Arquivo do mês: maio 2012

Casa cheia para ouvir Hernani Heffner e André da Costa Pinto

AURORA DE CINEMA direto de CURITIBA

Acabando de chegar de mais uma mesa de boa prosa no belíssimo prédio do SESC Paço da Liberdade, centro de Curitiba. REALIZAÇÃO CRIATIVA é o tema central do I Seminário de Cinema Contemporâneo, promovido pelo festival internacional Olhar de Cinema. O tema de hoje foi ‘Diretor, Linguagens e os Modos Alternativos de Produção’.

Na mesa, dois ‘feras’ do tema, mediados pelo cineasta Aly Muritiba, um dos criadores do Festival Olhar de Cinema: o professor e pesquisador Hernani Heffner (Curador da Cinédia e da Cinemateca do MAM/RJ), e o jovem produtor e cineasta paraibano, André da Costa Pinto.

Ressalte-se o alto nível das colocações, a imensa platéia que lotou a sala e ficou até o fim, contribundo com intervenções, e as palavras férteis, assimiláveis e judiciosas dos dois abalisados conferencistas.
Parabéns a Hernani, André, Aly Muritiba e ao OLHAR DE CINEMA !

Um papo pra lá de bom !

* Mais detalhes num próximo post

Marina Wisnik faz show com Marcelo Jeneci amanhã

Cantora paulista empresta charme e afinação à bela voz em novo show, sexta, em Sampa… 

Marcelo Jeneci e Marina Wisnik apresentam novo disco no Sesc Santana

 
A compositora e cantora, que já participou do projeto Prata da Casa do SESC Pompeia, lança seu disco de estreia, produzido por Marcelo Jeneci e por Yuri Kalil, integrante da banda Cidadão Instigado.
 
O álbum traz 11 faixas, incluindo as parcerias Miragem, composta com o pai Zé Miguel Wisnik, e Primeiro Céu, com Jeneci. No CD,  Marina é acompanhada por Camila Lordy (piano, acordeon e teclado), Daniel Lima (baixo), Caetano Malta (violões), Caio Lopes (bateria) e participação especial de Thiago Pethit.
 
Neste show do Sesc Santana, o próprio Jeneci faz uma participação especial com a cantora. Confira os serviços:
 
MARINA WISNIK (com participação de Marcelo Jeneci).
SEXTA, 31 de maio, às 21h. 
 
Ingressos: 
R$ 16,00 [inteira]
R$ 8,00 [usuário inscrito no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 4,00 [trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no SESC e dependentes]
SESC SANTANA – Avenida Luiz Dumont Villares, 579 – Santana, São Paulo 
 

Brasília terá julho de tela internacional de Cinema

Brasília será inserida no circuito dos grandes festivais internacionais com a realização do I BIFF – Brasília International Film Festival (Festival Internacional de Cinema de Brasília), a acontecer de 13 a 22 de julho.

O Festival irá exibir uma seleção de filmes escolhidos entre o melhor da produção disponível nos festivais de Sundance (EUA), Berlim (Alemanha), Cannes (França), San Sebatian (Espanha) e Veneza (Itália). Serão 12 longas-metragens inscritos na mostra competitiva, e outros 42 títulos exibidos em mostras paralelas de grande relevância, como uma retrospectiva do trabalho da atriz Anna Karina, a musa da Nouvelle Vague, que irá a Brasília especialmente para o evento.

O I BIFF ocupará as quatro salas do Cine Cultura Liberty Mall e ainda o Museu Nacional da República. A direção geral é de Nilson Rodrigues e Anna Karina de Carvalho.

A iniciativa de criação do BIFF responde a um anseio do público de Brasília, habitualmente frequentador das salas de cinema de arte. A capital brasileira já conta com um festival internacional de teatro (o Cena Contemporânea), de música (FIB – Festival Internacional de Inverno de Brasília), de dança (Festival Internacional Nova Dança). Agora, ganha também seu festival internacional de cinema, que promete levar ao Distrito Federal títulos produzidos em todos os continentes, a nova produção independente brasileira, mostras retrospectivas, convidados internacionais e nacionais, entre diretores e atores que participarão dos debates sobre os filmes e seminários.

A programação inclui ainda sessões especiais gratuitas para crianças e jovens da rede pública de ensino do DF e oficinas de capacitação, com foco nos jovens iniciantes na área audiovisual.

