Arquivo do mês: junho 2012

O crítico André Barcinski afirma: “O cinema virou um grande saguão de aeroporto, igual em toda parte”

O jornalista André Barcinski assina um Blog na Folha de São Paulo. Escreve tão bem e com tanta propriedade, que a leitura de seus textos vale como uma aula.

Seu mais recente artigo, intitulado Quem explica a decadência do cinema ? é tão eloquente, profundo, inquietante e adequado aos tempos de hoje, que pedi sua permissão para dividi-lo com você, leitor amigo.

Há tempos, o que Barcinski conseguiu tão bem expressar em poucas e objetivas palavras me ‘beliscava’ a sensibilidae. Enfim, encontrei um texto sobre os caminhos do Cinema hoje que eu adoraria ter escrito.

Meu MUITO OBRIGADA a André Barcinski por este texto precioso e pela generosa permissão de publicá-lo. A ele, meu abraço caloroso e meu Aplauso sincero.

 

Que as artes estão em crise, ninguém discute.

Não conheço ninguém que diga que o cinema, a música e a literatura estão melhores hoje do que há 30, 40 ou 50 anos.

Vejo pelo que consumimos aqui em casa: tirando filmes, CDs e livros recentes, que preciso conhecer por obrigação profissional, quase tudo que vemos, ouvimos e lemos tem pelo menos 30 anos de idade.

No caso do cinema, arte mais cara do mundo e certamente a mais “escrava” da indústria e do mercado, o caso é ainda mais sério.

Essa semana , revi “The Last Wave”, um thriller dirigido em 1977 pelo australiano Peter Weir.

O filme é mais inventivo e experimental do que qualquer coisa nova que eu tenha visto recentemente.

Claro que a decadência das artes – e do cinema em especial – é um tema complexo e que vem sendo discutido há um tempão.

Gostaria de colaborar com a discussão citando uma teoria que, se não explica totalmente esta decadência, certamente contribui muito para ela.

A primeira vez que essa idéia me chamou a atenção foi há quase 20 anos, quando meu amigo Ivan Finotti e eu fazíamos entrevistas para a biografia de José Mojica Marins.

Um dos entrevistados era Virgilio Roveda, o “Gaúcho”, conhecido fotógrafo e assistente de câmera, que trabalhou por muitos anos na Boca do Lixo.

No meio do papo, alguém lembrou uma cena particularmente complexa que Gaúcho havia ajudado a rodar na Boca (não consigo lembrar de que filme era, só lembro que envolvia um plano-sequência longo e complicado). Perguntei a Gaúcho por que eles haviam filmado a cena daquela maneira e não de uma forma mais simples.

“Naquela época, a gente podia fazer o que quisesse”, respondeu Gaúcho. “Se o diretor entregasse o filme no prazo e dentro do orçamento, o produtor não queria nem saber como ele tinha feito. E tem mais: a gente nunca achava que alguém ia ver o filme depois do lançamento em cinema, não existia essa coisa de VHS.”

Faz todo sentido: filmes eram feitos para cinema. Ninguém achava que o filme seria visto e depois revisto em VHS, laserdisc, DVD, Blu-ray, TV a cabo, Netflix, Internet, etc.

Imagem de ‘O Sétimo Selo’, de Ingmar Bergman, clássico do cinema mundial

Filmes eram produzidos com um único objetivo: estrear numa sala e arrecadar na bilheteria. Uma vez que o espectador tivesse comprado o ingresso, a batalha estava ganha.

O depoimento de Gaúcho me fez pensar em como as mudanças no mercado têm colaborado para restringir a liberdade criativa do cinema.

Foi no meio dos anos 70 que Hollywood começou a usar, com mais freqüência, testes com público e pesquisas para decidir como fazer filmes (quem quiser se aprofundar no tema, sugiro ler “Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’n’Roll Salvou Hollywood”, de Peter Biskind).

Depois, os estúdios perceberam o potencial do lançamento em VHS e da venda de filmes para TV. Filmes passaram a seguira uma certa “fórmula”, com roteiros claramente pensados para obedecer até aos intervalos para os comerciais de TV.

O mercado, que antes consumia cinema, passou a ditar a maneira como este deveria ser feito.

