Banda Repolho, Panarotto e as muitas Artes em Santa Catarina

O cineasta, músico, poeta e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Teoria Literária e doutorando no mesmo assunto, além de boa-praça, Demétrio Panarotto me presenteou com três belos exemplares de sua diversificada expressão artística, os quais tenho agora a alegria de dividir com você, leitor que acompanha cotidianamente o Aurora de Cinema:

O documentário Cerveja Falada, o livro de poesias 15’39” , e o disco Volume 3 da banda Repolho.

No Cerveja Falada, que conquistou alguns prêmios em festivais de cinema, Panarotto tem na direção a companhia dos amigos Guto Lima e Luiz Henrique Cudo. A produção é da Exato Segundo. O trabalho (que tem versão também em média-metragem) conta a história de um antigo fabricante de cerveja, a Canoinhense, o senhor Rupprecht Loeffler, lúcido em seus mais de 90 anos (falecido pouco depois das filmagens mas ainda vivo ao tempo de lançamento do documentário).

Um trabalho bem produzido e tocante. Merece ser visto, sobretudo pelos que apreciam a lourinha gelada

Na série Alpendre de Poesia (coordenada pelos escritores Carlos Augusto Lima e Manoel Ricardo de Lima), Demétrio nos ofertou o instigante 15’39”, lançado pela Editora da Casa e trazendo sua veia poética, antecedida por palavras de Italo Calvino:

“Além do mais, começar a assistir a um filme após seu início fazia parte do bárbaro costume generalizado dos espectadores italianos, que persiste até hoje. Podemos dizer que, já naquele época, usávamos as técnicas narrativas mais sofisticadas do cinema atual, rompendo o fio temporal da história para transformá-la em quebra-cabeça que deve ser montado pedaço por pedaço ou aceito na forma de corpo fragmentado“.

E os poemas de Demétrio Panarotto em 15’39” são assim, qual peças do jogo citado por Calvino para que a inteligência, perspicácia e sensibilidade de cada leitor vá montando conforme o impulso da vontade.

Tipo assim:

relógios apagados nas paredes –

vida morta ao lado dos

quadros que imitam pintores

impressionistas –

quem foi que apagou tudo ?

 

o silêncio revela o prometido e

a pergunta veio do banheiro

 

depois dela um meio-silêncio

a impressão não podia tomar

outros ares

 

só quando saíram se

deram conta

:

o acaso também

 podia ser maquiado

ajoelharam para rezar

chão irregular

desistiram

 

seguiram

 ajoelhando

desistindo e tomando cuidado

onde pisavam sem

olhar para frente

 

uma pulga corria

atrás da orelha de Van Gogh

dobrava à esquerda na

avenida principal

não respeitava placas e

semáforos e

acidentava-se

com os versos de

um desconhecido

Demétrio Panarotto: Arte de Santa Catarina para o mundo…

Quanto ao CD da REPOLHO, a longa estrada da banda de Chapecó (Santa Catarina) – estão entrando nos 21 – fazendo um som bem sarcástico, de levada autoral e ‘despretensiosa’, irreverente, bem humorado e com tiradas inteligentes prova que também há espaço e público pra quem foge do trivial e aposta em intervenções artísticas que possam ‘sacudir’ o marasmo da plastificação musical, ou por outra, a indústria PET da música pra vender…

Vale a pena conhecer e ouvir a REPOLHO… Bons músicos, bom som e ótimo astral !

Saravá !

Eles contam:

“Estamos mais velhos, rabugentos, sem vontade de tocar, cansados de fazer a mesma coisa, tocar as mesmas musicas, pras mesmas pessoas e nos mesmos lugares e não gostamos de datas comemorativas.  Também não somos os Rolings Stones que pode se dar o luxo de levar uma ambulância junto nos shows caso aconteça algo com os velhos que ficam se sacudindo no palco. […]

 

Conheça um pouco mais a banda REPOLHO:

A BANDA REPOLHO existe desde 1991. Durante a década de 90 gravou três demo tapes: Chapô a Galeria, E a Horta da Alegria, e Campo e Lavora. Lançou o primeiro CD em 1997, produzido por Marcelo Birck e Thomas Dreher, intitulado Vol. 1. No segundo trabalho, Vol.2, gravado entre 1998 e 1999, e lançado em 2001, contou novamente com a produção de Marcelo Birck em 13 das dezessete faixas, as outras quatro foram produzidas por Edu K. Na entre safra para o Vol.3, a banda lançou um compacto duplo em vinil com quatro faixas temáticas, intitulado, Sorria Meu Bem. O Repolho Vol.3, produzido a partir de uma parceria entre os irmãos Dreher e os Irmãos Panarotto, foi lançado em 2006.

Os Irmãos Panarotto lançaram ainda, paralelo ao trabalho da banda, em meio a essa confusão entre o Vol.2 e Vol.3, um outro trabalho: Banda Repolho apresenta Irmãos Panarotto em: “2Violão e 1Balde”. Na estrada há mais de quinze anos e com um trabalho (desde sempre) inserido na cena independente, a Banda Repolho aos poucos vem conquistando um público fiel no cenário brasileiro. O terceiro disco (que conta com a participação de Wander Wildner, Júpiter Maçã, Diego Medina, Leandro Blessmann e de alguns dos integrantes das bandas Os Massa e Jeans…) é uma espécie de consolidação deste trabalho que tem um pé calcado na riqueza cultural do interior brasileiro e um outro nas constantes transformações que a tecnologia oferece: COLONAGEM CIBERNÉTICA é o termo que os integrantes da banda utilizam para definir esse estilo musical irreverente e marcante que acompanha o trabalho.’

E pra alegria geral da torcida do Verdão [que não é o Palmeiras], além desses álbuns citados acima, a banda Repolho lançou o 4º Album: Repolho Vol. 4. e o Sorria meu bem, além de algumas participações em coletâneas.

A Repolho é formada por Demétrio Panarotto (guitarra e vocais), Roberto Panarotto (vocais), Marcelo Mendes (baixo) e Andreson Bird Gambatto (bateria).

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