Arquivo do mês: maio 2012

Marcelo Serrado volta ao cinema como o maestro João Carlos Martins

A história de vida do maestro João Carlos Martins, cuja tradução é uma exemplar lição de coragem, disposição e ousadia, vai chegar às telas do cinema. E caberá ao ator Marcelo Serrado assumir o papel do maestro.

Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo, o filme com Marcelo Serrado terá direção de Bruno Barreto.

Marcelo Serrado, que canta e toca piano, é ator que já recebeu o KIKITO (o cobiçado prêmio do Festival de Cinema de Gramado), e que conquistou inúmeros fãs com o perosnagem “Crô” da novela Fina Estampa, começará a ensaiar as músicas que o pianista interpretava e, depois do remake de Gabriela, vai deixar o cabelo crescer para ficar parecido com o maestro na juventude.

O filme contará detalhes da vida de João Carlos Martins, como quando ele perdeu a virgindade num bordel, aos 19 anos, em Cartagena, na Colômbia; a carreira de pianista; a perda dos movimentos das mãos e a volta por cima, em meio a um turbilhão de condições adversas. Mesmo assim, o pianista conseguiu prosseguir na música, enveredando por outros caminhos e evidenciando seu talento e vocação para a profissão, através de uma formidável capacidade de superação, que o levou a atuar como maestro.

Vida de João Carlos Martins, recheada de acontecimentos surpreendentes, vai chegar ao cinema…

 

Apoio para circular Documentários latinos

O portal CurtaDoc (www.curtadoc.tv), primeiro catálogo brasileiro de documentários curtas-metragens na internet, amplia seu acervo para a América Latina. A partir de agora, realizadores de todo o continente latino-americano podem inscrever gratuitamente suas produções no site e participar de uma seleção para um programa de televisão exibido no Brasil. São aceitos documentários com duração de até 30 minutos, sem restrição de época, temas ou formatos de captação. 

O CurtaDoc é uma realização da Contraponto (www.contraponto.tv), produtora de Florianópolis (SC). O projeto começou como um programa de televisão para o canal educativo SESCTV (www.sesctv.org.br), revelando uma seleção representativa do curta-metragem brasileiro no gênero documentário. A série semanal, no ar desde outubro de 2009, terá sua terceira edição dedicada a produções latino-americanas.

O catálogo CurtaDoc conta atualmente com 756 filmes brasileiros produzidos nos últimos 50 anos, os quais podem ser assistidos na íntegra e servem como fontes de pesquisa para realizadores, pesquisadores, professores, estudantes e interessados. O regulamento e a ficha de inscrição são bilíngues (português/espanhol) e estão disponíveis no portal. 


www.contraponto.tv
http://www.curtadoc.tv
http://www.facebook.com/curtadoc
twitter.com/curtadoc 

Para inscrever seu curta-metragem, o realizador deverá disponibilizar um link do filme num site de compartilhamento (YouTube, Vimeo, etc). Os documentários inscritos estão sempre em avaliação pela curadoria do CurtaDoc  para participar de séries para televisão, mostras e festivais latino-americanos. 

Na web, o CurtaDoc foi lançado em junho de 2011 durante o FAMFestival Audiovisual Mercosul, em Florianópolis. O catálogo de curtas tem como objetivo estimular ainda mais a discussão sobre a cultura do documentário e o espaço de exibição, potencializando o acesso aos filmes. A ampliação do acervo propiciará o mapeamento da produção latino-americana e a criação de uma rede de realizadores do continente.

Pelo fortalecimento dos laços Brasil, Caribe, América Latina

AURORA DE CINEMA direto do I ENCONTRO NOSSAS AMÉRICAS, NOSSOS CINEMAS

Bem preservado, Theatro São João é pequena jóia no coração de Sobral (foto AML) …

Breve painel sobre o DIA-A-DIA EM SOBRAL

Terminou na noite de sábado, com saldo bastante positivo, a primeira edição do I ENCONTRO NOSSAS AMÉRICAS, NOSSOS CINEMAS, realizado em Sobral, município do sertão cearense, há poucas horas da capital.

Depois de proveitosas mesas temáticas que ocuparam as manhãs do Theatro São João e das 4 mesas de trabalho formadas para dar melhor encaminhamento às discussões e à redação da chamada Carta de Sobral, a volta pra Fortaleza na manhã de domingo, em ônibus que congregou a maioria dos participantes, foi de troca de afetos, e-ms, contatos e muitos planos para a segunda edição, cujo país-sede será o Peru.

