Arquivo do dia: 28/10/2011

O Amor pede passagem: A Última Palavra no For Rainbow

Filme de Chico Cavas Jr. coloca a questão amorosa em primeiro plano e tem belas imagens de Lília Moema 

O grande poeta Carpinejar já diz:

Não me inquieto quando não recebo as respostas

das perguntas que não fiz.

Eu me conformei em reservar alguma coisa

de ti para saber depois.

Um pouco de nosso amor será póstumo.

É recomendável não descobrir todos os segredos”. 

 

Será esse um dos matizes presentes no amor ou no desejo de amar expresso no curta A Última Palavra, do roteirista Chico Cavas Júnior, que estréia amanhã em Fortaleza na quinta edição do Festival For Rainbow ? A pergunta se intromete nas divagações sobre este instigante curta-metragem e fica para atiçar a curiosidade de leitores e prováveis espectadores…

Porque são várias as reflexões às quais nos remete o filme. Lá estão as íntimas ligações entre amor e morte de que nos fala o cientista social Zigmund Bauman… 

É clara a influência da obra incisivamente poderosa do poeta Augusto dos Anjos em sua vocação inescapável para os temas da finitude. E, embora possa até não ter pensado nisso conscientemente, o diretor coloca na tela diversas cenas cuja inspiração notamos vir de nomes como Caravaggio ( primeiro grande representante do estilo Barroco na pintura), Renoir, Rembrandt, Artaud, Cassiano Ricardo, Arthur Bispo do Rosário, o espírito impressionista de Monet ( acostumado a trabalhar ao ar livre e sob a luz do sol), Mondrian, a opacidade plástica de Magrit (maior representante do Surrealismo na Bélgica) através de seu célebre quadro dos amantes que se beijam de olhos vendados, pintura insinuando dois desconhecidos ante o mesmo desejo)

 

A harmoniosa fotografia de Lília Moema constrói um arcabouço imagético sensível e poderoso, conseguindo extrair do mais banal uma rica palheta de cores e significados que desafiam um olhar mais acurado e uma atenção aos detalhes mais sutis, como no insólito ambiente da última morada. A construção imagética da fotografia remonta ao barroco de Aleijadinho, transmudado nas estátuas e símbolos ecumênicos evidenciados nos insólitos quadros de um cemitério deserto, entregue ao abandono físico e sensório, tão maior e cruel quanto tão profunda é a dor pela perda de um amor, encerrado sem sequer uma palavra de adeus. 

Afinal, de quem é o olhar que olha Carmen e sintoniza Esther ? Quem nos convida a prestar atenção na cigana e a perscrutar as sonoridades de sua inquietação existencial ? De quem o farol a guiar o espectador por este mundo insólito de sombras e dúvidas onde os horizontes semelham labirintos e parecem estágios de solitude e descompreensão diante do nada, do finito, da instabilidade emocional ? 

Aurora Miranda Leão e Jeane Ramos nas gravações de A Última Palavra

Este olhar que nos desassossega do estado de não-imersão é o mesmo que nos remete involuntariamente para tentar decifrar os sentimentos de Carmen, os caminhos e descaminhos que a personagem perfaz, quer por vontade própria ou por circunstâncias alheias à sua voluntária decisão. Estes, são tantos quanto estão representados na instigante concepção das Sete Vidas, trazidas ao ecrã pela opção estética da apresentação dos felinos no cemitério… eles são sete e ilustram o último diálogo das amantes, cujo fim é trágico, como sói acontecer na quase totalidade das histórias que se constroem entre iguais ou dos amores que existem e se afirmam fora das obsoletas e toscas visões de um tipo único e idealizado de par amoroso.

 Desacertos do amor dão o tom do curta de Chico Cavas Jr

Tudo que ali nos parece estranho ou incompleto ao mesmo tempo desenha intersecções com experiências já vividas ou intuídas. A certeza de palavras já ditas, versos já ouvidos e sons de rascante intensidade aproximam o espectador da polaridade sentimental que invade a alma em certos momentos de angústia ancestral, não nos abandona e perpassa o lite motiv do filme em todos os fotogramas.

Conseguir captar e traduzir isso tudo em apenas 15 minutos não é tarefa fácil. Necessário um roteiro competente, uma equipe bem entrosada, uma construção de ambiente e luz adequada ao clima que se quer imprimir na textura da obra, uma produção que atente para essas sutilezas do roteiro e uma câmera bem conduzida. 

