Arquivo do dia: 11/09/2011

As Diversidades Interiores que Fábio Takahashi Une pela Emoção

Livro de São José do Rio Preto reúne textos e fotos em defesa de um olhar humanitário para às causas da Diversidade

Conheci Fábio Takahashi, um paulista descendente de japonês, na edição 6 do Festival ComuniCurtas de Cinema.

Fábio é jornalista, músico e produtor cultural e passou metade dos anos de 1990 no Japão, onde questões ligadas à multiplicidade do ser humano lhe chamaram a atenção. De volta ao Brasil, Fábio foi trabalhar na Secretaria de Cultura de São José do Rio Preto,  sua cidade natal, e, nos anos 2000, chegou ao GADA, onde está até hoje. 

O GADA é o Grupo de Apoio ao Doente de Aids,, no qual ele exerce seu lado humanitário e artístico da forma mais solidáriam firme e conseqüente, desmembrando-se em muitos para dar conta de atender a diversos projetos. São projetos sociais ligados à saúde integral, promoção da cidadania e direitos humanos, através de ações e fundamentos ligados à Arte e à Cultura.

 Assim nasceu a idéia da Mostra fotográfica INTERIORES: DIVERSIDADES, em 2008, que percorreu diversos espaços de exposição no país e depois foi transformada em livro. Um belo livro com textos de  Fábio e fotografias de Walter Antunes.

A idéia do livro surgiu quando uma intuição alcoviteira tomou conta de Takahashi e ele foi tocado pela necessidade de promover e compartilhar do universo glbt, a partir de uma certa geografia íntima do seu cotidiano, que se configuraria em linhas nuito semelhantes aos dos mapas da vida das pessoas “comuns”, conforme nos conta na contracapa do livro  Luama Socio.

Já Fábio nos diz na apresentação: “Interiores: Diversidades deixou de lado os chavões e flagrou o cotidiano de pessoas e não de seus estereótipos, tendo como ponto de partida a idéia de apagar os rastros de mofados preconceitos que ainda insistem em se relacionar à diversidade sexual. As imagens compõem um panorama real dos fotografados: o ambiente em que vivem, convivem, suas histórias e aspirações, seus laços e bandeiras, além ou aquém do arco-íris.

Capa do livro, com foto de Walter Antunes…

O livro INTERIORES : DIVERSIDADES é uma publicação do GADA com apoio do programa municipal DST/Aids de São José do Rio Preto, lançado no outono de 2010.

Nós recomendamos a leitura e visibilidade pois é um livro cheio de emoção e capaz de conduzir a boas reflexões sobre a temática. Cuidado, belas fotos, acabamento primoroso e um material digno de ser alvo de debates e discussões sobre a tão levantada questão da diversidade sexual.

Fico feliz por tê-lo recebido com afetuoso oferecimento do próprio Fábio, que se pronuncia assim:

“Para a doce e encantadora Aurora, que em poucos momentos de convivência me ensinou que o gosto pela arte, música e cinema é, basicamente, e também, puro afeto”.

Vamos ao INTERIORES: DIVERSIDADES !

 

 

ROBERTO CARLOS em Jerusalém: vinho da mais fina cepa

Voltamos a publicar comentário sobre performance, cada vez mais eloquente e expressiva, do Rei ROBERTO CARLOS tantos são os comentários a respeito da apresentação do cantor em Jerusalém.

Desta vez, a presença estelar foi da repórter Glória Maria, e a direção do mega-show coube a Jayme Monjardim.

Roberto Carlos cantou para uma platéia lotada, na qual estavam mais de 2 mil brasileiros. Show supimpa com repertório primorosamente escolhido.

Quem perdeu, perdeu mais um grande momento televisivo do REI.

Nosotros que vimos, ficamos encantados. Mais uma vez.

ROBERTO CARLOS É QUAL VINHO: Melhora a cada apresentação.

VIVA ROBERTO CARLOS, seu exemplo de Fé e grandiosidade artística, a força de seu canto, o poder de sua empatia.

Vida longa para ROBERTO CARLOS !

Confira o comentário publicado anteriormente:

A PODEROSA EMPATIA DE ROBERTO CARLOS

A cada vez vejo Roberto Carlos cantar, e uma enorme platéia, apaixonada, acompanhá-lo, mais impressiono-me com a poderosa força de sua expressividade artística.

São legiões de pessoas que há anos acompanham sua trajetória – no meio dessas, muitas crianças e pessoas que não acompanharam sua fase mais criativa – anos 70/80. Mesmo assim, a audiência é tomada de emoção por suas músicas e sua voz agradável, estando ademais o Rei cantando melhor a cada dia.

Tudo isso me vem a propósito do belo show de Natal na praia de Copacabana, famosa mundo afora por conta das emblemáticas canções feitas em sua homenagem. Aliar Roberto Carlos à famosa praia carioca em pleno final de ano foi dos maiores acertos já anotados em se tratando de eventos de grande porte na capital carioca. Tudo concorria para o êxito da noite, atestado pela imprensa de qualquer parte do mundo.

