Arquivo do dia: 26/08/2011

UNICAP divulga selecionados da Mostra Universitária

É com alegria que informamos a lista de selecionados para a I Mostra de Vídeo Universitário da Universidade CAtólica de Pernambuco (UNICAP), que vai acontecer de 19 a 22 de outubro. na capital pernambucana.

Quem coordena é o jornalista e cineasta LEO TABOSA e é dele a carta aos selecionados que publicamos a seguir por achá-la por demais elegante, oportuna e bem redigida, dando aos realizadores dos filmes que serão exibidos uma visão correta do processo seletivo.

Caríssimos realizadores, 

A quantidade de curtas inscritos nos obriga a fazer uma seleção. Na primeira edição da Mostra de Vídeo Universitário da Unicap foram inscritos 150 curtas de diversos estados brasileiros. E, dentre estes, escolhidos 37 para participarem da Mostra Competitiva.

Seguramente, os escolhidos não são necessariamente os melhores, mas os que, segundo a visão da curadoria, melhor se adequam à proposta da Mostra Universitária.

A Mostra ocorrerá no Recife, no auditório da Livraria Cultura e Espaço Executivo da Universidade Católica de Pernambuco, no período de 19 a 22 de outubro. 

Em breve enviaremos a programação da Mostra.

Obrigado pela participação e confiança, 

Um abraço,

 Leo Tabosa, Diretor da Mostra de Vídeo Universitária da Unicap

 

SELECIONADOS da 1ª Mostra de Vídeo Universitário da Unicap 

A casa dos mortos – Débora Diniz (20’ / Documentário / Brasília – DF)

A céu aberto – Alexandre Kumpinski (8’ / Documentário / Porto Alegre – RS)

Abate – Luca Sá (14’ 10” / Ficção / São Luís – MA)

Abner, o papa zumbis – Marcus Guio (3’ 30” / Animação / São Paulo – SP)

Amor de Thanatos – Helena Guerra (6’ / Ficção / São Paulo – SP)

Brecha – Júlia Araújo e Nathália D’Emery (5’ 43” / Animação / Recife – PE)

Chapeuzinho – Rafael Jardim (7’ 39” / Ficção / Salvador – BA)

Circuito interno – Júlio Martí (13’ / Ficção / São Paulo – SP)

Cobertura 01 – Adriano Bidão (15’ 35” / Documentário / Rio de Janeiro – RJ)

Coisas do além e do Recife também – Marcela Alves, Mariana Lins e Rubens Carneiro ( 19’ 9” / Documentário / Recife – PE)

Confinado – Rafael Lobo ( 20’ / Ficção / Brasília – DF)

Cores & Botas – Juliana Vicente (15’ 50” / Ficção / São Paulo – SP)

Darluz – Leandro Goddinho (15’ / Ficção / São Paulo – SP)

Distantes – Bruno Peres ( 15’ / Ficção / São Paulo – SP)

Ela Só – Pâmela Hauber e Stefania Curti (9’ 52” / Ficção / Porto Alegre – RS)

Élégie à Rimbaud – Leo Pyrata (7’ / Ficção  / MG)

Eletrotorpe – Nalu Béco (15’ / Ficção / São Paulo – SP)

Espetáculo: o mágico e a domadora – Rafael Jardim (3’ / Animação / Salvador – BA)

Homem Ilha – Ana Paula Fernandes e Daniela Camila (10’ 50” / Ficção / Vila Velha – ES)

Lado B – Rafael Jardim (15’ / Documentário / Salvador – BA)

Mato Alto: pedra por pedra – Arthur Leite ( 15’ / Documentário / Quixeré – CE)

Meu amigo, meu avô – Renan Montenegro (12’ / Ficção / Brasília – DF)

Mute – Adolfo Sarkis ( 11’ / Ficção / Rio de Janeiro – RJ)

Nego – Armando Fonseca (10’ / Ficção / São Paulo – SP)

O obituário de Manny – Andre Wacemberg (20’ / Ficção / Recife – PE)