Ressalte-se então o inovador e bem construído roteiro de Chico Cavas Jr (estreante na função) e toda a disponibilidade da equipe envolvida na realização de A Última Palavra.

Lília Moema é fotógrafa com anos de atuação no métier e aqui revela, mais uma vez, seu talento e vocação para os cuidados e afetos necessários à captação da luz, escolhendo ângulos que se aproveitem não só por sua beleza mas, sobretudo, pela delicadeza de sua construção e a sincronicidade com o que o roteiro desenha em palavras.

 

Lília Moema e Chico Cavas Jr: acüidade para transformar texto em imagem…

Em  A Última Palavra, as saídas para o vazio que se interpõe entre as amantes são as estradas ermas de um espaço de contemplação da morte ou a areia da praia que fareja o mar e sua imensidão infinita.

As cartas que um dia anunciarão o amor estão agora dispersas num túmulo que, apesar de tudo, é difícil negar. Por outro lado, o mar e o vazio que sua imensidão desenha no oceano infinito – disponibilizado em sua essência mais trivial para as personagens Esther e Carmen – é como uma foice afiada a amolar seus gumes no oco imenso e profundo que dilacera a alma ante a desilusão do amor que podia ter sido e morreu antes de florescer. 

Será assim o amor, sempre por um triz, como tão sabiamente canta Herbert Vianna em uma de suas pérolas ? 

Aurora Miranda Leão protagoniza A Última Palavra, trabalho contundente e delicado de Chico Cavas Jr. para falar do Amor…

Luziany Gomes, produtora e apoio fundamental em A Última Palavra..

SERVIÇO

Exibição do curta A Última Palavra

Roteiro e direção: Chico Cavas Jr.

Direção de Fotografia: Lília Moema

Produção: Luziany Gomes

ONDE: Casa Amarela Eusélio Oliveira

Av. da Universidade, 2591 – Benfica

Fone: (85) 3366 7772 / 3366 7773
Dia e Hora: Sábado, 29, 16;30h

Programação do V FOR RAINBOW

ENTRADA FRANCA

Arthur Leite, Lília Moema e Júnior Oliveira: sintonia no set…

Equipe, feliz, encerra filmagens em clima de total alegria: Cris Queiroz, Luzy Gomes, Chico Cavas Jr., Aurora, Jeane Ramos; sentados – Lília Moema e Alberto Maia.

Claudia Raia estréia em CABARET…

Havia um cabaré, e havia um mestre-de-cerimônias e uma cidade chamada Berlim. Era o fim do mundo, e eu dançava com Sally Bowles, e nós dois estávamos dormindo.

São essas as primeiras palavras do livro que o personagem Cliff Bradshaw escreve na peça Cabaret. A montagem musical do texto cestreá esta noite, em Sampa, tendo CLÁUDIA RAIA como destaque.

O espetáculo é resultado de uma sequência de adaptações. A peça foi escrita em 1966 por Joe Masteroff, a partir do livro I Am a Camera, de John van Druten -o qual, por sua vez, baseou-se em “The Berlin Stories” (1945), de Christopher Isherwood.

  Zé Carlos Barretta/Folhapress  
Claudia Raia em cena do musical "Cabaret", dirigido por José Possi Neto
Claudia Raia em Cabaret, direção de José Possi Neto

Masteroff serviu na Força Aérea Americana durante a Segunda Guerra Mundial e hoje, aos 91 anos, segue escrevendo, ofício que adotou na década de 1950.

Ele aponta a insensatez do mundo como razão para Cabaret manter a atualidade e o apelo universal. “As pessoas precisam de música para sobreviver, porque a loucura ainda está em todo lugar.”

O autor se define como um sujeito “tranquilo”, alguém cuja vida “nunca foi um cabaré”. Mas acha que a falta de juízo dos tempos atuais faz surgir tipos cada vez mais parecidos com os de sua peça, “sem esperança e aproveitando o máximo”.

A história de Cabaret se passa num clube noturno da Berlim pré-ascensão do nazismo, período em que muitos alemães ainda não atinavam para o perigo iminente que o mundo corria. A situação financeira ruim, e o moral baixo depois da derrota alemã na Primeira Guerra, definiam o clima da época.

Os clubes burlescos, com seu cardápio de números alegres e escapistas, estrelados por garotas seminuas, serviam de alento.

Miguel Falabella, responsável pela adaptação para o português e amante dos musicais, conta ter tido trabalho para não perder a atmosfera histórica e política da peça.

Para isso, manteve do original o Mestre de Cerimônias, personagem palpitador de Jarbas Homem de Melo.

“A personalidade ácida do Mestre de Cerimônias – que comenta a história com traços de crueldade – é muito importante”, explica Falabella. “Ele representa aquela Alemanha que está afundando, prestes a ver os nazistas no poder. O ovo da serpente está eclodindo, e ele é a tradução disso tudo.”

O romance entre Sally Bowles e Cliff Bradshaw (papel proposto a Reinaldo Gianecchini antes da descoberta da doença) acontece e parece ser uma tábua de salvação para o par de desgarrados.

Porém, a presença crescente do nazismo, o temperamento de Cliff e a ignorância de Sally impedem um final feliz. “E como poderia haver se o que estavam vendo era o começo do ‘fim do mundo?'”, questiona Masteroff.

Com peruca chanel, meia arrastão e coberta de cristais Swarovski, Cláudia Raia entra no palco interpretando a cantora inglesa Sally Bowles. A sala do teatro Procópio Ferreira está decorada com cortinas de vidrilhos de tons rosados. Mesas com iluminação baixa e espelhos com luzes ajudam a colocar o espectador dentro de um bordel da década de 20.

Tudo em nome de Cabaret, musical que notabilizou Liza Minelli, e que estreia HOJE em São Paulo com produção de Sandro Chaim (de “A Gaiola das Loucas”e “Hairspray”), direção de José Possi Neto e tradução de Miguel Falabella. Pela segunda vez no Brasil – a primeira versão foi apresentada em 89 – o espetáculo é um sonho antigo de Cláudia.

“Eu e Sally somos uma brincadeira de ‘Tom & Jerry’. Tentamos fazer (o musical) uma vez, não conseguimos os direitos. Foi quando cheguei para o Chaim e disse que era a hora de ir atrás. Em 89, fiquei super triste por não ter conseguido o papel. Hoje vejo que não estava preparada para ele, talvez pela falta de maturidade na época”, conta.

Claudia Raia protagoniza mais um famoso musical da Broadway e esbanja sensualidade…

Cabaret foi apresentado em diversas versões no teatro e também ganhou vida no cinema, com Liza Minelli eternizada no papel de Sally, no filme que trata a história de forma mais leve. “Tentei aprisionar a Cláudia pra fazer essa personagem. Nunca usei esse corpo, essa voz. Sai da Liza, minha musa, pra criar a minha Sally Bowles. É o que eu penso da personagem”.

“‘Cabaret conta duas histórias de amor interrompidas pela guerra. A Bowles vai para Berlim em busca de uma outra realidade e se apaixona por um escritor. Mas é desequilibrada, se boicota. É uma história de amor impedido”.

 

“Investimos muito na dramaturgia”, explica Possi. “A personagem principal carrega um enorme drama pra sobreviver em meio à guerra. Tivemos que trabalhar em repensar o conteúdo histórico e psicológico. E o Falabella dá o humor sarcástico e ao mesmo tempo ingênuo que a peça pede, se revezando entre o sexy sujo e o cômico”, completa.

A produção do musical, que conta com 150 figurinos, dos quais 8 são da personagem principal, reproduz em cenários um pouco da Berlim dos anos 30. Já as coreografias ganharam mais sensualidade na versão brasileira. “A ideia não era ficar pornográfico. É uma sensualidade elegante. Fiz uma pesquisa de lingeries e peças com tons de pele para aproveitar bem os corpos dos bailarinos”, explica  o renomado figurinista Fábio Namatame.

Apesar de a personagem ser um antigo sonho de Cláudia, a história da personagem não tem nada a ver com a história da atriz. “Ela é bêbada, fuma. É super mundana. Eu não bebo uma gota de álcool”, conta. Para as cenas em que a atriz fuma, foram importadas 20 caixas de cigarro de alface. “São muito fedidos”, brinca.

Cabaret
Estreia 28 de outubro

Onde: Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2.823 – Cerqueira César)
Quando: quintas (às 21h), sextas (às 21h30), sábados (sessões às  18h e 21h30), domingo (às 18h)
Quanto: de R$40 a R$200 (mais informações no 0/xx/11 4003-1212)

Adeus a Bernardo Jablonski…

 A notícia me pega de surpresa e provoca tristeza. Não sabia ele estava doente…
 
Vi-o diversas vezes em cena em peças no teatro carioca. Era sempre muito marcante.
 
Acompanhei-o como ator, dono de refinado bom humor, e conheço algumas de suas obras, sendo algumas dessas em parceria com o amigo Domingos Oliveira.
 
É com pesar e solidariedade à família, aos amigos e à classe artística, que registramos o passamento do ator BERNARDO JABLONSKI.
 
Descanse em paz, Bernardo !
 

Bernardo Jablonski … humor e inteligência vão fazer falta…

Faleceu na manhã desta sexta-feira (28) o ator, diretor teatral e escritor Bernardo Jablonski, aos 59 anos. Segundo comunicado enviado pela Rede Globo, ele lutava contra um câncer de fígado e estava internado desde o último dia 3, na Clínica São Vicente da Gávea, no Rio de Janeiro.

Um dos livros de Jablonski, inteligente libertário que se dividia entre escrever e atuar.

Jablonski era Doutor em Psicologia Social, professor universitário, e publicou diversos artigos e livros. Desde 1992 na Rede Globo, participou de  minisséries, seriados e especiais. Em sua trajetória como redator, ele passou por diversos humorísticos, dentre eles ‘Os Trapalhões’, ‘Chico Total’, ‘Sai de Baixo’, ‘Vida ao Vivo Show’, ‘O Belo e As Feras’, ‘Escolhinha do Professor Raimundo’, ‘Sob Nova Direção’ e ‘Zorra Total’, onde atuou como ator e redator. Ele intrepretava o caladão Aderbal.

Bernardo Jablonski também fez carreira co cinema em filmes como “Old Orchid”, “Tempos de Paz” e “Tropa de Elite”. Com mais de dez peças no currículo, seu último trabalho no teatro foi ao lado de Fabiana Valor na direção do musical infantil “O Patinho Feio”, em cartaz no Rio de Janeiro. 

Bernardo Jablonski em cena como Aderbal de “Zorra Total”

Ele foi casado durante 13 anos com a atriz Maria Clara Gueiros, com quem teve dois filhos: João, de 16, e Bruno, de 13 anos.

O velório será realizado amanhã, sábado (29), na sede do curso de teatro Tablado, na Lagoa, (Rio), onde BERNARDO lecionava aulas livres de improvisação.

Bernardo Jablonski, vida breve mas de contribuição importante.

Ana de Hollanda abre Feira do Livro em Porto Alegre

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, participa amanhã da abertura da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, no Teatro Sancho Pança (Armazém B do Cais do Porto). Para a realização do evento, o MinC aprovou a captação de R$ 1,3 milhão pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. 

A Feira integra o Circuito Nacional de Feiras do Livro, calendário das feiras  realizadas anualmente no país, criado pelo MinC, por meio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). A finalidade é incentivar e apoiar as feiras de livros existentes no Brasil e ainda estimular a criação de outra pelo interior.

A Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais tradicionais e relevantes do país. Em 2006, o MinC reconheceu isso ao conceder à Feira a medalha da Ordem do Mérito Cultural. 

Programação 

A Feira do Livro de Porto Alegre chega à 57ª edição com a expectativa de receber mais de 1,7 milhão de visitantes. Ocupará, mais uma vez, a tradicional área da Praça da Alfândega, estendendo-se até o Cais do Porto, entre os dias 28 de outubro e 15 de novembro.

Serão cerca de 700 sessões de autógrafos, aproximadamente 200 palestras e debates, 400 encontros com autores, saraus e outras atividades específicas para os públicos infantil e juvenil – principalmente alunos de escolas do ensino fundamental e da educação infantil, além do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A programação também contará com seminários, oficinas, apresentações artísticas, exibições de filmes e a inauguração da biblioteca infantil Moacyr Scliar, homenagem ao grande escritor gaúcho, falecido este ano.

A principal novidade desta edição é a inclusão dos Dias Temáticos na programação. Diariamente, um assunto diferente será abordado em, pelo menos, uma atividade na programação para adultos e em outra para as áreas infantil e juvenil. Os temas escolhidos são: Biblioteca; Livro e Leitura; Suspense; Literatura de Terror; Viagens; Cinema; Humor; Cultura Popular; Conto; Gastronomia; Afrodescendência; História; Antropologia; Corpo/Saúde/Erotismo; América Latina; Direitos Humanos e Acessibilidade; Dia Mundial da Gentileza; Ecologia e Comunicação.

Serviço

Abertura da 57ª Feira do livro de Porto Alegre
Local: Teatro Sancho Pança (Armazém B do Cais do Porto)
Dia: 28/10/2011, 18h