Convidada especial desta primeira edição, a dinamarquesa Hanne Karin Bayer virou Anna Karina por sugestão da célebre estilista francesa Coco Chanel. Na época, estava recém-chegada de Copenhagen, de onde fugira ainda adolescente, pedindo carona na estrada, por conta de conflitos com os pais. Ao conhecer Coco, quando era modelo da revista “Elle”, ela lhe previu um grande futuro. O prognóstico estava certo, mas não foi como modelo que Anna Karina alcançaria a fama.

Atriz Anna Karina, musa do cinema francês, estará em Brasília

Além de se tornar a grande musa de Jean-Luc Godard, foi (apesar de Jeanne Moreau, Jean Seberg e Brigitte Bardot) a atriz mais luminosa e emblemática do cinema francês dos anos 60.

Foi vendo Anna Karina num comercial de sabonete que Godard se interessou por ela. Ficaram casados durante sete anos, fizeram sete longas-metragens e o único episódio realmente memorável de “A Mais Velha Profissão do Mundo”. Uma parceria fecunda que rendeu obras-primas como “Viver a Vida”, “Pierrot, le Fou” e “Alphaville”, além dos adoráveis “Uma Mulher é uma Mulher”, “O Pequeno Soldado”, “Band à Part” e “Made in USA”. Foi, sem dúvida, a melhor e mais inspirada fase da obra godardiana.

Também foi a melhor fase da extensa filmografia de Anna Karina, que, por sinal, trabalhou com outros grandes diretores – como Luchino Visconti (“O Estrangeiro”), Jacques Rivette (“A Religiosa”), George Cukor (“Justine”), Valério Zurlini (“Mulheres no Front”), Rainer Werner Fassbinder (“Roleta Chinesa”). E, claro, Serge Gainsbourg, que a dirigiu no musical “Anna” e a elegeu como uma das intérpretes favoritas de suas lânguidas canções, ao lado de Jane Birkin e Brigitte Bardot.

Antes de atuar e de ser modelo, os dotes vocais de Anna Karina foram bem aproveitados por Godard em Uma Mulher é uma Mulher, homenagem aos musicais hollywoodianos, e no cultuado Pierrot, le Fou. Na pouco vista comédia musical “Anna”, em papel feito sob medida para a cantriz, interpretou repertório de Gainsbourg. A partir deste milênio, a música passou a ocupar espaço em sua vida profissional. Foi a partir do ano 2000 que lançou seus três únicos álbuns solo: “Une Histoire d´Amour”, “Chansons de Films” e “Vilain Petit Canard”. 

PROGRAMAÇÃO

MOSTRA COMPETITIVA – 12 longas-metragens, com premiação de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original, melhor ator e melhor atriz.

MOSTRA INFANTIL DE FILMES DE ANIMAÇÃO – 6 filmes (curadoria de Luciana Druzina)

O NOVO CINEMA EUROPEU – 6 filmes –  Filmes da nova geração de cineastas europeus

PANORAMA ÁFRICA – 6 filmes – O cinema africano contemporâneo

INDEPENDENTES AMERICANOS – 6 filmes – Os novos filmes independentes dos EUA

RETROSPECTIVA ANNA KARINA – 6 filmes

SUBTERRÂNEOS – 6 Filmes experimentais

CARA LATINA – 6 filmes latinos (Curadoria Priscila Miranda) 

Mais informações: www.biffestival.com.

Curitiba movimenta Cinema e público aplaude Mr. Sganzerla

Aurora de Cinema direto de CURITIBA

Teatro Guairinha foi pequeno para ver Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz 

A abertura oficial do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba provou que chegou em boa hora:  “Um Festival que nasceu como uma maneira de retribuir a acolhida que Curitiba tão carinhosamente proporcionou a mim, como ao Antonio Júnior e a Marisa Merlo, que organizamos o festival”.

Assim, Aly Muritiba, um dos criadores da Grafo Audiovisual, empresa produtora do Olhar de Cinema, dizia, visivelmente feliz, na abertura da edição inaugural do festival. Muritiba explica que nenhum dos três nasceu na capital paranaense, mas que se tornaram curitibanos por adoção. Criar e produzir o Festival foi a forma encontrada de dizer “muito obrigado” à cidade.

“Mas é bom lembrar que a cidade não deve se satisfazer apenas com estes 7 dias de cinema”, lembra Marisa Merlo. “Queremos que o Olhar de Cinema seja um incentivo para que venham outras iniciativas do gênero, para que Curitiba viva cada vez mais a experiência do cinema”, afirma.

Antonio Júnior contabiliza: “Para chegarmos até esta noite de abertura, foram mais de 1.500 filmes vistos. É espantoso! E hoje a gente se sente melhor e mais completo do que quando começamos a ver todos estes filmes”.