O que faz o Brasil, Brasil? – Wanderson Telles Guedes (12’ / Documentário / Rio de Janeiro – RJ)

O trabalho final – Felipe Mendonça Moraes (17’ / Ficção / Florianópolis – SC)

O vizinho da frente – Júlia Araújo e Nathália D’Emery (13’ 10” / Ficção / Recife – PE)

Pétala – Vitor Dourado (15’ / Ficção / São Paulo – SP)

Quarteto simbólico – Josias Teófilo ( 14’ / Documentário / Recife  – PE) 

Rocco – Felipe Matzembacher (15’ 46” / Ficção / Porto Alegre – RS)

Silêncio, por favor – Filipe Matzembacher (7’ 6” / Documentário / Porto Alegre – RS)

Temporão  – Felipe Carrelli (19’ / Documentário / São Paulo – SP)

Um par – Lara Lima (8’ / Ficção / São Paulo – SP)

Velho Mundo – Armando Fonseca (13’ / Ficção / São Paulo – SP)

Verbena e Limão – Lucas Sá e Lucas Kurz ( 4’ 4” / Ficção / São Luís – MA)

Viagem à Lua – Daniel Pech (19’ / Ficção / Rio de Janeiro – RJ)

LG Miranda Leão ressalta legado de cineasta japonês

 A arte de Akira Kurosawa

Há treze anos saía de cena o pintor, roteirista e diretor cinematográfico japonês Akira Kurosawa (1910-98), aclamado “auteur” de algumas obras-mestras do cinema. Percorrer-lhe o universo de criação, a poética de suas imagens, eis o motivo central deste comentário.

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Akira Kurosawa aos 70 anos, quando dirigia “Kagemusha, A Sombra do Samurai” (1980)    ACERVO L.G. Miranda Leão

Como santo de casa não faz milagre, no dizer do velho adágio popular, Kurosawa, apesar de universalmente admirado, era menosprezado em sua terra e considerado por muitos um “regisseur” de segunda linha, quando se deve a ele, na realidade, a descoberta de um cinema japonês no exterior, graças ao pleno êxito artístico de filmes como “Rashomon” (1950), “Os 7 Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala” (1975) e “Ran” (1985).

Magoado e deprimido por isso, Kurosawa chegou a tentar o suicídio em 1970, quando lhe negaram recursos financeiros para filmar dois roteiros de “Sonhos” e “Kagemusha”, já prontos. Salvaram-no seus admiradores americanos Steven Spielberg, Francis Coppola e Martin Scorsese, os quais o ajudaram a conseguir os dólares necessários para a concretização desses projetos.

Os Primeiros Tempos

As enciclopédias registram o nascimento de AK em 23 de março de 1910 em Omori, distrito de Tóquio. O mais velho de sete filhos de um veterano oficial do exército, AK mostrou desde cedo um talento invulgar para a pintura e aos 17 anos matriculou-se numa escola de artes plásticas, onde se valorizavam os estilos ocidentais. Foi quando se iniciou como pintor. Sem conseguir sustentar-se como artista, resolveu atender em 1936 ao anúncio de um estúdio cinematográfico nipônico no qual se recrutavam e treinavam assistentes de produção e direção, bem como de outras funções. Submetido a vários testes e neles aprovado, cumpriu estágio nos “sets” de filmagem e foi designado assistente de Kajiro Yamamoto (1902-74), realizador de quase trinta filmes de 1924 a 1967 e o responsável por “Horse” (1941), com o qual influenciou decisivamente o movimento documentário japonês. AK considerava Yamamoto seu mestre em matéria de 7° Arte.

