Arquivo do dia: 10/07/2012

Às vezes, a Poesia insiste em nos visitar…

Receitinha Insensata

Pra você que está longe
E ainda não chegou
Você que faz versos, que ama, protesta
Fiz uma receita impensada
E salpiquei temperos em ideias desconexas

Um sol, pouco sal, algumas nuvens
Flores de mares, cheiros de verão
Muitos brindes e nenhuma ordem
Pouca sensatez e propensão demasiada
À loucura de gestos para anunciar
Como abraços em nuvens de aurora

Histórias se rabiscam à minha frente
Desnudam-se em mágicos desenhos
As cores outonais
Inspiram gestos e espargem fantasias
Sem pauta, notas, carimbos
Marcas, tons e sussuros…
Só os serpenteios do vento
Desencontram meu caminho.
Na bolsa onde levo bugingangas
Já pesam outras ternuras
Ancoradas na saudade.

 
O olhar não assinala mais
Necessidade nem pressa
A paixão quer entregar
Vertigem e busca em cada passo
A ébria poesia
Que os desejos perduram
E a ternura insinua
Como na fala do poeta

Porque mais vale sorrir e cantar
Tendo um amor por alcançar
Que desperdiçar energia
Por um rasgo azul de ilusão
Que nem sequer consegue
Estancar o cansaço
Transformando as horas amorfas
Em pretextos de afeto
Onde a luz se faz
Atriz de muitos palcos
Deixando escapar os laços
Perdidos em dessintonias
Para antever a saudade que se avizinha
Quando a razão se derrama
Porque o instante floresceu
Fecundo
De não mais ter
Desejo

Bortolotto e Juliano Cazarré no filme ‘Augustas’, que estreia em São Paulo

FILME do jornalista FRANCISCO CESAR FILHO é baseado em livro de Alex Antunes

A Estratégia de Lilith é o livro cult do jornalista Alex Antunes,  no qual Chiquinho César Filho se baseou para realizar AUGUSTAS. O filme marca a estreia deste premiado Francisco César Filho na direção de longas e será exibido pela primeira vez em São Paulo no próximo sábado, às 21h, no Memorial da América Latina

O filme narra momentos da vida de um jornalista morador da Rua Augusta, que demitido de seu emprego e de seu relacionamento com a chefe e amante, se embrenha em inusitados universos urbanos: o da prostituição e o dos rituais neo-xamânicos de transe. Em busca das respostas para suas angústias, ele desperta uma voz feminina que passa a aconselhá-lo. E, de quebra, desestrutura completamente seu modo masculino e oportunista de ver o mundo, levando-o a procurar outro tipo de compromisso, mágico e espiritual.
 
Retratando personagens que transitam, vivem e/ou trabalham na Rua Augusta, o longa é rodado majoritariamente naquela via paulistana.  Na trilha sonora, clássicos do underground paulistano dos anos 1980/1990,de autoria de Akira S e As Garotas Que Erraram, Fellini, Mercenárias, Patife Band e Shiva Las Vegas.

Mário Bortolotto, grande ator e dramaturgo paulista, protagoniza Augustas


Alex, o protagonista de AUGUSTAS, é interpretado pelo dramaturgo e ator Mário Bortolotto, vencedor do prêmio APCA pelo conjunto da obra e do Prêmio Shell de melhor autor pelo texto “Nossa Vida Não Vale um Chevrolet”.
 
O elenco é composto por nomes da nova geração do teatro e do cinema, como Caroline Abras (considerada a “Chlôe Sevigny brasileira”, duplamente premiada como melhor atriz no Festival de Gramado, pelos curtas “Perto de Qualquer Lugar” e “Alguma Coisa Assim”), Georgina Castro (do longa “O Céu de Suely” e da peça “Porão”), Guta Ruiz (da série televisiva “Alice” e dos longas “Bruna Surfistinha”, “Fim da Linha” e “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”) e Maíra Chasseraux (do filme “Onde Andará Dulce Veiga”).

 
O premiado Milhem Cortaz (dos filmes “Tropa de Elite” e “Carandiru”) e a veterana Selma Egrei (musa dos filmes de Walter Hugo Khouri) são atores especialmente convidados, e o elenco conta ainda com Henrique Schafer (indicado ao Prêmio Shell de melhor ator em 2005 por seu papel na peça “O Porco”), Juliano Cazarré (da novela “Avenida Brasil” e dos filmes”Meu Mundo em Perigo”, “Febre do Rato” e “A Festa da Menina Morta”), Ziza Brisola (criadora da Cia. Linhas Aéreas) e Phedra de Córdoba, um famoso travesti cubano, naturalizado brasileiro, que atua no teatro paulistano.

O diretor Francisco César Filho é jornalista e autor de diversos curtas-metragens documentais com premiações internacionais e exibidos em prestigiados festivais, como Roterdã, Locarno e Nova York.
 
Augustas tem direção de fotografia de Aloysio Raulino (do filmes “O Prisioneiro da Grade de Ferro”, “Serras da Desordem” e “FilmeFobia”), direção de arte de Rafael Ronconi (dos longas “Antônia” e “Cidade dos Homens”) e produção executiva de Eliane Bandeira (de “A Concepção” e “Meu Mundo em Perigo”).
 
