Arquivo do mês: junho 2013

Crítico LG ressalta relevância de filme de Truffaut

Primeira produção de Truffaut em língua inglesa, Fahrenheit 451 é uma fábula onde a própria raça humana se transforma no terror mais assustador…

Surpreendeu-nos bastante o artigo do crítico Luís Carlos Merten, publicado dia 18 de junho pelo jornal Diário do Nordeste, no qual afirma que o filme dirigido por François Truffaut beira o desastre. Incrível. Surpreendeu-nos, sim, pois somos ledores dos artigos de Merten e o colocamos entre nossos bons analistas. Só não conseguimos concordar com ele quando indaga o motivo pelo qual os críticos até hoje se perguntam como um tema “truffautiano” foi tão mal servido por Truffaut… Recordamo-nos de outro artigo de Merten, publicado em 23 de maio de 2003, no jornal Estado de São Paulo, quando elogia Truffaut e põe nele o título por demais expressivo: “Truffaut desvenda o artifício que faz a magia do cinema”…

Cartaz do filme de Truffaut: o horror de um mundo sem livros

Entendemos que Jean Tulard exagera ao citar, em Dicionário de Cinema, que Truffaut com seus gostos de crítico não sinalizava (?) para o diretor acadêmico no qual se transformou… Existem, sim, belas cenas em Fahrenheit 451 e, mais uma vez, vamos discordar da afirmação de Merten, para quem qualquer diretor de filmes B de Hollywood teria feito melhor que o mestre francês. Para ele, a inadequação é flagrante e a ficção científica de Truffaut beira seu fim, embora outros cineastas, como o saudoso Maurício Gomes Leite (criador de Vida Provisória, 1993), não cheguem a tanto.

Avaliações

Em verdade, os críticos ingleses Gerry Carpenter (www.scifilme.com) e James O´Ehley (The Sci-Fi Movie Page) louvam o filme criticado por Merten ao afirmarem que, a obra literária de Ray Bradbury sobre um futuro sem livros, ganha assustadora dimensão realística neste clássico filme dirigido com mãos de mestre por François Truffaut, um dos grandes inovadores do cinema de todos os tempos.

Montag (Oskar Werner) é um bombeiro designado para queimar livros proibidos até conhecer uma revolucionária professora que se atreve a lê-los. De repente, escrevem os citados críticos, Montag se vê como um fugitivo caçado, forçado a escolher não apenas entre duas mulheres, mas entre sua segurança pessoal e a liberdade intelectual.

Primeira produção de Truffaut em língua inglesa, “Fahrenheit 451 é uma fábula extraordinária na qual a própria raça humana se transforma no terror mais assustador e tem um dos roteiros mais inteligentes e a melhor direção de uma adaptação literária para o cinema que já vi”. Palavras do já citado Gerry Carpenter com as quais o crítico James O´Ehley concorda e lamenta já não estar entre nós a figura inesquecível de François Truffaut.

PALAVRAS DO DIRETOR

François Truffaut: um dos grandes ícones da cinematografia francesa…

Indagado sobre o motivo pelo qual foi levado a ler o romance de Ray Bradbury para adaptá-lo ao cinema, respondeu o cineasta: “Foram três frases simplesmente mágicas. Um país onde é proibido ler, onde os livros são queimados, e onde quem lê se vê condenado ao opróbrio, à prisão, se necessário até à morte. Um personagem que faz parte das brigadas de destruição dos livros pelo fogo descobre a leitura e acaba por juntar-se aos que resistem por osmose a essa decisão arbitrária: eles se tornam homens-livros para que estes e seu conteúdo não morram: eles aprendem de cor um livro e o transmitem a uma criança, um amigo, no dia de sua morte”.

“A partir desse momento”, prossegue Truffaut, “decidi fazer Fahrenheit 451. Encontrei o autor, em 1962, em Nova York, comprei os direitos de seu livro, e comecei a trabalhar com Jean-Louis Richard, meu roteirista. Tivemos então a decepção de ver que seria muito difícil viabilizar esse projeto na França, mesmo colocando Jean-Paul Belmondo para interpretar o papel de Montague, a quem ele apreciava muito. Tive de esperar quatro anos até ter condições financeiras para realizar o filme na Inglaterra. Aliás, o lugar não fazia a menor diferença: tanto podíamos ter rodado Fahrenheit 451 em Londres quanto em Estocolmo ou Toronto”.

Estes dois parágrafos foram extraídos dos textos reunidos por Anne Gillian e publicados pela Editora Nova Fronteira sob o título O Cinema segundo François Truffaut (Le Cinéma selon François Truffaut), livro no qual o cineasta francês demonstra sua vastíssima cultura cinematográfica, falando de tudo quanto se refere ao mundo mágico do cinema, ao mesmo tempo apaixonado e atento ao alcance de cada uma de suas palavras. Sua excepcional capacidade de narrador propicia um caráter de magia à sucessão de fotogramas de seus filmes e também está presente na sucessão de palavras deste livro magnífico perpetuador de Truffaut como autoridade incontestável em matéria de cinema.

Não esqueçamos: Truffaut tinha a rara capacidade de exprimir em imagens o inefável, ou seja, “tudo quanto não pode ser expresso em palavras”. Aproveitamos para destacar uma sugestiva disposição de palavras na capa do DVD conducentes ao filme de Truffaut: “O que seria da nossa vida se não tivéssemos o direito de ler?”.

Para concluir, destacamos duas reflexões de Truffaut: a primeira sobre ritmo cinematográfico e a segunda sobre tempo psicológico. Ei-las: “O ritmo cinematográfico é a disposição ou o desenvolvimento harmonioso no espaço e/ou no tempo de elementos expressivos e estéticos, com alternância de valores imagéticos de diferente intensidade“; “À medida do crescimento das ações na tela e do fluir das imagens rumo ao clímax, o tempo psicológico aumenta a sensação de apreensão e de incerteza por parte do espectador. É quando a câmara cinematográfica parece ver tudo quanto interessa ao drama e ter todas as objetivas em plena atividade e em função de um efeito artístico”.

Fahrenheit 451: clássico de Truffaut é alvo de discordância entre críticos…

D. W. Griffith, pioneiro da linguagem cinematográfica

O crítico L.G. de Miranda Leão* reafirma a fundamental contribuição do notável cineasta americano

De há muito devida, prestamos hoje nossa homenagem póstuma ao emérito e quase esquecido cineasta americano David Lewelyn Wark Griffith (1875 – 1948), ou simplesmente D. W. Griffith, como ele mesmo se assinava. Em qualquer curso de cinema ou retrospecto histórico sobre a arte fílmica, pouco importa o nível e o país, tem sido obrigatório discorrer, mesmo de forma resumida, sobre o legado de Griffith.

De há muito devida, prestamos hoje nossa homenagem póstuma ao emérito e quase esquecido cineasta americano David Lewelyn Wark Griffith (1875 – 1948) ou simplesmente D. W. Griffith, como ele mesmo se assinava. Em qualquer curso de cinema ou retrospecto histórico sobre a arte fílmica, pouco importa o nível e o país, tem sido obrigatório discorrer, mesmo de forma resumida, sobre o legado de Griffith.