Geraldo Sarno e Eryk Rocha: foco no documentário e nos processos de criação

Tendo como pontos altos a mesa com o cineasta Eryk Rocha, a exibição do documentário Transeunte e uma festa-surpresa oferecida pelo prefeito de Sobral aos participantes – a animação rolou solta na penúltima noite do Encontro – o I Nossas Américas, Nossos Cinemas escreveu uma ousada página nos anais da Cultura do Ceará, e uma nova página na história das convergências/ similaridades/possibilidades de parcerias entre povos da América Latina e do Caribe.

O que se falou, escreveu, partilhou, vivenciou e sonhou junto em termos de integração de povos tão semelhantes, em tantos aspectos, e tão distanciados por barreiras que precisam ser vencidas, foi algo de suma importância para a almejada construção de um novo capítulo no panorama audiovisual destes povos, representados em Sobral por muitos jovens de diversas gerações que querem fazer cada vez mais Cinema e partilhar suas experiências com tantos hermanos.

Alguns pontos dos ‘bastidores’  a destacar:

* A ótima qualidade do material gráfico distribuído, com design de Ricardo Baptista, onde chama a atenção a arte com figuras da cultura popular, criação do artista brasiliense Jô Oliveira;

* O desfile de belos vestidos usados por Bárbara Cariry, que chamavam atenção pelas belas estampas e destacavam a simpatia e simplicidade da Diretora-Geral do Encontro;

* A apresentação segura de Jamile Teixeira, que também trajava modelos finos e fez um Cerimonial marcado por boa dicção, elegância e cortesias;

* A ‘estratégica’ pausa para um cafezinho (delícia !) com bolachinhas saborosas, sessões de fotos e muito bate-papo;

* A simpatia da cineasta cubana Lázara Herrera e a incansável disposição do boliviano Humberto Ríos;

* O olhar atento da cineasta mexicana Saudhi Batalla, que não se desgrudava de sua câmera e fazia fotos de todos, o tempo todo;

A cineasta peruana Carmen Rosa Vargas e Aurora Miranda Leão…

* O índio equatoriano que levou belas peças da artesania criada por seu povo e vendeu todas muito rápido, espalhando cores e beleza pelos espaços do Encontro;

* A ótima tradução de Flávio Duarte Bossa Freitas, possibilitando a nosotros acompanhar a fala do cineasta canadense Michel Régnier;

* A simpatia e poder de aglutinação do produtor Tito Amejeira, um dos Curadores, o mais brasileiro dos argentinos, que no sábado era só felicidade dividindo uma original Tequilla mexicana com os convidados, no restaurante Lancelot, o qual, aliás, serviu uma comida típica, variada e deliciosa, todos os dias do evento;

Os realizadores Arthur Leite, Golda Barros e Bruno Pires…

* A presença massiva dos muitos realizadores de cinema, que foram quase unânimes na constante presença nos espaços do produtivo Encontro, sem deixar de comparecer, toda noite, de forma também quase unânime, a um passeio pelos bares da noite sobralense;

* A presença de Helena Ignez e Sérgio Mamberti na Parada Gay de Sobral, tarde de sábado…

Bárbara Cariry e Helena Ignez na noite de Homenagem à atriz…

… tem muito mais ainda mas fica pra adelante…

No próximo post, novas anotações do I Encontro Nossas Américas, Nossos Cinemas.

Na última noite do Nossas Américas: realizadores de vários lugares…

A trajetória do cinema mudo à tecnologia digital…

Do cinema mudo à tecnologia digital

A maioria das pessoas gosta de cinema, mas não sabe como são alcançados os resultados vistos na tela. De que formas a tecnologia audiovisual se modificou dos filmes do passado para o cinema digital do presente ? O curso irá abordar a história do cinema do ponto-de-vista da tecnologia, permitindo aos alunos compreender melhor como a criatividade foi usada ao longo dos anos para aproveitar e superar os recursos à disposição dos cineastas.
 
 
 
 
A CINÉDIA CENA CRIATIVA oferece curso sobre o tema, a ser ministrado pelo Doutor em Comunicação, Rafael de Luna Freire, a partir do dia 30 de maio, das 18:30h  às 21h30, em sua sede no bairro de Santa Tereza.
 
