Arquivo do dia: 23/10/2012

Avenida Brasil: Porque Amamos Carminha

Intérprete e personagem entrelaçaram-se no gosto popular criando um emaranhado de emoções e cumplicidade que responde por grande parte do êxito da trama de João Emanuel Carneiro

Carminha no auge: rica, linda e vivendo das graças do marido Tufão…

O que mais surpreendeu em AVENIDA BRASIL não foi o mega ibope do último capítulo – coisa de louco, tchê ! -, nem a forma como o autor se inspirou em escritores famosos, nem a trilha, nem o encantamento com o subúrbio traduzido no Divino.

Carminha: milionária encantadora e má do subúrbio…

Tudo isso já houve antes, e continuará acontecendo. E sobre o montão de coisas que se somam para o êxito desta novela que hoje é uma latejante saudade, falaremos adiante.

Adriana Esteves e Marcello Novaes: atores foram destaque com atuações soberbas…

Mas o que mais nos chama a atenção – depois de ler, reler e encontrar nos mais diferentes espaços informativos comentários sobre a novela -, é uma sensação de “Queremos Carminha !” que ainda está no ar.

Esta sensação é o que vai por baixo das afirmações, e corre no íntimo, de todos quanto agora comentam o final da novela – todos viram a mobilização nacional gerada pela exibição do último capítulo da trama, praticamente parando São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre  –  é o que aflora quando se afirma coisas do tipo “Carminha podia ter reagido”, ou “Pensei que Carminha estava mentindo”, ou ainda “Achei que Carminha ia dar a volta por cima”, ou, mais agudo ainda, “Queria que Carminha tivesse terminado rica, numa mansão na zona sul”, ou “Queria Carminha milionária enganando um novo Tufão”…

Carminha e Tufão: casal mobilizou as atenções do “Divino”…

A marcante cena em que Nina corta e pinta os cabelos de ‘Carminha’…

Isso tudo é a tradução mais latente e recôndita de que o envolvimento com a Carminha de ADRIANA ESTEVES tomou tal proporção que o público desejava não só não ver a vilã ficar pobre e sem glamour, como gostaria de ver novamente a atriz – que ele aprendeu a amar e ver bela, mesmo com todas as maldades de Carminha – esbanjando charme e eloquência de vencedora.

Este público queria rever/reencontrar sua Carminha-Adriana de novo linda, loura, esbanjando elegância, destratando os pobres,  enganando o marido, tripudiando com as funcionárias, fazendo exigências mis, zombando dos suburbanos e dizendo – sem papas na língua e com a maior desfaçatez – as insanidades que dizia. Porque a Carminha Vencedora, Bonita e Altiva era também o alter ego da enorme classe C, ou de quantos se sentiram inferiorizados tantas vezes, e que, naqueles momentos de altivez sórdida da vilã, se sentiam vingados ou de alma lavada através dos ótimso diálogos da trama.

E aqui entra, intenso e avasssalador, o potencial artístico de ADRIANA ESTEVES, a quem a imensa maioria da platéia queria ver novamente brilhando e tendo as rédeas da história nas mãos.

SENSACIONALLLLLLLL !

E isso só é possível de ser alcançado, em se tratando de personagem Antagonista, quando se tem uma intérprete do quilate de ADRIANA ESTEVES, cuja maestria, charme e competência a faz uma Atriz do mais alto refinamento interpretativo.

O que esta magnânima ATRIZ Adriana Esteves conseguiu através desta personagem criada por João Emanuel Carneiro é algo ainda a ser estudado por especialistas da área, e quem sabe mereça muito mais ainda a análise de quem atua na área da Psicologia.

Pois o que Adriana Esteves alcançou através de Carminha foi muito mais do que o apoio da audiência, a vibração da plateia, a emoção do telespectador, o entusiasmo dos colegas, a vibração da crítica, o encantamento do autor, ou o misto de adesão x revolta total de todo o público de Avenida Brasil.

