Arquivo do mês: dezembro 2012

Viva CARPINEJAR, nosso MESSI da Literatura !

Comecei a ler os escritos do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar há alguns anos, meio por acaso, ao pesquisar coisas na web para minhas postagens aqui, e textos para sites e revistas para os quais assino matérias.

O encanto pela escrita de CARPINEJAR foi imediato. E de uns textos aqui, outros versos ali, de repente me vi, constantemente, em busca das palavras do poeta.

Hoje, sou sua FÃ, surpreendida positivamente a cada dia com seus escritos, impressionada cotidianamente com sua versatilidade e impressionante capacidade de expressar-se e, ao fazê-lo, conseguir tocar de forma inequívoca o coração de todos quanto o lêem, e já somos milhares… até quando diz estar apenas fazendo prosa, ou nas suas postagens no twitter, ou apenas respondendo entrevistas, CARPINEJAR é um Mestre da Palavra.

Nasceu Poeta e parece ter o invejável destino de encharcar o mundo com o reluzente cristal da diafania.

Chego a pegar carona em seu texto sobre o genial artilheiro argentino do Barcelona, Lionel MESSI, e digo que ‘Carpinejar não procura as palavras para escrevê-las, as palavras dançam no imaginário de Carpi procurando a chance de ser por ele descobertas e traduzidas em poemas’.

Deixo com você, leitor amigo, mais um texto do Poeta, de quem sou fã de primeira hora, e a quem Aplaudo com carinho, gratidão e profunda admiração.

Salve CARPINEJAR ! Viva a Poesia que consegue prosear com tantos leitores ao mesmo tempo, e os versos que conseguem transbordar emoção e contagiar pela profundidade, beleza e propriedade com o qual são ditos.

FALO EU TE AMO FÁCIL, FÁCIL

Nada acontece por acaso.

Em tudo há um porquê.

Era para a gente se encontrar.

… Apague essas frases, largue o curso preparatório de noivos.

Amor não é uma fatalidade, é algo que inventamos, é a responsabilidade de definir, de assinar, de honrar a letra.

Colocamos a culpa no destino para não assumirmos o controle, tampouco sustentarmos nossas experiências e explicarmos nossas falhas.

Amar é oferecer nossas decisões para o outro decidir junto, é alcançar o nosso passado para o outro lembrar junto, mas jamais significa se anular.

É vulnerabilidade consciente. É fraqueza avisada.

É entregar nossa solidão ciente de que é irreversível, podendo nos ferir feio, podendo nos machucar fundo.

Não existe nada mais horrível e mais lindo.

Ninguém nos mandou estar ali, ninguém nos obrigou a nos aproximar daquela pessoa, ninguém nos determinou a começar uma relação.

Não teve um chefão, um mafioso, um tirano, um ditador nos ordenando namorar.

Foi você que optou. Assuma até o fim que é sua obra, inclusive o fim. Assuma que sua companhia é resultado direto do seu gosto, sendo canalha ou santa. Não adianta se iludir e tirar o pé. Não vale fingir e mentir freios.

Amor não é hipnose, passe, incorporação. É você querendo o melhor ou pior para sua vida. É você roteirizando e dirigindo as cenas.

Aquele que tem receio de se declarar não se deu conta de que é o próprio diretor do filme, e que a tela vai mostrar o sucesso e o fracasso de sua imaginação.

Por isso, não tenho medo de dizer “eu te amo” desde o início. O amor aumenta para quem diz “eu te amo”.

Se vou errar, eu é que errei. Se vou acertar, sou eu que acertei. Se vou me danar, o inferno será meu.

Falo “eu te amo” já no segundo encontro. Já para assustar. Já para avisar quem manda. Já para estabelecer as regras do jogo.

Falo no calor da hora ou no moletom do entardecer. Amor não surge do além, amor se cria da insistência.

A precipitação é uma farsa. Não há como me adiantar e me atrasar em sentimento que eu mesmo realizo. É bobagem negacear prazos, esperar amadurecer limites.

Exponho minha paixão fácil, fácil. Nem precisa perguntar.

Aprendo a amar amando, para entender que a maior declaração ainda não é o “eu te amo”. É quando alguém confessa: “Não consigo mais viver sem você”.

Mas isso não é amor, é coragem.

* FABRÍCIO CARPINEJAR

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 31/12/2012 e 1/01/2013
Porto Alegre (RS), Edição N° 17299

‘Antígona’ da CAL em montagem transgressora…

A Casa de Artes Laranjeiras – CAL – é um prédio antigo, numa pequenina rua do agradável bairro de Laranjeiras, onde vivi momentos felizes na infância.