Griffith: legado do cineasta é expressivo para a gramática do cinema

Nascido na cidade de La Grange, em Kentucky (EUA), em 1875, esse emérito cineasta dos tempos do cinema mudo foi o idealizador de filmes memoráveis do ponto de vista histórico, os quais propiciaram os conhecimentos básicos da arte do filme, influenciaram o mundo cinematográfico do seu tempo e deixaram herança valiosa para as gerações seguintes.

Perfil

David Wark Griffith se considerava um dramaturgo apenas razoável e não um ator ou diretor de cinema, quando em 1907, aos 32 anos, começou a trabalhar na então “novidade” do século – a projeção de imagens em movimento numa tela, ou seja, quando atuou frente às câmeras num filme melodramático de um só carretel, dirigido por outro pioneiro, Edwin S. Porter, sob o título “Resgatado de um Ninho de Águias” (Rescued from an Eagle´s Nest) sobre um garoto “sequestrado” por um grande pássaro preto. D. W. Griffith compreendeu de pronto o alcance e as grandes possibilidades do novo veículo e logo se distinguiu pelas sugestões valiosas para melhorar o desempenho dos atores e propiciar maior dimensão às ações vistas na tela.

Destaque-se o fato de Griffith ter sido convidado, já em 1908, para dirigir outro filme melodramático de um só carretel (“one-reel film”) sobre criança roubada, não por um pássaro, e sim por um pequeno grupo de ciganos. Entre 1908 e 1913, Griffith dirigiu cerca de 150 filmes de curta e média metragens. Com essa experiência, o cineasta teve a oportunidade de testar, já na semana seguinte, os resultados do seu labor por trás das câmeras, mas sempre de olho no trabalho junto à moviola primitiva e atento ao princípio segundo o qual “tudo pode ser visto, revisto, corrigido e melhorado”.

Uma rejeição importante

Griffith, recorde-se, rejeitou a noção de “plano padrão” (o chamado “standard shot”) então apoiada pela Motion Patent Company (MPPC), segundo nos informa Gerald Mast em sua obra clássica History of Motion Pictures, publicada pelo editor novaiorquino William Benton, em 1982. De acordo com essa empresa, por qual motivo o público deveria pagar para ver o ator pela metade, quando poderia ver a figura de corpo inteiro pelo mesmo preço?

Contrariando a MPPC, Griffith demonstrou desde cedo a relevância das relações de distância ou proximidade da câmara em face do seu objeto. Por isso, desenvolveu uma série de “shots” indo do extremo “close-up” ao extremo “plano longo” (“extreme long shot”) e descobriu um ponto importante: o conteúdo emocional do “shot”, seu papel estrutural no enredo, aqui entendida a noção de estrutura não como partes isoladas de alguma coisa, mas como a relação das partes uma com as outras e com o todo.

Para Griffith, como ainda nos lembra Mast, a informação humana transmitida por esse conteúdo deve determinar a composição do quadro e não quaisquer máximas baseadas em errôneas analogias com o palco. Griffith também desenvolveu os ritmos da edição para ligar os planos: quando cortar languidamente para dar a impressão de quietude e despreocupação, quando tiver de usar cortes rápidos para transmitir a impressão de tensão e velocidade, ou quando cortar subjetivamente para revelar os pensamentos ou intenções dos personagens. Para nosso homenageado, os chamados “tempos mortos”, ou seja, quando nada acontece e os olhares e expressões fisionômicas se encontram ou se distanciam, em realidade muita coisa está ocorrendo.

O mascaramento

Griffith também desenvolveu a técnica do “mascaramento” (“masking”), na qual parte do retângulo da tela é escurecido para focalizar atenção sobre algum círculo ou forma oval ou horizontal, ou outro contorno de luz e imagem dentro do quadro. Griffith desenvolveu ainda o efeito denominado “Íris”, no qual uma cena começa com um pequeno círculo de luz dentro do quadro e então se expande para preencher toda a tela e termina de forma reversa, encolhendo a imagem plena para um pequeno ponto de luz, como assinalou Mast. Acresça-se que Jean-Luc Godard, um dos papas da Nouvelle Vague, utilizou em Acossado (A Bout de Souffle), de 1959, alguns desses efeitos de Griffith. Ironicamente, esse filme marcou uma ruptura significativa com as técnicas cinematográficas tradicionais, enquanto François Truffaut seguia o mesmo caminho nos 22 filmes por ele dirigidos entre 1959 e 1984, quando faleceu.

Pan shot

Griffith também integrou a panorâmica ou “pan shot” no conjunto do seu trabalho de pioneiro ou precursor, sabendo-se que o “pan shot” é o termo usado para designar o movimento executado pela câmara sobre seu próprio eixo fixo num tripé, podendo esse movimento ser horizontal ou vertical. O “traveling shot” ou “tracking shot” é usado quando a câmara toda se move para poder acompanhar a ação para dentro de sua linguagem cinematográfica. A significação das contribuições de Griffith, segundo filmólogos e historiadores (como os já citados Don Allen e Arthur Knight), não foi porque ele “inventou” esses “shots”.

Em verdade, muitos deles, mas não todos, haviam sido usados por seus predecessores, os quais posicionavam a câmara em várias posições, enquadrando personagens e objetos de modos diversos, sem atinarem porém com o propósito dessas variações, feitas muitas vezes de forma desordenada, embora se saiba que D. W. Griffith sintetizou de modo coerente e eficaz a forma de contar uma história no cinema.

Foi Griffith, em suma, o insigne codificador ou o primeiro cineasta a combinar os planos criativamente. Durante muitos anos, suas descobertas e lições influenciaram cineastas europeus, notadamente franceses, ingleses, alemães, russos, bem assim os pioneiros do cinema brasileiro, como os saudosos Mário Peixoto (1910-1992), famoso autor de um filme só, Limite (1930), e Humberto Mauro (1897-1983), adotado aliás como mestre e modelo, embora o chamado grande público nunca o tenha conhecido bem.

De qualquer modo, Humberto Mauro realizou alguns filmes como Tesouro Perdido (1972), Brasa Dormida (1928), e Sangue Mineiro (1929), os quais o levariam para o Rio de Janeiro. A partir de 1936, a convite de Roquette Pinto, Mauro foi trabalhar para o INCE, onde realizou nada menos de 300 documentários. Estes registros dos dois pioneiros podem ser lidos e relidos no valioso Dicionário dos Cineastas, de Rubens Edwald Filho, obra imprescindível para cinéfilos.

A questão dos atores

Nem todos se recordam, mas Griffith, além de tudo quanto contribuiu para conhecermos os primórdios do cinema e seus desdobramentos técnico-artísticos, melhorou também a interpretação dos atores, motivo pelo qual não mais deveriam eles, viessem de onde viessem, demonstrar suas emoções com gestos grandiloquentes, emprestados do teatro. Somente assim, diria o mestre, os atores se tornariam pessoas com reações sutis, expressões fisionômicas convincentes, ao invés de gesticulação exagerada dos primeiros tempos do cinema e do teatro americano.

