Arquivo do mês: dezembro 2011

Candé Faria, O Carteiro e um bilhete…

Bilhete a Candé Faria

Dentre tantas e tão boas coisas que a estada em Manaus – a convite do Amazonas Film Festival – trouxe a mim este ano, uma delas foi conhecer Candé Faria.

Candé é um jovem ator, nascido numa família de artistas, e estava na capital amazonense acompanhado da equipe que fez com ele O Carteiro, filme dirigido por seu pai, o também ator Reginaldo Faria.

Reginaldo Faria dirige o filho Candé em sua estréia no cinema…

Estive pensando muito em Candé nestes tempos que correm céleres ante à espreita do Novo Ano que vem vindo. E como nessas horas, involuntariamente, terminamos fazendo um balanço do ano que ainda existe mas já dá sinais do fim, lembrei dele… daí porque resolvi escrever-lhe este bilhete em forma de crônica, inspirada na maneira de comunicação ensinada pelo meu querido amigo e Mestre, sábio homem das Artes, das Letras e da Comunicação, Artur da Távola.

Meu caro e doce Candé Faria:

Andei lembrando muito de você porque você me transmite uma docilidade e benfazejo sentimento irretocado de infância feliz, que em tempos de Natal é tão pulsante, fazendo ainda mais a humanidade lembrar-se do tanto que precisa desse sentimento e dele sente falta.

Pois eu fiquei devendo a você, Candé, uma palavra de empatia desde a última vez em que nos vimos.

Depois da estada no Amazonas, eu escrevi alguma coisa sobre O Carteiro, mas nem sei se você viu (eu esqueci de lhe avisar), no meio do emaranhado que deve ser a vida de um ator que começa a destacar-se no meio do Cinema.

De mais a mais, eu queria mesmo era dizer a você o quanto o carteiro que você nos apresentou, trazido lá de Vale Vêneto, me tocou, e o quanto tocou fundamente.

O Carteiro que você compôs com tanto preciosismo, talvez não tenha sido entendido por muitos, ou tenha passado despercebido ante à profusão de imagens que cada vez mais se nos intrometem no nosso cotidiano.

Mas eu preciso lhe dizer do quanto o seu carteiro – esmiuçado em gestos, olhares, sorrisos, galanteios, mentiras, omissões, traquinagens, mudanças de humor e de intenção – tocou minha sensibilidade nas filigranas desenhadas por seu talento para revelar as muitas sutilezas deste tipo ingênuo, interiorano e trapalhão que você compôs com refinada competência. Assim, não havia como eu assistir ao filme e não ficar completamente impressionada com sua atuação.

Candé Faria ao lado de Fiuk, com quem contracenou em Malhação

Sou daquele tipo que acredita que um ator, ao interpretar, coloca inteira sua alma no personagem, ainda que não se dê conta disso. Esse modo de perceber o trabalho de um ator está sustentado em anos de estudos das artes cênicas com acompanhamento de palestras e conversas com atores, leituras diversas sobre o tema (inclusive de inúmeras críticas) e observações sobre o cotidiano de quem atua nesse métier.Tenho ademais, para sustentar esta noção de que um Artista é tão mais verdadeiro quanto mais sua alma aflora em seus personagens, nomes como os de Domingos Oliveira, Helena Ignez, e Artur da Távola, que, ao longo de suas trajetórias, disseram a mesma coisa de maneiras diversas.

Domingos, de quem tive a honra de ser aluna, sempre diz ser melhor trabalhar com um amigo que não sabe atuar do que com um grande ator que jamais você quisesse para amigo – ‘porque você pode transformar um bom caráter sem talento num ator razoável, mas você jamais transformará um grande ator mau caráter num bom caráter’.

Helena Ignêz diz estar convencida de que todo grande artista é também um grande caráter, e não acredita que alguém possa ser mau e, ao mesmo tempo, um artista relevante.

Mestre Artur afirmava: “Como o ser humano precisa fazer passar tudo pelo crivo do seu eu e só vê o mundo através da ótica do seu eu, a representação é a expressão mesma do seu pensar, do seu sentir, do seu imaginar”.

Vendo Candé atuar, ‘a impressão é de não haver nada de premeditado ou especial em seu desempenho, a não ser a profunda verdade da consciência humana dentro da situação definida pelo diretor’, diria o mestre Tarkovski.

Ou ainda: Para que um ator seja eficiente no cinema, não basta que
se dê a entender. Ele tem de ser autêntico. O que é autêntico
nem sempre é de fácil compreensão, e sempre transmite
uma sensação especial de plenitude — é sempre uma experiência
única, que não se pode nem isolar nem explicar.

Pois foi, assim, meu querido Candé, com essa sensação especial de plenitude que fiquei ao ver sua interpretação no novo filme de seu pai, onde você bate um bolão com o ator Felipe de Paula, criando cenas divertidas e outras nem tanto, mas que estão exatamente expressas como parece pedir a situação.

Fui uma alegria muito grande estar com vocês em Manaus e descobri-los tão cordatos, sinceros, sem pose alguma, tranquilos e gentis como quem tem consciência de estar no lugar que escolheu, fazendo o que gosta, e da maneira como acreditam ser.

Esta verdade que você e Felipe me transmitiram na convivência em Manaus está inteira na tela, e é uma satisfação poder lhe dizer isso.

Aproveito para dizer ainda mais e lhe enviar este abraço em forma de bilhete-crônica: vá em frente, garoto, porque você manda muito bem e fez bonito ao responder com tanta segurança, competência e senso profissional o papel que seu pai lhe confiou. Você fez a plateia embarcar naquela história que, a princípio, poderia parecer meio deslocada no tempo e no espaço – cartas em plena era internética ? – mas você fez bonito demais, encharcou a tela de leveza, meiguice, apreço pela infância que campeia na alma sem freios, e reinventa a paixão. De quebra, ainda convidou o amigo Felipe pra pedalar essa trilha junto, e ambos convidaram a plateia pra embarcar numa viagem poético-sensória-sonoro-imagética que atende por O Carteiro e merece ganhar as telas do país.

