Arquivo do dia: 13/02/2012

Banda Repolho, Panarotto e as muitas Artes em Santa Catarina

O cineasta, músico, poeta e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Teoria Literária e doutorando no mesmo assunto, além de boa-praça, Demétrio Panarotto me presenteou com três belos exemplares de sua diversificada expressão artística, os quais tenho agora a alegria de dividir com você, leitor que acompanha cotidianamente o Aurora de Cinema:

O documentário Cerveja Falada, o livro de poesias 15’39” , e o disco Volume 3 da banda Repolho.

No Cerveja Falada, que conquistou alguns prêmios em festivais de cinema, Panarotto tem na direção a companhia dos amigos Guto Lima e Luiz Henrique Cudo. A produção é da Exato Segundo. O trabalho (que tem versão também em média-metragem) conta a história de um antigo fabricante de cerveja, a Canoinhense, o senhor Rupprecht Loeffler, lúcido em seus mais de 90 anos (falecido pouco depois das filmagens mas ainda vivo ao tempo de lançamento do documentário).

Um trabalho bem produzido e tocante. Merece ser visto, sobretudo pelos que apreciam a lourinha gelada

Na série Alpendre de Poesia (coordenada pelos escritores Carlos Augusto Lima e Manoel Ricardo de Lima), Demétrio nos ofertou o instigante 15’39”, lançado pela Editora da Casa e trazendo sua veia poética, antecedida por palavras de Italo Calvino:

“Além do mais, começar a assistir a um filme após seu início fazia parte do bárbaro costume generalizado dos espectadores italianos, que persiste até hoje. Podemos dizer que, já naquele época, usávamos as técnicas narrativas mais sofisticadas do cinema atual, rompendo o fio temporal da história para transformá-la em quebra-cabeça que deve ser montado pedaço por pedaço ou aceito na forma de corpo fragmentado“.

E os poemas de Demétrio Panarotto em 15’39” são assim, qual peças do jogo citado por Calvino para que a inteligência, perspicácia e sensibilidade de cada leitor vá montando conforme o impulso da vontade.

Tipo assim:

relógios apagados nas paredes –

vida morta ao lado dos

quadros que imitam pintores

impressionistas –

quem foi que apagou tudo ?

 

o silêncio revela o prometido e

a pergunta veio do banheiro

 

depois dela um meio-silêncio

a impressão não podia tomar

outros ares

 

só quando saíram se

deram conta

:

o acaso também

 podia ser maquiado

ajoelharam para rezar

chão irregular

desistiram

 

seguiram

 ajoelhando

desistindo e tomando cuidado

onde pisavam sem

olhar para frente

 

uma pulga corria

atrás da orelha de Van Gogh

dobrava à esquerda na

avenida principal

não respeitava placas e

semáforos e

acidentava-se

com os versos de

um desconhecido

Demétrio Panarotto: Arte de Santa Catarina para o mundo…

Quanto ao CD da REPOLHO, a longa estrada da banda de Chapecó (Santa Catarina) – estão entrando nos 21 – fazendo um som bem sarcástico, de levada autoral e ‘despretensiosa’, irreverente, bem humorado e com tiradas inteligentes prova que também há espaço e público pra quem foge do trivial e aposta em intervenções artísticas que possam ‘sacudir’ o marasmo da plastificação musical, ou por outra, a indústria PET da música pra vender…

Vale a pena conhecer e ouvir a REPOLHO… Bons músicos, bom som e ótimo astral !

Saravá !

Eles contam:

“Estamos mais velhos, rabugentos, sem vontade de tocar, cansados de fazer a mesma coisa, tocar as mesmas musicas, pras mesmas pessoas e nos mesmos lugares e não gostamos de datas comemorativas.  Também não somos os Rolings Stones que pode se dar o luxo de levar uma ambulância junto nos shows caso aconteça algo com os velhos que ficam se sacudindo no palco. […]

 

Conheça um pouco mais a banda REPOLHO:

A BANDA REPOLHO existe desde 1991. Durante a década de 90 gravou três demo tapes: Chapô a Galeria, E a Horta da Alegria, e Campo e Lavora. Lançou o primeiro CD em 1997, produzido por Marcelo Birck e Thomas Dreher, intitulado Vol. 1. No segundo trabalho, Vol.2, gravado entre 1998 e 1999, e lançado em 2001, contou novamente com a produção de Marcelo Birck em 13 das dezessete faixas, as outras quatro foram produzidas por Edu K. Na entre safra para o Vol.3, a banda lançou um compacto duplo em vinil com quatro faixas temáticas, intitulado, Sorria Meu Bem. O Repolho Vol.3, produzido a partir de uma parceria entre os irmãos Dreher e os Irmãos Panarotto, foi lançado em 2006.

