Arquivo do dia: 17/04/2012

Luz nas Trevas: Rogério Sganzerla por Helena Ignez. Em maio, nos cinemas

Apesar de ter morrido eletrocutado, envolto em fios elétricos, ao final de O Bandido da Luz Vermelha, o personagem-título do clássico do cineasta Rogério Sganzerla, ressurge no cinema 40 anos depois.

E outro filme surge: LUZ NAS TREVAS – A Volta do Bandido da Luz Vermelha – continuação do filme de 1968 que revolucionou a linguagem do cinema -,dirigido pela atriz, produtora, cineasta HELENA IGNEZ. Premiado em diversos países e em festivais no Brasil, Helena Ignez gosta de enfatizar que tudo o que está no roteiro é do próprio companheiro, Sganzerla: “Foram mais de mil páginas, lidas e pesquisadas, e não mudei uma vírgula: tudo que está no filme saiu da cabeça de Rogério”. 

A atriz fala com comovente simplicidade. A deferência, cumplicidade, apreço e respeito de quem compartilhou do convívio com um dos cineastas considerados gênios no país é indubitável.

Acontece que Helena Ignez e Rogério Sganzerla, que viveram juntos, amantes e cúmplices por 35 anos, tinham tanto em comum e professavam tanto as mesmas ideias, os mesmos ícones, cores, sabores, e influências, que é quase impossível dissociar o intelecto de um da extrema sensibilidade do outro; a sensível criação de um da absoluta emoção e empatia do outro.

Assim, na modesta opinião desta redatora, Luz nas Trevas tem tanto de Helena Ignez quanto o tem de Rogério Sganzerla. A linha que poderia colocar no ponto o imaginário e a sensibilidade de um e, no outro, o emocional e a energia do segundo, é invisível, indefasável, tênue demais para ser percebida ou definida.

Helena Ignez e Rogério Sganzerla: sintonia que extrapolou o set e virou união da vida inteira …

E isso é provavelmente uma das coisas mais tocantes, profundas e belas da relação Sganzerla x Helena Ignez: onde está um está o outro. Assim, Luz nas Trevas, filme que tem estréia no circuito comercial agendada para o próximo mês de maio, é o roteiro de um na direção do outro; o foco da sensibilidade de um pelo viés do emocional do outro; a energia de um guiando e revelando os passos do outro.

Só isso já seria o bastante para despertar a curiosidade por Luz nas Trevas. Ademais, o filme é uma obra profundamente contemporânea, visualmente ágil, esteticamente colorida (em vários matizes), poeticamente emocionada e emocionante, repleta de grandes reflexões embutidas em pequenas frases, soltas aqui acolá, mas ditas com precisão de ourives, seja por André Guerreiro Lopes, que compõe seu ‘novo bandido’ com garra de veterano, seja por Helena Ignez – que tem a capacidade invejável de tornar interessante, sensível e singular tudo o que faz -, seja pela impressionante performance de Ney Matogrosso, provando ser o magistral intérprete da MPB que é porque carrega n’alma uma carga dramática só presente nos Atores de formação visceral.

Thiago Fogolin/UOL

Jane (Djin Sganzerla) é namorada de Tudo-Ou-Nada (André Guerreiro Lopes)

Não vou contar o filme porque quero que você, leitor amigo e potencial espectador, tenha o direito de ir ver a obra como se fora uma página em branco, onde possa escrever seus sentimentos conforme eles lhe chegarem, deixando-os conduzi-lo pelos caminhos que melhor se ajustarem aos seus padrões.

Mas quero deixar registrado o quanto é magnânimo, vigoroso e de extrema beleza o final ‘preparado’ por esta Pequena Grande Mulher de nossa Sétima Arte, a eterna Musa, querida Diva e colossal Artista que assina pelo nome de HELENA IGNÊZ. 

O bandido da luz vermelha

Helena sobre NEY: ‘um símbolo que quebra tabus, que alarga o comportamento mental’.

Ainda que outros méritos não tivesse, só por seu final antológico, LUZ NAS TREVAS já merece entrar em toda seleção de qualquer festival do mundo, e deve constar, com louvor, em qualquer relação dos grandes filmes da década.

LUZ NAS TREVAS tem o poder avassalador do cinema Sganzerliano e a doçura e delicadeza poética que são marca registrada de HELENA IGNÊZ.

LUZ NAS TREVAS – A Volta do Bandido da Luz Vermelha tem estreia marcada para 4 de maio, no Rio de Janeiro, e dia 11 na capital paulista. 

Vamos ao Cinema ! E vamos logo na primeira semana: no Brasil, o filme que não fizer bilheteria “X” na primeira semana de exibição, é retirado de cartaz.

Portanto, vamos ao cinema e vamos logo na semana de estreia !!! 

