Arquivo do dia: 28/05/2012

O lado B de Hollywood pelo crítico LG de Miranda Leão

O crítico L.G. de Miranda Leão reconstitui a história das produções B e sua contribuição para a Sétima Arte

Em 30 de abril passado, neste Caderno 3, publicamos texto sobre o valor intrínseco dos filmes “noir” (Luz sobre Sombras) e do “thriller”,louvando-os em seu conjunto e no legado das influências individuais deixadas pelos cineastas dos anos 40/50, um dos quais, Robert Siodmak, está a merecer uma homenagem póstuma por sua contribuição à arte do cinema. Tratamos hoje dos filmes B, nos quais, mesmo com baixo orçamento e dificuldades outras, foi possível fazer alguns filmes sugestivos de sua importância.

Cena de “Detour”, um filme de Edgar G. Ulmer…

Afinal, como conceituar o filme B, denominado pelos americanos de “B movie”? Um celuloide de orçamento modesto geralmente exibido como o segundo filme de um programa duplo, o chamado “double feature” ou “double bills”. Os B movies começaram a aparecer regularmente nas telas americanas em 1932 e foram a norma e não a exceção em 1935. O fenômeno do filme B, como se sabe, foi gerado pela forte demanda por um entretenimento pouco dispendioso durante a Depressão de 1929 nos EUA e pela necessidade dos grandes estúdios de Hollywood (e nem eram tão grandes assim) para manter suas cadeias de exibição de filmes supridas com uma programação constante. Havia pouco lucro, mas também pouco risco na produção de filmes B, como registra Gerald Mast em seu “The Studio Years”.

“The Man from Planet X, de Edgar G. Ulmer

 

Quanto aos filmes A, isto é, produções mais ricas no topo das “double bills” eram exibidos na base de um percentual dos ganhos das bilheterias, enquanto os filmes B eram arrendados por uma taxa básica de juros (“fixed flat rate”) sem levar em consideração a frequência de espectadores. À medida em que os maiores estúdios gradualmente perdiam interesse no filme B, surgiu uma proliferação de pequenos estúdios independentes (coletivamente conhecidos como Poverty Row fila da pobreza), Gower Gulch (ravina aurífera do poeta inglês John Gower) ou B-Hive (enxame de abelhas) especializados na produção de filmes B por um lucro pequeno mas quase sempre garantido. Os principais estúdios B foram chamados Republic e Monogram, mas havia muitos outros, incluindo-se nomes agora esquecidos como Grand National, Mascot, PRC (Producers Releasing Corporation), Tiffany, Sono Art-World Wide, Chesterfield, Victory, Invincible, Ambassador-Conn, Puritan e Majestic.

O ator Boris Karloff, em “The Body Snatcher”, de Robert Wise

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Produção dos Estúdios B

Na luta para consolidar-se, os estúdios B começaram a produzir seus filmes com velocidade surpreendente como compensação pela perspectiva de lucro insuficiente por cada filme concluído. O típico filme B, como já frisamos, era um filme curto (o chamado “quickie”) feito num orçamento do tipo “bargain-basement” com “coolies” (trabalhadores braçais, indianos ou chineses) sob condições e horas de trabalho extremamente apertados para filmagens, enquanto os diretores (e futuros cineastas) dispunham de pouco tempo para inspiração ou criatividade. Esses filmes eram tipicamente de gênero com um conceito de fórmula, com maior frequência um melodrama criminal ou um Western, mas muitas vezes uma despretensiosa comédia tipo “lowbrow”, um romance leve ou um filme de horror ou fantasia de ciência-ficção.

Cartaz de filme do cineasta Rudolph Maté…

No todo, o filme B era tratado pelos críticos do “establishment” com o maior desprezo, isso quando os roteiros chegavam a ser lidos e, na verdade, a grande maioria dos milhares desses filmes produzidos por baixo preço e filmados ao longo dos anos mereciam ser mesmo ignorados. A maioria deles era mesmo mal escrita ou mal roteirizada, presos a fórmulas desgastadas e direção padrão, com falsos cenários de papelão, pano de fundo e uma cinematografia indiferente, traindo suas origens humildes. Nada obstante, de tempos em tempos a fábrica do B Pictures chegou, pasmem os leitores, a produzir verdadeiras gemas e até mesmo clássicos menores, segundo consta na análise feitas por analistas da época. Houve alguns realizadores expatriados, ansiosos para trabalharem nos EUA, e diretores admirados e de talento. Muitos tinham afinidades com a arte do século, outros já conheciam a importância das imagens em movimento e do que poderiam sugerir, outros primavam pela síntese visual com desprezo pelo supérfluo, outros ainda pela importância da luz e dos movimentos de câmara.
Assim, cineastas como Val Lewton, Edgar G. Ulmer, Andre de Toth, Rudolph Maté e, muito depois, Roy Rowland são alguns dos nomes de “filmmakers” que de alguma forma conseguiram atuar com nobreza dentro do sistema da “fábrica” de filmes B e criar muito boas realizações plenas de ação e atmosfera, com atores de categoria interpretando personagens incomuns e recriando fórmulas através de inventividade, competência e afinidade com a arte.