O Olhar de Cinema 2012 – Festival Internacional de Curitiba oferece 156 horas de cinema, distribuídas por 8 Mostras. E todas as sessões são gratuitas.

Pizzini e Sganzerla

Ao subir ao palco do Guairinha para apresentar o filme de abertura, o diretor Joel Pizzini afirmou: “Estão passando diversos filmes na minha cabeça agora. Foi aqui em Curitiba que conheci Rogério Sganzerla, foi aqui que eu fui tomado e me apaixonei pelo Cinema. Apresentar este filme neste palco é muito significante para mim”. E concluiu: “Longa vida ao Olhar de Cinema!”.

O filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz recria o ideário do cineasta Rogério Sganzerla através de uma linguagem experimental que, segundo o próprio diretor, “homenageia ainda elementos relacionados a Orson Welles e à Antropofagia”.

Unindo raras e preciosas imagens de arquivo a uma narrativa ensaísta, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz não apenas homenageia a obra do famoso cineasta, como também contribui para um importante mapeamento histórico do audiovisual brasileiro.

A programação completa do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba está em www.olhardecinema.com.br

 SERVIÇO:

Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

De 29 de maio a 4 de junho de 2012.

Realização: Grafo Audiovisual, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Patrocínio: Volvo, Copel, Schweppes. 

Apoio: Estúdio Tijucas, Conta Cultura, Governo do Estado do Paraná, Shopping Crystal

Apoio Cultural: SESI-PR, SESC-PR, SESC Paço da Liberdade.

Promoção: RPCTV, Gazeta do Povo.

CINEFOOT será aberto amanhã em Sampa

Abertura do FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL terá a presença de Josf Jelinek, jogador thceco que enfrentou o Brasil em 62 

Pepe, Coutinho e Mengalvio, antigos ídolos santistas, também marcarão presença 

A Sessão de Abertura do CINEFOOT – FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL, criado e organizado por Antônio Leal, acontece amanhã, às 19h30m, no Auditório Armando Nogueira do Museu do Futebol, na capital paulista.

Serão exibidos os filmes Canal 100: SANTOS TRI-CAMPEÃO PAULISTA E MILÉSIMO GOL”, “GAÚCHOS CANARINHOS” e “SANTOS, 100 ANOS DE FUTEBOL ARTE”

A Sessão de Abertura do CINEFOOT será ainda abrilhantada pela presença de Josf Jelinek, jogador da então Tchecoslováquia, que enfrentou o Brasil na histórica final da Copa do Mundo de 1962, ocasião na qual os brasileiros bateram os tchecos por 3 a 1, conquistando assim o Bicampeonato Mundial, há exatos 50 anos.

CINEfoot – FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL é o único festival de cinema do Brasil e da América Latina exclusivamente dedicado à exibição e promoção de filmes sobre a maior paixão nacional: o futebol. Com esta iniciativa pioneira, pelo terceiro ano consecutivo o CINEfoot ocupa uma lacuna no circuito brasileiro de festivais, que não possuía um evento com o tema Futebol.

O terceiro CINEfoot acontece de amanhã até dia 3 de junho, no Museu do Futebol, e dias 4 e 5 de junho, no Reserva Cultural, em São Paulo. ENTRADA FRANCA em todas as sessões.

PROGRAMAÇÃO CINEfoot – FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL: 

MOSTRA COMPETITIVA – MUSEU DO FUTEBOL – AUDITÓRIO ARMANDO NOGUEIRA – ESTÁDIO DO PACAEMBU – PRAÇA CHARLES MILLER, S/N – PACAEMBU

31/05 QUINTA

20h30  SESSÃO DE ABERTURA

:: CANAL 100 |  SANTOS F.C. – TRICAMPEÃO PAULISTA (Doc, 17 min, PB , 35mm, RJ, 1968)
Dir. Carlos Niemeyer | Rio de Janeiro/Brasil

:: GAÚCHOS CANARINHOS (Doc, 15 min, 2007, 12 anos)
Dir. Rene Goya Filho | Rio Grande do Sul/Brasil

:: SANTOS, 100 ANOS DE FUTEBOL ARTE (Doc, 96 min, 2012, 12 anos)
Dir. Lina Chamie | São Paulo/Brasil

:: HOMENAGEM: 100 ANOS SANTOS F.C. 