D. W. Griffith no set, atento ao trabalho dos atores…

Nosso homenageado, o grande pioneiro a quem tanto devemos como cinéfilos, também começou a equacionar o problema de fazer o mundo inteiro parecer tão real como tridimensional e tão plenamente estruturado como o mundo exterior. De fato, seus cenários se tornaram gradualmente mais detalhados e desenvolvidos, enquanto sua iluminação gradativamente superou a monotonia das primeiras cenas de interiores, as quais eram realmente filmadas nos exteriores. Em verdade, na maioria dos primeiros filmes, como nos lembra Mast em seu livro, a luz do sol ficava difusa com musselina para iluminar uma cena de interiores. O tom e a textura da iluminação de Griffith começaram a captar expressivamente o sentimento da vida dentro de casa.

Como vimos, a importância dos planos no cinema nasceu com Griffith, o primeiro articulador da linguagem cinematográfica. Como bem enfatizou Jon Izod, professor da Universidade de Stirling (no Reino Unido) e autor de An Introduction to Films Studies, “o posicionamento da câmara altera a informação por ela transmitida acerca do objeto”. A frase basta para firmar o entendimento segundo o qual ou assimilamos a função dos planos ou não entendemos o quanto o filme quis dizer.

* LG de Miranda Leão é jornalista, professor universitário aposentado e crítico de cinema, autor dos livros Analisando Cinema (Imprensa Oficial/SP) e Ensaios de Cinema (parceria BNDES/BNB).

Em Gramado, o Brasil é mais Cinema !

Na adorável cidade gaúcha, que em agosto vira a Capital do Cinema, tudo concorre para o êxito do histórico Festival…

       E viva o Tapete Vermelho… 

Cada Festival de Cinema tem seu perfil definido. O de Gramado, sobretudo, um dos mais antigos do país, tornou-se tradicional como o mais charmoso, elegante, “estrelado” e glamuroso do país. Acho ótimo termos um festival assim. Afinal, se os americanos podem, os franceses fazem, os alemães também têm um, e o Cinema é mesmo a Sétima Arte, cercada de mistérios e magias, por que no Brasil também não podemos ter uma festa de luxo, beleza, charme e tapete vermelho para celebrar quem nos conduz a tantos lugares através de algumas horas numa sessão de cinema?

O KIKITO, troféu mais cobiçado do Cinema Brasileiro…

Tem gente que não gosta de se sentir destacada, alvo de muitos olhares, elevada de repente ao status de estrela. E tudo isso acaba acontecendo, de um modo ou de outro, porque em Gramado tudo termina virando meio cinematográfico mesmo. Não só as belezas naturais e arquitetônicas favorecem: também as paisagens lindas da cidade, as flores de matizes tão vivos e modelos tão diversos, as mudanças climáticas improváveis que sempre sobem à serra junto com os participantes e os muitos interessados no festival e contribuem para o vestuário elegante… Porque para adentrar o histórico e aconchegante Palácio dos Festivais é preciso atravessar o longo tapete vermelho da rua coberta, numa passarela ladeada por cordas, atrás das quais um número enorme de pessoas assiste e espera à passagem dos grandes ídolos e ídolas do Cinema Brasileiro.

Sobretudo na noite de sábado, dia da solenidade de entrega dos Kikitos, quando a cidade amanhece lotada, este número que se acotovela ante a passarela vermelha, é elevadíssimo. Pra nós que fazemos o blog AURORA DE CINEMA, este é um dado animador. Acho bárbaro saber: numa pequena cidadezinha do Brasil, todos os anos, durante uma semana, os habitantes vivem em função do Cinema produzido no país, e turistas de todas as partes acorrem à serra gaúcha na saudável expectativa de conhecer de perto os astros conhecidos apenas da tela, da telinha ou da telona. Não importa.

Vale a presença entusiasmada das pessoas, alegrando o festival, embelezando a cidade, contribuindo com a vontade dos patrocinadores de continuar investindo no Festival (e também em novos filmes), fazendo circular a economia gramadense, deixando satisfeitos donos de hotéis, pousadas, restaurantes, as casas de artesanato, vinho, queijo, as deliciosas chocolaterias – um pecado confesso ! Vou a Gramado há muitos anos e admito achar um luxo ver tanta gente aplaudindo nossos Artistas – não importa que, entre esses, muitas vezes não estejam os meus preferidos. Vale constatar, anualmente,  a presença de uma quase multidão, que fica horas ali no entorno do Palácio dos Festivais querendo ver/tocar/conhecer/pegar no seu artista preferido. E que, meses antes da realização do Festival, a procura de reservas nos hotéis e pousadas já é enorme.

Imagina se a cada mês, uma cidade do país pudesse se orgulhar de conseguir o mesmo feito… Já pensou se deparar a todo instante com alguém na rua querendo fotografar ou ser fotografado com uma ‘versão fake’ do troféu do Festival, seja em forma de chocolate, de chaveiro, cachecol, luva, manta, meia, em pequenas versões, ou querendo levar pra casa (para presentear, relembrar ou para enfeitar um cantinho da casa), uma réplica da estatueta com cara de sol-em-flor rindo a todo momento e de qualquer ponto de onde se olhe? Já pensou quando outros festivais do país tornarem igualmente tão popular o seu troféu?

O Cinema Brasileiro ganharia a cada mês um novo ânimo e, quem sabe, os prováveis patrocinadores de cada cidade passassem a olhar a Cultura como uma coisa necessária. Daí a um tempo teríamos, então, uma grande corrente de pessoas contribuindo, afetiva e financeiramente, para a realização de mais e mais filmes no Brasil.

Questiona-se: isso não é cinema, é vitrine. Os filmes concorrentes têm cada vez menos qualidade, os grandes diretores não querem mais colocar seus filmes para concorrer, o público não é maior nos circuitos comerciais para filmes vencedores em Gramado, etc, etc… Bom, ainda que sejam verdadeiras algumas dessas colocações, esses são outros olhares sobre um tema que tem um foco principal: o Respeito ao Cinema e o prosseguir Fazendo Cinema.

Não se pode deixar de reconhecer: é muito bela e imponente a festa de entrega dos Kikitos. É emocionante conferir a satisfação de quem recebe o troféu tão bonito como o Deus do Bom Humor, criado por Elizabeth Rosenfeld em meados dos anos 60, espalhado de forma tão carinhosa por toda a cidade.

Aurora, Denise e Sirmar (2)

A jornalista Aurora Miranda Leão entre a produtora carioca Denise Del Cueto e o ator gaúcho Sirmar Antunes numa das edições do Festival de Gramado…

Quando estou em Gramado, o Brasil me cheira mais Cinema. A movimentada semana do Festival é um momento de encontro especial para realizadores da Sétima Arte de todo o país. Estar na solenidade de entrega dos Kikitos parece reacender sempre a chama em defesa do Cinema Brasileiro.

