Arquivo do dia: 18/02/2012

Felipe Brida e A História sem fim…

Felipe Brida – jornalista, redator de dois blogs de cinema, blogueiro, professor de Semiótica e de Comunicação, especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp, e pesquisador na área de cinema desde 1997 –  em breve estará lançando seu livro de críticas.

Felipe Brida é um apaixonado por cinema…

Por enquanto, você fica aqui com o comentário de Felipe Brida sobre o filme A História sem fim…

Fascinado por leitura, o garoto Bastian (Barret Oliver) foge com um misterioso livro de uma livraria e o esconde em casa. Quando começa a folhear aquelas páginas, percebe estar dentro de ‘Fantasia’, uma longínqua terra habitada por elfos, um gigante de pedra, um dragão da sorte com rosto de cachorro e um guerreiro chamado Atreyu (Noah Hathaway). Junto com esses personagens, Bastian se envolverá em aventuras inesquecíveis.

Quem nunca ouviu falar de A História Sem Fim ? Grande sucesso no mundo inteiro (menos nos EUA), essa encantadora fita de aventura cativou toda uma geração nos anos 1980, sendo reprisada na TV infinitas vezes. Façanha brilhante!

O cineasta alemão Wolfgang Petersen contabilizou pontos na carreira ao acertar no roteiro, baseado no romance de Michael Ende. Ele escreveu em parceria com o amigo e conterrâneo Herman Weigel, e optaram por manter os aspectos originais da história. O resultado não poderia ser outro: uma produção mágica, com visual rico em detalhes, que remonta a um espaço onírico, a terra de ‘Fantasia’, onde vivem figuras míticas do bem e do mal. Aliás, os personagens das páginas do livro que o garoto Bastian lê são perseguidos por uma força maior, sobrenatural, chamada de ‘Nada’, que só assume forma real no desfecho.

A mensagem é positiva, e o filme registra uma direção de arte impecável, que reúne elementos visuais do nosso imaginário, para compor a criatividade do jovem fissurado em ler A História Sem Fim. Ou seja, é uma fita que dialoga sobre a imaginação e o poder que a leitura exerce sobre nossa capacidade de enxergar o mundo (e conhecê-lo melhor).

Rodado em estúdios em Munique, custou muito para a época (U$ 27 milhões), sendo o filme mais caro produzido na Alemanha. Traz cenas emocionantes e memoráveis, como a do cavalo branco atolado no lamaçal. E quem não se lembra da música-tema, Neverending story, cantada pelo inglês Limahl, sucesso nas rádios brasileiras, inclusive?

Devido ao sucesso estrondoso, teve duas sequências inferiores – a primeira em 1990, A História Sem Fim II, com elenco diferente e outro diretor (George Miller, da trilogia “Mad Max” e “Babe – O Porquinho Atrapalhado”), e a outra em 1994, ainda mais irregular.

No Brasil saiu em versão reduzida, com oito minutos a menos que a chamada versão internacional. Já disponível em DVD, com dublagem em português da época, sem extras, e em duas edições: uma com o filme original e a outra com a segunda parte.

A História Sem Fim (The Neverending Story – Inglaterra/Alemanha – 1984 – 94’) Direção: Wolfgang Petersen Com: Noah Hathaway, Barret Oliver, Tami Stronach, Patricia Hayes, Sidney Bromley, Gerald McRaney e Moses Gunn, entre outros.

Menu interativoSeleção de cenasSeleção de idiomasSeleção de legendas Tela: Standard Áudio: Dolby Surround Stereo Idioma: português, inglês e espanhol Legendas: português, inglês e espanhol

Extra: Trailer de cinema

Distribuição: Warner Bros

Filme de Antunes Filho será exibido dia 25 na TV

Único filme dirigido pelo grande encenador, terá primeira exibição na telinha

 

compasso_de_espera_de_antunes_foto_ed_figueiredo_img_0169_trat_1.jpgDiscutindo preconceito, em plena ditadura, Compasso de Espera estreia  dia 25 no SescTV

 O longa-metragem de ficção Compasso de Espera (1969-1973) é o único filme dirigido por um dos mais renomados nomes do teatro brasileiro, Antunes Filho, também autor do texto e do roteiro. 

Mago do teatro, Antunes Filho fez um único filme, que sempre desperta muito interesse… Filme agora chega à telinha…

Jogando luzes sobre a questão do preconceito. ao tempo da ditadura militar, o filme é um dos primeiros a ter um ator negro – Zózimo Bulbul -, hoje também cineasta e roteirista, no papel principal. A produção lançou Renné de Vielmond como atriz e traz no elenco Elida Palmer e Karin Rodrigues, além de participações de Antônio Pitanga e Stênio Garcia.

A charmosa Renée de Vielmond estreou como atriz no cinema em Compasso de Espera

Com direção de fotografia de Jorge Bodanzky, o filme recebeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de Melhor Argumento para Antunes Filho; o Prêmio Air France, 1975, RJ, de Melhor Diretor; o Prêmio Adicional de Qualidade, 1973 – INC., e pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, em 1975, recebeu os prêmios de Melhor Argumento para Antunes Filho e Atriz Revelação para Renée de Vielmond.

Antônio Pitanga também está no elenco de Compasso de Espera

Compasso de Espera  traz no roteiro a história de Jorge de Oliveira (Zózimo Bubul), jovem poeta negro, da classe média, apadrinhado por Dr. Macedo Alves (Augusto Barone), ex-patrão de sua mãe (Cléa Simões). Jorge leva uma vida confortável e tenta driblar preconceitos e humilhações por ser negro, de origem pobre. Em entrevista a um canal de televisão, para lançamento do seu livro Compasso de Espera, que dá título ao filme, o poeta fala sobre o preconceito racial no Brasil e interpreta um de seus poemas.         

Na agência de publicidade onde trabalha, Jorge vive um romance com Ema (Elida Palmer), sua chefe, mulher branca e mais velha, cujo relacionamento é motivo de fofocas por parte de amigos. Como se isso não bastasse, ele conhece Cristina (Renné de Vielmond), uma jovem branca de família tradicional paulista. Eles se apaixonam, mas o poeta não tem coragem de terminar seu relacionamento com a chefe.       

Tentando fugir dos olhares maldosos, Jorge e Cristina se encontram numa praia, onde sofrem preconceito por racismo e são agredidos por um grupo de pescadores que não admite o namoro entre um negro e uma branca. Triste com o ocorrido, Jorge vai visitar sua mãe (Cléa Simões) e sua irmã (Lea Garcia), que o repreende por demorar a visitá-las. A irmã acredita que seu irmão tem vergonha da própria família. Ema descobre o romance entre Jorge e Cristina e pede apenas para ele ser honesto com ela. Assustada com os acontecimentos, Cristina resolve partir.     

Renée de Vielmond em cena de Compasso de Espera, de Antunes Filho

Ao abordar o forte preconceito existente na época, não só contra os negros, mas também contra os homossexuais, o filme também mostra Jorge conversando com amigos e sendo acusado por Astis (Antônio Pitanga) de não lutar com todas as garras pelos interesses dos negros; enquanto Radar (Stênio Garcia), um homossexual, diz que ser preto é mil vezes melhor do que estar na situação dele.   

 SERVIÇO   

Compasso de Espera

Estreia: 25/2, às 23h

Direção: Antunes Filho

Diretor de fotografia: Jorge Bodansky

Classficação indicativa: 16 anos  

Produtora: Antunes Filho Produções Artísticas       

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