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Ali, vi vários espetáculos, participei de eventos, assisti a palestras e seminários, aplaudi vários amigos em tempo de formação teatral.

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O edifício é esculpido entre muito verde e tem escadas em profusão – bem poderia se chamar CEL – Centro de Escadas de Laranjeiras… para se chegar à Casa, há um antigo teleférico, e tudo cntribui para tornar aquele lugar um espaço onde a Arte se faz com gosto, dedicação, sensibilidade e muita garra.

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Pois tive a alegria de retornar à CAL no último dia de novembro deste 2012 para assistir a uma nova montagem do clássico Antígona, do grego Sófocles. A convite da jovem atriz Ana Queiroz, egressa de estudos na Companhia Atores de Laura, e se revela, a cada dia, mais aficionada pelo fazer teatral.

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Impressionou-me muito a força que vi brotar do tablado da CAL em Antígona. Agradeço a Aninha o honroso convite e parabenizo, a ela e a todos os seus companheiros de jornada, pela beleza de espetáculo que pude ver, ao lado de uma plateia silente e muito atenta.

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A montagem desta Antígona nada tem de iniciática, a não ser o vigor com o qual seus atores exibem no palco, olhos vibrantes, corpo antenado, texto bem pronunciado porque bem sentido, tudo isso ajudado por um figurino exótico, contemporâaneo, e uma direção arrebatadora.

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Destaques para a encenação idealizada na forma do espelhamento; a sonoplastia, de encaixe perfeito; e as cenas de beleza invulgar, fortemente imagéticas, do uso dos computadores, dos cordões tecendo a trama na qual todos estão inseridos (inclusive a plateia), e da trilha desenhada pelas Antígonas em passos vermelhos tecendo rastos num caminho branco.

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Num horário ‘ingrato’ – 10 da manhã e 11:30h -, numa sala pequena mas aconchegante, o público compareceu e a atenção ao espetáculo semeou silêncio e notório interesse pelo trabalho.

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A direção, precisa, teceu a trama de forma tão atual que até computadores, celulares, i-phones, ipads, tudo que é modernidade tecnológica, se prestou para contar mais e melhor a obra de Sófocles, destacando sua atualidade e provando que a Arte, quando existe, não tem idade, fronteira nem paradigmas a serem seguidos como cartilha.

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A montagem de Antígona pela CAL, sob a direção de Fernando Philbert, é tão rica, impactante, exzpressiva e contundente que merece ganhar um palco e maior visibilidade, onde o público possa ser crescente e o espetáculo possa ser partilhado por mais e mais pessoas.

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Fui atendendo a um simpático ocnvite da atriz Ana Queiroz, que faz a Antígona numa das turmas. E a Aninha agradeço pela oportunidade de ter visto trabalho tão bonito e eloquente, deixando aqui u mcaloroso APLAUSO AURORA DE CINEMA e esperando revê-la ( e a sua turma) muito em breve em novos e instigantes espetáculos, uma vez que o ‘vício do teatro” corre solto nasveias de quem faz e de quem o assiste com amor, reverência e sentido do imediato cotidiano, que e sua matéria-prima.

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PARABÉNS à CAL pela permanência no fazer Teatral, a Fernando Philbert pela precios direção de Antígona, e a todo o elenco que criou um espetáculo coeso, afinado, vigoroso e cehio de méritos.

Ana em cena

Não tenho dúvidas: em breve, muitos desses atores estarão em cena, na telinha ou na telona porque garra, talento e disposição é o que não lhes falta.

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A ficha técnica:

“ANTÍGONA” de Sófocles Direção: Fernando Philbert Elenco: Ana Carolina Marques da Silva, Ana Cristina Valente Borges, Ana Figueiredo Barbosa, Bruna Zanon, Elisa Pimentel Caldeira Cardoso, Evandro Mattei, Flavia Maria de Moraes Bittencourt Lima e Sá, Gabriel Lima de Mello, Ian de Carvalho e Braga, Lucas Gabriel Lincoln Brasil, Mariana Magalhães Lordelo de Souza, Natalia Pinheiro Gumprich, Olivia Denise Colombino Ferrari, Rodrigo Augusto Marques Cerqueira, Vivian Marreiros Rodrigues, Yndara Barbosa de Souza.

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Aurora Miranda Leão entre as intérpretes de Tirésias e Antígona na CAL…