Hoje, o cinema é feito por encomenda. Estúdios investem em produtos de retorno garantido: adaptações de HQs e séries de TV, refilmagens, filmes que copiam outros filmes, com os mesmo atores, a mesma música, o mesmo estilo. No Brasil, a nova moda são comédias de estilo televisivo.

Até o chamado “cinema alternativo” sofre com isso. É só ver o fenômeno da globalização dos filmes de arte para comprovar.

Hoje, se você tirar o som de um filme argentino, por exemplo, é impossível diferenciá-lo de um filme francês ou de um sueco. Todos se parecem. A fotografia obedece à mesma estética publicitária “clean”.

As diferenças estéticas do cinema de cada país, antes tão evidentes, foram quase banidas, em prol de uma assepsia global. O cinema virou um grande saguão de aeroporto, igual em toda parte.

Até os anos 70, ir ao cinema era uma coisa especial. Você via um filme sem saber se teria chance de revê-lo. O cinema causava deslumbramento e um senso de descoberta, que foi se perdendo ao longo dos anos, com a padronização do cinema e a crescente banalização do acesso aos filmes.

Ninguém está dizendo que o acesso fácil e barato, como temos hoje, é uma coisa ruim. Claro que é fantástico dar dois cliques no mouse e baixar a obra completa de Bergman ou Kurosawa.

O ponto é outro: desde que filmes deixaram de ser feitos só para salas de cinema, algo mudou neles. E não foi para melhor.

* André Barcinski é crítico da Folha de S. Paulo. Trabalhou no jornal Notícias Populares, Jornal do Brasil e Jornal da Tarde. Foi correspondente em Nova York e Los Angeles. Autor de “Barulho”, vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem de 1992, e co-autor de “Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão”. Diretor de “Maldito” (2001), documentário vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Sundance.

Para ler outros textos de BARCINSKI, acesse: http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/

Inscrições para documentários latino-americanos

O portal CurtaDoc (www.curtadoc.tv), primeiro catálogo brasileiro de documentários curtas-metragens na internet, amplia seu acervo para a América Latina.
 
A partir de agora, realizadores de todo o continente latino-americano podem inscrever gratuitamente suas produções no portal e participar de uma seleção para um programa de televisão exibido no Brasil. São aceitos documentários com duração de até 30 minutos, sem restrição de época, temas ou formatos de captação.
 
O CurtaDoc é uma realização da Contraponto (www.contraponto.tv), produtora de Florianópolis (SC). O projeto começou como um programa de televisão para o canal educativo SESCTV (www.sesctv.org.br) revelando uma seleção representativa do curta-metragem brasileiro no gênero documentário. A série semanal, no ar desde outubro de 2009, terá sua terceira edição dedicada a produções latino-americanas.
 
O catálogo CurtaDoc conta atualmente com 805 filmes produzidos nos últimos 50 anos, os quais podem ser assistidos na íntegra, e servem como fontes de pesquisa para realizadores, pesquisadores, professores, estudantes e interessados. O regulamento e a ficha de inscrição são bilíngues (português/espanhol) e estão disponíveis no portal.
 
Para inscrever seu curta, o realizador deverá disponibilizar um link do filme num site de compartilhamento (YouTube, Vimeo, etc). Os documentários inscritos estão sempre em avaliação pela curadoria do CurtaDoc para participar de séries para televisão, mostras e festivais latino-americanos.
Na web, o CurtaDoc foi lançado em junho de 2011 durante o FAM – Festival Audiovisual Mercosul, em Florianópolis. O acervo de curtas tem como objetivo estimular ainda mais a discussão sobre a cultura do documentário e o espaço de exibição, potencializando o acesso aos filmes.
 
A ampliação da coleção propiciará o mapeamento da produção latino-americana e a criação de uma rede de realizadores do continente.
 
CONTATO — Kátia Klock  •  direção 
+ 55 (48) 3334.9805 / 9989.4202
curtadoclatino@contraponto.tv
  


www.contraponto.tv
www.curtadoc.tv
www.facebook.com/curtadoc
twitter.com/curtadoc
 

Jornalismo, Anistia e Direitos Humanos

inscrições ao 34º Prêmio Vladimir Herzog

Categoria Especial tem como tema “Criança em situação de rua” e envolve todas as mídias

Até 3 de agosto, jornalistas de todo o Brasil poderão inscrever suas matérias para concorrer ao Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Considerado entre as mais significativas distinções jornalísticas do país, o Prêmio Vladimir Herzog reconhece, ano a ano, trabalhos que valorizam a Democracia, a Cidadania e os Direitos Humanos nas mais variadas mídias.