01/06 SEXTA

09h30   SESSÃO ESPECIAL  | MOSTRA COMPETITIVA  DENTE-DE-LEITE

:: O PRIMEIRO JOÃO (Anim, 7 min, 2006, Livre)
Dir. André Castelão | Rio de Janeiro/Brasil

:: MAURO SHAMPOO – JOGADOR, CABELEIREIRO E HOMEM (Doc, 20 min, 2008, Livre)
Dir. Leonardo Cunha Lima e Paulo Henrique Fontenelle | Rio de Janeiro/Brasil

:: ZIMBÚ (Anim, 3.35 min, 2011, Livre)
Dir. Marcos Strassburger Souza | São Paulo/Brasil

:: ERNESTO NO PAÍS DO FUTEBOL (Fic, 15 min, 2009, Livre)
Dir. André Queiroz e Thaís Bologna | São Paulo/Brasil

:: HOMENAGEM: 50 ANOS COPA DO MUNDO 1962 

19h30  SESSÃO 1

:: RIVELLINO (Fic, 16 min, 2011, 18 anos)
Dir. Marcos Fabio Katudjian | São Paulo/Brasil

:: SER CAMPEÃO É DETALHE: DEMOCRACIA CORINTHIANA (Doc, 25 min, 2012, 12 anos)
Dir. Gustavo Forti Leitão e Caetano Tola Biasi | São Paulo/Brasil

:: BAHÊA MINHA VIDA – O FILME (Doc, 100 min, 2011, 12 anos)
Dir. Marcio Cavalcante | Bahia/Brasil
 

02/06 SÁBADO

16h  SESSÃO 2

:: VAI PRO GOL (Doc, 22.30 min, 2012, 12 anos)
Dir. Felipe D´Andrea | São Paulo/Brasil

:: SOBRE FUTEBOL E  BARREIRAS (Doc, 112 min, 2011, 12 anos)
Dir. Arturo Hartmann, Lucas Justiniano, José Menezes e João Carlos Assumpção | São Paulo/Brasil

 03/6 DOMINGO

11h  SESSÃO 3

:: PARTIDA INTERNACIONAL (Fic, 2.14 min, 2011, 12 anos)
Dir. Sven und Nadine Schrader | Alemanha

:: NÃO CULPO O FUTEBOL ARTE (Fic, 5 min, 2010, 12 anos)
Dir. Christopher Accella | Estados Unidos

:: DENTRO, FORA (Fic, 15 min, 2011, 12 anos)
Dir. Wassim Sookia | Ilhas Maurício

:: UM JOGO, UMA PAIXÃO (Doc, 22 min, 2009, 12 anos)
Dir. Otávio Paranhos | São Paulo/Brasil

:: FUTEBOL É DEUS (Doc, 52 min, 2010, 12 anos)
Dir. Ole Bendtzen | Dinamarca

:: HOMENAGEM: 100 ANOS DÉRBI PONTE PRETA  X GUARANI 

PROGRAMAÇÃO MOSTRA COMPETITIVA – RESERVA CULTURAL – AV. PAULISTA, 900 

04/6 SEGUNDA

17h30  SESSÃO 4

:: ZIMBÚ (Anim, 3.35 min, 2011, Livre)
Dir. Marcos Strassburger Souza | São Paulo/Brasil

:: O PEQUENO TIME (Doc, 10 min, 2011, 12 anos)
Dir. Roger Gomez e Dani Resines | Espanha

:: TIRO LIVRE DIRETO (Fic, 13 min, 2011, 12 anos)
Dir. Bernabé Rico | Espanha

:: ROCK N’ BOLA (Fic, 80 min, 2011, 12 anos)
Dir. Dmitri Prikhodko | Ucrânia
 

04/6 SEGUNDA

19h30   SESSÃO 5

:: JUVENTUS RUMO A TÓQUIO (Doc, 15 min, 2009, 12 anos)
Dir. Rogério Zagallo, Andrea Kurachi e Helena Tahira | São Paulo/Brasil

:: MENINOS DE KICHUTE (Fic, 90 min, 2010, 12 anos)
Dir. Lucas Amberg | Paraná/Brasil

:: HOMENAGEM: 100 ANOS DOMINGOS DA GUIA (In memoriam) 

05/6 TERÇA

21h  SESSÃO DE ENCERRAMENTO

:: CANAL 100 | SANTOS F.C. – BICAMPEÃO MUNDIAL (Doc, 14 min, PB , 35mm, RJ, 1963)
Dir. Carlos Niemeyer

:: BRASIL BOM DE BOLA (Doc, 100 min, 1970, 12 anos)
Dir. Carlos Niemeyer/Canal 100

:: PREMIAÇÃO – Entrega das Taças CINEfoot 2012 e Prêmio Porta Curtas 

SERVIÇO: 

3º CINEfoot – FESTIVAL DE CINEMA DE FUTEBOL

Em São Paulo, de 31 de maio a 5 de junho

Locais:

