Arquivo do dia: 15/01/2012

Inscrições para Festival Nacional de Teatro

FESTA 54 abre inscrições para grupos de todo o País
 


Arte, Política e Pensamento é tema do Festival Santista de Teatro

Grupos teatrais de todo o Brasil já podem se inscrever para participar do 54º Festival Santista de Teatro, o FESTA, que vai acontecer de 13 a 21 de abril. As inscrições são gratuitas e feitas online, pelo www.festivalsantista.com.br, onde consta o regulamento completo do festival, considerado um dos mais importantes do País. O prazo final é 31 de janeiro.

Todo o processo de inscrição é feito pela internet, exceto o envio da gravação do espetáculo, a ser feito via correio. Os espetáculos inscritos passarão por curadoria, e os selecionados serão anunciados em março.

 

Seguindo o tema Arte, Política e Pensamento, o formato do festival será semelhante ao último, realizado ano passado. Serão apresentados espetáculos nas categorias Adulto, Infantil e de Rua, de grupos de diferentes regiões do País e também da Baixada Santista. Debates, mesas-redondas, atividades formativas, performances e Mostra Paralela integram a programação, que contará ainda com o Quintal da Pagu, espaço instalado na Praça dos Andradas com apresentações musicais e intervenções culturais.

Como na última edição, é o público que vai escolher o valor dos ingressos, entre R$ 2 e R$ 10. A iniciativa objetiva facilitar o acesso às peças, além de valorizar o fazer teatral.

Novidade ano passado, o Intercâmbio Cultural será mantido no FESTA 54. Nele, 25 estudantes de artes cênicas serão selecionados para acompanhar o festival, com estada e alimentação garantidos. Além de terem a oportunidade de conhecer o FESTA e seus artistas, os intercambistas serão divulgadores do festival nas regiões onde vivem.

Mérito Cultural

PAGU, símbolo da transgressão, criou o FESTA nos anos de 1950

Em novembro passado, o Festival Santista de Teatro foi premiado pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural. O prêmio, concedido pelo Governo Federal a 51 artistas, grupos e festivais, colocou o festival ao lado de grandes representantes das nossas artes, como Beth Carvalho e O Tablado, grupo teatral de São Paulo. A homenageada da Ordem do Mérito Cultural foi Patrícia Galvão, a Pagu, criadora do FESTA, cuja primeira edição aconteceu em 1958. O festival teatral é considerado o mais antigo em atividade no país.

O FESTA 54 é realizado pelo Movimento Teatral da Baixada Santista, sob a coordenação geral de Caio Martinez, Leandro Taveira, Platão Capurro Filho e Sarah Atunes. 

Exibição de Documentários na TV

TV Câmara recebe inscrições para 2º Concurso

A TV Câmara está divulgando o segundo edital para comprar a licença de exibição de 42 documentários de média-metragem. A emissora vai pagar R$ 5.000,00 para ter o direito de exibir as obras audiovisuais em sua programação por 24 meses.

Os documentários, que não precisam ser inéditos nem serem exclusivamente exibidos pela TV Câmara, deverão ter duração mínima de 20 minutos e máxima de 59 minutos. Todas as regras para o concurso estão no Edital 01/2012 e em seus anexos, disponíveis para download em Word.

Cada realizador, pessoa física ou jurídica, poderá inscrever até três obras audiovisuais, sobre as quais detenha os direitos autorais. Os documentários inscritos deverão abordar um ou mais de um dos seguintes temas: comunicação, cidadania, educação, economia, humanidades, política ou saúde. As inscrições  são gratuitas, ficando abertas até 15 de fevereiro, e deverão ser feitas por meio postal.

Este é o segundo concurso para compra do direito de exibição de documentários realizado pela TV Câmara. No primeiro certame, em 2009, foram inscritas mais de 400 obras audiovisuais. Este concurso, juntamente com a realização, no último ano, do 1º. Pitching da TV Câmara, são iniciativas da emissora para valorizar e dar espaço às obras audiovisuais independentes e à produção regional, mostrando a diversidade da cultura nacional para todos os brasileiros.

Saudades de Nara Leão, a musa da Bossa Nova

O site ficou pronto na sexta passada, após três anos de pesquisa e batalha. Abrange dos anos 1940 (quando nasceu em Vitória, Espírito Santo, a cantora Nara Lofego Leão) aos anos 1980 (em 1989, sairia seu último disco, My Foolish Heart). “Isso precisava estar disponível pra quem quisesse conhecer ou rever a obra de Nara, já que a gravadora não relança os discos”, conta Isabel Diegues, filha de Nara com o cineasta Cacá Diegues, que bancou tudo sem ajuda de órgãos da cultura oficial nem uso de leis de incentivo.