Torcer pelos filmes, gostar mais desse ou daquele, aplaudir um voto acertado, uma cena marcante, a expectativa pelos resultados, o Palácio dos Festivais lotado, a incerteza de conseguir ou não um lugar pra sentar… tudo constrói uma aura mágica em favor do nosso fazer Cinema e também da troca de experiências culturais entre povos latinos.

A e Rosa  Gramado 2008

Rosamaria Murtinho e a jornalista Aurora de Cinema na edição de 2008…

Saímos do Palácio dos Festivais já esperando o Festival do ano que vem, com saudade do que passou e com a impressão, ainda que passageira ou passional, de que o nosso Cinema tem fôlego para muito mais. E esta renovação de esperança e afirmação de crença no Cinema Brasileiro é o grande trunfo do Festival de Gramado – Cinema Brasileiro e Latino.

Sky

Quem serão os selecionados de Gramado ?

Curadoria e comissões na fase de escolha dos concorrentes da 41a edição do Festival de Cinema

As últimas semanas foram intensas para a curadoria e as comissões de seleção do 41° Festival de Cinema de Gramado.

Com 580 trabalhos inscritos (que representam um incremento de 48% em relação aos números do ano passado), os integrantes da Curadoria e comissões de seleção já chegaram a um consenso sobre as obras que disputarão o cobiçado KIKITO e o Prêmio Assembléia Legislativa de Cinema Gaúcho.

Curadores..

Curadoria: Rubens Ewald Filho, Marcos Santuário e José Wilker (foto Leonardo Peixoto)

 O perfil democrático entre a seleção de longas-metragens é um dos destaques desse ano, segundo o curador Rubens Ewald Filho – que repete a função ao lado de José Wilker e Marcos Santuário: “Muito além do aumento de inscrições, os filmes inscritos este ano tiveram um crescimento impressionante de qualidade. Foi difícil descartar nomes da lista. Mas o resultado tem um pouco de tudo e podemos esperar um Festival mais rico em propostas de filmes”, diz Rubens.

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Em foto de Cleiton Thiele, a comissão que analisa os curtas brasileiros…

Na seleção de curtas nacionais, a coordenadora da comissão, jornalista Ivonete Pinto, também comenta sobre o trabalho: “Com o barateamento dos meios de produção e com o aumento da entrada no mercado de alunos egressos dos cursos de graduação em cinema, o cenário está diferente. Foi um trabalho que exigiu esforço mental e físico, na busca de filmes que melhor investiram em estética, linguagem e temática”.

Entre os curtas gaúchos, a diversidade de gêneros, assuntos e estilos é um aspecto a ser destacado, segundo o crítico Robledo Milani: “Foi impressionante conferir a produção audiovisual gaúcha recente. São trabalhos que não se restringem mais somente à capital. Creio que teremos um painel bem amplo e indicativo do que de melhor foi feito cinematograficamente no Rio Grande do Sul no último ano”, comenta.

O belo e histórico Palácio dos Festivais, sede do mais badalado festival de cinema do país…

O 41° Festival de Cinema de Gramado será realizado de 9 a 17 de agosto e é uma realização da Prefeitura Municipal de Gramado, Coordenação Geral da Secretaria de Turismo com a colaboração da Gramadotur.

Comissão de curtas nacionais:

– Alexandre Cunha, jornalista e gerente de programação e aquisição do Canal Brasil;

– Ana Acker, jornalista e pesquisadora;

– Ivonete Pinto, jornalista e vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE);

– Luiz Alberto Cassol, diretor de cinema e cineclubista;

– Paulo Henrique Silva, jornalista e crítico de cinema;

– Janaína Kremer, atriz.

Comissão de curtas gaúchos (Prêmio Assembléia Legislativa):

– Robledo Milani, crítico de cinema e vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS);

– Vicente Romano, jornalista e superintendente de Comunicação Social e Relações Institucionais da Assembleia Legislativa do Estado

– João Frohlich, diretor de fotografia.

Sergio Fonta é novo membro da Academia Brasileira de Arte

 Jornalista, ator, diretor e pesquisador da Cultura Brasileira, Sergio Fonta será empossado amanhã em cadeira de Arthur Azevedo  


Sérgio Fonta: intelectual da área cênica, vai assumir cadeira acadêmica

           

 A  Academia Brasileira de Arte  tem o prazer de convidar  para  a  Sessão  Solene de  Posse do Sr. Sergio Fonta na  Cadeira 40,  patronímica  de Artur Azevedo, em sucessão a Jonas de Morais Correia Filho, a realizar-se no dia 25 de junho de 2013, às 17h, na Sala Pedro Calmon, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

             O empossando será recebido pelo acadêmico Sylvio Lago Junior.

 Av. Augusto Severo, 8 – 12º andar 

Traje: Passeio completo

 Acadêmicos: uso da insígnia

Sérgio Fonta (ao centro): sempre cercado de amigos e festejando o Teatro, as Artes e as Letras…

Sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que amanhã fará solenidade para empossar Sérgio Fonta na Academia Brasileira de Arte…

A Academia Brasileira de Arte

Fundada em 12 de agosto de 1942, por inspiração de Ataulpho de Paiva, para cultivo e divulgação da Arte em sete de suas manifestações – Pintura, Escultura, Arquitetura, Literatura, Teatro, Música e Crítica/ História da Arte.

Pouco se sabe de sua história nos primeiros anos, pois seus arquivos acham-se extraviados, mas, pelo que pode ser levantado no Livro de Termos de Posse, aberto na gestão do acadêmico Nestor Egydio de Figueiredo, teve como fundadores 26 dos primeiros ocupantes de 40 de suas cadeiras:  Afonso de Carvalho, Alceu Amoroso Lima, Álvaro José Rodrigues, Álvaro Moscoso, Augusto de Lima Junior, Cláudio de Souza, D. Clemente da Silva-Nigra, Edgar Roquette-Pinto, Eliseu D’Ângelo Visconti, Floriano Bicudo, Francisco Braga, Gustavo Capanema, Heitor Villa-Lobos, Humberto Gottuzzo, José Carlos de Figueiredo Ferraz, José Fiúza Guimarães, Jonas de Morais Corrêa Filho, Leopoldo Gottuzzo, Manoel Nogueira da Silva, O. Garcia Junior, Orozimbo Nonato da Silva, Pedro Costa Rego, frei Pedro Sinzig, Rino Levy, Rodrigo Mello Franco de Andrade e Rodrigo Octavio de Langgaard Menezes, além do citado Ataulpho de Paiva, a quem foi concedido, em 16.11.1964, o título de Acadêmico de Honra.