·         Museu do Futebol – Estádio do Pacaembu – Pça. Charles Muller s/n

·         Reserva Cultural – Av. Paulista, 900

Mais informações: www.cinefoot.org

Cego Aderaldo, novo filme de Cariry, terá lançamento no CineCE

A Cariri Filmes e o Cine Ceará convidam para a exibição de

CEGO ADERALDO – O CANTADOR E O MITO

Local: Cine Ceará – Theatro José de Alencar 

Data: 3 de junho (domingo)

Horário: 21 horas

Entrada franca

Sinopse: Cego Aderaldo (1878 – 1967) foi não apenas o maior nome da poesia cantada e improvisada no Brasil, foi também um mito nacional. Cego Aderaldo adotou e criou, como filhos, 26 crianças. A todos deu estudo e profissão. Inovador e criativo, foi exibidor de cinema na década de 30 e levou a cantoria para grandes capitais, onde era saudado como personagem da dimensão de Padre Cícero e Lampião. A sua obra influenciou a música popular e as artes brasileiras, nas décadas de 50 e 60. O filme conta a história deste artista extraordinário, revelando as suas lutas e as suas vitórias, mostrando as dimensões do homem que, superando todas as adversidades, voa até a glória e se encanta no mito. 

Rosemberg Cariry na companhia do Cego Aderaldo: acabou virando filme…

Ficha Técnica

Roteiro e Direção: Rosemberg Cariry

Produção Executiva: Bárbara Cariry

Direção de Produção: Teta Maia

Direção de Fotografia e câmera – Daniel Pustowka   

Montagem: Rosemberg Cariry e Firmino Holanda 

Técnico de Som:  Yures Viana

Patrocínio: Secretário do Audiovisual – SAV/MinC e TV Brasil.

Informações: Cariri Filmes (85) 3244 6944

Oficinas de Ouro Preto: inscrições só até amanhã

Inscrição Oficinas

Hitchcock, o Mestre do Suspense, será destaque no CineCE

 

Inscrições abertas à oficina gratuita com o jornalista Marcelo Lyra  

Estudo sobre as técnicas narrativas, e evolução do estilo ao longo de 53 longas metragens e 25 filmes feitos para a TV. Serão analisados os principais longas-metragens e alguns filmes feitos para a TV, por intermédio de uma seleção das cenas mais importantes de cada filme.

Seminário com três aulas de três horas cada, totalizando nove horas-aula. 

Programa:

1° aula – Os filmes mudos, de 1926 a 1929, a arte de falar por imagens, fundamental em sua obra. A fase sonora inglesa, de 1929 a 1939, a influência do expressionismo e o desenvolvimento das técnicas de suspense.

A Fase Americana

2° aula – Descobrindo o sistema de Hollywood, de 1940 a 1947, a criação da própria produtora, a descoberta da cor e do parceiro essencial, o fotógrafo Robert Burks, o auge da maturidade técnica e artística, de 1953 a 1962

3® aula – Hitchcock chega à TV e se torna popular, a retomada de velhos temas e a busca por novos caminhos. A fase final, com lampejos de genialidade, de 1963 a 1976. Balanço geral da carreira e influência nas novas gerações. Referências em Coppola, Spielberg, Brian de Palma, Scorsese etc.

SERVIÇO

Curso: Alfred Hitchcock – O Mestre do Suspense

Com Marcelo Lyra, jornalista de São Paulo

Período: 4 a 6 de junho

Horário: 15h às 18h.

Local: Casa Amarela Eusélio Oliveira 

Turma: 35 alunos 

GRATUITA 

Inscrições: www.cineceara.com

Contato: oficinas@cineceara.com (85)  32643877

Um pouco sobre MARCELO LYRA

Formado em jornalismo pela PUC-SP em 1989, passou por quase todas as editorias de jornais até chegar ao Caderno 2 do Jornal O Estado de S. Paulo, em 1999, quando inicia-se como crítico de cinema. Foi sub-editor do caderno de TV do Jornal da Tarde e colaborador das seguintes publicações, sempre na área de cinema: Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, Revista de Cinema, Revista Ver Vídeo, revista Bizz e outros. Atualmente é crítico do jornal Valor Econômico, da revista Língua Portuguesa e do site Cinequanon.

Ministra regularmente cursos sobre cinema brasileiro e crítica de cinema, em eventos em espaços culturais como o Espaço Unibanco e Cinesesc, em São Paulo, ou em eventos como Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2004 e 2007), Cine Ceará etc.

É autor do livro “Cinema Como Razão de Viver”.