Foi uma noite primorosa. Faltaram algumas canções, outros convidados poderiam ter acrescentado mais. Mas essas coisas serão sempre sentidas ante a qualquer show do Rei. Afinal, nós, público, sempre queremos muito mais além de Detalhes, Cama e Mesa, Proposta, Côncavo e Convexo, Jesus Cristo…

Eu, por exemplo, gostaria de ter ouvido a belíssima Cavalgada, e os clássicos As Canções que Você fez pra Mim, As Curvas da Estrada de Santos, De Tanto Amor, Quando, Você, A Distância, Rotina, Os Seus Botões, e outras as quais ele deu uma interpretação soberana, como Ninguém Vai Tirar Você de Mim (Edson Ribeiro & Hélio Justo), Força Estranha (Caetano Veloso), e Mais uma Vez (Mauricio Duboc – Carlos Colla), dentre uma infinidade de pérolas.

Já disse no Twitter que a homenagem que a escola de samba carioca Beija-Flor fará ao Rei no carnaval 2011 fará com que o público do Sambódromo aumente significativamente no próximo carnaval. Homenagem justíssima. Há muito, Roberto Carlos já poderia ter sido tema de samba-enredo.

O capixaba de Cachoeiro do Itapemirim é ídolo pop no país, e também no exterior. Em abril deste 2010 recebeu homenagem na sede da gravadora Sony Music, em New York, pelos seus 50 de carreira e por ter alcançado a marca de 100 milhões de discos vendidos no mundo. O REI é, portanto, um grande tema para a avenida-matriz do samba, onde sonoridades várias e múltiplas coreografias dão o tom, transmutando corações de todo o país e além-fronteiras em alegrias multicores, próprias à cobiçada espontaneidade carioca.

A presença da cantora Paula Fernandes foi uma grata surpresa. E é importante destacar o naipe de músicos, há muito na estrada com Roberto. Isso de se olhar para o palco e ver senhores de meia-idade (a começar pelo maestro) e até o trio que atua como backing vocal, sem a “obrigatoriedade” de vender sempre o jovem como o que tem valor, é um traço de singular significado na trajetória do REI. Nele estão embutidos o valor que o artista consagra às amizades, a confiança nos companheiros de vida artística, o respeito que dedica à experiência, o lastro de carinho e apreço que os une há décadas. Isso é, no mínimo, um grande exemplo para os que estão ingressando na laboriosa sina musical.

No mais, nosso comovido e mais sincero aplauso a Roberto Carlos, Artista Brasileiro de inegável carisma, cuja trajetória intensa, profunda, serena e coerente sempre agrega passos de inestimável valor aos princípios norteadores de qualquer cidadania mais justa, fraterna e amorosa.

Sobretudo neste momento, no qual a informação corre célere, embora nem sempre verdadeira, é de suma relevância apostar na difusão de um Artista como RC, renovando as esperanças no ato da comunicação como uma saudável comunhão com o próximo.

Pra finalizar, deixo com você, leitor amigo, a abalisada análise do saudoso cronista Artur da Távola, intitulada Roberto Carlos, o rei simbólico:

A idolatria de um artista popular transborda os conceitos puramente artísticos, penetrando-se de elementos empático-mitológicos de impossível aprisionamento por palavras, conceitos ou análises de exclusivo corte lógico-ideológico-racional. No caso de Roberto Carlos, o lugar-comum expressa-se antes de mais nada por sua mediania. Não é bonito ou feio. A voz é normal, apenas afinada. Nada (salvo talento e sensibilidade) possui em forma de exceção. A sua mediania o identifica com as multidões porque consegue sujeitar o turbilhão de sua sensibilidade, a força do seu talento e as dores de suas amarguras, dentro de um invejável equilíbrio.

De todas as forças que se entrecruzam dentro de sua figura pessoal e a de comunicação resulta a percebida tristeza, representação do que todos sentem e nem sempre sabem e podem expressar.

Fortalece a mitologia do lugar-comum na arte de Roberto Carlos o fato de que o público percebe não haver ódio ou azedume em sua dor por conter-se. Nela, sim, há frustração, impossibilidade, tristeza. Não há raiva, imprecação, ressentimento. O que foi contido, não se recalcou: distribuiu-se pelas várias partes do seu ser, fecundando-as. O público fareja, longe, os representantes da sua frustração. Em maior ou menos escala, há, na vida, uma carga obrigatória de frustração. Ninguém vive sem se frustrar. Quando aparece um artista que, além de representar a frustração transforma-a em arte, em beleza, encanto, em canto, poesia, mensagem ,este receberá a adesão emocional de todos. Principalmente, se na maneira de o fazer mantenha vivos os elos de sua relação com o público, ou seja, a sua mediania […]Em suma: alguém que não ressalta o que o difere. Assim é, pois, um ídolo: a exata expressão de todos os demais em estado de equilíbrio, um igual !

[…] Parece ser a relação misteriosa e secreta com a Transcendência que o fez e faz ser, dela, um representante, carismático leigo a obter a idolatria, título máximo da profundidade do lugar-comum. Está mais para apóstolo que para mártir”.