Um grande beijo e vida longa pra sua carreira, meu querido Candé  !

Felipe de Paula, Fabiana Santana, Ingra Liberato, Candé Faria, Ana Carolina Machado e Beto Turquenitch no tapete vermelho do Amazonas Film Festival

* Ah, e preciso dizer também que a equipe que esteve em Manaus com Candé, comandada por Fabiana Sasi (leia-se TGD Filmes) era um pitéu: só gente bonita, bacana e de bom astral. Estavam lá a doce e mui querida Ingra Liberato, a jovem Ana Carolina Machado, Felipe de Paula e o produtor Beto Turquenitch.  A todos eles, meu carinho, meu respeito e meu aplauso pelo belo filme que ajudaram a construir.

Amazônia, Gorki e Eduardo Viveiros de Castro no novo filme de Helena Ignez

Atriz e diretora premiada, Helena Ignez tem roteiro instigante para falar de Humanidade e saudar a Vida 

Diretora prepara terceiro longa com elenco encabeçado por NEY Matogrosso, Djin Sganzerla e Igor Cotrim….

Ela diz estar numa época de completa efervescência artística. E demonstra alegria com isso.

É verdade. Depois do boom que foi sua aparição no cinema na década de 1970, Helena Ignez vive outro momento de consagração e reconhecimento à sua tocante dedicação à Sétima Arte.

Considerada uma Diva do quilate de Marlene Dietrich e Marilyn Monroe, Helena Ignez sempre foi uma das mais belas e ousadas atrizes do Cinema Brasileiro.

Cresci ouvindo meu pai dizer que eu precisava conhecê-la porque ela era bela demais, de uma beleza ousada e sensual, diferente de todas as outras.

E meu pai sempre foi um habitué e estudioso da Sétima Arte. Por isso, e por sua grande admiração por Orson Welles, tinha em Rogério Sganzerla (companheiro da Diva por 35 anos e também um assumido fã do genial artista americano),  um exemplo de grande cineasta. E encontraram-se muitas vezes e o tema principal das conversas era esse.

Portanto, eu sempre admirei Rogério e Helena, e gostava dela muito antes de a conhecer.

Até que chega o dia tranquilo no qual conheço Helena Ignez e nossa sinergia foi imediata. Parece até havia uma trilha do instante ecoando A energia da Amazônia abençoou… Além de tudo que ouvira sobre ela, encantei-me pela mulher de alma translúcida, coração apaixonado, gestos delicados, inteligência refinada, simplicidade cativante e beleza que se entranha no modo de ser e conceber a vida. Por isso, transita entre o Cinema e o Teatro com tanta maestria e consegue ser tão magnânima

A arte de Helena Ignez tem a força poderosa de sua visão de mundo, que traduz uma alma visceralmente interessada em propagar o Bem, brindar a Beleza, espalhar o amor ao próximo, saudar a Natureza, e brindar o dom da vida.

Helena Ignez em Bagé, em foto de Aurora Miranda Leão…

Esta mulher admirável vem sendo constantemente convidada para homenagens em festivais de cinema pelo país, onde acontecem exibições de seus filmes (aqueles nos quais atuou ou os que dirigiu), ou aonde vai para levar a energia de sua presença e também compor comissões julgadoras.

Assim, Helena esteve recentemente no Amazonas Film Festival, no Festival Nacional de Cinema de Goiânia, na edição do Festival do Rio realizada em Berlim, no III Festival de Cinema da Fronteira (Bagé-RS), e segue, no final de janeiro, para o concorrido festival de Roterdã (Holanda). Neste último, ela será jurada, posto até então ocupado por um único brasileiro, o querido mestre Júlio Bressane – de cinematografia aplaudida mundialmente.

Helena Ignez tem um currículo numeroso, recheado de grandes trabalhos, seja no teatro, no cinema, na dança, e mesmo nas artes plásticas. Os dois filmes que dirigiu – Canção de Baal e Luz nas Trevas – tem repercussão mundial, e já ganharam diversos prêmios em todos os lugares por onde passaram – um reconhecimento importante e salutar ao trabalho desta pacifista da Arte.

Helena Ignez leva a Amazônia no pescoço: a jóia é uma criação Rita Prossi…

Agora, entre tantos projetos nos quais está envolvida, Helena Ignez se debruça sobre RALÉ, o terceiro longa, no qual vai atuar e dirigir, juntando grandes amigos e a equipe que já a acompanha há algum tempo.

RALÉ é inspirada no texto homônimo do renomado dramaturgo russo Máximo Gorki (escrito em 1901), mas vai muito além do texto que o inspirou, e promove uma instigante sintonia com a visão inovadora do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, defensor da idéia de um Perspectivismo transformador, a partir da Amazônia e a força de seu povo pioneiro. Para Viveiros de Castro, a Amazônia é o epicentro do mundo.

Helena Ignez vai então colocar o epicentro do mundo na tela e a Amazônia é o primeiro set onde pretende aportar, a partir de maio, acompanhada do ator e cantor NEY MATOGROSSO – “um ator extraordinário, com quem quero sempre trabalhar”.

Ney Matogrosso e Helena Ignez em cena de Luz nas Trevas

HELENA IGNEZ aproveitou a recente estada em Bagé – durante o III Festival de Cinema da Fronteira, e falou pela primeira vez, publicamente, sobre o projeto de filmar RALÉ:

“No fundo, o filme fala sobre a transformação que é possível acontecer nas pessoas através do pensamento. Porque as pessoas que compõem essa RALÉ são todas pessoas que a vida, de alguma forma, chicoteou em algum momento, e elas conseguiram transpor situações degradantes, e se transformaram. O filme foca, sobretudo, o momento em que elas estão saindo para uma transformação maravilhosa através do pensamento”.