Adriana Esteves e sua irretocável CARMINHA conseguiram foi mexer no imaginário coletivo e fustigar a emoção de quantos puderam ver – e vibrar – com a estupenda interpretação desta Atriz para uma personagem capaz das maiores vilanias e atrocidades.

A capacidade impressionante e invejável de ADRIANA ESTEVES de criar expressões faciais diversas para ‘Carminha’, numa mesma cena, ecoou fundo na emoção do telespectador e criou uma empatia só explicável pelas leis do sentimento…

Num próximo post, mais sobre AVENIDA BRASIL.

TODOS OS APLAUSOS para Adriana Esteves, Atriz cujo nome se inscreve na galeria das Grandes Damas da TeleDramaturgia…

O autor e as atrizes Isis Valverde, ADRIANA ESTEVES e Débora Falabella…

Jornada de Cinema no Festival da Fronteira

O IV Festival Internacional de Cinema de Fronteira convida para a I  Jornada de Estudos de Cinema da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), abrindo espaço para a participação e a  troca de experiências acadêmicas.

A Jornada vai acontecer dia 22 de novembro e constará de apresentações orais em forma de comunicação ou  relatos de experiência, e uma mesa-redonda, resultando em publicação.

A inscrição é feita mediante submissão (até 5 de novembro) e aceite de resumos, conforme o regulamento, o qual pode ser solicitado  através do e-mail  jornadacinema@gmail.com.

A abertura da Jornada se dará com a mesa-redonda História e Crítica do Cinema Brasileiro Hoje, contando com a participação do renomado teórico Jean-Claude Bernardet (USP), e da jornalista Ivonete  Pinto (UFPEL). A mesa será mediada pelo professor Tiago Lopes, da UniSinos.

Enquanto isso, prosseguem abertas às inscrições para a mostra de curtas-metragens: até dia 31 pelo site: www.festivaldafronteira.com

Quem faz a Jornada de Estudos de Cinema da Unipampa 

Jean-Claude volta a Bagé para conversar e destrinchar questões da Sétima Arte…

  • Jean-Claude Bernardet:  Jornalista, escritor, roteirista, ator, professor de Cinema, está nesta área há mais de 40  anos. Um dos principais críticos do país, é autor de vários  livros sobre cinema e de três romances. Coautor do roteiro do clássico O caso dos irmãos Naves, do cineasta Luís Sérgio Person, e Um céu de estrelas, de Tata Amaral. Produziu, em parceria com o escritor Fernando Bonassi, o roteiro de Através da janela, também da cineasta Tata Amaral. Como ator, está em alguns filmes, a exemplo de Filmefobia, de Kiko  Goifman.

A gaúcha Ivonete Pinto estará na Jornada de Cinema de Bagé

  • Ivonete Pinto: Jornalista, Doutora em Cinema pela ECA/USP, com tese sobre Abbas  Kiarostami, orientada pelo professor Jean-Claude Bernardet. Atua como  crítica de cinema, co-editora da revista Teorema, e docente do curso de Cinema e Animação da Universidade Federal de  Pelotas, e do curso de Especialização em Cinema  da Unisinos. Preside a ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema  do RS) e é vice-presidente da ABRACCINE. Escreveu os livros “A Mediocridade” (Ed.Sulina), “Descobrindo o  Irã” (Ed. Artes e Ofícios) e “Samovar nos Trópicos” (Ed. Artes e  Ofícios).

Tiago Ricciardi Correa Lopes – Professor dos cursos de graduação em Desenvolvimento de Jogos  Digitais, Comunicação Digital, Publicidade e Realização Audiovisual na  Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), é graduado em  Publicidade pela ESPM, e Mestre em Ciências da Comunicação pela  UNISINOS.   Coordena, desde 2009, o Grupo de  Estudos em Narrativas Interativas, vinculado ao curso de Jogos Digitais  da Unisinos, onde desenvolve projetos relacionados ao uso de  técnicas de Role Playing Games (RPGs) para a construção de universos  ficcionais narrativos, e também no desenvolvimento de jogos que fazem uso de tecnologias móveis, como celulares e navegadores GPS.