Fim do “Double Feature”

Em 1948, a decisão antitruste da Suprema Corte dos EUA forçou os principais estúdios a desfazerem-se de suas próprias cadeias teatrais, considerando o crescimento concorrente da TV e a crescente sofisticação dos frequentadores das salas de cinema. A decisão histórica de 1948 sinalizou o fim do “double feature” e também o declínio do filme B. Películas de baixo orçamento continuaram a ser feitos, enquanto as novas fábricas de filmes B, como a Allied Artists e a American International Pictures (AIP), emergiram da cena hollywoodiana. Mas a era do grande filme B, capaz de produzir milhões de fotogramas (ou suportes) desperdiçados, e também de alguns memoráveis e despretensiosos pequenos filmes de qualidade, tinha desaparecido no início dos anos 50 ou mesmo pouco antes disso. Chegaram outros tempos e com eles a nostalgia que marcou de forma indelével a juventude desaparecida de milhares de cinéfilos. Fomos um deles.

* L. G. DE MIRANDA LEÃO é crítico de CINEMA com mais de 50 anos de atividade ininterrupta, e autor dos livros ANALISANDO CINEMA e ENSAIOS DE CINEMA, ambos encontráveis na Livraria CULTURA.

Marcelo Serrado volta ao cinema como o maestro João Carlos Martins

A história de vida do maestro João Carlos Martins, cuja tradução é uma exemplar lição de coragem, disposição e ousadia, vai chegar às telas do cinema. E caberá ao ator Marcelo Serrado assumir o papel do maestro.

Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, o filme com Marcelo Serrado terá direção de Bruno Barreto.

Marcelo Serrado, que canta e toca piano, é ator que já recebeu o KIKITO (o cobiçado prêmio do Festival de Cinema de Gramado), e que conquistou inúmeros fãs com o perosnagem “Crô” da novela Fina Estampa, começará a ensaiar as músicas que o pianista interpretava e, depois do remake de Gabriela, vai deixar o cabelo crescer para ficar parecido com o maestro na juventude.

O filme contará detalhes da vida de João Carlos Martins, como quando ele perdeu a virgindade num bordel, aos 19 anos, em Cartagena, na Colômbia; a carreira de pianista; a perda dos movimentos das mãos e a volta por cima, em meio a um turbilhão de condições adversas. Mesmo assim, o pianista conseguiu prosseguir na música, enveredando por outros caminhos e evidenciando seu talento e vocação para a profissão, através de uma formidável capacidade de superação, que o levou a atuar como maestro.

Vida de João Carlos Martins, recheada de acontecimentos surpreendentes, vai chegar ao cinema…

 

Apoio para circular Documentários latinos

O portal CurtaDoc (www.curtadoc.tv), primeiro catálogo brasileiro de documentários curtas-metragens na internet, amplia seu acervo para a América Latina. A partir de agora, realizadores de todo o continente latino-americano podem inscrever gratuitamente suas produções no site e participar de uma seleção para um programa de televisão exibido no Brasil. São aceitos documentários com duração de até 30 minutos, sem restrição de época, temas ou formatos de captação. 

O CurtaDoc é uma realização da Contraponto (www.contraponto.tv), produtora de Florianópolis (SC). O projeto começou como um programa de televisão para o canal educativo SESCTV (www.sesctv.org.br), revelando uma seleção representativa do curta-metragem brasileiro no gênero documentário. A série semanal, no ar desde outubro de 2009, terá sua terceira edição dedicada a produções latino-americanas.

O catálogo CurtaDoc conta atualmente com 756 filmes brasileiros produzidos nos últimos 50 anos, os quais podem ser assistidos na íntegra e servem como fontes de pesquisa para realizadores, pesquisadores, professores, estudantes e interessados. O regulamento e a ficha de inscrição são bilíngues (português/espanhol) e estão disponíveis no portal. 


www.contraponto.tv
http://www.curtadoc.tv
http://www.facebook.com/curtadoc
twitter.com/curtadoc 

Para inscrever seu curta-metragem, o realizador deverá disponibilizar um link do filme num site de compartilhamento (YouTube, Vimeo, etc). Os documentários inscritos estão sempre em avaliação pela curadoria do CurtaDoc  para participar de séries para televisão, mostras e festivais latino-americanos. 