Helena no teatro, dividindo a cena com a filha Djin Sganzerla…

Helena Ignez está em fase de captação de recursos. Sua filha Sinai Sganzerla assina a produção executiva, e a Mercúrio Produções (dela e das filhas) é a produtora oficial. Apesar de dizer que estamos num momento não tão favorável para a Cultura,  Helena está empolgada com o novo trabalho e crê que possa estar, já em maio, com a equipe técnica filmando no Amazonas, onde tem cenas de incrível força e plasticidade, ao lado do amigo NEY Matogrosso, protagonista da história.

“O filme tem grande parte ambientada na Amazônia, junto a uma populaçãao ribeirinha, com sequências diferentes, onde estamos eu e Ney, ligadas à cultura amazônia e xamânica. Um filme com um apelo muito visceral para se enxergar a Amazônia em sua devida importância e pluralidade, como epicentro do mundo. Ali está todo um manancial de riqueza natural, essencial para as transformações que o mundo vai vivenciar nas próximas décadas. E o mundo precisa estar alerta para isso e dar a devida atenção àquele rosário de forças poderosas que emana do pulmão do Brasil, a Amazônia”.

Em recente passagem por Manaus, Helena Ignez aproveitou para investigar ainda mais esse universo que pretende colocar na tela: passou a noite num resort na selva, entrosou-se com artistas amazonenses, adquiriu peças da joalheira Rita Prossi (conhecida internacionalmente pela beleza de suas peças artesanais), conversou sobre o filme com a Film Comission e a Secretaria de Cultura do Estado, visitou por duas vezes o Museu do Homem do Norte, e andava sempre com um caderninho, anotando tudo o que pudesse acrescentar ao seus estudos sobre a Amazônia.

 
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Helena Ignez no tapete vermelho do Amazonas Film Festival, com Rômulo Hussen e Aurora Miranda Leão…

Eu fui testemunha destas caminhadas de Helena e posso dizer o quanto a atriz saiu verdadeiramente maravilhada com o que viu. Ela diz: “Manaus é um lugar elegantíssimo, um lugar do Brasil que precisa ser conhecido e é a porta para o epicentro do mundo, que é nosso, e que é a Amazônia. E este lugar está entranhado no pensamento antropofágico ligado a Oswald de Andrade e a Rogério Sganzerla, porque a Ralé é uma história ligada a esse pensamento, enriquecido pelos estudos vigorosos deste antropólogo de reconhecimento mundial que é o Eduardo Viveiros de Castro”.

Igor Xotrim, que  também está no elenco, foi convidado por Helena Ignez ainda em Manaus…

E continua: “Nosso filme é de baixo orçamento, de um milhão de reais, e terá também locações numa cidade grande, que deve ser São Paulo, onde vamos fazer cenas de uma cidade em construção, e onde será acentuada a questão da identidade brasileira”.

QUEM É VIVEIROS DE CASTRO

Apontado por Claude Lévi-Strauss como o fundador de nova escola na antropologia e considerado hoje um dos maiores antropólogos do Brasil, Eduardo Viveiros de Castro defende a idéia de que os mitos indígenas têm elementos filosóficos freqüentemente ignorados pelo Ocidente.

Para ele, “A sociedade moderna poderia se inspirar no pensamento indígena para repensar sua relação com a natureza”.

O antropólogo já deu sinal verde a Helena Ignez para explicitar suas ideias nesta Ralé, que será protagonizada por Ney Matogrosso.

Que venham então os patrocínios e apoios para que nossa eterna Diva, atriz consagrada e diretora inspiradora, possa colocar a Amazônia seminal e essa pulsante inspiração no pensamento indígena nas telas de todo o mundo.

* As fotos dos índigenas que ilustram este post são de Viveiros de Castro…

Que venha a RALÉ ! – brasileira, amazônica, indígena, visceral, libertária, renascida como Fênix e inspirada em Gorki e Viveiros de Castro para acrescentar ao enorme e salutar mosaico da cinematografia brasileira a sensibilidade de Helena Ignez e as vivências e visões de mundo de toda a turma que vai compor sua impactante e urgente RALÉ.

Em companhia de Alice Gonzaga, Helena Ignez aproveitou a ida a Manaus para conhecer o antigo Cine Éden e defender sua reabertura.

Helena Ignez em visita ao atelier da artesã de jóias, Rita Prossi, em Manaus…

RIO, de Janeiro e de Cinema, agora tem cartão para atrair produções

Praias, montanhas, uma floresta tropical no meio da cidade, praças e monumentos inspirados na Belle Époque francesa, além de um vasto e razoavelmente preservado conjunto de construções coloniais portuguesas.

Esses atributos conferem ao Rio de Janeiro uma vocação natural de cenário de filmes e comerciais. Mas, para atrair mais produções do exterior e de outras cidades brasileiras, a estatal Rio Film Commission criou um cartão de descontos para uso das equipes que filmarem no Estado.

O cartão proporcionará preços menores em bares, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos, além de descontos no aluguel de equipamentos de filmagem e serviços ligados à produção.

Segundo o órgão, a iniciativa foi inspirada no modelo de Nova York e começará a valer em janeiro.

“Vamos incentivar a vinda de mais produções, num momento em que a cidade já atrai atenção pela Copa e pela Olimpíada”, diz Steve Solot, presidente da comissão.

Para obter o benefício, os produtores têm de se cadastrar no site do órgão (www.riofilmcommission.rj.gov.br ). Empresas que quiserem dar descontos terão de fazer o mesmo.

Para Silvia Rabello, vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual, a ideia atrairá mais produções ao reduzir custos.

Solot diz que já está em contato com empresas integrantes do cadastro de fornecedores da comissão para estimulá-las a conceder benefícios. “Mas cada uma define seu percentual de desconto.”

A comissão ajuda ainda na escolha das locações e na negociação para liberação de filmagens em áreas públicas.

O órgão mantém edital de apoio anual de R$ 1 milhão, dividido em quatro cotas. São sempre selecionadas duas produções estrangeiras e duas de outros Estados.

Em 2010, o longa contemplado foi Uma Noite no Rio, coprodução da EH Filmes (Rio) e Nuts Lloyd (EUA).

Para rodar no país, as estrangeiras têm de estabelecer coproduções locais ou contratar serviços daqui.

Em 2009, foram rodadas 88 produções estrangeiras no Rio. Em 2011, o número subiu para 92.

Arrastão BAGÉ: porque a cidade virou território de Cinema !

Estávamos todos os dias nos jornais e rádios da cidade. A televisão também acompanhava a maratona de Cinema e a RBS TV – emissora mais conhecida pela repercussão nacional – nos deu apoio através de matérias e veiculação de vinheta promocional.

Os colunistas sociais mais destacados, como Gylmar de Quadros e Marcos Pinto (ambos também radialistas com programas de bastante audiência na rádio POP Rock) foram super receptivos ao festival e abriram generosos espaços para que a divulgação chegasse ao coração dos bajeenses.

Em outras rádios, como a Rádio Clube de Aristides Kússera e a Rádio Cultura, com Edgar Musa, também levantaram a bandeira do Festival de Cinema da Fronteira de forma super receptiva.

Os principais jornais O Minuano e Folha do Sul estamparam notícias diárias com o festival e, muitas vezes, deram ao evento o destaque da Primeira Página. E teve ainda a Zero Hora e o Classi SUL contribuindo para tornar Bagé a Capital Pampeana do Cinema na segunda quinzena deste dezembro onde Bagé foi o centro das atenções de cinéfilos, cinemeiros, estudiosos, produtores, jornalistas, artistas e interessados em Cinema, por qualquer razão.

Depois do III Festival de Cinema da Fronteira, Bagé nunca mais será a mesma em termos de Arte & Cultura, e isso será sempre devido à sensibilidade e disposição do prefeito Dudu Colombo e à laboriosa equipe da Secretaria de Cultura de Bagé.

Noite de EMOÇÃO – Jean-Claude Bernardet recebe Homenagem das mãos da atriz Arly Arnaud: reecontro feliz promovido pelo Cinema da Fronteira…

A realização do Festival veio somar-se às muitas e oportunas ações que marcam o Bicentenário de Bagé, agregando valores e somando esforços pra tornar o município ainda mais rico em Patrimônio Histórico e Artístico, evidenciando o enorme potencial que a cidade registra em termos de Cultura e de pioneirismo, em várias áreas.

Pelas ruas, o folder com a programação diária, cartazes e pessoas indagando sobre o festival, nos cumprimentando e felicitando pela realização do III Festival de Cinema da Fronteira.

Em dia de Cinema no Rádio: Luciano Madeira, Zeca Brito, Aristides Kússera e Sapiran Brito falam sobre o Festival…

Foi assim o clima em Bagé, agradável cidade na quase fronteira com o Uruguai, durante a semana de 10 a 17 de dezembro deste 2011, que já  anuncia seu final e sinaliza dias pródigos para a Sétima Arte naquele município do Pampa gaúcho.

Ator Danny Gris, voz oficial do Festival, em momento de gravação com Marcos Gliosci…

O Festival foi mais uma realização da Prefeitura Municipal de Bagé, através de sua Secretaria de Cultura, e marcou de forma intensa e qualificada a agenda sócio-cultural do município.

Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet: Sétima Arte super bem representada…

As jornalistas Aurora Miranda Leão e Adriana Niemeyer: ambas Curadoras de Cinema,  em Bagé e Lisboa…

Comissão julgadora da Mostra BiNacional: involuntariamente, a tradução da sensibilidade feminina…

Leonardo Machado: além de Mestre de Cerimônia, ator encantou com sua bela voz e animou a noite no “Garajão do Sapiran”…

Ingra Liberato esbanjou simpatia e fez bonito na cerimônia de encerramento…

MESSI: Melhor do mundo de novo. Nós apostamos !

Craque argentino concorre a terceiro título de melhor do mundo da Fifa e pode igualar marca de Zidane e Ronaldo

 

Messi:destaque do Barcelona do título do Mundial de Clubes sobre o Santos (Getty Images) 

 

No Barcelona desde 2008, o jogador brasileiro Daniel Alves tem tido a chance de acompanhar de perto as peripécias de Messi. E por conhecer tão bem seu companheiro, o lateral acredita que o argentino vencerá pela terceira vez consecutiva o prêmio de Bola de Ouro da Fifa, a ser entregue em cerimônia realizada em Zurique, em 9 de janeiro próximo. E ainda projeta mais troféus para o camisa 10 do Barça.

“Não tenho palavras para falar de MESSI. É um privilégio e um luxo poder jogar a seu lado. Ganhará esta Bola de Ouro e pelo menos mais duas”, declarou Daniel Alves, que ganhou folga do técnico Pep Guardiola para curtir as férias no Brasil.

MESSI: será que alguém duvida da maestria do artilheiro do Barça ?

Caso MESSI bata Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, e o companheiro Xavi na eleição de melhor do mundo, ele igualará os três títulos de Zidane e Ronaldo. Para isso, o argentino tem a seu favor os três títulos que o Barça conquistou em 2011: Campeonato Espanhol, Liga dos Campeões e Mundial de Clubes da Fifa.

“Já ganhamos três títulos em 2011 e queremos mais”, disse Daniel Alves. “O balanço da primeira metade da temporada é positivo e temos que continuar com a mesma fome de títulos”, completou o brasileiro.

Henilton Menezes: Cultura do Ceará em link com o Brasil e 20 anos da Lei Rouanet…

LEI ROUANET – 20 ANOS DEPOIS

                                                                    * Henilton Menezes 

No último dia 23 de dezembro, a Lei Rouanet fez 20 anos. Promulgada pelo então Presidente Collor, foi recebida como única possibilidade de avanço do setor cultural brasileiro, depois do nefasto desmonte de nossas instituições e transformação do Ministério em uma secretaria, ligada à Presidência da República. No pior momento da cultura brasileira no Governo Federal, era sancionada uma lei que viria a ser o principal mecanismo de financiamento da cultura brasileira.

Durante muitos anos, e especialmente nos últimos meses, esse mesmo mecanismo tem sido objeto de debate, em especial, na mídia e nas redes sociais. E muitos equívocos estão sendo ditos e escritos, resultados de desconhecimento e de uma visão míope sobre sua finalidade e seu funcionamento. Em muitos casos, veiculam-se dados errados, compõem-se informações sem qualidade, publicam-se críticas negativas, escritas por quem desconhece o mecanismo, com o intuito, parece, de confundir a opinião pública ou de mostrar que a lei é a vilã dos incentivos fiscais no Brasil. 

O Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio: acervo preservado por força de lei…

A Lei Rouanet criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos suficientes para estimular a produção e difusão de bens culturais, preservar patrimônios materiais e imateriais, proteger o pluralismo da cultura nacional e facilitar o acesso às fontes de cultura. Esses recursos são viabilizados a partir do investimento de pessoas físicas e jurídicas que utilizam um pequeno percentual de seu imposto de renda em ações culturais, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC). 

Outras formas de incentivos fiscais são também oferecidas pelo Governo Federal em quase todos os segmentos da economia brasileira. A indústria automobilística, por exemplo, obtêm volumosos lucros a partir dos incentivos fiscais destinados à fabricação de automóveis populares. O setor agrícola, muito justamente, também obtém resultados a partir da injeção de recursos públicos, mediante políticas de financiamentos a juros subsidiados ou garantia de preços mínimos. Ambos os casos estão dentro da legalidade. Por que, então, o segmento cultural é visto com tamanho preconceito? Por que a cultura não pode também se valer de incentivos fiscais para buscar seu desenvolvimento? O que existe de ilícito se, como outros setores, geramos renda, criamos emprego, fazemos girar a economia nacional ? Ressalte-se que, ao contrário de outros incentivos fiscais, muitas vezes definidos por decretos, ou medidas provisórias, a Lei Rouanet foi discutida, votada e aprovada no parlamento brasileiro, e continua em pleno vigor. 

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo: patrimônio cultural que dá visibilidade internacional ao país…

Apesar de ser pequeno o volume de recursos de incentivos fiscais destinados à cultura – cerca de 1,5% de todo o incentivo fiscal federal – ao contrário do que se comenta, o Governo tem avançado muito na destinação desses valores para o setor. Em 2003, foi destinado à renúncia fiscal para a cultura o valor de R$ 135 milhões. Em 2011, esse valor chegou a R$ 1.350 milhões, um aumento de 1.000% em 8 anos. Nesse período (2003-2011), foram destinados 5,9 bilhões para a Lei Rouanet. Somente em 2010, foram captados R$ 1.160 milhões, atendendo apenas 24,61% de toda a demanda brasileira por esses incentivos, que atingiu o montante de R$ 4.715 milhões. Nesse mesmo ano, o MinC recebeu 10.256 propostas de ações em busca de recursos, vindo de todos os estados brasileiros. 

O Pronac é o mais transparente mecanismo de incentivos fiscais do Brasil. Todos os projetos incentivados estão publicados na internet, com nomes dos beneficiários, valores aprovados e captados, constando ainda a situação de cada um deles, inclusive da prestação de contas. O processo de análise das propostas, realizado em várias instâncias, desde o crivo de peritos terceirizados, profissionais da sociedade civil que atuam no mercado, é transparente e público. As sessões plenárias da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que acontecem nas cinco regiões brasileiras, são transmitidas ao vivo, pela internet, podendo ser acompanhadas por qualquer um, em qualquer lugar. Todos os processos estão detalhados no site do MinC e podem ser acessados, inclusive fisicamente, por qualquer cidadão brasileiro. 

O Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, um dos beneficiados pela Lei Rouanet…

A importância desse mecanismo para o Brasil é visível e inquestionável. Vinte anos depois, o cenário cultural brasileiro é outro. E foi com o auxílio dos recursos oriundos dessa Lei que milhares de ações culturais se realizaram, mantiveram-se e prosperaram. 

A manutenção de instituições culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil, Museu de Arte de São Paulo e Museu de Arte Moderna, Fundação Iberê Camargo, Museu Oscar Niemeyer, Instituto Cultural Itaú, Museu Asas de um Sonho, Academia Brasileira de Letras, Museu do Futebol e Museu da Língua Portuguesa. As publicações de revistas culturais como Bravo, Cult, Continente Multicultural, Aplauso e Revista de História. Intervenções de preservação de bens materiais edificados, como o Theatro Municipal e Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro; o Teatro São Pedro, em Porto Alegre; o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.  Eventos tradicionais na área de audiovisual, responsável pela movimentação turística de dezenas de cidades brasileiras, como o CINE PE, em Recife; o Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís; o Festival de Gramado; o Cine Ceará, em Fortaleza; o Festival de Cinema de São Paulo; o Festival de Cinema de Brasília do Cinema Brasileiro. Eventos literários, de indiscutível repercussão nos lugares onde se realizam, como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Feira do Livro de Porto Alegre, a Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Importantes eventos de artes visuais, como Bienal de São Paulo e Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. A manutenção de escolas de formação continuada: o Clube do Choro de Brasília, a maior escola de choro brasileiro; a escola de Dança e Integração Social para a Criança e o Adolescente (Edisca), no Ceará, que inclui jovens em situação de risco pela dança; o Instituto Baccarelli, escola de música encravada em Heliópolis, a mais populosa favela de São Paulo; o Instituto Olga Kos, projeto que inclui crianças e adolescentes com síndrome de down, através das artes visuais; o Projeto Música para Todos, escola de música em Teresina, que forma anualmente centenas de profissionais. A formação e manutenção de importantes orquestras, como a Osesp, a Osba, a Orquestra Sinfônica de Teresina, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. 