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Toshiro Mifune um dos atores preferidos de AK, aqui em cena de Rashomon

Para F. Klein e R.D. Nolan, a contribuição mais importante de Yamamoto foi ter sido professor e mentor de Kurosawa. Já em 1941, AK estava redigindo “scripts” e dirigindo seqüências inteiras dos filmes de Yamamoto, enquanto crescia sua admiração pela arte das imagens em movimento e revia clássicos do cinema mudo: do expressionismo alemão aos experimentos russos na montagem, dos cinemas americanos, sueco, italiano e inglês aos filmes franceses e Germânicos da década de 30. Assim, estreou no longa com “Sugata Sanshiro” (1943), seguindo-se-lhe “Yoko Yaguchi” (1944), “Zoku Sugata Sanshiro” e “Os Homens que Pisaram na Calda do Tigre” (ambos de 1945), quando logo se revelou como técnico altamente habilidoso e desafiador “com olho vivo para a criação de belas imagens e aptidão na economia de meios para expressar-se”.

Na II Guerra

O traiçoeiro ataque japonês a Pearl Harbor em 07 dez 41 marcou a entrada do Japão na II Guerra e isso freou de certa forma o crescimento profissional de Kurosawa. Hoje, seja-nos permitido breve parêntese, há informações segundo as quais o Almirante Isoruku Yamamoto (1884-1943), um dos grandes estrategistas militares do século XX, ex-aluno na Universidade de Harvard e ex-attaché militar em Washington, era contra a guerra com os EUA, pois o Japão iria despertar um gigante adormecido. Ironicamente foi ele quem recebeu as ordens para planejar o ataque e paralisar a frota americana no Pacífico… Abatido em 1943 numa emboscada por aviões P-38, quando fazia um vôo de inspeção sobre as Ilhas Solomon (os americanos haviam decifrado o código secreto japonês algum tempo antes), sua perda foi considerada como equivalente à vitória numa batalha…

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Um dos esboços do mestre japonês, pintor de expressão, para seu filme Sonhos (1990)

Com a guerra, AK teve de conformar-se em filmar temas prescritos pela propaganda oficial do Estado. Daí o motivo pelo qual o jovem diretor se obrigou a concentrar-se no aperfeiçoamento técnico do seu trabalho, tanto de roteirista como de artesão de primeira linha. AK só entrou na fase madura e pessoalmente mais expressiva de sua carreira no pós-guerra, quando dirigiu “Asu o Tsukuru Hirobito” (1946), “Subarashiki” (1947) e “O Anjo Embriagado” (1948). Este marcou coincidentemente a primeira de 12 colaborações com o ator Toshiro Mifune, protagonista de boa parte de suas realizações. “Neste filme”, disse AK, “finalmente me encontrei”. Daqui em diante o mestre japonês afirmou cada vez mais sua independência criativa, eventualmente assumindo controle completo sobre o conteúdo e a forma de suas produções. Como não dispomos dos títulos em português de vários filmes nipônicos, mantivemos no alfabeto latino os originais recebidos.

Para a maioria dos críticos europeus e americanos como Kline & Nolan, AK é o cineasta de todos os gêneros, de todos os períodos e de todos os lugares, conectando em seus filmes o velho e o novo, as culturas do leste e do oeste. Como diria depois seu ex-professor Kajiro Yamamoto, “os dramas de época de AK têm significação contemporânea e seus temas modernos se caracterizam por uma compaixão pelos seus personagens, um humanismo profundo capaz de mitigar a violência com a qual ele os cerca com freqüência e uma preocupação aguda pelas ambigüidades da existência humana”.

L.G. DE MIRANDA LEÃO
* Redator exclusivo


FRASES

“O cinema de Kurosawa impressiona não apenas o espectador, mas também o crítico pelo senso do trágico demonstrado pelo realizador e pela perfeita interação entre o olho do pintor e a sensibilidade de um poeta. Com isso, Kurosawa faz do cinema aquilo que ele essencialmente é: um espetáculo de imagens em movimento e muita coisa a dizer com elas”.

François Truffaut, in Arts (entretien), Paris, 1963

“Neste grande autor de filmes a violência intervém muitas vezes, sempre como manifestação de cólera e de revolta contra as injustiças sociais de ontem e de hoje: este humanista põe ao serviço de um ideal o seu sentido plástico, a direção de atores, a mise-en-scène bem acabada e a montagem rigorosa”.

– Georges Sadoul, in Dicionário dos cineastas, Coleção Horizonte de Cinema, 1977