Jornalista Marcelo Lyra dará oficina em Fortaleza…

Helena Ignez: ‘Tudo que eu fiz como diretora, eu aprendi no Set…’

AURORA DE CINEMA direto do I Nossas Américas, Nossos Cinemas

Atriz e cineasta conta o que leva alguém a ser ator: “É como se no íntimo sobrasse espaço para outras almas”

Ela afirma que existem bons filmes em todos os gêneros ‘porque o filme não deve estar preso a rótulos nenhuns nem a correntes nenhumas. O bom filme tem que ser verdadeiro. E a gente sente quando o filme é verdadeiro, quando não foi feito pra enganar.

Helena Ignez começou no teatro, na Bahia, e logo depois seguiu para o Rio e juntou-se a um grupo onde estavam os dramaturgos Vianninha e Armando Costa:  “Ensaiávamos peças e apresentávamos na periferia do Rio e na Paraíba” E deixa escapar uma certa tristeza e/ou desencanto: ‘filmes nossos nunca foram exibidos em Cuba…’, afirma, ao mesmo tempo, que “uma revolução pessoal, do comportamento, profundo, isso é que eu acredito que existe em mim com mais força”. Afinal, foi esta atriz que um dia acabou presa numa farmácia em Porto Alegre, no auge dos anos sombrios, simplesmente porque estava de minissaia e isso ainda não era permitido – “era simplesmente uma minissaia, mas ela era ‘perigosa’”.

O sentido libertário, da expressão sem preconceitos ou discriminações, perpassa toda a vida, carreira, e maneira de estar no mundo desta atriz tão importante quanto necessária. Por ter um sentido autoral profundo, é fácil perceber a própria Helena Ignez em suas obras, e as obras criadas por ela são como monumentos vivos, construídos com o sentimento de quem sabe estar produzindo páginas relevantes para a cultura do Brasil na esperança de ver dias melhores chegando. Foi dessas reflexões que Helena Ignez tirou uma frase lapidar de seu filme de estréia, Canção de Baal:

“Ela é adúltera, tem que levar porrada” – esta fala é de um camponês, dirigida à mulher na peça BAAL, do dramaturgo Bertold Brecht, e foi ouvindo-a que Helena sentiu os primeiros insigths pra criação de seu roteiro. Acho que o ser Mulher é como um índio, eu me sinto um índio.

As coisas são tão complicadas ou pouco entendidas que Martim Gonçalves, o antropólogo baiano, autor de livros importantes e pessoa respeitada nos meios acadêmicos (homem que culturalizou o jovem baiano), criador de um movimento bacana em Salvador, ‘foi expulso de lá pelos estudantes de esquerda e o Partido Comunista… eles escreveram em todas as paredes: “Sai veado”. Foi nesta época que eu me solidarizei com Martim, resolvi sair de Salvador, e fui trabalhar no Rio’.

AC – Que motivos lhe levaram a querer ser atriz e garantem sua permanência no ofício do teatro e do cinema ?

HI – Talvez uma necessidade de ser outro, de compreender o outro, é uma vivência a mais que se busca ao procurar a emoção do teatro e do cinema. É como se no íntimo sobrasse espaço para outras almas, se não você vai ficar triste, e isso é vital. O que eu quero é conhecer melhor as pessoas. Eu não tenho vontade de me destacar não, em nada. Eu acho que todos nós somos destaque e merecemos atenção.

AC – Olhando toda a sua trajetória, como avalia a forma como você se insere no panorama artístico brasileiro ?

HI – Talvez o meu mérito seja reconhecer o mérito dos trabalhos que eu fiz, e considero todos muito importantes, eles são pontos de iluminação na minha vida, como por exemplo, o primeiro trabalho, o curta-metragem O Pátio, onde fui dirigida por Glauber Rocha… Meu intuito é fazer como diretora com o mesmo ímpeto com que fiz como atriz. Porque bons atores fazem bons filmes. E o que me interessa no cinema é justamente este poder de transformar, que vai contra o estereótipo da masculinidade. Se isso não fosse possível, eu não teria o menor prazer em fazer cinema.

Ney e Helena em cena de Luz nas Trevas

Sobre a escolha de Ney Matogrosso para protagonizar Luz nas Trevas (segundo longa da diretora que vem angariando elogios por onde passa), ela diz que não foi fácil, pois queria um ícone, um homem de 70 anos, que soubesse cantar, que ultrapassasse a figura do “Bandido”: Teria que ser um bandido original, teria que ser um homem do mesmo naipe do Ney, porque eu sabia que as comparações e cobranças seriam muitas. O Luz é um filme que custou R$ 2 milhões de reais, vencedor em 4 editais. Foram minhas filhas Paloma Rocha e Sinai Sganzerla que sugeriram o nome de Ney Matogrosso para o filme. E a escolha foi muito acertada: Ney Matogrosso está muito bem como o ‘bandido’.