Em 1964, reorganizou-se, conforme Ata registrada sob o nº 13.361 no livro 6 do Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas do Rio de Janeiro, firmada por Nestor Egydio de Figueiredo, Augusto de Freitas Lopes Gonçalves, Dilermando Duarte Cox, Renato de Mello Alvim, Luiz Carlos Peixoto de Castro, Joracy Camargo, Viriato Corrêa, Mario Nunes, Henrique Cavalleiro, Múcio Carneiro Leão, Oswaldo Teixeira, Ayres de Andrade, Barbosa Lima Sobrinho, Francisco Mignone, Andrade Muricy, Renzo Massarani, Hildegardo Leão Velloso, Hélios Seelinger, Jordão de Oliveira, Raymundo Magalhães Junior, Alfredo Galvão, Gerson Pompeu Pinheiro, Augusto Meyer, Adonias Filho, Manuel Paulo Filho, Renato de Almeida, Victor de Miranda Ribeiro, Humberto Cozzo, Heitor Usai, Antonio Garcia de Miranda Netto, Carlos del Negro, Manuel Santhiago. Leopoldo Alves Campos, José Octavio Corrêa Lima, Murillo Araújo, Afrânio Coutinho, Carlos Flexa Ribeiro, Oscar Niemeyer, Peregrino Junior, Regina Veiga, Ary Garcia Rosa, Sergio Bernardes, Wladimir Alves de Souza e Edson Motta, dos quais 20 vieram, posteriormente, a integrar o quadro titular.

Sua trajetória pode, assim, ser dividida em quatro fases: de 1942 a 1964, sob a direção de Ataulpho de Paiva; de 1964 a 1973, presidida por Nestor Egydio de Figueiredo; de 1973 a 2010 por Agenor Rodrigues Valle, e, a partir de então, por Heloisa Aleixo Lustosa.

Por suas cadeiras passaram 93 ocupantes, afora seus atuais titulares. Ao longo das três últimas fases, abrigou conferências abertas ao público, premiações, sessões de homenagem e concorridas solenidades acadêmicas constituindo-se num agradável locus de trocas intelectuais e sociabilidades. Em 2010, abriu-se a novas expressões artísticas, incorporando às suas áreas de eleição a Dança, a Moda, o Design, o Cinema, a Fotografia, o Colecionismo, o Paisagismo, a Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico, e as manifestações da cultura popular.

Seu quadro divide-se em três segmentos: o de titulares, com 40 cadeiras, patronímicas de vultos de significação nas diversas áreas da Arte, destinadas a brasileiros natos ou naturalizados; o de correspondentes estrangeiros, sem limitação de número; e o de acadêmicos livres, integrado pelos que não chegaram a ocupar cadeiras ou que por elas ainda não optaram, escolhidos todos por eleição.

Saiba mais sobre o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro:

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro nasceu em 1838, com o intuito de ser uma entidade que refletisse a nação brasileira que, não muito antes, conquistara a Independência.
Na Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional – hoje, por sucessoras, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro –, os secretários, cônego Januário da Cunha Barbosa e marechal Raimundo José da Cunha Matos, apresentaram proposta para a sua criação, concretizada em 21 de outubro daquele ano, em Assembléia Geral, firmada por 27 fundadores, previamente escolhidos.
A profícua existência do IHGB tem-se caracterizado por atividades múltiplas, nos terrenos cultural e cívico, pela reunião de volumoso e significativo acervo bibliográfico, hemerográfico, arquivístico, iconográfico, cartográfico e museológico, à disposição do público, durante todo o ano, e pela realização de conferências, exposições, cursos, congressos e afins.
Contou com patronato do imperador D. Pedro II, a quem foi dado o título de Protetor pelo incentivo e financiamento de pesquisas, além de doações valiosas, cessão de sala no Paço Imperial para sede do Instituto, em seus passos iniciais, e presidiu mais de 500 sessões. Importantes nomes da política, das artes, das letras, da magistratura, do magistério e das atividades produtivas do país estão integrados ao Quadro Social do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Ao lado do pesquisador Ricardo Cravo Albin e da jornalista Alicinha Silveira, Sérgio Fonta vai assumir cadeira que tem como patrono o dramaturgo Arthur Azevedo.

Festival de Gramado prepara sua 41a edição

Vencedores deste ano estarão na Semana do Cinema no Peru…

A edição comemorativa de 40 anos teve os filmes “Colegas”, “Artigas, La Redota” e “Menino do Cinco” como grandes vencedores. Agora, os organizadores já estão em ritmo acelerado preparando a próxima edição do Festival de Cinema de Gramado, que será realizada de 9 a 17 de agosto na cidade serrana.

Filme ‘Colegas’, de Marcelo Galvão, grande vencedor da edição Gramado 2012…

Na 41ª edição, seguindo a tradição do Festival, serão quatro mostras competitivas: longas brasileiros, longas latinos, curtas brasileiros e curtas gaúchos. As inscrições para todas as mostras já foram encerradas. Na curadoria dos longas em competições, Rubens Ewald Filho, José Wilker, e Marcos Santuário prosseguem como Curadores.

Wilker, Santuário e Rubens Ewald Filho: os Curadores…

Por enquanto, a organização comemora os excelentes números alcançados. Considerando as mostras de longas-metragens brasileiros e estrangeiros, e curtas-metragens brasileiros e gaúchos, a edição deste ano superou a marca das inscrições da edição comemorativa de 40 anos.

Cidade de Gramado fica ainda mais bonita com o Festival de Cinema…

Foram 117 inscritos em longas brasileiros, 50 em longas estrangeiros e 72 em curtas gaúchos. O maior aumento, em comparação ao ano passado, ficou com os curtas nacionais, cujo número de inscrições passou de 253 para 406.

Uma das novidades deste ano é o aprimoramento dos laços de intercâmbio cultural com outros países da América Latina. Assim, o Festival de Cinema de Gramado também marcará presença no Peru. Em viagem à Lima, o prefeito de Gramado, Nestor Tissot, e a secretária de Turismo da cidade, Rosa Helena Volk, foram recebidos pelo embaixador do Brasil no Peru, Carlos Alfredo Lazary Teixeira, e pelo chefe do setor de promoção, Eduardo Pereira e Ferreira.

O KIKITO: o mais popular e cobiçaado troféu do Cinema Brasileiro

Na ocasião, o embaixador convidou o Festival de Cinema de Gramado para participar da Semana do Cinema Brasileiro no Peru. Com a parceria firmada, os filmes vencedores da 41ª edição do Festival terão visibilidade internacional garantida com a exibição na próxima edição do evento no Peru.

* Da esquerda à direita: Chefe do setor de promoção, Eduardo Pereira; Secretária de Turismo de Gramado, Rosa Helena Volk; Prefeito de Gramado, Nestor Tissot; Embaixador do Brasil no Peru, Carlos Alfredo Lazary; e primeira-dama de Gramado, Jandira Tissot.

A cada ano, mais gente vai a Gramado e lota o Palácio dos Festivais para ver as sessões de Cinema Brasileiro e torcer pelo filme predileto…

Porto Alegre e uma Redenção de Saudade…

Gauaíba

Imagem do Astro Rei no famoso rio Guaíba… (foto Joyce MLeão Martins)

“Domingos em Porto Alegre têm um não-sei-o-que de encanto. Não se vestem de tédio. Não espalham poeira nas ruas, enquanto quedamos parados em casa (aliás, nenhuma vontade de ficar em casa !).

