David Cardoso vai lançar biografia em Campina Grande

Ator, considerado Rei da Pornochanchada, vai participar do I Seminário Campinense de Construção do Ator para Vídeo e Gerenciamento de Carreira

Um dos mais importantes nomes do cinema brasileiro, o sul-matogrossense David Cardoso, até hoje conhecido como o Rei da Pornochanchada, não pára de receber homenagens, atender fãs com fotos e autógrafos, e de percorrer o país para lançar sua autobiografia. A próxima parada é em Campina Grande, atendendo a convite do jovem ator, professor de teatro e cineasta André da Costa Pinto, numa realização da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Na próxima quarta, 29 de maio, David Cardoso vai participar de um bate papo com o público paraibano sobre sua trajetória de ator, diretor e produtor, e em seguida lança sua concorrida biografia em noite que acontecerá no auditório da Secretaria de Cultura de Campina Grande, instituição promotora do Seminário de Construção do Ator para Vídeo e Gerenciamento de Carreira. A entrada é franca !

Nascido em Maracaju (MS), David é um apaixonado por Cinema, desde criança, e roteirizou e dirigiu recentemente um curta-metragem autobiográfico para contar aos quatro ventos sua saga de menino que desde sempre quis enveredar pela Sétima Arte. O resultado é o curta Maria Fumaça, Chuva e Cinema, no qual 3 filhos seus aparecem atuando. O curta é muito bem aceito onde quer que seja exibido e David revelou-se um diretor de talento, sensibilidade e capacidade de ir mais além. O filme abriu a primeira edição do Festival de Cinema de Araxá (MG) e foi exibido na solenidade de encerramento do III Anápolis Festival de Cinema, em Goiás, onde David foi homenageado pelos 50 de carreira.

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Germano Pereira, Aurora Miranda Leão, Rubens Ewald Filho e David Cardoso em noite de congraçamento em Anápolis…

O início da carreira foi em 1963 quando David decidiu mudar-se para São Paulo, iniciando ali as primeiras incursões na área técnica do Cinemaa, trabalhando como continuísta e diretor de produção na Pam Filmes, empresa criada pelo fenômeno de público do cinema brasileiro Amácio Mazzaropi, um dos mais importantes atores cômicos do Brasil. E é exatamente num desses filmes, mais precisamente em O Lamparina, que ele estreia como ator fazendo uma pequena ponta. A estréia oficial aconteceu e pra valer foi em 1966, no filme O Corpo Ardente, do renomado cineasta paulista Walter Hugo Khouri.

Foi em 1971, no filme A Moreninha, de Glauco Mirko Laurelli (baseado no romance homônimo de Joaquim Manuel de Macedo) que David virou um ícone nacional. Em 1973, fundou a Dacar Produções Cinematográficas, produtora de quase todos os seus filmes subsequentes. Em 77, estreou na direção com o filme Dezenove Mulheres e um Homem.

David nunca gostou muito do codinome de O Rei da Pornochanchada. Mas de uma certa maneira ele realmente foi o maior galã, a maior atração de bilheteria dos filmes produzidos em São Paulo nos anos 70 e 80, na chamada Boca do Lixo.

Como ator, participou de mais de quarenta filmes e da novela O Homem Proibido, em 1982, na Rede Globo, da qual era o protagonista. Na área do Cinema, seu trabalho destaca-se em filmes como Noite Vazia (1964), Amadas e Violentadas (1975) e O Dia do Gato (1988).

Ano passado, numa grande festa em São Paulo, David Cardoso recebeu mais uma homenagem, a quinta de 2012, por seus 50 anos de carreira como ator e diretor. O vereador paulistano Quito Formiga (PR) apresentou proposta, aceita por seus pares, e David recebeu a homenagem em bonita e prestigiada solenidade na Sala Cultural da Câmara Municipal de São Paulo, que ficou pequena para tantos fãs e amigos.

David Cardoso com os amigos Carlos Alberto Riccelli e Rubens Ewald Filho…

A história de David Cardoso consta de pelo menos 70 filmes, fora novelas e peças teatrais. A marca principal de David é a simplicidade, simpatia e boa prosa: assunto é o que não lhe falta.

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No III Anápolis Festival de Cinema, David Cardoso lê livro do jornalista Felipe Brida…

E David conta como nasceu a ideia do curta Maria Fumaça, Chuva e Cinema:

“Eu estudei o primário em São Paulo e quando estava no último ano, com 11 para 12 anos de idade, minha tia me pegou de bonde, me deixou na Avenida São João, no Cine Metro, onde eram exibidos os filmes Metro-Goldwyn-Mayer. Ela me deixou no cine Metro ao meio-dia porque a sessão lá era assim: do meio dia às duas, e sempre a cada duas horas. Eu assisti a Mogambo. Eu vi Mogambo e quando ela veio me pegar de volta, e me viu chorando, ela me disse: ‘David o que aconteceu meu filho? Alguém te bateu?’ Eu falei: – ‘Não. É bonito demais. Eu vou ser artista de cinema que nem o Clark Gaibou’ – pronunciei tudo errado. Eu falei: ‘Tia, vem amanhã assistir?’ Ela assistiu e eu fiquei no cinema de novo assistindo até às dez da noite. No outro dia, eu falei: ‘Tia, quando que nós vamos para Maracaju?’ Ela disse ‘daqui a quatro dias’. Eu falei: ‘Então a senhora me traz aqui todos os dias pra eu assistir a Mogambo?’ Ela concordou. Pegava um pão, cortava no meio, passava manteiga Aviação, e botava mortadela. Não tinha coca-cola, pegava um suco de laranja e colocava numa térmica, e eu entrava no cinema todos os dias e assisti 26 vezes ao filme em São Paulo, e quero contar essa história”.

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Eduardo Tornaghi, Aurora Miranda Leão e David Cardoso: encontro feliz no III Anápolis Festival de Cinema…

* David Cardoso tem participação especial no novo curta-metragem Aurora de Cinema, chamado Quando a gente ama, com produção de Laura Pires e direção de fotografia de Ângelo Lima.

5 Respostas para “David Cardoso vai lançar biografia em Campina Grande

  1. Este artigo sobre cineastas , integrado ao projeto sobre cinema é um esboço . Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o .

  2. Leopoldo G. Mcbride

    Tudo por conta das mudanças positivas que um festival de cinema provoca no âmbito da cidadania. Ainda mais um festival bem pensado, bem organizado e muito bem produzido como o é este Anápolis de Cinema, graças ao empenho e dedicação da aguerrida Débora Torres, que é dessas pessoas que, quando se mete a fazer, faz pra valer e pode ter certeza que vai ser muito bem feito e com extrema competência.

  3. Desiree D. Bean

    “Eu estudei o primário em São Paulo e quando estava no último ano, com 11 para 12 anos de idade, minha tia me pegou de bonde, me deixou na Avenida São João, no Cine Metro, onde eram exibidos os filmes Metro-Goldwyn-Mayer. Ela me deixou no cine Metro ao meio-dia porque a sessão lá era assim: do meio dia às duas, e sempre a cada duas horas. Eu assisti a Mogambo. Eu vi Mogambo e quando ela veio me pegar de volta, e me viu chorando, ela me disse: ‘David o que aconteceu meu filho? Alguém te bateu?’ Eu falei: – ‘Não. É bonito demais. Eu vou ser artista de cinema que nem o Clark Gaibou’ – pronunciei tudo errado. Eu falei: ‘Tia, vem amanhã assistir?’ Ela assistiu e eu fiquei no cinema de novo assistindo até às dez da noite. No outro dia, eu falei: ‘Tia, quando que nós vamos para Maracaju?’ Ela disse ‘daqui a quatro dias’. Eu falei: ‘Então a senhora me traz aqui todos os dias pra eu assistir a Mogambo?’ Ela concordou. Pegava um pão, cortava no meio, passava manteiga Aviação, e botava mortadela. Não tinha coca-cola, pegava um suco de laranja e colocava numa térmica, e eu entrava no cinema todos os dias e assisti 26 vezes ao filme em São Paulo, e quero contar essa história”.

  4. Este artigo sobre cineastas , integrado ao projeto sobre cinema é um esboço . Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o .

  5. Para quem não sabe, David Cardoso é o nome artístico de José Darcy Cardoso. O ator brasileiro que nasceu na cidade de Maracaju, no Mato Grosso do Sul em 1943 sempre foi muito interessado por cinema, mas só aos 20 anos, ele se muda para São Paulo e inicia sua carreia no universo audiovisual.

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