Simone Spoladore tem participsção expressiva (foto Gabriel Chiarastelli) 

LUZ NAS TREVAS honra todos os prêmios recebidos, e sua inteligência merece um filme com a marca, a grandeza e a competência desta obra-prima de Sganzerla-Helena e Rogério-Ignez. Um casamento de ideias, reflexões, pensamentos e sentidos que resultou em mais uma obra-prima da Cinematografia SGANZERLA – aqui entendida como uma ‘obra de família’, para a qual colaboram – com vida, sentimentos, força, corpo e alma – Helena Ignez, Sinai e Djin Sganzerla – os dois frutos do lendário casal – e André Guerreiro Lopes, o ator e genro querido, marido de Djin, e grande Artista das linguagens multimídias tão em voga nos dias que correm.  

UMA SÍNTESE SENSORIAL

 
“…quis mostrar também o lado neurótico, incômodo, difícil, da mulher moderna. Pela primeira vez em nosso cinema, uma mulher canta, berra, bate, dança, deda, faz o diabo. Neste filme ela é Marlene Dietrich, co-dirigida por Mack Sennet e José Mojica Marins, isto é, por mim.” (Rogério Sganzerla, sobre Helena Ignez em A Mulher de Todos, seu filme de 1969)
 
Em 2009, na direção de Luz Nas Trevas, Helena Ignez filma diversas mulheres que cantam, berram, batem, dançam, dedam, fazem o diabo. E, ela mesma, está no elenco, no papel de Madame Zero.
 
 
Helena Ignez nos bastidores do filme: dedicação e paixão em tom maior…
 
São muitas as intersecções de Luz Nas Trevas com o primeiro filme, como, por exemplo, o uso de diversas narrações com diferentes pontos-de-vista. O Bandido da Luz Vermelha volta como presidiário, e agora é interpretado por Ney Matogrosso, que dá vida ao personagem imortalizado por Paulo Villaça (1946-1992), no primeiro filme. “Quando Helena me convidou e disse do meu olhar, eu já sabia o que eles queriam”, afirma Ney.
 
foto
Bruna Lombardi é uma das mulheres fortes de Luz nas Trevas
 
Além dele e de Helena Ignez, o elenco conta com mais de 80 atores, e a participação de diversos figurantes da comunidade de Heliópolis. Estão no trama, André Guerreiro Lopes, Djin Sganzerla, Maria Luísa Mendonça, Sérgio Mamberti, Simone Spoladore, Sandra Corveloni, Bruna Lombardi e Arrigo Barnabé.

Ney Matogrosso é o Bandido da Luz Vermelha (Foto: Gabriel Chiarastelli/Divulgação)
 
Esta não é a estreia de Ney na telona. O cantor, que já atuou num longa-metragem e em dois curtas, admite que aceitou o convite “meio assustado”, mas topou o desafio e diz que chega a se identificar com Luz Vermelha – personagem a um só tempo cruel, engraçado e debochado: “Ele faz crítica social. Ele se diz um Robin Hood dos pobres. O ponto de vista dele é de defesa do povo brasileiro e eu concordo com isso. (…) Ele se refere muito ao terceiro mundo, ao terceiro imundo, ele fala.”Já a personagem de Djin, se chama Jane – tal como a personagem de Helena no  filme de 1968. Helena interpretou a namorada de Luz Vermelha, e, em LUZ NAS TREVAS, Djin é a companheira de Tudo-Ou-Nada, filho do bandido com a personagem da atriz Sandra Corveloni, vencedora da Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes.“O que se leva dessa vida, é a vida que se leva”. É com essa fala da Jane que a atriz começa a contar um pouco sobre sua personagem, que não têm apenas o nome em comum com a personagem vivida por sua mãe, garante a atriz: “As duas são mulheres fortes. São independentes e não esperam nada do homem, além da satisfação, da alegria do momento presente”. 

 
Djin: desafio e alegria em protagonizar roteiro do pai…
 
Ao mesmo tempo são Janes distintas. Para Djin, a principal diferença entre elas é que a sua personagem gosta do Tudo-Ou-Nada. A Jane do Bandido, porém, tem outra relação: “Ela é uma pistoleira tanto quanto ele. Ela é quem o dedura e se vinga. A minha Jane já não entraria no mundo do crime ao ponto de se incriminar. Por mais que ela seja um pouco selvagem, um pouco louca, ao mesmo tempo ela pensa que ele poderia mudar de vida”.
 
 
O preparo para viver a Jane de Luz nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha foi feito de diversas formas. Djin buscou inspiração em filmes, no trabalho da mãe e, principalmente, em uma fonte interna. “Eu empresto para a personagem uma certa liderança, a determinação e a vontade de viver, mas, ao mesmo tempo, sou diferente de tudo isso. Eu acho que esse é o grande prazer de viver uma personagem que é e não é como eu sou”, afirma a atriz. “A Jane é uma mulher que vive o momento presente. Ela representa o ápice do frescor, da alegria e do amor”, completa. 
 
 
Para DJIN, participar do filme é uma satisfação enorme e ela aponta o roteiro como ponto forte do filme: “É muito original, não convencional na forma de pensar e fazer cinema. É poético e, ao mesmo tempo, anárquico, um roteiro dos tempos atuais, é algo extraordinário”.
 
