Bárbara Cariry: dos sets de criança ao Encontro de Cineastas Latinos e Caribenhos no Ceará

Filha do cineasta Rosemberg Cariry e da produtora e atriz Teta Maia, e irmã do premiado cineasta Petrus Cariry, ela cresceu entre rolos de filmes, estúdios de gravação, salas de montagens, sets de filmagens, livros, realização de eventos, e encontros com artistas de várias vertentes, numa intensa ponte entre o cariri cearense e a capital conhecida como Loura Desposada do Sol.

Desde pequena, seu olhar atento, o interesse pelas histórias da Arte, a convivência permanente e visivelmente encantada com a trajetória dos pais, deixavam antever que ela também traçaria seu caminho no rumo da Sétima Arte.

E assim foi: ela começou escrevendo roteiros ao lado do pai e do irmão, ingressou na fotografia e realizou uma bela exposição em espaço cultural de Fortaleza, representou filmes de Petrus Cariry em alguns festivais (nos quais dividimos quarto algumas vezes), até chegar a hora de ingressar na Universidade, e a opção foi o que o berço lhe indicava: o Cinema.

Hoje, BÁRBARA CARIRY está prestes a tornar-se Bacharel em Audiovisual, depois de assinar diversos curtas-metragens, assumir a produção do premiado longa Mãe e Filha, criar e realizar a Mostra Outros Cinemas, e idealizar o Encontro Nossas Américas – Nossos Cinemas, que vai acontecer na cidade de Sobral, de 23 a 26 próximos.

Confira aqui a ENTREVISTA EXCLUSIVA de Bárbara Cariry ao Aurora de Cinema e saiba um pouco melhor sobre esta jovem que ainda vai fazer muito mais pelo Cinema, a partir do Ceará.

Com você, as palavras, as ideias, a trajetória, o pensamento, os planos, a determinação e um pouco das emoções de BÁRBARA CARIRY:

Bárbara Cariry: ‘contaminada’ pelo cinema, agora espalha cinema pelas Américas…

AC – Como é ser filha de um cineasta?

BC – Descobri o cinema de forma muito natural por conta de meus pais que são pessoas envolvidas com cinema. Desde pequeninha, freqüento os sets de filmagens e cheguei a participar de alguns filmes ainda na infância. Sempre vi muitos filmes em casa e li livros sobre cinema.

AC – Esse parentesco com Rosemberg e Petrus, um cineasta também já muito premiado, atrapalha ou ajuda ? As cobranças são muitas ?

BC – Eu trabalho com pessoas de que gosto muito, pessoas que admiro e acredito no trabalho. Vou produzindo minhas mostras de cinemas e meus curtas sem maiores preocupações com cobranças. Meu compromisso é comigo mesmo e com a qualidade do meu trabalho. Estou terminando o Curso de Cinema e Novas Mídias da Unifor e penso em fazer mestrado na área.

AC –  Você começou como roteirista, depois foi pra fotografia, produção e também tem seus próprios filmes. Fale um pouco sobre sua trajetória e em que função você gosta mais de estar.

BC – Assim, como Petrus, passei por todas as fases de realização de um filme, desde a assistência de direção, passando pela montagem, até a produção. Cinema é um longo aprendizado e um diretor tem que conhecer todos os processos. Eu gosto muito de produzir e quero continuar produzindo e dirigindo meus curtas. Numa boa, sem pressas.

 Nas filmagens de Lua Cambará, filme do pai, Rosemberg Cariry…

AC – Você criou uma Mostra que vem acontecendo anualmente, a Outros Cinemas, e que é um painel muito diversificado da produção audiovisual brasileira. Como essa idéia surgiu e que retornos a Mostra tem lhe dado ?

BC – A idéia de fazer a Mostra Outros Cinemas começou dentro da Universidade que estou cursando, a UNIFOR, como um espaço para exibição e debate de cinemas esteticamente mais ousados. Depois a mostra foi crescendo e adquirindo maior significado. Queremos fazer da V Mostra Outros Cinemas, que acontece neste ano de 2012, um acontecimento bem amplo com a participação de importantes nomes do cinema brasileiro mais experimental.

AC – Agora, você surge com esta idéia bonita e ampla do Encontro Nossas Américas. Como foi o ‘estalo’ pro surgimento desta nova produção ?

BC – Não houve um “estalo”. Nossas Américas – Nossos Cinemas resulta de um longo processo. Surgiu em um encontro de documentaristas latino americanos, no Rio de Janeiro. Durante anos esta idéia circulou sem que ninguém pensasse ou ousasse realizá-la. Em contato com a organização de documentaristas da América Latina, propus realizar o evento de forma independente, no Ceará. Eles apoiaram a idéia. O sonho agora está se tornando realidade. O que nos falta em recursos financeiros sobra em boa vontade e paixão. Estou muito contente em realizar este encontro histórico entre os jovens da América Latina e do Caribe. A idéia é de um evento itinerante. O segundo encontro de jovens realizadores da América latina e do Caribe, por exemplo, acontecerá na Argentina e assim, a cada ano, em um país diferente. 

Filmagens de Corisco & Dadá: com o pai Rosemberg, o fotógrafo Roberto Yuri, o cineasta Ronaldo Nunes, e o ator Joca Andrade.

AC – Qual é o verdadeiro mote do Encontro ?

BC – Difundir o audiovisual Latino Americano e Caribenho nos nossos países e pensar novas políticas para intercâmbio e para uma troca solidária entre os jovens através das suas associações. Pensamos também em redes independentes de exibição de conteúdo audiovisual através da internet. 

AC – Como se deu a escolha de Sobral para sede do Encontro ?

BC – Sobral tem a Escola de Artes e Ofício e é ainda um importante centro econômico e cultural, inclusive com uma produção audiovisual emergente. Havia também a preocupação com a descentralização. Sobral tem ótimos espaços culturais e tem o Teatro São João, onde acontecerá o encontro, que é lindo, além de ser um importante patrimônio cultural do nosso Estado.

Bárbara Cariry: caminhando a favor do vento, sem lenço mas de câmara na mão…

AC – Por que Helena Ignez como a grande mulher representando nossa Cinematografia ?

BC – Do Brasil, escolhemos Helena e Geraldo Sarno para serem os homenageados pelos importantes trabalhos realizados pelos dois. Heleza Ignez representa a liberdade e a ousadia da mulher. Geraldo Sarno tem uma imensa contribuição no cinema e no pensamento crítico cinematográfico do Brasil. São dois nomes muito importantes. 

AC – Quais seus próximos projetos ?

BC – A Mostra Outros Cinemas, em 2012, completa cinco anos. Queremos fazer uma mostra maior, com a presença de mais realizadores e filmes, promovendo debates e seminário sobre o novo cinema que se realiza no Brasil. Além disso, tenho me organizado para filmar, ainda este ano, um curta-metragem chamado “Os Cabelos de Letícia” .

Bárbara Cariry produzindo, realizando, exibindo: Cinema 24 horas…

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