A participação é aberta a todos os jornalistas profissionais brasileiros, devidamente registrados no Ministério do Trabalho e Emprego (MTb). São nove categorias: Artes (ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos), Fotografia, Documentário de TV, Reportagem de TV, Rádio, Jornal, Revista, Internet e Categoria Especial (envolve todas as mídias) que, neste ano, tem como tema Criança em situação de rua.

Para concorrer, os candidatos devem se inscrever através do  www.premiovladimirherzog.org.br preenchendo a ficha cadastral e anexando sua obra, publicada no período compreendido de 2 de setembro de 2011 a 3 de agosto de 2012.

Pela primeira vez em todas as edições do Prêmio, a escolha dos vencedores será realizada em sessão pública, com transmissão ao vivo pela internet. O julgamento dos trabalhos será dia 10 de outubro, na Sala Sérgio Vieira de Melo da Câmara Municipal de São Paulo. A cerimônia de premiação acontecerá dia 23 de outubro, às 19h30, no Tuca (Teatro da Pontifícia Universidade Católica), em São Paulo.

 

Prêmio Especial Vladimir Herzog 2012

Desde 2009, a Comissão Organizadora indica um jornalista para ser agraciado com o Prêmio Especial pelos relevantes serviços prestados à causa da Democracia, da Paz, da Justiça e contra a Guerra. A iniciativa das instituições promotoras retoma proposta original do Prêmio, concebido em 1978, que previa tal homenagem a personalidades ou jornalistas que jamais inscreveriam seus trabalhos em qualquer tipo de concurso.

Já foram homenageados com o Prêmio Especial Vladimir Herzog os jornalistas Lourenço Diaféria (in memoriam), Perseu Abramo (in memoriam), David de Moraes, Audálio Dantas e Elifas Andreato. Neste ano, em caráter excepcional, foram indicados dois grandes nomes da imprensa brasileira: Alberto Dines e Lúcio Flavio Pinto.

Professor e escritor, o nome de Alberto Dines é um ícone da profissão por conta de sua integridade e compromisso com a verdade. Com atividade contínua ao longo de 60 anos nos principais jornais do país, criou, em 1996, o site Observatório da Imprensa – primeiro noticiário de análise e crítica da mídia no Brasil, com espaço aberto a discussões com jornalistas e universitários. Lúcio Flavio Pinto é hoje um dos jornalistas mais perseguidos por conta de sua trajetória corajosa e das denúncias que faz à frente do seu Jornal Pessoal (PA). Respondendo a inúmeros processos judiciais diante da censura que lhe é imposta pela justiça do Pará, segue lutando, de forma exemplar, para manter uma publicação independente que contraria interesses hegemônicos.

 

A 34ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é promovida e organizada por 11 instituições: Associação Brasileira de Imprensa – Representação em São Paulo – ABI/SP; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – ABRAJI; Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil – UNIC Rio; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP; Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ; Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo; Instituto Vladimir Herzog; Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo – OAB/SP, Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Contando com apoio institucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Câmara Municipal de São Paulo, a edição deste ano tem patrocínio da Petrobras, Banco do Brasil e Souza Cruz. A curadoria está a cargo de Ana Luisa Zaniboni Gomes, jornalista e diretora da OBORÉ. A assessoria de imprensa é da CDI Comunicação Corporativa e dos departamentos de comunicação das instituições promotoras.

 

SERVIÇO

34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos

Inscrições: www.premiovladimirherzog.org.br
Prazo: até 3 de agosto  Divulgação dos resultados: 10 de outubro
Solenidade de premiação: 23 de outubro, terça, às 19h30
Local: TUCA – Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes.

As rosas amarelas sobem ao palco com Mazé Figueiredo

 

O espetáculo Quando as rosas amarelas se tornam marrons, projeto aprovado em edital do Centro Cultural Banco do Nordeste, estreia no próximo dia 28 em Fortaleza, tendo como palco o Teatro Antonieta Noronha, no centro da cidade.

 O texto é de autoria do ator e diretor Walden Luiz e tem direção de
 Wagner Pereira, contando com o seguinte elenco: Walden Luiz, Mazé Figueiredo (proponente do projeto), Zerivaldo Beserra e Lorenna Aletéia.

Walden Luiz e Mazé Figueiredo em cena: Teatro Cearense estreia mais um espetáculo…

A pequena temporada será dias 28, 29 e 30 deste junho, às 19.30h, no Teatro Antonieta Noronha, Rua Pereira Filgueiras, nº 4, por traz do Paço Municipal, com entrada franca.


Walden Luiz está completando 50 anos atuando no teatro cearense, enquanto Mazé Figueiredo, a incansável atriz, produtora, divulgadora e coralista, que é funcionária aposentada do Banco do Nordeste, completa uma dezena de peças atuando de forma ininterrupta. Haja fôlego ! 

Vamos ao Teatro ! Vamos ver Quando as rosas amarelas se tornam marrons !

 

LG de Miranda Leão rememora RAY BRADBURY

Ray Bradbury, um mestre da imaginação

O renomado crítico de Cinema, LG de Miranda Leão, professor de Língua e Literatura Americana, destaca os feitos do escritor, nas Letras e no Cinema

Conforme noticiado pela mídia, faleceu nos EUA, aos 91 anos, neste 6 de junho, o renomado escritor americano Ray Douglas Bradbury, mais conhecido como Ray Bradbury. Não se veiculou a causa mortis, mas a julgar por sua longevidade e boas condições de saúde até pouco tempo, pode-se supor um colapso cardíaco. Na revista Carta Capital, de 13 deste mês, a jornalista Rosalie Pavam propicia informações valiosas sobre esse mestre da literatura, o qual se dizia um grande aventureiro e um “escritor de ideias”, não de ficção científica. Bradbury nasceu em 1920 e estreou nas letras com “Hollerbochen´s Dilemma” (1938), aos 18 anos. Não admira ter ficado internacionalmente conhecido com sucessos literários da categoria de “As Crônicas Marcianas” (1950), “O Homem Ilustrado” (1951) ou do romance “Fahrenheit 451” (1953), este levado ao cinema por François Truffaut em 1966, filme comentado mais adiante por este crítico.

O método de trabalho de Bradbury, segundo se divulgou, consistia em associar palavras a ponto de dar-lhes uma história inteira, como ele próprio explicou quando escreveu “O Homem Ilustrado”, citado acima. O que viesse como consequência, registra Rosane Pavam, era o inesperado, mas também tudo ou quase tudo quanto morava dentro dele… “Daí datilógrafo, por exemplo, uma palavra como ´berçário´ em minha máquina, não sei porquê, e imagino como seria esse berçário. Do passado, do presente? Em qual país? No Polo Norte, na África? E então começo a escrever e desenvolver minhas vivências e a construir um ambiente tridimensional. Ponho as crianças naquele lugar, depois seus pais e os relaciono com o mundo e seus problemas…”. Valioso pela sua sintaxe e poder de imaginação e competência nos diálogos, Bradbury conquistou grande importância no mundo da literatura. De repente, diz ele, “você voa apenas porque ousou colocar as palavras no papel… nem sabia que a história já estava com você, mas continua a escrever”…

Lembranças dos amigos

Bradbury nadava em bom humor. Dizia divertir-se com as ideias. Melhor dizendo, brincava com elas. “Não sou uma pessoa séria e não aprecio gente séria…” A disposição de Bradbury para falar em público (e como gostavam de ouvi-lo…) durou até o fim. Em 1955, casado, pai de quatro meninas, ele foi à TV para que Groucho Marx o desafiasse no “show” bem sucedido de “You Bet Your Life”. Groucho não conhecia bem Bradbury, mas ele, então com 35 anos, já escrevera seus 30 livros mais importantes e roteirizava a adaptação de “Moby Dick”, de John Huston, em 1956.

Duma feita Groucho Marx lhe perguntou: “O que você faz?”. “Sou um escritor”, simplesmente isso. Groucho, confundindo “writer” (escritor) com “rider” (piloto), perguntou “De motocicleta?”. Ray esclareceu a diferença de ofícios soletrando “writer”. E Groucho: “É muito reconfortante, estamos diante de um escritor que sabe soletrar…”. Um tanto receoso de que somente o público de ficção científica o distinguisse, Bradbury escreveu outras fantasias sem preocupações de verossimilhança.

Do livro para o Écran



“Farenheit 451” nasceu de um roteiro de Ray Bradbury baseado no livro de sua lavra (1953), filmado em cores por Nicholas Roeg com direção competente de François Truffaut. “Farenheit 451” não está entre as melhores realizações do mestre francês, segundo alguns críticos americanos exigentes. Em verdade, as circunstâncias físicas das filmagens e as discordâncias com a produção e problemas de roteiro e dublagem (pela primeira vez, num filme de Truffaut, só se fala em inglês) devem ter contribuído para a visão crítica de alguns poucos analistas. Ainda assim, Truffaut conseguiu tornar críveis os personagens, dar-lhes vida frente às câmaras e fazê-los atuar como deveriam e como queria o “metteur-en-scène”.

De resto, as imagens truffautianas não só atingem seus objetivos nos 112 minutos de projeção, como enriquecem o ritmo das ações, entendido o termo por Truffaut como “o desenvolvimento harmonioso, no tempo e no espaço, de elementos estéticos expressivos com alternância de valores imagéticos de variável intensidade”. A visão precisa do cineasta excede a tradicional definição de Jacques Aumont e Michel Marie, para quem o ritmo no cinema é apenas “o padrão de movimento produzido na relação entre as partes de uma realização fílmica”.

Luta contra o futuro

As cenas de abertura de “Farenheit 451” já têm o seu forte impacto motovisual: é quando se veem a caminho os homens fardados, de roupa negra, chegando de forma estridente nos seus carros vermelhos, e depois quando entram de supetão numa residência para acionar os lança-chamas com os quais destroem centenas de livros: para os invasores, apenas material subversivo deste mundo sombrio do futuro recriado pela arte do cinema. “Teremos um estado fascista no futuro?”, perguntou um cinéfilo descrente do amanhã e para quem vivemos no pior dos mundos. Impossível predizer qualquer coisa nesse sentido. Melhor é acompanhar os desdobramentos do filme e ver ou rever o “Farenheit 451” de Truffaut, recorrendo a alguém disposto a emprestar o DVD para exibi-lo em circuito fechado. Infelizmente não temos mais o Clube de Cinema Darcy Costa de outros tempos…

Antevisão do amanhã

A população do futuro, segundo especulações de analistas, sugere uma massa de zumbis conformistas, intelectualmente enfraquecida pelo consumismo que não exige muito esforço mental ou físico. Embora extremadas na sua apresentação, as questões futurísticas nunca foram mais relevantes do que hoje. Em 1966, a recusa de Linda (Julie Christie) de perder até mesmo um momento de sua interativa “soap opera” (expressão com a qual se criticavam os programas de vídeo na TV sobre vidas imaginárias de um grupo de pessoas) deve ter parecido artificial, agora não é sequer uma sátira. Essa sociedade do futuro, à qual se referem alguns críticos, está em perfeito contraste com o mundo secreto dos livre-pensadores. Com eles, o personagem vivido por Montag (Oskar Werner) e as máscaras fisionômicas do elenco de apoio enriquecem a atuação de atores com Cyril Cusack, Anton Diffring e Jeremy Spencer, para ficarmos só nestes nomes vindos à lembrança.

O roteiro inclui um expediente de ocasião na floresta, é o “lar” de centenas de “livros-pessoas” que optaram ficar fora da sociedade e se estabeleceram longe dela, cada uma tendo memorizado um livro que logo se torna sua identidade. Eles passaram seu tempo recitando uns para os outros, e aí a imaginação de Bradbury e roteiristas chega ao seu final. Ficamos por aqui.

L.G. DE MIRANDA LEÃO
* Crítico de cinema, residente no Ceará, autor dos livros “Analisando Cinema” e “Ensaios de Cinema”

X POETART – Concurso Nacional de Literatura

Inscrições de 10 DE JULHO a 20 DE AGOSTO  

 
A PoeArt Editora institui o X Concurso Nacional PoeArt de Literatura – 2012 (depois do sucesso dos primeiros, que resultaram nas Antologias Poéticas de Diversos Autores, Vozes de Aço, do volume I ao volume XI e das Coletâneas Século XXI, volumes I, II e III ), para premiar autores de ambos os sexos, maiores de dezoito anos, amadores ou profissionais, somente residentes no país, na categoria: Poesia, em língua portuguesa, tendo como objetivo principal a descoberta de novos autores e o intercâmbio cultural entre os participantes.  

   Inscrições: Será cobrada taxa no valor de R$ 15,00 (quinze reais), podendo inscrever no mínimo 3 e, no máximo, até 9 poesias, por meio de depósito bancário em favor de Jean Carlos da Silva Gomes, Caixa Econômica Federal (Lotéricas) 

Agência: 0197 – Operação: 013 Conta poupança: 00023654 – 8 Em caso de DOC. CPF 081.601.567-82 

Ao efetuar sua inscrição, o autor estará concordando com as regras do Concurso, e, se selecionado, autorizando a publicação dos trabalhos no livro Vozes de Aço – XII Antologia Poética de Diversos Autores – 2012. Em caso de cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral, será responsabilizado judicialmente. 

Tema e Apresentação: 

– O tema é livre. 

– Cada autor poderá inscrever de três a nove poesias (versos livres ou poema com forma fixa), cada uma em uma página, inéditas ou não, máximo de até 30 versos cada – as que se excederem serão desclassificadas –, fonte Times New Roman, corpo 12, digitadas somente em um dos lados da folha, onde deverá constar o título de cada poesia. Não é necessário pseudônimo. Se for enviar pelos correios: 

– Uma via de cada trabalho, no mesmo envelope, mais um CD com as poesias gravadas e uma foto de perfil recente em alta resolução. 

– Em anexo um envelope menor, lacrado, sem qualquer identificação do lado de fora, contendo: 

– Nome completo, nº do RG, nome do concurso, títulos dos trabalhos, endereço completo, dados biográficos  

(no máximo dez linhas), telefone e e-mail.

 

– As obras que chegarem sem esses dados não serão consideradas inscritas.

 

– Todos os trabalhos enviados (selecionados ou não) serão incinerados, após a divulgação do resultado.

 

Forma de Inscrição

 

  As obras deverão ser enviadas (preferencialmente pela INTERNET para: poearteditora@gmail.com) ou pelos correios, juntamente com o comprovante original do depósito, para: PoeArt Editora: Caixa Postal: 83967 – Cep: 27255-970 – Volta Redonda – RJ

 

Premiação 

   Os cinco melhores poemas de cada um dos concursos serão publicados sem qualquer ônus no livro Vozes de Aço – XII Antologia Poética de Diversos Autores – 2012, e cada um dos cinco autores premiados, de cada concurso, receberá 3 exemplares da obra pelos direitos autorais, diploma e sua foto no livro. 

  A partir do 6º trabalho selecionado, os autores serão convidados a participar do livro pelo sistema de cooperativismo.  

APOIADORES CULTURAIS: Grêmio Barramansense de Letras, Academias de História e Letras de BM, TEATRO GACEMSS, A imprensa principalmente a escrita, Vitor Contabilidade, Gráfica Drumond, Deputado Federal Zoinho, Colégio Garra Vestibulares, Câmara Municipal de Volta Redonda…  

Jean Carlos Gomes / Organizador e Editor Contatos: 24 – 9993-0615 | 30750926 – SOMENTE à Noite

 