Na web, o CurtaDoc foi lançado em junho de 2011 durante o FAMFestival Audiovisual Mercosul, em Florianópolis. O catálogo de curtas tem como objetivo estimular ainda mais a discussão sobre a cultura do documentário e o espaço de exibição, potencializando o acesso aos filmes. A ampliação do acervo propiciará o mapeamento da produção latino-americana e a criação de uma rede de realizadores do continente.

Pelo fortalecimento dos laços Brasil, Caribe, América Latina

AURORA DE CINEMA direto do I ENCONTRO NOSSAS AMÉRICAS, NOSSOS CINEMAS

Bem preservado, Theatro São João é pequena jóia no coração de Sobral (foto AML) …

Breve painel sobre o DIA-A-DIA EM SOBRAL

Terminou na noite de sábado, com saldo bastante positivo, a primeira edição do I ENCONTRO NOSSAS AMÉRICAS, NOSSOS CINEMAS, realizado em Sobral, município do sertão cearense, há poucas horas da capital.

Depois de proveitosas mesas temáticas que ocuparam as manhãs do Theatro São João e das 4 mesas de trabalho formadas para dar melhor encaminhamento às discussões e à redação da chamada Carta de Sobral, a volta pra Fortaleza na manhã de domingo, em ônibus que congregou a maioria dos participantes, foi de troca de afetos, e-ms, contatos e muitos planos para a segunda edição, cujo país-sede será o Peru.

Geraldo Sarno e Eryk Rocha: foco no documentário e nos processos de criação

Tendo como pontos altos a mesa com o cineasta Eryk Rocha, a exibição do documentário Transeunte e uma festa-surpresa oferecida pelo prefeito de Sobral aos participantes – a animação rolou solta na penúltima noite do Encontro – o I Nossas Américas, Nossos Cinemas escreveu uma ousada página nos anais da Cultura do Ceará, e uma nova página na história das convergências/ similaridades/possibilidades de parcerias entre povos da América Latina e do Caribe.

O que se falou, escreveu, partilhou, vivenciou e sonhou junto em termos de integração de povos tão semelhantes, em tantos aspectos, e tão distanciados por barreiras que precisam ser vencidas, foi algo de suma importância para a almejada construção de um novo capítulo no panorama audiovisual destes povos, representados em Sobral por muitos jovens de diversas gerações que querem fazer cada vez mais Cinema e partilhar suas experiências com tantos hermanos.

Alguns pontos dos ‘bastidores’  a destacar:

* A ótima qualidade do material gráfico distribuído, com design de Ricardo Baptista, onde chama a atenção a arte com figuras da cultura popular, criação do artista brasiliense Jô Oliveira;

* O desfile de belos vestidos usados por Bárbara Cariry, que chamavam atenção pelas belas estampas e destacavam a simpatia e simplicidade da Diretora-Geral do Encontro;

* A apresentação segura de Jamile Teixeira, que também trajava modelos finos e fez um Cerimonial marcado por boa dicção, elegância e cortesias;

* A ‘estratégica’ pausa para um cafezinho (delícia !) com bolachinhas saborosas, sessões de fotos e muito bate-papo;

* A simpatia da cineasta cubana Lázara Herrera e a incansável disposição do boliviano Humberto Ríos;

* O olhar atento da cineasta mexicana Saudhi Batalla, que não se desgrudava de sua câmera e fazia fotos de todos, o tempo todo;

A cineasta peruana Carmen Rosa Vargas e Aurora Miranda Leão…

* O índio equatoriano que levou belas peças da artesania criada por seu povo e vendeu todas muito rápido, espalhando cores e beleza pelos espaços do Encontro;

* A ótima tradução de Flávio Duarte Bossa Freitas, possibilitando a nosotros acompanhar a fala do cineasta canadense Michel Régnier;

* A simpatia e poder de aglutinação do produtor Tito Amejeira, um dos Curadores, o mais brasileiro dos argentinos, que no sábado era só felicidade dividindo uma original Tequilla mexicana com os convidados, no restaurante Lancelot, o qual, aliás, serviu uma comida típica, variada e deliciosa, todos os dias do evento;

Os realizadores Arthur Leite, Golda Barros e Bruno Pires…

* A presença massiva dos muitos realizadores de cinema, que foram quase unânimes na constante presença nos espaços do produtivo Encontro, sem deixar de comparecer, toda noite, de forma também quase unânime, a um passeio pelos bares da noite sobralense;

* A presença de Helena Ignez e Sérgio Mamberti na Parada Gay de Sobral, tarde de sábado…

Bárbara Cariry e Helena Ignez na noite de Homenagem à atriz…

… tem muito mais ainda mas fica pra adelante…

No próximo post, novas anotações do I Encontro Nossas Américas, Nossos Cinemas.