Os Irmãos Panarotto lançaram ainda, paralelo ao trabalho da banda, em meio a essa confusão entre o Vol.2 e Vol.3, um outro trabalho: Banda Repolho apresenta Irmãos Panarotto em: “2Violão e 1Balde”. Na estrada há mais de quinze anos e com um trabalho (desde sempre) inserido na cena independente, a Banda Repolho aos poucos vem conquistando um público fiel no cenário brasileiro. O terceiro disco (que conta com a participação de Wander Wildner, Júpiter Maçã, Diego Medina, Leandro Blessmann e de alguns dos integrantes das bandas Os Massa e Jeans…) é uma espécie de consolidação deste trabalho que tem um pé calcado na riqueza cultural do interior brasileiro e um outro nas constantes transformações que a tecnologia oferece: COLONAGEM CIBERNÉTICA é o termo que os integrantes da banda utilizam para definir esse estilo musical irreverente e marcante que acompanha o trabalho.’

E pra alegria geral da torcida do Verdão [que não é o Palmeiras], além desses álbuns citados acima, a banda Repolho lançou o 4º Album: Repolho Vol. 4. e o Sorria meu bem, além de algumas participações em coletâneas.

A Repolho é formada por Demétrio Panarotto (guitarra e vocais), Roberto Panarotto (vocais), Marcelo Mendes (baixo) e Andreson Bird Gambatto (bateria).

‘O Artista’ é o grande vencedor do BAFTA

O documentário britânico Senna, do diretor londrino Asif Kapadia sobre o piloto brasileiro de Fórmula 1, venceu os prêmios da Academia Britânica para as Artes do Cinema e a Televisão (Bafta) – maior prêmio cinematográfico do Reino Unido – de melhor documentário e edição.

SENNA conta a trajetória esportiva do tricampeão mundial, que morreu aos 34 anos, em 1994, num acidente no Grande Prêmio de San Marino.

O documentário aborda principalmente sua rivalidade com o francês Alain Proust e os problemas de segurança da F1 na época.

O filme, de 104 minutos e feito a partir de imagens de arquivo, algumas delas inéditas, também levou o prêmio de melhor edição, que foi entregue para Gregers Sall e Chris King.

  Divulgação  
O piloto Ayrton Senna anda de jet-ski durante férias em seu sítio na cidade de Tatuí, em imagem que faz parte do documentário "Senna"
Ayrton Senna anda de jet-ski em seu sítio na cidade de Tatuí, em imagem que faz parte do documentário “Senna”

Mas o grande vencedor foi O Artista:  o longa levou os prêmios de Melhor Filme, diretor, roteiro original, ator, trilha sonora e figurino.

Meryl Streep ('A dama de ferro') e Jean Dujardin ('O artista), escolhidos melhor atriz e ator no Bafta (Foto: Reuters)Meryl Meryl Streep (‘A dama de ferro’) e Jean Dujardin (‘O artista), escolhidos melhor atriz e ator no Bafta (Foto: Reuters) 

Os premiados do BAFTA:

Melhor filme
O artista
Os Descendentes
Drive
Histórias Cruzadas
O Espião que Sabia Demais

Melhor diretor
Michel Hazanivicous – O artista
Nicolas Winding Refn – Drive
Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret
Tomas Alfredson – O Espião que Sabia Demais
Lynne Ramsay – Precisamos falar sobre o Kevin

Melhor longa animado
As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne
Operação Presente
Rango

Melhor ator
Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo
Gary Oldman – O Espião que Sabia Demais
George Clooney – Os Descendentes
Jean Dujardin – O artista
Michael Fassbender – Shame 