 

É um trabalho colossal: todas as canções de Nara com as letras das músicas, fichas técnicas e textos dos encartes (além de fotos, gravações esparsas e textos diversos), à disposição de todo mundo. E como disse alguém no Twitter: já vem com a autorização do titular dos direitos autorais. Está tudo em www.naraleao.com.br.

“Em 19 de janeiro deste ano minha mãe faria 70 anos. E este é o meu presente, compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade”, disse Isabel, em email enviado anteontem a amigos e gente ligada à música. “Paramos muitas vezes no meio do caminho. Não tivemos apoio”, diz Isabel, que contou com ajuda da pesquisa de Frederico Coelho e com o design e a engenharia da 6D.

Influentíssima para diferentes intérpretes (como Ná Ozzetti) e gerações (uma de suas discípulas mais assíduas é Fernanda Takai), Nara foi extremamente politizada e consequente. Acreditava que “a canção popular pode dar às pessoas algo mais que a distração e o deleite”, pode ajudar a compreender melhor o mundo e levar o ouvinte a um nível mais alto de compreensão da realidade. Em 1966, sua opinião política, expressa em entrevista ao Diário de Notícias (a manchete foi “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”), causou “imensa repercussão e ameaças de prisão por parte do regime ditatorial”, lembra texto no site.

Nara Leão. Cheia de opinião, visionária, musa e antimusa - Reprodução

Nara Leão. Cheia de opinião, visionária, musa e antimusa 
 
 
 
Ameaçada de enquadramento na Lei de Segurança Nacional, amigos intelectuais, como Rubem Braga, Carlinhos de Oliveira e Carlos Drummond de Andrade, saíram em sua defesa. Drummond fez um poeminha para Nara, Imagens em Ão:“Se o general Costa e Silva/ já nosso meio chefão/ tem pinta de boa-praça/ por que tal irritação?”. 

A musa NARA Leão, ao lado de um dos grandes amigos, Chico Buarque

Nara estreou em disco em 1964. “Por incrível que pareça, a moça Nara Leão tem sido, desde os primeiros passos da bossa nova, uma espécie de musa do movimento”, escreveu Aloysio de Oliveira (cantor e produtor que integrou o Bando da Lua, grupo que acompanhou Carmen Miranda). Mas Aloysio ressaltava que, no primeiro disco, ela já surpreendia e fugia da bossa nova, migrando para um repertório variado que incluía músicas que nada tinham a ver com a bossa (compositores como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Kéti). Compositores da nova geração também compareciam na seleção (Carlos Lyra, Edu Lobo, Baden, etc.) “Mas mesmo desses ela se inclina para as composições de tendências puramente regionais”, continua Oliveira. “Nara procura fugir totalmente de sua personalidade de menina mansa, interpretando, embora de um modo moderno, e com a sua voz pura e inconfundível, aquelas músicas que ela escolheu e que provocam um estranho e agradável contraste.”

“Nara cantou Roberto Carlos e todas as músicas de que gostava, da Tropicália à cafonice, com açúcar e afeto, seus sonhos dourados em traduções de Gershwin, canções de protesto e canções infantis, carnavais e latinidades, temas dramáticos e bem-humorados, subindo morro e sempre, sempre, distante das modas”, escreveu Norma Couri no Estado, em 1998. “Ela sempre foi pioneira, quando foi musa da bossa nova e quando gravou o primeiro disco”, disse o biógrafo de Nara, Sérgio Cabral. “Sempre descobrindo as novas tendências antes de todo mundo, antes mesmo da música popular.”

Nara Leão realizou seu último show em uma miniturnê por cidades do Norte do País, apresentando-se em março no Iate Clube de Belém do Pará. No dia 7 de junho de 1989, morreu na Casa de Saúde São José, Rio de Janeiro. “No fim das gravações de My Foolish Heart, Nara já estava doente e teve dificuldade de botar voz em algumas faixas. Não dá para perceber. Como em todas as suas gravações, sua voz aparece limpa, detalhista, amorosa”, escreveu Arthur Xexéo, sobre o último disco.

PRECIOSIDADES

Poeminha
Site traz boletins, textos ficcionais e avaliações escolares. Há um poema em prova de português de Nara no Colégio Mello e Souza, em 1948, Nota: 9,5

Opinião
Um dos documentos expostos no site é o programa original do show no Teatro Opinião, em 1964, com João do Vale e Zé Keti, dirigido por Augusto Boal

Baile
Entre as fotos mais raras, Nara dança com o pai Jairo em sua formatura, em 1954

Oraiô
Foto mostra a cantora com Menescal no Japão, em 1984

* Matéria de Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo