisava me agradecer. Contou que deixou passar um mês do final da novela para ganhar sozinho, e jogou no bicho o número do túmulo da Odete. Falou que, com a bolada que ganhou, comprou o táxi e deu conforto para a família.”

“Com a Odete a gente também aprendia lições de boas maneiras. Lembro que ela dizia que temos que servir água em coquetéis. Toda vez que vejo água num evento, lembro dela. E também ensinava que não precisa servir a água num pratinho, que pode ser direto da nossa mão”, lembra Maria, divertindo Nathália e Beatriz, que logo a corrige. “A própria dona da casa pode servir direto da mão, mas, se for a empregada, ela deve servir com um pratinho”, esclarece.

É inevitável. Fala-se em “Vale tudo” e logo Lídia Brondi vira assunto. “A ausência da Lídia é uma coisa que você dificilmente engole. Era uma atriz de uma sensibilidade… Nunca mais a vi. Dá saudade de vê-la”, lamenta Nathália. Beatriz interrompe: “Ela é uma excelente psicóloga, é uma gracinha de pessoa e está muito feliz”.

Vale Tudo teve autoria de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. Aguinaldo e Gilberto negam briga, mas no meio artístico comenta-se que os autores não se dão muito bem desde a novela. Maria lembra quando a rixa começou: “Encontrei Gilberto na rua e agradeci pela personagem. Sabe o que ele me disse? ‘Agradeça ao Aguinaldo, é ele quem escreve os papéis de pobre’”. E Beatriz complementa: “Ele sempre dizia isso. Vai ver que é por isso que eles não se dão bem hoje”.

Maria Gladys, numa cena de 'Vale tudo' 

Maria Gladys, numa cena de VALE TUDO, recorde de audiência mais uma vez

Nathália, no ar em “Insensato coração”, lamenta não ter tempo para acompanhar a novela atualmente. “Acordo 5, 6h da manhã. Não sou uma dondoca. Uma vez ou outra vou lá para matar a saudade”. Já Beatriz, em cartaz com a peça “Conversando com mamãe”, tem um esquema em casa: “Tenho uma pessoa que grava para mim. Fiquei embasbacada com a cena na casa da Celina depois do assassinato da Odete. Foi sensacional. O capítulo é uma perfeição, que atores! Foi a melhor novela que a Globo já fez!”, diz, elogiando a atuação de Nathália em seguida. Já Maria, assume que a novela virou uma festa em sua vida: “Quando começou a reprise eu não assistia. Agora, não perco um capítulo. Tenho ficado tão emocionada com a novela que volto correndo para casa na hora em que vai passar”.

Selton Mello: calorosa acolhida na estreia d’O PALHAÇO

Selton Mello acerta em “O Palhaço”

Em seu segundo filme como cineasta, ator diverte e emociona; grande público quase provocou tumulto em Paulínia

“Sabia que o Selton era popular, mas nem tanto.” Essa foi a frase da apresentadora Marina Person ao subir ao palco do Paulínia Festival de Cinema, depois de uma hora e meia de atraso do início da projeção de “O Palhaço”, segundo filme dirigido por Selton Mello, na noite de sexta. A enorme fila em frente ao Theatro Municipal, depois da exibição do documentário “Uma Longa Viagem”, atravessava todo o tapete vermelho, dobrava pela calçada e seguia adiante. Dentro do teatro, pessoas paradas em linhas que davam voltas e voltas esperavam sua vez de entrar. 

 

Houve princípio de tumulto, contornado com a promessa de que se fariam quantas sessões fossem necessárias. Funcionou: na madrugada de sábado, depois das celebridades esvaziarem a sala, 500 espectadores assistiam ao filme. É verdade que “O Palhaço” foi quase todo rodado em Paulínia, mas não deixa de ser uma prova da popularidade do ator que se tornou diretor. Um filme, então, que se propõe a investigar a magia circense, uma comédia com um tipo de humor que não se faz mais, tem apelo quase que imediato ao público. 

Público que vai ao cinema ver Selton Mello e, de fato, só dá ele em cena. Benjamim é o palhaço Pangaré, que coordena com o pai, o também palhaço Puro Sangue (Paulo José, soberbo), o Circo Esperança, uma trupe itinerante no interior do país, talvez na década de 1980. Ele faz as rotinas típicas do personagem, diverte a plateia no picadeiro, só não é feliz. Benjamim tem a fala baixa, sobrancelhas caídas e ar melancólico – melancolia, aliás, que dá o tom nos bastidores (curioso como um nariz de palhaço na testa pode traduzir tristeza). Um depressivo em potencial, vivendo em conflito. “Eu faço o povo rir, mas quem vai me fazer rir?”, pergunta em determinado momento.

É uma história de autodescobrimento clara e direta, sem firulas. Essas sobram para adornar o filme, um primor visual. O figurino, direção de arte e fotografia fazem não só o circo explodir em cores, mas até mesmo a terra vermelha, os canaviais e as casas judiadas do interior brasileiro. “O Palhaço” naturalmente enche os olhos. E os ouvidos, graças ao belo desenho de som e à trilha sonora inspirada de Plínio Profeta.

 Selton Mello em “O Palhaço”: jornada de autodescobrimento com doçura e genuinidade 

Preenchendo a jornada de Benjamim estão esquetes de humor ingênuo, porém muito eficazes. A turma do circo se encarrega disso, das figuras esdrúxulas (o anão, a mulher peituda, o magrelo estranho) às tradicionais (o mágico, os músicos, a dançarina exótica). Há, também, as participações célebres – são muitas, mas o destaque fica por conta de Tonico Pereira, Jorge Loredo e Moacyr Franco, numa sequência hilariante.

O acerto é que as piadas não apenas divertem, mas ajudam a estabelecer a ideia de família naquele grupo. A identificação com o espectador acontece e, por isso, “O Palhaço” emociona. Emociona também pelo anacronismo, um espírito inocente personificado pela menina que acompanha a trupe e que se espalha por toda a trama. Filmes com essa doçura e genuinidade, comuns ao universo circense, ficaram perdidos no tempo

Selton Mello resgata essa energia e apresenta uma atuação contida, menos histriônica, embora ao mesmo tempo particular – difícil imaginar outra pessoa em seu lugar. Como cineasta, conseguiu domar as afetações que atrapalhavam o drama de “Feliz Natal” (2008), sua estreia em longa-metragem, e transformou isso em estilo. Opta por enquadramentos estudados, planos silenciosos e um humor peculiar, que remete a “O Cheiro do Ralo” – caso, por exemplo, da obsessão de Benjamim por ventiladores.

 

Dependendo do lançamento que tiver nos cinemas, “O Palhaço” possui potencial para gerar certo boca a boca e acontecer nas bilheterias. Carisma, simpatia e um astro popular, isso ele já tem.

* Marco Tomazzoni, enviado a Paulínia