Domingo na Redenção 9 jun 13

Não se descolorem como as folhas caídas do outono. Ao contrário, devem ter uma certa intimidade com a PRIMAVERA. Mesmo quando abusam das cores (e dos ventos) do frio, convidam o entusiasmo a passear. Acinzentados ou ensolarados, os domingos aqui costumam vir sempre acompanhados de crianças, cachorros, rapazes, moças e seus cachecóis. E ainda atraem a música, a arte, a amizade, todas ali, juntinhas, a caminhar pelo Parque da Redenção. Coisa mais linda !”

* O texto é de autoria de Joyce Miranda Leão Martins, que também fez a maioria das fotos.

POA jun 13

O Parque da Redenção, em Porto Alegre, num domingo frio de junho…

Redenção junho 13

Porto Alegre é uma cidade que me encanta, desde que a conheci. Gostar não se explica e talvez não saiba mesmo dizer porque gosto tanto da capital gaúcha. Sobretudo depois que minha filha foi morar lá, aí mesmo é que eu poderia ter passado a ‘desgostar’ da cidade… afinal, é meio por causa de Porto Alegre que hoje moro longe dela, minha única filha, amada e tão merecidamente admirada.

Outonal

Uma flor cearense em meio à bela paisagem outonal gaúcha…

ipês

Mas o fato de Porto Alegre ser hoje uma saudade constante e apertada no peito, não me faz gostar menos dela.  Ao contrário: POA passou a ser minha segunda cidade porque a cidade que recebeu de braços abertos e abriga com generosidade, beleza, amigos, outono, flores e folhas o melhor pedaço de mim… embora isso tudo me encha os olhos de lágrimas….

Jardim Botânico

O Jardim Botânico de Porto Alegre: serenidade verde em cenário encantador…

O que me faz imediatamente lembrar-me do genial poeta gaúcho, Fabrício Carpinejar, cuja vocação poética extrapola qualquer pretensão de definir seu talento ou esquadrinhar sua versatilidade exemplarmente tocante, iluminada e iluminadora.

E Carpinejar é então mais um motivo para aumentar meu apreço e meu bem qeurer a Porto Alegre. O Poeta é de tal modo encantado com a cidade, que tem tatuado nas costas o mapa com a planta original da capital gaúcha. Mesmo nascido em Caxias do Sul, Carpinejar é um declarado apaixonado por Porto Alegre. E isso também contribui para meu amor por esta cidade… “Coisas de magia, sei lá…”, como tão bem cantam Kleiton e Kledir, outros dois queridos gaúchos.

Museu de Arte

Ai eu penso em SAUDADE e reproduzo aqui a mais bela crônica que já li sobre o tema. Pra variar, o texto também é de autoria de CARPINEJAR:

Saudade é uma covardia corajosa, uma ansiedade cheia de paciência, uma preocupação despreocupada. É se ofender elogiando outro, é se elogiar ofendendo o outro.Saudade é uma antecipação do abandono. Uma despedida provisória que dói igual a um desenlace definitivo. É um aceno que não entrega a mão ao ar, um cumprimento que não fecha os dedos.A saudade é acordar na sexta como se fosse sábado. É vestir nossa roupa predileta para permanecer em casa. É arrumar a cama para dormir no sofá.A saudade surge antes da saudade. Definimos dentro do fato qual será a lembrança de que sentiremos saudade. Sentimos saudade no meio da experiência.Saudade é uma alegria entristecendo. Porque toda alegria só será definitiva depois da saudade. Depois da tristeza.

livro do Carpi pra mim

Novo livro de Carpinejar, autografado para esta redatora: uma alegria imensa !

E pra fechar, mais uma crônica de Carpinejar, onde nos irmanamos no amor e afeição a PORTO ALEGRE:

“Nunca vai nevar em Porto Alegre, apesar dela acreditar em milagres. Se a cidade fosse previsível, não estaria nela. O Guaíba é um engradado de cerveja. De vez em quando alguma garrafa explode com o pôr-do-sol. E o casco espuma. O vento briga com o vento, como dois cães brincando. Há ilhas em sua volta, uma ilha em volta de ilhas. Amo a possibilidade de caminhar pela cidade a esmo. Posso atravessá-la e não estender a mão. Ir do estádio Beira-rio ao Olímpico e não reclamar do cansaço. Dá a certeza que chegarei em casa. Apanho a cidade com o canto do olho. Não é desesperada, atônica, nem alegre demais, afônica. É uma cidade sábia, como alguém que envelhece e não se aposenta. Em Porto Alegre, é possível pedir uma informação fora do guichê, ficar no banco sem parecer desempregado, cochilar no ônibus e ser acordado no ponto final. Não progrediu agredindo, nem retrocedeu censurando. Ficou do jeito que o último morador a deixou. Fruta que é mais gostosa verde. Porto Alegre foi engolida ainda no pé. Cidade baixa, que não serve aos suicidas. Exibicionistas não encontram trapézio nos viadutos. O viaduto é apenas uma criança subindo no muro. Porto Alegre tem um jeito residencial, mesmo no centro. Infantil, como um jóquei que deixa o cavalo crescer em seu lugar. Há mais lendas do que histórias, pelo estranho hábito de transformar em lenda a falta de notícia. As árvores aparecem de forma suficiente a não percebê-las. Não são numerosas, nem reduzidas, são. As nuvens se concentram em shoppings como balões promocionais. A orla é uma bicicleta, a curva de bicicleta – só cabem dois para olhá-la. Porto Alegre é uma cidade sem segunda-feira, começa tudo na terça. São seis dias por semana. Quem nasce em Porto Alegre recebe um dia de desconto. O domingo de sol cheira a churrasco. Cidade que usa pantufas, não chinelo de dedo […] Não se acorda de noite para comprar um maço de cigarro, até as assombrações têm preguiça. O escuro conserva os vaga-lumes. A vida é como ela não poderia ser. Cidade vaidosa do seu passado mais do que seu futuro. Os recados são deixados nas paredes, não na geladeira. As velhas casas usam quadros-negros. As praças surgiram depois das estátuas. Deus é chamado em caso de urgência. Em Porto Alegre, não existe urgência”.

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Aurora de Cinema e a reverência a um dos mais aclamados poetas gaúchos, Mário Quintana, grande influência na obra de Fabrício Carpinejar…

A Alegria ESQUENTA nas tardes de domingo

Programa comandado por Regina Casé é melhor a cada audição…

O lema do programa de Regina Casé é “Xô, Preconceito !”

Regina Casé faz o melhor e mais animado programa dominical dá TV brasileira…

Faz alguns meses e virei fã. Sempre que estou em casa, assisto. Comecei a ver o programa enquanto esperava amigos pra ir almoçar… eu também achava que o ESQUENTA era um programa que só devia funcionar bem nos meses de janeiro e fevereiro, antecedendo ao carnaval. E não é que me surpreendi absolutamente bem com o ESQUENTA ?