A Cia. de Déborah Colker: projeção internacional pra Cultura Brasileira…

Quase todo o movimento teatral das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, com montagem e circulação de grandes produções, incluindo musicais de indiscutível qualidade, recebem o apoio da Lei Rouanet. Ações de preservação do patrimônio imaterial, como as festas juninas do Nordeste, o Festival de Parintins, no Amazonas, o Festival de Circo do Brasil, realizado em Pernambuco. Promoção de editais públicos dos grandes patrocinadores como Petrobrás, Eletrobrás, Natura, BR Distribuidora, esse último promovendo a possibilidade inédita de circulação de grandes espetáculos de teatro pelas 27 unidades da federação. A manutenção de grupos de arte, com trabalhos reconhecidos, como o Teatro Oficina, o Grupo Galpão, o Grupo Corpo, a Cia Quasar de Dança, Cia. de Dança Deborah Colker. E por que não, a promoção de grandes eventos nacionais, como o Rock In Rio, o BMW Jazz Festival, o Festival Jazz & Blues do Ceará, a Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo), o Encontro Cariri de Arte e Cultura, no Ceará, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco, o Festival de Teatro de Curitiba, Carnavais do Rio de Janeiro, de Pernambuco e da Bahia, ações geradoras de emprego e renda, que movimentam a economia brasileira de uma forma ainda não medida com a precisão que dê realce a sua importância no nosso País. 

O magnífico espetáculo dos Bois, em Parintins…

É claro que a Lei Rouanet pretendia ser, na época do desmonte das nossas instituições, a panaceia da cultura brasileira. Não foi. Hoje, é necessário e imprescindível que se pense em outras formas de financiamento. Com esse foco, foi criada a Secretaria da Economia Criativa, uma iniciativa da atual gestão do MinC, que vem ao encontro dessa busca por novos caminhos, ampliando as possibilidades de desenvolvimento sustentável da cultura brasileira, de forma complementar ao mecanismo existente.

Grupo Galpão: riqueza teatral, de Minas para embelezar o mundo…

 A Lei está em vigor e, por isso, o MinC tem buscado melhorias em seu funcionamento, simplificando processos, consolidando normativos, automatizando procedimentos, qualificando profissionais que operam o Programa, aperfeiçoando as funções da CNIC e implantando melhorias na metodologia de acompanhamento e avaliação de projetos. Tudo isso feito com diálogo intenso com as classes artísticas, produtores culturais e investidores. 

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém: maior teatro ao ar livre do mundo, tradição que se renova e a cada ano arregimenta mais público…

Decerto, a um mecanismo que tem 20 anos, faz-se necessária e oportuna sua revisão e atualização. O conceito de cultura brasileira é hoje muito mais amplo do que a Lei Rouanet alcançou em 1991.  Por isso também o MinC encaminhou um Projeto de Lei (PL), uma  proposta de mudança da legislação. Esse PL é hoje amplamente discutido com a sociedade, a partir de provocações do parlamento brasileiro, em iniciativas democráticas e republicanas. Precisamos melhorar esse mecanismo, enfrentando, definitivamente, os problemas ainda existentes e avançando na melhor distribuição territorial dos recursos, na possibilidade de acesso igual por todos os segmentos e no fortalecimento do Fundo Nacional da Cultura, recursos que devem permitir que o MinC financie ações e setores invisíveis aos investidores que se utilizam do incentivo fiscal. 

Depois de 20 anos, a cultura brasileira deve muito à Lei Rouanet. Por isso mesmo, enquanto não temos outro mecanismo, mais justo e mais contemporâneo, temos todos a obrigação de aperfeiçoa- lá, melhorando sua gestão e qualificando o debate em torno do tema. 

HENILTON MENEZES *
Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, do MinC

Henilton Menezes: amigo querido, profissional respeitado, ele tornou as ações culturais do Banco do Nordeste exemplo para o país e foi convidado para o Ministério da Cultura. Torcemos pra que consiga a nível nacional algumas vitórias tão importantes quanto as que conseguiu para o Banco sediado no Ceará, que se tornou modelo de gestão nacional em termos de Cultura…

Djin Sganzerla arranca aplausos e provoca nova temporada de O Belo Indiferente…

Amor/insegurança/rejeição, que provocam ciúme, solidão e uma carência angustiada e angustiante; a complexidade e dor lancinante da indiferença na parceria amorosa

Estes os temas centrais do clássico de Jean Cocteau que a atriz Djin Sganzerla interpreta com atuação visceral e digna de grandes elogios…

Escrita para ser interpretada pela Diva Edith Piaf por um dos mais originais artistas franceses de todos os tempos, Jean Cocteau, a montagem de O Belo Indiferente, protagonziada pela atriz Djin Sganzerla fez tanto sucesso de público e crítica, que o SESC Consolação convidou a atriz para continuar a vitorisoa temporada no ano que se avizinha.

Fruto da auspiciosa parceria artística entre o diretor André Guerreiro LopesDjin Sganzerla, criadores do núcleo teatral Lusco-Fusco, o espetáculo retrata a situação de uma mulher em crise que, durante a madrugada, espera seu amor num quarto de hotel…
Com direção de André Guerreiro Lopes e Helena Ignez, mãe de Djin, o monólogo mostra uma cantora em fúria e seu amante indiferente: é a história de uma paixão obsessiva.

“Nestes tempos de saturação de telenovelas e reality shows, fugimos de um enfoque naturalista para retratar a situação de uma mulher em crise e seu amante num quarto de hotel. Ao invés de trazer para os dias de hoje, buscamos o que existe de profundamente humano neste amor obsessivo, numa montagem que combine a veracidade emocional da atriz e desdobramentos de níveis metafóricos na encenação”, conta o diretor.

Co-diretora, Helena Ignêz, interpretou a mesma personagem nos anos de 1990, dirigida por seu marido, o cineasta Rogério Sganzerla.

Além dela, O Belo Indiferente ganhou nos anos 80 e 90 atuações marcantes como as de Glauce Rocha e Maria Alice Vergueiro, e carece de releituras contemporâneas, que levem o riquíssimo universo de Cocteau ao público de hoje.

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Com beleza singular e enigmática, e impressionantes traços com a mãe, Djin Sganzerla lançou-se neste desafio e fez bonito: crítica e público aplaudiram e pedem Bis…

A peça ficou dois meses em cartaz no Sesc Consolação (Espaço Beta) e volta ao aconchegante espaço paulista a partir do dia 5 de janeiro. 

 

Confira o que disse a crítica:

Um dos grandes desafios de um encenador é fazer um texto clássico parecer o mais contemporâneo possível. Levar o espectador a se identificar com a história a ponto de acreditar que ela pode ocorrer na vida real tornou-se árdua tarefa. Escrito em 1940, o monólogo dramático “O Belo Indiferente”, do francês Jean Cocteau (1889-1963), ganha uma montagem dirigida por André Guerreiro Lopes e Helena Ignez capaz de dialogar com o público justamente por não forçar a atualização. Há um descompromisso com a realidade, uma revigorante inspiração na estética retrô e, sobretudo, uma protagonista em constante desequilíbrio emocional.

Intensa, a atriz Djin Sganzerla (filha da também atriz e diretora Helena Ignez e do cineasta Rogério Sganzerla) alterna tristeza, desespero e perplexidade na pele de uma cantora à espera do amante madrugada adentro. A chegada dele (o ator Dirceu de Carvalho, a maior parte do tempo imóvel numa cadeira, lendo um jornal) aumenta a angústia e, mesmo que a mulher faça de tudo para chamar sua atenção, a comunicação entre os dois não se estabelece. Iluminado por neons, como os dos letreiros de boate, o Espaço Beta do Sesc Consolação se transforma num quarto de hotel do Baixo Augusta, da Lapa carioca ou da Paris dos anos 40. Pelo chão estão espalhados LPs, e alguns deles rodam em uma antiga vitrola, próximos a um fogão portátil de visual moderno. Djin circula pelo ambiente de atmosfera vintage como um misto de personagem de desenho animado (iluminada pela diversidade de cores) e heroína trágica prestes a dar cabo da própria vida. 

* Dirceu Alves Jr. para a VEJA

 

Portanto, se você ainda não viu Djin Sganzerla em cena, não perca a chance de ver esta bela e aplaudida atriz em cena (provando Talento e Vocação, e esbanjando beleza e sensualidade em cena – predicados que traz do berço):

 

DJIN retorna ao palco do SESC Consolação dia 5 de janeiro interpretando a cantora que vive as dores do amor não correspondido em texto clássico de Jean Cocteau.

Parabéns ao SESC Consolação pela instigante iniciativa de manter em cartaz espetáculo tão elogiado e importante, a preço tão popular: os ingressos custam apenas R$ 10,00… vamos ao TEATRO !

Um Feliz NATAL pelos versos do poeta Miguel Jorge…

 O Aurora de Cinema deseja um feliz natal a seus amigos e fiéis leitores, “pegando carona” na sensibilidade do Poeta Miguel Jorge …

 

                     Natal Sobre a Mesa

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   O  Natal é mais do que a casa.

                            Não. O Natal é menos que a casa.

                            Apenas um ato. Um fato. Uma barganha.

                            A paz desejada por uma noite, um tempo.

                            Investigação de espírito sobre as mais

                            Tenras mentiras. A alma posta, nua, sobre

                            A mesa que abriga tantos e passados vendavais.

                           Imagino outros Natais. O corpo ainda pequeno

                            Povoado de estrelas. Imagino os cantos, as vozes

                            Enormes impressas na memória. Difícil, agora, não

                            Estar ferido pelas sutilezas dos sonhos. Dormindo,

                            Vejo mais. O Natal sobre a mesa, como pequena massa

                            Do mundo ao alcance das mãos. Dormindo, vejo mais.

                            Sonhos sobre escombros. Imagino a leveza de outrora.

                           Flores, balões, a mesa posta: arroz, trigo e um velho Papai-Noel  acordado em mentiras.

                            Imagino o Natal sobre a mesa iluminado

                           Entre cabeças e vísceras. Joga-se o jogo da vida.

                          A sombra das palavras benditas.

                         Natalinfância adormecido em lembranças.

                        Os espelhos, não, estes lutam contra o tempo,

                        Simplesmente levam de volta nossas esperanças.

                        Tudo se abrasa dentro das casas, às escuras,

                        Crispam-se as belezas das imagens. Rodam os

                      Natais sobre as mesas, champanhe e nozes prenunciam

                      Felicidades. Mas o amor em sua realeza pesa sobre

                       Os corpos. Os copos. O vinho profundamente vivo,

                       A  estremecer bocas. O rigor do momento rapidamente

                        Se esvai ao sabor das carnes inscritas de véspera.  

                     Mãos se tocam de leve em profundas orações.

                    Pedaços de misericórdia, feito côdeas de pão saltam

                    Dos olhos acesos de glória. Agora, as palavras. As

                    Jamais pronunciadas. A língua sobre fios tristes da

                    Linguagem. Para se amar é preciso muita força nas

                   Palavras. Para se amar somam-se os mergulhos do

                 Mundo. Há precipícios no meio das estradas. O amor

                Sobe pelas paredes, igual aos rumores da tempestade.

                Levanta abraços e a delicadeza de se pensar em beijos.

               Por cima de tudo, sobre a mesa, a melancolia de Mais um Natal. A fuga das estrelas assombra a noite.

              Talvez uma tristeza contínua tocada pela ausência dos

             Que partiram. Há sempre um grito, um despertar de Vozes em meio aos sonhos enlouquecidos. Num Instante, a noite se dissolve. Abre-se o canto de

            Um novo dia.

 

              Há perfume de tédio no ar.

             Os pensamentos se extinguem

             Feito fogo, gestos perdidos

             Entre dedos. A mão do sol desce

             Sobre as sobras da mesa. Tudo ficará

             Renovado no próximo Natal, entre uma

              E outra floração de estrelas. 

                – Os olhos mortos do peru olham

                 De dentro da caixa repleta de lixo.

                Depois tudo voltará à normalidade.                                           Natal de 2011.

GRAFO abre inscrições para Festival Internacional em Curitiba…

As inscrições para o Olhar de CinemaFestival Internacional de Cinema de Curitiba estão abertas até 20 de março. O festival será realizado durante 7 dias, de 29 de maio a 4 de junho de 2012.

Durante 7 dias o festival exibirá, aproximadamente, 70 filmes de longa e curta metragem, distribuídos em mostra competitiva (nacional e internacional) e não competitiva. Além disso, o festival também oferecerá um seminário e 3 oficinas. A programação do evento é totalmente gratuita.

Para mais informações: 
www.olhardecinema.com.br
info@olhardecinema.com.br 
www.facebook.com/olhardecinema
@olhardecinema_

Produzido por Grafo Audiovisual 
grafoaudiovisual.com

Realização: Grafo Audiovisual | Ministério da Cultura | Governo Federal 
Patrocínio: Copel | Governo do Estado do Paraná | Conta Cultura 
Apoio: Estúdio Tijucas

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Submissions to Olhar de Cinema – Curitiba Int’l Film Festival are open, from December 1, 2011 to March 20, 2012. The festival will be held during 7 days, from May 29 to June 4 2012, in Curitiba, Brazil. During 7 days the festival will screen about 70 features and short films, divided in Competitive Programme (National and International) and Non-Competitive Programme. Also, the festival will offer a thematic seminar and 3 workshops. The Programme is totally free of charge to the public.

For more information: 
www.olhardecinema.com.br
info@olhardecinema.com.br 
www.facebook.com/olhardecinema
@olhardecinema_

Produced by Grafo Audiovisual 
grafoaudiovisual.com

Realized by: Grafo Audiovisual | Ministério da Cultura | Governo Federal 
Sponsors: Copel | Governo do Estado do Paraná | Conta Cultura 
Support: Estúdio Tijucas

Maio tem Semana ABC na Cinemateca…

Abertas as inscrições para o Prêmio ABC 2012

Até 29 de fevereiro, abertas inscrições para o Prêmio ABC 2012, as quais poderão ser feitas pelo site  www.abcine.org.br. Os finalistas do Prêmio ABC 2012 serão selecionados através de votação dos sócios da Associação Brasileira de Cinematografia.

Concorrerão todos os Longas-Metragens exibidos comercialmente em 2011, sendo escolhidos os cinco filmes mais votados nas categorias: Melhor Direção de Fotografia, Melhor Montagem,  Melhor Direção de Arte e Melhor Som. Também concorrerão ao Prêmio ABC 2012 os filmes inscritos nas categorias: Melhor Direção de Fotografia em Curta-Metragem, Filme Comercial, Programa de TV e Filme Estudantil. 

Os ganhadores do Prêmio ABC 2012 serão conhecidos dia 12 de maio, em cerimônia a ser realizada na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

receberam o prêmio, entre outros, os longas Tropa de Elite 2, de José Padilha; A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor; Os Famosos e Os Duendes da Morte, de Esmir Filhoa minissérie  Afinal, o que querem as Mulheres? de Luiz Fernando Carvalho; e o curta-metragem Haruo Ohara, de Rodrigo Grota. 

Desde 2001, a Semana ABC de Cinematografia reúne personalidades das diversas áreas da produção audiovisual, do Brasil e do exterior, em conferências, painéis e debates. Após a Semana, toda a programação é disponibilizada em streaming no site www.abcine.org.br. O grande momento do evento é a entrega do Prêmio ABC de Cinematografia, outorgado pelos associados em várias categorias (Melhor Direção de Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Montagem e Melhor Som) para o formato longa-metragem, além do prêmio de Melhor Direção de Fotografia nos formatos curta-metragem, publicidade, programa de TV e filme estudantil.


Sobre a ABC

A Associação Brasileira de Cinematografia, ABC, fundada em 2 de janeiro de 2000, reúne profissionais de cinema, especialmente diretores de fotografia, com o objetivo de incentivar a troca de ideias e informações para democratizar e multiplicar o aperfeiçoamento técnico e artístico da categoria.

Com mais de 300 associados, a ABC mantém várias listas on line, a principal delas de uso exclusivo dos sócios, e envia um Boletim Eletrônico para cerca de 2.000 assinantes. As listas representam um importante ponto de encontro entre os profissionais mais experientes, os iniciantes e os estudantes, que encontram on line informação atualizada sobre diversos temas de interesse.

A ABC publica, em conjunto com editoras, obras relevantes para a cinematografia, como o livro Expor uma História, de Ricardo Aronovich. A Associação é uma das fundadoras do Congresso Brasileiro de Cinema e associada da IMAGO, Federação Européia das Associações de Cinematografia. A ABC colabora também com estudos técnicos visando à qualidade das projeções no país, e suas Recomendações Técnicas vêm sendo adotadas pela ANCINE nos projetos de instalação de novas salas.

A ABC atua na área do direito autoral, seguindo a tendência de reconhecimento dos direitos legais de co-autoria nas obras audiovisuais, nos moldes já adotados em alguns países europeus.