Arquivo do dia: 13/04/2012

‘Ficções’, do artista Nino Cais, em cartaz no CCBN

O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza convida para a abertura da exposição individual Ficções, do artista visual paulista Nino Cais, com curadoria de Carolina Soares, na próxima terça, 17, às 18 horas.

 

Com entrada franca, a exposição ficará em cartaz até 20 de maio (horários de visitação: terça a sábado, de 10h às 20h; domingos, de 12h às 18h). 

Texto curatorial (por Carolina Soares)

Em 1920, Tristan Tzara oferece ao leitor instruções de como produzir uma poesia.  Simples assim:

Apanhe um jornal./ Apanhe algumas tesouras./ Escolha um artigo do tamanho que você pretende dar ao seu poema./ Recorte o artigo./ Depois recorte cuidadosamente cada palavra do artigo e coloque-as em um saco./ Agite levemente./ Depois retire um recorte após o outro./ Copie-os conscienciosamente na ordem em que saíram do saco./ O poema se parecerá com você./ E você será um escritor de infinita originalidade e encantadora sensibilidade, ainda que incompreensível às massas.  

Embora aqui se busque resguardar as devidas diferenças construídas cronologicamente pela História da Arte, não deixa de ser tentador cair em certos devaneios anacrônicos, pois o trabalho de Nino Cais parece se valer de semelhante receita. A aleatoriedade pressuposta na escolha dos objetos que tensiona junto ao seu corpo provoca o observador a entender a obra como uma espécie de “faça você mesmo”.  Essa instrução, no entanto, não significa o abandono em relação a uma crença nas potencialidades artísticas, mas sim o confronto com certos mecanismos retóricos voltados para meras atribuições de valores estéticos.

Nesse desmonte, os objetos não são, porém, destituídos de uma banalidade ordinária, ou seja, os utensílios de cozinha apropriados, por exemplo, continuam sendo utensílios de cozinha, apenas adquirem funcionalidades simbólicas. E mais, ao aliá-los ao seu próprio corpo, Nino Cais dá margens a narrativas fantásticas. São situações inusitadas em que persiste uma ideia de acaso como oposição à realidade.  Do encontro entre o artista e as coisas de seu entorno resultam fissuras irremediáveis. Afinal, de que maneira estabelecer relações de continuidade frente a um corpo humano cujo rosto se mantém recoberto por objetos não apenas diversos como desconcertantes? 

São ficções que, mesmo com certo humor, não apaziguam, pelo contrário, provocam inquietações. Ao utilizar seu corpo como material escultórico – elegendo a fotografia como meio não apenas documental, mas também como parte constituinte do trabalho –, Nino Cais recoloca questões em torno da possibilidade de moldar uma fotografia escultórica (ou uma escultura fotográfica?). Com isso, os arranjos, aos quais os objetos estão sujeitos, resultam em trabalhos que transcendem as mais tradicionais categorias, impedindo distinções estritas entre os dois campos, ou seja, as fotografias não são mais registros de esculturas, mas esculturas em si.

Para baratinar ainda mais a conversa, na exposição Ficções, amplia-se o debate ao serem apresentados dois conjuntos de trabalhos: um bidimensional e outro tridimensional. A diferença em suas dimensões, no entanto, não evita com que ambos sejam concebidos a partir de questões semelhantes em torno de uma ideia de escultura contemporânea e de seu caráter objetual. São espacialidades e volumes que favorecem diferentes experiências produzindo tensões não apenas por suas estruturas internas como também por suas relações com o observador que, diante de cada uma, precisa se comportar de maneira diametralmente oposta.

A presença marcante de coisas familiares como utensílios domésticos e enfeites de festas juninas restitui uma temporalidade aos trabalhos que parece falar sempre no presente, acontecer no momento em que os observamos. Com isso, torna-se impossível não olharmos para um balde ou uma bacia, mesmo que pressionados ao teto, e não rememorarmos seus lugares no mundo. Não há ambiguidade. O balde ou a bacia continuam sendo um balde ou uma bacia.

É o que intriga e desconcerta. Simples assim.

Campos do Jordão vai destacar comédias de Cinema

 

I Festival Internacional de Cinema Mais de 150 filmes inscrevem-se no I Festival Internacional de Cinema de Campos do Jordão – FESTCOM
 
Entre os dias 27 de abril e 5 de maio, a Sétima Arte vai subir a Serra da Mantiqueira para a primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Campos do Jordão. 

A comédia é o fio condutor do festival, que recebeu inscrições de mais de 150 produções nacionais e internacionais para a mostra competitiva. Os filmes, em fase de seleção pelo curador do festival, André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som – MIS-SP, serão exibidos em sessões gratuitas (www.cinemaemcamposdojodao.com.br).

Além da mostra competitiva, haverá homenagem ao centenário de Amácio Mazzaropi, com a exibição de filmes que fazem uma retrospectiva da carreira do Jeca-Tatu. Será exibido também o longa Tapete Vermelho (2006), estrelado por Matheus Nachtergaele, mais um tributo a um dos maiores comediantes do cinema brasileiro. Os 50 anos de morte de Marilyn Monroe também serão lembrados, com a apresentação da premiadíssima comédia musical Quanto Mais Quente Melhor (1959), do cineasta Billy Wilder.

Mazzaropi será alvo de homenagem em Campos do Jordão…

Para a criançada, o Festival reservou uma seleção de filmes de humor, sucesso nos dez anos da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Eles também serão exibidos, gratuitamente, para 14.000 alunos de escolas da rede pública de ensino.

Palestras e oficinas de audiovisual e animação fazem parte da programação especial. As crianças poderão criar um pequeno filme de animação e o público interessado poderá optar por conhecer um pouco mais sobre o mundo do cinema. O produtor Antônio Leal, vice-presidente do Fórum dos Festivais, fala sobre A importância dos Festivais de Cinema para as Cidades que os Sediam, com um panorama sobre os principais eventos do gênero e sua repercussão econômica e social. O diretor e produtor Henrique de Freitas Lima, sócio da Cinematográfica Pampeana, fala sobre Coproduções Internacionais com foco no Mercosul e As diversas fontes de fomento do audiovisual brasileiro. O cineasta e curador do festival, André Sturm, apresenta o tema Cinema de Comédia, focado na participação do gênero cinematográfico no cenário audiovisual do Brasil.

Competição

O público será o grande protagonista da mostra competitiva. Os dois prêmios mais importantes do festival serão escolhidos por voto popular: melhor longa-metragem – R$ 30 mil, e melhor curta-metragem – R$ 5 mil. O júri convidado é composto por expoentes do cinema nacional como a diretora Tata Amaral, a produtora Denise Gomes, a atriz Luciene Adami, o diretor Henrique de Freitas Lima e o cineasta Paulo Sacramento, que vão eleger outros cinco curtas, com prêmios individuais de R$ 3 mil.

Dos filmes inscritos, serão selecionados 15 longas e 15 curtas para a mostra competitiva. A programação completa do festival será divulgada depois do dia 13 de abril, depois da seleção dos filmes concorrentes.

O Festival Internacional de Cinema de Campos do Jordão é uma realização da Confraria da Comunicação e da Kling & Associados, com apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio do Programa de Ação Cultural (PROAC), e patrocínio do Instituto Elektro, Lorenzetti, Aché, Clariant, Lenovo e Baden Baden.