Idealizado pela dupla Regina Casé e Hermano Vianna, o programa marca a estreia da atriz comandando um programa de auditório. E o ESQUENTA é um belo Gol de Regina Casé, Hermano Vianna, Estêvão Ciavatta, Guel Arraes e equipe ! Tem uma proposta interessantíssima, avançada (até o ponto em que se pode ‘furar’ os bloqueios de um meio de comunicação de massa como a tevê), com um conteúdo calcado na diversidade, na pulsação da alegria, da brincadeira, do bom humor, pontos de grande relevância para uma atração exibida justamente no primeiro dia da semana, cuja ‘missão’ subreptícia é recarregar as baterias para a nova jornada que começa a cada segunda-feira.

Regina Casé com o pai Geraldo e a filha Benedita…

Regina Casé, que traz no sangue a vocação para a empatia popular, o humor, a musicalidade e a valorização da diversidade cultural, é  pessoa certa no programa certo. Neta do radialista Ademar Casé – produtor e apresentador pioneiro do rádio brasileiro -, e filha de Geraldo Casé, a atriz comanda o ESQUENTA como se estivesse na sua casa, numa grande sala de celebração das múltiplas variáveis que fazem da Cultura Brasileira este belo matelassê, onde todos os ritmos e formas de arte misturam-se formando-se harmoniosas combinações.

Geraldo Casé, o pai de Regina, ainda moço começou a trabalhar com seu pai auxiliando-o no Programa do Casé da Rádio Philips, onde foi sonoplasta, operador de áudio e, depois, diretor artístico. Além da Phillips, Geraldo Casé trabalhou na Rádio Mayrink Veiga e na Rádio Globo. Depois de algum tempo, foi parar na TV, e lá, criou, entre outros o programa de auditório ‘Um Instante, Maestro’, comandado pelo apresentador Flávio Cavalcanti. Sempre ligado ao público infanto-juvenil, Casé criou programas como Teatro de Malasartes e Fantoche estrela. Mas a maior realização de Casé foi a adaptação das histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo, de Monteiro Lobato, para uma série de televisão, entre 1977 e 1986. Casé também compôs músicas e dirigiu peças de teatro. E foi dele que partiu o nome do lendário grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, do qual Regina foi uma das expoentes. A última ocupação de Geraldo Casé foi como Diretor Artístico da Divisão Internacional da Rede Globo.

Para desenvolver o ESQUENTA, Regina conta com a ajuda da equipe que a acompanha há muitos anos. São quatro diretores: Estêvão Ciavatta, o marido, e os amigos Leonardo Netto, Mônica Almeida e Mário Meirelles, e mais o diretor de núcleo, Guel Arraes. Alberto Renault e Hermano Vianna assinam o roteiro final.

É Mônica Almeida quem diz: “Nosso grupo tem essa característica de ser totalmente junto e misturado. Estamos todos trabalhando na criação do programa. Os roteiristas dão ideias para a direção, a gente sugere coisas para o roteiro… Todo mundo faz tudo”.

Periferia, subúrbio, favela, morro, pobres e ricos, bonitos e feios, dançarinos e cantores amadores, artistas das mais diversas áreas, projetos importantes, cantores e atores da emissora líder, tudo junto & misturado. E XÔ Preconceito !

Assim é o cerne do programa desta artista grandiosa e de invejável empatia que é Regina Casé. Assistir ao ESQUENTA é como participar de uma festa domingueira onde a alegria recepciona os convidados e a plateia – a do estúdio e a de casa – através da mistura de ritmos, cores, ideias, de convidados múltiplos, congregando várias tendências e estilos formadores de um autêntico painel da diversificada cultura brasileira. E Viva a Diferença, como tão bem dizem os franceses !

Desde que comecei a ver o ESQUENTA, o programa só melhora. Que produção supimpa !!! De tirar o chapéu ! Aliás, o naipe de produtores da Rede Globo é qualquer coisa a ser analisada com muita atenção. Ali parecem estar congregados os grandes profissionais do país, nas mais diversas áreas da criação artística. O que são aqueles roteiristas, maquiadores, músicos e a turma que ‘pega no pesado’ da produção mesmo (nós já trabalhamos com produção de programa radiofônico e televisivo e sabemos: o trabalho é desgastante e difícil, embora fascinante) ? A cada domingo, os convidados, as músicas, as danças e os quadros do ESQUENTA são novos, interessantes e sempre primando pela união de forças que vai atuar em prol da Alegria e da propagação de ideias possibilitadoras de novas posturas diante de temas relevantes, ou do conhecimento de ações e projetos que estão fazendo bonito e diferente em questões pungentes.

A filha de Regina Casé, Benedita, registrando tudo…

Foi assim no ESQUENTA que juntou a cantora Ivete Sangalo e um senhor que cuida da maior biblioteca existente numa cidade do interior do Brasil – Biblioteca Professora Ivete -, justamente uma biblioteca erguida e mantida pelo senhor que adora livros e cuja primeira professora era a mãe de Ivete Sangalo. É claro que a emoção de Ivete e do bibliófilo baiano encharcou de emoção o ESQUENTA e foi difícil segurar as lágrimas.

Assim foi também com a presença de Zeca Pagodinho no ESQUENTA, sobretudo quando apareceu também a cozinheira que fez comida de graça pra toda a comunidade de Xerém quando da última enchente no lugar, gesto nobre tornado possível pela união das forças do Bem – de Pagodinho e da altruísta cozinheira vizinha do artista carioca.

E assim foi no ESQUENTA de hoje quando Regina Casé recebeu o Super Pop Lulu Santos; os atores Sophie Charlotte, Marco Pigossi e Humberto Carrão (novela Sangue Bom); o ator e humorista Marcius Melhem, que é um dos colabores do programa; e um projeto de Pindamonhangaba que trata da adoção de crianças e jovens, a partir de 5 anos. Um exemplo incrível que bem poderá ser seguido em várias outras partes do país. Quem quiser mais informações sobre a meritória organização que trabalha com esse tipo de adoção, é só entrar no site do ESQUENTA.

Além disso, o ESQUENTA tem um grupo fixo de músicos – como Péricles, Arlindo Cruz e o baino Mumuzinho (de voz belíssima), e prima pela criatividade nos figurinos, os quais, a cada domingo, se relacionam com o tema escolhido para o programa e dão banho de originalidade, beleza e propriedade com o tema ressaltado.

Lulu Santos tocou vários de seus hits no ESQUENTA deste domingo e fez a plateia dançar e cantar junto…

Enfim, assistir ao ESQUENTA é um dos ótimos programas para as tardes de domingo. Quem optar por ficar em casa, deve se ligar no programa. É uma delícia assistir ao ESQUENTA comandado com graça, bom humor, espontaneidade, e show de descontração, simpatia e muita criatividade por REGINA CASÉ.

Regina Casé no ESQUENTA: figurinos do programa são atração à parte…

Regina Casé e o marido Estêvão Ciavatta, diretor-geral do ESQUENTA

O blog AURORA DE CINEMA inscreve-se entre os muitos fãs do ESQUENTA e recomenda: se você for zapear no domingo, não há como não se ligar no programa de Regina Casé e Hermano Vianna ! O ESQUENTA É, DISPARADO, a opção inteligente pela ALEGRIA mais descontraída e a mais colorida mistura da Diversidade !

Regina Casé faz do ESQUENTA a atração mais alegre e divertida do Domingo !

O dia em que Dorival Caymmi plagiou a si próprio…

Marília Araújo, jovem e bela morena cearense, completa 7 anos criando looks maravilhosos e este Aurora de Cinema é quem ganha o presente…

Saudação 1

bela olhando

Com make criado por Marília Araújo, em ensaio fotográfico de Drica Montenegro…

cabelão

Marilia e eu maio 13

Aurora e Marília Araújo, maquiadora que faz hoje 7 anos no métier…

Marília Lenda

O charme de Marília Araújo, maquiladora apaixonada pelo ofício…

QUEM É MARÍLIA ARAÚJO

Marília Araújo é uma profissional competentíssima porque adoraaaa o que faz e está sempre pronta a descobrir novidades, conhecer novos produtos, ler sobre o tema, reciclar-se em cursos onde quer que eles aconteçam. Isso faz muito na grande diferença que é entregar o rosto, fechar os olhos e deixar a criatividade da perosnal make viajar nos seus traços naturais, pois é assim que funciona. A maquiadora apenas deve ressaltar seus melhores traços, dando ganho em qualidade e beleza ao que a natureza lhe concedeu.

Mar morena

A personal make do Aurora de Cinema: Marília Morena Make Maravilha !!!

Como se não bastasse seu senso profissional, sua vocação, dedicação e imenso prazer em trabalhar com a profissão que escolheu, Marília Araújo foi educada num colégio que prioriza o lado humano de seus estudantes, e cercada de amor, carinho, amigos e boas lições. Ela estudou no histórico Colégio Batista Santos Dumont. E foi lá que a conheci.

Por isso, comento sobre Marília Araújo com total propriedade pois tenho a sorte e a alegria de conhecê-la desde pequenina, uma vez que os laços que me unem a esta morena linda que virou uma Super Profissional da Beleza – que conhece o Belo e sabe como espalhá-lo – vem pelas vias mais bonitas que me unem a qualquer pessoa: a sensibilidade, a inteligência, a bondade e beleza humanitária de minha amada filha Joyce.

Marilia PB

Por conta desses laços, Marília desde menina andou comigo, dormiu na minha casa, pegou carona, contruiu dias e momentos felizes ao lado de minha Princesa, partilhando com ela muitos anos de cotidiano escolar.

Marília make

Sem dúvida, se Dorival Caymmi tivesse conhecido Marília, plagiaria a si mesmo e sairia tocando e cantando ao ritmo da famosa canção, “Marília Morena, Marília você se pintou… Marília você já é bonita com o que Deus lhe deu…”

De garota esperta, inteligente, boa aluna, bonita, amiga e brincalhona, Marília tornou-se uma profissional da maior responsa, e nós ficamos muito felizes em poder testemunhar o belo caminho trilhado por Marília Araújo, uma personal make de se tirar o chapéu !

makes

Quando tem razão e a questão é séria, Marília fica brava e diz coisas assim:

“Tá na moda ser maquiador??? Como já foi cool ser estilista, fotógrafo, dj, modelo… Gostar de se maquiar, assistir tutoriais das blogueiras no you tube, comprar meia dúzia de maquiagens e sair por aí não torna ninguém um maquiador !!!  A sorte é que nós, PROFISSIONAIS, trabalhamos para pessoas que valorizam nossa ARTE e reconhecem a diferença notória de um trabalho feito por nós e por um amador. Então aqueles que não fazem a menor idéia do que é a arte da luz e sombra na maquiagem, desconhecem as nuances de cores, não sabem da importância dos pincéis no nosso dia-a-dia, ignoram as técnicas utilizadas por nós, deviam se contentar em praticar a automaquiagem,  admirar nosso trabalho e respeitar nossa PROFISSÃO.”

Nós concordamos ! Por isso, é com Marília Araújo que este AURORA DE CINEMA está e estará sempre !

Maquiando

Marília Araújo no ofício que ama: criando look e vendo a beleza saltar de suas mãos…

Ingrid

Ingrid Tolentino em make assinado por Marília Araújo… de arrepiar !

lindeza PB

O Blog AURORA DE CINEMA recomenda as criações de MAKE de Marília Araújo…

modelo 2

Você também pode conhecer o trabalho de Marília Araújo e ficar mais bonita com um look criado por ela. A profissional atende suas muitas clientes no confortável e charmoso Salão BARROS CABELEIREIROS, no Pátio Dom Luís, e também a domicílio. E para complementar os looks, ela trabalha com uma profissional especializada em produzir belos penteados. Saiba mais:

Barros Cabeleireiros

Horário: Segunda a sábado – 10h às 22h   Domingo 14h às 20h

Localização no Shopping Pátio DOM LUÍS

Piso L1 Loja 115

Contato da Loja: (85) 3264-3016 (newbarros@hotmail.com)

Sexta é dia de Carpinejar no Rio !

Poeta lançará mais recente livro, sexta, no RIO !

Na Livraria da Travessa, no shopping Leblon, a partir das 20 horas…

O blog Aurora de Cinema recomenda.

“A melhor poesia é aquela que se faz sem ter consciência de se estar fazendo. Quando você não quer impressionar. Quando você é normal, pacato, sincero, autêntico”.

Fabrício Carpinejar é o mais eloquente poeta brasileiro contemporâneo.

Não à toa, o público do Poeta aumenta diariamente e suas páginas nas redes sociais são infladas de amigos, admiradores, e seguidores que não cansam de aumentar e de repercutir o magnânimo poeta gaúcho aos quatro ventos…

Lê-lo é um prazer e uma ‘obrigação’ necessária para quem aprecia as boas emoções e a escrita desenhada poeticamente, seja em verso ou namorando com a prosa.

Fabrício Carpinejar é visceralmente antenado com a contemporaneidade e tudo que escreve é tão bem elaborado, e escrito com tanto sentimento, que a sensação é de que um escritor como ele a gente quer ter do lado, sempre, como um confidente, um amigo, um parceiro de emoções.

Escrevendo, falando, respondendo entrevista, autografando ou apresentando seus programas no rádio e na TV, CARPINEJAR é sempre motivo de aplausos

FABRÍCIO CARPINEJAR é encantatório !

“Eu sinto uma alegria enorme de escrever, não importa como”.

“Não quero dizer uma coisa por dizer. Tenho que sentir necessidade, tenho que sentir essa avidez. Na verdade, eu acho que sou mais perigoso com a prosa. Sou mais incisivo. Mas eu estou usando a poética ao fazer prosa. É um vestíbulo da
poesia”.

“Escrever para mim é igual, não importa o meio. O que importa é a intensidade”.

A Internet é um livro em que o autor e o leitor se lêem ao mesmo tempo. Interatividade pura. E o texto não termina com o ponto final do autor. Ele continua com cada comentário, que vai acrescentar uma lembrança, uma descrição, uma evocação, uma opinião. Na verdade, eu sou um apaixonado pela insuficiência da literatura. Quero que a literatura nunca seja suficiente”.

Espero