* Com informações de Silvia Ribeiro (G1, São Paulo), e Danielle Noronha, do UOL

Bom ritmo, temática e boas atuações tornam CHEIAS DE CHARME envolvente

Começou muito bem a nova novela das 19h, CHEIAS DE CHARME

Escrita por Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, a trama foca no show bizz, evidenciando a música brega. E também aposta na história das empregadas domésticas, que são as Marias da trama: Maria da Penha, Maria do Rosário e Maria Aparecida.

Um programa de rádio chamado Bom Dia, Dona Maria interliga a vida particular dessas e de outras Marias. Comandado pelo radialista ‘Rangel Soares’, o programa deve ser um dos pontos-chaves do núcleo suburbano, e por certo deverá responder por vários momentos de descontração, causando a necessária descarga do pesado dia-a-dia da grande maioria, sendo de fácil assimilação pelos tantas centenas que ainda fazem do rádio o veículo de maior comunicação popular, e instantânea, do país. Logo, a inserção de um programa de rádio popular no universo da trama é um gol logo na estreia de Cheias de Charme.

Taís, Leandra e Isabelle são as Marias de Cheias de Charme

A direção de Carlos Araújo revelou-se competente reunindo ótimos atores, e exibindo bons movimentos de câmera e alguns ótimos enquadramentos. A Direção de Núcleo é da festejada Denise Saraceni, garantia de mais um acerto.

Cláudia Abreu, atriz de envergadura, revelada desde a estreia na inesquecível Que Rei Sou Eu ? já chegou arrasando, com momentos de graça e inegável eficácia interpretativa, exibindo sua mágica fotogenia. Fácil antever que fará da exagerada e performática Chayenne mais um grande marco de sua carreira.

Taís Araújo é atriz de muito talento e carisma. Aproveita a chance e mostrou que sua Penha veio pra ficar na galeria de personagens que marcam pela força de sua história pessoal, e determinação de mulher destemida, ‘sem papas na língua’…

Leandra Leal é outra beleza já bem conhecida do público, que reconhece e aprova sua vocação e versatilidade. Sua Maria une inocência, graça, sinceridade e encontra na atriz uma intérprete com capacidade de sobra pra dar conta do recado.

Isabelle Drummond é a outra Maria, atriz revelada pelo carisma de sua “Emília”, e que terá mais uma grande chance em Cheias de Charme.

No lado masculino, Ricardo Tozzi evidenciou o ‘banho’ de interpretação que vem por aí. Seu cantor popular (?) Fabian enfatiza a competência e carisma do ator, que foi um dos pontos altos da novela Insensato Coração (!) com seu hilário Douglas, que chegou a criar até uma espécie de bordão, quando chamava, ‘ofendido’, por sua “Bibi” (Maria Clara Gueiros)… Sensacional ! Deram a Tozzi mais uma chance de brilhar, e o ator vai corresponder porque tem charme, comunica bem, é bonito e atua com incrível espontaneidade.

Segundo os autores, Filipe Miguez e Izabel Oliveira, a intenção é homenagear as mulheres batalhadoras de todas as classes sociais:  “Poucas vezes empregadas domésticas foram protagonistas em novelas, mesmo sendo a maior categoria profissional feminina no país”, explica Miguez em entrevista ao site da novela. “Elas inspiram personagens riquíssimos, convivem com famílias que não são as suas, ajudam a criar filhos que não são os seus, criam laços afetivos com seus patrões, passam a fazer parte de uma casa como um membro daquela família, sem pertencer a ela”, completa Izabel sobre a escolha do tema.

Claudia Abreu e Ricardo Tozzi: dupla abafou no primeiro capítulo e deve ‘arrasar’ na nova novela global das 19h… Um luxo como dois cantores cheios de fãs !

Outros trunfos de CHEIAS DE CHARME:

O antropólogo HERMANO VIANNA (que é tão bom no que faz como seu querido mano HERBERT na guitarra) assina a Consultoria Musical. Sinal de que a trilha será um dos pontos altos da novela.

RICARDO LINHARES, o autor que assinou com Gilberto Braga (craque da teledramaturgia) tantas novelas marcantes, assina a supervisão de texto.

A abertura leve, bonita, ágil condiz com a música eletrizante de Gaby Amarantos (cantora paranese considerada a Beyonce do Pará, e tida como a ‘rainha do tecnobrega’). Tem tudo para estourar entre o público.

Quem quiser ouvir a música, é só acessar http://www.midiatotal.net/2012/03/tema-de-abertura-da-novela-cheias-de.html 

Portanto, CHEIAS DE CHARME estreou muito bem, e, se continuar nesse pique, deve fazer bom público, tendo ademais a responsabilidade de assumir a vaga de uma novela que foi poética, engraçada, inteligente, sensível e boa demais no horário, que foi Aquele Beijo, de Miguel Falabella e Cininha de Paula.

Chayenne e Fabian: prato cheio pra Cláudia Abreu e Ricardo Tozzi…