Na última noite do Nossas Américas: realizadores de vários lugares…

A trajetória do cinema mudo à tecnologia digital…

Do cinema mudo à tecnologia digital

A maioria das pessoas gosta de cinema, mas não sabe como são alcançados os resultados vistos na tela. De que formas a tecnologia audiovisual se modificou dos filmes do passado para o cinema digital do presente ? O curso irá abordar a história do cinema do ponto-de-vista da tecnologia, permitindo aos alunos compreender melhor como a criatividade foi usada ao longo dos anos para aproveitar e superar os recursos à disposição dos cineastas.
 
 
 
 
A CINÉDIA CENA CRIATIVA oferece curso sobre o tema, a ser ministrado pelo Doutor em Comunicação, Rafael de Luna Freire, a partir do dia 30 de maio, das 18:30h  às 21h30, em sua sede no bairro de Santa Tereza.
 
CURSO do CINEMA MUDO À TECNOLOGIA DIGITAL
Dias: 30 maio e 06, 13 e 20 de junho
 
MAIS INFORMAÇÕES:

CINÉDIA Cena Criativa

Rua Santa Cristina, n° 5 – Glória

Tel. (21) 2221-2633

 

Inscrições ao Curta Santos…

Febre do Rato é o longa mais aguardado do CineCE

Novo filme de Cláudio Assis será exibido no Theatro José de Alencar, com a presença do diretor e dos atores Matheus Nachtergaele, Mariana Nunes, Maria Gladys e Tânia Granussi

 

FEBRE DO RATO entra em cartaz dia 22 de junho em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. O filme participou do Paulínia Festival de Cinema – 2011 e conquistou 8 prêmios: Melhor Filme Ficção – Júri Oficial, Melhor Filme – Prêmio da Crítica, Melhor Ator (Irandhyr Santos), Melhor Atriz (Nanda Costa), Melhor Fotografia (Walter Carvalho), Melhor Montagem (Karen Harley), Melhor Direção de Arte (Renata Pinheiro), Melhor Trilha Sonora (Jorge Du Peixe).
Febre do Rato é uma expressão popular típica do nordeste brasileiro, que significa aquele que está fora de controle. É assim que Zizo, poeta inconformado e anarquista, denomina seu tablóide, publicado às próprias custas. Às voltas com seu universo particular, no qual saciar os desafortunados é uma mistura de benefício com altas doses de maldade, ele se depara com Eneida, consciência contemporânea e periférica, e todas suas convicções parecem ruir. Instaura-se o conflito entre o indivíduo e a coletividade.

Cláudio Assis e Irandhir Santos: presenças no CineCE, que vai movimentar Fortaleza a partir da próxima sexta…

Sobre o diretor Cláudio Assis

Desde o início da carreira como ator e cineclubista em Caruaru (PE) até a direção do primeiro longa, Amarelo Manga (2002), o diretor construiu uma trajetória que inclui a direção e produção de curtas, documentários e longas. Esses últimos são resultado de profunda reflexão sobre a linguagem cinematográfica e seus meios de produção. Sua obra dialoga entre si e constrói um discurso cinematográfico próprio, focado na reflexão do comportamento humano. Seus longas são projetos de baixo orçamento, e entre estes destacam-se Baixio das Bestas (2006), premiado nos festivais de Brasília, Roterdã, Miami e Paris; Amarelo Manga, premiado em Brasília, Toulose (França), Miami e Fortaleza; Chico Science – Retratos Brasileiros (2008), e Vou de Volta (2007).  

FEBRE DO RATO

Brasil, 2011, 110 min, 35mm, p&b, dolby digital
Direção: Cláudio Assis
Produção: Claudio Assis, Julia Moraes e Marcello Ludwig Maia
Produção: executiva Marcello Ludwig MaiaRoteiro Hilton Lacerda
Fotografia: Walter Carvalho
Montagem: Karen Harley

Elenco: Irandhyr Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré, Tânia Granussi, Conceição Camarotti, Mariana Nunes, Maria Gladys, Ângela Leal, Vitor Araújo, Hugo Gila.

Distribuição: Imovision