CURSO do CINEMA MUDO À TECNOLOGIA DIGITAL
Dias: 30 maio e 06, 13 e 20 de junho
 
MAIS INFORMAÇÕES:

CINÉDIA Cena Criativa

Rua Santa Cristina, n° 5 – Glória

Tel. (21) 2221-2633

 

Inscrições ao Curta Santos…

Febre do Rato é o longa mais aguardado do CineCE

Novo filme de Cláudio Assis será exibido no Theatro José de Alencar, com a presença do diretor e dos atores Matheus Nachtergaele, Mariana Nunes, Maria Gladys e Tânia Granussi

 

FEBRE DO RATO entra em cartaz dia 22 de junho em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. O filme participou do Paulínia Festival de Cinema – 2011 e conquistou 8 prêmios: Melhor Filme Ficção – Júri Oficial, Melhor Filme – Prêmio da Crítica, Melhor Ator (Irandhyr Santos), Melhor Atriz (Nanda Costa), Melhor Fotografia (Walter Carvalho), Melhor Montagem (Karen Harley), Melhor Direção de Arte (Renata Pinheiro), Melhor Trilha Sonora (Jorge Du Peixe).
Febre do Rato é uma expressão popular típica do nordeste brasileiro, que significa aquele que está fora de controle. É assim que Zizo, poeta inconformado e anarquista, denomina seu tablóide, publicado às próprias custas. Às voltas com seu universo particular, no qual saciar os desafortunados é uma mistura de benefício com altas doses de maldade, ele se depara com Eneida, consciência contemporânea e periférica, e todas suas convicções parecem ruir. Instaura-se o conflito entre o indivíduo e a coletividade.

Cláudio Assis e Irandhir Santos: presenças no CineCE, que vai movimentar Fortaleza a partir da próxima sexta…

Sobre o diretor Cláudio Assis

Desde o início da carreira como ator e cineclubista em Caruaru (PE) até a direção do primeiro longa, Amarelo Manga (2002), o diretor construiu uma trajetória que inclui a direção e produção de curtas, documentários e longas. Esses últimos são resultado de profunda reflexão sobre a linguagem cinematográfica e seus meios de produção. Sua obra dialoga entre si e constrói um discurso cinematográfico próprio, focado na reflexão do comportamento humano. Seus longas são projetos de baixo orçamento, e entre estes destacam-se Baixio das Bestas (2006), premiado nos festivais de Brasília, Roterdã, Miami e Paris; Amarelo Manga, premiado em Brasília, Toulose (França), Miami e Fortaleza; Chico Science – Retratos Brasileiros (2008), e Vou de Volta (2007).  

FEBRE DO RATO

Brasil, 2011, 110 min, 35mm, p&b, dolby digital
Direção: Cláudio Assis
Produção: Claudio Assis, Julia Moraes e Marcello Ludwig Maia
Produção: executiva Marcello Ludwig MaiaRoteiro Hilton Lacerda
Fotografia: Walter Carvalho
Montagem: Karen Harley

Elenco: Irandhyr Santos, Nanda Costa, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré, Tânia Granussi, Conceição Camarotti, Mariana Nunes, Maria Gladys, Ângela Leal, Vitor Araújo, Hugo Gila.

Distribuição: Imovision

 

Rogério SGANZERLA para melhor celebrar Olhar de Cinema

DOC sobre genial cineasta abre Festival OLHAR DE CINEMA, terça, em Curitiba 

Com a exibição do filme Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, será aberto na noite desta terça o OLHAR DE CINEMA – Festival Internacional de Curitiba, que vai mobilizar a capital paranaense de até 4 de junho. 

Dirigido por Joel Pizzini, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz venceu a 17ª. edição do Festival É Tudo Verdade na categoria de Melhor Documentário Brasileiro. O filme recria o ideário do cineasta catarinense Rogério Sganzerla através de uma linguagem experimental , a qual (segundo Pizzini), “homenageia ainda elementos relacionados a Orson Welles e à Antropofagia”. 

Criador do revolucionário O Bandido da Luz Vermelha, obra de Rogério Sganzerla ainda precisa ser devidamente conhecida…

Unindo preciosas imagens de arquivo a uma narrativa ensaísta, Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz não apenas homenageia a obra do famoso cineasta, como também contribui para um importante mapeamento histórico do audiovisual brasileiro. A exibição do filme será dia 29, às 19h, no Teatro Guairinha, com entrada franca. 

Ao lado da companheira de toda a vida – atriz e cineasta Helena Ignez -, Rogério Sganzerla é um dos nomes mais relevantes do Cinema Brasileiro

SERVIÇO:

Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

 

De 29 de maio a 4 de junho

Realização: Grafo Audiovisual, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Patrocínio: Volvo, Copel, Schweppes. 

Apoio: Estúdio Tijucas, Conta Cultura, Governo do Estado do Paraná, Shopping Crystal

Apoio Cultural: SESI-PR, SESC-PR, SESC Paço da Liberdade.

Promoção: RPCTV, Gazeta do Povo. 

Locais: 

·         Espaço Itaú de Cinema – Shopping Crystal – Exibição da seleção oficial de filmes. Rua Comendador Araújo, 731 – Batel.

 ·         Cinemateca de Curitiba – Exibição da seleção oficial de filmes. Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco. 

·         Museu Oscar Niemeyer – Mostra paralela Multiolhares. Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico.

·         Sesc Paço da Liberdade – Seminário e Debates com os Realizadores.Praça Generoso Marques – Centro.

·         Sesc da Esquina – Realização das Oficinas. Rua Visconde do Rio Branco, 969.

·         Teatro Guairinha – Cerimônias de Abertura e Encerramento. Rua XV de Novembro s/n.

·         SESI  (várias unidades nos bairros) – Mostra Olhar Itinerante. 

Saiba maiswww.olhardecinema.com.br

 

Cinema lota Theatro São João e Helena Ignez é aplaudida

AURORA DE CINEMA direto do I ENCONTRO NOSSAS AMÉRICAS, NOSSOS CINEMAS

O Encontro foi aberto numa manhã de chuva em Sobral, Theatro São João (1875) lotado, palavras descontraídas de boas vindas da Diretora, Bárbara Cariry (que estava muito elegante num longa de delicada estampa) , do Prefeito Clodoveu Arruda, e de uma realizadora do Equador, que falou ‘em nome dos povos originários’ e foi muito aplaudida.

Em seguida, o produtor argentino Tito Amejeiras coordenou a mesa de abertura, formada por vários cineastas do Caribe, da Guatemala e de Cuba. Na platéia, muitos jovens realizadores, produtores, organizadores de Festivais, os cineastas Rosemberg Cariry (pai de Bárbara, que fez a fala mais bonita do Encontro), e Geraldo Sarno, o cineclubista Claudino de Jesus (presidente da Federação Internacional de Cineclubes), diversos jornalistas de vários Estados, e ainda a Homenageada da noite, a atriz e cineasta Helena Ignez.

Você, amigo leitor, que me alegra e orgulha com sua visita cotidiana, vai me perdoar, mas este post só estará completo mais tarde, ou amanhã. Quando as imagens do que acontece em Sobral estarão aqui pra você conferir.

Tudo vai depender do andamento dos trabalhos em Sobral (e do bom fluxo da internet), pois as atividades são muitas e intensas, há representantes de mais de 15 países reunidos por aqui, a troca de experiências e convívios tem sido bem proveitosa, e se avolumam as ideias para a redação da Carta de Sobral – documento que será finalizado, lido e divulgado publicamente no último dia do I ENCONTRO NOSSAS AMÉRICAS, NOSSOS CINEMAS.

A Escola de Música é um bom equipamento cultural  do Estado, que abriga a sede das Mesas Temáticas de trabalho do Encontro, e é lá, no epicentro da sonoridade, onde o Cinema domina os corações e as conversas durante o dia. Porque há ainda oficinas sendo ministradas, de graça, para a população: Roteiro e Direção de Arte estão na pauta, e os professores são Michelline Helena e Sérgio Silveira.

Vale ressaltar também a acolhida super profissional da equipe de produção, onde há esmero no cuidado com participantes e convidados, e não posso deixar de ressaltar o sorriso sempre benfazejo e a atenção cuidadosa pra que tudo transcorra da melhor forma que atende pelo nome de Teta Maia, querida atriz e produtora, mãe da jovem Bárbara Cariry, que sonhou todo este evento e reuniu condições para realizá-lo.

A noite prosseguiu no Theatro São João e foi de emoção e beleza, oportunidade na qual Helena Ignez recebeu significativa placa de Homenagem, acompanhada de belo buquê de rosas e flores coloridas num bonito arranjo.

Por feliz coincidência, era a noite de aniversário da geminiana Helena Ignez e ela desceu do palco ao som dos PARABÉNS PRA VOCÊ ! de toda uma encantada plateia.

As fotos foram muitas e ficaram ótimas.

Mas ficam pro próximo post.

LG sobre ORSON WELLES : O crepúsculo de um gênio

O crítico L.G. de Miranda Leão escreve sobre os derradeiros dias da vida produtiva do cineasta ORSON WELLES…

Os anos 70 e 80 marcam a derradeira atuação de Orson Welles como roteirista, diretor e, às vezes, ator. Começam com “The Deep” ou “Dead Reckoning”, de 1970, baseada na novela “Dead Calm”, de Charles Williams, com Jeanne Moreau e Laurence Harvey. As filmagens aconteceram fora dos estúdios, na Dalmácia e Iugoslávia. Restrita aos cineclubes, a película não foi exibida comercialmente.

Em 1972, Orson Welles fez o roteiro de “O Outro Lado do Vento” (The Other Side Of the Wind) e dirigiu o filme, com o veterano John Huston no papel principal. As filmagens foram iniciadas em Los Angeles, mas não chegaram a ser concluídas. O drama gira em torno de dois veteranos de guerra. Eles estão a caminho de serem condecorados em Washington, quando um deles desaparece… Um “thriller” sombrio, tipo filme “noir” dos anos do pós-guerra. Uma pena não ter sido exibido comercialmente.

Em 1973, Welles escreveu também o roteiro e dirigiu “Verdades e Mentiras” (F for Fake) (“Verités et Mensonges”, título francês), uma produção França-Irã e Alemanha Ocidental, com Oja Kodar, Elmyr de Hory e Laurence Harvey. Um ensaio magnífico sobre as fraudes, truques e mentiras no mundo da arte. Numa estação de trem, Welles chega a pronunciar palestra sobre o tema, ilustrando-a com imagens pertinentes. Apesar do entusiasmo de alguns críticos presentes, “Welles parece agora mais um charlatão e menos um cineasta magistral”, opinião registrada no “Halliwell´s Film Guide”. “Ubi Veritas?”

Homenagens

Em 1976, com a presença de Ingrid Bergman, Frank Sinatra, Joseph Cotten, Janet Leigh, Laurence Harvey e mais 1,2 mil convidados, Welles recebeu o grande prêmio do “American Film Institute” por sua valiosa contribuição ao cinema. Anteriormente, essa distinção fora outorgada ao diretor John Ford e ao ator James Cagney. Em 1982, em reunião solene, Orson Welles foi condecorado com o grau de comendador da Legião de Honra, a mais alta distinção do governo francês. Como declarou o presidente François Mitterand, Welles era “um dos que conseguiram expressar, por meio da arte, o que existe de mais profundo na alma humana”, aqui entendido o termo como a parte incorpórea, inteligente ou sensível do ser humano; o pensamento, a mente, como se referia o saudoso cineasta Maurício Gomes Leite, sempre quando a palavra “alma” aparecia num texto ou num discurso … Os agradecimentos feitos por Welles foram bastante aplaudidos.

Em 1983, Welles recebeu o prêmio “George Méliès” por sua valiosa contribuição à evolução da linguagem cinematográfica, ao mesmo tempo um homenagem póstuma ao pioneiro incontestável da 7ª Arte, com seu poético e inventivo “Le Voyage dans la Lune”.

No mesmo ano, Welles também fez jus ao Prêmio “Luchino Visconti” por sua contribuição inestimável “à evolução da linguagem cinematográfica” e pelo seu legado de realizações imorredouras, como bem afirmou em entrevista o grande Stanley Kubrick, admirador de Welles desde “Cidadão Kane”. Em 10 de outubro de 1985, aos 70 anos, Welles saiu de cena solitariamente com a fama de “gênio maldito do cinema”… O editor Martin Claret foi incisivo: “O mundo amanheceu mais pobre. Orson Welles havia morrido”.

Welles e Bazin

Uma das coisas mais louváveis de Welles foi seu reconhecimento pessoal das teorias de André Bazin, nas quais o grande teórico francês privilegiava não só a “mise-en-scène” (a encenação), mas também a verdadeira continuidade em detrimento da montagem, bem assim a profundidade de foco e o “plan-séquence” (ou sequence shot) evitando centenas de cortes, às vezes até mais de mil durante um projeção. Soube-se disso não porque tivéssemos estado em Paris em busca de filigranas, mas porque, quando lá esteve, nosso saudoso Walter Hugo Khoury conversou sobre o assunto com alguns redatores dos “Cahiers” e deles ouviu que Welles já havia concordado com a visão percuciente de Bazin, segundo a qual é preciso privilegiar no cinema de hoje a encenação e a continuidade e deixar o excesso de cortes da montagem para quem quiser continuar com ela.

O crítico André Bazin em conversa com o cineasta François Truffaut…

François Truffaut também opinou sobre a questão. “A montagem pode destruir a realidade apreendida pela câmara, impondo-lhe ritmos que são os seus. Deve-se ter em conta, antes, a natureza das coisas, o sentido existente nas coisas e que o registro fixo aprisiona” afirmou, em entrevista à imprensa francesa, em setembro de 1960.

Em poucas linhas, o grande mestre do cinema sintetizou o sentido mais profundo da arte do cinema. Ei-lo: “Um filme não é realmente bom senão quando a câmara é um olho na cabeça do poeta. Tudo quanto é vivo num filme deriva da capacidade que a câmara tem de ver. Ela não vê naturalmente em lugar do artista, vê com ele. A câmara é, nesses momentos, muito mais que um aparelho registrador: é uma via por onde chegam as mensagens de um outro mundo, o mundo dos sonhos, o mundo do inconsciente, um mundo que não é nosso e que nos introduz no seio do grande segredo”.

 LG. de Miranda Leão é jornalista com mais de 50 anos de atividade ininterrupta como Crítico de Cinema, autor dos livros “Analisando Cinema” (Coleção APLAUSO – Imprensa Oficial de São Paulo) e “Ensaios de Cinema” (Edições BNB – Cultura da Gente).

Dono de extensa filmografia, Welles também foi ator e deixou obra sempre revisitada…

SAIBA MAIS

Filmografia:

1934 – Hearts of age (curta)
1938 – Too much Johnson (curta)
1941 – Cidadão Kane
1942 – Soberba
1942 – Jornada do pavor
1946 – O estranho
1948 – A Dama de Shanghai
1948 – Reinado de sangue
1949 – Memórias de um mágico
1952 – Othello
1955 – Grilhões do passado
1955 – Moby Dick rehearsed (TV)
1956 – Orson Welles and people (TV)
1958 – A Marca da Maldade
1958 – The Fountain of youth (TV)
1958 – Portrait of Gina (TV)
1960 – David e Golia
1962 – No exit
1962 – O Processo
1965 – Campanadas a medianoche
1968 – História imortal
1968 – Vienna
1969 – The Merchant of Venice (TV)
1970 – The Deep
1971 – London
1972 – The Other side of the wind
1975 – Vérités et mensonges
1984 – The Spirit of C. Lindbergh
1992 – Don Quixote
1993 – It´s All True

ORSON WELLES: divisor de águas na história da Sétima Arte…

Vem aí POP CORN, o Almanaque dos Filmes do Rock

prefácio traz o prestigiado nome de RUBENS EWALD FILHO, crítico que equivale a uma ‘Enciclopédia da Sétima Arte’ 

O Grupo Editorial Pensamento e a Livraria Saraiva convidam para o lançamento do livro Popcorn-Almanaque dos filmes de Rock, da Editora Seoman, quarta que vem, na Saraiva do Morumbi Shopping.

Rubens Ewald Filho estará na Saraiva fazendo uma das coisas de que mais gosta: conversar sobre Cinema…

O livro é de autoria de Garry Mulholland e tem recomendação que por si só já o credencia muito bem: o prefácio é assinado por Rubens Ewald Filho, que vai participar de um bate-papo com a platéia, ao lado do músico Kid Vinil na noite do lançamento, das 19:30h às 22 horas.

O AURORA DE CINEMA recomenda o livro e a ida à Saraiva !

Entrada franca. Mais informações: (11) 5181. 7574.