Melhor atriz
Bérénice Bejo – The Artist
Meryl Streep – A Dama de Ferro
Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn
Tilda Swinton – Precisamos falar sobre o Kevin
Viola Davis – Histórias Cruzadas

Melhor ator coadjuvante
Christopher Plummer – Toda Forma de Amor
Jim Broadbent – A Dama de Ferro
Jonah Hill – O Homem Que Mudou o Jogo
Kenneth Branagh – Sete Dias com Marilyn
Philip Seymour Hoffman – Tudo pelo Poder

Melhor atriz coadjuvante
Carey Mulligan – Drive
Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
Judi Dench – Sete Dias com Marilyn
Melissa McCarthy – Missão Madrinha de Casamento
Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

Melhor filme britânico
Sete Dias com Marilyn
Senna
Shame
Precisamos falar sobre o Kevin
O Espião que Sabia Demais

Melhor filme britânico de estreia de um roteirista, diretor ou produtor
Attack the Block – Joe Cornish (Diretor/Roteirista)
Black Pond – Will Sharpe (Diretor/Roteirista), Tom Kingsley (Diretor), Sarah Brocklehurst (Produtora)
Coriolanus – Ralph Fiennes (Diretor)
Submarine – Richard Ayoade (Diretor/Roteirista)
Tyrannosaur – Paddy Considine (Diretor), Diarmid Scrimshaw (Produtor)

Melhor filme em lingua não-inglesa
Incendies (Canadá)
Pina (Alemanha/França/Reino Unido)
Potiche – Esposa Troféu (França)
A Separação (Irã)
A Pele Que Habito (Espanha)

Melhor roteiro original
Michel Hazavanicious – O artista
Annie Mumolo, Kristen Wiig – Missão Madrinha de Casamento
John Michael McDonagh – O Guarda
Abi Morgan – A Dama de Ferro
Woody Allen – Meia-Noite em Paris

Melhor roteiro adaptado
Jim Rash, Nat Faxon, Alexander Payne – Os Descendentes
Tate Taylor – Histórias Cruzadas
George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon – Tudo pelo Poder
Aaron Sorkin, Steve Zaillian – O Homem Que Mudou o Jogo
Bridget O’Connor, Peter Straughan – O Espião que Sabia Demais

Melhor documentário
Martin Scorsese – George Harrison: Living In The Material World
James Marsh, Simon Chinn – Project Nim
Asif Kapadia – Senna

Melhor trilha sonora original
Ludovic Bource – O artista
Trent Reznor & Atticus Ross – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Howard Shore – A Invenção de Hugo Cabret
Alberto Iglesias – O Espião que Sabia Demais
John Williams – Cavalo de Guerra

Melhor fotografia
O artista
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
O Espião que Sabia Demais
Cavalo de Guerra

Melhor edição
The Artist
Drive
A Invenção de Hugo Cabret
Senna
O Espião que Sabia Demais

Melhor design de produção
The Artist
Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
O Espião que Sabia Demais
Cavalo de Guerra

Melhor figurino
O artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
O Espião que Sabia Demais
Sete Dias com Marilyn

Melhor som
The Artist
Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
O Espião que Sabia Demais
Cavalo de Guerra

Melhores efeitos visuais
As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne
Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Planeta dos Macacos – A Origem
Cavalo de Guerra

Melhor maquiagem
The Artist
Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
A Dama de Ferro
Sete Dias com Marilyn

Melhor curta animado
Abuelas
Bobby Yeah
A Morning Stroll

Melhor curta
Chalk
Mwansa The Great
Only Sound Remains
Pitch Black Heist
Two and Two

Senna leva Bafta (Foto: Reuters)

Produtores do documentário Senna levam o Bafta (Foto: Reuters)

IBAC celebra 8 anos fazendo Arte e Cultura

Quem ajuda a divulgar é a artista Angela Oskar:

Parabéns a toda a comunidade IBAC, seus apoiadores e amigos, os quais, de alguma forma, contribuem para preservar a MEMÓRIA DA ARTE E DA CULTURA do BRASIL, um dos maiores objetivos do IBAC.

A bela ilustração inserida neste post é da artista Angela Oskar (  “Roda de Samba”, extraída da tela “Saudosa Maloca”).

 

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