Djin, uma Bela nada Indiferente…

Helena Ignêz diz que peça é “A radiologia de um amor infeliz”

Ela é filha de dois ilustres da Cultura Brasileira, dois ícones do nosso Cinema. Isso, por certo, deve pesar na estrada de qualquer um, e é preciso muita garra e uma luz muito especial para seguir em frente, dignificando o legado dos pais e perfazendo seu próprio caminho, longe dos ‘compromissos’ que o sobrenome forte pode transformar em cobrança.

Bonita, elegante, sensual e atriz de entrega total ao personagem, ela vem trilhando uma estrada que só dignifica e honra o eloquente legado. Embora sua trajetória exista por seus próprios méritos, é evidente a absoluta intersecção com os alicerces semeados pelos pais, e é patente que sua coerência e pungente inserção na seara cultural exista embasada naqueles, e plena das energias emanadas do ilustre casal, protagonista de uma das mais belas e férteis parcerias da cena artística nacional.

Falo de Djin Sganzerla, a jovem e bela atriz, fruto do amor da grande atriz Helena Ignêz com o polêmico e prolífico cineasta Rogério Sganzerla, jornalista, escritor e gomem de Cinema, tão cedo partido do nosso convívio.

Djin é a filha mais nova e estreou como atriz no último filme do pai, o emblemático O Signo do Caos, de 2003. De lá pra cá, vem fazendo papéis de destaque e arrebatado prêmios por muitas dessas atuações – como é o caso do filme Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi, no qual ela contracena com Gustavo Falcão (!).

Agora, Djin está em cartaz no SESC Consolação, em Sampa, com a peça O Belo Indiferente, texto escrito por Jean Cocteau especialmente para a musa Edith Piaf. A montagem  atual tem direção de André Guerreiro Lopes (marido de Djin), em parceria com Helena Ignêz, e está revestida de pitadas de irreverência na sua abordagem sobre as relações humanas, especificamente o amor.

Pouco encenada no Brasil, O Belo Indiferente registra no currículo, durante os anos 80 e 90 do século passado, atuações icônicas como as das atrizes Helena Ignez (sua mãe), Glauce Rocha e Maria Alice Vergueiro.

Apesar de tratar-se de um monólogo, a montagem atual traz dois personagens: Ela, vivida por Djin Sganzerla, e Ele (Dirceu Carvalho). Ela fala e Ele se cala. O enredo é simples. Durante uma madrugada, uma cantora espera seu amor num quarto de hotel. Seu amado Emílio, enfim, chega! Sem dizer uma palavra, anda pelo quarto, deita-se na cama e lê, tranqüilamente, seu jornal. Ela tenta por todos os meios atrair sua atenção, mas nenhuma estratégia é suficiente: ironia, raiva, sedução, confidências, denúncias, ameaças.

Como será rompida essa incômoda indiferença ? Isso é que o público saberá assistindo ao espetáculo.

Sobre a parceria com a filha, com quem já trabalhou em dois filmes e outros espetáculos, Helena diz que a vontade de acertar reina. “Dirigir um ator é sempre um ato de amor”, explica. Lopes concorda e não reclama de ter a sogra como parceira. “Está sendo muito natural. Cada um traz para a montagem o que tem de melhor”.

Djin Sganzerla segue os passos da mãe, a eterna musa Helena Ignêz

Todos concordam: a experiência e familiaridade de Helena com a obra ajudaram na hora de dar profundidade ao drama da personagem. Além de ter feito Djin recordar da primeira vez em que viu a mãe encenando: Eu era pequena. Tive medo que aquele homem machucasse a minha mãe”, conta. Medo de comparações, ela não tem. “Deixo qualquer pressão para trás.”

Para aproximar o público do casal problemático, o cenário coloca a plateia dentro do espaço cênico, o qual serve como quarto e mente da cantora. “Assim, é mais fácil perceber a grande questão: o que faz uma mulher linda e inteligente não se desprender dessa relação ruim ?”, conclui Lopes.

Contracenando com o marido André Guerreiro Lopes em Luz nas Trevas, longa dirigido pela mãe, Helena Ignêz, e Icaro Martins

André Guerreiro Lopes diz buscar ressaltar a atemporalidade e dramaticidade poética do texto.

“Fugimos de um enfoque naturalista para retratar a situação de uma mulher em crise e seu amante num quarto de hotel. Ao invés de ‘trazer para os dias de hoje, buscamos o que existe de profundamente humano neste amor obsessivo…”.

A montagem original, que estreou em Paris em 1940 com atuação de Edith Piaf, causou controvérsias entre o público da época. Traduzida para todas as línguas, o texto foi encenado por grandes atrizes do mundo.

Djin já foi premiada pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor atriz de 2008 por sua atuação no filme Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi, o qual também lhe rendeu prêmio no Festival de Cinema Luso Brasileiro, em Portugal.

Djin Sganzerla recebendo elogios significativos por sua atuação em O Belo Indiferente…

Serviço
O BELO INDIFERENTE

Temporada – Quintas e sextas, às 21 horas. – 60 minutos. Até 16 de dezembro.
Ingressos – R$ 10,00; R$ 5,00 (usuário matriculado, estudante com carteirinha e aposentado) e R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes).
Espetáculo recomendável para maiores de 12 anos.

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