O filme é realizado pela Anhangabaú Produções, empresa responsável por “Meu Mundo em Perigo” (de José Eduardo Belmonte), vencedor de três prêmios no último Festival de Brasília, pelos curtas “Carmem e Leão” e “O Sonho de Tilden” (este selecionado para o É Tudo Verdade 2008) e pelos longas em finalização “Se Nada Mais Der Certo” (também de Belmonte) e “Dom Quixote do Araguaia”, de Erika Bauer. A produtora roda, no segundo semestre, o aguardado Tropicália, longa de Ana Oliveira e Francisco César Filho. 

A Estratégia de Lilith

Recebido pela crítica como sendo “puro transe autobiográfico”, o livro A Estratégia de Lilith (Conrad Editora, 2001) transita entre a reportagem e a ficção pop, descortinando universos urbanos do sexo, do transe e da magia. Entre as influências da obra estão Raymond Chandler, Plínio Marcos e Carlos Castañeda.

 
Crivado de pequenas referências pop, musicais, cinematográficas, literárias e religiosas (Serge Gainsbourg, Jean-Luc Godard, Philip K. Dick, J.D. Salinger, Aleister Crowley), que de alguma maneira agregam fragmentos a um sentido maior e inesperado, A Estratégia de Lilith é o primeiro livro de Alex Antunes, que dirigiu a revista Bizz, criou a revista Set e escreveu para os cadernos de cultura da Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde e Veja, entre outras publicações. Antunes tabém é músico (Akira S & As Garotas Que Erraram e Shiva LasVegas, entre vários projetos), compositor (de “Atropelamento & Fuga”, gravada por Skowa & A Máfia) e produtor de mais de uma dezena de álbuns, como a coletânea “Não São Paulo”, documento do pós-punk paulistano, e os tributos a Arnaldo Baptista (“Saguinho Novo”) e a Luiz Gonzaga (“Baião de Viramundo”).  

O diretor Francisco César Filho 

Francisco César Filho é cineasta, curador, diretor de televisão, coordenador de workshops, dj e assessor de comunicação. Estudou Cinema e Filosofia na Universidade de São Paulo e recebeu, em 1993, Bolsa Intercultural para Cinema e Vídeo das fundações norte-americanas Rockefeller e MacArthur.

 Chiquinho, como é chamado pelos muitos amigos, lança o primeiro longa…


É diretor, roteirista e produtor de um dos principais títulos da chamada Primavera do Curta-Metragem Brasileiro: Rota ABC (1991), documentário sobre a juventude da periferia industrial de São Paulo. Melhor curta no Festival de Brasília e vencedor de prêmio especial do júri no Festival de Oberhausen (Alemanha), o filme foi selecionado para os festivais de Locarno, Roterdã e Nova York – as três mais prestigiosas vitrines internacionais do cinema autoral. Integrou ainda a retrospectiva Cinema Novo and Beyond,  organizada no MoMA de Nova York em 1999.
 
A filmografia de Francisco César Filho inclui ainda o documentário digital “VinteDez” (2001), co-dirigido com Tata Amaral, e os curtas-metragens “Poema: Cidade” (1986, melhor filme no Guarnicê de Cine-Vídeo), “Queremos as Ondas do Ar!” (1986, melhor curta na Jornada da Bahia, grande prêmio do júri no Festival de Oberhausen), “Hip-Hop SP” (1990, melhor filme para a juventude no Festival de Brasília), “Zona Leste Alerta” (1992, melhor documentário no Festival de Santiago), “A Era JK” (1993, da série Panorama Histórico Brasileiro, prêmio da crítica no Festival de Brasília) e “Mooca, São Paulo”, 1996 (seqüência inicial do longa Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral). Em 1993, o Festival de Cingapura organizou uma retrospectiva completa de sua obra. Augustas é seu primeiro longa-metragem. 

Serviço:

Exibição do filme AUGUSTAS, de Francisco César Filho

Quando: 14/julho, sábado, 21h

Local:  Memorial da América Latina

Entrada Franca

** 7o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

Diversidade sexual na tela: INTERIORES começa dia 25

Cena do curta-metragem paraibano 30 Segundos …

Trinta segundos. Este é o tempo que se leva para ter a uma impressão sobre alguém. Mas quanto tempo se leva para esquecer a última impressão sobre alguém ?  
Esta é a pergunta que motivou o diretor Wagner Pina a criar 30 Segundos, seu novo curta-metragem, que terá avant premiére na noite de abertura da segunda edição da INTERIORES: Mostra de Cinema da Diversidade Sexual. A mostra, que vai acontecer em Rio Preto (SP), começa no p´roximo dia 25 de julho, às 20h30, na unidade do Sesc Rio Preto.
 
30 Segundos fala sobre amor, amizade, felicidade e esperança. Com uma estética inspirada no diretor espanhol Pedro Almodóvar e no fotógrafo Lachapelle, o curta é forte e vibrante, lançando ao público um questionamento que a Bossa Nova já colocava no final dos anos de 1950: É possível ser feliz sozinho? 
 
No elenco do curta, produzido em Campina Grande, os atores Lívio Lopes, Oscar Borges e Ivson Rainero.
 
O diretor Wagner Pina também participará, dia 28 de julho, às 17h30, do bate-papo Possibilidades e pluralidades na ficção e na realidade.
 
Confira o teaser de 30 Segundos, disponível no Youtube.

Inscrições ao sétimo Cine Favela

Até 31 de agosto, inscrições pelo www.festivalcinefavela.com.br

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