 AUTORES INSCRITOS AUTOMATICAMENTE, POIS PARTICIPARAM DO CONCURSO ANTERIOR E ESTÃO NO LIVRO VOZES DE AÇO XI 

Adahir Gonçalves Barbosa, Pinheiral RJ 

Ana Isabel Damiani Mauerberg, Americana SP 

Angela Alves Crispim, Volta Redonda RJ 

Ângela Pastana, Belém PA 

Antônio Carlos de Menezes, Aracaju SE 

Antônio Kleber Mathias Netto, Teresópolis RJ 

Aurora Miranda Leão, Fortaleza CE 

Beatriz Lopes, Brasília DF 

Clevane Pessoa, Belo Horizonte MG 

Dalexon Sérgio, Paulista PE 

Edison Corrêa, Rio de Janeiro RJ 

Eliana Prado, Mogi das Cruzes SP 

Elizabeth C. Bechir Watanabe, Itanhaém SP 

Eri Paiva, Parnamirim RN 

Fernanda Espinha da Cunha, Rio de Janeiro RJ 

Geraldo Afonso Rodrigues, Orlândia SP 

Icléa Conceição Goulart Gama, Volta Redonda RJ 

Isabel Cristina Silva Vargas, Pelotas RS 

Jerbialdo Silva Campos, São Paulo SP 

Jonas Furtado, Ponta de Pedras PA 

José Luiz de Almeida, Campinas SP 

Laércio Ferreira de Oliveira Filho, Aparecida PB 

Mamede Gilford de Meneses, Itapipoca CE 

Maria do Carmo Belizário, Orlândia SP 

Marisa Helena Carneiro Ribas, Curitiba PR 

Maritza Botelho Pérez, Bagé RJ 

Mercêdes Pordeus, Recife PE 

Nathália Lucinda Chaves, Volta Redonda RJ 

Neide Araújo Castilho Teno, Dourados MS 

Neri França Fornari Bocchese, Pato Branco PR 

Núbia Cavalcanti dos Santos,  Sanharó PE 

Patrícia Diniz Santos, Natal RN 

Rosa Régis, Natal RN 

Thereza Salgado Lootens y Gil, Volta Redonda RJ 

Vera Lúcia Passos de Souza, Salvador BA 

Walmir Vítor de Souza, Volta Redonda RJ 

William Lagos, Bagé RS

Inscrições ao Fest Cine Amazônia, que celebra uma década

 

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Cantora Kekelly Lira grava clip entre dunas, sol e mar de Jeri

Durante a realização do  III Festival de Cinema Digital de Jericoacoara, de 14 a 21 deste junho na praia cearense, o jornalista/realizador e antropólogo Thalles Chaves aproveitou para gravar o primeiro clip de sua conterrânea, a cantora Kekelly Lira.

Thalles, Kekelly e o artista plástico, performer e escultor Marcelo Amarelo estiveram no festival com o curta-metragem Banquete em Transe, de Thalles Chaves, concebido a partir de ideia do Amarelo.

Kekelly Lira, que também é compositora, recebeu muitos elogios por sua bela voz, deu canja na noite de Jeri, e escolheu sua canção Amor é Fogo para ilustrar a bela paisagem de Jeri no clip dirigido pelo amigo Thalles Chaves.

Thalles fez as imagens do clip de KEKELLY com sua própria câmera Sony HD, e contou ainda com still através do auxílio luxuoso de Vitor Pires, o popular “Tio Chico”, realizador capixaba, que também participava do festival de cinema digital de Jericoacoara.

Agora, é esperar pra ver e curtir Kekelly Lira cantando na web…

Kekelly Lira cantando ao sabor dos ventos e da maresia de Jericoacoara…

Inscrições ao Curta CABO FRIO

Nova produção Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes. Em Jeri, NATURALmente…

Na turística praia cearense, sem artificialismos… NATURALmente….

Tudo começou nas conversas e passeios com amigos. Foi fácil elaborar o argumento e convencer os amigos a participar. A fotografia, claro, teria o auxílio luxuoso da amiga Lília Moema, cuja expressão inagética promove festas até nos olhares mais incautos.

E assim começou o novo curta Aurora de Cinema & Cabeça de Cuia Filmes… que vai-se chamar NATURALmente

E conta com importantes nomes no elenco: a cineasta argentinalemã Anna Paula Nonig; o cineasta e escritor francês, Olivier Gérard (um dos expoentes da Nouvelle Vague); a documentarista Célia Gurgel; os realizadores Thalles Chaves e Telmo de Carvalho; o professor e cineasta Sérgio Santeiro; a fotógrafa piauiense Lília Moema; o ex-craque do Botafogo, Afonsinho; a professora de Audiovisual, Renata Gomes; a jornalista Aurora Miranda Leão; e o ator Rodger Rogério, dividindo-se em três papéis.

Lília Moema captando em Jeri imagens para o curta… NATURALmente… 

À Aurora de Cinema e a Cabeça de Cuia Filmes, veio somar-se a jovem fotógrafa e realizadora pernambucana, Aline Moraes, que também assina a direção de fotografia do novo curta.

Olivier Gérard captado pelas lentes de Aline Moraes… NATURALmente

Cores predominam num dos bequinhos de Jeri… NATURALmente …

Lília Moema registra Sérgio SanteiroNATURALmente

NATURALmente tem argumento de Aurora Miranda Leão, direção de fotografia de Aline Moraes e Lília Moema, direção de arte de Aurora M. Leão e Lília Moema, edição Aurora e Lília, cartaz de Luziany Gomes, e trilha a ser escolhida…