Mulher que conquista pela simplicidade, charme, elegância, inteligência refinada e sensibilidade aguçada, Helena é também uma mulher cujo oxigênio é matéria de encantaria, o que a faz uma mulher apaixonada e apaixonante. O amor, amizade, cumplicidade, afeto, sentido de admiração e saudade de todos os momentos vividos ao lado do grande e eterno amor (o cineasta Rogério Sganzerla), está presente em todas as entrelinhas: “Quem me inspirou mais, como cineasta, ainda me interessa e vai me inspirar vida afora foi e é Rogério Sganzerla”.

Difícil não encher os olhos de lágrimas sentindo a emoção escoar pelas palavras de Helena Ignez : “Me encantei com o cinema dele, sua energia impressionante e a inteligência fora do comum de Rogério Sganzerla…”

Em São Paulo, foi lançado esta semana o documentário Mr. Sganzerla, que tornou-se possível graças à imensa generosidade de Helena Ignez, que cedeu todo o material de arquivo. O filme, dirigido por Joel Pizzini, foi o vencedor do É Tudo Verdade deste ano, e será o filme de abertura da primeira edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba, que começa hoje na capital paranaense. 

Ideias e frase lapidares de HELENA IGNEZ 

“Rogério Sganzerla é um cineasta que ainda precisa ser muito estudado para ser compreendido em sua plenitude. Ainda há muito a se descobrir sobre ele”.

“Acho que um filme não pode ser desclassificado porque foi feito com uma técnica menor, com menos dinheiro e menos condições técnicas. As idéias não pertencem às técnicas”.

“Um diretor de cinema não pode desconhecer ou menosprezar o Teatro. É indispensável ! Os grandíssimos diretores de Cinema tem uma boa relação com o Teatro. Cito por exemplo o caso de um ator como João Miguel: ele vai sempre além do que o roteiro lhe dá. Se o ator não tiver seu ABC, seus signos, seus códigos próprios, ele não consegue avançar, ir mais além”.

Para os que estão começando na carreira ou pretendem ingressar na área do Audiovisual, a recomendação de Helena Ignez é simples e clara: “Ler, ler muitíssimo, sobretudo os pensadores do Cinema.

E para finalizar nosso bate-papo, HELENA IGNEZ cita uma frase do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que é fonte inspiradora para o novo longa da diretora, intitulado RALÉ:

“Vamos indigenizar o Brasil e reinventar esta história”.

Helena Ignez na noite em que foi homenageada no I Encontro Nossas Américas, Nossos Cinemas, realizado em Sobral, no sertão cearense…

O lado B de Hollywood pelo crítico LG de Miranda Leão

O crítico L.G. de Miranda Leão reconstitui a história das produções B e sua contribuição para a Sétima Arte

Em 30 de abril passado, neste Caderno 3, publicamos texto sobre o valor intrínseco dos filmes “noir” (Luz sobre Sombras) e do “thriller”,louvando-os em seu conjunto e no legado das influências individuais deixadas pelos cineastas dos anos 40/50, um dos quais, Robert Siodmak, está a merecer uma homenagem póstuma por sua contribuição à arte do cinema. Tratamos hoje dos filmes B, nos quais, mesmo com baixo orçamento e dificuldades outras, foi possível fazer alguns filmes sugestivos de sua importância.

Cena de “Detour”, um filme de Edgar G. Ulmer…

Afinal, como conceituar o filme B, denominado pelos americanos de “B movie”? Um celuloide de orçamento modesto geralmente exibido como o segundo filme de um programa duplo, o chamado “double feature” ou “double bills”. Os B movies começaram a aparecer regularmente nas telas americanas em 1932 e foram a norma e não a exceção em 1935. O fenômeno do filme B, como se sabe, foi gerado pela forte demanda por um entretenimento pouco dispendioso durante a Depressão de 1929 nos EUA e pela necessidade dos grandes estúdios de Hollywood (e nem eram tão grandes assim) para manter suas cadeias de exibição de filmes supridas com uma programação constante. Havia pouco lucro, mas também pouco risco na produção de filmes B, como registra Gerald Mast em seu “The Studio Years”.

“The Man from Planet X, de Edgar G. Ulmer

 

Quanto aos filmes A, isto é, produções mais ricas no topo das “double bills” eram exibidos na base de um percentual dos ganhos das bilheterias, enquanto os filmes B eram arrendados por uma taxa básica de juros (“fixed flat rate”) sem levar em consideração a frequência de espectadores. À medida em que os maiores estúdios gradualmente perdiam interesse no filme B, surgiu uma proliferação de pequenos estúdios independentes (coletivamente conhecidos como Poverty Row fila da pobreza), Gower Gulch (ravina aurífera do poeta inglês John Gower) ou B-Hive (enxame de abelhas) especializados na produção de filmes B por um lucro pequeno mas quase sempre garantido. Os principais estúdios B foram chamados Republic e Monogram, mas havia muitos outros, incluindo-se nomes agora esquecidos como Grand National, Mascot, PRC (Producers Releasing Corporation), Tiffany, Sono Art-World Wide, Chesterfield, Victory, Invincible, Ambassador-Conn, Puritan e Majestic.

O ator Boris Karloff, em “The Body Snatcher”, de Robert Wise

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Produção dos Estúdios B

Na luta para consolidar-se, os estúdios B começaram a produzir seus filmes com velocidade surpreendente como compensação pela perspectiva de lucro insuficiente por cada filme concluído. O típico filme B, como já frisamos, era um filme curto (o chamado “quickie”) feito num orçamento do tipo “bargain-basement” com “coolies” (trabalhadores braçais, indianos ou chineses) sob condições e horas de trabalho extremamente apertados para filmagens, enquanto os diretores (e futuros cineastas) dispunham de pouco tempo para inspiração ou criatividade. Esses filmes eram tipicamente de gênero com um conceito de fórmula, com maior frequência um melodrama criminal ou um Western, mas muitas vezes uma despretensiosa comédia tipo “lowbrow”, um romance leve ou um filme de horror ou fantasia de ciência-ficção.

Cartaz de filme do cineasta Rudolph Maté…

No todo, o filme B era tratado pelos críticos do “establishment” com o maior desprezo, isso quando os roteiros chegavam a ser lidos e, na verdade, a grande maioria dos milhares desses filmes produzidos por baixo preço e filmados ao longo dos anos mereciam ser mesmo ignorados. A maioria deles era mesmo mal escrita ou mal roteirizada, presos a fórmulas desgastadas e direção padrão, com falsos cenários de papelão, pano de fundo e uma cinematografia indiferente, traindo suas origens humildes. Nada obstante, de tempos em tempos a fábrica do B Pictures chegou, pasmem os leitores, a produzir verdadeiras gemas e até mesmo clássicos menores, segundo consta na análise feitas por analistas da época. Houve alguns realizadores expatriados, ansiosos para trabalharem nos EUA, e diretores admirados e de talento. Muitos tinham afinidades com a arte do século, outros já conheciam a importância das imagens em movimento e do que poderiam sugerir, outros primavam pela síntese visual com desprezo pelo supérfluo, outros ainda pela importância da luz e dos movimentos de câmara.
Assim, cineastas como Val Lewton, Edgar G. Ulmer, Andre de Toth, Rudolph Maté e, muito depois, Roy Rowland são alguns dos nomes de “filmmakers” que de alguma forma conseguiram atuar com nobreza dentro do sistema da “fábrica” de filmes B e criar muito boas realizações plenas de ação e atmosfera, com atores de categoria interpretando personagens incomuns e recriando fórmulas através de inventividade, competência e afinidade com a arte.

Fim do “Double Feature”

Em 1948, a decisão antitruste da Suprema Corte dos EUA forçou os principais estúdios a desfazerem-se de suas próprias cadeias teatrais, considerando o crescimento concorrente da TV e a crescente sofisticação dos frequentadores das salas de cinema. A decisão histórica de 1948 sinalizou o fim do “double feature” e também o declínio do filme B. Películas de baixo orçamento continuaram a ser feitos, enquanto as novas fábricas de filmes B, como a Allied Artists e a American International Pictures (AIP), emergiram da cena hollywoodiana. Mas a era do grande filme B, capaz de produzir milhões de fotogramas (ou suportes) desperdiçados, e também de alguns memoráveis e despretensiosos pequenos filmes de qualidade, tinha desaparecido no início dos anos 50 ou mesmo pouco antes disso. Chegaram outros tempos e com eles a nostalgia que marcou de forma indelével a juventude desaparecida de milhares de cinéfilos. Fomos um deles.

* L. G. DE MIRANDA LEÃO é crítico de CINEMA com mais de 50 anos de atividade ininterrupta, e autor dos livros ANALISANDO CINEMA e ENSAIOS DE CINEMA, ambos encontráveis na Livraria CULTURA.